terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pobreza como elemento isolatório.



Estava esses dias pensando que grandes cabeças pensantes, que conseguiram divulgar seus pensamentos ao mundo, tinham alguma grana.

Na verdade a grana pode usar usada para manter e divulgar sua filosofia entre o mundo. Isso desde Sócrates, Maquiavel ou Locke. A pobreza pela pobreza em si talvez não traga uma riqueza de espírito tão grande quanto se ela tivesse. Logo, o dinheiro poderia comprar sabedoria? Depende. Se você tem dinheiro e não usa ao seu mérito, dificilmente chegará lá sozinho.

Uma vez no ônibus, há muito tempo, vi um casal lendo e discutindo Foucault. Eles faziam bem o estilo que queria, uma vida mais simples, mas bem atrelada ao conhecimento. Eu queria entrar na conversa, mas percebia que eles estavam muito além de mim. E não pareciam ter dinheiro, parecia que tudo o que tinham no mundo cabia naquela grande mochila de acampamento que eles pareciam carregar pra cima e pra baixo.

Mas mesmo assim, será que essa vontade em ler Michel Foucault e conhecer tão bem a obra dele veio de um ímpeto, de um insight? Dificilmente. Com certeza alguém comentou com eles. E esse alguém era alguém mais letrado, mais hábil.

Fico pensando nessa molecada daqui da onde moro, na periferia. Suas vidas muitas vezes se resumem a buscar uma "mina", ter uma moto, um emprego como operador e só. Eles não tem alguém nessa vida que os faça ter sede pelo conhecimento, pela sapiência, pela clareza. Sócrates dizia que a filosofia poderia servir a todos de alguma maneira, mas somente uma pessoa não pode ser eventualmente a carroça que puxa a todos. É muita carga em cima de uma única pessoa.

Não é porque se é pobre que deve ser acomodado. Mas sair dessa zona de conforto depende de fatores externos, de pessoas que não estejam na zona de conforto e de alguma forma plantem uma semente nessas pessoas, que a façam começar a refletir o seu mundo.

Vamos comparar a periferia londrina com a periferia paulistana. Lá existem as mesmas coisas, polícia para todos os negros, as vezes usa de uma abordagem um pouco agressiva, pessoas vivem isoladas e com emprego difícil, e quando conseguem tem que conviver com outras dificuldades, porém o londrino que mora no subúrbio médio tem muito mais estudo que talvez até mesmo um brasileiro alto tenha. Quero dizer que, entre os milhares de habitantes da periferia londrina, algumas centenas conseguem esse "despertar" e olhar e refletir sobre seu entorno.

Enquanto na periferia paulistana, dificilmente isso acontece. E essas pessoas organizam mesmo manifestações, depredam locais, batem em policiais e instauram um período de reinvidação do que querem.

Veja as manifestações quando políticos corruptos fazem algo. Quem manifestou? Ricos. Grande parte dos comunistas são o que? Ricos. Entre outros tantos exemplos de pessoas que usam seu dinheiro para buscar uma cultura que ia além do isolamento do seu meio, ia atrás de um conhecimento que causasse uma reflexão deles para explicar o mundo a sua volta.

Por isso que, uma periferia paulistana vive em situações muito piores que a da inglesa, mesmo assim, dificilmente age com manifestações. Muito errado isso.

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