terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ser o mestre de sua própria mente.

Bom, eu já comentei sobre a vacuidade e sobre a fé inabalável.

O budismo é uma religião que por mais você questione, você descobre uma resposta. E uma resposta lógica. O budismo é centrado na pessoa, e seu objetivo não é um culto a alguém ou algo em específico. Seu objetivo central é ser o mestre de sua própria mente e assim, entendendo sobre o sofrimento e sua causa, você saber lidar melhor na sua vida. É isso que o Buda ensinou no Sutra do Nirvana, seu último ensinamento.

O budismo não nega que não existam pessoas que consigam alcançar o estado de plenitude sem serem budistas. Pessoas como Mahatma Gandhi ou Madre Tereza de Calcutá são consideradas pessoas iluminadas exatamente por seguirem a doutrina do Buda em que a nossa felicidade só existe promovendo a felicidade dos outros. E se pararmos pra pensar todos os grandes mestres religiosos tinham essa visão. De fazer os outros felizes, e assim você mesmo estará feliz.

Buda pegou tudo isso e sintetizou uma maneira de se alcançar a iluminação e mantê-la.

Eu estou praticando bastante esse conceito da vacuidade que o Avalokisvara nos deixou. Faz um sentido do cacete. A nossa mente é o nosso maior obstáculo pra tudo. É da nossa mente que vem os nossos desejos, que nos fazem querer sempre mais e nunca estarmos satisfeitos. É da nossa mente que vem a felicidade momentânea, que é apenas um prazer. Ela não existe por sí só, temos que deixar de procurar o "prazer" e ir em busca da "real felicidade".

Muita gente talvez pense que quem segue o budismo seja de alguma forma niilista. Mas acho que é exatamente o oposto: pensamos muito. Pra você, sei lá, estar com um desejo de comer um McDonald's e entender que essa vontade é momentânea, fútil, e não vai trazer nada de benéfico pra você é preciso um esforço mental incrível. Não é bem a negação, mas entender que se esse desejo por esse prazer nasce em você, cabe a você também cessar ele antes que te consuma e atrapalhe sua vida.

Nós somos seres humanos. Temos que acordar todos os dias e existem centenas de coisas que temos que fazer que não gostamos. Isso é normal, inclusive pra quem está buscando a iluminação, como eu. A diferença crucial entre nós e quem não tem essa noção é que mesmo que sentimos o sofrimento, nós rapidamente conseguimos nos livrar dele. Sofrimento é inevitável, mas a dor é opcional. Não ficamos remoendo ou nos lamentando muito tempo porque isso tudo é passageiro.

Igual um arranhão. Você não sentir a dor do corte é impossível, mas a dor que vem depois é opcional se você tratar o ferimento ou não.

Vai passar, nada, absolutamente nada é pra sempre. E é esse apego em querer fazer as coisas "eternas" que fazem o ser humano sofrer, e ficar como numa montanha russa: Tá triste, vai dar uma volta, distrai, volta pra casa, liga a tevê, fica triste de novo, e por aí vai.

Fica um ciclo vicioso, quando tudo poderia ser resolvido logo no primeiro "estou triste" entendendo que isso é algo que não tem uma existência intríseca, só me faz sofrer porque eu deixo ele me fazer sofrer.

Tem que ter moral! Ser o mestre de sua própria mente. Assim, você torna-se tanto um ser que entende a vacuidade do Avalokitesvara como alguém de fé inabalável do Achala. O primeiro te leva para o segundo: quando nada consegue te deixar pra baixo, você adquire uma fé inabalável, nada consegue te derrubar.

Como eu disse, faz um sentido do cacete!

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