segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

No rain, can't get the rainbow!


Ainda ás vezes é difícil de acreditar os lugares que fui e as coisas que aconteceram esse ano. No final do ano passado não teve nenhuma meta de "vou viajar pro Japão, Rio e Europa em 2012". Não mesmo. As coisas foram acontecendo.

O que quero dizer? Quero dizer que a gente não precisa esperar o começo de ano pra colocar metas como ir pra academia, fazer a viagem entre outras coisas apenas na virada do ano. Temos um ano inteiro de possibilidades, 365 dias pra tentar algo diferente. Portanto, dê pra você mesmo a chance de não apenas em janeiro, mas em fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro ou dezembro você fazer um grande ano.

Só viajei pro Japão no final de setembro. E Europa em novembro. Viu como as coisas mesmo assim acontecem?

Dê a chance, viva cada dia após o outro. Dê o seu melhor. Mas acima de fazer acontecer, ao menos tente. Melhor do que ficar se perguntando depois.

Vamos juntos rumo a essa jornada em 2013? =)

domingo, 30 de dezembro de 2012

2012 - O ano em que o mundo (não) acabou.

É! Não foi dessa vez.

Quem torceu pro mundo acabar, acabou torcendo o nariz. 2012, que ano! Estava vendo os comentários de diversas pessoas e vi que foi um ano bom pra elas também. Eu particularmente estava esperando ansiosamente. Sou do signo de dragão, e esse seria o ano do meu signo. Só estava com um pé meio atrás porque um rapaz me disse que ano passado foi o ano dele e foi péssimo.

Ainda bem que ele estava errado! 2012 foi o melhor ano da minha vida, por diversos fatores e coisas que aconteceram.

Mil posts e seis anos de blog depois, uma primeira entrevista. Foi um bocado divertido! Logo no comecinho do ano.

O ano inteiro, sempre que lia um livro eu publicava um review. Nem todos foram bons, mas foram lidos. Se fosse contar os que eram tão chatos que desisti no meio do caminho passariam de trinta fácil. Até durante as viagens dava um jeito de ler, hehe.


Esse foi o post do recorde, hehe. Lembrando que de blogger mesmo eu tenho quatro anos, mas dois anos antes eu iniciei na finada weblogger, do Terra, que ninguém deve se lembrar.


Foi a duração desse ensaio fotográfico que fui fazendo durante o ano. A ideia era todo mês um penteado diferente (nem que seja só a barba!) e uma careta diferente. Nada mal!


Foi uma das maiores emoções que senti na minha vida! Sempre choro no dia 25 de maio. Mas a partir desse ano, eu sempre irei sorrir no dia 26!


Podem vir, gatinhas! Agora vai chover mulher, tudo maria gasolina!


Fuck. =P Quase morri... Imagina você estar "de boas" no trem, indo pro trabalho, quando você é acometido por uma cãimbra indo da sua mão, passando pelo seu tronco, até o pé? Sério, pensei que fosse morrer.


Era pra ser apenas uma festa junina. Mas ainda bem que aparecem obstáculos. E melhor ainda quando a gente passa por eles! Não tá fácil pra ninguém, gente!


Idade do perigo. Festa inesquecível!


Olha, sou paulistano, mas tenho que admitir: um dos lugares mais bonitos do mundo é o Rio de Janeiro. Copacabana e Ipanema são lugares difícil de imaginar que existam no mundo. Aquele Cristo é imenso, e quando o avião chega no lugar é uma aterrisagem de tirar o fôlego! E ainda conheci pessoalmente (ENFIM!) a Natalia, perdi o medo de avião, e me diverti a beça. Ainda quero voltar muitas vezes pra lá.


Sim, gritamos na Libertadores. Mas pra mim o grito só saiu mesmo quando ganhamos o mundial. Futebol brasileiro tem muito que aprender com esse meu coringão!


Estava com a mínima vontade de ir na última hora. E isso porque eu estava me planejando desde o começo do ano. E acabou que virou uma odisséia que foi um pouco de tudo: revi pessoas que não via há muito tempo, conheci MUITAS pessoas novas (especialmente na Holanda!), pude concluir coisas mal resolvidas, cresci espiritualmente e, acima de tudo, fiquei mais confiante em mim. Ficar um mês andando pra cima e pra baixo sozinho pra muitos pode parecer difícil. Mas, peraí, pensando bem, eu nunca estive sozinho! ;)

Obs: eu ainda estou organizando as aventuras por lá. Foi um mês, é difícil de lembrar de dia após dia, mas vou tentar usar as fotos pra ir refrescando minha mente.


Cara, agora falando sério. Deixei esse por último por motivos óbvios. Eu não consigo colocar em palavras o quão grato eu sou de ter ido pro Japão esse ano representando o Brasil no Saito Homa. Foi difícil? Claro! Foram dois meses com muitas coisas pra pensar, os medos, o desconhecido, a possibilidade de falhar, e mesmo de lá eu pude sentir o carinho e a energia de todos vocês me empurrando pra frente e me erguendo quando caía.

Estar no Japão e conhecer as pessoas que conheci foi fora de série. Nunca pensei na minha vida que iria pra lá, e se chegasse em mim moleque e dissesse que não iria demorar tanto, eu nunca iria acreditar. NUNCA. Além de tudo teve um significado religioso muito forte. Sabe de uma coisa? A gente nunca tá sozinho nessa vida. Nunca. Sempre temos nos empurrando todos os nossos antepassados que estão lá em cima nos ajudando, além das outras forças mais fortes ainda, difíceis de descrever. E isso pude sentir lá.

Por isso, acredite em você. Se 2012 foi um ano bom pra você, carregue essa energia com você. 2013 terá momentos difíceis, nada na vida é um mar de rosas. Começo de um ano sempre significa um mar de possibilidades que se abrem. Mergulhe nesse mar, então! Dê a chance pra você mesmo de fazer algo diferente.

E se for trepar, use camisinha. E não tem desculpa que demora pra gozar, porque hoje em dia tem skyn!

Hahahahaha!! xD
(mas falando sério, muita doença aí gente! A vida não é igual filme pornô!)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aqueles que nos imploram ajuda.

Antes de ir para essa viagem internacional eu recebi uma orientação espiritual e dizia basicamente que: "Eu iria passar por locais onde aconteceram muitas guerras, pestes e mortes. Muitos desses lugares ainda tem um bocado dessa energia. Nessa hora, lembre-se da Shojushin-in-sama (a fundadora e fonte espiritual da Shinnyo-en) quando ela passou pela Europa e sentiu todas essas energias".

Na hora eu pensei: "Duvido que vou sentir alguma coisa! Nada a ver! Sou mó iniciante no budismo".

Mas eu senti. E vou destacar dois lugares onde ainda existem esses espíritos que precisam de ajuda.



O primeiro lugar que senti uma energia muito forte foi na praça do Dam, no centro de Amsterdam. Era uma energia tão forte que parecia me tragar no chão. Eu sentia um peso enorme só de pisar na praça. Para quem não sabe, a praça foi palco de um grande massacre, no dia 7 de maio de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, enquanto os holandeses comemoravam o fim da guerra contra os nazistas, uns alemães do topo dos prédios apontaram metralhadoras e atiraram contra os civis. Mesmo até hoje as causas dessa chacina ainda são incertos.



O segundo lugar que senti, que foi tão pesado quanto o primeiro, foi no adro da Igreja de Santa Maria Madalena de Bermondsey (essa foto não é minha, é desse cara), ali na City, em Londres. Quando andei por lá eu senti um peso tremendo só de pisar dentro da praça. É algo inexplicável. Uma melancolia dentro da gente, e isso porque ninguém tinha me falado nada sobre o adro. Adro, pra quem não sabe, é um cemitério-anexo da igreja (em inglês: churchyard).

Hoje, dando uma googlada, eu percebi que todas aquelas efígies eram na verdade... Túmulos. De gente morta por volta do século XVII e XVIII. Muitos eram capitães. Sem contar outros corpos que deviam ainda estar lá, pois a igreja original foi destruída no grande incêndio de Londres em 1666.

Nessas horas que a gente vê o poder que o Ensinamento Shinnyo tem. Em ambos os lugares eu recitei um dos nossos mantras principais, o goreiju. Recitei com o coração mesmo, bem baixinho, três vezes.

No primeiro, eu fiquei bem no centro da Praça do Dam e recitei. O mundo parecia ter ficado em silêncio pra ouvir, foi uma experiência difícil de explicar. Depois, eu pude até andar tranquilamente sem sentir o peso. Já no segundo, eu senti uma tristeza grande enquanto recitei. E recitei embaixo de uma árvore, e folhas caíram em cima de mim, todas amarelinhas, foi algo muito bonito.

O goreiju é o mantra do poder e benevolência de Achala. É um mantra que acredito ser bem capaz de trazer um bocado de paz para esses espíritos. Acolher é a palavra.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Então é Natal.

Complicado de pensar numa mensagem. Natal sempre é uma época em que todo mundo fica no aguardo de um super presente, mas eu persisto em bater na mesma tecla: os melhores presentes não custam nada ou são de graça.

Ainda mais num mundo tão materialista e com tantas pessoas que estão nem aí pra você. Isso não é indireta pra ninguém, não ia perder meu tempo com isso. Até porque não sou uma pessoa de cultivar inimizades. Brigou? A gente tenta reconciliar.

Meu maior presente hoje não seria o saldo de dividas, nem dinheiro, nem uma loura escultural ou uma super japonesa peituda pra eu levar pra cama. Eu ficaria feliz se as coisas na vida real funcionassem como no filme esqueceram de mim: com aquele vizinho mal humorado do primeiro filme que no final cria coragem pra reatar a amizade com o filho.

Gostaria de alguns dos que eu por ventura fiz alguma inimizade pudesse ter uma segunda chance para tentar reatar a amizade, nem que recomeçasse do zero. Seria excelente!

Bom natal a todos vocês! E tente reatar alguma inimizade. No Natal tudo pode acontecer.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Diário de Fotógrafo #20 - Who...

Parece que foi ontem que eu postei sobre o Bold 'n delicious. Esse ensaio foi feito há quatro anos atrás, eu era um jovem bonitão de vinte anos e hoje estou deteriorado pelo tempo. Esse ano eu queria fazer um similar, mas sem agora esse efeito de tons de cinza e um highlight vermelho. Foi aí que em janeiro nasceu o Who...

Como podem ver com esse exemplo, a ideia era exatamente essa: Deixar as fotos com alta exposição, reforço nos pretos e abaixar a vibração das cores. Problema que eu tirei com a minha câmera profissional, e nunca pensei que algo que eu gostasse tanto como o foco fosse na verdade se reverter contra mim! Algumas fotos apenas por eu mover um pouquinho foi o suficiente pra perder um bocado de foco e embassar a bagaça toda.

E como a ideia inicial do Bold 'n Delicious, foi indo de novo uma foto por mês, num total de doze. E cada uma com uma pose diferente, claro. Gostei bastante do resultado! Quem sabe daqui a quatro anos não bolo de novo? =)

Como sou cliché, o título foi usurpado de uma música da Ayumi Hamasaki.













quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A dream with you.


Tonight I dreamt with you. Strange, isn't it?

It was kinda funny, we were together, hugging each other, and you again teaching me how to say your name.

"候達君"...
I could feel you again in my arms, and than we kissed each other. It was beautiful!

I remember when you posted this picture. I won't forget you, I promisse. But I really want to see you again.

So close, but yet so far. =(
Damn it Taiwan...

Miss you like hell.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Vamos babar pelas misses!

Ah! Essa parte do ano que o mundo fica bem mais bonito, hehe. Miss Universo sempre é interessante. Esse ano tinha até chef japonês no meio dos jurados, o que deixa lá um pouco estranho essa votação. Às vezes parece que escolhem sub-celebridades zuadas para ficarem lá votando, mas tudo bem. Vida prossegue.

Essas são as que mais me chamaram a atenção:


África do Sul - Melinda Ban
A sobrevivente do apartheid loirinha representando a África do Sul. Achei um dos melhores corpos! Muito boa! 


Indonesia - Maria Selena
Que olhos! Das orientais é uma das minhas favoritas, mas essa nem foi escolhida. Indonesianas sempre são demais. Homens que gostam de orientais é sempre bom dar uma olhada nessa terra boa. Elas são orientais com corpo, pele mais moreninha e com esse olho puxado sensual que me atrai como imã.


South Korea - Sung-hye Lee
Eu sempre fico no aguardo do trio dureza Japão-China-Koreia. Mas esse ano as três foram meio feinhas. A menos feia foi a koreana. A japonesa tinha zero de corpo, um sorriso bonito mas rosto feio. Já a chinesa muito magrela, não tem onde pegar, nem peito. A koreana pelo menos sabe dançar o Gangnam Style.


Mexico - Karina Gonzales
Desde o começo uma das minhas favoritas. Não dá, as latinas sempre estarão dentro dos padrões de beleza meio mundiais, e fiquei surpreso de ver ela sair tão cedo da competição. Lindíssima! Acho que tinha a beleza latina mais autêntica.


Netherlands - Nathalie den Dekker
Eu amo a Holanda! Essa aí nem foi aprovada entre as dezesseis iniciais, pobre ser. Esses cachos louros derrubam qualquer cara. Achei que ela tinha um corpo na medida certa, embora não fosse lá excelente.


USA - Olivia Culpo
Representando a terra da pornografia, a americana Olivia Culpo. Não sei porquê diabos, mas eu sempre fico vendo se a miss americana tem cara de porn actress. Essa não tem (a do ano passado era só usar um pouco a imaginação e você veria ela numa cena tórrida), ao contrário, tem cara de latina. Será que a América se rendeu à beleza das latinas?


Venezuela - Irene Sofiá Esser Quintero
Desde o começo eu falei: "FUCK, já ganhou". Acima de tudo o charme. Ela parecia brincar a competição inteira, charmosa, provocativa e acima de tudo muito, muito, muito elegante. Pra mim o jogo inteiro estava na mão dela. Carisma nota mil. E o resto também.


Brasil - Gabriela Markus
Linda. Mas pra ser mais linda faltou uma coisa: ser mineira. Mas mineira é mais gosto do Brasil entendo, o mundo não está preparado para uma mulher criada com pão de queijo. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Livros 2012 - #18 - The man with the Golden Gun

Em Londres não resisti. Achei diversos livros de James Bond sendo vendidos e comprei dois. O primeiro que eu li foi esse clássico, o The man with the Golden Gun.

Scaramanga, o vilão do livro e filme, é um carinha que é conhecido como um exato oposto de Bond. Ele também é mulherengo, grande comedor, mas é incrivelmente malvado e cruel. É um dos vilões mais próximos de Bond, e no livro se vê muito isso.

Pra quem assiste os filmes e tem aquela idéia de um Bond super comedor quando lê os livros vê que ele criado por Ian Fleming é um bocado diferente. É mais romântico e um bocado mais inteligente. Aquela pose de garanhão que explode tudo e pergunta depois é praticamente criado apenas pelo Cubby Broccoli e o Harry Saltzman.

O livro é bom. Ian Fleming escreve com uma grande maestria, o cara manjava. E o melhor é a presença da Mary Goodnight. Eu adoro ela, é uma das mais engraçadas e carismáticas Bond Girls e no livro também não é diferente. Vale a leitura!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Ah! Esse meu Corinthians.

Sim, corinthians ganhou a Libertadores esse ano. E sim, não fiz nenhuma postagem sobre. Aquele que era o nosso maior sonho, o título inédito, pra mim naquele momento era apenas o meio do caminho. E o caminho chegou ao fim hoje com a conquista do mundial.

Ganhar de timecos latino americanos é deveras fácil. O desafio mesmo seria ir contra um europeu.

Quando começou essa luta? Será que começou quando ganhamos a Libertadores da América? Será que começou quando ganhamos o Brasileiro do ano passado? Será que foi depois da sucessão de títulos paulistas mais a Copa do Brasil? Não, começou bem lá atrás. Quando o Corinthians foi rebaixado e com a contratação do Ronaldo posteriormente.

Pois foi graças a isso que mudou e foi criado um modo de administração de um time genuinamente corinthiano. O Inter de Porto Alegre sempre foi orgulhoso de sua estrutura. Times do Brasil entendam: futebol hoje em dia não é feito de talento. Isso é década de sessenta com malucos que davam a sua camisa e jogavam por amor. Nada do profissionalismo acirrado de hoje.

Não estou dizendo que aqueles onze jogadores que vestiram o manto alvinegro não suaram sua camisa pelo time. Tem que defender, claro. Mas não vivemos mais nos tempos de contos de fadas onde não ter dinheiro, um bom centro de treinamento e acima de tudo grandes e bem remunerados estrategistas possam vencer com apenas talento. Barcelona joga o nível de "pelada" com o Santos.

O corinthians ganhou do Chelsea por causa disso: ele tem uma BAITA duma estrutura. Claro que não estamos no nível de um Barcelona ou Manchester United. Mas veja o Santos: o "grande" time, com o talento chamado Neymar e não conseguirem fazer uma única jogada que preste, acabando com o orgulho de qualquer peixe e... queimando a imagem do Brasil lá fora com seus times mal estruturados, mal gerenciados e mais pobres que tudo.

Esses mundiais são bons por causa disso. Globo muitas vezes esconde e vangloriza o futebol brasileiro dizendo que ele é ainda um futebol de melhores do mundo, de catimba com aquele velho patriotismo imbecil que a Globo adora pregar pensando que temos que melhorar em nada. BULLSHIT. Algo como "Somos Brasil, temos talento, nosso futebol não precisa de estrutura e não temos para onde crescer".

Por isso que disse que Ronaldo foi essencial sua volta ao Brasil. Ronaldo trouxe muitas alegrias para o futebol brasileiro, mas hoje ele é um dos maiores empresários de futebol do mundo e está sendo responsável por essa mudança da mentalidade do futebol brasileiro, tirando ele das quadras, campos de várzea e "pé-rapados" e tornando-lhes verdadeiramente profissionais e lucrativos.

"It's all about the money". E felizmente (ou infelizmente) é sim. O futebol nasceu na Europa, foi aprimorado o Brasil, mas foi reestruturado de novo na Europa. E isso porque aqueles caras lá não tem talento, mas tem muita estratégia. Imagina o futebol talentoso do Brasil com essa estrutura por detrás? Não precisa imaginar. Apenas olhe o Corinthians.

VAAAAI CORINTHIAAAANS!

Reclamar menos.


No budismo é ensinado que a sua máxima é ser o mestre de sua própria mente.

Acho que isso é válido pra diversos campos. Dá pra ver hoje em dia essa cisma que católicos tem com evangélicos, umbandista, muçulmanos e tudo mais. Mas o próprio Buda nos ensinou que não existe um só caminho para se subir uma montanha, logo a gente nunca deve achar que somos a única resposta para a humanidade a o mesmo tempo não devemos reprimir ou criticar a religião dos outros.

Muitas religiões tem como principal característica criticar duramente as outras que não tem nada a ver com a sua. E isso persiste durante séculos a fio. Não conseguem aceitar e conviver em paz com o próximo. Claro que não estamos numa situação como países ditatoriais ou mesmo árabes.

Quando começamos a dominar um pouco as coisas relacionadas ao ego a gente começa a crescer como pessoas. É dito que no budismo que nosso crescimento só existe quando colocamos o próximo antes de nós mesmos. Mas pra fazer isso devemos ser muito fortes. E sendo fortes reclamamos menos, pois aquelas dificuldades que antes nos causavam transtorno agora não causam mais.

A gente vai ficando mais forte exatamente porque ajudamos as outras pessoas. Aí a sementinha da força nasce na gente.

E aí o que a gente achava um sufoco, por conta do nosso treinamento, a gente passa a reclamar menos por essas coisas bobas. É igual se escalarmos uma montanha. No começo é muito difícil, mas depois de algumas tentativas nós melhoramos. Tudo na vida é treinamento.

Eu percebi muito isso comigo. Antes coisas que me incomodavam muito hoje não incomodam tanto. A vida melhora, não apenas a minha, mas as de todos a minha volta mesmo. Vale a pena tentar.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Goodbye, United Kingdom!


(English version bellow)

Ah! Um mês. E passou voando. Pra quem nunca viajou na vida encarar uma viagem ao Rio de Janeiro, depois ao Japão e agora para a Europa foi algo que eu nunca imaginei que faria na vida. Era pra ser uma viagem apenas pra passear, mas teve um bocado de sentido espiritual também! E pelo amor de Deus, não aguento mais ouvir Little Mix em todo lugar que vou (não conhece? Nem eu! Mas não se fala em outra coisa aqui!).

O frio foi tão bom! É tão bom não suar por aí, haha! Brasil é tão quente... Antes de ir a Lí me deu uma pasta e disse que era pra eu viajar o mundo e sempre lembrar da Shinnyo-en (a sangha budista que eu pratico). Lembra que eu disse que teve um sentido espiritual bem forte? Pois é. Visitei os templos e fiz grandes amizades tanto em Londres como em Bruxelas. Senti uma energia incrível e criei laços que acredito que dificilmente serão desfeitos tão rápidos.

A Europa foi palco de grandes guerras, chacinas e assassinatos. Antes de vir me preparei pra isso, mas quando chega aqui em alguns lugares é impossível não sentir. Existe um "peso" forte aqui ainda, eu consegui sentir isso. Nessa hora tudo o que podemos fazer é ajudá-las de coração para que achem algum descanso orando por elas. Tinha lugar que até mesmo respirar era difícil.

Mas aí a gente vê que com o pouquinho que a gente tem a gente pode ajudar também. Acolher e harmonizar é a palavra.

Fiquei uma semana em Amsterdam. Lugar incrível e inimaginável. É uma bela cidade, muita gente bonita, charmosa e única. Acho que alguma outra vida por aí eu fui holandês, haha. Sem contar a companhia dos amigos de sempre Lucrécia e Herko, além da Paula e Denise, amigas do Brasil. Os Países Baixos vão fazer falta, muita falta. Moraria lá fácil!

O que mais gostei de Londres? Muita gente citaria caminhadas ao redor do Tâmisa, o Big Ben ou ainda a Tower Bridge. Mas eu destacaria dois que dificilmente se falam tanto: Canary Wharf e Trafalgar/Leicester Square.

Canary Wharf é um distrito comercial de alto padrão de Londres. Fica ali na região das Docklands. É bom pra dar um contraste com as velharias de 1400 pra lá que encontramos perto da City. Só coisas de alto padrão de ótimos shoppings. E passar por lá às 18h é uma aventura e tanto, uma cachoeira de engravatados.

E um dos meus lugares favoritos: Trafalgar Square e Leicester Square. O primeiro porque é point de turista! Gente de todo mundo lá e é empolgante ver a felicidade deles posando pra fotos com os leões de bronze. E Leicester Square também! Mas esse segundo é bom pra comer. E tem a Chinatown do lado também, com ótima comida.

Tô indo com a bagagem cheia. De experiências, novidades e energia que quero compartilhar com todos. Obrigado a todos que me acompanharam nessa aventura e... TAIPEI QUE ME AGUARDE! Hahaha (ou Genebra? Ou Amsterdam de novo? Hum... Difícil escolha!).

See ya later, London!

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Ah! One month. And it passed away like a bling of an eye. To a person that haven’t traveled in his life I went to Rio de Janeiro, Japan and Europa was something that I never imagined that I would do in my life. It was planned to be a trip just do walk around, but it got a really big spiritual meaning too! And for God’s sake, I don’t want to hear any Little Mix anymore (you never heard about them? Neither had I! But it’s the brand new group here!).

Cold weather is so good! It’s so good to don’t sweat around, haha! Brazil is so hot sometimes… Before traveling a great friend gave me a case and told me to wherever I went, I should remember Shinnyo-en (the Buddhist sangha that I practice). Do you remember when I said that this trip also had a special spiritual meaning? I visited the temples and made lots of friendships abroad, from London to Brussels. I felt an incredible energy and created strong ties that I’m sure that they won’t untie so fast.

Europe was site of wars, mass murdering, and assassinations. Before I came here I got prepared for it, but when you arrive in certain places it’s impossible to don’t feel it. There’s a heavy “weight” here even nowadays, and I could felt it. At this situation the best we can do is offer some prayers and hope that they may find some peace. There was even some places that breathing was hard.

And than we saw that with a little help from us we can help others too very much. Embrace and harmonize is the word.

I’d been a week in Amsterdam. Incredible place. A beautiful city, many pretty people, charm and unique. Maybe in another life I was dutch, haha! And also thanks for the super friends Lucrécia and Herko, and Paula and Denise, friends from Brazil. I will really miss Netherlands, I really would live there if I had the chance!

What I most liked in London? Many people would say about walking around Thames River, the Big Ben or even Tower Bridge. But I would choose Canary Wharf and Trafalgar/Leicester Square.

Canary Wharf is a high commerce district in London. It’s in the docks region. It’s good also because of the contrasts that we found near the old buildings at the City. Only high-level things and great malls. And walk around there at 6pm is a great adventure; it’s like being in a waterfall of white-collar people.

And one of my favorite places: Trafalgar Square and Leicester Square. The first one because it’s a tourist attraction! People from all aroung the world happy and posing to pictures near the Lions. And Leicester Square, too, but this second one is good to eat. And also there’s the Chinatown near too, with great food.

I’m going back with my baggage full of things. Full of experience, news and energy that I want to share with everybody. Thanks for all of you that was together with me at this journey and… TAIPEI YOU’RE NEXT! Hahah (or Geneva? Or maybe Amsterdam again? Hum… Hard choice!).

See ya later, London!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Victoire.



E lá estava eu, andando calmamente entre os turistas. O local era a Tower Bridge londrina. Tudo na minha mente parecia vívido como um filme. A neblina, o carro, o grito, o sangue. A morte.

Mas ainda assim eu não conseguia chorar. Fui dominado por uma grande tristeza dentro de mim mas não derrubei uma única lágrima. Acho que desde que ela morreu a tristeza dentro de mim foi congelada de alguma forma. E eu nunca mais consegui nem mesmo chorar sua morte.

"Foi bem aqui, né?", uma voz feminina atrás de mim puxou conversa.

"Victoire? O que você está fazendo aqui?", eu questionei.

"Fiquei sabendo que você estaria por aqui. Eu preciso conversar com você. Al, como está a sua 'doença'?".

Eu olhei para minhas mãos e mexi um pouco dos meus cabelos grisalhos.

"Vai bem, eu acho. Aquele seu tratamento acho que está deixando retardando ela de alguma forma. Mas meu corpo já está sentindo os efeitos. Esses cabelos brancos acho que não tem mais jeito. O problema mesmo é a velhice do músculos e das juntas. Tem hora que é difícil disfarçar".

Ela na hora me abraçou e começou a chorar no meu ombro pedindo e implorando desculpas. Eu apenas fiquei quieto.

"Um pedaço de mim morreu aqui nessa ponte, há muitos anos. Mas sei que recentemente você também teve uma grande perda, não?".

Émilie morreu em junho. Suicídio. E desde que cheguei na Inglaterra não tem ninguém que não confirme.

"Bom, acho que agora você pode pisar na França sem ter medo de alguém buscando sua cabeça, né?".

Dei uma risada e olhei pro horizonte.

"Hahaha! Vou pensar no seu caso. De qualquer maneira mesmo agora podendo, não sei se eu quero pisar na França de novo. Pelo menos não tão cedo".

Nessa hora que a Victoire me interrompeu e roubou um beijo meu, em plena Tower Bridge.

"Desculpa, Vic... Mas entre nós não dá pra rolar nada. Desculpe. Você é uma pessoa incrível".

Ela ficou cabisbaixa, mas ainda assim não saiu do meu lado.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

XI - A Força



5 de julho de 2000
19h56

"É, a SAS entrou bem na hora, ainda bem", comentei com ela.

O barulho dos carros a nossa volta era péssimo. Pessoas indo de um lado pro outro, a imprensa sendo enganada. Ninguém nunca soube o que acontecera. Nós estávamos numa ambulância, mais longe do cordão de isolamento. Ela como sempre estava sentada sem dizer nada. Quando conversávamos, parecia que eu falava sozinho.

"Dessa vez Dietrich foi pego de novo. Espero que não dê mais dores de cabeça", disse nosso diretor, enquanto se aproximava.

"Acabou. Ainda bem", comentei.

Uma pessoa chamou nosso diretor e ele o seguiu, ficando a alguns metros de nós. O alvoroço ainda era grande na nossa volta. Depois de uns cinco minutos ele veio até nós.

"A pasta... Estava vazia. Os documentos foram... Roubados!", ele disse, olhando pra baixo e frustrado.

Na hora me assustei. Ela como sempre permanecia inabalável, olhando para o nada, enrolada num cobertor.

"COMO ASSIM? O Yuri quase morreu pra conseguir isso! Não é possível que...", na hora minhas mãos começaram a tremer e suar frio.

"A dawn of souls é nada menos do que os nomes verdadeiros e localização de cada um dos nossos homens. Esse documento nunca era pra ser emitido, mas parece que ele foi depois de árduo trabalho. A partir de agora todos nós somos alvos fáceis, portanto meus jovens, quero que me ouçam agora atentamente as minhas instruções", ele disse, dando uma lista de umas dez coisas pra eu e ela fazermos. Mas o que mais nos espantou foi um dos últimos itens:

"Quero que vocês dois se casem. Um casal pode passar desapercebido facilmente do que se vocês dois ficassem solteiros", o diretor disse, sério.

Na hora eu vi aquela aquariana que nunca se abalou arregalar os olhos. Eu não sabia o que fazer, mas até que estava relativamente calmo. Já ela, parecia assustada, parecia ter sido pega totalmente de surpresa, desde o roubo da Dawn of souls como o casamento com alguém como eu.

O diretor nos deixou a sós. Ficamos sentados um do lado do outro. Ambos cabisbaixos. Mesmo com toda a bagunça ao redor de nós, apreciamos o silêncio de nossas companhias. Foi aí que quebrei o gelo. O sol estava se pondo.

"Sei que provavelmente nós não duraremos muito tempo juntos, né?", eu iniciei, "Mas acho que agora não tem mais jeito. Até que a morte nos separe. Eu estou tão assustado quanto você, ainda mais um casamento forçado, mas, não tenho motivos pra te exigir nada. Isso é para nossa segurança e...", ela me interrompeu.

"Quer dizer que eu não vou ficar junto... dele?".

Eu não soube o que dizer. Exceto que os olhos dela pareciam marejar um pouco, mas ela não derrubou uma lágrima sequer. Eu também não sabia o que fazer, olhei pros lados e, sem jeito, a abracei de lado.

Nunca soube o que realmente era, até hoje. Parecia que ela já esperava por alguém, e esse casamento comigo somente iria complicar a situação que ela sempre quis. Sinceramente não me sentia bem com ela também naquele momento, éramos totalmente distintos um do outro, água e vinho.

Nos casamos alguns dias depois e fomos para o exílio. Vivemos juntos durante alguns anos.




Ainda naquele dia encontrei Victoire.

"Envelhecimento acelerado?", a minha falecida esposa iniciou.

Estávamos no meio da rua. Vittorio havia saído. Era apenas eu, Victoire e "ela". Enfim colocar em pratos limpos toda esse grande mal entendido.

"Al, sou eu", iniciou Victoire Blain.

"Vicky? Acho que você me deve explicações. O que você injetou em mim?".

Ela tomou ar, e prosseguiu.

"Al, eu injetei em você um experimento que criei. Uma poderosa droga que é capaz de estimular os radicais livres do seu corpo e modificar seu relógio biológico. Você sofrerá de envelhecimento precoce a partir de agora, e seus efeitos serão considerados como se fosse uma simples Síndrome de Werner".

Fiquei paralizado no momento. Ainda não estava sentindo os efeitos do envelhecimento precoce. Talvez uma grande dor de cabeça fosse o primeiro sinal da fadiga do corpo. Apenas fitei minha esposa e vi a expressão fria dela se transformar com um ar leve de tristeza. Victoire continuou:

"Al, você sabe porque eu entrei no ramo biológico, né? Não, você não sabe. Foi você que matou minha irmã, a Émilie, há cinco anos atrás. E isso tudo é a minha vingança pra você".

"Victoire, eu não matei sua irmã!", eu berrei.

"NÃO ACREDITO EM VOCÊ!!", ela retornou o grito.

Por um momento o local ficou em silêncio. Eu prossegui.

"Vou lhe falar o que eu sei: Encontrei sua irmã, já faz muito tempo, na França. Ela estava casada e tinha em seu poder o filho da Noriko Yamamoto com o Lucca. Émilie está muito acima de nós, sempre um ou dois passos na nossa frente. Eu tive apenas sorte. Foi aí que ela me deu isso, o crucifixo que meu irmão sempre andava com ele".

Victoire derrubou lágrimas.

"Minha irmã... Ela está viva?".

Foi aí que a minha falecida esposa entrou no meio da conversa:

"Sim, ela está. Está na França. Eu ainda não conhecia o Al nesse momento, mas o que ele fala é bem verdade. Mas agora quem quer fazer uma pergunta aqui sou eu. Quanto tempo ele tem de vida?", questionou a garota de cabelo lilás.

O silêncio permeou na sala.

"Viva, Al. É tudo que posso dizer pra você".

Victoire falou diversas coisas. As lágrimas não paravam de cair. Seu maior conselho foi que eu não deveria viver pensando em destino. Mas que deveria viver um dia após o outro, um de cada vez, que o tempo que eu tivesse ainda vivo sob os efeitos do envelhecimento precoce não dependia da doença. Mas sim da minha vontade de viver.

Uma semana depois nasceu o primeiro fio de cabelo branco. E desde então eles multiplicaram de maneira exponencial. Mas a minha morte vai chegar precocemente, por isso devo aproveitar todo tempo que tenho antes que a idade chegue.






Passado algumas semanas depois fui visitar Yuri no hospital. Deixei ela em casa, e fui sozinho. Não tinha mais nada a temer, pensava eu.

"Bom dia, Al. Será que ainda depois de tudo isso ainda posso te chamar de amigo?", ele iniciou.

"Relaxa, Yuri. Vim apenas para ver como você está. Pelo visto você é duro como uma rocha, está até consciente! Nem parece alguém que levou tantos tiros", brinquei. Yuri deu um sorriso cansado e olhou pra cima. Seus olhos lacrimejaram.

"Al. Desculpe. Eu era também um grande amigo de seu irmão, e me sinto um lixo. Fui enganado e manipulado, e se não fosse por você, eu estaria morto agora", algumas lágrimas caíram de seu rosto. Eu apenas observava sem saber o que fazer. Ele prosseguiu, com tristeza em suas palavras: "Seu irmão mais velho foi um HERÓI. E foi justo eu que o capturei e o prendi. Isso ainda dói em mim, Al. Dói muito mais que todos esses ferimentos".

"Yuri, eu só gostaria de dar um enterro digno ao meu irmão. Mas provavelmente seu corpo foi escondido como segredo de estado, ou algo do gêner...", eu prossegui, mas Yuri me interrompeu, me olhando com uma cara de profunda indagação que não entendi de princípio.

"Não te contaram... Não te contaram a verdade até hoje?", questionou Yuri, que estava com os olhos arregalados.

Me aproximei de Yuri, e mesmo deitado naquela cama de hospital, o agarrei pelos ombros. Eu estava ficando nervoso, que verdade era essa que ele disse que eu não sabia?

"Seu irmão conseguiu fugir na execução. Tinha perdido um olho, e estava extremamente ferido, alguns ossos quebrados e parte do corpo desfigurado. Devido ao seu estado foi decretada sua morte, era praticamente impossível alguém sobreviver naquelas condições, porém, na verdade, seu atual estado é desaparecido".

"YURI! Não brinque comigo, não brinque comigo!! Meu irmão mais velho está morto! Não me crie falsas esperanças!! Você está dizendo que existe uma chance dele estar vivo?!", eu gritei, aos berros.

Yuri virou o rosto e fechou seus olhos. Eu comecei a berrar no ouvido dele, mas tudo que ele me respondeu foi silêncio. Meus olhos lacrimejavam de raiva, até que alguns seguranças e enfermeiros entraram assustados no quarto e me levaram embora do hospital. O silêncio que Yuri fez aquele dia continua como uma grande incógnita até hoje.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

X - A Roda da Fortuna



2 de julho de 2000
11h45

"Al, preciso conversar com você, mas não tenho muito tempo. Essa linha é clandestina, se me pegarem falando com você vão me matar", era a voz da Victoire.

"Vicky? Onde você se meteu? Porque diabos você está presa? Que história é essa que você criou a arma de morte perfeita?"

"Calma. O que você ouviu é verdade, mas nem tudo o que eu disse era mentira. Essa identidade que eu tenho é mentira. Tudo o que eu fiz foi movida por uma grande vingança, porque eu achei a pessoa que matou a minha irmã. Foi por isso que eu entrei no ramo da biologia, para poder vingar essa pessoa".

"Por Deus, Victoire. Vingança não vai trazer sua irmã de volta. Por isso que você usou os recursos da fundação pra fazer isso? Quem diabos matou sua irmã? Eu posso ir atrás dele, se você quiser!", eu disse, empolgado e esbanjando justiça.

Foi aí que Victoire falou uma coisa. E eu fiquei sem palavras.

"Al, o meu sobrenome real é Blain. Meu nome é Victoire Blain, e sou a irmã mais nova de Émilie Blain".

"O quê?!".

"E não adianta ficar abismado. Eu sei que foi você quem matou a minha irmã! Você foi tudo o que eu pensei durante três anos. Três longos anos. E quando eu te encontrei eu vi que a minha vingança ia ser real. Sim, a Émilie. A pessoa que você mais odeia no mundo era minha irmã mais velha, e a única família que eu tive. E você a matou".

"Victoire, eu não ligo para o que você quer fazer comigo, mas eu NÃO matei sua irmã! Você deve ter injetado essa coisa em mim pra me matar, mas eu não posso morrer agora, eu ainda tenho um trabalho pra fazer!".

"Al, não foi apenas eu que tomou a decisão de te injetar as drogas para causar a Síndrome de Werner. Quem estava por detrás de tudo era a Francesc...".

A ligação foi cortada de súbito.


5 de julho de 2000
16h27

"Consegui. Está aqui dentro dessa mala. Agora vamos embora", a garota do cabelo lilás disse, indo na frente.

Na sala de vigilância tinha naquele momento todas as imagens ao vivo de todas as câmeras do prédio. Quando estava saindo vi uns clarões vindo de um dos monitores do topo. Num televisor ao lado vi Yuri, correndo e atirando, sendo alvejado por balas.

"Merda! Pegaram o Yuri! Temos que ajudá-lo!", eu gritei, "Ele está sendo alvejado!".

"Ele ficará bem, vamos logo... Ele é militar, teve treinamento pra isso. Se nós não sairmos daqui logo, nós é que vamos acabar sendo mortos", disse ela, com sua frieza aquariana sempre inabalável.

Na hora, vou ser sincero, não pensei. Enquanto ela ia me puxando pelo corredor, vi uma pistola parada no chão. Provavelmente de algum segurança nocauteado. Me soltei dela e peguei a pistola, e fui descendo as escadas rapidamente. Não olhei pra trás, Yuri estava em apuros, ele era meu amigo. Eu devia salvá-lo, não importasse como.

Estava com aquele instrumento gelado nas mãos. Nunca havia usado sequer. Somos da inteligência, não somos militares. Um cérebro não saberia como usar uma arma, isso é função dos braços. E quem trabalha pro governo sabe que sua função é quase como um corpo: todas as partes são vitais. Nem recarregar aquele treco eu sabia. Deve ser mais ou menos como nos filmes, não deve ter muito segredo, pensei eu.

Quando desci as escadas, estava a uns dez metros do Yuri. Ele estava se rastejando no chão, mas não tinha sinal de ninguém no momento. Droga, onde estava ela agora? Ouvi alguns passos se aproximando de Yuri. Um deles parecia um salto feminino. Eu estava com medo de olhar, mas percebi que o som do salto foi caminhando pra mais longe. Só ficou um outro barulho. Parecia um sapato comum.

"Yuri. Você foi ótimo até aqui. Sua missão está completa", disse a voz, rouca.

"Ah... Droga... Eu vou... Eu não quero... Morrer", disse Yuri, depois de alguns gemidos.

Nessa hora não resisti e olhei. O homem pisava na perna ferida de Yuri.

"Yuri, Yuri, Yuri...", a voz rouca novamente começou, "Então aqui está o seu presente. A pessoa que você procura é ninguém menos que o próprio Al. Ele é o irmão mais novo de Arch, Yuri. Ou devo te chamar... Mikael?".

Yuri era Mikael. Foi Mikael que há dez anos havia trabalhado ao lado do meu irmão mais velho. Foi o próprio Mikail que uma vez o chamou de "irmão". E foi o próprio Mikail que capturou Arch. A senhora Vittorio havia me enganado, mas na época eu nem me toquei disso. Era Yuri o traidor. E ele havia enganado não apenas Arch, mas havia me enganado também.

E agora, estava para ser morto. O homem da voz rouca retirou uma arma do seu sobretudo, e aponta para a cabeça de Yuri.

Nessas horas o tempo parece passar em câmera lenta. O homem estava pronto para matar Yuri. Encostei na parede, segurando aquela arma e meus olhos lacrimejaram. Eu não conseguia ver nada na minha frente. Como eu pude ser tão ingênuo?

Eu estive ao lado da pessoa que matou meu irmão sempre.

Eu o chamei de "amigo" e confiei nele.

Eu acreditei que ele era Yuri. Mas pelo visto tudo isso foi um jogo.

Meu Deus, ele vai matar um cara na minha frente! Que merda! Isso é insano!

"EI! PODE PARAR COM ISSO!", eu berrei, "Esse cara matou o meu irmão! Não vem querendo matar ele no meu lugar não!!"

O homem ficou parado na minha frente. Começou a recuar uns passos. Yuri caiu no chão, exausto. Fui me aproximando, apontando a arma pra ele, meus olhos marejados e tremia, tremia muito. Quando um filete de luz iluminou seu rosto eu vi quem era. Dietrich.

"Você...? Você tinha morrido!", eu disse, "Eu vi o seu corpo! Não é possível!".

Segundos depois vi vários homens vestindo preto adentrando o local aos gritos, lançando granadas de efeito moral, e toda aquela calmaria deu lugar a um verdadeiro clima de guerra. Uma equipe especial da SAS havia adentrado o recinto, prendendo Dietrich, levando Yuri para a ambulância e eu e Agatha para fora com segurança.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Skyfall e o orgulho britânico.

Comer sushi no Japão e ver os moinhos na Holanda pode ser muito clichê. Mas ver James Bond na terra da rainha da Commonwealth pode ser mais clichê que tudo isso junto.

Fui assistir Skyfall aqui num cinema. Aqui as pessoas não vão "to the movies", eles vão "to the cinema". Não é preciso ser muito antenado nas coisas para saber o quão a Inglaterra está sofrendo com essa crise mundial que ainda está por aí causando problemas.

O próprio James Bond foi uma criação britânica pra recuperar um pouco o orgulho bretão, pois de um lado tinha a União Soviética e do outro os Estados Unidos. Aí acharam um simpático motorista de caminho chamado Sean Connery e lhe ofereçam emprego. E já se foram cinquenta anos de James Bond.

Já assisti todos os filmes. E nosso amigo 007 sempre foi um cara que viaja mais que o Zeca Camargo. E, ao contrário do Zeca, come muita mulher. Mesmo que Bond seja britânico dificilmente em algum filme mostra direito como palco o seu país de origem. No máximo umas coisas aqui e ali, isso até a chegada de Skyfall.

Tá, ele tem umas cenas na China e na Turquia e a belezinha da Bérénice Marlohe com suas peitcholas caídas (só eu reparei nisso? Aquele peito tá muito no umbigo pra quem tem pouco mais de trinta anos!). Mas grande parte da boa ação rola em Londres! Seja no Tube londrino, na National Gallery, na sede da MI6 ou então numa paisagem bucólica no meio da Escócia.

Acima de tudo tem uma razão política, claro. Assumir a responsabilidade de ser sede dos jogos olímpicos em tempos de crise num país que cada vez mais tem mais e mais revoltas e violência por conta do desemprego em massa que anda rolando por aí é uma coisa e tanto. Skyfall mostra Bond no seu próprio meio, pelo menos o que ele foi criado de um jeito que até então nunca foi mostrado. Vale muito a pena ver, embora que o vilão seja um psicopata clichê, tipo o Coringa do Heath Ledger.

Tá virando modinha. Não fazem vilões como o Ernest Stravo Blofeld.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Diário de Fotógrafo #19 - Autumn leaves

Outono na Inglaterra é uma das coisas mais bonitas que já vi. =)













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