domingo, 15 de abril de 2012

Somos nós que criamos o pecado.

Sou budista. Mas fui criado numa família Cristã. E como participo de uma ramificação do budismo esotérico, gosto de buscar também algum esoterismo dentro de outras religiões. Esotérico é conhecimento profundo, fechado, não tem nada a ver com horóscopo, que fique claro aos desavisados.

As religiões em si têm algo muito em comum, o fazer o bem ao próximo como único caminho para chegar lá. Se pararmos pra pensar, só estamos aqui hoje porque pessoas fizeram o bem lá atrás. Seja pela lei do ser humano, pela sua ética, ou por qualquer coisa coisa. O ser humano não existe de maneira individual, ele só existe porque todos nós dependemos de alguém.

Ás vezes o Cristianismo prega uma grande distância entre nós e Deus. Porém somos filhos Dele também. Mas muitas dessas coisas mudaram quando um Rabi hebreu surgiu na Palestina há uns dois mil anos. Muito do seu real conhecimento esotérico acabou se perdendo. O cristianismo virou uma religião de submissão a Deus, quando nós deveríamos buscar o Deus dentro de nós.

Deus é o conceito da bondade: ele nos protege, nos dá segurança. Roga por nós, mas ao mesmo tempo põe obstáculos para nós ultrapassarmos. E nós crescemos ou sucumbimos perante as adversidades. No budismo também existe esse conceito.

Nós chegamos mais próximos de Deus quando agimos como ele com as pessoas no nosso redor. O pecado existe porque nós dizemos que ele existe. O pecado existe pois existem pecadores. São Paulo já falava algo similar em sua epístola.

As pessoas geralmente acreditam que é necessária uma submissão para se tornar mais próximo de Deus. É que vemos muitas vezes na igreja: são pessoas que vão pra lá e quando saem, no dia-a-dia parecem esquecer do que viram lá. Se Jesus Cristo trouxe uma boa nova e fez uma releitura do judaísmo o tornando mais digerível e mais fácil de praticar, porque muitos não entendem isso e continuam agindo errado nas suas vidas cotidianas?

O problema do ser humano sempre esteve no indivíduo, nós levarmos nossa necessidade pessoal na frente da necessidade do nosso próximo. O nosso próximo é muito mais importante do que nós. Deus não age por ele, Deus age por nós. Porque nós, que somos a parte mais fraca demoramos a entender isso? Deus somente entrará nas pessoas quando elas deixarem de pensar apenas em seu umbigo. "Se tu sai, Deus entra".

Sejamos bondosos com o próximo, mostremos compaixão. Isso é um pensamento budista, mas acredito que pode ser usado pra praticamente qualquer religião do mundo. Pessoas esquecem que esse é o real caminho para a plenitude, seja para alcançarmos o nível de um Buda ou o nível de um Messias.

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