quinta-feira, 1 de março de 2012

Por uma arte sem limites.

Comecei a ler Laranja Mecânica hoje. Em seu prefácio, Fabio Fernandes diz que o próprio autor, Anthony Burgess começou tarde sua trajetória como escritor. Aos 39 escreveu o primeiro livro. Um ano depois descobriu um câncer no cérebro e escreveu uma porrada de livros pra aproveitar seu resto de tempo na esfera terrena.

Hoje em dia escolas ensinam que uma pessoa deve saber matemática e português. Dizem que isso é o necessário para ser um cidadão, e cada vez uma disciplina acaba sendo deixada de lado: o ensino da Arte. Maiúscula mesmo, tô falando de coisa grande.

Os grandes cientistas e pensadores eram também artistas. Desde Giotto até mesmo o Burgess. Acho que o termo artista perdeu bastante o significado na língua portuguesa. Dizem que Michel Teló é artista, quando eu prefiro usar o termo americano entertainer. Pessoas tem preconceito com artistas porque muitos se dizem ser artistas quando são entertainers. Até meu pai tem preconceito quando eu digo que sou um protótipo de artista - pois vem essa concepção de vagabundo, e tal.

A Arte acabou virando profissão de vagabundo, pois pessoas não a compreendem muitas vezes.

A Arte é uma das expressões mais antigas do homem. Posso até dizer que o homem das cavernas possivelmente desenhava enquanto tentava desenvolver os grunhidos pra uma linguagem. Mas acima de tudo, "arte" deriva do grego "τέχνη" (techni) que por sua vez virou a palavra técnica.

Hoje a gente diferencia bastante, mas um anda do lado do outro e sempre se juntam no final. Quer ver como?

Na questão filosófica as Artes nos fazem questionar e observar o mundo ao nosso redor. Muitas vezes Arte significa regra. Ser artista era ser cientista, porque o próprio processo de desenvolver arte é um processo mental, que precisamos dispor de tempo e habilidade. Exemplo: Eu comecei desenhando, desde moleque fazia retratos de pessoas a mão. Na faculdade conheci outros materiais, ouvi algumas dicas e absorvi algumas técnicas (como campo de cores e sfumatto) e não senti dificuldades em sair daqueles desenhos num grafite e ir para uma tela de pintura.

E isso podemos aplicar em outras artes, como música, por exemplo. Se uma pessoa tem a técnica de tocar violão, provavelmente saberá tocar desde um piano e até mesmo uma bateria. Conheço pessoas assim. Porque o nosso cérebro se desenvolve, conhecemos a expressão e... essa expressão se torna criatividade. Que é o melhor de todos os resultados que podemos ter quando a arte e a técnica se juntam lá na frente.

E desenvolver a criatividade que é o que faz a sociedade dar um salto de evolução. Criar coisas novas ou absorver o conhecimento dos antigos e reinventá-los, essa é a ideia da coisa toda. E a criatividade que a Arte nos traga abre portas para diversos conhecimentos. Eu, como artista gráfico, começo com uns rabiscos, depois vou pro estudo de anatomia, cinética, luz e sombra, reflexo de água e, quando me der conta, terei conhecimento de diversas áreas. E isso se aplica à poesia/prosa, dança, teatro, música e tudo mais, sempre adaptando cada coisa ao meio.

E aí as Artes abrem portas que provavelmente seriam mais difíceis da matemática ou língua portuguesa, sempre consideradas "indispensáveis", abrirem. Não que seja impossível, mas as pessoas não assimilariam tanto.

Não discrimine a Arte. Se você mergulhar nela, vai ver que só tem a crescer. Independente de qual seja.

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