terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"Eu não falo russo".

Existe uma antessala no departamento de imigração no KLIA que é reservada aos "supostamente perigosos", pessoas cuja ficha tenha dado algum problema. É chamada de sala branca, onde absolutamente tudo é branco e muito claro: paredes, cadeiras, porta. Nenhuma janela presente. A ideia é que seja um forte. Uma vez lá dentro, sem saída.

E lá estava eu, sentado numa cadeira branca e gelada feita de metal, uma mesa igualmente gelada, um pequeno duto de ar condicionado resfriava a sala parecendo um freezer frigorífico. Eu gosto de frio, mas aquilo era demais.

Um homem entrou na sala, com uma ficha em mãos.

"Ora, ora, o que temos aqui. Parece que existem três pessoas com a mesma digital que a sua. Você andou fazendo muita merda por aí, hein garoto?", o homem disse, com cara de asiático, mas muito forte. Portava uma arma na cintura e uma camisa rosada com bastante suor, "Quem diabos é você? Alguém servindo a MSS? Aqui diz que você é russo".

"Sou britânico. Mas nasci em Volgogrado", respondi.

"Говорите ли вы по России?" ele perguntou.

"Я не говорю по России...", respondi eu, dando uma risadinha no final. Ele veio pra cima de mim com a mão fechada e me deu um soco.

Difícil descrever como é levar um soco na cara. Dá uma tontura, além de uma dor desgraçada. Senti até um zumbido no ouvido. Parece que o mundo apaga e você acorda tonto no chão. Ruim demais.

"Engraçadinho...", ele disse, me puxando pelo pescoço. Quando senti meu corpo se levantar acordei, num baque.

Tudo escuro.

Olhei pro lado ela estava deitada, dormindo.

E eu lá, sem ar, e assustado.

Foi apenas um sonho.

Deitei de novo e fingi que nada tinha acontecido. Mas que doeu, ah... Doeu muito.

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