domingo, 30 de outubro de 2011

In rhythm - Parte III - Aquele que sente compaixão.

"Parabéns, Arch. Graças aos seus esforços a equipe especial dos Rangers conseguiram adentrar no local. Muito obrigado, e espero que possamos trabalhar juntos novamente", disse o comissário.

"Por nada senhor! Eu que agradeço por ter ajudado", disse Arch.

Arch se sentia um paladino da justiça. Era sua quarta ordem de serviço e já tinha admiração dos grandes, inclusive de Schultz. Tudo corria bem, ganhava bem, estava junto de Émilie, a qual ele dizia ser a mulher da sua vida, sua vida parecia completa. Se dirigia para a Estação St James Park, próximo a sede, porém acabou se perdendo no caminho e entrou em uma sala um pouco escondida.

Lá vira o homem que havia capturado, um intérprete e cinco agentes torturando-o.

Aquela cena Arch contou mais tarde que continuava a assombra-lo em pesadelos praticamente todas as noites. O problema da tortura não são as dores, ou a humilhação. Mas o fato de que aquilo não tinha hora de começar, nem de terminar, e o fazia se arrepender amargamente por tudo de ruim que fizera. E isso era praticado assim, sem ninguém saber.

Os métodos porém, Arch nunca revelou.

Meio que tomado pelo impulso, Arch tentou adentrar ao recinto. Foi quando o comissário o segurou pelo braço.

"Alto, soldado! O que pensa que vai fazer? Esse homem tem que nos revelar algumas coisas, não estrague tudo!", disse o comissário.

"Senhor, isso é tortura! Isso é ilegal! Ele é um ser humano!", Arch respondeu, elevando a voz.

"Escute aqui, jovem. Não existe diferença entre quem dribla a justiça e quem luta pela justiça. Nós todos usamos os mesmos métodos para conseguir a mesma coisa. A diferença é que nós, que somos a justiça, temos a lei do nosso lado, que faz com que isso não exista. E mesmo que usarmos os mesmos métodos deles, a lei nos ampara porque oras... É a vontade do povo!", disse o homem.

Parece que a justiça é um conjunto de leis onde abaixamos a cabeça e dizemos que é correto, pois elas seguem preceitos da ética e religião. E a mesma justiça garante punição a quem não segue esses preceitos. Não existe a opção dois, apenas o imperativo.

E os meios pra se conseguir fazer a justiça valer são ilimitados, pois não existe "certo" ou "errado". Na verdade tudo o que leva ao caminho da justiça é o correto, independente dos meios empregados. No fundo a justiça e a não-justiça são iguais, empregam os mesmos meios, a única diferença é que um é "legal" e o outro é "ilegal".

Arch deixou o edifício com um pouco de revolta naquele dia. Em sua cabeça não entrava esse conceito que era tão difundido e carimbado nas pessoas desde criança. Sentiu-se apenas um instrumento, uma ferramenta para uso de um bem maior que na verdade era podre, nojento e acima de tudo, nada se poderia fazer para atenua-lo.

Foi nesse ínterim que ele decidiu que ia ir nesse caminho até o fim. E quando alcançasse o topo e visse o mundo lá cima, tentaria mudar as coisas.

sábado, 29 de outubro de 2011

E naquela tarde, sob o crepúsculo lácteo...

Eu estava arrumando minhas coisas. Com as coisas que me eram de valor nas costas, vi o crepúsculo ao longe. Já haviam se passado alguns meses desde sua morte. Acho que já havia adiado demais.

"Uma página virada, velho amigo", eu disse.

Ele permaneceu mudo. Eu olhava atentamente para o crepúsculo. Via aquela mistura de cores, o azul do céu, o vermelho, laranja, as nuvens rosadas. Acho que aquela era a aurora. A aurora da minha vida que estava para recomeçar.

E tudo isso por causa de uma garota...

Eu só lembrava de maio. Daquele 25 de maio. Já havia se passado muito tempo. E se eu ficasse pra sempre daquele jeito nada iria mudar.

"Agora... Agora é tempo de recomeçar", eu disse, sorrindo, e oferencendo um aperto de mão ao meu amigo.

Ele apertou firmemente minha mão, e olhou pra mim. Eu iria pra longe, queria recomeçar longe daquilo tudo. Estávamos no final de outubro.

"Recomeçar sempre é preciso caro Allain de Paula", ele iniciou, "O ato de se levantar é mais edificante que o de derrubar as pessoas", ele completou.

Fazia sentido. E penso até hoje que era tudo o que queria ouvir. Depois de tudo que eu tinha passado, caiu como uma luva.

"No dia que elas tomarem consciência disso quem sabe o mundo ganhe um pouco de paz e compreensão?", ele finalizou.

Essas palavras desde aquele dia eu guardei dentro de mim. Esse conselho desse grande amigo me faz lembrar de onde eu preciso tirar forças pra seguir em frente.

Um grande abraço, meu caro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A nova aposta da Nokia.


Enfim anunciaram o primeiro resultado da parceria entre Microsoft e Nokia.

Não sei, nunca usei o Windows Phone. E num mundo cada vez mais "Apple" e "Google", qualquer coisa que se refira a Microsoft é motivo de expurgo. Nunca usei o Windows Phone 7, o sistema operacional, mas pelo que já vi dele, não é de todos os males. Óbvio que algumas coisas podem melhorar, mas ainda precisa de um pouco de maturidade. Até o iOS precisa melhorar, o Android então, nem se fala. Tem muitos erros!

O Nokia N8 era bonzinho. O Nokia N9 foi um desastre. Agora a aposta é o Lumia.

Bom acabamento, coloridinho, a Nokia tá cada vez mais uma empresa gay. Talvez seja a necessidade de mostrar tendência, de que é diferente no mercado, enfim. Estão apostando alto no Lumia com Windows Phone 7, e sinceramente, acho o Windows Phone... amigável!

A Nokia foi uma empresa que gerou muita grana, ainda vende um bocado de celulares, mas seu destaque no mercado caiu muito. Pessoas hoje quando pensam num smartphone, pensam em iPhone, Samsung ou Motorola (com Android) ou Blackberry. Nokia não soube investir no Symbian, que embora seja um bom sistema, por algum motivo que é difícil de explicar não foi aceito pelo público.

Acho que o problema é que a Nokia não investiu na imagem dela como o Google ou Apple faz. Ela permaneceu numa posição meio Microsoft, dizendo "Eu sou o fodão, vendo muito, vocês que se danem!". Embora ela venda muito ainda, luta pra ter uma imagem boa dos consumidores como a Apple ou Google tem. E hoje isso é um belo dum diferencial.

E ainda, como se não bastasse, se uniu com a Microsoft. Vamos ver no que vai dar, Natal está aí.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Stella Artois



Já bebi muito.

A Stella Artois é a nossa Stellinha. Difícil descrevê-la em poucas palavras. Uma cerveja que tem alguns detalhes, como a proteção de papel na tampa, o adesivo com relevo e metalizado, a garrafa esverdeada, que guarda um líquido excelente dentro - uma das cervejas que mais gosto.

Uma vez meu pai trouxe quando viu que estava gostando do negócio. Disse que era belga. Eu acho ela bem refrescante, me lembra a Heineken nessa parte, mas a diferença básica é que o sabor dela é muito mais leve. Até um pouco doce. Parece até uma versão feminina da Heineken, eu diria. Mas não quer dizer que seja ruim, cada um tem sua charme.

Desde que meu pai trouxe pela primeira vez, não pode mais faltar em casa!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Seremos sete bilhões.

Saiu na BBC. Até a virada pro ano que vem seremos nada menos que do que sete bilhões de cabeças de gado. Ê povo marcado, povo feliz.

Lembro que uma vez na faculdade uma professora falava sobre a queda do império romano, em 476. Disse que era um grande Império, com uma cultura forte, tecnologia e militarizada. O resultado foi as invasões bárbaras, o expurgo das pessoas para o campo, o estabelecimento do feudalismo, e por aí vai.

Mas uma aluna perguntou no meio da aula: "Professora, mas as pessoas que foram expulsas, e o conhecimento que elas tinham? Se perdeu?". Na hora ela disse que sim, que afinal o objetivo era a sobrevivência. Do que adianta saber fazer um iPhone se você não tiver o que comer. O desespero bate na porta, é impossível não pensar no seu bem estar antes de levar a cultura.

(anos mais tarde, graças a alguns livros sobre a idade média, eu descobri que não era bem assim, e na verdade a idade média é berço de muita cultura e conhecimento)

Será que existe a possibilidade nos tempos atuais, mesmo com tantas pessoas no mundo? Não sei, algum colapso militar, um conflito que cause muita desgraça, uma pandemia? Será que temos a chance de deixar todo esse conhecimento pós-greco-romano se perder no ar?

Algo pra se pensar.
Acho que os romanos não pensavam nisso. Eu também não pensaria.

domingo, 23 de outubro de 2011

Será que o defeito sempre sou eu?

Bom, dia 12 fiquei com uma garota. E terminou hoje, 11 dias de romance. Mas apenas ficamos.

Pra quem estava desde 2009 sem nada, acho que estava bem, hehehe. Mas deu pra aproveitar. Muitas amigas sempre diziam que eu deveria me comportar de maneira x ou y para conseguir garotas. Mas depois de algumas tentativas de tentar me "maquear", percebi que estava deixando de ser eu mesmo pra assumir o papel de uma outra pessoa, quando a pessoa deveria eventualmente me aceitar como eu sou.

Não estou dizendo que eu seja o cara perfeito. Ainda me falta o carro. Talvez um pouco de maturidade. Mas afinal, ninguém é perfeito! Tenho coisas boas também. Sou companheiro, amigo, fiel, um cara estudado e trabalhador.

Mas eu não quero apenas ficar. Isso é fácil. Mas observando todos os meus relacionamentos antigos, sempre elas barravam na hora de tentar ficar mais sério. Inclusive essa! Será que eu só tenho cara daqueles que apenas ficam? Não sei! Preciso de uma orientação melhor quanto a isso, hahaha.

Contando todos os foras no período de novembro de 2009 até agora, outubro de 2011, acho que de cabeça posso contar 11 foras. Onze donzelas que nem mesmo um beijinho rolou. Motivos? Os mais diversos. Desde infantilidade, uma estranha "inocência" ou problema na cabeça mesmo.

Não sou desses caras que acredita que tem ficar quieto esperando a menina cair do céu. Mas ironicamente os deuses sempre me pregaram essa peça: quando eu corria atrás, nada acontecia. As garotas simplesmente apareciam do nada (em TODOS os casos), a gente ficava, e... pronto! Do mesmo jeito que começava, terminava. Simples assim.

Agora vamos partir para a próxima, haha. Foi divertido colocar no Facebook como  "relacionamento enrolado" por alguns dias. Continuem na torcida! Um dia eu chego lá.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Politicamente (in)correto.

Ontem assisti ao VMB, pois descobri que minha tevê agora pega MTV (Obrigado, tevê digital!!). Foi a segunda vez que assisti a MTV na minha vida, e caí de paraquedas no VMB.

Me impressionou foram os... palavrões! E naturalmente. Não era forçado. Não era igual a galera depravada. Galera falava "porras" e "fodas" de boa. E inclusive a música dos Avassaladores, o hit da web Sou foda ganhou até prêmio. E o melhor: eles cantaram a versão original. Não a versão "politicamente correta".

Eu não sou um guardião da moral e dos bons costumes. Mas eu sou certinho, não tenho comportamentos do gênero (e também não vou ficar inventando balelas sobre mim pra impressionar), mas não tenho preconceito, muito pelo contrário. Eu incentivo bastante, porque a sociedade é deveras hipócrita.

Senta que lá vem estória:

Eu era tarado pela Eliana. Sim, a Eliana, dos dedinhos. Eu, quando criança, via aquela loura peituda, com as cochas de fora, saias curtíssimas, peitos durinhos e eu nem sabia o que era sexo. Mas eu queria comer ela. E isso com 11 anos, naquela fase bizarra da puberdade e nem com pelo no saco direito.

Já vi algumas pessoas que tinham a mesma tara pela apresentadora que hoje já é mãe. Era inocente, oras, eram os primeiros sinais de testosterona.

No carnaval não é difícil ver alguém pelado. E vou ser sincero que eu sempre achava as Playboys do meu pai e ficava olhando aquilo sem entender porque elas não tinham um pinto. Meu pai sempre foi um bocado boca-suja, e fui descobrir o que era sexo mesmo foi apenas quando abri uma Private (sim! a revista de sexo) e vi que "aquilo coloca-se dentro daquilo".

Isso é natural, é uma fase de descobertas. O que quero dizer é que podemos fazer referência a sexo em praticamente tudo: desde um plugue de tomada até um guarda-chuva. Se estamos rodeados de sexo, porque as pessoas teimam em proteger tanto as pessoas disso?

Eu vejo o clipe "Sou foda" e vejo nada demais. Não tem pinto de fora, nem penetração, nem nada. Eu ouvia "Pau que nasce torto, nunca se endireita" e só depois de uns 10 anos eu entendi a referência fálica. Parece que o problema do politicamente correto tupiniquim é o palavrão.

Nossos filmes dublados trocavam "Shit" por "droga" e não por "merda". O "Fuck you!" por "Vai se ferrar!", e não o "Vai se foder!".

Não estou defendendo o uso dos palavrões. Mas eles podem ser usados em ocasiões como expressões sem censura. Quando ouvia as pessoas falando "Vai se fuder" quando era moleque, eu pensava que a pessoa ia se dar mal. E ainda hoje eu penso isso.

"Foda" sozinho virou um adjetivo pra algo muito bom. Quando o Vitinho do "Sou foda" fala isso, ele não quer dizer que "Sou uma transa", ou "Sou sexo", no sentido de Foda = sexo. Mas sim que ele é... Ele é foda! Ele é demais, ele é o cara, etc.

Talvez devêssemos repensar o significado dos palavrões e seu contexto. São signos. Quando alguém fala "foder" não necessariamente a pessoa lembra do ato sexual. Eu só fui descobrir que "caralho" significa pênis muito tempo depois. "Porra" então se referir a ejaculação de esperma, ih... Demorou! Mas mesmo assim, é difícil eu relacionar uma com a outra.

Os palavrões acabam ajudando a dar sentido. Gramáticos e a sociedade deviam ver isso. A música dos Avassaladores perder o "Sou foda" e virar "Sou bravo" fode tudo. Pior que isso é só o que o domingo legal fez uma vez em pegar a música do Supla "Porque eu só quero comer você" e colocarem aquele "pi" no meio. Porquêêêêêêêêêêêê??

Então porque ainda essa crítica com os palavrões?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

In rhythm - Parte II - Aquele que cumpre a ordem.

A noite londrina estava com muita névoa além do normal. Com aquela paisagem do Tâmisa, o parlamento ao fundo brilhava como um local que estivesse pegando fogo. E de fato os ânimos lá dentro não deviam ser os melhores.

Seu maior gênio, senhor Schultz, estava próximo da aposentadoria. O show deveria continuar. Buscaram durante meses a fio alguém para ficar no seu lugar. Haviam encontrado um jovem alto, de 1,91 m, cabelos castanhos médios, porte magro, e uma barba que cobria apenas o queixo. Tinha o hábito de fumar bastante - gostava especialmente de charutos, e não era qualquer um, preferia um genuíno cubano. Havia se casado com uma garota francesa, e os dois vivam juntos numa casa humilde na periferia londrina.

Esse homem era Arch.

"Parece que existem alguns narcotraficantes transportando drogas, precisamos acabar com a festa deles. Alguns dos nossos homens se infiltraram, mas sem sucesso. É algo importante, tem certeza que consegue fazer isso logo de início?", o homem questionou.

"Sim", Arch respondeu, recolhendo uma caixa repleta de escutas telefônicas.

"Estamos na Europa, mas lembre-se, não conseguimos controlar tão bem a imprensa como os ianques. Não vá fazer besteiras!", o homem alertou.

Arch ficou em silêncio. Virou-se e foi em direção da porta.

O homem pegou o relógio do bolso. Tinha uma foto de suas filhas. Ele entristeceu-se e lacrimejou. Fechou o relógio e colocou-o de volta no bolso.

Arch parou, virou-se e viu o homem naquele estado, cabisbaixo.

"Qual o seu nome? Você pode falar?", Arch questionou.

"Ludwig Schultz", o homem respondeu.

"Senhor Schultz, confie em mim. Apenas confie que o resto eu faço", Arch finalizou.

Schultz estava com saudades de sua família, em especial de suas filhas. Aquele homem naquele momento via que talvez não importasse o que acontecesse, uma falha resultaria no desastre de uma carreira inteira, e no caso de êxito seria mais tempo ainda de trabalho, sem perspectiva de fim.

Gostaria de por um momento não ser mais ele, viver uma vida comum, não perder ainda mais o tempo que tinha perdido por ter deixado de ver suas filhas crescerem e ter sido apenas usado como um instrumento do sistema. Via em Arch aquela confiança de quando era jovem, no período em que corria atrás do couro de soviéticos e fora preso pela KGB. Tinha pena dele. Gostaria na verdade de ter aceito aquele emprego como mecânico ganhando pouco do que entrar de cabeça num trabalho em que poucas pessoas teriam a coragem de fazer, e ter perdido uma vida inteira em troca de alguma coisa que ele nunca vira.



Dias depois Arch estava com um copo de um bom conhaque na mesa e um cigarro na outra, tragando-os pacientemente. Amante de uma boa bebida e de um bom cigarro, sempre estava com um Lucky Strike no bolso, no mínimo. Lucca estava na frente dele, conversando.

"Teremos esses dois casos pela frente. Acho que estamos perdidos, nunca vamos conseguir!", disse Lucca.

Arch pegou os papéis na esquerda e o cigarro na direita e ficou encarando as pastas, cheias de folhas.

"Fácil. Cara, sinto que vamos ter uma ascensão meteórica! Acho que eu sozinho consigo terminar esses dois. Esse terceiro vou deixar contigo, amigo, porque eu sou de ferro, mas não sou de aço!", disse Arch.

Lucca deu um riso na hora, muito discreto, olhando pra baixo com a cara de quem não entendia como Arch mesmo assim permanecia inabalável.

"Depois de todas as enrascadas que passamos você ainda me chama de 'amigo'?", afirmou Lucca, dando risada.

"Claro! Nós entramos no sistema! Muitas pessoas deram vida e anos de carreira, e conseguimos tudo isso em apenas alguns meses. Seremos nós que estaremos amanhã no comando, e depois, nós que moldaremos todo o sistema!".

O rapaz parecia esperançoso.
Mal sabia o que lhe aguardava a seguir.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma questão de simetria.


Fui no Mercadão Municipal paulistano e tirei essa foto acima. Mesmo pra uma proporção retangular, a foto encaixou-se perfeitamente no quadro. Não fiz nenhum corte nela.

Lembrei de como nascemos com noções de simetria e como o mundo com imagens irregulares nos fazem perder um bocado dessa noção. Ou não!

Quando era pequeno, bem pequeno, lembro de ter visto um amigo do meu pai que não tinha um braço. Lembro que aquilo causou uma imensa estranheza, pois sabia que estava faltando algo ali, sabia que era um braço, mas não entendia o que me incomodava tanto.

Talvez quando somos crianças vemos o mundo com mais detalhes, mesmo que a gente não perceba. Nós temos mais capacidade de assimilar as coisas, aprender, e capturar detalhes. Eu, que era uma criancinha, mal tinha visto alguém tão diferente, sequer tinha percebido que era uma questão de simetria dentro do pouco que eu havia reconhecido do mundo.

Simetria é a nossa capacidade de completar as formas. Por exemplo, uma pessoa de frente se você fazer uma linha imaginária do meio da testa pra baixo vai ver que os dois lados são iguais. A gente vê simetria em carros, prédios, até mesmo em celulares, mesas, cadeiras, por mais irregulares que sejam. Em todos os objetos do cotidiano se você dividir no meio vai ver que o lado direito é exatamente igual ao lado esquerdo.

É uma "boa forma". Na gestalt de Groupius fala muito disso.

Um caso engraçado: uma vez um amigo perdeu uma aposta e teve que depilar apenas uma sobrancelha. Ficou muito estranho, ele dizia que as pessoas olhavam pra ele com uma cara de que estava faltando alguma coisa. Simetria é uma das coisas que estão impregnadas no nosso cérebro e que são difíceis de se perder ou de se atualizar. Conceito interessante!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Onde está nossa humanidade?

Li hoje esse caso na China onde uma garota foi atropelada duas vezes e muitas pessoas que passavam não ligaram para ela lá estirada no chão e provavelmente inconsciente.

Essa natureza humana é muito estranha. Vivemos pro nosso trabalho e sequer olhamos para o que acontece no nosso lado. O homem cria máquinas, mas ele acaba agindo como a verdadeira máquina, já dizia Descartes.

Uma vez eu li que um homem, que sobreviveu a um acidente de avião, na hora sequer via o que tinha na sua frente. Sejam corpos carbonizados ou pessoas gritando por ajuda, naquele momento ele deixava isso tudo de lado e apenas pensava nele, na sua sobrevivência.

E na hora do desespero, não existe aquilo em filmes onde param para te ajudar. É cada um por sí.

Será que no trabalho acabamos agindo assim, cada um por sí? Esses homens que a atropelaram estavam trabalhando, em sua jornada diária pelo seu ganha-pão. Não vou fazer a analogia direta, façam vocês por vocês mesmos. O que existiria de comum entre o cara do acidente de avião e esses chineses sem escrúpulos?

sábado, 15 de outubro de 2011

Uma semana em que nada dá certo.

Dureza. Bom, na verdade algumas coisas deram muito certo, mas a maioria foi tudo errado.

Não posso falar agora sobre isso, mas gostaria de comentar como é complicado, e como nossa existência acaba sendo tão pequena ás vezes, perto de uma vontade maior. Existem alguns dias que a gente se lembra por alguma coisa que deu certo: Pode ser o nascimento de um filho, casamento, o dia em que entrou na faculdade ou algo do gênero.

Mas é normal também guardar recordações de dias em que nada dá certo. Não acho que a gente deveria ser seres impecáveis que não tivessem críticias acerca do nosso dia-a-dia. A tevê manda a gente ser feliz o tempo todo, e é impossível ser feliz o tempo todo. Eu vejo que as pessoas que mais sofrem na vida (seja por falta de dinheiro, de saúde, ou de outras coisas) são as que mais mostram felicidade, porque será?

Essa semana foi tensa! Ai, ai, ainda bem que sempre existirá um dia depois do outro. Ele pode não ser melhor (ás vezes pode até ser pior!) mas sempre haverá o próximo dia. Acho que o problema maior de quando temos um problema é que pensamos que esse problema nunca se resolverá. Talvez leve tempo (como o meu TCC, por exemplo, que levou 1 ano e meio) pode ser os problemas grandes e intensos (como os da última quinta-feira), mas sempre eles parecerão eternos.

Acho que a felicidade também né? Eu gostaria de, no momento em que estivesse feliz, eu não arregalasse os olhos apenas e tivesse consciência de que as coisas podem piorar. A felicidade e a tristeza são bem parecidos, nos deixam em êxtase, e esquecemos que no amanhã tudo pode mudar.

Mas como ter consciência disso?

Será possível? Tanto para a felicidade quanto para a tristeza?
Falei difícil, né? hehe. Desculpe!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Como pude me esquecer disso?

Próximo do dia das crianças muitas pessoas modificaram suas fotos no perfil com um desenho animado. Independente de quem se dizia ser autor dessa ideia, e qual os motivos que levavam as pessoas a tal ato, resolvi entrar na brincadeira.

Escolhi ser o Seiya. Hoje fui trocar a imagem de volta, e fiquei olhando atentamente.

Pra muitos talvez o Seiya seja aquele protagonista idiota, que sempre se levanta, nunca é derrotado. Mas pra mim ele sempre significou duas coisas: esperança e perseverança. Embora sempre adorasse ele, sou um ser humano, ás vezes a gente acaba, eventualmente, perdendo a esperança.

Seiya, você me moldou como é hoje sem nunca ter existido de verdade. Manter a esperança, nunca desistir. Como eu pude esquecer isso?

Sempre devemos nos erguer dia após dia, permanecer sempre em frente, acreditar que depois de tanta luta virão dias melhores. E mesmo que esses dias melhores cheguem, outros melhores ainda virão, e sempre teremos vilões, rivais, cavaleiros de ouro, generais marinas, espectros de hades e deuses na nossa frente.

Mas sempre derrotaremos para manter a chama da justiça acesa, e lutar pelo bem do mundo.


Mudei a foto hoje e dei tchau pra você. Mas acho que "ser" o Seiya, nem que seja por essas semanas que troquei a foto no Facebook, era exatamente tudo o que precisava. Obrigado por tudo, Pégaso.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

In rhythm - Parte I - Aquele que revela.

-Al não participou do funeral do senhor Schultz. Nem mesmo uma única vez fora ver a lápide do tutor do seu irmão mais velho. Porém, ficou um bocado triste ao receber a notícia. A vida prosseguia.

Alguns meses depois da morte, em uma estação de metrô, encontrou um homem que veio puxar assunto.

"Você é difícil de se achar, garoto", ele disse.

De princípio Al pensou que não estavam falando com ele. Sequer se virou. O homem insistiu mais algumas vezes, Al se virou mas não o reconheceu. Perguntou o que ele queria, e ele respondeu:

"Meu nome é Lucca. Sou veneziano, e durante muito tempo trabalhei junto com seu falecido irmão. Eu preciso falar mais coisas pra você, mas aqui não podemos conversar. Pode me acompanhar até minha casa, por favor?", ele disse.

Al fez algumas perguntas para se certificar se conhecia realmente seu irmão, e ele confirmou. Aparentemente eles realmente se conheceram.

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A casa de Lucca era muito modesta. Um apartamento sujo, com apenas um colchão no chão, uma máquina de fazer café e um banheiro improvisado. Aquela lugar fedia a baratas e ainda era úmido. Não seria o lugar mais interessante pra se viver.

"Me desculpe. Os caras da Yard confiscaram tudo o que eu tinha. Eu sou um nômade, eu fujo deles pois um dia eles vão me pegar, e terei um destino ainda pior que o seu irmão", ele iniciou, ainda pendurando o sobretudo sujo numa maçaneta.

Lucca mostrou uma foto do tempo em que eles trabalhavam juntos. Era outro homem. Jovem, penteado, limpo. A foto do grupo havia sido tirada por Émilie.

"A metade desses caras aí morreram. Esse aqui está na Bolívia, esse outro conseguiu se isolar em Kuala Lumpur. Esses dois até onde eu sei estão no Laos, não me pergunte o que diabos estão fazendo lá.", ele iniciou, apontando para cada um dos homens da foto, "Imagino que você saiba de tudo o que aconteceu né?".

"Sim. Foi a Émilie", Al respondeu.

"Pois é. Se eu lhe disser que ela não está longe daqui, você se surpreenderia!", Lucca disse, depois completou: "Mudou de nome e está na Bélgica. E não foi difícil de acha-la! Aparentemente ela queria ser encontrada, não tomou as mínimas precauções, apareceu até numa foto de fundo num importante jornal de lá".

Lucca mostrou a foto do jornal onde Émilie aparecia de fundo. Seus cabelos estavam mais claros, mas realmente era ela!

"Interessante. Mas, não vou fazer nada. Meu irmão não gostaria que eu tentasse me vingar. Ele a amava do fundo do coração, mesmo ela sendo quem ela é", Al respondeu.

O homem encontrado na estação arregalou os olhos. Não acreditara que ele mesmo depois de tudo o falecido Arch ainda a tenha amado tanto. Al se erguia, estava indo em direção da porta, mudo. Foi quando Lucca o chamou.

"Nós éramos os melhores. Éramos o grupo da inteligência, éramos o cérebro do sistema. O sistema que ajudamos a construir acabou voltando-se contra nós. Garoto, as pessoas são sujas. Émilie era apenas a ponta do iceberg, acredite no que eu digo. Sente-se aí, vou lhe contar muitas coisas interessantes que vão abrir sua mente..."

As conversas a seguir aconteceram entre setembro de 1995 e outubro de 1995.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Descance em paz, Steve!

Só no dia da morte dele que fui ver aquele lendário discurso dele em Stanford. Gostei bastante.

Steve Jobs teve uma morte repentina como a do Michael Jackson. Muitos de nós esperávamos que ele seria como um Fidel Castro, que deixou pro Raulzinho comandar o país, e ele ficaria de retaguarda. Mas não foi.

Muitos questionam a genialidade de Jobs. Inclusive eu. Acho que Jobs tem uma experiência de vida linda, e acho que aquilo que ele disse sobre mesmo depois de cair, tentar de novo, é essencial. Foi assim com o cara que foi demitido da própria empresa que criou, e quando voltou lançou produtos revolucionários.

Porém, sorte também é um fator determinante. Não apenas para Jobs, mas para grandes gênios da humanidade. Seja Da Vinci, Einstein, ou qualquer outro que se destacou. Da Vinci teve a sorte de ser um filho bastardo, e por ser "largado no mundo", teve a sorte de conseguir estudar latim, estudar artes e ser cobiçado por grandes mecenas da época.

Einstein teve a sorte de escapar do nazismo, de que suas teorias não fossem consideradas patéticas, e teve o Bose também, que mereceria tantos créditos quanto ele pela parceria.

Jobs teve a sorte de muitas pessoas o idolatrarem como gênio. E pessoas influentes. Foi um grande gênio da propaganda, e, muitas das vezes, ele dizia o que os consumidores queriam. E não o contrário. Até mesmo eu no meu TCC vi as suas palestras pra saber falar bem em publico como ele. Não tem como não prestar atenção nos seus keynotes. Jobs sabia vender, e muito bem, era imbatível.

Além de uma belíssima história de vida e um gênio da propaganda, Jobs se destacava também, porque não, no seu ramo. A Apple não inventou o touchscreen, nem o celular, nem o computador, nem nada. Jobs fez sim uma revolução na interface, que é o que intermedia a informação conosco.

Você, que não é designer, pode não entender, mas você não compra um iPhone porque é bonito, porque é status, porque é poderoso ou tem uma câmera boa. Existem centenas de celulares com recursos melhores que o iPhone, melhores câmeras, hardwares, mais eficientes ou que consomem menos bateria.

Steve Jobs fez uma revolução na interface.
O iPhone é fácil de usar. Inegável.
O iPhone é amigável. Inegável.
O iPhone tem a melhor tela. "Contraditório", heheh.

Tanto que muitos copiam. Mas o projeto é o que diferencia nós, designers, do resto. Independente se você gosta ou não da Apple (pessoalmente, não gosto muito), mas negar a interface deles seja sempre impecável é negar o óbvio.

Seus estudos de interface revolucionaram o modo com que lidamos com a informação digital. Resta saber se vai realmente durar muito tempo, ou se revoluções continuarão a vir. Isso só o tempo dirá.

Vá em paz, Steve! Você teve uma vida e carreira brilhantes.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A colação.


Foi ontem à noite.

Estava com a mínima vontade de ir. Senac mandou um e-mail xarope dizendo que era obrigatório a presença, e caso não fosse, teria que remarcar. Quando o Senac diz "remarcar", tome cuidado, normalmente espere sentado  porque vai demorar. E muito.

Chamei meus pais e a Naiara e fomos. Ela tava de salto, haha. É estranho vê-la na altura do meu ombro, eu ainda estranho isso mesmo depois de tanto tempo! Hehehe!

Tirando lenga-lenga e os mimimi, e os discursos até que não tão demorados, correu tudo bem.

Sempre tem algumas falas de alguns professores que a gente guarda. Vou todo dia ao Senac por conta da academia, mas ontem lembrei daquele dia distante em 2006 quando prestei o vestibular nele, feito por ninguém menos que a Vunesp, e passei onde pensava que jamais passaria. Provinha complicada.

Foi complicado? Foi! E como. Mas como a oradora da minha sala disse: A escalada foi difícil, mas a vista daqui de cima é sensacional!

Eu não sei o que o futuro me reserva. Olhando pra trás e vendo todos os posts com as frustrações, felicidades e anseios, vejo como essas coisas são engraçadas, e não importa o quão bom ou ruim seja o momento, ele sempre passa, e sempre acaba. E independente do que tenha acontecido se perguntasse se eu pudesse voltar no tempo e fazer tudo de novo, eu faria exatamente tudo do mesmo jeito.

Obrigado pelo apoio de cada pessoa que tenha participado, seja temporariamente ou sempre presente, dessa longa caminhada nesses quatro anos e meio. Se for citar um por um só vou lembrar dos mais atuais, mas teve muita gente envolvida sim, e se não fosse por vocês, não teria chegado até aqui.

Agora, vamos seguir em frente!
(e vou já arrumando os livros pra começar a pós! hahaha)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Diário de Fotógrafo #10 - Fotos de Celular

Nem sempre estamos com nossas câmeras profissionais para registrar o momento. Tenho uma Nikon D60 que uso mas ás vezes tenho que me virar com o celular mesmo, com uma câmera meio fraquinha de um Samsung Galaxy Lite. Sempre vou tirando as fotos e esvaziando no PC. A maioria são retratos com pessoas, mas aqui vou focar mesmo nas paisagens que vou registrando no caminho.

Ah! Não vou trata-las também. Vou deixar no in natura.





domingo, 2 de outubro de 2011

Overture - Epílogo - Aquele que se vai.

Telegrama. Uma tecnologia tão avançada, ágil, certeira, ainda guardava ainda o que as cartas de papel tinham: a habilidade de enviar-se uma mensagem com saudosismo, carregando um ar tradicional.

Al havia chegado tarde em casa naquele dia. Abrira sua antiga caixa de correspondência e se espantara com o que via. Era Schultz, chamando-o para visitá-lo urgentemente. Temendo ser alguma doença ou algo grave, Al pegou o primeiro vôo até lá.

Chegando lá, sr. Schultz estava sentado na cama, de pijamas, fumando um cigarro. Ele olhava pra janela, e não percebera que Al adentrava ao recinto. Seus olhos estavam cansados, as baforadas saiam lentamente de sua boca. Foi então que ele virou-se para apagar o cigarro e viu que Al chegara.

"Oh! Você chegou. Por favor, sente-se. Vou pedir pra lhe trazerem um café", ele disse.

"Senhor... Pensei que estivesse pior. Mas está bem, não está em nenhum hospital, e consegue ainda conversar comigo...", Al disse, de uma forma um pouco aflita.

O velho Schultz deu um pequeno riso e olhou pra Al. Ninguém nunca vira o velho sequer esboçar um sorriso, por menor que seja. E naquele momento lá estava ele, naquela altura da vida, quebrado aquela seriedade e seu protocolo impecáveis.

"Al, meu caro Al... Eu vou morrer, desse ano eu não passarei. A idade está pesando demais nas minhas costas, já vi muitas coisas na minha vida, e sinto que o fim está muito próximo. Devo dizer que estou feliz por um lado, e triste por outro", ele iniciou.

"Feliz? O senhor não devia estar pensando nisso. Está bem, está com saúde, viverá ainda por mais alguns anos, com certeza!", Al disse, tentando reanimá-lo.

"Não, Al. Por um lado estou feliz por ver que enfim sairei dessa vida maldita e ingrata. Viver é difícil, Al. Os filmes adoram nos mostrar que é fácil, mas é algo muito complicado. Nossa vida dá reviravoltas, muda muito, nunca sabemos o que virá e, muitas vezes, algumas consequências de nossos atos fogem da nossa realidade, e ficamos pagando pelo resto de nossas vidas", Schultz prosseguiu.

Al ficou quieto, apenas ouvindo. Schultz prosseguiu, como num monólogo:

"Lembro como se fosse ontem. Eu ia me aposentar naquela época, mas os podres da Yard não me deixaram em paz e me apresentaram um cara que era um prodígio da geração. Eles me tratavam como uma lenda. Esse prodígio era seu irmão mais velho. Minha esposa pediu pra eu me aposentar, mas ao vê-lo eu decidi que queria continuar. Ela se divorciou de mim, levou minhas filhas, minhas netas. Seu irmão foi como um filho pra mim, eu o ensinei tudo..."

"...E eu, que era apenas a 'lenda', nada era perto do seu irmão, que foi uma 'lenda viva'. Perspicaz, inteligente, sagaz, rápido, imbatível e perfeito. Gostaria que você fosse pra mim como seu irmão foi, mas é complicado. Arch foi o erro mais correto que cometi na minha vida. E quando ele foi traído e morto daquele jeito eu..."

Schultz lacrimejou. Pausou por alguns segundos, se recompôs, prosseguiu:

"Eu morri junto. E não pude fazer nada, pois era um velho, um velho jogado de lado chamado de caduco. Al, quantos anos você tem?", Schultz perguntou.

"D-dezessete, senhor", Al respondeu.

"Case-se, Al. Ache uma boa esposa, não precisa ser bonita, ela tem que ser alguém bondosa. Evite as francesas, tente uma hispânica, elas todas têm bons seios. Eu sei que essa vida é tentadora, mas esses caras do governo te excluem na primeira oportunidade. Ser um fantoche deles é demais."

"Procure a senhora Elisabeth, ela te protegerá. A velha ainda aguentará uns bons anos, e siga sua vida. Esqueça o que Émilie fez, se ela estava a um passo na frente do seu irmão, ela está a dois de você. Não busque vingança e não jogue tudo o que você tem pela janela".

A sala ficou em silêncio por um minuto. Al olhou pra baixo, curvou as sobrancelhas de raiva e disse:

"Senhor, não posso prometer isso. Eu quero a cabeça da Émilie! Não vou descansar enquanto...", Schultz o segurou pelos ombros, olhou nos olhos e disse num tom ainda mais alto para Al:

"Você... Você ainda tem sua juventude! Não jogue-a no lixo! Você provavelmente irá passar anos atrás dela e nunca conseguirá nada! Viva, Al. E longe de todos. Seja feliz! Você pode recomeçar a vida, já eu... Somente tenho que esperar a morte sentado".

No dia seguinte Al pegou um avião de volta. O admirável senhor Schultz faleceu algumas semanas depois, de causas naturais.

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