segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Porque educação não é prioridade.

Ás vezes eu penso porque brasileiro adora fazer o inverso das coisas. Eu já disse o quanto sou revoltado com o quanto ministérios como o do trabalho recebem investimentos maciços e educação não. Pessoas preferem votar em políticos que prometam emprego do que educação, isso é uma coisa da cultura que deve mudar.

Eu odeio hipocrisia. Odeio ver essa gente que diz que agora tem que se investir na educação numa sociedade que não preza ela. Sim, estou falando da sociedade. Pessoas ainda tem uma visão romanceada de que existem pessoas com "dom" para fazer algo e que não precisa de estudos. Empresas olham no seu currículo a sua experiência, não os seus estudos. Pessoas querem saber onde você trabalhou, e não o que você realmente sabe ou onde estudou.

O problema não são os políticos cortarem orçamento da educação, ou uma Amanda Gurgel que faz discursos sobre o tema. O problema é que a sociedade em si deve perceber que a educação é importante antes de mover os políticos para melhorar o quadro.

As pessoas na rua até dizem que a educação é importante, mas se pergunta o motivo eles não sabem responder. Algo como: "Pra que estudar é importante se meu gerente mal tem um superior completo?", ou "Pra que estudar se o presidente da empresa foi peão e cresceu na vida sem estudos?".

Vou exemplificar a importância dos estudos usando a minha área, que é o design.

Sou recém-formado, ainda estou na fase de devorar livros atrás de livros. Eu espero que essa fase nunca acabe, sinceramente. Vejo os profissionais da minha área, pessoas que sabem "mexer no Fotoshops" com um diploma na mão.

Eles sequer tem um conhecimento básico de arte. Estou pedindo um básico, como saber quem pintou a Monalisa ou a importância de um Pablo Picasso para a arte - em especialmente para o seu trabalho como designer.

Filosofia então, nem se fala. O trabalho de um designer começa na mente, e não no computador. Talvez no máximo no papel. Mas nem mesmo uma definição clara do que seja um conceito eles têm. Francamente, o meu medo maior no mundo não é morrer, não é ser assaltado nem mesmo ter uma doença mortal. Meu medo maior é ficar um burro.

Talvez se pergunte qual é o valor dessa bagagem teórica na prática. Mas é isso que diferencia um artista fudido como Henri Matisse daquele carinha que vende quadros de paisagens na Praça da República, o ser pensante e estudado. Por essas e outras o Brasil sempre será um grande celeiro do mundo por vários motivos: vendemos bananas e compramos a cultura. Alimentamos o mundo, mas não conseguimos mudar o mundo.

Ainda temos muito a caminhar, claro. Mas gostaria de ver um país utópico onde, sei lá, deixem de investir em saúde, em transportes, em emprego e em outras diversas coisas que todos dizem ser essencial pra deixar tudo, todos os centavos, apenas pra educação. Depois que a educação estiver lá em cima, e as pessoas e a sociedade se derem conta da sua importância vital para se conseguir todo o resto, terei orgulho de dizer "eu sou brasileiro" porque aí sim veremos um progresso de forma vertiginosa.

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