quinta-feira, 26 de abril de 2012

O discípulo tolo. Parte V.

Maldito seja você, Charles de Gaulle.

"Senhor, sinto lhe dizer mas, por algum motivo que desconheça, o senhor não pode entrar nesse país", disse a senhorita do controle de imigrantes. Alguns homens engravatados estavam atrás de mim, mas subitamente uma ligação de telefone a fez mudar de ideia.

"Sua pontualidade está precisando ser calibrada, R", eu comentei, já na saida do aeroporto onde um carro simples me aguardava. Meu destino era uma cidade no centro do país.

A questão nem era tanto se eu queria pisar na França. Com certeza tudo fora armado pela Émilie. Não tinha muito tempo, tinha que me apressar. Quando cheguei ao local, me despedi do motorista, peguei minhas coisas e subi uma escada íngreme que dava num morro. Lá em cima tinha uma casa, guardada por um grande pastor alemão.

Entrei, o portão estava aberto. O cachorro estranhou mas de alguma forma ele ainda se lembrava de mim. Fui até a porta da casa onde encontrei ele, sentado de costas pra mim, apreciando a lareira queimando.

"Mestre. Mestre Vincent", eu disse, entrando no recinto.

"Não conheço esse nome", ele se virou, ficando em pé, "sou apenas um carpinteiro do vilarejo".

"Não... O homem que me ensinou tudo não é apenas um carpinteiro. Mestre, por favor, eu não tenho muito tempo, quero que me ouça!", eu disse, implorando.

Ele se levantou e veio até a minha direção. Vestindo trajes bastante simples, barbado e cabelo desgrenhado, ele ainda tinha aquele olhar aterrador. Um olhar de um mestre que repreende seu discípulo.

"Você abandona o treinamento no meio, foge da minha tutela e agora me aparece anos depois pedindo pra que eu te ouça?", o Mestre inicou, "E tudo por causa do seu irmão mais velho, depois que alguns boatos infundados apareceram e você decidiu ir atrás dele. Ridículo!".

Eu ajoelhei. Qualquer pessoa que falasse do meu falecido irmão mais velho me faria reagir de modo violento, mas não ele. Só ele que eu conseguia ouvir aquilo como um sermão.

"Mestre!", comecei, ajoelhado, "Quero que termine o seu treinamento comigo. Eu imploro!".

Ele andou a minha volta, me olhando.

"E o seu irmão? Encontrou pelo menos o cadáver? Saia já daqui. Não vou ensinar nada do que eu sei pra uma pessoa como você. O pouco respeito que eu tinha por você se perdeu", ele finalizou.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pensando em religião fora do escopo da crença.

Eu estava pensando em escrever esse post há muito tempo. Quero ver se consigo botar "no papel" as reflexões que cheguei.

Já encontrei muita gente que era contra religião. Eram daquelas que afirmavam que era nada menos que o ópio do povo, que a crença em algo superior as faziam inferiores, especialmente num mundo hoje onde a lógica grega reina.

Sim! No ocidente, e praticamente no mundo inteiro, reina-se a ciência da lógica. É uma herança dos gregos, com seus cálculos. Mesmo que eles tenham um grande Panteão de deuses e semi-deuses essa influência veio principalmente de um movimento artístico-cultural chamado Neoclassicismo, em meados do século XVIII.

Não é ruim! Graças a isso conseguimos avançar na ciência. Hoje temos a tecnologia ao nosso dispor. Junto do classicismo veio a diminuição do poder do Clero, que tinha criado coisas sanguinárias como a Inquisição no período barroco (séculos XVI e XVII).

Mas talvez bem antes disso as religiões tenham perdido um pouco de seu misticismo. Pessoas começaram a entender literalmente as coisas, esqueceram de refletir, de questionar. Passaram a apenas aceitar. Afinal vivíamos num mundo ocidental com seu poder do Clero. E depois, com a chegada do Neoclássico seus poderes caíram mais, e dificilmente a religião voltou a ser algo profundo. Pois exatamente as pessoas ficaram preguiçosas. Os sacerdotes também.

Talvez hoje com a crescente popularização da Ciência Noética a coisa comece a mudar um pouco. Curiosamente ou não, a ciência noética, que busca a ciência dentro de coisas antes consideradas místicas tem sua origem etimológica exatamente no nous, que eu já expliquei no post anterior.

Qual minha posição sobre essa rolada toda?

Vamos pensar religião fora do escopo da crença. Cada vez mais pessoas dizem que as pessoas não precisam mais de religião. Um grande movimento ateísta está surgindo. Uns tem embasamentos teóricos fortes, outros apenas querem o fim da religião pois eram obrigados pelo papai e mamãe a ficarem sentados no banco durante as missas de domingo.

Muita gente tem o grau de "Doutor da Filosofia". Que é o nível em que você entende tanto algo, todos seus mecanismos que você entende a coisa por ela mesma. Difícil de entender, né? Imagina que você tem um carro. Para as pessoas comuns o carro não passa de uma lataria. Mas os doutores da filosofia de um carro, por exemplo, entendem que existe um conjunto de coisas dentro daquilo que fazem aquele treco andar pela rua. Um conjunto de motores, câmbio, rodas, etc.

Somos nada sem a filosofia. Nosso pensamento se torna vago, e não conseguimos ver nada além do que nosso próprio rabo.

Algumas dessas pessoas que dizem querer o extermínio de religiões apenas entendem o superficial delas. E não estou falando de fé. Estou falando que religiões são verdadeiros tratados filosóficos, análises do ser humano dentro de um todo e também "dicas" para que o ser humano evolua dentro da sua comunidade como indivíduo.

Resumindo: religiões no fundo fazem as pessoas crescer como indivíduos desejando o bem das pessoas ao seu redor, e não necessariamente apenas a submissão a uma vontade maior. Por isso são mais do que necessárias para uma comunidade humana evoluir.

Vamos lá! Não vou dar exemplo de cristianismo, nem de budismo. Vou dar um exemplo dentro do Islã, afinal, existe uma grande colônia árabe nesse país, e devemos cultivar essa harmonia! Eles também são legais (e as árabes são bonitas com aqueles olhões expressivos e lábios generosos! Especialmente as persas, nossa... Casava com vinte!).

O Islã tem cinco pilares. E logo o primeiro pilar diz a respeito de que "Não existe nenhum deus a não ser Alá, e reconheço Maomé como o seu profeta". Parece total alienação para alguns, mas não é. Existe uma filosofia nisso.

Maomé é considerado o último profeta do Islã. Ele é mais ou menos como Jesus, pegou uma religião e fez uma releitura dela, juntando aspectos tanto do judaísmo como cristianismo (Jesus é venerado também no Islã) e criou o Islã.

Islã é machista? Nops! Maomé nunca disse nada do gênero no alcorão. Eles são até bem mais flexíveis. Isso veio da sociedade. Jesus mesmo, já naquele tempo, dizia algo que quando não tiver um homem para sustentar a família, a mulher deve trabalhar pra trazer o pão.

Quando se aceita Alá como único e dominante deus, você dá um título a Maomé como seu profeta. E Maomé escreveu o Alcorão, logo o livro sagrado é a lei. Não focaremos na parte sobre sermos servos de Deus, mas na verdade ajudarmos o nosso próximo, nos desprender do nosso ego e ajudarmos nossa comunidade. Nas religiões pregam isso como pecado, mas isso na verdade são coisas essenciais para que o ser humano exista e seja agente de melhoramento da sua comunidade.

Os outros pilares do islã é, fazer as orações diárias, que permitem, por exemplo, o ser humano ter uma noção de compromisso. Ter um compromisso ajuda o ser humano a crescer, pois o torna responsável. Pode ver, muitos pais exigem bastante responsabilidade dos seus filhos, e eles cresciam rápido e ficavam fortes rápido.

Outro pilar é a doação de dinheiro. O dinheiro em si é algo que fode a vida. Ter dinheiro nos faz sermos egoístas e querermos fuder o outro. Isso é danoso para o crescimento da sociedade, especialmente quando muitos têm muito e outros têm pouco. De acordo com as leis do Islã o dinheiro de quem tem muito é aplicado na própria comunidade para seu crescimento. Por motivos óbvios, acho desnecessário justificar. Tá na cara seu significado!

Outro pilar é o ramadã, onde existe o jejum e as festividades. As pessoas só focam na parte que diz sobre "deve-se ter total obediência a Alá", quando esse período eles são obrigados a refletir e levar suas vidas com menos raiva, maior bondade ao próximo e benfeitorias. É o período que eles dizem estar mais próximos de Deus, mas estão na verdade refletindo seu comportamento por meio do jejum, tentando levar suas vidas de modo mais generoso.

E por fim, a peregrinação pra Meca, o último dos pilares. Isso é essencial para a questão de "dividir a filosofia". Uma religião não é formada por uma pessoa, e sim por várias. E dentro das práticas, as pessoas refletem. E dentro dessa reflexão, elas dividem suas experiências com os próximos e essa troca de ideias e testemunhos é um trabalho voluntário de se doar ao próximo, sugerindo, ouvindo e ajudando. E além de tudo isso, criam um espírito de união, o que o faz sentir-se dentro de um corpo ainda maior, firma-os dentro do ensinamento de seus líderes, e os fazem levar vidas melhores.

Vendo sem a questão da fé, as religiões fazem muito mais lógica, não acha?
(que post grande do caraio!)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Livros 2012 - #11 - O Evangelho de Maria

Terminei sexta-feira de ler O Evangelho de Maria, de Myriam de Magdala, que nada mais é do que um nome pomposo pra minha santinha Maria Madalena.

Eu nunca imaginei que um livro sobre cristianismo (ainda mais sobre um apócrifo) iria me ajudar a entender o budismo, hehe. No fundo todas as religiões do mundo tem um mesmo fim.

O livro tem comentários do filósofo e teólogo Jean Yves Leloup que é de fato o autor do livro, mas não é creditado. Talvez porque as informações estão todas ali nas poucas páginas do Evangelho de Maria Madalena, ele apenas as digere de um modo mais fácil de se entender.

Judaísmo, cristianismo e o islã (não confundir com islamismo, isso aí é a corrente ideológica radical-nacionalista usada pelos terroristas!) são religiões que tem a mesma origem: que são uns pensamentos de um maluco chamado Moisés que viveu há uns sete mil anos que pregava no tempo ainda que o povo israelita ainda era escravo dos egípcios.

Vou resumir um resumo do resumo (hã?):

A nossa bíblia chegou a nós graças a traduções feitas do aramaico (ou até línguas mais antigas) para o grego e posteriormente para o latim. Algumas palavras perderam o significado, principalmente o nome de Deus (Jeová), que era escrito como YHWH. A tradução é mais ou menos como "Eu sou".

No cristianismo somos criados à semelhança de Deus. Porém, nas origens, não teríamos que ser submissos a ele, pois também somos como ele, temos dentro de nós a essência desse Deus. Um Deus generoso e bondoso, que ama todos os seres que criou, que zela e nos protege. Um Deus bondoso, um "Eu sou" bondoso. Quando agimos como Deus, nós viramos o Deus pois quando deixamos nosso ego e olhamos pra dentro de nós, vemos um potencial incrível.

Legal né?

Isso tudo foi pregado por um rabi judeu, da Casa de Davi, que viveu na região da Palestina há mais de dois mil anos. Não sei se você o conhece, mas ele se chama Jesus de Nazaré (isso tá parecendo papo de crente, mas eu sou budista!).

Uma coisa que o cristianismo atual perdeu é o conceito de nous. Dá pra perceber que cada vez mais igrejas evangélicas tentam se aproximar do judaísmo, mas não entendem que a cagada já foi feita lá atrás, e se quiser entender mais sobre o cristianismo teríamos que olhar fora dos quatro evangelhos canônicos (Mateus, Lucas, Marcos e João). Talvez as epístolas de Paulo de Tarso nos ajudam um pouco, mas essas fontes apócrifas são essenciais se quiser pensar fora da caixa.

Mas voltando ao conceito de nous. Somos formados de corpo (soma), espírito (psique) e alma (nous). Nous é algo muito usado também por Platão/Sócrates, especialmente no momento em que este segundo é condenado à morte.

É o nous que nos conecta a algo divino. Nossa psique é nossa vontade, o nosso corpo é nossa veste carnal, mas é o nous que é capaz de transcender isso e alcançar a pneuma, ás vezes traduzido erroneamente como "espírito santo". Isso era algo que Jesus pregava aos seus discípulos no primórdio do Cristianismo, e hoje trata-se de um conhecimento esotérico, não difundido para todos. Pelo menos não até agora.

É por meio do nous que o homem deixa de ser andros e vira athropos. Pessoas entendem errado quando alguém fala de antropologia como "Ciência do Homem", mas estamos falando de Homem com H maísculo (o ser humano) e não homem com h minúsculo (o macho, oposto da fêmea). E era esse tipo de relação de Jesus tinha com a Madalena, numa Judeia dominada por judeus machistas que não compreendiam como uma mulher poderia ministrar a "Boa Nova" que Jesus pregava.

Infelizmente parece que a rolada toda virou de lado e hoje os mais cultuados ao lado do Cristo seja Pedro e João Batista, dois que já desde esse evangelho de Maria eram alvo de criticismo pelo seu machismo.

domingo, 22 de abril de 2012

Compaixão.

Budismo no ocidente é entendido como uma religião de meditação, onde buscamos respostas às nossas perguntas para evoluirmos como indivíduos. Isso está, em partes, certo.

Temos o próprio Buda histórico Shakyamuni pregando isso. Especialmente para seus bhikkhus no primórdio desse Ensinamento. Como já expliquei, o momento de ascensão é exatamente na hora da morte do Buda, com seu parinirvana tão alvo de falta de conhecimento pelos próprios budistas.

No final da vida Buda diz que devemos agir com compaixão, servindo o outro, pois de nada adianta você absorver o pensamento de você não colocá-lo em prática e espalhar. Todos temos natureza de Buda, todos sem excessão podem chegar, seja um monge ou uma pessoa comum como eu ou você. Mas para isso, devemos servir o próximo. Isso que Buda nos deixou no seu último ensinamento. E pensando bem, faz sentido pra caramba.

Numa sociedade como a nossa dificilmente teríamos espaço pra isso. Como mesmo já me disseram: "O mundo lá fora não está nem aí pra você. Seja como eles pois é sua única defesa". Mas como eu bem disse, não se cura algo com o mesmo remédio. Para termos harmonia precisamos ter ela dentro de nós, para então conseguirmos levá-la para fora.

Porque então devemos servir o outro?

Eu sempre achei que temos um vocabulário escasso, onde somente damos um significado para alguma coisa. Isso é cultural, achamos que servir o outro significa apenas estar a mercê de alguém, quando na verdade não foi isso que o Buda em seu momento da morte nos deixou.

Vamos para exemplos práticos: uma pessoa na rua, uma senhora, precisa de ajuda para atravessar a rua. Moramos em São Paulo, não existe quase ninguém que nunca tenha sido atropelado ou assaltado. Você, como ser humano, não ajudaria a senhora a atravessar a rua?

Um exemplo pessoal: uma vez estava num onibus indo pro trabalho. Havia um lugar para me sentar, mas era aquele amarelinho, para idosos, gestantes, etc. Como não havia ninguém eu me sentei. Do nada em um ponto de onibus subiu muita gente, e uma senhora estava na minha frente. Me levantei pra dar o lugar pra ela, mas o onibus tava tão cheio que eu nem sabia onde eu ia ficar em pé (eu tenho quase dois metros de altura).

Levou um tempo até conseguir acomodar a senhora, que ainda resmungou. Mas eu fiquei quieto. Não se cura veneno com veneno. O engraçado que uns cinco pontos depois ela desceu, e ela me cedeu o lugar pacificamente. E como não tinha mais ninguém com o perfil, me acomodei.

Mas de alguma forma ter feito o bem fez passar o cansaço. Isso pode ser meio psicológico, mas como eu já disse, Buda sabia das coisas, e sabia que isso funcionava também. Me senti leve e tranquilo por estar fazendo o bem, servindo o outro, sem esse sentido pejorativo. E isso podemos aplicar em inúmeros exemplos no cotidiano, desde aconselhando um amigo, ajudando uma entidade filantrópica, ajudar alguém desesperado no trabalho ou qualquer coisa do gênero.

Steve Jobs falou algo que algumas pessoas entederam errado. "Não perca tempo vivendo a vida de outra pessoa". Será que ele quis dizer pra sermos egocêntricos e não pensarmos na pessoa que está do nosso lado? Não sei, tem que ver também o contexto em que ele disse isso, mas essa frase virou uma "febre" e muitos a replicaram. E meu medo maior era exatamente esse.

Já vivemos numa sociedade individualista em que ninguém quer ajudar ninguém. Minha criação foi assim, meus pais sempre falavam "Tá com um problema? Se vira! Você que fez, o problema é seu, você não é quadrado". Isso me deixou com tanto medo que, embora eu seja uma pessoa que tente ser muito independente, gosto de ser uma pessoa que extenda a mão pra ajudar o próximo. Pra que outros não passem pelo que passei, porque isso é muito, muito duro. E só estamos hoje aqui vivos porque alguém nos ajudou lá atrás. Então porque não servimos o próximo com sinceridade e alegria?

Essa é a chave pra felicidade.

sábado, 21 de abril de 2012

Adaptando um livro para um filme.

Hoje assisti a versão americana de Os homens que não amavam as mulheres. Dessa vez eu li o livro antes. Engraçado como uma adaptação é feita. Livro é livro, filme é filme, são duas linguagens diferentes.

O filme como diferença crucial é eliminar vários personagens, deixando-os com menos importância ou nenhuma. Armansky, Praga e Cecilia Vanger são bons exemplos que "quase não aparecem no filme". Isso é só pra contar os que mais senti falta.

Cortar fatos também é algo recorrente: A única pessoa que o Mikael come durante o filme é a Lisbeth. No livro somente me recordo de ele ter comido ela uma vez (que é logo depois que acontece a cena que ele leva um tiro), mas no filme ele come duas vezes.

Porém o Mikael come muito a Cecilia Vanger no livro, que vira apenas uma personagem que se apresenta pra ele e vai embora no filme. Sim, a Cecilia, que ele até suspeita que ele era a Anita Vanger,  no filme ela apenas fala um oi-tchau praticamente. Só. Nem um beijinho rola.

Numa adaptação eles também mudam os fatos. É uma mudança sutil, ou pode-se considerar uma adaptação. A Lisbeth passa até a metade do livro sendo uma personagem sem quase mal aparecer. Ela é estuprada pelo Bjurman (aliás, excelente atuação da Rooney Mara!) e depois ela só é citada novamente quando o Mikael a encontra pra chamar ela pra se juntar ele na busca pela Harriet.

No filme é praticamente uma cena do Mikael e uma cena da Lisbeth, mesmo que algumas não façam sentido algum! A cena do metrô quando o cara leva a bolsa dela não existe no livro. O Mac dela quebra por velhice no livro (o HD dá pau), não porque um maluco esbarrou com ela no metrô como é mostrado no filme.

Embora que a primeira opção daria uma má imagem pra Apple, e nos filmes sempre Apple são computadores mais fudidos. Poderia ter sido o primeiro filme da humanidade a mudar isso, mas não veremos isso ainda.

Interessante isso de adaptação. Deve-se fazer escolhas, mas o filme não é de se jogar fora. Vale a pena ver, mesmo assim!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Tão perto. Tão longe.

Essa estória aconteceu há alguns verões comigo.

E então ali estava eu. Disse que acompanharia pro hospital, que aquilo não seria nada. E de fato, fomos. Ficamos aguardando você ser chamada lá, abraçados. Você havia comentado algo sobre como estava triste sobre algo que tinha acontecido naquela manhã, e eu disse que te ajudaria, sem problemas, iria dar tudo certo.

Médico te chama. Depois da consulta você me chamou pra eu ir com você. Levei minhas coisas e sentei no banco, te esperando. Não resisti e fui fazer uma graça enquanto você estava deitada lá, pra te animar. Segurei sua mão enquanto o procedimento estava começando.

Na primeira vez que peguei na sua mão, foi pra pedir desculpas. Na segunda vez que peguei na sua mão, foi pra dar risada. Dessa vez, foi pra te apoiar, pra te dar força.

E ficamos ali conversando. A hora passou voando. Não vou te dar broncas, somente tenho boas recordações de você. É algo um pouco difícil pra mim, espero que entenda minha situação.

Um tempo passou. Te acompanhei num lanche e depois para fora do hospital. Fomos caminhando até a estação. Estávamos de mãos dadas e sentia essa troca de energia. Não apenas isso, parecia que tinha um imã nas nossas mãos, sempre que elas se separavam lá estavam de volta, juntas. E éramos nós dois juntos naquela cidade, andando nas luzes da noite, como um casal que se conhecesse há muito tempo.

Acho que sentia que aquilo poderia ser o começo de algo grande. Todos os atores estavam no palco, só faltava a atuação.

Já na estação estávamos sentados aguardando. Foi naquele momento de silêncio, que nossos lábios iam se juntar que você virou o rosto bem na hora. E me abraçou sem jeito, e eu sem entender nada. Seja bonzinho..., você sussurrou. E eu lá, sem reação. Tão perto, tão longe. Mas, oras, eu sou "bonzinho".

E então a hora passou. O próximo trem era o meu. O destino era diferente do seu, mas eu queria continuar pelo menos agarrando aquela sua mão. Você dizia que você não prestava, que tinha problemas, mas eu disse que gosto de você exatamente do jeito que você é, sem tirar nem por mais nada. Foi por essa pessoa que meu coração bateu mais forte, logo não quero que mude nada pois eu gostava de você do jeito que você é.

Você sorriu meio sem jeito. Mas já era a hora. Você foi andando até a escada, mas eu ainda tentava segurar sua mão, que ia ficando longe, longe, longe, até as duas se separarem. Fiquei em pé vendo você subir as escadas e mesmo depois de um tempo que você foi ainda fiquei lá, em pé. Minha mente em branco. Meu coração em pedaços.

Tão perto. Tão longe.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quando eu joguei Assassin's Creed.

Tem spoilers. Se você não quer saber o final, vai ler outro post. Depois não diga que não avisei.

Eu já tinha jogado Assassin's Creed - Bloodlines pro PSP. E obviamente não entendi nada, exceto que ele tá afim de comer uma tal de Maria. Mas achei todos os chefes muito cativantes e uma mecânica bem bolada, mesmo que aquela coisa de Blend não faça sentido algum (afinal ninguém nunca repara que ele é um catedrático muçulmano COM UMA ESPADA, CARALHO! Impossível!).

Depois que vi esse post da docinho-de-coco da Giovana, resolvi dar uma chance e ver como é a rolada. E não me arrependi! (não liguem pras críticas que eu fizer! Eu adorei o jogo!)

Resolvi então dar uma chance pro Assassin's Creed. Considerando que sou um historiador frustrado, gostei muito da maneira que se retrata as cidades da Idade Média, inclusive Jerusalém! Me senti o próprio Álvaro Garnero quase dizendo: "Mas essa ainda é a minha Jerusalém" no 50 por 1. Ver a Igreja do Santo Sepulcro, o Domo da Rocha, o Muro das Lamentações... Sem palavras!

Eu virei um verdadeiro paladino dos desesperados no jogo. Salvava todo mundo das brigas, subia em todos os pontos e, quanto estava entediado, sacava a Hidden Blade, encoxava os guardinhas e depois os assassinava. É, quem sente o "drops" do Altair pelas costas dificilmente vive pra contar a história!

Gráficos excelentes, mas achei a história fraca. É basicamente ir pra uma cidade, matar um cara, voltar pro seu mestre Al Mualim, ganhar mais HP e ir na busca do próximo corno. Isso, vezes nove. Sem contar algo que pouca gente que jogou percebeu: Todos falam um inglês com sotaque árabe. Porque o protagonista NÃO TEM SOTAQUE NENHUM, PORRA? Ele parece um cara de Massachusetts falando, com aquele sotaque americano no meio do Oriente Médio em pleno século XII. Fuck!

O Desmond, pft... Importância zero na história. Mas o Nolan North como sempre arrasa na dublagem. Ele dá um carisma só na voz pro Desmond, o cara sabe o que faz.

Eu já estava com tanta prática em ficar matando a galera que eu tava brincando, mesmo quando vinham 10 pra cima de mim ao mesmo tempo. Agarrava, pulava em cima, tirava a mira, corria por trás e matava, não entendo como tem gente que diz que é difícil assassinar alguém no jogo. É divertido de tão porco!

E o final Scooby Doo, hein? Você fica a vida inteira correndo atrás do Templários e no final descobre que o traidor é o seu próprio mestre!

Nossa, faltou só o Al Mualim chegar no Altair no Codec e falar: "It's me! Dear Brother", como a trollada épica que o Liquid dá no Snake no Metal Gear Solid.

Roteiristas, essa "surpresa" acaba virando uma coisa muito babaca. É a última pessoa que você vai suspeitar. Joguem algumas pistas, faça a pessoa pensar antes que pode ser ele, não joga ele do nada como se o Scooby Doo descobrisse quem é o vilão na hora que tira a máscara, por favor!

E por fim, senti falta de personagens carismáticos. Ok, não é um jogo japonês, normalmente eles sabem fazer os melhores vilões dos games (especialmente o Kojima). Tirando o judeu sem braço em Jerusalém, todos os personagens são muito clichês, e isso dá sono. Mas ficar fazendo Le Parkour em Damasco, em plena idade média é demais. Chegar em Jerusalém, com aquela procissão de gente, correr dando ombrada em todo mundo ou atropelar as pessoas com o cavalo é muito massa!

Vamos jogar o resto pra ver se a coisa melhora! Mas vale a pena jogar sim! Não pela história ou personagens, mas é muito divertido ser um assassino árabe!

PS: Queria ver as caras dos meus vizinhos quando eu gritava: ALTAIIIIIIIIIR, POOOOORRA!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Harmonizar entre amigos ou inimigos.

No budismo nós ensinamos que devemos exercer a compaixão sem distinção de amigos ou inimigos. Isso parece muito ilógico em diversos pontos, afinal, como vou tratar bem que me trata mal? Somos ensinados desde criança (ou pelo seriado House) que devemos ligar o foda-se e se não nos damos bem com alguém, devemos entender isso e prosseguir com as coisas.

Todos nós temos problemas de relacionamento com alguém. Somos seres humanos, oras. Alguns com mais pessoas ou menos pessoas. Mas as pessoas não são necessariamente ruins. São pessoas como nós, buscam harmonia no mundo, querem viver num lugar melhor. No fundo são boas pessoas, mesmo que tenhamos desavença.

Platão já dizia: "Aquele que tudo compreende, tudo perdoa". Quando conhecemos deixamos de sentir aversão, e grande parte dos problemas do ser humano nasce do preconceito, desconhecer quem está no nosso lado. Talvez seja por isso que hoje conseguimos ver coisas boas no Estranho Mundo de Jack que provavelmente não veríamos na década de quarenta, pois esse mundo era considerado impuro, já que muitos desses seres eram considerados vilões, frente às imagens de cavaleiros e princesas como arquétipo do bem. Quando conhecemos, não temos preconceito, nós amamos e aceitamos. Isso vale pra tudo.

Logo, as coisas não são necessariamente ruins, são desconhecidas, pois quando se conhece, se ama. Ponto.

(agora vai dar uma respirada e tenta assimilar isso!)

Se nós conhecemos uma pessoa com a qual temos desavença, conseguimos entender o que leva essa pessoa a ser assim. Se nós simplesmente nos fechamos em nossa individualidade e ligamos o "foda-se", igual o House faz, nós não atacamos a raiz do problema. Nós agimos como a pessoa e semeamos mais desavença. E isso é muito, muito errado!

Por isso deveríamos agir assim: Se a pessoa vier e lhe der um tapa, não retruque ou pague na mesma moeda, ofereça o outro lado da face. Não entendam isso literalmente, não quero deixá-los como masoquistas que gostam de levar tapa das pessoas. Olhe a pessoa por um ponto de vista. Se ela lhe parecer incompreensível, tente olhar por outra perspectiva. Use outra abordagem. Se coloque no lugar da pessoa. Mas acima de tudo: seja sincero.

As pessoas não entendem que brigas não trazem melhorias. Isso é babaquice. Brigas só trazem sangue, ódio, e mesmo que um lado desista, ele só desiste porque está sem forças, não porque entrou em harmonia com você. Levamos isso ao pé da letra e queremos harmonizar o mundo a nossa volta quando na verdade essa harmonia deve vir primeiro da gente: Nós que devemos ser o veículo para dar o exemplo. Não existe essa de "faça o que eu digo e não como eu faço". Exemplos concretos falam mais alto que palavras.

A harmonia só virá ao nosso redor quando cultivarmos ela primeira dentro de nós mesmos.

Portanto, amemos nossos inimigos, as pessoas com a quais temos desavenças tanto quanto nós amamos quem nos querem o bem. Temos que entender a pessoa, saber pedir desculpas, e entender que o bem não se constrói por meio da violência. Muito pelo contrário! O bem é uma muralha intransponível. Só nos resta ter a consciência de saber usar isso, e nos harmonizar com todos a nossa volta.

domingo, 15 de abril de 2012

Somos nós que criamos o pecado.

Sou budista. Mas fui criado numa família Cristã. E como participo de uma ramificação do budismo esotérico, gosto de buscar também algum esoterismo dentro de outras religiões. Esotérico é conhecimento profundo, fechado, não tem nada a ver com horóscopo, que fique claro aos desavisados.

As religiões em si têm algo muito em comum, o fazer o bem ao próximo como único caminho para chegar lá. Se pararmos pra pensar, só estamos aqui hoje porque pessoas fizeram o bem lá atrás. Seja pela lei do ser humano, pela sua ética, ou por qualquer coisa coisa. O ser humano não existe de maneira individual, ele só existe porque todos nós dependemos de alguém.

Ás vezes o Cristianismo prega uma grande distância entre nós e Deus. Porém somos filhos Dele também. Mas muitas dessas coisas mudaram quando um Rabi hebreu surgiu na Palestina há uns dois mil anos. Muito do seu real conhecimento esotérico acabou se perdendo. O cristianismo virou uma religião de submissão a Deus, quando nós deveríamos buscar o Deus dentro de nós.

Deus é o conceito da bondade: ele nos protege, nos dá segurança. Roga por nós, mas ao mesmo tempo põe obstáculos para nós ultrapassarmos. E nós crescemos ou sucumbimos perante as adversidades. No budismo também existe esse conceito.

Nós chegamos mais próximos de Deus quando agimos como ele com as pessoas no nosso redor. O pecado existe porque nós dizemos que ele existe. O pecado existe pois existem pecadores. São Paulo já falava algo similar em sua epístola.

As pessoas geralmente acreditam que é necessária uma submissão para se tornar mais próximo de Deus. É que vemos muitas vezes na igreja: são pessoas que vão pra lá e quando saem, no dia-a-dia parecem esquecer do que viram lá. Se Jesus Cristo trouxe uma boa nova e fez uma releitura do judaísmo o tornando mais digerível e mais fácil de praticar, porque muitos não entendem isso e continuam agindo errado nas suas vidas cotidianas?

O problema do ser humano sempre esteve no indivíduo, nós levarmos nossa necessidade pessoal na frente da necessidade do nosso próximo. O nosso próximo é muito mais importante do que nós. Deus não age por ele, Deus age por nós. Porque nós, que somos a parte mais fraca demoramos a entender isso? Deus somente entrará nas pessoas quando elas deixarem de pensar apenas em seu umbigo. "Se tu sai, Deus entra".

Sejamos bondosos com o próximo, mostremos compaixão. Isso é um pensamento budista, mas acredito que pode ser usado pra praticamente qualquer religião do mundo. Pessoas esquecem que esse é o real caminho para a plenitude, seja para alcançarmos o nível de um Buda ou o nível de um Messias.

sábado, 14 de abril de 2012

Mamãe quer que eu case.

"Alain!", ela começou.

"Fala, Salete", eu respondi. Não tenho o hábito de chamar minha mãe de mãe. Exceto em algumas situações.

"Nossa, vi uma menina hoje que você vai gostar!".

"Lá vem! Dá até medo de perguntar onde vc arranjou essa 'princesa'!", eu disse. Tudo bem que dificilmente minha mãe me apresentou uma feia. Ela sempre quis que eu casasse com uma menina como ela, meio caboclinha. Minha mãe nunca aceitou meu gosto por orientais! Sempre diz que todas são feias.

"É loira! Não é mulata, sei que você não curte. Olhos azuis e tudo!".

"Tá, mas você não disse ONDE encontrou ela!", eu reforcei.

"Na escola onde trabalho", ela disse. Ela trabalha numa escola publica, dando aula pro ensino médio.

"MÃE! Poxa, você dá aula pra ela? Ah, assim não dá né? Isso é pedofilia!".

"Não! Ela é professora".

"Hum... Minha idade?".

"Sim!", ela disse, sorridente.

"Tem superior?", eu disse, questionando os estudos.

"Sim!!", ela disse, mais sorridente ainda.

"Legal! Demorou, gostei!".

O meu problema acho que é porque sempre busco uma mulher inteligente. Desculpem as burras e bonitas, mas por mais que vocês tenham bundas e peitos deliciosos, não consigo manter uma conversa de mais de cinco minutos com gente sem o mínimo de discernimento!

E vivas para as inteligentes!

Ah! Essa aí da estória minha mãe até hoje nem apresentou nem nada! Será que era uma cilada?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Livros 2012 - #10 - Assassin's Creed - A Renascença

Não sou uma pessoa a favor de "convergência de mídias". Odeio admitir que livro é livro, filme é filme e game é game. Se tentar invadir uma outra mídia, de preferência faça um spin-off ou side-story. Salvo a raríssimos exemplos, fica estranho.

São linguagens diferentes. Admiro muito a série Assassin's Creed (tô terminando o primeiro jogo, aquele com o Altaïr ainda, e achando o máximo!), mas sei criticar quando algo não é bom. Se você é um leitor assíduo, e está acostumado com escritores de verdade, vai estranhar muito a linguagem do livro.

Oliver Bowden (que na verdade é um maluco chamado Anton Gill, o cara tem mais pseudônimos que eu!) não consegue narrar sem se desprender do jogo. Tive um grande professor de games na faculdade, e olha que eram tempos em que eu tinha vergonha de dizer que pulava as cutscenes porque achava um saco "assistir um jogo", e ele foi um dos poucos que me compreendia, hehe.

Enfim, ele ensinou que games são feitos para concluídos. Exceto Mario is Missing que só conheço uma pessoa até hoje que terminou. Para isso, games colocam obstáculos pra você passar, uns mais difíceis, outros mais fáceis, e assim você vai avançando na mecânica. Você não pode ir de cara contra no mundo 8-1 de Super Mario World 3 sem nunca ter jogado as outras fases e adquirido experiência (ou ás vezes, até mesmo quem jogou o inteiro acha algumas fases do oitavo mundo impossíveis!).

Acontece que esses obstáculos do game muitas vezes vêm por meio de personagens que te ensinam alguma coisa. Logo, um game acaba sendo ou com muitos personagens te ensinando várias coisas, ou um chato que fica te enchendo a paçoca o jogo inteiro. E um livro bem escrito atenuaria isso. Fica muito forçado você ler a parte que o Ezio encontra todos do clã dos assassinos, desde o tio Mario, La Volpe, Paola, Teodora e você descobre que aquilo tudo se encaixa magicamente igual no Scooby Doo.

Acontece que isso num game faz muito sentido. Mas num livro fica estranho pra cacete.

Livros trabalham muito mais com o subjetivo do que a linguagem objetiva dos games. Livros trabalham com características psicológicas e da personalidade, coisas que games (que herdaram dos filmes) fica muito mais difícil de transpor isso com a mesma intensidade. Um bom exemplo é o quão RIDÍCULO é quando uma pessoa num filme pensa e fica aquela voz com eco no fundo. Isso em livro é perfeito, mas em filme/game fica muito, muito, muito estranho.

O livro não explora o psicológico do Ezio. Cara, ele era um fanfarrão italiano que vê sua família sendo morta e vira um assassino para vingar todos. Porque não explorar, sei lá, o "gosto" de matar alguém. O que o Ezio sentiria ao matar um doge ou dar uns safanões no Rodrigo Bórgia? Não! O autor só pega e diz: "Ezio chega na sala, saca sua hidden blade e dá um golpe no peito do cara. Ele vê o sangue espirrar e o corpo cair no chão. Resquietat in pace". Acabou. ACABOU, PORRA! Isso não parece uma mera narração factual, como se fosse um game?

Pra pessoas que não entendem de boa literatura podem achar o livro o máximo. Mas é como rock: muita gente fica aí com pintinho duro dizendo que é "roqueiro" por ouvir bandinha de abertura de malhação, como Charlie Brown Jr. Vá pesquisar músicos de verdade, e você vai se surpreender.

Claro, o livro é comercial, eu adoraria fazer uma grana já que os que lerão o livro provavelmente seriam gamers que somente lêem no máximo textos de conversas no Messenger, mas acho que a missão da literatura pode ser exatamente essa: Levar as pessoas a um patamar mais elevado. O autor poderia ter feito isso, mas não fez. Preferiu o feijão-com-arroz clássico.

Acho que esse é o primeiro livro que critico ferozmente esse ano (pra ver os outros, clique aqui, mas não se distraia com a chinesinha peituda no final). Nada contra, Assassin's Creed é uma série fantástica. Tem uma história envolvente, enigmas, o Desmond Miles (que tem uma não-existência no livro), um fundo histórico e social da época, toda uma pesquisa e tudo perfeito. O problema, na minha opinião, é que não foi transposto pro livro da forma correta.

Parece um livro narrando um game, com direito até a missõezinhas que não fazem sentido ler, apenas jogar.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A abordagem do tímido.


Estava "de boas" ouvindo mushi no celular enquanto estava no trem. Foi aí que em Pinheiros entrou duas pessoas, um homem de óculos redondo, boina cinzenta e um blazer. E estava uns 29C lá fora, eu tava morrendo de calor só de olhar pro cara. E uma gordinha junto.

Fiquei exatamente de frente com eles. Como não tinha nada melhor pra fazer, e estava de óculos escuros, fiquei observando os dois. Gosto de observar. O ser humano é um bicho muito interessante em seu habitat natural.

Ela estava mais que imprimido na cara dela que tava doidinha por ele. Olhava pra ele sorrindo sem parar, mas o cara tinha cara de nerd virgem perdido, e não sabia o que fazer.

Passou uma estação ele agarrou a mão dela, começando pelos dedos.

Segurava a mão dela firmemente, mas ainda parecia aqueles cumprimentos de camaradas. Não saiu disso, ficou assim umas três estações. Eu ia descer três estações depois, foi aí que a mina deu brecha.

Ela pegou o braço dele, que não estava segurando a mão e jogou pra trás, para ele abraçar. Dava pra ver o nervosismo na cara do rapaz. Ele olhava pra baixo, não sabia que fazer, e a gordinha lá, encostada no ombro dele. Ele parecia balbuciar alguma coisa com dificuldade, parecia realmente estar meio sem palavras.

Pena que desci e não pude ver o desfecho da estória. Mas tirei essa foto. Sorrateiramente, claro. Mas achei engraçado o que estava acontecendo na minha frente e espero que o pobre jovem tolo tenha conseguido ao menos um beijinho da gordinha. Porque, francamente, depois de tanta brecha...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobreviventes.

Essa conversa aconteceu na quinta, entre meu instrutor de direção e eu. Ele é uma pessoa bem rígida, faz eu fazer a mesma coisa várias e várias vezes, até com precisão milimétrica (incluindo a baliza).

"Escuta, Alain. Você tem que trabalhar esse psicológico seu. Eu sei que é muita informação, mas olha só, você dirige, dirige bem. Nunca bateu em um cone, sabe fazer os pontos direitinho e não lembro de ter visto você deixar o carro morrer. Você tem a técnica, só fica nervoso", ele iniciou.

"Sim, mas é muita informação, é complicado", eu disse.

"Olha, muitos alunos dizem que eu sou um chato mesmo. Pego no pé, sou bastante exigente. Mas lá na frente, você vai me agradecer. Faço isso pelo seu bem. Me diga uma coisa, o seu pai é rígido assim também?".

Fiquei quieto e balancei a cabeça positivamente. Ele prosseguiu:

"Mas é assim mesmo, cara. Tem que ser duro. Sou assim com meus filhos também. Imagina só, se não fossem assim com você, nós da periferia seríamos igual esses vagabundos que andam por aí. É por isso que hoje você conseguiu terminar sua faculdade, tem seu trabalho digno e tá aí, onde muita gente nem teve a chance de estar".

"É, faz sentido", respondi.

"A gente é da periferia, cara. A gente só tem nós mesmos para contar. Você tem vários amigos que morreram por conta disso. Acha que vai conseguir ser diferente do que seu pai foi com você com seus filhos? Vai deixar eles entrarem na marginalidade?".

E mais uma vez o dilema dos meus filhos.
Definitivamente, não acho que serei um bom pai. Hoje ao menos, pretendo pular essa parte.

sábado, 7 de abril de 2012

O balanço de um ano.

Dias atrás encontrei amigos da Fundação Abrinq. Lembrei desse post, afinal, já passou um ano.

Como com algumas não tenho tanto contato, foi um momento pra contar tudo o que aconteceu em um ano. O objetivo pós-demissão era um bom emprego e uma boa esposa. Foquei em alguns rolos que não deram lá muito certo, mas contei pra elas tudo.

Estranho como as coisas passam. E como tantas coisas acontecem em apenas um ano. Claro que tenho o registro do blog aqui, mas é inevitável ás vezes parar pra pensar e olhar pra trás e dizer: "Nossa, isso tudo foi em apenas um ano?".

Acho que fiquei com medo de todo esse registro do tempo eventualmente me fazer envelhecer mais rápido. Estranho isso, não? Mas me veio na cabeça enquanto voltava pra casa.

Uns amigos vieram me dando dicas sobre como ter mais sorte com a mulherada, tentar ser cafageste mesmo, porque se for uma boa pessoa logo será jogado em escanteio, na "friendzone". Estranho mas isso não faz o meu tipo. Gosto de conhecer as garotas, bater um papo, ir avançando e semeando algo nela, para aí então abordar nos finalmente.

Se alguma forma eu sempre fiquei seguindo tanto os conselhos das pessoas caso a moda do comportamento fosse ser feminista, machão, pegador, barbado ou algo do gênero que esqueci de que tenho que ser eu mesmo, pois a pessoa tem que achar interessante eu do jeito que eu sou, não o que moldo de mim mesmo pra ser aceito na sociedade.

Vivendo e aprendendo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

E o Instagram chegou.

(eu ainda acho esse nome estranho pra caralho)

E o Instagram chegou no Android. Ele lidera a listinha dos muitos aplicativos legais pra iPhone que enfim receberam versão pra Android. Já estreei.

O Instagram é a moda de não-fotógrafos porque, de alguma maneira aplicar um filtro vintage (odeio esse termo, mas tudo bem) faz a imagem ficar mais apresentável. Faz qualquer um virar um fotógrafo com as polaroids com bordinha redonda, o tamanho proporcionalmente áureo e o auto-contraste.

Embora tenha aparecido coisas tristes como essa, a vida prossegue.

Mas será que temos um problema com o sensor das câmeras ou não conseguimos mais viver sem edição de fotos? Como sou um estudioso da Arte, acho interessante pensar nisso. Como vemos o mundo é de um jeito, como queremos mostrar ele pros outros, é outro totalmente diferente. É aí que acredito residir o sucesso do Instagram.


Vemos o mundo como o Botticelli. Estamos num local onde temos múltiplas fontes de luz, não existem sombras. E mesmo quando existem, muitas vezes o sensor da câmera dos celulares não ajudam muito, primeiramente pela palheta de cores: um monitor tem cores muito mais limitadas do que na vida real. É como ver um quadro aqui e depois vê-lo novamente no museu. Você vai ver que é MUITO diferente.

Dá pra perceber muito nas fotos noturnas, onde mal dá pra ver o sorriso daquela gatinha que você tá doidinho pra dar uns pegas.

Mas nossa vontade é retratar o mundo com cores diferentes, mais dramaticidade, como um Caravaggio:


Isso é normal, vivemos num mundo de impacto onde uma revista tem que ter uma foto impactante, queremos passar a idéia de que somos impactantes, e basicamente queremos causar. Isso é uma invenção barroca, uma grande arma da igreja católica contra os malucos protestantes Lutero e Calvino pra manter seus fiéis presos.

É uma necessidade humana essa questão do destaque social, de ser diferente, de ser impactante. Especialmente se vemos isso nas revistas, filmes e na mídia ao nosso entorno. Queremos ser iguais porque temos a tendência de seguirmos um padrão. E é nessa questão impactante que entra os filtros do Instagram e seus filtros de gente supercool.

Porque fotos como o Botticelli todo mundo tira. Quero ver é tirar uma com o tratamento de luz e dramaticidade como o Caravaggio. Isso nos faz nos sentirmos diferentes.

Eu, pelo menos, quase nenhuma foto passa sem uma edição!
Nem que seja pra tirar os olhos vermelhos, hehe.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O que é preciso pra um casal ser feliz.

Esses dias estava no "metrôzinho" (a.k.a. Linha Lilás) indo pro trabalho. Estava sentado, e tinha um senhor do meu lado puxando conversa com uma menina com aquela saia jeans de crente.

Ele comentou várias coisas durante a viagem, nem sequer deixava a menina falar. E isso porque a viagem não demora do Capão até o Largo Treze (pelo menos não de metrô).

Achei engraçado uma parte que ele disse que além de ser um palestrante renomado, tinha a fórmula secreta para casais darem certo. Anotem aí:

A primeira é... Dinheiro. Disse que um casal que tem dinheiro e é estudado por tudo, pode fazer o que quiser, porque a falta de dinheiro é que acaba ruindo os casamentos Brasil afora (que digam então os ricos e famosos que vivem se divorciando).

A segunda coisa é... Vestuário e comida. Disse que a mulher quando vê que o homem não quer mais traçar ela, ela deve usar das lingeries pra trazer seu pinto de volta ao batente. E comida também, afinal, nem só de ar vive o homem.

Aonde ele queria chegar? Disse que os casais hoje colocam o sexo como prioridade, quando deveriam ver esses dois itens antes na hora de querer prolongar o relacionamento. Fiquei só ouvindo, mas tive que descer na estação. A crente com quem ele conversava ficava ouvindo aquilo tudo, sem reagir, nem nada. Achei divertido!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Livros 2012 - #9 - Millenium - Os homens que não amavam as mulheres

Terminei hoje de ler o primeiro volume da trilogia Millenium, do Stieg Larsson, Os homens que não amavam as mulheres. E já quero ver o filme. As duas versões (a sueca e a americana).

Incrível roteiro. Embora dê algumas viajadas por ser uma ficção.

Dá pra se desenvolver bastante os personagens, mesmo que alguns ainda sejam muito imprevisíveis, como a Lisbeth Salander, que no filme ganha vida nas mãos da delicinha da Rooney Mara (difícil de imaginar a transformação como ela ficou nessa imagem, né?).

Mas, acima de tudo, é uma boa história. Me prendeu muito, e o final é muito interessante. Lembra um pouquinho as ficções do Dan Brown, principalmente pelos momentos de tensão e clímax. Sempre o capítulo termina, mas não é como os do Dan Brown que te deixa sem fôlego porque cada capítulo termina como episódio do Scooby Doo (com um: NOSSA! ERA ELE??). Mas os clímaxes que tem na série Millenium são suficientes pra nos deixar presos.

Quero ler o resto! Já entrou pra listinha dos dez mais meus.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pecado no budismo.

No cristianismo existem os sete pecados capitais. No Islã tem uns 60 pecados graves. No budismo tem 108 pecados. Parece que o número vai sempre aumentando, hehe.

Mas embora no budismo exista realmente uma maior quantidade de pecados catalogados e que devemos purificá-los, basicamente os pecados no budismo tem como raiz nós mesmos e o jeito com que olhamos e agimos com o mundo a nossa volta.

Eles pedem sempre para policiarmos nossas mãos, boca e mente, pois é desses três que originam todo nosso pecado.

Primeiramente as mãos que podem ferir a outra pessoa. Claro que a gente pode chutar alguém e ferrar a pessoa. Para purificação das mãos, devemos fazer o gasshô (olha a foto aí do lado pra saber o que é). Juntar as mãos é um símbolo universal da gratidão e paz, em diversas religiões. Com as mãos em gasshô você não tem como causar o mal a outrém por meio da violência.

Segundo vem a boca. Nossas palavras são péssimos instrumentos quando usados de maneira incorreta. Ferimos as pessoas a nossa volta com isso e, uma vez dito, não tem como voltar atrás! Claro que devemos sempre policiar pra não ofender as pessoas. No budismo dizem que nossa boca deve ser usada pra recitar mantras, e não para ficar falando baboseiras.

Por fim, a mente. Ah, a mente! Tecnicamente tudo nasce na mente, incluindo os pecados da boca e das mãos. Nossa mente é nosso grande mestre. Nossa mente nos pode fazer sofrer também quando estamos inundados em nossos próprios pensamentos. Para tanto, devemos ter em mente que a prática de meditação pode nos tornar propícios a achar uma verdade, um consolo ou uma solução dos problemas que surgirem na nossa mente.

Bem mais fácil do que decorar várias listas do que fazer ou não fazer. Portanto, policie sua mente, mãos e boca!

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