sábado, 28 de janeiro de 2012

Com uma "caixa d'água" só.

Uma das atrizes que eu mais gosto é a Alessandra Negrini. Sou apaixonado por ela. Claro que tem outras, mas ela é uma das dez mais. E aqueles peitos? (uai! Vou mentir?) É como assistir o Jornal da Band com a Ticiane Villas Boas. As notícias ficam em segundo plano, o que vale é o colírio.

E fui ver o filme apenas pela Alessandra Negrini, vou admitir. Mas me surpreendi com uma grande produção feita pela Black Maria, com direção de Afonso Poyart. Grande roteiro, com reviravoltas e mistérios, mas, diferente de Inception, você não precisa ver quarenta vezes pra entender. Muitíssimo bem bolado nessa parte. Outro aspecto interessante é a edição e a produção. Ele tem um aspecto de filme geek. Animações, rascunhos, um filme que nega a estética comum, parece meio "hipster".

Mas eu não vou fazer uma resenha do filme porque eu NÃO achei ele um filme bom, embora eu tenha gostado (hã?). Digo, não é genial, tem sacadas boas, mas é como Kill Bill. A gente adora, mas, cá entre nós, é uma merda se for levar em conta os BONS filmes de verdade.

Quero falar de estética, e como isso está ajudando a amadurecer não apenas o cinema, mas todas as artes relacionadas ao audio-vídeo no país. Digo isso como designer, uma opinião minha. Vamos lá:

Acho que o cinema tem muito a ganhar se arriscar mais. E os que arriscam sempre são os que não tem nada a perder. Vide novelas, sempre são o mesmo roteiro, só muda que uma apoia determinado grupo social ou faz campanha em prol de doação de órgãos. Tirando isso, sempre são iguais. Houve algumas tentativas, por parte da Record, de fazer umas novelas com explosões. Mas não rola, o povo que assiste novela é como meus pais, não querem ver nada muito diferente do que eles vêem há 30, 40 anos.

A HBO fez seriados excelentes, como Alice. É puramente experimental, roteiro, atores desconhecidos, temas dificilmente abordados, erotismo (afinal as pessoas não fazem sexo? Isso é natural, gente!), enfim. Experimentação. Teve quem curtiu? Eu fui um deles.

A Globo tenta também. Capitu foi um dos seriados mais bem produzidos. Acho que virou uma referência também. Com o poder que ela tem em mãos poderia fazer experimentos como Capitu mais vezes.

Vejo em 2 coelhos a mesma coisa. Quem produziu ele foi a Black Maria, uma produtora fudida do Brasil que faz... Comerciais. Se aventuraram em fazer filme e deu certo, e muito. Ficou um filme com uma linguagem diferente da usada como padrão na arte do cinema. Vale como referência também.

Outra coisa que gostaria de falar é que um tema abordado num filme reflete muito do que a sociedade vê. O filme trata basicamente de dois tipos de bandidos: os políticos de um lado, e os que te assaltam nas ruas do outro. Todos eles te roubam, diretamente ou indiretamente.

Pessoas adoram criticar Tropa de Elite porque mostra tortura policial, mas são daqueles que se pudessem iam matar bandido pela desculpa do "direitos humanos". Outros criticam Cidade de Deus mas não fazem nada para acabar com as favelas e dar moradias dignas.

Se o cinema brasileiro parece um faroeste é porque a nossa sociedade infelizmente é assim. Não temos segurança, uma diferença social gritante, poucas pessoas com direito a oportunidades e muitas das que não tem optam por caminhos mais fáceis. Simples.

Filme não pode mostrar bandido se dando bem no final porque isso seria uma eventual apologia ao crime. Por isso, embora mostre a ascensão deles, eles sempre vão morrer no final. E com o 2 coelhos não é diferente. Queria saber que dia que vão mostrar um filme onde o bandido se dá bem no final. Pode ser um anti-herói estilo Batman, que busca justiça com as próprias mãos, mas deixe de tabu social e mostre o que também acontece.

Cinema tem essa missão de discutir e mostrar a realidade nua e crua. Pode ser difícil de engolir? Eventualmente. Mas traga pipoca e refrigerante... Muito refrigerante!

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