domingo, 30 de setembro de 2012

Diários Nipônicos - #4


Hoje conheci outro shoshi, que irá participar também da cerimônia do Saito Homa que fui convidado. Além do Attila, que já tinha conhecido, hoje conheci o Marco, da Itália!

Marco queria ir conhecer Tóquio, mas de manhã recebemos um alerta sobre um tufão que está se aproximando do Japão. Como nós brasileiros não sabemos o que são terremotos, tsunamis, tufões ou tornados eu preferi ficar em Tachikawa passeando, uma vez que hoje infelizmente não tinha nada no templo.

Primeiro precisava sacar dinheiro, andei em diversas lojinhas de conveniência (que tem em toda santa esquina...) que ás vezes pela quantidade parece que é como a quantidade imensa de botecos que temos no Brasil, sempre tem uma em cada quadra quase. Porém, nenhum dos caixas funcionavam com meu Travel Money. Aí eu comecei a ficar com medo.

Achei um local que eu consegui usar, num desses caixas da 7 Eleven (similar ao que usei em Narita). Saquei 30 mil ienes pra passar os dias mais tranquilos e quando fui de novo tentar acessar pra conferir meu saldo... Disse que o cartão era INVÁLIDO.

Fuck. Agora tava fudido, pensei eu.

Acabei até ligando pra esses atendentes pra saber o que significava aquilo, mas nada muito concreto. Não conseguiram me ajudar. Comecei a andar igual barata tonta e um bocado desesperado, mas achei um outro caixa, tentei até limpar o cartão, mas dessa vez foi tranquilo. Consegui abrir, ver meu saldo, e não tinha mais a mensagem de cartão inválido. Ufa!

Fui ao Starbucks e McDonald’s. Meu pai disse que se eu achar uma loja que vende aparatos da Nikon eu posso comprar a minha lente da câmera. Mas com esse alerta de tufão eu preferi dar uma agilizada pra voltar e ficar embaixo de um teto. Tô com medo!

O Japão é um país que produz muita pornografia (acho que até mais que os Estados Unidos!) e nas ruas de Tachikawa achei uma lojinha simpática por fora e entrei. Quando me dei conta vi era uma loja apenas de filmes pornôs asiáticos. Sim! Isso mesmo. E os filmes ainda eram caros! Mais de três mil ienes cada. E tinha dos mais diversos tipos e tara da japonesada. E atrizes gatíssimas também, diga-se de passagem.

Do lado dessa loja de filmes pornográficos tinha uma loja de Asian Music! Comprei um CD do Dir en Grey (VULGAR) e um da Ayumi Hamasaki (Love Songs). Eu adoro esses dois, e eles são de um trabalho de produção impecável, especialmente a capa! Agora estou nesse momento já no meu quarto e apenas ouvindo o vento pela janela. Pelo visto ainda vai piorar!

Só fico preocupado com o italiano. Cadê o cara?

sábado, 29 de setembro de 2012

Diários Nipônicos - #3


Como eu estava nas minhas últimas no dia anterior, simplesmente capotei na cama e o mundo se apagou. Não fui fazer o gohoshi matinal, mas apareci pra fazer a oração de manhã.

Depois fui comprar algo pra comer e fui direto pro Ogen’in. Não deu pra receber sesshin, mas fui comer e conheci um rapaz chamado Ryota, cujo os pais são reinoshas e os avós também. Incrível!

A tarde fui pra Oyasono ver a exposição do centenário da Shojushin-in Tomoji. Foi algo tocante, não apenas pelo lado religioso, mas o quão simples e iluminada foi essa pessoa, e seus exemplos de força e superação superam qualquer barreira de religião, cultura ou país. Lindo!

Depois voltei pro dormitório e pela noite novamente fiz a oração. Eu gosto de fazer a oração, é uma prática que eu particularmente faço com todo o prazer. Parece que a Keishu-sama está achando que pode ser que chova no dia da cerimônia. Bom, com chuva, sol, neve ou canivetes, faremos a cerimônia custe o que custar!

O problema do fuso é que de manhã está tudo bem, você fica super animado e tudo mais. Mas, bicho... Quando vai chegando a tardezinha o cansaço vem de maneira avassaladora. Esse dia ainda estava sentindo um pouco, mas o esquema mesmo é ficar acordado, ficar andando, ter estímulos, porque se dormir de dia, já era. A noite será longa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Diários Nipônicos - #2


Dia cheio.

Como o fuso horário mexe com a gente... Nunca que eu acordaria às 4h sem sono. Mas... Acordei e fui numa praça perto de Oyasono (matriz da Shinnyo-en) fazer um gohoshi (trabalho voluntário) matinal: quanta energia!

Engraçado como também tem gente que “cai da cama” também, mesmo no Japão. Fui muito bem tratado, todos me adoraram e ficaram abismados de saber que eu vim do outro lado do mundo. Burajirujin desu!

Voltei pro dormitório, participei da oração e às 8h15 os pais da Denichan apareceram pra me levar pra passear por Tachikawa. Fui com a Amélia e o senhor Alberto primeiro para Oyasono. Lá cumprimentamos os guardiões celeste e terrestre, o prédio do Achala, do Buda reclinado e até jogamos água em cima da cabeça do Jizô.

O mais emocionante mesmo foi chegar na frente da estupa Shinnyo, onde não contive as lágrimas na hora de encontrar na minha frente as cinzas dos pais do Ensinamento Shinnyo e dos dois dojis. Foi inexplicável!

De lá fomos andando até o “aerotrem” japonês. Pegamos no VLT e descemos em Ogen’in. Uau, aquilo sim é GRANDE. Muita gente e impressionante a capacidade que os japoneses tem de organizar aquilo tudo. Deixei uns papéis que trouxe do Brasil no balcão internacional, peguei a fichinha pra receber sesshin no Japão e fomos dar uma olhadinha rápida antes da cerimônia de Homa mensal que acontece todo dia 28 de cada mês.

Vi a Keishu-sama! Nossa líder. Ela é fofa! ;-)

A oração em si foi tocante. É um coral perfeito, parece que somos todos apenas um. É difícil de explicar. Tudo muito harmonizado.

Depois recebi a orientação do sesshin em inglês. Descemos e fomos comer num restaurante baratinho ali perto. Pude ver o quanto é complicado a vida para as pessoas que vão apenas trabalhar mesmo no Japão. Senti um bocado grato também, pois realmente não é fácil.

Tiramos algumas fotos e depois que acabou o sesshin de todo mundo subimos para conhecer o resto das salas. Depois de visitar cada uma das imagens descemos de volta e pegamos o monorail de volta pra Tachikawa. 200 ienes.

Já em Tachikawa fomos atrás do meu ônibus do Limusine Bus pra voltar pra Narita no dia 9 (vou ter que pegar às 5h...) e fomos passear um pouco pela redondeza. Nada ainda no Japão me impressionou tanto quanto uma coisa...

...Como tem japonesa gostosa nesse país. TÁ LOCO!

Mas eu tô aqui pra uma cerimônia religiosa então nada de tentações da carne! Na boa, é difícil se segurar depois que é tratado tão bem. São muito gatas, e são altas (não do meu tamanho, óbvio), e... Nossa, chega.

Por fim, depois de passear e tirar muitas fotos, fui comer um sushi no Japão! Não ia dar essa desonra! Seria o mesmo que ir pro Brasil sem provar uma feijoada de lá. Incrível sim a qualidade do peixe, do atum especialmente. O atum é mais avermelhado e muito mais saboroso do que os roxos no Brasil. O salmão também merece destaque, e mais alguns outros tipos de peixe que comi que nem sabia que existiam. Só sei que saí rolando do restaurante depois de tanto sushi.

Voltei pro dormitório, tomei um banho e até entrei na banheira. Relaxei bastante e já fui dormir, que amanhã é um novo dia e tenho que dar um jeito de acostumar com esse fuso, porque véi... na boa...

Não tá fácil pra ninguém trocar o dia pela noite!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Diários Nipônicos - #1 - O embarque.


O dia inteiro minha mãe ficou chorando. Parece que é coisa de mãe mesmo ficar preocupada com o filho. Nesse momento em que escrevo isso estou no avião, em território russo, indo em direção a Narita.

A ida foi tranquila. E bem entediante, tenho que admitir. O avião só saiu de Guarulhos às 22h30. Quando cheguei em Frankfurt era por volta das 10h30 no Brasil. Doze horas dentro de um avião não é pra qualquer um, tenho que admitir. Quando fui pro Rio, num voo tranquilo de pouco menos de uma hora, pensei comigo mesmo que até que não deve ser tão chato ficar trancado num avião. Erro meu, é um pé no saco.

E com um agravante que eu sou um cara alto. O joelho vai chegar em frangalhos depois dessas vinte e quatro horas de voo.

Quando cheguei em Frankfurt fui visitar os Duty Free. De fato, muita tentação, mas não achei as coisas tão a preço de banana como muitos diziam. Mas tinham marcas ali que nem mesmo no Brasil se vê sempre.

Comprei um lanche no McDonald’s alemão, com fritas e refrigerante.

Meu maior medo foi que me disseram no GRU que era pra eu ir pro balcão da ANA (All Nippon Airways) pra trocar meu ticket de embarque. Porém, para passar pro guichê da ANA tinha que passar pelo controle de passaporte e entrar oficialmente em território alemão. Fui me informando em diversos lugares, mesmo que diversas pessoas tivessem um inglês péssimo!

Mas consegui embarcar tranquilamente em outro voo que atrasou.

Falei com meus pais e a Ligia. Uma coisa bacana é que as aeromoças japonesas tem um quê de simplicidade. Não tiram o sorriso do rosto nunca, e é até que um bocado meigo a maneira com que falam inglês. E todas gatíssimas! Tem uma alemã aqui que fala japonês muitíssimo bem!

Uma coisa que achei engraçado foi que de fato o avião faz um trajeto curvo. Nós quando vemos o mapa em geral vemos ele reto, mas esquecemos que a Terra é redonda. Logo, o caminho mais rápido pra atravessar de Frankfurt pra Tóquio seria mesmo numa curva ascendente.

Quando cheguei enfim em Narita passei tranquilo pelo controle de passaporte. Peguei o Limusine Bus direto pra Tachikawa. No caminho, devido ao trânsito caótico japonês junto do meu cansaço ao extremo, acabei capotando. Quando acordei já estávamos em Tachikawa, e eu desesperado pra saber se tinha passado o ponto. Minha sorte é que tinham umas pessoas bem simpáticas atrás de mim que me ajudaram.

Desci, peguei um táxi e cheguei no dormitório. Agora é só esperar e dormir. Achei engraçado a cara das pessoas quando souberam que eu vim do Brasil. Dois dias atrás eu ainda estava em São Paulo. Agora estou no Japão.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Spread your wings and fly. God be with you.

E lá estava eu. Mal havia me recuperado da Festa Junina e ela chegou em mim e disse: "Alain, você vai pro Japão!".

Oh, crap! xD

De fato, não acreditei. Mesmo agora que estou embarcando, acho que não acredito muito. Cheguei nos meus pais e contei a novidade. Minha mãe ficou abismada, meu pai emburrou a cara e ficou olhando pra televisão sem dizer nada, quiçá piscava. E eu lá, com aquela cara de quem era quem menos parecia acreditar nisso.

Daquele dia em diante foi uma luta atrás da outra. Primeiro meus pais. Questionaram dinheiro, e estavam querendo que eu abrisse o jogo no lugar que trabalhava pra falar da situação e pedir compreensão dos chefes. Porém empresas são empresas. Desde que saí do meu último emprego e recebi um e-mail que dizia que "as empresas não estão nem aí pra você, só querem que você produza, produza, produza. E se você não produzir, te jogam no olho da rua" a gente eventualmente abre o olho.

A ideia dos meus pais era que eu pedisse licença pra viajar pro Japão, voltasse ao trabalho, e depois fosse pra Europa. Recebi um sonoro "não" do setor e comecei o processo de demissão. Minha chefa não queria me demitir, mas eu expliquei com calma, disse que não queria deixar eles na mão perto de um evento tão importante.

A viagem que eu vou é de motivo religioso. Vou para o Japão participar do Saito Homa, uma cerimônia de purificação do fogo.

Purificação. A cerimônia é feita em prol de todas as pessoas, sem distinção de amigo ou inimigo, todos somos seres com natureza búdica inata aos olhos do Buda Shakyamuni. Me falaram que junto comigo irão diversos espíritos para que eles também sintam todo esse sentimento de purificação.

Na cerimônia nós reverenciamos o Achala, o "imóvel". O Achala é bem isso: segurar todas as porradas da vida e seguir em frente, pelo bem estar do próximo, para proteger, para tudo. E de fato foi uma correria sim. Tirar visto, relacionamentos pessoais, pequenas discussões, a incerteza, o medo. Mas estamos hoje aqui, firmes e forte, e acho que depois de tudo o que passou posso dizer de peito aberto:

Hoje eu me sinto mais forte.

Coisas ruins servem como experiência pra gente também.

Dia 16 de setembro eu recebi meu último sesshin no templo de São Paulo - a orientação mediúnica que temos no budismo Shinnyo. Era exatamente o que eu precisava ouvir, para ir tranquilo. Meu coração já quase não tinha dúvidas:

"Pessoas precisam de provas para acreditar, ninguém acredita em algo que não possa ver. Mas você é a prova. É a prova de que o budismo Shinnyo pode mudar as pessoas para melhor, que se seguir ele é o correto. Kyoshu-sama está muito orgulhoso de você, e a Shojushin-in-sama vai continuar te apoiando e estar do seu lado".

Fui na casa da minha avó pedir pra ela consertar umas calças minhas. Foi aí que falei pra ela sobre o Ensinamento Budista Shinnyo, expliquei tudo e ela, mesmo sendo evangélica, viu o tamanho da minha missão. Que eu deveria mesmo ir pro Japão e ser a ponte entre toda essa força e trazer essa harmonia aqui também para o Brasil, em forma de energia pura não apenas para meus afilhados, mas para todos desse lado de cá do mundo. Tinha o apoio da minha avó, que mesmo sendo de uma religião diferente viu a importância disso tudo.

Nesse dia irei embarcar. Junto comigo irão esperanças, boa sorte, e muita energia positiva. Posso sentir isso!

Porém antes de tudo tive que superar um dos meus maiores medos: avião. Então bora pro Rio!

Conhecer a Natalia foi a cereja do bolo. Acho que compreendi o sentido do que é viajar de maneira legal, conhecer novos lugares, esse sentimento de liberdade mesmo que ela seja apenas uma latinha de cerveja barata e uma boa vista. Quando decolei de volta do Santos Dumont meus olhos lacrimejaram. Não de tristeza, mas de um "novo mundo" que estava se abrindo pra mim.

Ontem minha mãe chorou um pouquinho. Ela chorou também quando meu irmão foi viajar. Mas eu, não. Sei que esses dois meses desde que anunciaram minha ida eu sinto que cresci ainda mais. Provavelmente se me dissessem uma semana antes eu estaria desesperado (óbvio!), mas foi um bom tempo pra ajeitar a casa, deixar as coisas prontas e, hoje... É só decolar!

さようなら、ブラジル!
Sayonara, Brasil.
Nos vemos em breve.

Spread your wings and fly. God be with you.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Viva o Rio!

Para perder o medo de avião, resolvi ir antes pegar um vôo para entender como o treco funciona. A opção escolhida foi a ponte aérea Rio-São Paulo, e fui para o (até esse momento) o lugar mais longe de casa que fui: Rio de Janeiro.

Sim, eu quase nunca viajei. Meu pai detesta viajar e o máximo que eu fui foi umas duas vezes na praia e umas três vezes no interior. E mesmo quando ia dificilmente saía para conhecer o lugar, meu pai sempre viajou pra dormir.

Mas dessa vez fui com a Denichan e seu irmão, nós três explorando a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a terra maravilhosa, que de fato é lindíssima! Encontramos a Natalia, uma grande amiga minha que fiz questão de conhecer pessoalmente. E não me arrependi! Ela é única, engraçada e muito divertida.

Se o Rio é lindo? É! Saí de lá com um gostinho de quero mais. É... Nós paulistanos que moramos numa cidade tão feia e confusa sabemos admitir quando vemos uma cidade bonita como o Rio.














sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"Boa viagem, Alain!"

Hoje fui pela última vez lá no meu trampo.

Quando entrei nele em novembro, não vou negar que aceitei por dois motivos: o primeiro era pra não ficar sem grana no final de ano, afinal era novembro. O segundo era porque era pertíssimo do trabalho de uma menina que eu estava muito afim na época. E obviamente não deu nada entre nós (sim, agora eu admito!).

Fiz grandes amigos lá. Primeiro o Fábio. Ainda nos falamos até hoje e sei que posso contar com ele. Até me ajudou a paquerar a mulherada, hahaha! Pena que saiu de lá logo no começo do ano.

E eu continuei. Quando levei meu irmão no aeroporto em janeiro já tinha decidido o meu ano inteiro. Paguei a passagem e ainda sobrou um pouquinho de dinheiro para as viagens de agora no fim de ano.

Mas acima de tudo pela convivência conheci pessoas incríveis. A história mais bonita foi da noiva do meu chefe, que teve um aneurisma e todos nós fizemos uma corrente de orações, inclusive eu por meio das orações que aprendi na Shinnyo-en. A donzela saiu da UTI e teve alta direto, uma coisa que nem mesmo eu ouvi falar. Tudo graças a essa grande corrente de fé em prol dela, afinal é complicado quase perder a noiva desse jeito tão grave.

Obrigado a todos! Tive uma assistente sensacional, a Michele (toca o barco aí, menina!), e duas jornalistas bem doidinhas aprontando mil e uma confusões na Sessão da Tarde: Marina e Vanessa. E obrigado a todos os outros também que dividiram comigo todas as felicidades, angústias e estão aí torcendo por mim.

Aqui está o meu muito obrigado!




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A opressão e os que lutam contra.

Eu estava passando os canais e parei na CNN. Vi uma entrevista com a Princesa Amira, da Arábia Saudita, um dos rebentos do finado império otomano.

Nós, homens, ás vezes não reparamos na quantidade de opressão às mulheres que existe por aí. E ainda tem gente que diz que hoje quem são oprimidos são os homens. Um livro que me ajudou a abrir a mente foi a série Millenium, do Stieg Larsson. Digo, mesmo na Suécia, país desenvolvido e, por diversos motivos, sonhado por paulistanos por conta de seu trânsito fluido e organizado, acaba sofrendo mesmo hoje com problemas tão elementares como violência contra a mulher.

Claro que hoje nós sabemos que a maioria desses países do Oriente médio é campeão quando o assunto é opressão contra as mulheres. Elas são proibidas de dirigir e até mesmo para trabalho elas precisam da autorização do seu marido.

Gostei do que a princesa disse. Claro que ela vive num outro patamar, não precisa usar a burca e tem uma vida bem confortável, ao contrário dos pobres e submissos. Ela está usando a grana dela pra financiar ONGs pra lutar pelo direito das mulheres lá do seu país. E são coisas básicas, como por exemplo o direito de estudar. Pelo que entendi hoje já são mais de 55% de mulheres no ensino superior por aquelas bandas. Ótimo ouvir isso, não?

Eu vou ser sincero, acho que sempre fui um bocado inocente e agora quanto mais entra nesse assunto, mais vê desrespeito com as mulheres, essas criaturas magníficas. Tenso.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Porque eu acho hipocrisia mulher dizer que curte um nerd.

Chega, essa é a gota d'água.

Eu fico a vida inteira lutando pra deixar de ser um nerd, falar igual uma pessoa normal, fugir da alienação e dessa subcultura que é o estopim para oito em cada dez casos de bullying na escola e na sociedade e ainda tenho que ouvir que tem gente que "curte um nerd"?

Ah, você é mulher e "curte um nerd"? Conheçam o Tayrone:


Agora, você, mulher que "curte um nerd", me responda uma coisa:
Você daria seu rabo pro nosso amigo Tayrone?

Então eu sinto muito, você não gosta de nerd. Você gosta de alguém que curta um "Estar Wars", jogue um "Ékis-box Trezentos-e-sessenta" ou assista um "Bigui bengue têory" e que consiga manter um mínimo de conversa decente sem puxar pra nenhum lado escrachado ou coisas do gênero.

Olha, nos meus tempos ser nerd era difícil! Hoje tá cheio de babaquinha aí andando com óculos de hipster se dizendo ser nerd quando não deixa de ser um otário. Imagina só eu, uma criança, nerd (que usava esses óculos de hipster nos tempos que isso não era legal), apaixonadinho por uma menina que não me dá bola porque ao invés de ser o melhor no futebol da sala, eu era o melhor em álgebra? E os "amigos" que só se aproximavam de mim na hora da prova pra pedir cola? Ou então as perseguições de grupos contra mim pois eu era um nerd fraco e desmotivado?

Eu fico uma vida inteira lutando contra o estereótipo de nerd. E não nego que eu devia ser pior, ou no mesmo nível que nosso amigo aí de cima. Mas eu me liguei da merda que eu tava fazendo na minha vida, e provavelmente se eu não tivesse me ligado disso eu estaria virgem até hoje!

Sem comer ninguém. NINGUÉM.

Me desconstruí, mudei grande parte de quem eu sou, comi alguém (e isso ajudou pra caramba! Especialmente na auto-estima. Quem comeu alguém sabe de quanto isso melhora o ego masculino) e consegui virar um adulto "normal" sem virar esse motivo de chacota pelo resto da vida.

Por isso eu acho a maior hipocrisia essas mulheres dizendo que curte um nerd. Eu não acredito nisso, ficam dizendo que tem centenas de dezenas de meninas por aí que adoram um nerd mas eu só vejo mais do mesmo tipo: mulheres de cabeça pequena, que com duas caipirinhas abrem o rabo pro primeiro babaca de carro que aparece na frente, e ficam aí posando que gostam de um cara inteligente, sensível, fiel e meigo.

Francamente, acho que usei muitos palavrões, mas isso estava entalado. ¬_¬

Se ser nerd ajudasse a pegar mulher, meu caro, cada noite eu dormia com três pelo resto do ano.

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