terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sábado

Eu esperei o ano inteiro pra essa viagem, mas justo agora a apenas alguns dias tenho um misto de querer e não querer ir. Shit.

Sem comentários.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

I'm gonna miss you more and more each day.



Parece cena de filme.
Looks like a movie scene.

E então eu te disse: vamos ao menos tirar uma foto juntos. Muito provavelmente que nós nunca nos veremos novamente. Foi apenas um acaso termos nos conhecido.
And then I said: let's take a picture together. It's really probably that we won't see each other again. It was just a matter of case for us to meet each other.

Tudo bem, vai. Somos budistas, não acreditamos em acaso.
All right, than. We are buddhists, we don't believe in fortuity.

E aí você deu um tchau pra mim. E momentos depois uma música começou a tocar na minha cabeça.
And than you said goodbye to me. And a few moments later a song started to echo on my mind.

I miss you... Oh I'm gonna miss you.
I'm gonna miss you more and more each day.
I miss you more than words can say.
More than words can ever say.




Sonhei com você. E foi tão bonito.
I'd dreamt with you. And it was so wonderful.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Arcanos maiores.


Primeio veio Arch, o mago, aquele que tudo inicia, que lidera.
Segunda foi Émilie, a papisa, o ideal feminino, a rainha sobre todos.

E tudo foi culminando numa história que começou há mais de vinte anos atrás e até hoje permanece sem solução.

O Mago, a Papisa, a Imperatriz, o Imperador, o Hierofante, os Amantes, o Carro, a Justiça, o Ermitão, a Roda da Fortuna e a Força.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ser pequeno.

Ouvir isso de um cara com essa altura soa ás vezes até irônico.

Ir pro Japão participar do Saito Homa mudou muito minha visão de mundo. Aprendi muita coisa. Normalmente a gente pensa que existe a possibilidade de aproveitar 100%, mas a gente sabe que a realidade normalmente a gente só aproveita uns 80%, mas hoje ainda estou digerindo tudo o que aconteceu, as pessoas que conheci, as coisas que vi e senti.

Hoje, posso dizer que provavelmente eu aproveitei uns 400%. Sem exageros.

Dizem que pra gente conseguir olhar melhor o nosso meio a gente precisa se afastar dele um pouco. Eu concordo plenamente com isso. A gente começa a enxergar os defeitos e qualidades do lugar onde a gente vive com isso. E, ao contrário do que quase 100% das pessoas dizem, o Brasil não é tão ruim quanto se imaginava. E não estou fazendo discurso patriota porque quem me conhece sabe: detesto patriotismo.

Patriotismo cria guerras, nazismo e preconceito. Ponto.

Acho que fui sim muito abençoado. Por tudo, até mesmo as coisas ruins. No dia que peguei o tufão (dia 30) no dia depois estava um céu ensolarado e pude ir pra Torre de Tóquio tirar fotos como essa:


Outro dia, andando como quem não quer nada em Akihabara (que também era um grande sonho conhecer) esbarrei sem querer num restaurante que tinha okonomiyaki. Ok, vai, estávamos no Japão, achar comida japonesa lá é fácil, mas a circunstância que isso se deu foram muito ímpares.

E isso sem contar todas as bençãos na parte da religião. Como todos sabem, eu fui para representar o Brasil numa cerimônia budista anual. É impossível se você segue uma religião não tomar como presente mais precioso todo esse carinho por parte das pessoas.

E até na parte do coração. Na noite do dia primeiro de outubro sonhei que tinha encontrado uma chinesa, que era muito bonita e tudo mais. No outro dia conheci sim, mas era bem diferente do sonho, mas ainda assim era bonita. A maior dádiva não foi apenas ela, mas por um momento me livrar das amarras de alguém que me segurava no Brasil ainda.

Eu disse que precisava de alguns dias pra colocar ordem na cabeça depois de tudo. Mas acho que vou precisar de mais tempo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sendo grato pelas adversidades.

Normalmente não gostamos dos desafios que as vidas nos propõe. Diversas religiões têm um nome pra isso, mas eu gosto muito do nome que temos disso no budismo: treinamento.

Treinamos para ficarmos melhor cada vez mais e superar cada vez mais rápido.

Eu costumo correr, e no começo era difícil mesmo, saía todo machucado, dolorido e cansado. Mas conforme vai treinando, vai ficando melhor e vai superando essas dores, as dificuldades. Porque a vida é assim, mal acaba uma, já vem outra.

Dizem que a palavra tem muito poder e significado por detrás. Eu concordo muito com isso. Por isso não gosto muito da palavra provação, que muitos usam para esses desafios que a vida nos dá. Treinamento parece mais suave, algo que vamos superar de um jeito ou de outro, porque no fundo é assim.

Todos temos nossos treinamentos. Pode ser dinheiro, com dívidas ou pessoas que são falsas com você, pode ser com relacionamentos, seja na facilidade ou na dificuldade de encontrar alguém especial, saúde, trabalho, estudos, enfim. A lista é imensa.

E no budismo, sempre nos é ensinado que devemos ser gratos por tudo isso.

Mas tio Alain, como ser grato se só acontece desgraça na minha vida?
Calma! Você não está sozinho, hehehehe.

Sabe, pense nas coisas que você superou até hoje. E lembre-se o quanto de coisas você superou pra chegar até aqui, o quanto você cresceu, se inventou e reinventou. Darwin dizia que as espécies que sobrevivem não são as que são mais predadoras, mas as que se adaptam melhor ao seu meio. Isso vale pra vida!

No Japão mesmo eu tive que superar muita coisa, ou você acha que foi tudo um mar de rosas o Alain lá no meio de tanta japonesa boazuda? É bicho, não tá fácil pra ninguém! hahahaha.

Olha o estado que eu fiquei (EU QUERO IBAGENS!!!!):



Se a gente supera as adversidades nascem flores dentro da gente. E isso não tem nada a ver com viadagem. Eu acredito muito nisso. Flores de lótus só nascem em terrenos imundos, e é assim que devemos ver esses desafios.

Pois desafios são matéria prima pra gente crescer. A gente só cresce quando os supera. Por isso, mesmo quando estamos passando pelas dificuldades mais ferradas a gente vai vivendo um dia depois do outro. Vai ultrapassando cada um dos obstáculos pra no final colher algo maior. E assim, as flores brotam dentro de nós quando superamos. E a gente agradece por ter passado por tudo aquilo e ter chegado hoje aqui crescidos como nós estamos.

Mais ou menos isso! =)

Todos nós temos nossos treinamentos individuais. Nós budistas acreditamos que o Buda nos envia aquilo que conseguimos suportar. No cristianismo também tem isso (por meio de Deus/Jesus Cristo), no islã também (por meio de Alá). Então o único conselho que eu posso te dar é, se você está passando por algum treinamento agora, entenda uma coisa:

Se você está passando é porque você PODE!

Se duvida, olhe para as pessoas ao seu redor. Veja os desafios que eles estão passando. Alguns podem estar passando por coisas que você acha que são pequenas, mas que pra eles é imensa. Enquanto outros têm que passar por coisas terríveis no seu ponto de vista, mas eles são fortes o suficiente pra superá-las.

Sabe, um bom exemplo é o estado de plenitude que encontramos em pessoas que passam por muitos desses treinamentos árduos. Pessoas que perderam filhos, família, passam por doenças e dificuldades financeiras tudo ao mesmo tempo.

Por isso mesmo eu sempre digo: forte não é aquele que pula os obstáculos, mas aquele que mesmo passando por um monte de coisa ruim ainda consegue manter um sorriso na cara.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Em breve...

Parece até trailer de filme, hehe.

Eu ainda estou editando. Sim, tenho mais de quinhentas fotos, quase duas horas de vídeos, e isso porque fiquei doze dias. Se fosse um mês acho que seria o dobro e aí sim eu teria um sério problema!

Mas fiquem com esse tira gosto. Pelo menos do que eu mais gostei! Torre de Tóquio.


(e não é que ela era bonitinha mesmo? A torre, claro, seus maliciosos!)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Indomável.



Alguns dias antes ela havia comentado que estava saindo com um carinha.

Dias depois eu conheci o tal carinha. Com direito a um ardente beijo de língua entre os dois, na minha frente. Obviamente ela nem deve se lembrar disso. Ou nem sequer reparou que fez isso.

Dias depois estava conversando com "n".

"Não dê esse gostinho pra ela. Ver você mal é o que ela quer".

Eu não dava a mínima pro que ele falava, fingia que não ouvia. Mas a voz do "n" entra nos meus tímpanos de maneira violenta e grudenta. Não consigo me concentrar em outra coisa.

"Faça diferente. Mostre a ela o cara que ela perdeu ao escolher o outro".

Na hora apenas fitei ele. Meu desejo era, como volta e meia faço, dar uma porrada na cara dele. Mas dessa vez, não. Ele tem muito mais experiência em relacionamentos que eu, não exista uma garota que ele não consiga pegar, independente de status, local ou valores.

"Trate ela bem. Ou melhor, trate-a melhor ainda do que a tratava antes. Ela fez a escolha, te deixou de lado pra ficar com um cara que duvido que a entenderia como você a entende. Ou então que sinta no mínimo 10% do que você sente por ela. Faça isso, seja superior".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sentirei saudades.

O Japão é ótimo, mas uma pessoa especificamente vai me fazer muita falta.



Que bom seria de São Paulo fosse do lado de Madri. E de Taipei também.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #12


Logo pela manhã fui pro Ogen’in ver uma cerimônia em homenagem ao guardião celestial Bezaiten. Fomos juntos com todos os outros assistentes do Saito Homa.

Todos nós decidimos receber sesshin. Seria o último que receberíamos antes da nossa partida de volta pros nossos países. E eu fui receber também.

Cerimônia ainda nem tinha começado e uma simpática senhora veio falando comigo em português. Era a Lina-san e seu esposo Mario, que eu somente conhecia pois havia ouvido falar deles lá no Brasil. Eles moram pertíssimo de Oyasono, a sagrada matriz do budismo Shinnyo.

Conversamos um pouco e pude sentir que mesmo eles estando longe do Brasil ainda nutriam o mesmo carinho pela nossa terra e pelos seguidores de lá.

Terminou a cerimônia e fui receber o sesshin. A orientação foi relacionada a elevação espiritual: “Pessoas passam por dificuldades, e quando a gente supera nascem flores dentro da gente. As flores dentro da gente só nascem quando superamos todos os obstáculos por algo melhor. Isso é felicidade. Isso é kangi. Compartilhe isso, seja um incentivador para as pessoas do seu país, leve essa energia, seja o exemplo e encoraje as pessoas a continuarem se superando que você alcançará um nível de bodhisatva”. Essa orientação me fez chorar quase tanto quanto foi no primeiro sesshin que recebemos lá no anexo de Shinchoji no lago Kawaguchi.

Quando vi a chinesinha Kimi dando tchau pra mim ao longe com sua mãe não sei, mas se alguma maneira sabia que ali não seria uma despedida pois ela estava saindo do Ogen’in, mas sim que ela voltaria e provavelmente passaríamos um longo tempo sem nos vermos. Provavelmente estava na pressa pois iria embarcar logo pra Taiwan. Gostaria de ter me despedido dela.

Depois fui andar um pouco em Tachikawa com a Elza Sonoda procurando uns cosméticos da minha mãe, mas depois do sesshin eu estava muito cansado e voltei pro dormitório pra tirar um cochilo.

Pela noite fui convidado pela Lina-san pra um almoço super brasileiro na casa dela. Gostei bastante, foi ótimo e já estava meio que me sentindo no Brasil já. Agendamos um táxi pra me pegar pro Palace Hotel em Tachikawa pro outro dia pra enfim voltar pro Brasil pra contar todas as novidades e compartilhar com eles toda essa energia grandiosa que pude sentir lá.

domingo, 7 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #11


Último dia começou bem. Fomos para o templo direto e somente tivemos tempo de cumprimentar o Buda pra depois descer e nos trocarmos. O dia começou chuvoso. Lembro do que a Keishu-sama disse numa das cerimônias anteriores que não importa qual fosse o clima no dia, ele seria realizado sob chuva ou sob sol.

Porém conforme a manhã foi passando o tempo foi abrindo. Porém estava fresquinho na hora que fomos para o local para irmos pra área do Homa. Meu medo era que estivesse muito sol.

E então começou. Na hora não sei como explicar. A gente simplesmente foca e segue reto. Porém eu estava muito, muito, muito nervoso. Eu ia dar o meu melhor não via esse mix de emoções como algo ruim. Mas eu estava bem tenso. E então a procissão começou com a Keishu-sama no final dela.

Quando ela entrou na área do Homa nós temos que fazer uma reverência pra ela no momento que ela passar na nossa frente. Eu estava olhando pra ela, tentando entrar em comunhão com ela, e ela apenas olhava pra baixo, concentrada com seu cajado, indo até o local que deveria ficar sentada. Foi aí que algo aconteceu.

Do nada os olhos da Keishu-sama se encontraram com os meus. Ela olhou de uma maneira bem profunda pros meus olhos por uns dois segundos que não sei como explicar, mas todo aquele meu nervosismo passou. Senti uma grande leveza em mim, provavelmente fui alvo da força incrível do Bakku-daiju. E, do nada, toda essa energia que estava de alguma forma me impedindo se foi, e eu relaxei. No meio do Saito Homa no centenário da fonte espiritual Shojushin-in.

Fiz minha performance, dei o máximo de mim. Não estava com minha voz 100%, mas dei o meu melhor! Ao entrar fiz uma reverência pra Keishu-sama e pro Achala. De algum lugar eu tinha tirado força, e tudo daria certo!

Depois que a cerimônia acabou fomos nos encontrar com a Keishu-sama.

Quem leu as palavras de gratidão foi o Lee-san, da Coréia do Sul. Depois disso todos nós falamos obrigado em nossa língua e a Keishu-sama começou a agradecer um a um com um aperto de mão e olhando nos nossos olhos. Eu nesse momento não queria tradução, queria apenas ouvir sua delicada voz ao vivo e guardar aquele momento pra sempre no meu coração. Quando foi a minha vez de ela pegar na minha mão ela falou algo pra mim, porém não tinha entendido, e todos deram risada e eu também dei risada, sem entender nada.

Depois disso fomos almoçar, trocamos de roupa e durante o almoço fiquei pensando nessa energia que me acalmou que senti do nada quando meus olhos se encontraram com os da Keishu-sama.

Foi aí que a Cirella, da Holanda, chegou em mim e disse: “E aí, tá se preparando pro Saito Homa no Brasil?”. E eu disse: “Saito Homa no Brasil? Num tô sabendo de nada!”, e ela respondeu: “Como não tá sabendo? A Keishu-sama disse na sua frente, você não ouviu a tradução?”.

Durante a hora que estávamos apertando as mãos disseram que eu era do Brasil. Keishu Shinso, sumo-sacerdotisa de Shinchoji olhou pra mim naquele momento e disse: “Oh, Brasil? Eu adoraria fazer um Saito Homa no Brasil!”.

E eu não ouvi a tradução. E depois que ouvi isso, mesmo considerando isso apenas como uma possibilidade, eu chorei igual uma criança de felicidade.

Logo depois muitos vieram ao meu encontro me apoiando, dizendo que eu tenho uma grande missão quando voltar pro Brasil, ajudar a fazer crescer ainda mais pra ser capaz de trazer a Keishu-sama pro Brasil novamente.

Nico, o reinosha que esteve conosco todo esse tempo veio pra mim e disse que deveríamos fixar uma meta e seguir atrás dessa meta. Mesmo que nós não façamos 100%, mesmo que seja apenas 60% a compaixão da Keishu-sama encherá os 40% restantes por nós. Mal acabou uma missão e começou outra!

Voltamos para nossos dormitórios e atendendo um convite do Ernest do Havaí fomos conhecer um restaurante de uns amigos dele que são reinoshas e eles se conhecem há mais de trinta anos. Comida ótima, foi ótimo conversar com nossos novos amigos de diferentes locais do mundo. Sem dúvida carregarei todas essas pessoas no meu coração pelo resto da minha vida.

sábado, 6 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #10


O dia começou bem. Fiz a ablução que fazemos todos os dias durante o treinamento e pegamos o ônibus direto pro templo anexo de Shinchoji. Fomos todos vestidos de trajes sociais e assistimos a apresentação japonesa do Saito Homa.

Porém, antes disso, fomos até o templo onde usualmente a flecha é lançada sobre e cumprimentamos os bustos dos Sooya-sama e ryodoji-sama. Descemos e seguimos em direção ao templo onde está entronizada a imagem do Buda em Nirvana e ficamos sentados no balcão esperando a apresentação começar.

Foi difícil conter a emoção quando apareceu escrito “Saito Homa Service – Shojushin’in Centennial” e depois a vinheta do Shinnyo Reiso 100. Logo começou e podemos ver a cerimônia deles.

Todos eles são graduados, são em grande maioria reinoshas. A cerimônia correu tudo bem, e vi Naohiro, o rapaz que me treinou a como usar o machado, fazendo sua parte de maneira muito boa.

Depois fomos almoçar e trocamos de roupa para ensaiarmos.

Ensaiamos tudo desde o começo duas vezes, e nas duas fizemos de maneira muito boa. Antes porém o Kenichi-san, um outro que também estava me ajudando na arte do machado, veio a mim e me deu mais algumas críticas – construtivas é claro – sobre como usar o machado. Porém eu estava nervoso, pois eram muitos detalhes pra lembrar um dia antes da cerimônia. Mas eu prometi pro Nico que faria meu melhor, não importa como fosse, iria fazer com meu coração, em prol dos seguidores do Brasil.

Fui jantar bem nervoso. Um dos reinoshas que estavam no grupo, Boris Ho, e outra reinosha, a Sarojini estavam do meu lado e a primeira coisa que ele disse pra mim foi: “Alain, não fique nervoso. Shinnyo Keishu-sama não vai te reprimir se você errar, muito pelo contrário, o coração dela é cheio de compaixão. Ela vai te entender”.

E isso foi como tirar um grande peso das minhas costas. Ficamos ainda conversando muito, Boris é um cara muito inteligente. Voltamos pro Fujikyu Hotel pra nos prepararmos para o último grande dia.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #9


Outro dia bem puxado.

Pela manhã tomamos café e fomos pros ensaios. Logo enquanto tomávamos café deu pra ver pela grande janela que tinha o Monte Fuji com as nuvens do topo desaparecendo. Provavelmente isso aconteceu porque a Keishu-sama estava em Yamanashi já pros ensaios do Saito Homa.

Pegamos o micro-ônibus até o templo do lago Kawaguchi e ficamos ensaiando, mas sem o robe dessa vez. Focamos principalmente na forma de entrar e na forma de sair. Fomos almoçar e depois na volta tivemos uma “folga”. Ficamos assistindo o ensaio dos japoneses.

Fiquei surpreso em saber que todos estavam treinando há semanas. Por isso tudo saiu tão natural e não precisou da força e da paciência da equipe que organiza os eventos na Shinnyo-en.

Assistimos os dois ensaios, deu pra gente se sentir bem próximo. E uma hora a própria Keishu-sama apareceu e ficou um tempinho conversando com as pessoas que estavam fazendo gohoshi (e que eram quase umas 300 pessoas). Depois recebemos o aviso: Keishu-sama está vindo, vamos recebe-la.

Como é encontrar com a Keishu-sama? Difícil de colocar em palavras. Acho que de início ela é uma pessoa pequena, mas ela tem algo grandioso nela que é difícil de explicar. E ao mesmo tempo é muito simples.

Quando vimos que ela iria entrar todos nós olhamos pra trás e nos demos conta que era realmente ela. E ela existe!

Ela nos deu palavras de encorajamento, dizendo que éramos pra nós darmos o máximo de nós pelo nosso país e ser uma ponte do ensinamento entre eles e Oyasono. E também que os ryodoji-sama e os sooya-sama estariam sempre conosco juntos, nos apoiando e nos protegendo.

Meus olhos, por mais que estariam olhando pra Keishu-sama ficaram marejados de tantas lágrimas que brotaram ao vê-la. Realmente ela é muito especial. E então tão rápido ela chegou, ela se foi. Com toda sua delicadeza e humildade. Ela continuou o ensaio com os japoneses e correu tudo bem. Depois fomos colocar nossos sapatos especiais e depois voltar pro treinamento noturno. Mas tudo correu bem no geral. Eles são bastante perfeccionistas, focam nos detalhes, e ás vezes a gente fica um pouco nervoso. Mas tudo vai correr bem, não tenho dúvida.

Como no nosso time tem vários reinoshas é interessante conversar com eles. Um que eu gostei bastante é o Ernnie, do Havaí. Ele é muito engraçado e passa o ensainamento pra gente de uma maneira tão suave que a gente nem percebe que está praticando. Uma grande pessoa iluminada que também se emocionou comigo quando nos demos conta da importância e a gratidão que devemos sentir por participar do Saito Homa no centenário da fonte espiritual Shojushin-in-sama.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #8


Dia cheio de treinamento! Logo de manhã fiz pela primeira vez a ablução, foi um bocado complicado por conta do frio, e depois percebi que tinha que se fazer com a melodia mais rápida do goreiju.

Desci, tomei café, usei um pouquinho a internet e fomos pro treinamento. Como hoje estava menos nervoso, encarei com mais naturalidade o machado, tentando me tornar uno com ele. Fiquei brincando e logo percebi que estava já acostumando com ele.

Depois do almoço fomos fazer ablução e vestir o robe pra cerimônia e ensaiar com ele. Não vi muita dificuldade pra andar, o problema mesmo é um peso a mais que temos nos braços por conta das mangas.

Depois de mais ensaios tivemos uma pausa e tiramos o robe. Fui até a borda do lago Kawaguchi e tirei várias fotos do Monte Fuji, que ainda estava escondido. O dia anterior foi bem nublado, nem deu pra ver o monte, mas parece que o grande Fuji está ficando mais e mais acostumado com a nossa presença e perdendo a timidez.

Depois voltamos e fizemos mais ensaios, só que dessa vez na parte de dentro. Até então tínhamos ficado debaixo de um sol bem forte ensaiando, e muita gente saiu queimada de sol depois do dia. A vantagem é que como é uma região alta e tem o grande lago Kawaguchi perto, sempre tem uma brisa fresquinha.

Mas aí quando vai chegando a noite a nossa energia vai acabando. Eu tentei colocar um pouco de tempero brasileiro na performance mas não foi muito aceita. Vamos corrigir no outro dia alguns detalhes, mas disseram que em geral está ok. Vou tentar não me cobrar tanto pra não me frustrar, e continuar agindo com o coração e da forma mais natural possível.

Ganbarou! O último dia de treinamento está chegando!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #7


Dia puxado!

Logo pela manhã fizemos a oração e mais ou menos às 8h30 saímos para ir ao estacionamento onde o ônibus nos esperava. Fomos com Nico, o médium italiano que já foi no Brasil.

Pegamos um ônibus pra Yamanashi e paramos no meio do caminho num restaurante na estrada pra comprar um Starbucks, mas eu gostei mesmo de apreciar a paisagem! Era lindo, parecia aquelas pinturas japonesas tradicionais com montanhas verdes, cheias de árvores, e neblina.

O difícil mesmo está sendo pra memorizar os nomes. Na noite do dia 2 fiquei conversando até tarde com Boris, de Taiwan. Ele me disse das particularidades que tem chineses da China, de Taiwan e Hong Kong. E também me deu um panorama geral de toda essa crise que tá rolando lá por aqueles lados.

Ele veio com uma menina de Taiwan também, chamada Kimi, que logo no primeiro dia fiz amizade. Aliás todos já me conhecem pelo apelido de “abunai”, e é difícil nomear alguém chato ou algo do gênero. Tem umas pessoas que aparentam ser mais difíceis de lidar, mas são essas que eu prefiro me aproximar pra conhecer mesmo, mesmo que nossos gênios não tenham se dado em um primeiro momento.

Chegamos em Yamanashi e visitamos o templo anexo de Shinchoji. Fomos almoçar e recebemos sesshin. Eu chorei igual criancinha. O sesshin dizia que esse era o momento de eu mostrar minha determinação e seguir em frente pela Keishu-sama. Disse também que todos no Brasil estavam torcendo por mim e quando voltasse eu deveria dividir essa experiência com eles. Por isso mesmo estou escrevendo isso! Bateu uma saudade inexplicável na hora. Estamos separados fisicamente por alguns quilômetros, mas no fundo estamos todos juntos.

E aí começamos o treinamento. Primeiro como manusear o shakujô, o bastão budista. Depois a posição e como andar. Depois começamos os ensaios individuais. Fiquei com o Naohiro, um cara muitíssimo gente boa que foi super paciente comigo e sabia como estimular a ficar ainda melhor. Eu, que nunca tinha manuseado isso na vida, dei o meu melhor.

Suei pra caramba. Mas valeu a pena, agora estou bem mais seguro e os próximos dias serão para melhorar ainda mais a performance.

Fomos jantar e eu, já exausto, encarei uma Hot Spring, aqueles locais de banho de termas. Que delícia! Quentinho, relaxante, tá até mesmo difícil de ficar escrevendo aqui sem cair no sono. Foi demais! E amanhã será o segundo dia. O que será que me espera?

Veremos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #6


Hoje pela manhã depois da oração o funcionário do dormitório veio falar conosco, disse que seria um dia mais fresco do que o anterior e com possibilidade de chuva leve.

Fui tomar meu café e fui pra estação do Tóquio do JR esperar a Mary e o Hiroshi pra gente passear em Akihabara.

É o bairro mais nerd e otaku do Japão. E de fato, tem uma quantidade infinita de coisa, é algo surreal. Chegamos e logo fomos no grande shopping próximo da saída da estação. Todos os andares são cheios de parafernalha eletrônica. E tem andares temáticos, como andares só de coisa para celular, games e um de fotografia, onde comprei uma lente 70-300mm pra minha Nikon. Agora tenho um zoom do cacete!

Comprei pro meu irmão um WiiRemote e uma capa para laptop pro meu pai, bem firme, o treco aguenta bem!

Depois descemos e fomos tomar um sorvete e passear pelas avenidas importantes da região. Japão pode ser pequeno mas é MUITO populoso, por onde se olhe se vê pessoas. Akihabara é o local onde mais encontrei ocidentais (isso porque encontrei uns três) até agora.

Uma coisa chata são as meido (メイド, palavra japonesa pra “maid”, em inglês, empregada). São mulheres que se vestem de empregadinhas e ficam com as pernas e peitos de fora e se você aceitar você vai no café delas e toma café com “uma vista privilegiada”, se você entende o que eu quis dizer. Não é prostituição, mas obviamente não é bem visto pela sociedade puritana japonesa. Elas ficam putas da vida se você mira a câmera pra elas, mesmo que você as coloque por acaso, elas ficam fazendo um “x” com os braços, enfim.

Nada contra quem escolhe o seu meio de ganha pão, se é como prostituta, tem que estar preparadas, afinal o ganha pão delas é a rua, assim como as meido. Achei uma baita falta de deselegância por parte delas elas virem pra cima da gente.

Mas, enfim, voltando pra Akihabara, tem muitos locais bons, mas a maioria não deixa fotografar nem filmar (fuck!). Fui numa loja da Sega com diversos joguinhos viciantes, mas o único que eu joguei foi um de taikô, aqueles tambores japoneses.

Ficamos passeamos e, no almoço, comi o lendário okonomiyaki. É simplesmente DELICIOSO. Só provando pra explicar. É uma salada de repolho e várias verduras, com carne de porco, ovo, queijo, tempero e eles deixam fritando numa chapa na mesa, aí você vai provando. É muito, muito, muito bom. Era exatamente como pensava e já entrou pro rol das minhas comidas preferidas.

Amanhã vou pra Yamanashi pra começar os preparativos pra cerimônia do Saito Homa. Até esse momento o Japão foi inesquecível, mas eu vim aqui por um objetivo, vamos lá!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Diários Nipônicos - #5


Hoje foi aniversário do meu pai. Liguei pra desejar pra ele feliz aniversário logo pela manhã, mas no Brasil ainda era dia 30 de setembro. Bom, o que importa é a intenção, hehe.

Não havia nenhum serviço no templo hoje, então foi mais um dia livre. Combinei com a Mary e o Hiro de ir conhecer Tóquio e realizar um sonho: conhecer a Torre de Tóquio.

Marcamos de nos encontrar na estação Yurakuchô, uma depois da grandíssima estação de Tóquio. Embora a cidade seja muito bem servida de trens e metrô, tenho que admitir que é um bocado confuso o sistema ás vezes. Peguei o trem da JR em Tachikawa sentido Tokyo, e de lá tivemos que trocar e pegar um Metrô e pagar outra tarifa. De Tachikawa pra Tokyo é 620 ienes pra ir, e mais o mesmo pra voltar, então são mais ou menos 30 reais (1240 ienes).

Considerando que São Paulo o bilhete único é três reais, mas também né com duas linhas e meia nem dá pra exigir tanto...

Chegamos em Tokyo e fomos andar. Primeiro achamos o Palácio Imperial e fomos tirar fotos. Depois voltamos e entramos no metrô em direção à Torre de Tóquio.

Ao chegar tenho que admitir que é algo difícil de por em palavras.

É IMENSA. E lindona, muito bem conservada, pintura impecável. Subimos até o primeiro observatório e ficamos lá andando e tirando fotos. Hiro e Mary foram muito legais, foi uma excelente companhia pra conhecer o Japão. Até superei um pouquinho meu medo de altura. Mas só de estar nos pés dela já foi um sonho realizado.

Na volta fomos conhecer um templo do budismo Soto-Zen que fica próximo da Torre e paramos pra comer um sorvete da Hagen-Dazs. Sim, é bizarro, mas o sorvete aqui custa a “bagatela” de 238 ienes. Bem baratinho!

Depois peguei o trem de volta pra Tachikawa e quando cheguei aqui já fui no KFC. No Brasil acho que só um em Osasco ainda sobrevive. Sim, é uma quantidade de besteira incrível que tô comendo, e meu intestino tá começando a dar sinais de desinteria.

Amanhã, mais passeios! 

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