segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

22h06

Avenida Paulista, 807.
22h06

Tinha acabado a aula, e lá estava eu. Saí correndo até o elevador, depositei o cartão na catraca, dizia "tchau" pros colegas enquanto ia pro corredor que dava ali na Alameda Santos. Saí correndo, o tempo urge! E já eram 22h06.

Colocava a mochila nas costas e pegava o embalo da descida. Ia direto, sem pestanejar.

No caminho aquela decoração natalina, discreta mas presente, iluminava as calçadas. Na noite não havia ninguém, ás vezes me deparava com uns sujeitos curiosos. Mulheres de legging sem bunda andando com seus cachorros, rapazes treinando corrida e volta e meia algum tipo estranho de gente.

Fazia o caminho Joaquim Eugênio de Lima e virava na José Maria Lisboa. No primeiro dia fiquei meio perdido, mas sempre me achava numa banca de jornal que havia no cruzamento entre essas duas. Bem nesse cruzamento existe um boteco, que sempre era frequentado por tipinhos estranhos. Passava lá com um pouco de receio ás vezes, eles sempre me encaravam.

Afinal era um cara de quase dois metros correndo ás dez da noite pra alcançar o ponto de ônibus e ir pra casa.

Uma vez um Lamborghini quase me atropelou. Acho que o cara tava bêbado, e provavelmente eu teria o mesmo destino daquela que foi atropelada na Joaquim Floriano. Até um senhor veio me perguntar se eu estava bem. Afinal, aquele local era point de barzinhos e gente bonita... Estaria sujeito a esse tipo de coisa uma hora ou outra. Maluco bêbado ao volante.

Sempre na José Maria Lisboa havia uma casa antiga, que ficava sempre no completo breu. Acho que era mal-assombrada.

Quando enfim chegava no ponto de ônibus da Nove de Julho eu saía correndo. Em quase todos os dias tinha uma dama de óculos estilo Hipster, branca, algumas tatuagens e cabelo muito escuro. Nunca deve ter reparado em mim (um maluco exausto e suado com cara de poucos amigos). Ela sempre pegava o ônibus antes de mim, enquanto eu ficava esperando a minha condução, que mesmo passado das 22h ainda vinha lotada de gente.

Shit!

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