quarta-feira, 28 de março de 2012

O que eu seria sem você?

Se você pular, eu sou capaz de pular logo atrás de você.


Lembro que era um dia nublado. Não sabia quem você era, mas queria me consultar com sua mãe. Cheguei ao local, fui recebido, e logo me surpreendi com uma senhorita com cabelo tingido, um pouco gordinha na época, baixinha e que falava alto.

Mas quando eu te vi acho que tive aquela sensação de que aquilo era predestinado. Provavelmente fomos grandes amigos numa outra vida também. Que formaríamos uma irmandade juntos, que seríamos grandes amigos e confidentes um do outro. Senti algo assim.

Pois era você que eu falava dos meus problemas, você que sempre sabia sugerir uma solução, você que me ensinou a sorrir e acima de tudo, você é a que virou uma irmã pra mim. É você a pessoa que eu mais luto para manter a amizade, porque vê me aconselha, me ouve, me xinga e mesmo que não pareça, é alguém insubstituível pra mim.

Já são quase dez anos. Embora você diga que eu a ajudo, não tem preço a ajuda que você me deu todos esses anos. Eu sim é que te devo muito.





"Nossa, eu não sabia que vocês eram tão amigos", disse uma outra amiga minha, há um tempo.

"É, pois é. Acho que amizade forte é assim né? A gente não precisa ficar dizendo que é amigo. Quando a gente vai ver, já era, um depende do outro!", eu respondi.

"Faz tempo já?".

"Já. Uns sete anos. Desde então eu tinha feito uma promessa...", pausei.

"Promessa?".

"Sim. Que eu lutaria sempre pra fazê-la feliz, uma vez que sua felicidade fora tragada uma vez nesse turbilhão de caos. É algo que me esforço todos os dias pra cumprir, até hoje", disse.

"Nossa. Por quê?".

"Porque eu só existo quando ela está feliz! Não consigo imaginar como seria minha vida sem a nossa amizade. Ver esse sorrisão dela pra mim já é o suficiente pra melhorar qualquer dia", concluí.

segunda-feira, 26 de março de 2012

It's gone!

"É, já era!", eu iniciei a conversa.

"Acho que desde o começo você já sabia, né? Mas eu não te culpo não. Veja pelo outro lado: ainda estamos no comecinho do ano. Vão aparecer outras!", ela disse, tentando me animar.

Mas naquela hora eu não estava querendo falar com ninguém. Acho que a gente precisa de um tempo com nós mesmos para nos encontrarmos. Lembrei de quando um dia estava no carro e começou a tocar "Do you wanna dance?" e eu comecei a chorar, sem entender o porquê. Na verdade era porque a música me lembrava ela.

"Acho que ela não vai me ver com outros olhos. Na verdade, nunca me viu assim. Eu que aceitei o desafio. Afinal, em filmes, essa merda sempre dá certo, né?".

"Filmes são lavagem cerebral. Você mesmo diz isso".

"De fato".

Eu tava querendo era me afastar dela. Mas não conseguia. Depois dessa última resposta eu me surpreendi com o que minha melhor amiga disse:

"Olha, quer saber? Eu nunca gostei dela! Ela muito imbecil, vocês nunca iam dar certo! Allain, você tem que ir atrás de coisa melhor! Imagina só se vocês estivessem juntos e eu e ela estivéssemos, sei lá, nos afogando no mar. Quem você salvaria primeiro? A melhor amiga ou a namoradinha?", ela desafiou.

Não sei porque eu dei risada. Gargalhadas mesmo!

"Hahaha! Acho que eu morreria antes tentando salvar as duas ao mesmo tempo".

"Hunf! Não gosto dela mesmo! Tô nem aí! Tinha pelo menos um plano B?".

"Acho que o melhor plano B nesse momento é dar uma descansada. Fazia tempo que não sentia isso por alguma garota. Essa paixão, esse fogo! Preciso me recuperar".

"É. Mas te conhecendo como eu te conheço, acho que não vai demorar muito pra você me mandar um e-mail dizendo que conheceu outra 'garota dos seus sonhos'.", e ela depois ainda reafirmou: "Não dou nem uma semana!".

Veremos.

sábado, 24 de março de 2012

Debulhando as Moiras.

Quero pintar um novo quadro! Decidi. Quero fazer a minha versão da Adoração dos Magos, a passagem bíblica que retrata o encontro dos três reis magos com Maria e o recém nascido nazareno.

Ok, eu sou budista, mas quero humanizar essa cena. Acho que é o tema religioso mais bonito, não apenas pela questão da sua importância na cristandade, mas também pelo seu aspecto social.

Afinal, somos seres humanos! Como você se sentiria se um maluco estivesse querendo matar todos os bebês, e você estivesse grávida e pronta pra dar a luz, fugisse desesperadamente e cuspido seu filho pra fora onde colocam capim pras vacas comerem e do nada recebesse a visita de três reis que te dão aquela ajuda nesse momento de desespero?

Vejo, sei lá, o desespero que Maria teria, independente de ter sido Jesus ou não, temos uma mãe querendo salvar seu primeiro filho. Tudo bem que sou budista, mas a beleza dessa cena não tem religião. É humana!

Se tudo der certo, será o meu segundo quadro. Já comecei a fazer alguns rascunhos. Mas antes de fazer, quero falar do meu outro quadro e dos elementos que usei pra brincar com a composição. São as Minhas três Moiras:


Eu levei alguns meses fazendo. Terminei em dezembro de 2007.


Já vi gente que nunca reparou na auréola. COMO? A auréola é completamente indicativa. Dá pra saber até o nome da Lachesis. Bastante angelical, não acha?


Eu brinquei com as perspectiva do quadro. O ponto de fuga é exatamente na testa da Lachesis. Isso sem contar no céu. Muitos outros pintores já brincaram as luzes para destacar alguma coisa. Fiz com que sempre o foco fosse na do centro, já que ela representa a vida em si, o tempo em que mais ficamos na "cordinha" da vida, deveria ser a que mais fôssemos prestar atenção também.


O cenário são três cenários diferentes. Começa com uma edificação grega, um campo e depois um rio e um monte. Começamos nascendo embaixo de um teto, aprendemos a andar e viajamos por campos, e encontramos os deuses no Monte Olimpo depois da nossa morte, ou carregados pelo rio Aqueronte/Lethe.


A pessoa que eu retratei como a Clotho não é ruiva hoje. Mas quando eu a conheci, era ruiva!
(ih, faz tempo!)


Minha mãe quando terminei o quadro ela virou pra mim e disse: "Nessa japonesinha do meio ficou uma sujeira no queixo dela". Não é uma sujeira. É uma pinta! E ela tem essa pinta no queixo, precisamente nesse local, na vida real.


Ela continua meu "segredinho". E o pior que eu editei todas as referências que eu tinha sobre ela. Mas ela foi alguém muito especial, e acabou significando minha "morte", ou, precisamente, meu "recomeço". Saudades.


Pena que reproduções não mostram, mas o fio é prateado. Um detalhe. =P

sexta-feira, 23 de março de 2012

Livros 2012 - #8 - Zodíaco

(e tinha gente que pensava que eu tava com livro de HORÓSCOPO...)

Eu gosto muito de psicopatas e serial killers. Acho que é por dois motivos: meu faro de detetive e pelo fato de eu ser muito emotivo. Queria saber como é que alguém mata alguém e não sente nada, como é possível isso. Seria como se a pessoa matasse do mesmo jeito de desempenha uma função cotidiana. Não consigo imaginar isso, mas se pudesse um dia entrar na mente de um assassino, queria saber como é essa sensação.

"This is Zodiac speaking". Estranho como mesmo depois de praticamente cinquenta anos ainda não acharam o cara. Achei esse site aqui, e embora eu saiba como a polícia e a inteligência aja, não duvido que realmente tenham pego e escondido pra fazer um draminha pra vender uns filmes e livros. Tem muita coisa não explicada no livro, e até entendo que exista sigilo policial, um mal necessário.

Conheci o Zodíaco sem querer numa revista sobre Serial Killers. Tinha acabado de ler o Mentes Perigosas, e tinha adorado e entendido perfeitamente como age uma mente com psicopatia. E essa revista contava de diversos casos interessantes, Zodíaco, Jack o Estripador, Maníaco do Parque, entre outros.

Livro muito interessante, mas ao mesmo tempo muito, muito tenso de se ler. Primeiramente porque aquilo tudo é real, aconteceu. E meio incompleto, já li alguns lugares sobre mais algumas outras pessoas desaparecidas, que também foram atribuídas ao Zodíaco que não são citadas aí (a começar pela Donna Lass não citada, mas pelo menos falaram da hipótese da Cheri Jo Bates ter sido uma vítima também).

Vou confessar que quase não li o livro graças a um erro grotesco logo na introdução. De acordo com o tradutor, Jack the Ripper aterrorizou Londres em 1988 (o correto é um século antes, 1888). Quando vi isso, eu fechei o livro, mas depois resolvi dar uma chancezinha.

Ainda bem que não me arrependi.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O mundo precisa de um novo vilão?


Pegaram o Osama!

E agora se espalhou por aí uma nova ameaça: um tal de Joseph Kony. Parece que é um africano maluco que rapta meninos transformando-os em soldados e as meninas em prostitutas em algum país da Africa que não é o Egito nem a Africa do Sul.

Como diria Ocelot no Metal Gear Solid 2: "Americans are too in love with the sound of their own voices". Na sociedade do espetáculo precisamos de heróis e vilões. Os heróis do Osama não foram lá o George W. Bush ou Barack Obama. Os anômimos do SEAL que ganharam as honrarias, mesmo ninguém nem mesmo visto os rostos deles.

E aí se espalha na internet uma onda de apelos contra esse tal Kony, tão tocantes quanto as fotos de animais sem pernas ou fígado que eles teimam em entupir na minha timeline do Facebook. Ainda bem que o Facebook tem a opção de "semi bloquear" essas coisas, porque eu sigo muito veterinários/defensores de animais e tenho estômago e coração fracos quando vejo essas coisas. Só desligar as atualizações.

Precisamos mesmo de um novo "vilão mundial"?

Vendo a Primavera Árabe dá bastante gosto em ver como estão fortes por lá, derrubando governos, instalando democracia onde antes havia ódio contra os americanos pelos ditadores (não se sabe qual dos dois é o pior, mas só o tempo dirá), e aí o tal Kony entra na lista dos grandes vilões americanos, junto de Stalin, Hitler, Hussein, Bin Laden entre tantos outros.

Sociedade do espetáculo é assim. A gente vê por aqui.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Chá. Sem açúcar, por favor.

Lá estava eu, sentado naquela varanda, um fresco dia de primavera.

"Me desculpe a demora, Al. Estava resolvendo algumas coisas", disse a senhora Elizabeth, se acomodando na cadeira.

Eu fiquei calado. Fiquei apenas fitando o horizonte. Eu sequer piscava.

"Quer chá? Trouxe o que você mais gosta. Com leite ou puro?", ela disse, segurando a jarra.

Eu não queria saber de chá. Nem sei porque eu estava lá. Tinha perdido meu irmão mais velho anos antes, e agora tinha acabado de perder minha esposa nos meus braços. Eu estava muito triste, e não queria conversar nem me encontrar com ninguém. Mas de alguma forma eu confiava naquela velha. Porém, naquele momento, eu não estava muito propenso a conversas.

"Al... Até quando vai ficar assim? A vida continua, você não pode ficar se culpando sempre que você perder alguém. Essas coisas acontecem, infelizmente. Tudo o que está vivo morre um dia. O importante é que você escolheu a vida!", ela disse.

Meu braço esquerdo estava enfaixado. Imagino que vocês saibam o porquê.

"Escute, velha... Eu estou cansado, sabe? E daí que o importante é que eu escolhi a vida?", eu disse, desafiando-a.

"O importante é que você escolheu a vida... Então, viva!", ela disse, servindo o chá, "Eu acho muito bonito como aqueles priminhos mais novos te olham. Você terá uma grande responsabilidade de agora em diante, sabia?".

Eu continuava quieto. Mas eu percebi que ela se aproximava cada vez mais de mim. Meio sem jeito, com a cadeira mesmo, se arrastando.

"Você será o espelho desses pequeninos. Eles te amam assim como você amou seu irmão mais velho. Do que adianta você andar num caminho errado e influenciar essas crianças pro lado ruim? Seja forte, agora você é o mais velho, e você tem toda essa responsabilidade!", disse Elizabeth, com um ligeiro sorriso.

"É um peso bem grande", eu disse.

"Mas é um peso que você pode carregar. Me diga qual foi o último conselho que o admirável Schultz lhe deu antes de falecer?", ela disse, sorrindo.

"Err...", pensei um pouco, mas respondi algo diferente: "Pra eu encontrar uma espanhola peituda pra me casar".

"Não isso. A outra coisa", ela questionou.

"Que eu ainda tenho minha juventude. E não deveria disperdiçá-la", respondi, firme.

"Exato! Não a disperdice, meu jovem. Se errar, tente de novo, ou tente diferente. Nossa vida passa muito rápido por nós. Faça o que deve ser feito sempre, siga em frente e... Seja feliz!".

terça-feira, 20 de março de 2012

Aquela motivação.


Quando era moleque, era uma pessoa muito tímida. Aí descobri as Artes. Fodeu tudo.

Fui numa apresentação de dois amigos músicos semana passada, uma holandesa e um brasileiro. Vi a simplicidade e a paixão de se fazer algo que goste e isso transparecer e empolgar todas as pessoas ao seu redor.

Me formei em design, já vai fazer um ano logo logo. Desde então fico me questionando até onde irei. Ficar mexendo apenas com front-end, fazendo e-mails marketings, bolando layouts em quinze minutos sem nenhum estudo, sem tempo para pesquisas e sem tempo para fazer com paixão.

Aí a coisa começa a perder o tesão. Não digo sobre fazer rápido, mas fazer com carinho. Pode ser rápido se você domina com maestria as ferramentas, mas a paixão pelo negócio transborda, fica na mente das pessoas, e aí a gente vê que a verdadeira beleza é algo tão grande que é impossível destruí-la.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conselhos.

"Alain, senta aqui, rapidinho", ela disse, me puxando pra cadeira.

Fiquei meio com receio, mas de qualquer forma sentei. Acho que foi por conta dos interrogatórios intermináveis.

"Preciso de um conselho seu!", ela disse, dessa vez dando uma risadinha.

Permaneci prestando atenção em toda a estória. Ela iniciou:

"Eu estou com um menino há uns seis meses, a coisa tá indo bem, mas ele ainda não me pediu em namoro. Ele tinha namorado uma outra menina que foi bem cruel com ele. A gente chegou junto, tivemos uma conversa franca sobre o que esperávamos do relacionamento e acho que estamos bem, sim", ela disse.

"Certo. Sua dúvida é porque ele não quer 'oficializar' com você?", eu perguntei.

"É! Isso!", ela disse, feliz.

Acho que a nossa cabeça pode ter velocidades incríveis que superam qualquer quad-core. Acho que precisei de uns dez segundos pra pensar em algo que levaria acho que uns bons minutos pra responder. Provavelmente os anos de treinamento ainda mantiveram minha cabeça lúcida e rápida o suficiente para tal.

"Bom, eu não conheço o cara. Mas acho que normalmente nós homens, principalmente quando somos novos e passamos por desilusões amorosas, temos a tendência de ter medo de arriscar algo sério, mesmo que gostemos da pessoa. É similar ao que vocês, mulheres, têm. Tente não apressar as coisas, continue saindo com ele. Para ele estar seguro, você tem que mostrar que você tá segura. Que você não vai ferrar a vida dele dando uma bela duma bota".

Porque mulheres quando têm coração partido choram um dia e a vida prossegue. Homens, vão parar debaixo da ponte, viram derrotados, pensei. Lei do macho alfa. Homens são acostumados com êxitos, não com falhas. Por isso a gente passa tão mal quando broxa.

"Ele disse que pensa em mim quando não estamos juntos".

"Uau! Ótimo. Sabe, quando um cara pensa em alguma donzela com regularidade quando estão longe é um excelente sinal. Significa que ele deve estar na fase 'apaixonadinho', eu acho. É comum, mesmo a gente tendo testosterona na veia, quando vocês mulheres conquistam nosso coração, já era. Viramos uns babacas mesmo!", e eu depois concluí o pensamento: "Bom, eu não tenho lá muita moral pra dar conselhos mas como sou homem também, acho que deve ser mais ou menos isso que te expliquei".

"Seus conselhos foram ótimos, que isso! Agora acho que estou mais tranquila", ela disse, aliviada.

"Hahaha! Vai dar tudo certo. Sabe, estar apaixonadinho é bacana, significa que vocês estão bem juntos, um gosta da companhia do outro. O problema maior meu é que eu me deixo levar muito antes nos relacionamentos.", eu disse, com um sorriso amarelo na boca.

"Como assim?"

"Eu fico apaixonadinho por elas antes. Aí caga todo o esquema!", concluí.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Estrella Galicia.



Cerveja forte, mesmo sendo clarinha. Gosto um pouco mais amargo que as Lager, valeu a pena experimentar! Não sei se é produzida no Brasil, mas o aroma tem personalidade, e é difícil confundir esse amargor com outra.

Parece que cervejas de rótulo vermelho tendem a ser mais "fortes". Exceto a Brahma, que continua um belo dum mijo com gás gelado, mesmo mudando a latinha.

quinta-feira, 15 de março de 2012

E aí, ontem no metrô...

Estava voltando pra casa ontem tranquilamente, pegando meu santo trenzinho na Estação Pinheiros. Estava de pé e na minha frente tinha um casal. Duas pessoas jovens, com uma bebêzinha (provavelmente uma menininha, pois estava de rosa).

A menina do nada começou a chorar. A mãe, depois de uma tentativa frustrada de dar o peito, passou pro pai que estava do lado que não soube o que fazer. Cada vez mais a bebê chorava mais e mais alto e o casal se olhava com uma cara de "E agora, o que a gente faz?".

Uma senhora do lado resolveu intervir. Disse que era provável que a criança estava com cólicas, o que é muito comum. Pediu pra eles fazerem uma massagem, ou algo do gênero no ventre da criança. O pobre do pai, que era um garoto, tentou fazer, mas sem sucesso.

Ele devolveu pra mãe (mas ele insistiu bastante na massagem pro bebê!) e ela deu o peito, aí a criança parou. Aparentemente era fome mesmo. Aí o silêncio enfim tomou conta do vagão.

Não sei se eu estaria pronto para ser pai. Acho que qualquer coisa que acontecesse, dependendo da gravidade, acho que estaria relativamente preparado, mas acho que a paternidade não. Não sei ainda se quero um dia ser pai, é difícil, e não acho que tenha eventualmente boas referências para tanto. Tenho medo de magoar meu filho, ou filha. E esse medo impede de sequer cogitar a ideia.

Tenho medo mesmo é de ser um péssimo pai. E dado ao meu jeito de ser, não acho que serei mesmo.

Mas o tempo vai passando e... Bom, sei que meus espermatozoides vão estar sempre aqui, então tecnicamente não precisaria de pressa para tanto. Fico pensando mesmo se algum dia vou estar pronto. Vai passando o tempo e parece que vou ficando menos pronto pra um momento como esse, quando deveria ser o contrário.

terça-feira, 13 de março de 2012

Feliz dia da Mulher!

Esse texto eu comecei a escrever semana passada, porém devido a uma virosa que peguei no estômago, só consegui terminar hoje. Malz ae, mano!

Quando eu era moleque, eu gosta muito de loiras. Era tipo as estórias que o Esteban Vihaio conta sobre o Bill, do Kill Bill. Acho que todo garoto passa por essa fase de apreciar garotas apenas pelos seus atributos físicos. Ás vezes mesmo com o passar do tempo a gente continua assim, acaba agindo com a cabeça de baixo, nem tanto com a de cima. Tudo bem, somos homens, testosterona fode tudo.

Porém, acho que o ponto de mudança na adolescência, foi com uma professora que eu tive.

Independente, ela trabalhava dando aulas de dia e faculdade de letras pela noite. Ainda arranjava tempo pra namorar, fazer os trabalhos, e todo dia estava lá, impecável, bem-humorada, de salto alto e pronta para dar aula.

Incrível! Não fazia o tipo submissa, ou que se estressava por pouca coisa. Mesmo nas conversas que tínhamos sempre se mostrou uma pessoa forte, inabalável, uma mulher decidida, que nenhum homem a faria baixar a cabeça e que sempre iria firme em frente. Naquele tempo fiquei apaixonadinho por ela, mesmo a nossa diferença de idade sendo de mais de dez anos.

Muitos homens acabam ficando temerosos quando encontra uma mulher assim. É mais fácil conseguir uma que lave louça, crie as crianças e faça um boquete antes de dormir. Mulheres acabam sendo condicionadas a isso, pois a sociedade muitas vezes as fazem ser assim. Assim como homens não podem se emocionar, serem barbados e ter mais de dezenove centímetros de pau.

Mas a riqueza, principalmente num relacionamento, está quando a gente encontra uma que fuja desse padrão. E devo dizer, se você nunca encontrou uma, acredite: Elas são apaixonantes. São mulheres fortes, que não ligam de encher a cara com você, que sabem conversar e te apoiar quando precisa, que sabem ser duronas e mesmo assim te deixam guiar o carro.

No fundo não precisamos de bunda, peito ou buceta. Nós homens precisamos de uma mulher que ande do nosso lado, que nos faça nos apaixonar uma, duas, três vezes (e vice-versa), que não tenham frescuras com dieta e que sempre nos achem verdadeiros heróis quando matamos uma barata.

Mulheres da minha vida, o que eu seria sem vocês?
Se Deus criou algo melhor que mulher, essa coisa deve estar só com ele!

Feliz Dia da Mulher, suas linda.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Livros 2012 - #7 - Admirável Mundo Novo

Faz uns oito anos que meu pai comprou esse livro. Na época cheguei a ler, achei interessante, porém foi apenas até os primeiros capítulos. Pensei que o livro era apenas sobre manipulação biológica, que não teria nenhum enredo, mas ainda bem que estava errado.

Tinha um grande amigo na adolescência que dizia que esse livro era o seu favorito. Ele era um leitor muito mais voraz que eu, devo admitir. E hoje, já que terminei a leitura, consigo dizer o porquê dessa ficção científica ser considerada um dos melhores livros já escritos.

Basicamente a mensagem que o livro quer passar é que o ser humano é um ser frustrado. Se temos fome, comemos, mas sofremos pela fome, um exemplo bem básico. Numa sociedade evoluída as pessoas não precisariam passar fome pois teriam sempre comida lá. Logo, você supre a necessidade, e não existem coisas ruins. Se tem fome, tem comida. Se quer sexo, pode comer qualquer uma que é liberado. Se quer viajar, vai lá e seja feliz.

Pra muita gente parece algo muito bom, mas... francamente, acha mesmo que deixar de sofrer é algo bom? Muitas vezes a gente só acha as coisas boas da vida exatamente porque a gente encontra as ruins.

E aí acaba virando uma fuga dos problemas, quando não temos sequer a opção de enfrenta-los. As pessoas deixam de crescer, pois estão acostumadas ao mesmo, querem continuar fazendo o mesmo pelo resto de suas vidas e não conseguem enxergar algo diferente, pois todo mundo faz a mesma coisa e é natural isso. Até mesmo as pessoas não são geradas por sexo, e as mulheres já nascem estéreis nesse mundo "perfeito".

O protagonista do livro (que acaba aparecendo só muito depois) é o John, filho de Linda, que era uma mulher que vivia na civilização e acabou perdida e vivendo junto de uma tribo de selvagens. Selvagens na verdade que são como nós, e acabou vivenciando a velhice, a doença, a fome e até mesmo dando a luz a uma criança (já que absolutamente todos são produzidos in vitro).

E o garoto contesta isso tudo. Ele diz que, mesmo que tenha que sofrer, ele opta em sofrer do que fugir do sofrimento. Quer ficar sozinho, quer se apaixonar, quer amar sua mãe, quer ser humano no modo natural, e não como um membro dessa sociedade.

Interessante isso. Não sabia que o livro ia ser tão bom.

Se existe a possibilidade disso ocorrer? Não acredito que não estamos muito longe não. Pessoas hoje são cansadas, trabalham muito, assistem muita tevê (ou ficam demais na internet) e esquecem de questionar o mundo, aprender algo novo, ou mesmo ler algo que enriqueça que não seja tirinhas com memes.

Mas existem algumas coisas que acho que serão difíceis de se mudar. A sociedade moderna usa muito do modelo romano pra se fixar. Uma sociedade com deveres e equipamentos públicos, baseada nos prazeres da gastronomia e do sexo, que permite uma liberdade dentro de certos leis. O mundo de Admirável Mundo Novo é algo muito aquém de uma sociedade que tenta usar apenas tecnologia de ponta quando a gente vive  na verdade numa Roma em pleno século XXI.

Não tem diferença alguma. A base da sociedade tá nesses moldes, e esse sim teria que ser quebrado pra trazer essa realidade à tona. Mas enfim, é um bom livro, anyway. Gostei!

terça-feira, 6 de março de 2012

Buda era um cara que sabia das coisas.

Quando o Buda estava pra morrer muita gente ficou triste. Dizem que o universo, os animais, as pessoas, todos choraram de angústia - afinal, ele era um cara que manjava das coisas.

No momento em que ele sentiu que ia morrer, várias pessoas vieram ao seu encontro. Grandes líderes, donos de terra e ricos comerciantes vieram lhe oferecer o que tinham de melhor. Terras, dinheiro e tudo mais. E naquele momento, Buda fez o que era mais sensato: negou todos esses "presentinhos".


O cara tava morrendo, o que ele ia fazer com essas coisas? De nada adianta, você não leva essas coisas materiais pro túmulo.

Foi então que um jovem pobre, filho de um ferreiro e vestindo roupas surradas apareceu. Ele era Chunda, e fez a última oferenda pro Buda Shakyamuni. Chunda implora pra que Buda fique mais um pouco entre nós, e como ele não tinha nada de dinheiro ou terras pra oferecer, trouxe 15 pessoas pra ouvir um último ensinamento do Buda.

Ele implora pra que Buda fique um pouco mais de tempo entre nós, e diz o como é raro ter nascido na mesma época do Buda (oh, como eu queria também! Devia ser muito bom).

O Buda então diz que esse é o correto a se fazer. Chunda foi bondoso com as outras pessoas, ele poderia ter sido egoísta e ficado com o ensinamento apenas para si, mas ele foi lá e dividiu com as outras quinze pessoas. Isso se chama agir em prol do próximo.

É a bondade com o próximo que é o real ensinamento que o Buda nos deixou. Não tem nada a ver apenas com meditação, busca da iluminação pra si próprio ou se trancar num mosteiro na China.

Se você sabe que tem um buraco na rua, você não vai alertar seus amigos pra que eles não caiam e não machuquem? Isso é agir em prol do próximo, pensar no bem do próximo, pois apenas quando se vê a felicidade no outro é que nós alcançamos a felicidade.

O ensinamento budista é a mesma coisa. Se você aprendeu, compartilhe. Seja um grande veículo, pense na felicidade do próximo e expanda isso tudo. Chunda foi elogiado, e Buda diz que essa é a verdadeira natureza de Buda, e que não precisamos nos trancar em um mosteiro ou viver de modo asceta. Podemos praticar os ensinamentos do Buda no dia-a-dia e também alcançarmos a iluminação. Eles dão o termo de "budismo leigo", mas não quer dizer inferior, muito pelo contrário! É praticando com boas ações no dia-a-dia que a gente consegue expandir a harmonia e melhorar o mundo a nossa volta.

Portanto, não venha com esse papo de pensar apenas em si. Seja um grande veículo, e leve a felicidade para os outros praticando boas ações. Pode ser desde dar o lugar a uma senhorinha pra sentar no busão, ou ajudar um amigo seu a resolver um problema.

Esteja lá e amplie essa bondade, pois só a bondade pode curar. =)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Livros 2012 - #6 - Laranja Mecânica

Um dos filmes que eu mais gosto é Laranja Mecânica, do Kubrick. Gosto tanto que fiz questão de comprar uma "Deluxe Gold Supreme Master Blaster Version" só pra ter na estante essa belezinha.

Sempre procurei o livro mas nunca o achei. Achei uma vez quando estava nas minhas andanças na Livraria Cultura alí no Conjunto Nacional e o levei junto de Pride and Prejudice. Li em menos de uma semana essa grande obra do Anthony Burgess.

Dizem que sempre o livro é melhor que o filme. Em 90% dos casos, é sim. Mas Laranja Mecânica se encaixa nos 10% restante porque o filme é muito bem adaptado e atuado, e o livro também não tem nada a perder.

Uma linguagem deve sempre complementar a outra, as duas não são iguais e a ideia é exatamente complementar, não subtrair.

SPOILERS
Não sei porque diabos o Kubrick deixou o último capítulo do livro sem fazer.

O filme e o livro são bem similares, desde a juventude transviada do Alex, a prisão dele, o método Ludovico e o final onde ele é curado de sua psicose.

O livro é escrito com o dialeto nadsat do começo ao fim. E, por ter sido muitíssimo bem adaptado pro português, as palavras fluem. Mesmo várias não fazendo sentido como "pitiza" sendo "garota" ou "vek" sendo "sujeito". Mas se você for seguindo ele sempre complementa o sentido na frente e você entende sem precisar recorrer ao glossário nadsat (quando em um momento, por exemplo, ele fala que pega a "kloocht" na fechadura e abre a porta, você deduz que é uma chave, e por aí vai).

O último capítulo em questão é a "redenção" do Alex. Ele vê o Pete casado e com um filho, e ele que era seu drugui (amigo) já está crescido, já ele fica naquela pose de adolescente, mesmo com já seus 19 anos. No final do livro ele simplesmente começa a ir atrás de uma namorada, mostrando que ele finalmente cresceu e deixou de ser um garoto, coisa que no filme é cortado, mostrando apenas que ele foi um êxito no método Ludovico.

Livro é livro, filme é filme!

domingo, 4 de março de 2012

Como se fosse Sorata e a Arashi.

"Que bagunça... São todos seus mangás?", me disse, começando com aqueles comentários inúteis.

"São sim", respondi, seco.

"X, da Clamp? Um bom mangá. Lembra que te chamavam de Sorata? Diziam que você tinha esse jeitão infantil, brincalhão, sempre querendo que as pessoas ao seu lado sorrindo, fazendo umas graças", 'n' disse.

"É. Mas eu acho que as coisas mudaram. Acho que estou mais parecido com o Subaru", eu disse.

"Bom, os dois vivem uns amores impossíveis. Mas acho que você ultimamente deve estar mais pro lado do Sorata, não acha?".

Fiquei quieto. Fingi que ignorei.

"Veja bem, eu já vi essa garota. Ela é como a Arashi: chata, rabujenta, folgada, nervosa e, definitivamente... Não gostei dela. Mas e quanto a você?".

"Não sinto nada por ela. Quantas vezes vou ter que te dizer?", eu respondi, ríspido.

Ele ficou um minuto olhando pra mim. Arqueou as sobrancelhas, apontou o dedo pra mim e disse:

"Ela quebrou seu coração. Tá escrito na sua cara!", 'n' disse, direto.

"Cala essa sua boca!".

Lembro que 'n' tinha ido buscar algumas coisas lá em casa. Quando já estava de saída, fez um último comentário.

"Escuta, sobre a sua Arashi, você disse que teve um sonho ruim com ela né? Você dificilmente lembra dos sonhos... Mas você disse que acordou chorando. Era num hospital, né?"

"Era sim. Mas não gosto de lembrar desses sonhos".

"Não, não! Calma aí. O Sorata vive dando investidas na Arashi, e ela nunca cede. Ela só cede porque...", eu interrompi, e prossegui:

"...Porque ele tinha colocado um ofuda de proteção nela. Quando ela ia morrer ele acabou protegendo-a. Ele se feriu mortalmente para protegê-la e foi parar no hospital, foi aí que ela estava com ele e...", agora foi a minha vez de ser interrompido.

"...Hahah! Vocês são muito Sorata e Arashi. Me diga uma coisa, você gosta dela?".

"Não".

'n' deu uma risadinha.

"Você mente muito mal, Al. Eu acho que eu sou uma das únicas pessoas nesse mundo que sabe exatamente quando você mente e agora você mentiu".

quinta-feira, 1 de março de 2012

Por uma arte sem limites.

Comecei a ler Laranja Mecânica hoje. Em seu prefácio, Fabio Fernandes diz que o próprio autor, Anthony Burgess começou tarde sua trajetória como escritor. Aos 39 escreveu o primeiro livro. Um ano depois descobriu um câncer no cérebro e escreveu uma porrada de livros pra aproveitar seu resto de tempo na esfera terrena.

Hoje em dia escolas ensinam que uma pessoa deve saber matemática e português. Dizem que isso é o necessário para ser um cidadão, e cada vez uma disciplina acaba sendo deixada de lado: o ensino da Arte. Maiúscula mesmo, tô falando de coisa grande.

Os grandes cientistas e pensadores eram também artistas. Desde Giotto até mesmo o Burgess. Acho que o termo artista perdeu bastante o significado na língua portuguesa. Dizem que Michel Teló é artista, quando eu prefiro usar o termo americano entertainer. Pessoas tem preconceito com artistas porque muitos se dizem ser artistas quando são entertainers. Até meu pai tem preconceito quando eu digo que sou um protótipo de artista - pois vem essa concepção de vagabundo, e tal.

A Arte acabou virando profissão de vagabundo, pois pessoas não a compreendem muitas vezes.

A Arte é uma das expressões mais antigas do homem. Posso até dizer que o homem das cavernas possivelmente desenhava enquanto tentava desenvolver os grunhidos pra uma linguagem. Mas acima de tudo, "arte" deriva do grego "τέχνη" (techni) que por sua vez virou a palavra técnica.

Hoje a gente diferencia bastante, mas um anda do lado do outro e sempre se juntam no final. Quer ver como?

Na questão filosófica as Artes nos fazem questionar e observar o mundo ao nosso redor. Muitas vezes Arte significa regra. Ser artista era ser cientista, porque o próprio processo de desenvolver arte é um processo mental, que precisamos dispor de tempo e habilidade. Exemplo: Eu comecei desenhando, desde moleque fazia retratos de pessoas a mão. Na faculdade conheci outros materiais, ouvi algumas dicas e absorvi algumas técnicas (como campo de cores e sfumatto) e não senti dificuldades em sair daqueles desenhos num grafite e ir para uma tela de pintura.

E isso podemos aplicar em outras artes, como música, por exemplo. Se uma pessoa tem a técnica de tocar violão, provavelmente saberá tocar desde um piano e até mesmo uma bateria. Conheço pessoas assim. Porque o nosso cérebro se desenvolve, conhecemos a expressão e... essa expressão se torna criatividade. Que é o melhor de todos os resultados que podemos ter quando a arte e a técnica se juntam lá na frente.

E desenvolver a criatividade que é o que faz a sociedade dar um salto de evolução. Criar coisas novas ou absorver o conhecimento dos antigos e reinventá-los, essa é a ideia da coisa toda. E a criatividade que a Arte nos traga abre portas para diversos conhecimentos. Eu, como artista gráfico, começo com uns rabiscos, depois vou pro estudo de anatomia, cinética, luz e sombra, reflexo de água e, quando me der conta, terei conhecimento de diversas áreas. E isso se aplica à poesia/prosa, dança, teatro, música e tudo mais, sempre adaptando cada coisa ao meio.

E aí as Artes abrem portas que provavelmente seriam mais difíceis da matemática ou língua portuguesa, sempre consideradas "indispensáveis", abrirem. Não que seja impossível, mas as pessoas não assimilariam tanto.

Não discrimine a Arte. Se você mergulhar nela, vai ver que só tem a crescer. Independente de qual seja.

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