sexta-feira, 9 de novembro de 2012

III - A Imperatriz



Izhevsk, Russia
17 de fevereiro de 1998
11:12 pm


"Abaixe-se! Abaixe-se!", disse o major adentrando ao recinto com uma arma em punhos.

Logo incontáveis homens invadiram também pelas janelas, todos envolvidos por cordas. A ação toda durou apenas alguns segundos: haviam sentinelas em um raio de dois quilômetros em cada esquina, a rua estava cálida e calma. Ninguém poderia entrar naquele prédio, muito menos sair.

Uma mulher estava algemada e com os olhos vendados. Estava ainda trajando suas roupas de dormir. Dentro do seu guarda-roupas foi encontrado dois fuzis russos. Mesmo assim, ela aparentava estar calma, mesmo sabendo que sua vida com regalias de traficante internacional de armas acabaria ali.

Era o princípio do que hoje chamam de "economia de guerra" pós-guerra fria.

Eu entrei no lugar passando pela escolta. Pedi para apenas um guarda ficar no local na sala de estar que estava totalmente remexida: todos os móveis haviam sido tirados, e ela estava sentada numa cadeira, de pijamas, com as mãos presas e os olhos vendados.

Quando a venda foi retirada a traficante viu meu rosto. E se assustou.

"Não... Não é possível!", ela falou alto, abismada. Mas depois ela parou e ficou me encarando. "Essa... Essa cicatriz na sua sobrancelha. Isso você não tem. Você não é o Arch!".

"O que mais me impressiona é uma pessoa como você, que foi do grupo justiceiro do meu irmão, hoje estar aqui, envolvida no tráfico de armas. Eu sou o irmão mais novo dele, pode me chamar de Al. Eu mandei nos deixar sozinhos porque tenho umas perguntas a fazer pra você".

Na sala também estava ela, também conhecida como minha futura esposa, que já estava trabalhando comigo. A garota de cabelo lilás.

Eu soltei as algemas dela e deixei ela livre. Ela me olhou com um olhar incrédulo. Ela sabia que de qualquer forma ela seria presa, mas de alguma forma inconsciente ela ficara feliz em me ver. Ela pediu pra eu sentar e me contou tudo, pois sabia que o tempo era curto.

Meu irmão mais velho quando entrou pro ramo da investigação teve uma ascenção meteórica, especialmente por conta do seu padrinho e tutor, o sr Schultz. Porém quando ele subiu e olhou lá de cima viu o quão o ser humano era mesquinho, e resolveu em algum momento fazer justiça com as próprias mãos.

Nesse momento Schultz sai de cena pra entrar o Coronel Briegel.

O Coronel, como era chamado, era o líder do Sector 9, um dos setores-baixos de uma renomada agência. Ser "baixo" não significa ser inferior, mas estar na base de tudo, ter acesso a tudo. Foi nesse setor que Arch entrou e rapidamente ganhou a confiança do velho Briegel. Os dois sabiam das coisas que aconteciam por debaixo dos panos naquele local e graças as conversas que tinham rapidamente colocaram o seu plano em execução.

Porém ninguém contava com um terceiro elemento. Que era Émilie, que mantinha um contato secreto com o Coronel e Arch ao mesmo tempo. Nenhum dos dois sabiam.

Em algum momento a visão do Coronel não estava mais alinhada com os valores de vida que Arch tinha. Arch era um idealizador, o Coronel já era mais realista. Porém, o Coronel sofria de uma saúde frágil devido à sua idade avançada. Na época ele já passava dos oitenta anos, e lutava contra diversas doenças (desconhecidas).

Em 1987 sua saúde foi piorando. Em 1988 ainda em recuperação foi sequestrado e posteriormente executado em cárcere.

Sem o Coronel, Arch sentiu-se na honra de continuar o trabalho. Porém Émilie já tinha agido antes, entregando um dossiê delatando tudo o que Arch e o Coronel haviam feito, colocando em cheque a própria credibilidade da intocável agência mundial.

O Sector 9 foi classificado como DISAVOWED. A maior punição seria exatamente essa, que qualquer operação ou ação sua seria ilegal a partir daquele momento. Foi aí que Arch se desvinculou da Interpol e começou a trabalhar sozinho visando não apenas recuperar sua credibilidade como também fazer o Sector 9 voltar aos seus dias de glória, e recuperar sua própria honra.



"Pegue ali na minha agenda. Existe um endereço, quero que você veja lá pra mim o que tem", disse Agatha van der Rohe, a traficante de armas.

Guardei o papel. A última coisa que ela disse antes dos policiais a levarem detida foi:

"Procure a verdade, Al. Vá até o fim".

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