sábado, 24 de março de 2012

Debulhando as Moiras.

Quero pintar um novo quadro! Decidi. Quero fazer a minha versão da Adoração dos Magos, a passagem bíblica que retrata o encontro dos três reis magos com Maria e o recém nascido nazareno.

Ok, eu sou budista, mas quero humanizar essa cena. Acho que é o tema religioso mais bonito, não apenas pela questão da sua importância na cristandade, mas também pelo seu aspecto social.

Afinal, somos seres humanos! Como você se sentiria se um maluco estivesse querendo matar todos os bebês, e você estivesse grávida e pronta pra dar a luz, fugisse desesperadamente e cuspido seu filho pra fora onde colocam capim pras vacas comerem e do nada recebesse a visita de três reis que te dão aquela ajuda nesse momento de desespero?

Vejo, sei lá, o desespero que Maria teria, independente de ter sido Jesus ou não, temos uma mãe querendo salvar seu primeiro filho. Tudo bem que sou budista, mas a beleza dessa cena não tem religião. É humana!

Se tudo der certo, será o meu segundo quadro. Já comecei a fazer alguns rascunhos. Mas antes de fazer, quero falar do meu outro quadro e dos elementos que usei pra brincar com a composição. São as Minhas três Moiras:


Eu levei alguns meses fazendo. Terminei em dezembro de 2007.


Já vi gente que nunca reparou na auréola. COMO? A auréola é completamente indicativa. Dá pra saber até o nome da Lachesis. Bastante angelical, não acha?


Eu brinquei com as perspectiva do quadro. O ponto de fuga é exatamente na testa da Lachesis. Isso sem contar no céu. Muitos outros pintores já brincaram as luzes para destacar alguma coisa. Fiz com que sempre o foco fosse na do centro, já que ela representa a vida em si, o tempo em que mais ficamos na "cordinha" da vida, deveria ser a que mais fôssemos prestar atenção também.


O cenário são três cenários diferentes. Começa com uma edificação grega, um campo e depois um rio e um monte. Começamos nascendo embaixo de um teto, aprendemos a andar e viajamos por campos, e encontramos os deuses no Monte Olimpo depois da nossa morte, ou carregados pelo rio Aqueronte/Lethe.


A pessoa que eu retratei como a Clotho não é ruiva hoje. Mas quando eu a conheci, era ruiva!
(ih, faz tempo!)


Minha mãe quando terminei o quadro ela virou pra mim e disse: "Nessa japonesinha do meio ficou uma sujeira no queixo dela". Não é uma sujeira. É uma pinta! E ela tem essa pinta no queixo, precisamente nesse local, na vida real.


Ela continua meu "segredinho". E o pior que eu editei todas as referências que eu tinha sobre ela. Mas ela foi alguém muito especial, e acabou significando minha "morte", ou, precisamente, meu "recomeço". Saudades.


Pena que reproduções não mostram, mas o fio é prateado. Um detalhe. =P

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