sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Politicamente (in)correto.

Ontem assisti ao VMB, pois descobri que minha tevê agora pega MTV (Obrigado, tevê digital!!). Foi a segunda vez que assisti a MTV na minha vida, e caí de paraquedas no VMB.

Me impressionou foram os... palavrões! E naturalmente. Não era forçado. Não era igual a galera depravada. Galera falava "porras" e "fodas" de boa. E inclusive a música dos Avassaladores, o hit da web Sou foda ganhou até prêmio. E o melhor: eles cantaram a versão original. Não a versão "politicamente correta".

Eu não sou um guardião da moral e dos bons costumes. Mas eu sou certinho, não tenho comportamentos do gênero (e também não vou ficar inventando balelas sobre mim pra impressionar), mas não tenho preconceito, muito pelo contrário. Eu incentivo bastante, porque a sociedade é deveras hipócrita.

Senta que lá vem estória:

Eu era tarado pela Eliana. Sim, a Eliana, dos dedinhos. Eu, quando criança, via aquela loura peituda, com as cochas de fora, saias curtíssimas, peitos durinhos e eu nem sabia o que era sexo. Mas eu queria comer ela. E isso com 11 anos, naquela fase bizarra da puberdade e nem com pelo no saco direito.

Já vi algumas pessoas que tinham a mesma tara pela apresentadora que hoje já é mãe. Era inocente, oras, eram os primeiros sinais de testosterona.

No carnaval não é difícil ver alguém pelado. E vou ser sincero que eu sempre achava as Playboys do meu pai e ficava olhando aquilo sem entender porque elas não tinham um pinto. Meu pai sempre foi um bocado boca-suja, e fui descobrir o que era sexo mesmo foi apenas quando abri uma Private (sim! a revista de sexo) e vi que "aquilo coloca-se dentro daquilo".

Isso é natural, é uma fase de descobertas. O que quero dizer é que podemos fazer referência a sexo em praticamente tudo: desde um plugue de tomada até um guarda-chuva. Se estamos rodeados de sexo, porque as pessoas teimam em proteger tanto as pessoas disso?

Eu vejo o clipe "Sou foda" e vejo nada demais. Não tem pinto de fora, nem penetração, nem nada. Eu ouvia "Pau que nasce torto, nunca se endireita" e só depois de uns 10 anos eu entendi a referência fálica. Parece que o problema do politicamente correto tupiniquim é o palavrão.

Nossos filmes dublados trocavam "Shit" por "droga" e não por "merda". O "Fuck you!" por "Vai se ferrar!", e não o "Vai se foder!".

Não estou defendendo o uso dos palavrões. Mas eles podem ser usados em ocasiões como expressões sem censura. Quando ouvia as pessoas falando "Vai se fuder" quando era moleque, eu pensava que a pessoa ia se dar mal. E ainda hoje eu penso isso.

"Foda" sozinho virou um adjetivo pra algo muito bom. Quando o Vitinho do "Sou foda" fala isso, ele não quer dizer que "Sou uma transa", ou "Sou sexo", no sentido de Foda = sexo. Mas sim que ele é... Ele é foda! Ele é demais, ele é o cara, etc.

Talvez devêssemos repensar o significado dos palavrões e seu contexto. São signos. Quando alguém fala "foder" não necessariamente a pessoa lembra do ato sexual. Eu só fui descobrir que "caralho" significa pênis muito tempo depois. "Porra" então se referir a ejaculação de esperma, ih... Demorou! Mas mesmo assim, é difícil eu relacionar uma com a outra.

Os palavrões acabam ajudando a dar sentido. Gramáticos e a sociedade deviam ver isso. A música dos Avassaladores perder o "Sou foda" e virar "Sou bravo" fode tudo. Pior que isso é só o que o domingo legal fez uma vez em pegar a música do Supla "Porque eu só quero comer você" e colocarem aquele "pi" no meio. Porquêêêêêêêêêêêê??

Então porque ainda essa crítica com os palavrões?

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