terça-feira, 27 de novembro de 2012

IX - O Eremita.



"Bom, agora temos que nos mexer antes do Dietrich. Parece que mudou tudo agora, e provavelmente eles irão atrás de uma pessoa em especial".

"Você acha?", eu questionei.

"Entenda que estamos apenas um passo na frente do Dietrich. Qualquer passo ou pessoa que perdermos será um grande retrocesso. Dietrich poderá usar pessoas queridas contra nós pra conseguir esse testamento do seu irmão mais velho. E acho que o primeiro alvo será...".

20 de abril de 2000Rosario, Santa Fe, Argentina

Eu sempre gostei da Argentina. Povo bonito, cidades bonitas, e Rosario não era diferente. Naquelas ruazinhas perdidas perto da maior área verde da cidade vivia um garoto de apenas doze anos com sua governanta.

"Meu Deus! Por favor, não faça nada!", o garoto implorava.

Ele estava caído no chão, deitado, se arrastando de medo da pessoa que estava na sua frente, se aproximando, portando uma Desert Eagle. Porém, se o objetivo fosse matar o garoto, com certeza o homem já o teria feito.

Era um garoto de cabelos e olhos pretos, pele branca, com um pouco de sobrepeso e completamente amedrontado. Do outro lado estava um homem sem um olho, uma grande cicatriz no rosto, barbas e cabelos desgrenhados, uma roupa completamente rasgada e suja de sangue e terra escondida por um sobretudo. Parecia um grande mendigo, mas em estado ainda mais deplorável. A única diferença é que ele portava uma Desert Eagle.

A governanta estava gemendo no chão. Levara um tiro no joelho e gritava.

A SAS inglesa dificilmente age em países fora da Inglaterra. E ainda se existisse uma ação coordenada na Argentina, país com o qual eles mesmo trucidaram, viraria um grande escândalo diplomático. Mas eles estavam lá, em menor número, acompanhados por mim e pela garota de cabelo lilás.

Com um grande baque na porta eles abriram e adentraram no local. No comando estava cel. Defoe, hoje aposentado da SAS.

"Onde está o meu amigo?", o maltrapilho homem questionou ao garoto, logo depois dos soldados da SAS entrarem e ordenarem que ele parasse.

Foi aí que eu entrei.

O mendigo se virou.

"Al!!".

"Quem diabos é você? Como sabe meu nome?", eu questionei, abismado.

Nessa hora o mendigo se virou.

"Eu estava esperando por você, Al! Eu não sou seu amigo, nem seu inimigo. Vim aqui para parar você antes que seja tarde demais".

"Mas o que você quer? Vingança?"

"Não, não é algo tão comum como vingança. Quero apenas falar com você, e somente assim minha alma pode descansar em paz".

"Ora... Chega disso. Eu preciso desse rapaz. Tire as mãos dele!", eu concluí.

"Al! Me faça sentir! Me faça sentir vivo novamente!".

"O que diabos você...?".

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"Tome garoto, coma isso".

Estávamos num contâiner, com apenas uma abertura no teto. Era o melhor caminho, e o mais seguro para andar desapercebido. Aquele garoto era o último dos laços. Um jovem chamado Arthur, nascido em 1988, que tinha uma aparência muito similar a de Arch, mas tinha alguns traços da Émilie também.

"Querida, será que conseguimos falar via rádio? Preciso falar com a Victoire. Esse garoto precisa de cuidados médicos".

"Al, eu não sei como dizer isso, mas parece que a Victoire foi presa".

"Ela foi... O QUÊ?".

A garota de cabelo ruivo ficou em silêncio. E prosseguimos nossa viagem.

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