sábado, 29 de outubro de 2011

E naquela tarde, sob o crepúsculo lácteo...

Eu estava arrumando minhas coisas. Com as coisas que me eram de valor nas costas, vi o crepúsculo ao longe. Já haviam se passado alguns meses desde sua morte. Acho que já havia adiado demais.

"Uma página virada, velho amigo", eu disse.

Ele permaneceu mudo. Eu olhava atentamente para o crepúsculo. Via aquela mistura de cores, o azul do céu, o vermelho, laranja, as nuvens rosadas. Acho que aquela era a aurora. A aurora da minha vida que estava para recomeçar.

E tudo isso por causa de uma garota...

Eu só lembrava de maio. Daquele 25 de maio. Já havia se passado muito tempo. E se eu ficasse pra sempre daquele jeito nada iria mudar.

"Agora... Agora é tempo de recomeçar", eu disse, sorrindo, e oferencendo um aperto de mão ao meu amigo.

Ele apertou firmemente minha mão, e olhou pra mim. Eu iria pra longe, queria recomeçar longe daquilo tudo. Estávamos no final de outubro.

"Recomeçar sempre é preciso caro Allain de Paula", ele iniciou, "O ato de se levantar é mais edificante que o de derrubar as pessoas", ele completou.

Fazia sentido. E penso até hoje que era tudo o que queria ouvir. Depois de tudo que eu tinha passado, caiu como uma luva.

"No dia que elas tomarem consciência disso quem sabe o mundo ganhe um pouco de paz e compreensão?", ele finalizou.

Essas palavras desde aquele dia eu guardei dentro de mim. Esse conselho desse grande amigo me faz lembrar de onde eu preciso tirar forças pra seguir em frente.

Um grande abraço, meu caro.

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