domingo, 30 de outubro de 2011

In rhythm - Parte III - Aquele que sente compaixão.

"Parabéns, Arch. Graças aos seus esforços a equipe especial dos Rangers conseguiram adentrar no local. Muito obrigado, e espero que possamos trabalhar juntos novamente", disse o comissário.

"Por nada senhor! Eu que agradeço por ter ajudado", disse Arch.

Arch se sentia um paladino da justiça. Era sua quarta ordem de serviço e já tinha admiração dos grandes, inclusive de Schultz. Tudo corria bem, ganhava bem, estava junto de Émilie, a qual ele dizia ser a mulher da sua vida, sua vida parecia completa. Se dirigia para a Estação St James Park, próximo a sede, porém acabou se perdendo no caminho e entrou em uma sala um pouco escondida.

Lá vira o homem que havia capturado, um intérprete e cinco agentes torturando-o.

Aquela cena Arch contou mais tarde que continuava a assombra-lo em pesadelos praticamente todas as noites. O problema da tortura não são as dores, ou a humilhação. Mas o fato de que aquilo não tinha hora de começar, nem de terminar, e o fazia se arrepender amargamente por tudo de ruim que fizera. E isso era praticado assim, sem ninguém saber.

Os métodos porém, Arch nunca revelou.

Meio que tomado pelo impulso, Arch tentou adentrar ao recinto. Foi quando o comissário o segurou pelo braço.

"Alto, soldado! O que pensa que vai fazer? Esse homem tem que nos revelar algumas coisas, não estrague tudo!", disse o comissário.

"Senhor, isso é tortura! Isso é ilegal! Ele é um ser humano!", Arch respondeu, elevando a voz.

"Escute aqui, jovem. Não existe diferença entre quem dribla a justiça e quem luta pela justiça. Nós todos usamos os mesmos métodos para conseguir a mesma coisa. A diferença é que nós, que somos a justiça, temos a lei do nosso lado, que faz com que isso não exista. E mesmo que usarmos os mesmos métodos deles, a lei nos ampara porque oras... É a vontade do povo!", disse o homem.

Parece que a justiça é um conjunto de leis onde abaixamos a cabeça e dizemos que é correto, pois elas seguem preceitos da ética e religião. E a mesma justiça garante punição a quem não segue esses preceitos. Não existe a opção dois, apenas o imperativo.

E os meios pra se conseguir fazer a justiça valer são ilimitados, pois não existe "certo" ou "errado". Na verdade tudo o que leva ao caminho da justiça é o correto, independente dos meios empregados. No fundo a justiça e a não-justiça são iguais, empregam os mesmos meios, a única diferença é que um é "legal" e o outro é "ilegal".

Arch deixou o edifício com um pouco de revolta naquele dia. Em sua cabeça não entrava esse conceito que era tão difundido e carimbado nas pessoas desde criança. Sentiu-se apenas um instrumento, uma ferramenta para uso de um bem maior que na verdade era podre, nojento e acima de tudo, nada se poderia fazer para atenua-lo.

Foi nesse ínterim que ele decidiu que ia ir nesse caminho até o fim. E quando alcançasse o topo e visse o mundo lá cima, tentaria mudar as coisas.

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