quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aqueles que nos imploram ajuda.

Antes de ir para essa viagem internacional eu recebi uma orientação espiritual e dizia basicamente que: "Eu iria passar por locais onde aconteceram muitas guerras, pestes e mortes. Muitos desses lugares ainda tem um bocado dessa energia. Nessa hora, lembre-se da Shojushin-in-sama (a fundadora e fonte espiritual da Shinnyo-en) quando ela passou pela Europa e sentiu todas essas energias".

Na hora eu pensei: "Duvido que vou sentir alguma coisa! Nada a ver! Sou mó iniciante no budismo".

Mas eu senti. E vou destacar dois lugares onde ainda existem esses espíritos que precisam de ajuda.



O primeiro lugar que senti uma energia muito forte foi na praça do Dam, no centro de Amsterdam. Era uma energia tão forte que parecia me tragar no chão. Eu sentia um peso enorme só de pisar na praça. Para quem não sabe, a praça foi palco de um grande massacre, no dia 7 de maio de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, enquanto os holandeses comemoravam o fim da guerra contra os nazistas, uns alemães do topo dos prédios apontaram metralhadoras e atiraram contra os civis. Mesmo até hoje as causas dessa chacina ainda são incertos.



O segundo lugar que senti, que foi tão pesado quanto o primeiro, foi no adro da Igreja de Santa Maria Madalena de Bermondsey (essa foto não é minha, é desse cara), ali na City, em Londres. Quando andei por lá eu senti um peso tremendo só de pisar dentro da praça. É algo inexplicável. Uma melancolia dentro da gente, e isso porque ninguém tinha me falado nada sobre o adro. Adro, pra quem não sabe, é um cemitério-anexo da igreja (em inglês: churchyard).

Hoje, dando uma googlada, eu percebi que todas aquelas efígies eram na verdade... Túmulos. De gente morta por volta do século XVII e XVIII. Muitos eram capitães. Sem contar outros corpos que deviam ainda estar lá, pois a igreja original foi destruída no grande incêndio de Londres em 1666.

Nessas horas que a gente vê o poder que o Ensinamento Shinnyo tem. Em ambos os lugares eu recitei um dos nossos mantras principais, o goreiju. Recitei com o coração mesmo, bem baixinho, três vezes.

No primeiro, eu fiquei bem no centro da Praça do Dam e recitei. O mundo parecia ter ficado em silêncio pra ouvir, foi uma experiência difícil de explicar. Depois, eu pude até andar tranquilamente sem sentir o peso. Já no segundo, eu senti uma tristeza grande enquanto recitei. E recitei embaixo de uma árvore, e folhas caíram em cima de mim, todas amarelinhas, foi algo muito bonito.

O goreiju é o mantra do poder e benevolência de Achala. É um mantra que acredito ser bem capaz de trazer um bocado de paz para esses espíritos. Acolher é a palavra.

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