domingo, 18 de novembro de 2012

VI - Os Enamorados



Extraído do diário de Noriko Yamamoto.

Eu não consigo explicar o que eu sinto pelo Lucca. Quando estamos juntos é tão bom. Ele fica tentando diversas comigo mas nós nunca daríamos certo. Não entendo como uma pessoa segura e confiante como ele se dá tão bem com alguém tão diferente como o Arch. (...)

Estava conversando com ele [Lucca] sobre o desaparecimento do Coronel. É claro que isso foi uma armação. Nós que estamos nessa vida somos proibidos de termos uma vida comum. Não temos o direito de viver, nossa vida é uma constante luta pela sobrevivência. Uma vez que você é um instrumento do sistema não existe mais você. O que existe é a vontade da sociedade e das leis que operam em você, e caso você não as obedeça, é severamente punido.

Acredito que o Coronel foi uma armação das pessoas do topo. Arch está numa ascensão meteórica, e acho que ele guarda alguma coisa junto do Lucca que ainda não descobri. 

[Noriko não descobriu sobre o "segundo emprego" que Arch tinha, no submundo da investigação]

[Durante o tempo em que seu filho foi sequestrado Noriko não escreveu mais no seu diário. Vários dias foram deixados em branco sem nenhum único texto. Apenas escreveu algo no dia 22 de julho, um dia depois do assassinato do meu irmão mais velho]

Arch foi executado ontem. Nesse momento estou na Checoslováquia. Não sei onde meu filho foi parar, mas ontem recebi uma carta do Arch enviada por um dos que o mantiveram no cárcere.

Ele foi capturado pelo Mikail. E uma das pessoas que cuidaram de sua execução foi justamente o Rockefeller. Vi o seu irmão mais novo chorando no caixão que estava vazio. O pobre coitado nem vai ter direito de enterrar seu irmão.

Onde diabos colocaram o corpo do Arch? Porque esconder? O corpo do Coronel também não foi mostrado até hoje... Será que ele estaria vivo e isso foi tudo armado?

Hoje de manhã me encontrei com o Lucca. Ele estava apenas com uma mochila nas costas, e percebeu que tinha gente no seu encalço. Porque estariam atrás dele? Eles teriam capacidade mais que suficiente de nos achar em um piscar de olhos, mas por algum motivo que desconheço estão apenas no encalço do Lucca. O que será que aconteceu?

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Eu estava sentado na mesa. A minha esposa já tinha ido dormir. Minha cabeça estava pulsando de tanta dor. Vivíamos num grande andar separado, mas na teoria qualquer um poderia entrar em qualquer quarto. Só que eu nem percebi a porta se abrindo, muito menos quem entrou.

Era uma mão feminina e ficou no meu ombro.

"Pobre, Al... Está bem?", era Victoire.

Eu mal conseguia olhar pra ela. Minha cabeça estava um turbilhão de caos, não conseguia raciocinar nem sequer tirar as mãos da cabeça.

"Victoire... Por favor, fale comigo. Me fale alguma coisa pra eu parar de pensar nessa dor!".

Ela puxou uma cadeira sem jeito e sentou. Ficou olhando meio sem jeito pra mim e o silêncio tomou conta da sala.

"Al, desculpe... Eu não sou uma pessoa que fala muito".

"Me fala sobre você então. Tem alguma família?"

Ela virou pro lado e esboçou uma cara séria.

"Não tenho boas lembranças disso. Eu só tive uma irmã mais velha que cuidou de mim quando eu era criança, me levava na escola, preparava minha comida e cuidou de mim como uma mãe".

"Hum... E onde ela está agora?".

"Ela morreu."

"Eu... Sinto muito".

"E você? Família? Amigos?".

"Eu tive um irmão também. Ele cuidou de mim, era mais velho. Mas faleceu".

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