terça-feira, 31 de dezembro de 2013

No rain, can't get the rainbow.


U-lá-lá!

Nunca fui muito fã de anos ímpares. E ainda mais com um treze no meio, hehe. Mas como foi o primeiro (e provavelmente único) que encararei pela vida, podemos dizer que foi até bom!

Eu via muitas pessoas se queixando, dizendo que um determinado ano foi um ano perdido, ou algo do gênero. Se eu paro pra notar de maneira fria, de fato foi um ano bem complicado. Mas existe algo que quando penso faz mudar toda a perspectiva da coisa - "perspectiva" essa no sentido original da coisa, ver através de.

Foi um ano complicado? Ô se foi! Mas imaginando hoje, ainda bem que foi. Me dá um pouco de medo eu acabar sendo surpreendido por coisas similares em algum ponto da minha vida de agora em diante, mas se eu passei uma vez por ela, porque não passaria duas vezes? Sempre o primeiro passo é mais complicado mesmo.

Mas esse ano foi o ano em que enfim pude por em prática o "ver a felicidade nos outros, e ficar feliz junto". E isso é sem preço. E por diversas vezes deixei meu destino nas palmas das mãos do Buda - e nunca me arrependi, pois sempre tudo deu certo.

2014 chegando aí! E tem tudo para ser maravilhoso. Foram sementes difíceis de plantar nesse ano, mas quando a plantação é difícil, é um sinal de que nascerão as mais belas flores na colheita.

Vamos colher juntos? =)
Feliz 2014!

domingo, 29 de dezembro de 2013

E como foi 2013 pra você?

Pra mudar um pouco a minha "retrospectiva", achei que seria legal fazer uma coisa que eu sempre quis: ser entrevistado! Só que eu sou uma criança solitária e brinco sozinho, logo uso muito a minha imaginação, porque tecnicamente quem vai me entrevistar sou eu mesmo!

Será que vai dar certo? =P

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Alain! Que prazer recebê-lo hoje aqui nos nossos estúdios! Por favor, sente-se.
Ah! Obrigado, hehe! É um prazer estar aqui, boa noite platéia!

2013 sem dúvida foi um ano e tanto, não? Acho que como a área que você trabalha não estava muito aquecida, você ficou um bocado de tempo desempregado, não? Pode nos contar um pouquinho?
Nossa! Esse é um assunto grande, mas vou tentar resumir ao máximo. De fato, quando voltei de viagem estava sem emprego. Meu outro trabalho era uma agência na região ali dos Jardins, mas por conta da distância era muito estressante, e não valia todo o esforço pelo salário que eu estava recebendo. 2012 foi um ano inesquecível por tudo o que aconteceu, mas voltar à ativa foi bem difícil, demorou bastante.

Em janeiro comecei a enviar currículos. Tinha dia que eu mandava currículos pra vinte, trinta empresas diferentes. Usei tudo quanto era site, e inclusive a Catho Online, que ao contrário do que eles mostravam na propaganda, não conseguiram me colocar no trabalho, e sugaram o pouco de dinheiro que tinha no meu banco nesses seis meses. Na época que cancelei cheguei até a tuitar isso:


O mais difícil foi ver amigos meus na mesma condição. Tive dois bem especiais, ambos mais velhos, e com necessidade maior ainda. Não vou revelar nomes, mas uma era uma mulher que sofria de epilepsia, logo ela tinha que esconder aquilo porque não tinha família e precisava trabalhar (pra quem não sabe, quem tem epilepsia não pode trabalhar, e caso tenha algum ataque é demissão com justa causa) e o outro era um amigo meu jornalista, que inclusive sustentava uma família, e tinha que viver com os pais e estava passando por muitas dificuldades. Muitas vezes eu orava pelos Budas e implorava: "Dê um emprego pra eles ao invés de mim. Eu não ligo de esperar mais um pouco, mas eles precisam mais do que eu".

Minha nossa! Quer dizer que você ficaria mais feliz em ver eles empregados do que você mesmo? Mas isso não é certo, você está causando problemas na sua carreira e tudo mais!
Mas sinceramente, não ligo. Acho que uma fé verdadeira é só essa que você dedica pra ajudar os outros. Meu avô me ensinou isso, e hoje na minha religião (Alain é budista, praticante da Shinnyo-en) consigo praticar isso que acreditei desde criança. Eu nunca comentei abertamente no blog essa fase sem emprego, sequer postei quando entrei na agência que estou agora, no dia treze de junho desse ano.

Pessoas me perguntavam "Como você tá vivendo?", e eu dizia que eu estava bem, e acho que foi algo necessário. Junho foi um mês complicado. Tiveram os protestos, várias greves, a tentativa de suicídio da Paris Jackson.

Muito bem, muito bem. Mas acho que se formos falar do ano, acho melhor começamos do início, né? Em janeiro sem dúvida o destaque foi sua hospitalização. Todos nós ficamos torcendo pela sua recuperação!
Puxa, sério? Muito obrigado! Mas foi complicado mesmo. No dia 28 eu tive um acesso de dor terrível no meu lado direito do abdômen. Era uma dor terrível que se expandia até o testículo. Uma dor de alguém te dar um chute lá já dói muito, e aquilo parecia ainda pior, junto com a dor na área onde fica o rim. No dia, mesmo eu de cama com dor, pedi ajuda pros Budas para que me protegessem, até que a dor do nada passou.

No médico no outro dia, mesmo sentindo nenhuma dor, eu fiz uma bateria de exames. Foi quando o médico disse que tinha achado uma pedra no canal que liga o rim e a bexiga, e ela tinha 0,7mm. Ele não entendia como eu não estava sentindo dor, porque era pra eu estar gemendo no chão de dores. Disse que era necessário retirá-la, e no dia 29 fui hospitalizado para que na manhã no dia 30 eu fosse operado. Até tirei uma foto depois:



Mas teve coisas boas também. Eu fiz três anos desde que fui conectado ao Ensinamento Shinnyo. Dizem que existe um ciclo de três anos, e que normalmente você só é bom em alguma coisa ou pode dizer que gosta ou não depois de um período de três anos se dedicando. Bom, já desde muito antes de fazer três anos eu sabia que não consigo mais viver hoje sem a Shinnyo-en. É parte integrante da minha vida e sou incrivelmente feliz em ser budista!

Quantas emoções, hein Alain? Mas que ótimo que acabou tudo bem, né? E depois?
Os outros meses foram meio mornos. Pelo pelos esses do começo do ano. Mas agradeço imensamente aos meus pais por não me privarem de ir ao templo, mesmo sem dinheiro.


Em março, um dos meus melhores amigos se casou, foi algo incrível!

Foi uma festa bem simples, mas deu pra aproveitar bastante. Ele encontrou uma boa esposa e estão felizes.

Em abril eu não postei isso, mas depois mais pra frente postei. No final do mês recebi um e-mail da minha queridíssima e uma das melhores amigas, Denichan, dizendo que nós tínhamos sido escolhidos para ir a um fórum budista em Chicago, nos Estados Unidos.

Eu lembro disso, Alain! Você estava sem emprego inclusive, não? Muita gente leu os seus diários sobre Chicago!
Pois é! Dá pra ler tudo aqui. Mas se eu ficar falando de Chicago, vou ficar falando só de Chicago, e o post se tornará uma bíblia, pois sem dúvida, foi a melhor coisa que me aconteceu.

Teve coisa que pensei que fosse ruim, e depois vi que foi ótimo na verdade. Acho que quem também frequenta o templo comigo sabe das dificuldades que passei em maio, onde tive uma espécie de teste de fé, que não posso falar muito aqui sobre. Realmente pensei em deixar o ensinamento budista, deixar tudo. Mas fui alvo de uma imensa compaixão dos Budas e depois entendi que a tal "falha" na verdade foi necessária para um salto muito, muito maior, que veio se concretizar em outubro. E correu tudo bem no final das contas!

De junho já falei em cima, acho que é melhor eu saltar pra julho, não?

Claro! Julho, seu aniversário. E o inferno astral?
Nem foi tão forte, sabia? Pelo contrário. Meditando em julho tive uma visão muito bonita, e conheci uma antepassada minha, uma índia. Foi uma experiência transcedental e única. Foi no dia sete de julho, jamais vou esquecer!

Ter o futuro herdeiro do trono britânico fazendo aniversário junto de mim foi uma honra e tanto. Ainda mais eu que, quando estava em Londres, vi o anúncio da gravidez da Kate. De fato, o país inteiro deveria estar na expectativa. Kate colocou "Alexander" em minha homenagem, fiquei muito feliz!

Em julho tinha ido atrás do visto americano para ir pra Chicago. Sim, foi um PARTO! Mas correu tudo bem.



E Chicago, cara? Onde você foi parar?
Hahaha! Nossa, até hoje nem acredito direito. Foi inesquecível. Embarquei em agosto, no dia 15 embarquei e no fórum ocorreu tudo bem, assim como passear em Chicago. E como sempre... (Alain faz um silêncio)

O que? Conheceu alguma gatinha?
Sim e não, haha. Eu brinco muito, mas no fundo eu fujo sempre. Mas conheci uma japonesinha lindíssima e simpática, mas infelizmente a distância vai tratar de fazer com que tudo isso fique apenas no impossível. Eu fico triste, mas ligo muito não, a vida prossegue. Se for pra ser, vai ser, se não for, espero que ela seja enormemente feliz.

Todos os dias foram uma escola lá. Escrevi muito sobre, mas ainda gosto de rever todas as emoções e viajar na minha mente como se estivesse novamente lá. A circunstância foi única, quando recebi a notícia que iria pra Chicago estava sem emprego, sem perspectiva de nada. E tudo foi entrando nos eixos e no final tudo deu mais que certo. Sou eternamente grato aos Budas por tudo.

E de setembro pra cá?
Em outubro, como disse, foi a confirmação daquilo que eu achava que era ruim, que aconteceu em maio. Acabei dando um passinho a mais na elevação budista, graças a toda ajuda dos Budas que recebi. Eu lembro que pouco tempo antes, enquanto andava durante o horário de almoço no meu serviço, uma música não me saía da cabeça: Felicidade.



Em novembro tive uma baita duma crise de diarreia. Era uma dor terrível, e me deixou uma semana inteira fora do trabalho praticamente. E como um fantasma, a pedra no rim voltou, mas era só diarreia dessa vez.

E em dezembro lançamos o vídeo de incentivo do Treinamento de Inverno 2014 no templo.

Uau Alain. Foi um ótimo ano, hein?
Sem dúvida! E que venha 2014! Muito obrigado por tudo, e obrigado a todos por toda a força. Foi inesquecível!

Nós que agradecemos, Alain! Continuaremos ligados aqui no seu blog. Boa sorte!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Porque eu acredito em Papai noel?


Pois é! Olha o tamanho do marmanjo.

Quase tudo o que aprendi foi sozinho. Eu lembro quando na terceira série eu, num livro de ciências, descobri o que era sexo. "Hum... Então põe isso dentro daqui e isso resulta em filhos?". Não! Isso era muito estranho. Sabe, até hoje eu vejo mulheres grávidas e ainda penso que elas estão com uma melancia dentro da barriga delas. Acho que até mesmo se eu for pai, vai ser difícil de imaginar que tenha um filho meu dentro da barriga de alguém.

Normalmente crianças acreditam em Papai Noel porque ou o pai aparece vestido de bom velhinho, ou porque os presentes "aparecem" na manhã do outro dia. Nunca pedi brinquedos pro Papai Noel porque meu pai me dava um jogo novo de videogame nessa época do ano, então eu pensava assim: "Bom, se eu não pedi nada pro Papai Noel, claro que ele não vai me aparecer, mas não quer dizer que ele não exista!".

Eu sei, e tinha consciência desde sempre que os Papai Noéis nos shoppings eram apenas covers. O verdadeiro claro que não iria pro shopping.

Pessoas ainda têm essa mania de acreditar apenas no que vêem. Então tudo o que existe é algo apenas reservado para o que nossa visão vê? Acho que é uma visão muito limitada das coisas.

Acredito que o Papai Noel seja uma coisa muito louca, uma energia muito forte que nos dá presente muito maiores do que precisamos ou queremos. Não é um presente, dinheiro ou algo assim. O Natal sempre acaba sendo essa data onde pessoas olham umas pras outras muito mais pelo coração do que pelo bolso. Mesmo que seja apenas um dia do ano dentro dos outros trezentos e sessenta e quatro, acho que é mais do que um milagre pra acreditar que ele existe. Isso sim é milagre natalino.

Por essas e outras eu, com vinte e cinco anos, ainda espero um dia desses aí encontrar o verdadeiro Papai Noel. E agradeceria muito a ele!

Feliz Natal! ;)

sábado, 21 de dezembro de 2013

Viva, Países Baixos!!


Ah, que saudades da Holanda! S2

Eu coloquei vários elementos que visitei e curti na minha rápida estadia na Holanda! Coloquei o Spacecake, o bolinho com maconha muito louco, mas eu não provei (sim, eu juro). Acho que o máximo de experiência que eu tive com maconha na Holanda foi estar ao lado de alguém fumando e eu ficar mais doidão que a pessoa só de ter aspirado a fumaça!

(e o Spacecake tá voando! Sacou né? Diz que sim vai! Hahah)

Coloquei a Erasmusbrug, uma ponte famosa de Rotterdam que eu visitei! Ao lado da palavra "Netherlands" tem o queijo, que eu adoro tanto, e até hoje a Holanda é conhecida como país do queijo! Tem o moinho holandês, que são bem presentes lá (mas apenas pra enfeite, no caso!) e o Red Light District (esse, ao contrário da maconha, eu provei muito! hahaha!).

Na divisória pro conteúdo tem as Casas Cubo de Rotterdam, uma obra-prima da arquitetura contemporânea do país. ;)

Viva, Países Baixos!!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Caminhando para igualdade com bom humor.

Ultimamente na web tenho assistido a muitos bons vídeos onde exploram as diferenças entre homens e mulheres. Esses dias estava vendo a IdealTV e vi uma pesquisadora que disse que hoje em dia mulheres lutam muito mais por equanimidade do que por igualdade com os homens.

Basicamente a diferença é que equanimidade leva em consideração que mulheres são diferentes dos homens: não tem a mesma força, nem o cérebro igual, nem hormônios iguais, mas que essas diferenças deveriam ser respeitadas e convividas, e não menosprezadas.

Totalmente diferente das mulheres que queimavam o sutiã no meio do século passado.

E acho que hoje, enfim a semente plantada lá está germinando. E achei bons exemplos no campo do humor. São poucos exemplos, mas isso mostra pra tanto homens quanto mulheres como é estar do outro lado, por exemplo e nos fazem refletir sobre o comportamento, e os limites dele.

Homens e mulheres trocando de comportamentos na relação




Se homens menstruassem




Como homens reagem fazendo sexo

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Saint Seiya e budismo. (2)

Spoilers abaixo!
Depois não me venha com mimimi dizendo que não avisei!

Queria fazer mais um post, relacionado ao Shaka de Virgem, já que ele é a maior referência ao budismo no anime, e falar onde o autor, Masami Kurumada, acertou ou errou. Se você não viu o primeiro, clica aqui fiote.

Antes de falar do anime, quero voltar ao mangá, uma cena que só existe lá (não tem no anime).

Logo depois que o Ikki ganha a armadura de Fênix ele se depara com o Shaka, que foi enviado para a Ilha da Rainha da Morte para dar um safanão no Jango e nos Cavaleiros Negros. Porém Shaka encontra justo o Ikki, que já tinha dado cabo de Jango, e estava acabando de pagar a última prestação da armadura de Fênix.

E aí ele se depara com um maluco vestindo uma armadura dourada, e provavelmente seu primeiro pensamento deve ter sido: FU-DE-U.


Shaka, com toda sua sabedoria, ao ver o Ikki com sua armadura zero quilômetro tira uma com a cara dele chamando o Ikki de macaco de Son Goku (do chinês, Sun Wukong). Mas não é o Goku de Dramongall, e sim o que originou esse, o rei símio Son Goku, da obra folclórica chinesa "Jornada para o Oeste".

É muito extensa, aliás. E sinceramente, tenho preguiça de ler.


Mas basicamente era sobre um macaco que apontava mil e uma confusões e, depois de esgotadas todas as opções pra sossegar o bicho, tiveram que chamar o Buda pra dar um jeito nele.

O macaco tinha super poderes. Pelo conto, ele conseguia com seus saltos percorrer longas distâncias, e aí o Buda chegou no macaco e disse: "Você pode correr, mas jamais poderá escapar de mim. Você é um grão de areia na minha mão".

O macaco, óbvio, duvidou do Buda e quis se mostrar o fodão. Ele percorreu essas longas distâncias com o poder dele e marcou pilares em cada lugar na terra que passava.



Só que depois o macaco se ligou que cada um desses pilares eram apenas OS DEDOS da palma da mão de Buda, e que por mais que ele fosse forte, não passava de um grão de areia na palma da mão do Buda. Enfim ele percebeu que tinha sido preso pelo Buda na palma da mão dele sem perceber, já que essa palma era nada menos que o nosso mundo, com montanhas, rios, etc.

E aí ele ficou preso por séculos vagando pela palma da mão de Buda.

De acordo com a religião budista, faz sentido! Essa resposta veio enquanto eu meditava nesse fim de semana sobre isso. Vou falar das minhas conclusões:

Óbvio que não estamos na palma literalmente de Buda, caso contrário o Buda deveria ser uma espécie de Titã da mitologia grega, um gigante. Mas depois que praticamos o budismo, chegamos a ter momentos de reflexão, e vemos que tudo ao nosso redor é Buda.

Entenda que Shakyamuni atingiu a iluminação há dois mil e quinhentos anos, e essa iluminação não é apenas dicas para nos tornarmos mestres da nossa própria mente, mas o de entendermos que toda aquela compaixão imensa, o jeito bonzinho e amigável do Buda histórico, que ajudou as pessoas de coração, ouvia com carinho e aconselhava é algo que foi passado até os dias de hoje.

O próprio budismo esotérico tem como imagem principal do Buda o Tathagatha Vairochana, o iluminador, que representa esse aspecto do Siddartha Gautama: como um grande sol, presente em tudo, que irradia sua sabedoria para todos os lados e está presente em tudo.

E é claro que isso não é motivo para nós temermos, como se Buda fosse uma velha fofoqueira esperando você fazer besteira pra te dar uma chicotada. Não, jamais! Longe disso. É observando o nosso entorno que vemos a beleza das coisas, a bondade e a imensa compaixão desse carinha chamado Siddartha Gautama que nasceu e deixou ensinamentos há mais de dois mil e quinhentos anos.

E aí, mesmo que em alguns momentos nos sintamos como o Son Goku, como o "rei do universo", nós ficamos humildes em perceber que existe uma força maior que nos guia e protege. Isso é mais real se você pensar que antes do Buda Shakyamuni vieram muitos outros Budas também, mas só ele que deixou o manual de como se chegar lá.


Tem o resto da história também que o Shaka não conta, mas anos depois vagando na palma da mão de Buda, o bodhisattva Avalokiteshvara liberta o macaquinho com a condição que ele ajudasse Xuanzang, então um monge budista, a levar o Ensinamento Budista para a China são e salvo. O macaco aceita e é libertado pra ajudar o monge.

Se o macaquinho existiu ou não são outros quinhentos, mas esse é um contos budistas mais legais e famosos que se tem por aí, sem dúvidas!

Voltando ao mangá:


Aí o Shaka usa o "Om", que é esse "desenho" aí na fala dele.

"Om", sendo direto e claro, é dito no budismo como o "som do universo". Acho que vocês lembram de algum filme/seriado que mostra alguém meditando fazendo um barulho: "Aaaaaaa-uuuuuuhhmmm". Isso é bem anos noventa, mas o povo pensava que era assim, que tinha que fazer o som... Quando o som tem que na verdade estar na sua cabeça!

É uma vocalização budista, é um som que tem poder e mérito por si próprio.

É como o hām do Achala (não é "ham" de presunto!), que também é um golpe do Shaka! Mas o Om é uma liberação de energia, enquanto o hām é o estado de Achala, o imutável e determinado, que no caso de Shaka quando usa esse golpe vira um grande escudo de energia.


Fizeram até um Achala ali do lado, hehe.

Mas tio, o que é o Achala? É o Buda armado com uma espada?

Boa! O Achala é um vidyaraja (nossa, isso ajudou MUITO a entender né?), que pode ser traduzido como rei da sabedoria. Eles não existiram de verdade como pessoas, como o Buda. São como divindades, ou melhor ainda: figuras que representam um aspecto da fé budista. Tipo deus grego, sabe? Afrodite não existiu, mas ela era a encarnação de um aspecto do ser humano, no caso a beleza e o erotismo.

No caso do Achala, ele significa a determinação imutável. Existem outros vidyarajas dentro do budismo, mas o Achala é o principal e mais importante, e super popular no Japão e no Tibet.

No mangá, como a gente pega da versão japonesa, o hām foi transformado em kan. É mais pela fonética da língua presa do japonês, mas o significado místico é o mesmo. É aquele símbolo que está no quadrinho que mostra o rosto do Shaka, logo acima dele:


Bom, falei demais, mas na próxima quero falar do resto dos golpes.

Senão vai ficar duas horas pra carregar as imagens do post, hehe.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Eu e Siddartha. - #2

"Você é um vagabundo! Já pra fora dessa casa, você não mora mais embaixo desse teto!".

Muitas vezes eu pensava que vivi minha infância inteira dentro de uma estufa. Meu pai era um Suddhodana, o pai do Buda Shakyamuni, e me criou trancado em casa para que eu não tivesse contato com o que havia fora de casa. Eu lembro que eu era a única criança da rua que não saía pra brincar na rua. Só aprendi a andar de bicicleta aos quinze anos.

Meu pai tinha medo que eu me envolvesse com más amizades, drogas, ou violência. E como nos finais de semana ele apenas sabia (e até hoje só sabe) dormir, a única diversão que eu tinha era videogame. E doces. O que me fez virar uma criança gorda, sendo alvo de gozações na escola e inclusive dentro de casa, pois meu pai dizia que eu parecia ter "corpo de mulher", e que por causa da gordura estavam nascendo "peitinhos" em mim.

Foi uma criação muito rígida, aquilo parecia compensar o que eu não encontrava lá fora, pois encontrava as punições e frustrações em casa. Uma vez um professor implicou comigo, e isso me resultou uma nota no boletim de 6,5. Foi a gota d'água pro meu pai, que gritou comigo, me ameaçou de todas as maneiras possíveis. Eu chorava, pois eu não tinha culpa daquilo. Jurei aquele segredo da sabotagem do professor dentro de mim, e nunca contei pra eles a verdade - que o professor não foi com a minha cara, e me deu nota baixa.

Quando andava de carro via as coisas pela janela. Via crianças como eu pedindo dinheiro nos semáforos, e não entendia se eu tinha algo de especial pra ter aquela vida confortável que tinha - ao menos mais confortável que a deles. Não me sentia especial.

Uma vez vi a morte. Era meu avô. Acho que a morte a gente só reconhece bem depois, ás vezes é difícil de assimilar que aquela pessoa não vai mais fazer parte das nossas vidas. Eu era criança, estava brincando com meus primos, quando minha avó veio dizer "Alain, o vô Raimundo morreu". Eu já sabia. Eu tinha tido uma premonição daquilo algumas semanas antes, mas não havia falado nada. Numa família cristã, esse tipo de faculdade espiritual é considerado "obra do diabo".

A última coisa que ele queria era que o filho virasse gay. Eu sempre gostei de mulheres, mas como eu era muito nerd e desmotivado, meu primeiro beijo foi apenas com quinze anos - e eu sendo de uma geração onde todos haviam dado seu primeiro beijo com sete, oito anos no máximo. Tive alguns amigos que eram estranhos como definia meu pai. Tinham um jeito afeminado, mas todos ele me proibia de conversar. Perdi muitas amizades pois ele pensava que eu poderia me "apaixonar" por eles. Ora bolas! Eu gostava de meninas! E nenhum deles era gay. Éramos crianças, crianças tem um jeito delicado, e nem por isso se tornariam gays no futuro.

Eu era o herdeiro. Não do reino dos Shakyas, mas de um mito que se chamava "meu pai". Diz a lenda que ele namorava todas as meninas bonitas da escola, beijava quem aparecia na frente, a menina só tinha que abaixar pra mijar. Conheceu a bebida com quatorze anos, e até hoje bebe muito. Era o melhor nos esportes, o melhor goleiro da escola e um grande jogador de vôlei. E eu? Mal sabia chutar uma bola. Era o melhor nos estudos, somente tirava notas boas e dizem que nunca tirou uma nota ruim. E quando eu falhava na escola, significava que eu só fazia uma coisa na vida, estudar, e ainda assim não fazia direito, o que só provava que eu era um perdedor na visão dele.

Queria que eu me tornasse engenheiro. Esse era o sonho dele. Mas eu não queria. Dizia que vivíamos uma vida de luxo, que fui criado com leite com pêra e que nunca havia conhecido as desgraças do mundo depois do portão de casa. Que não teria como pagar as regalias. E eu? Tentava viver uma vida simples. Não via toda aquela suntuosidade como algo necessário pra minha vida, queria uma vida simples e feliz, com pouco mas tranquila. Eu não queria continuar na empresa que ele trabalhava e aquele estilo de vida eu inconscientemente negava, e dizia pra mim mesmo que aquilo era muito desnecessário.

Via meu pai afogado num mar de dívidas, onde o único culpado era eu de ter nascido, pelas próprias palavras dele.

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Eu entendo o pai do Siddartha. Ser um aristocrata, ter um povoado e ter medo de perder seu herdeiro caso ele "conhecesse o mundo". Acho nem tanto o fato do Siddartha virar um sábio ao encontrar o sofrimento, mas por preservação dele mesmo. E se acontecesse alguma coisa?

E não apenas isso, o fato do Siddartha ter vivido a vida inteira num palácio, sem nunca ter visto a vida como ela era, era também sinônimo de falta de experiência. Um rapaz até aquele momento protegido de tudo.

Se tornar um religioso o deixaria sem saber em quem confiar o reino depois. Não havia opção, ele devia seguir os passos do pai e cumprir seu destino. Siddartha, "aquele que cumpre o seu destino". Acho que é por isso que eu via inspiração na vida do Buda antes de entrar no caminho religioso. E essa odisséia me inspirava já naquela época, quando tive o primeiro contato com ele, aos quinze anos.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Porque eu gosto de editar vídeos?

Isso não é propaganda, e nem a Apple está me pagando pra postar isso. E, sinceramente, não sou grande fã da Apple, ainda mais depois que de o problema na capa traseira do meu MacBook White.

Mas não posso descontar minha raiva e dizer que nada presta. Presta sim! Gosto muito do iMovie. Não é uma baita ferramenta com trilhões de recursos, mas a interface dele é muito, muito simples. Lembro de um amigo jornalista que dizia que o maior saco era editar filmes. Ele usava o FinalCut, um programa profissional da Apple.

iMovie engana bem! Acho que mesmo se editassem um vídeo jornalístico nele eu não saberia reconhecer a diferença.

Algumas belezinhas feitas no iMovie:




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Até mais, Madiba!

Eu lembro que em meados de julho disseram que o estado Mandela era grave. E semana passada ele faleceu.

É verdade que tivemos muitos grandes negros no século XX. Se por um lado tínhamos Martin Luther King Jr nos Estados Unidos que, embora tenha sido um país que boicotou o apartheid, tivesse uma política de racismo tão forte quanto, o mundo precisava de alguém que lutasse por isso no continente africano.


Uma coisa que achei engraçado quando visitei os Estados Unidos é que não existe mistura de etnias. Brancos casam com brancos e negros com negros. Não é como aqui no Brasil, onde é tudo bem misturado e isso é cultural nosso.

Vendo por um lado parece que tudo parecia destino mesmo. Se de um lado Mandela em algum momento provocou a revolta e até mesmo foi atrás de um preparo militar para depor o governo, foi justamente quando ele foi preso por mais de duas décadas que ele viu que o caminho era a não-violência. Ás vezes fico imaginando "e se ele não tivesse sido preso?". Muito provavelmente nem chegar aos noventa e cinco ele chegaria.

Claro que teve um lado político e econômico. O apartheid era lei de segregação. Países não compravam produtos da Africa do Sul, ou não participavam de competições esportivas contra a África do Sul. E isso resultou na pobreza, que afetou não apenas os negros, mas os brancos também. E quando pesou no bolso, os brancos tiveram que pensar duas vezes.

O racismo já é algo sem essa formalidade da lei: pela lei somos todos iguais, mas na prática não é bem assim que funciona, especialmente quando falamos de salários ou oportunidades. Racismo está presente em todos os lugares, e isso é bem triste, porque é tão duro e desumano quanto uma lei de apartheid.


Mas o apartheid caiu, a Africa do Sul elegeu democraticamente Mandela e agora caminha para aos poucos fazer justiça social. Óbvio que a molecada pobre de Soweto ainda está lá, na miséria. Mas o maior legado é esse: mesmo que seja apenas uma semente da união étnica, mas que ela cresça no futuro e se torne aquilo que o Mandela sempre quis: igualdade entre negros e brancos.

Que ambos tenham responsabilidade, que ambos tenham garra de correr atrás de um estudo, de uma oportunidade e de melhoria de vida.

E que cenas bonitas como essas de brancos e negros juntos continuem existindo não apenas na África do Sul, mas no mundo. Apesar de todas as dificuldades econômicas, ao ver cenas como as dessas fotos, justo no funeral do Mandela, a gente fica orgulhoso pela Africa do Sul, não é mesmo? =)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Chicago 2013 - Trivia

Quando desembarquei no O'Hare, temos que passar por duas seguranças. Na primeira foi tranquila (mesmo que, nosso vôo tivesse chegado ás 5h lá e só fôssemos atendidos depois das 8h! Três horas na fila! Já estava sem assunto pra falar com a Dê), mas na segunda triagem da segurança um carinha perguntou o que eu ia fazer nos EUA e eu disse que tinha ido pra um fórum budista. Porém, eu pronunciei errado, falei o "u" de "buddhism" como o "u" de "butt". Resumindo, eu disse que tinha ido pra um fórum BUNDISTA (I came for a butt-ist forum). Nem preciso dizer que o guardinha me perguntou o que era esse tal de "bundismo".

Duas músicas não paravam de tocar na minha cabeça. A primeira era Back for good, do Take That. A segunda, não me perguntem porquê, mas era Let me sing my rock 'n roll, do Raul Seixas.

Todos os dias fizeram sol! Acho que fomos muito bem agraciados pelos budas. E a previsão de chuva veio só na quinta-feira - quando estávamos voltando pro Brasil

Na primeira viagem de metrô, apareceu um negão típico americano. Ele estava ouvindo uma música com diversos motherfucka, que era a única coisa que eu entendia. O cara tava tão viajado na música, e cantando tão alto aqueles mothafucka que senti como se estivesse no Brasil, e alguém entrasse tocando funk no ônibus.

Não teve lugar em que me senti mais pequeno como quando desembarquei no meio do loop na Chicago Union Station. Sério, a gente não tem noção do que é prédio alto quando vê um.

Chicago parece uma cidade com muitos asiáticos. Em todo lugar vê-se um par de olhos puxados! E a Chinatown não é tão legal.

Nova York pode ser a cidade que não dorme, mas Chicago dorme sim. É bizarro você andar no centro, especialmente na região do Loop, num dia de semana ás 21h. Não tem uma alma na rua.

Um dia estava bem quente e fomos para a fonte de água em Buckingham Garden. O jato é muito alto, e faz uma névoa refrescante (especialmente porque estava um forno). Mas justo quando eu queria dar uma refrescada o jato ficou baixinho e não deu.

Elk Grove Village só tem gente gorda. Mas eu não estou falando do que é considerado "gordo" no Brasil. É bizarro você andar numa cidade onde todo mundo é maior que o padrão Fat Family.

O preço das coisas tamanho "super" são ridiculamente baratos. Vou dar um exemplo: digamos que uma copo de coca custe US$1,20. Tem o tamanho médio, grande, extra-grande e o super. O mais bizarro é que o "super" custa US$1,60. Como alguém vai em sã consciência comprar o tamanho pequeno se o super tem esse preço barato?

Quase morri do coração ao andar numa roda gigante no Navy Pier. E o pior era a Denichan sem saber o que fazer com um marmanjo do dobro do tamanho dela com pavor de altura perdendo o ar enquanto a roda gigante subia.

Fomos num bar famoso de blues ali na região do Lincoln Park. Tomei um susto quando a segunda banda tocava e subiu um baita dum negão enorme e pegou a guitarra do cara da banda. Parecia que era parte do show, porque ele parecia mostrar algo como "quem toca bem aqui sou eu. Fuck off!".

Nos perdemos várias vezes. Mas a mais emocionante foi se perder à noite num bairro de classe média de Chicago. Sabe aquele sentimento em andar em rua escura com pessoas à espreita te olhando só pra dar o bote? A gente se sente como em São Paulo nessas horas.

Eu nunca tinha andado de barco. Achei o máximo!

Se fala que brasileiro é viciado em futebol, americano é doente por baseball. Tem até uns programas no estilo do Neto que passam durante o dia.

Se você ri da Dira Paes fazendo comercial da Activia é porque você não viu a Jamie Lee Curtis te vendendo iogurte pra cagar.

Ou pior ainda, o Shaquille O'Neal te vendendo um carro.

Programas policiais fazem muito sucesso. E sim, os Estados Unidos é um país tão violento quanto o Brasil. Eu vi um programa no hotel de um cara que tinha matado a namorada, pegado o corpo, enterrado, enfim. Coisa de goleiro Bruno.

Eu só comi besteira. Mas um que eu sinto falta foi um hotdog que comi lá em Elk Grove, numa dessas lanchonetes que parecem o Applebee's. Tinha até um Jukebox, e muitas, muitas, muitas coisas de baseball. Tinha um molho de queijo que eu peguei da Dê que era excelente!

Acho que só eu reparei nisso, mas o céu não era azulão como aqui do Brasil. Era um azul mais claro, puxando pro branco. E não tinha uma nuvem no céu!

Na segurança na hora de voltar a gente tem que tirar até o sapato e passar nosso corpinho num scanner de raios-x. O scanner raio-x, ok, tinha um no Schiphol em Amsterdam, mas o do sapato é porque um desses terroristas com muita esfirra e pouco cérebro foi inventar de levar algo cortante dentro do sapato e adicionou mais uma neura na segurança americana.

Se eu tenho medo de roda gigante, nem preciso dizer que tremi ao andar no Skydeck na Willis Tower. Aliás, subir um elevador que passa dos cem andares é garantia de seu ouvido tampar. Umas vinte vezes. É ruim demais!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Doppelgänger - #9 - Despertar.

Nezha estava preso em algo escuro. Não conseguia abrir os olhos, nem se mexer.

Mas ele conseguia sentir algo no seu corpo. Mesmo que inconscientemente.

Seres humanos sonham em preto e branco. E ele via várias pessoas em rápidos flashes embaçados.

E de novo, aquela japonesa.

Mas onde ele tinha parado mesmo? Ele estava seguindo uma mulher dentro do complexo presidiário, é mesmo!

Porém, ele não se lembra de nada depois daquilo. E mesmo agora, não entendia o que era aquilo, ou onde ele estava.

- - - - - - - - - -

Uma luz forte estava incidindo sobre seu rosto. Nezha estava deitado numa cama hospitalar, semi-inclinada. Ao seu redor via o que parecia ser uma enfermaria. Seus braços estavam atados à cama. Sua cabeça ainda estava demorando pra entender o que estava acontecendo.

Momentos atrás ele estava correndo atrás de uma mulher que ele parecia conhecer.

E agora estava ali.

Nezha fez um esforço com seus braços, e conseguiu livrar seu braço esquerdo. Foi aí que ele percebeu que estava completamente nu, e uma atadura imensa na área do abdome. Um bilhete estava ao lado da sua cama. Dizia para não mexer na atadura.

Com certeza haviam mexido no corpo dele. Mas ele não se lembrava de nada. Nem mesmo sentia dor.

Nessa hora um guarda entrou na sala, e Nezha correu pra se esconder embaixo da cama.

"Ei garoto, você está bem?", era Alexei.

"Alexei. O que diabos aconteceu?".

"Garoto, eu disse pra você. A partir do momento que você passou daquele túnel você está entrando num mundo diferente de lá fora. Mas eu já estou começando a entender o que está acontecendo", disse Alexei.

"Hã? Como assim? Claro que isso é o mundo real, e isso é apenas uma missão!", disse Nezha.

"É uma missão. Mas você deve se despir de todo preconceito. A partir do momento que você pensar que algo não existe, ou que algo é impossível, é quando você cairá na armadilha deles. Por isso, abra os olhos".

"Alexei... Eu não estou entendendo mais nada! O que diabos tem essa pessoa que eu tenho que resgatar aqui? Estou começando a suspeitar que ela nem mesmo exista!", disse Nezha, revoltado.

Nessa hora Alexei se levantou. E com sua mão, desferiu um soco na cara de Nezha, que caiu no chão e olhou pra Alexei com uma cara de quem não estava entendendo nada.

"Isso talvez te mostre que isso tudo não é um sonho...", disse Nezha.

Nezha continuava mudo.

"Escute, garoto. Você não achou estranho que em uma prisão de segurança máxima não tenha quase nenhum guarda andando, todas as câmeras estejam desligadas e a os prisioneiros imersos num imenso sono?".

O jovem Nezha começou a ligar os pontos. Aquilo era estranho mesmo.

"Coloque suas roupas. Como eu disse, os noBODIES entraram. Um deles é um psíquico, extremamente forte em telecinese. Foi ele que fez a armadilha e te colocaram aqui. Provavelmente estavam procurando algo dentro de você, mas não encontraram".

Nezha ficou pálido. Ele ainda não tinha tomado ar pra falar nada desde que tomara aquele soco. Parecia que estava acontecendo um imenso choque de realidade e que agora era o momento de despertar.

"Aqui está o cartão magnético que eu tinha te dado pra acessar o subsolo 1. Vamos nos falando via rádio. Eu registrei a frequência de uma parceira minha".

Os dois entraram na comunicação via rádio, em grupo:

"Nezha, essa é minha parceira. O nome dela é Victoire", disse Alexei.

"Victoire?! Como assim?!", disse Nezha, abismado.

"Olá Nezha, prazer em conhecê-lo", disse Victoire, via rádio.

"Victoire vai te ajudar depois que você entrar no subsolo. Por favor, confie nela".

Alexei saiu da sala. Nezha viu o número de conexão de Victoire. Agora sim que aquilo tudo fazia menos sentido ainda pra ele.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Religiões híbridas.

Não gosto muito de usar esse termo do título, mas vamos lá.

Esses dias estava estudando budismo, e vi que bodhisattvas são de conceitos diferentes nas correntes budistas Mahayana e Theravada. Na Theravada dizem que todos nós nos tornamos bodhisattvas a partir do momento em que buscamos a nossa própria libertação espiritual. Já na corrente mahayana, ser um bodhisattva é usar sua capacidade para ajudar os outros a se libertarem - e assim, você se liberta também.

Muita gente critica religiões, dizendo que usam histórias que existem em outras crenças, dizendo que é ruim que seja assim, pois mostra que todas têm a mesma origem pagã/primitiva.

Vamos lá então! Vou tentar desenhar meu pensamento aqui. Vamos começar pelos gregos. Como eu sou um cavaleiro de bronze de pégaso, quero começar da minha amada deusa Saori Kido Athena:

Athena para os gregos, mal traduzido como deusa da guerra (que não tem nada a ver) é a deusa da sabedoria e artes (τέχνες). Usei o termo grego téchnes, que virou o nosso arte pois engloba muito mais. A técnica é a mãe da arte, e não o inverso como a Revolução Industrial nos fez pensar.

Sarasvati para os hindus, também deusa da sabedoria e das artes, mais tarde representada no panteão japonês como Benzaiten. Uma deusa hindú (ela era esposa do se o bar é bom o chopp é Brahma) que, como podem ver, tem a mesma função da Athena.

Bom, são bem similares embora na prática sejam a mesma coisa. A questão acima que eu tinha levantado não é descobrir quem é o certo, quem é o errado, ou se os indianos vieram primeiro, nem nada do gênero, pois muitas vezes a crítica das pessoas é que religiões são vazias por uma serem a cópia da outra.

Mas será que estamos falando de cópia mesmo? E se for, é necessariamente ruim?

Figuras religiosas são criadas como uma espécie de avatares não apenas do comportamento humano, mas protetoras de uma certa causa. Athena, por exemplo, era reverenciada pelos gregos pois havia a crença de que ela os levaria à vitória em guerras. Curiosamente ou não, de acordo com as epopeias de Platão, Athena estava do lado dos gregos e Apollo dos troianos, e todos nós sabemos do resultado dessa guerra (CHUPA TRÓIA!!).

O que mudam são os nomes.

Acredito que esses deuses são na verdade grandes energias. Energias fortes que protegem a gente mesmo. Os nomes cada região dá um diferente. Ouvi falar por aí que Athena apareceria até mesmo no cristianismo, sob a forma do arcanjo Gabriel, que curiosamente, é um dos anjos que mais ajudam Deus e aparece em diversos momentos cruciais bíblicos.

Talvez a mitologia grega tenha criado todo o esquema do Monte Olimpo para nos distanciar dos deuses. E por muito tempo seres humanos continuam acreditando que esses deuses não estariam acessíveis. Mas existir uma entidade, que auxilia as pessoas por meio da sabedoria, das artes, muito parecidas em substância como Athena, Sarasvati e o Gabriel só me leva a crer que todos nós sempre acreditamos no mesmo ser, só demos nomes diferentes pra eles.

E isso não é ruim! Isso é algo muito forte que liga todas as religiões do mundo numa só, exatamente como sempre pensei: no mundo espiritual não existem barreiras. As barreiras são materiais como as que nós mesmos criamos. Espiritualmente não existem. =)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A direita no Brasil vista de longe.

Quando estava em Chicago, tive que pegar um trem pra ir de Elk Grove Village até o centro de Chicago. No caminho sentei ao lado de uma família canadense, que estava aproveitando um fim de semana em terras ianques.

Ele começou comentando que o Brasil é um país que está crescendo muito nos últimos anos, e eu confirmei isso, dizendo que de fato pessoas na miséria hoje possuem mais poder aquisitivo.

O canadense manjava bastante. Ele sabia até que o nome da nossa presidente era Dilma. E aí ele fez o seguinte comentário:

"She's left wing, right?" (Ela é de esquerda, né?)

Uau! O cara era informado. Ao contrário da maioria dos anglo-saxões que pensavam que no Brasil se falava espanhol (não, eu não falo ¡Hola! ¿Qué tal?).

Comentei com ele que o Brasil só tinha partidos de esquerda. Ele ficou abismado. Perguntou porque a direita do Brasil era tão fraca, e eu disse que acredito que era muito pela herança da ditadura militar, que demonizou a "direita" no país, e que a oposição do governo era de centro-esquerda, nem mesmo ela se aceitava ser classificada como direita.

Mas é muito pensamento do Brasil mesmo. Embora a direita tinha produzido políticos péssimos como George W. Bush ou Herbert Hoover, ela produziu outros excelentes como o Lincoln e até o Martin Luther King Jr.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Doppelgänger - #8 - untitled.

O coração de Nezha ainda batia forte. Aquela cena forte ainda estava na sua mente.

Ele foi se dirigindo para a porta que o levaria para o subsolo. Não havia nenhum guarda no local, aquilo parecia algo muito estranho ainda. As celas estavam aparentemente vazias, e as poucas que haviam os presos solitários, os mesmos pareciam dormir num sono profundo.

Ao longe, viu a porta em que devia entrar. De lá, viu uma mulher saindo. Estava com roupas normais, e parecia se dirigir a uma escada. Nezha, ao invés de continuar sua missão, descer ao encontro da pessoa a ser resgatada, só parecia ter olhos para ela. E foi seguindo ela, subindo escadas, atravessando corredores. Ela parecia deixar todas as portas abertas, e todas elas ele ia ultrapassando.

De fato, uma mulher daquelas pareca ser algo muito suspeito num local como aquele.

O último corredor estava meio numa penumbra. Dele, via-se janelas que davam para visualizar todo o presídio. Mesmo assim, ela continuava andando, ereta, em frente. Nezha se agachou para passar desapercebido entre as janelas e entrou na última porta. Era a sala do diretor.

Móveis de madeira, carpete vermelho, luminárias. Aquilo parecia muito pomposo para o diretor do presídio de segurança máxima número um dos Países Baixos. Copos meio-vazios na mesa, servidos com whisky, e muitos livros. Nezha parecia dominado por uma grande tontura.

E naquele momento ele olhou pra frente. E viu a pessoa. Uma donzela oriental, de cabelo curto estilo Chanel, uma saia preta, cinto na cintura fina e uma blusa branca com um leve decote. Muito bem maquiada, era uma mulher lindíssima.

Nezha a olhava, e pensava: Eu te conheço de algum lugar. Aquilo não era um ensaio mental de uma cantada. De fato, aquele rosto lhe era familiar. E ela estava ali, na frente, olhando com os olhos negros e penetrantes para ele.

"Há quanto tempo, meu amor", a mulher disse.

"Você... Você me conhece?".

Ela sorriu e jogou seu cabelo com a mão. Deu um sorriso e se aproximou de Nezha, que com o corpo rígido, parecia não entender nada do que acontecia lá.

"Vamos fugir daqui, querido. Não acredito que você não lembra de mim! Eles devem ter feito algo com você", disse a asiática.

"Não, calma. Eu sei que seu rosto me é familiar de algum lugar, e sinceramente eu não lembro. Mas talvez eu esteja confundindo você. Preciso voltar, tenho uma missão", e Nezha se virou.

Nessa hora a mulher agarrou o braço dele. Nezha ficou parado.

"Lucca, meu amor. Eu te esperei por tantos anos. Como você ainda tem a capacidade de virar e sair andando".

Nezha parou naquele momento. Que nome era aquele? Sem dúvida ela estava confundindo. Mas aquela voz, e ela chamando-o daquele jeito parecia algo muito, muito familiar, como se eles se conhecessem e tivessem vivido algo. Era algo extremamente familiar aquela mulher, falando aquele nome, mas ele não se lembrava. De nada. Ele não sabia o que fazer. Estava paralisado.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Roughs - Chibi #1

Rascunhos que fiz de meninas em formato de mangá como se fossem criancinhas, caricatas, com cabeção e tudo. São desenhos de personagens infantis, algumas inclusive são caricaturas de amigas de verdade que curtem mangá e coisas do gênero! ;)

"Chibi" é em japonês "baixinho". É issaê, já sei que quando a Xuxa lançar o DVD dela em terras nipônicas ele se chamará "Xuxa só para chibi"!









segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Eu e Siddartha. - #1

No fundo, eu sempre lutei pela vida.

Meus pais dizem que tentaram várias vezes engravidar. Sim, porque o homem acaba engravidando junto com a mulher também. Eram um casal jovem, vivendo ainda na casa da minha avó. Mas estava demorando, e eles já estavam casados há dois anos.

Parece que eles receberam uma visita de uma pessoa, que vou chamar aqui de "oráculo", porque não posso dar muitos detalhes assim publicamente. Mas existiu. E essa mulher parecia não ter nada, sequer documentos. Diziam ser uma mulher negra, que a minha tia, irmã mais velha da minha mãe, tinha achado na rua. Ela viveu alguns meses na casa da minha avó.

Dizem que essa mulher ensinou a família da minha mãe o caminho de Deus. Isso em uma família de retirantes que tinham uma crença firme católica. Eu estava na barriga da minha mãe, que fumava muito. Ela vivia alertando minha mãe para que parasse de fumar, e de fato, ainda na barriga da minha mãe tive que lutar pela vida, pois acredito que depois de tanto tabaco, a bolsa acabou estourando com todo o líquido amniótico, me deixando lá no útero, seco, e mais morto do que vivo.

Minha mãe tinha um enxoval imenso pra mim. Ela prometeu que, se eu nascesse vivo, ela doaria todo aquele enxoval pra alguém necessitado. Dizem que era um enxoval bem bonito. Fui pro hospital, com 24 horas praticamente seco e depois de uma cesariana eu nasci. Minha mãe sofria, chorava, se sentia sozinha naquele hospital com tanta gente desconhecida. Temeu sua morte mas acima de tudo a minha. Mas ainda assim nasci, um bebêzão grande e saudável.

Minha avó diz que quando eu nasci aconteceram vários milagres. Ela parou de fumar e se batizou dias depois, levando toda minha família materna junto. Penso que isso foi necessário para ter raízes espirituais mais fortes, mesmo que eu tenha virado budista.

Pouco depois que nasci, essa mulher oráculo disse que precisava ir pra rodoviária para ir embora. E deixou com minha avó muitas previsões do que aconteceria nos anos seguintes. Parece que havia uma previsão de algo, pelas palavras da minha avó, "grandes" para mim. Que eu não seria apenas o primeiro neto, mas que havia uma grande missão pra mim que até hoje eu não sei - minha avó diz que esses segredos que Deus provém, não se pode contar, senão Satanás distorce.

Só sei que minha avó ainda hoje quando me olha dá uma risadinha, como se soubesse de algo que eu não sei. =)

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Uma vez meditando esse ano fiquei pensando. A rainha Maya, mãe do Buda Shakyamuni, sofreu muito para fazer seu filho nascer. E dias depois, ela não aguentou e faleceu, deixando pra sua tia, Pajapati, criá-lo. Mas eu acho que o pequeno Siddartha deve em muitos momentos ter sentido a falta da sua mãe. Sinceramente, acho que ele pensou isso quando sentou embaixo da árvore Bodhi para meditar para alcançar a iluminação, algo como "E minha pobre mãe, que mal a conheci, que me trouxe ao mundo com todo o carinho e me deixou aqui? Tenho saudades, sinto falta do carinho dela".

Dizem que os budas passam por sofrimentos para que nós não passemos por eles. Eles fazem isso pela mais pura e simples compaixão. Perder a mãe ou perder o filho é algo muito triste, só quem passou isso sabe. Por isso hoje em dia, volta e meia penso no quanto o pobre Siddartha deve ter sofrido.

Nessas horas olho pra minha mãe e agradeço do fundo do coração por ela estar comigo viva e boa até hoje.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Saint Seiya e budismo.

SPOILERS ABAIXO!
Se você não viu ainda a Saga de Hades, não leia! 
Depois não diga que eu não avisei!

Eu estava mandando pra uma amiga os episódios de Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco) e lembrei disso aqui:


Na época que eu assisti a Saga de Hades eu já era simpatizante do budismo. Mas hoje, eu sou budista. E posso dizer baseado no pouco do que eu sei quais os elementos que o Kurumada (autor da série) usou para fazer esse capítulo da morte do Shaka de Virgem.

Pra quem não se lembra, o Shaka é dito no anime como a reencarnação de Buda, o homem mais próximo de deus. Porém, mesmo isso que parece óbvio dentro da crença budista (que nós renascemos), é algo meio controverso dentro do budismo. Isso tudo por um fator simples: Se você alcança a budeidade, você sai do ciclo de transmigração (o Samsara), já que você não tem que voltar na terra pra arrumar seus karmas, você vira uma presença eterna. É assim com o Buda histórico, e com os que alcançaram o nirvana antes e depois.

Elementos budistas


Uma parte que eu acho muito legal é quando o Shaka decide que vai morrer, e leva o trio de "traidores" para o Jardim das Salas (nome científico da Shorea robusta) Gêmeas. Em algumas tradições budistas é dita que o Buda nasceu e morreu nessa árvore. Não confundir com a árvore bodhi (Ficus Religiosa), que é onde ele alcançou a iluminação.

Saga se surpreende em ver que o Shaka tinha um jardim tão grande, e eles começam o quebra-pau. Shaka vê que o jeito é lutar sério, e aí ele abre os olhos pra aplicar o temível Tenbu Horin (天舞宝輪), sua técnica mais forte.

O golpe consiste em eliminar os cinco sentidos do condenado, deixando ele num estado vegetativo. Os sentidos no budismo tem um outro sentido, talvez pelo desuso que se teve dessa palavra, perdeu significados. Um significado é consciência. Exemplo: visão, seria consiciência da vista. E por aí vai.

Por isso que no budismo existem o sexto (intuição), o sétimo é a consciência mana, e no anime é o cosmo. A consciência mana é difícil de botar em palavra, mas se refere ao ego, a capacidade de pensar para si mesmo. Dizem que é muito ligado ao instinto de sobrevivência do ser humano, quando ele põe suas vontades acima da do próximo. Talvez seja por isso que eles falam tanto em "queimar o cosmo" no anime, que é basicamente você ter mais força interna para derrotar o seu adversário. Queimar o sétimo sentido!

Vou falar mais pra frente do oitavo sentido. Mas antes, queria dizer que o Tenbu Horin ás vezes parece uma punição forte pra pessoa para que ela desencarne e encontre a compaixão dos Budas. Claro que pro Shaka, sendo a reencarnação de Buda, isso é um bocado radical. Pois o próprio Buda ensinou para nós alcançarmos esse estado de plenitude em vida - e não quando passássemos dessa para uma melhor. E com todos nossos sentidos funcionando, de preferência, não como um morto vivo sem visão, olfato, tato, audição, etc.


O tio Kurumada (autor) pesquisou bem! 108 contas do rosário, corresponde ao 108 pecados no budismo, e também os 108 espectros de Hades. Uma pena que o rosário some depois da morte do Shaka, e só voltando a dar as caras quando o Ikki vai saltar pro Elíseos, quando ele mata os últimos espectros que faltavam. Mas é um elemento bem pesquisado. Ponto pro Kurumada.


A mandala! Quando Shaka sempre vai dar o Tenbu Horin aparece esse treco como fundo. Acho que o Kurumada se inspirou nas mandalas esotéricas do Mundo da Matriz e do Mundo do Diamante. Mas porque aparece? O que ela significa?

O treinamento esotérico é fechadíssimo, e pouquíssimas coisas nós sabemos. A mandala é um elemento do budismo esotérico, que é muito popular no Japão. Não sabemos o significado, exceto se um de nós fôssemos lá no pro Monte Kouya, ou o Daigoji e nos ordenássemos monges e mesmo assim teríamos que ficar de bico fechado. Mesmo assim, não teria como passar pros outros, exceto quem se ordenasse também e fizesse o mesmo voto de proteger os segredos.

Dizem que a pessoa que entra num treinamento esotérico tem que, com os olhos vendados, lançar uma flor de lótus sobre uma mandala dessas grandona no chão, e onde a flor caísse, de lá iniciasse o seu treinamento. A ideia deve ser tornar-se uno com todos os guardiões do dharma, bodhisattvas, vidyarajas presentes na mandala. E como vocês podem ver, não são poucos:


Como as pessoas usam o termo de "mundo do diamante" e "mundo do útero", as pessoas pensam que se trata de um mundo físico mesmo. Eu tenho algumas teorias sobre isso, mas se eu ficar deduzindo aqui, vai acabar confundindo a cabeça de vocês.

A passagem do Shaka
Dizem que quando o Buda faleceu, o mundo inteiro apareceu para encontrá-lo. Desde demônios, as montanhas, os seres celestiais e claro, seus aprendizes, todos estavam engolidos por uma tremenda tristeza. E, embora até esse momento, Seiya e os outros defecassem e andassem pelo Shaka, todos começam um chororô imenso, liderados pelo Mu de Áries.


Ninguém chorou pelo Aldebaran, que morreu episódios atrás. EU CHOREI PORQUE ELE É O ÚNICO CAVALEIRO BRASILEIRO!! Mas agora que o Brasil é um país desenvolvido, queria só ver! Todo mundo babando ovo e vindo pedir dinheiro pra gente.

Logo após isso começa um flashback, do Baby Shaka sentado meditando, e um Buda imenso em pé tendo altos papos com ele. Nele, o Shaka diz que viu vários corpos no Ganges, e que não entende como num país tão pobre as pessoas possam ser felizes mesmo com tantas dificuldades.


Segue o diálogo:

Parece que só nascemos para sofrer e nos lamentar. As pessoas vivem no meio de desgraças.

Shaka, isso te deixa triste? 

É claro, quem quer uma vida apenas de tristezas?

Você está enganado. Onde há tristeza há alegria. E o contrário também é verdade. Lindas flores nascem, mas eventualmente morrem. Tudo nesse mundo está eme eterna mudança, sempre em movimento, nunca é igual, tudo muda, e a vida do homem também é assim.

Mas se o nosso fim, a mote é inevitável, então talvez é a tristeza que reina nas nossas vidas. Mesmo quando superamos os sofrimentos, mesmo que busquemos o amor e a felicidade, no fim é a morte que transforma tudo em nada. Não entendo, porque os homens nascem nesse mundo, se é impossível desafiar algo tão completo e eterno quanto a morte.

Shaka, parece que você esqueceu. A morte é...

[ATHENA EXCLAMATION!!!]

...A morte não é o fim de tudo. A morte não é nada mais do que outra transformação.

Falar da morte do Buda é muito complexo. Existem duas escrituras canônicas sobre a morte do Buda, uma do budismo Theravada, o Sutra Mahaparinibbana, e o do budismo Mahayana, o Sutra Mahaparinirvana, ou simplesmente Sutra do Nirvana.

Existem diferenças sutis entre ambos. Se eu for falar aqui, vou ficar duas horas. Mas em uma coisa os dois são iguais: são IMENSOS e muito DENSOS. Mesmo quem se ordena monge dificilmente os estuda com afinco. A compilação Mahayana são de mais de trinta volumes de pergaminhos. Nem mesmo quando o Buda alcançou o Nirvana aos 30 ele tinha passado tantos ensinamentos.

E o Buda fala de diversos, diversos, diversos assuntos. Claro que é impossível pra uma pessoa falar tudo aquilo prestes a morrer, provavelmente foi compilado junto com ensinamentos que ele deu durante os cinquenta anos que ele pregou lá nas quebradas da Índia.

O Kurumada provavelmente pegou os trechos finais do Sutra do Nirvana pra falar sobre. Especialmente sobre seu discurso sobre a impermanência. O Buda no final da vida fala sobre essa ânsia que as pessoas têm de que a vida nossa não tenha desgraças, que acabamos nos estressando com um copo fora de lugar, ou algo bobo e criamos redemoinhos em copo d'água.

O sofrimento é essa vontade de que nada mude. Se nós entendermos que tudo a nossa volta está em transformação, e ao invés de tentarmos manter as coisas como eram antes e encararmos de frente e nós mesmos nos recriarmos a cada momento que seria o ideal. Você é o único responsável pela sua paz de espírito. Você não pode espantar as nuvens quando começa a chover, mas pode abrir um guarda-chuva e se adaptar à situação. E era isso que o baby Shaka não entendia. A vida é transformação, todo mundo está sujeito à morte. É tudo um ciclo, você morre e eventualmente volta daqui a pouco, tudo é transitório.

Tem a parte que ele conclui tudo, a partir dos 4m37s do próximo episódio:



Shaka, shaka!

Não se esqueça, a morte não é fim de tudo. Todos aqueles que nasceram nessa terra mas que depois foram chamados de homens santos conseguiram superar a morte.

Shaka, você se iluminar com essa verdade certamente você em sua agonia mortal se transformará num homem mais próximo de ser um deus.

Ah-há! Mais uma falta de pesquisa do Mr Kurumada. Mas não vou criticar ele, porque provavelmente ele não deve ter pesquisado tanto. Se estamos falando da morte do Shaka, nada melhor que usar ensinamentos do momento que o Buda morreu, não?

É verdade que os ensinamentos budistas, especialmente os Mahayanas, tratam muito de que a iluminação só é alcançada depois da morte. Mas no Sutra do Nirvana, o Buda diz que também é possível alcançar um estado de iluminação em vida. E não apenas isso, como dizem alguns pesquisadores e teólogos budistas que eu já li, um fator que difere muito é o conceito de "eu verdadeiro", sem se relacionar ao "ego" que todos nós temos. Mas isso é muito elaborado pra explicar (e nem eu entendi esse parágrafo que escrevi agora).


E aí aparece o Shaka assombração aparece pela última vez, para mandar um último salve pra galera:

As flores brotam e morrem.

As estrelas brilham, mas um dia se apagarão. Tudo morre.

A terra, o sol, a via láctea e ate mesmo todo esse universo, não é exceção.

Comparado a isso, a vida do homem é tão breve quanto o piscar dos olhos. 

Nesse curto instante homens nascem, riem, choram, lutam, sofrem, festejam, lamentam, odeiam pessoas e amam outras, tudo é transitório.

E em seguida, todos caem num sono eterno chamado morte. 

Muito bom! Ponto pro Kurumada.

Parece que ele copiou quase as falas do próprio Buda Shakyamuni. As pausas todas é pra mostrar e destacar a conclusão de tudo: é tudo transitório. Eu não acho que devo explicar muito, as falas dizem por si só. E, de bônus, ele manda um recadinho pra peituda Saori Kido, a deusa Athena:


No seriado existe o Arayashiki. E no budismo também. Mas aqui a confusão é tão grande que... tem que desenhar pra explicar mesmo. Mas acho que o Kurumada tinha uma ideia legal, só se expressou meio literal demais.

Qual é a dessa de Arayashiki?
No anime, o Arayashiki é o oitavo sentido. Foi esse recado que o Shaka mandou pra Athena escrito em pétalas de cerejeiras transgênicas (se a pétala é desse tamanho, a cereja deve ser do tamanho de uma maçã!).

Quando os cavaleiros têm que passar pro inferno, eles precisam chegar lá vivos, caso contrário Hades terá controle do espírito deles. Por isso, Shaka diz que para chegar no inferno vivo, somente é possível num estado na tênue linha entre a vida e a morte, e aí você queima seu cosmo e passa pro lado de lá... Vivo.

É óbvio que o oitavo sentido no budismo não tem nada a ver com essa divagação do Shaka. Já que o sétimo sentido no budismo é essa auto-compreensão, o oitavo é uma consciência reflexiva. Mas se parar pra pensar, faz algum sentido, subjetivamente. Veja esse vídeo em mais ou menos iniciando dos 7m10s:



Eu vou dar um exemplo dentro da obra genial de Ariano Suassuna, e assim mostrar como as religiões são parecidas! Especialmente cristianismo e budismo.

Segue a fala da Virgem Maria (Fernanda Montenegro):

Na oração da Ave Maria, os homens pedem para que eu rogue por eles na hora da morte. Eu rogo. E olho para eles nessa hora. E vejo que muitas vezes é na hora de morrer que eles finalmente encontram o que procuravam a vida toda.

(eu sempre choro nessa parte! Hehe)

E no filme mostra, foi justo na hora da morte que a Dora, por exemplo, vê que ela amava o marido, o padeiro corno, no final das contas. Só que não é apenas na hora da morte no budismo que a gente pode alcançar essa oitava consciência. O treinamento budista de refere a nós alcançarmos esse estado ainda quando estamos aqui, vivos.

Esse insight que é o arayashiki. É como se fosse uma super empatia, que tem junto com um entendimento pleno das coisas ao nosso redor, como se déssemos um valor para as coisas pequenas que vai muito além de compartilhar imagens de frases inúteis no Facebook.

O problema é que muitas vezes é justo quando estamos mais perto da morte que a gente fica com esse pensamento. Dificilmente pessoas conseguem viver com isso momentos antes de vestirmos o paletó de madeira. Entender que estamos bem, e estamos felizes hoje, que temos gratidão imensa pelo hoje, pelo agora, pelo que temos, pela pessoas que ajudamos, enfim. Esse valor às coisas boas e pequenas da vida. E isso faz parte do oitavo sentido. ;)

Deu pra sacar mais ou menos? =P

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Preparem os babadores, marmanjos!

Como eu adoro concursos de misses! Eu demorei pra postar, é verdade, mas é porque esse ano achei muito próximo o Miss Brasil com o Miss Universo. Antes tarde do que nunca!

Uma coisa que eu gosto muito é o desfile de trajes típicos. Pra mim só perde pro biquíni! É muito interessante ver como as meninas (e seus estilistas, principalmente) conseguem sintetizar uma nação, cultura inteira em apenas um vestido. É algo demais!

Vamos aos comentários das que eu mais gostei.


Não é porque eu sou brasileiro, mas uma das mais bonitas era a Jakelyne Oliveira. Digo isso por dois motivos. Primeiro o corpo dela. Sem dúvida foi uma das melhores no desfile de biquini. Corpo torneado, delicado, belos seios, bumbum na medida e esguia. A cor morena era um plus muito eficiente. Segundo: ela não é mineira. Sim, só o fato de ser a mais bonita do Brasil e não é nem mineira e nem gaúcha é um fato mais do que merecedor do quão única e brasileira ela era. Nota mil!


Eu acho que num concurso de misses é difícil ousar. Gabriela Kratochvílová fez isso com estilo. Eu adoro mulher de cabelo curto, e quando fica bem no rosto, eu me apaixono de primeira. Meu pai diz que se apaixonou pela minha mãe pelo cabelão grande que ela tinha, mas tenho que admitir que um cabelo curto bem feito deixa muito feminina, até outra pessoa! A tcheca aí mandou muito bem, me ganhou fácil.


Todo mundo sabe que eu adoro uma asiática! E no Miss Universo temos Tailândia, Japão, China, Malásia, Cingapura... Tantas escolhas difíceis! E cada uma era bonita do seu jeito. Mas a que eu dou uma estrela é a koreana Yumi Kim. Por muitos motivos! Primeiro, o corpo dela. Uma asiática com curvas e cinturinha de dar inveja em muita ocidental. Achei o rosto de sorrisos perfeitos, sensual sem ser vulgar. Eu faria muitos koreanozinhos com ela sem dúvida! E esse traje típico, desculpem os outros países asiáticos, mas o hanbok dela quebra qualquer quimono por aí.


Normalmente ao pensarmos em russas imaginaríamos louras. A anfitriã desse ano, Elmira Abdrazakova, com esses olhos e esse cabelo é difícil não adentrar nessa piscina límpida de beleza. Pena que não foi muito longe na competição, acho que esperavam uma loiraça, mas com essa beleza toda, fala sério! Precisa de água oxigenada?


Falando em loira, tinha que escolher uma loira favorita! A belga Noémie Happart! Normalmente loiras tem cara de pornstars (especialmente se for americana, desculpaê!), mas essa aí tem cara de rainha. Que olhos são esses, deus? Tem mulher que fica feia séria, e tem mulher que fica feia sorrindo. Quem tem Facebook sabe, tem mulher que não sabe fazer outra cara a não ser mostrando os dentes, ficando mumificadas lá com um sorriso falso bêbada em balada. Mas a Noémie é linda séria e tem um sorriso na medida certa. Um dos mais bonitos da competição!


A peruana Cindy Mejia tem uma beleza comum de latina. Eu gostei muito! Ela parece muito a brasileira, e acho que essa beleza vai rivalizar muito com a beleza latina já estabelecida. Parece muito brasileira, ia fazer sucesso lá nas Europa!


Das árabes a que eu mais gostei foi a libanesa Karen Ghrawi. Cabelão preto, olhos grandes e marcantes, nariz fino e rosto triangular. Lindíssima! Ela tem um olhar muito penetrante, mesmo que o resto não chame tanto a atenção.



POLAND STRONG!! Paulina Krupinska é a beleza de adulta com um toque de criança levada. Eu gosto muito das polonesas! Difícil de ver um país que só tem gelo formar tanta mulher bonita e com os mais variados biotipos. Jeito de cowboy num corpo de mulher!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Doppelgänger - #7 - Алексей Санкт-Клэр.

O túnel caía dentro de um depósito dentro do presídio. Munido de alguns equipamentos, Nezha entrou. No mapa eletrônico que ele tinha, ele deveria passar por dois grandes corredores. Naquele momento ele estava num pequeno depósito de materiais de limpeza. O cheiro era bom, mas ficar parado ali ia valer nada.

"Não se esqueça que você não deve de maneira alguma ser visto. Vou averiguar quem são as pessoas que entraram. Encontre o nosso contato imediatamente!", disse Rockefeller via rádio.

Nezha foi abrindo a porta lentamente. O clima dentro de um presídio de segurança máxima não é o dos melhores. Além do fato de ter os mais perigosos presidiários do país lá, ainda é um lugar extremamente seguro, muito bem policiado e com diversas câmeras de vigilância. Mas Nezha estava lá para uma missão, e devia completá-la. Ao terminar de abrir ele passou pela porta, viu que estava justamente embaixo de uma das muitas câmeras de vigilância.

Mas ela, estranhamente, não estava funcionando.

Não havia ninguém. E as câmeras pareciam desligadas.

De início Nezha se assustou. Mas continuou prosseguindo no corredor, virando à esquerda e encontrando uma grande porta. No topo via-se escrito "REFTER" em letras garrafais. Abriu a porta sorrateiramente e se deparou com um refeitório completamente vazio.

Foi andando lentamente e pegou sua pistola com silenciador. Apenas por via das dúvidas. Foi ao passar do lado de uma mesa que viu algo que o aterrorizou.

Um homem alto e forte agachado de costas. Ele parecia fazer algo no chão, pois um líquido vermelho estava emergindo dali. Ele parecia sussurrar uma música em francês...

"Quelques fois je dis des mots bizarres
Quelques fois je parle trop
Et tu me regardes et mon coeur tombe à l'eau

Quelques fois je ris à contretemps
Tu n'y comprends rien du tout
Et tu me regardes étonné tout à coup"

Ao se aproximar Nezha foi tomado por um enjoo. O homem estava com uma faca, desfigurando o rosto de um dos guardas da prisão, cantando baixinho essa música romântica.

Seu estômago embrulhou ao ver a cena. Mesmo sendo um agente de alta patente, não pode suportar ver aquela cena. O homem que estripava a pessoa ouviu o barulho dos passos de Nezha recuando, e virou a cabeça.

Ele vestia uma imensa máscara de palhaço sorridente. Continha algumas gotas de sangue espirrado. Portava uma faca de cozinha. Somente algo poderia ser concluído vendo aquela cena: aquele cara era um grande lunático.

Do nada uma granada de fumaça apareceu no local, explodindo. O gigante com a máscara entrou na fumaça, mas saiu do outro lado sem encontrar ninguém, e ficou confuso.

Já saindo do refeitório, Nezha estava sendo puxado por um homem grande, cabelos pretos grisalhos, barba por fazer, olhos pretos e pele branca levemente bronzeada. Devia ter pouco menos de um metro e noventa, e vestia o traje policial igual aos outros guardas.

"Você está bem, garoto?", perguntou o homem.

Nezha estava em choque. Só aquela visão de ver todos os orifícios, o crânio coberto de sangue, os olhos soltando a gosma branca e toda a carne mostrada já era algo horrível por si mesmo. O homem continuava a balançá-lo, tentando fazê-lo voltar a si. Depois de um tempo Nezha enfim voltou, e olhou atentamente para o homem na sua frente.

"Meu nome é Al... Alexei. Alexei Sankt-Kler. Pode me chamar só de Alexei. Sou o seu contato aqui, sou um agente duplo disfarçado", respondeu.

"O que... O que diabos era aquilo?", questionou Nezha, atônico, tremendo.

"Aquilo é algo além da sua imaginação. É um dos noBODIES, um grupo de malucos liderados por Ar que fazem uma baguncinha por aí. Mas fique tranquilo, aqui estamos salvos. Aquele cara é retardado igual uma porta".

"Você disse, 'nobody'? 'Ninguém'? Ora, e você, quem é?"

"Acredite garoto, aquilo é apenas o começo. Vi um veículo estranho entrando no presídio há alguns minutos. Acho que eles já adentraram e fixaram sua base aqui".

Nezha ficou em pânico. Parecia muita coincidência. Justo quando ele entrara pra resgatar uma detenta apareceu isso. Um grupo de lunáticos sem líder invadindo o local.

"Tome. Esse cartão de segurança vai te dar acesso ao subsolo um. Me encontre lá em...", Alexei gemeu de dor. Uma dor imensa nas costas o pegou de surpresa.

"Alexei... Você está bem?".

"Ah... Que merda. Odeio essa velhice. Mas vá na frente, garoto. Estarei em contato com você pelo rádio. Nos vemos lá na frente".

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

The Thieves

Quando desembarquei em Londres no ano passado, duas coisas me chamaram a atenção. Primeiro era que em todo lugar e a todo momento tocava Little Mix. Poxa, não vou mentir, eu baixei o CD delas quando pisei no Brasil, virei fã das vencedoras do The X-Factor bretão.

A segunda coisa que eu mais via era propagandas no tube sobre o The London Korean Film Festival. Eu gosto de cinema asiático, embora não seja sempre que eu veja. Já fui em muitas mostras no Centro Cultural Vergueiro, mas em Londres eu perdi, por um simples motivo: esqueci completamente de ir. E tinha sessões até no Odeon, eu acho, ai na Trafalgar Square.

Um dos filmes que eles mais faziam propaganda se chamava The Thieves, com um poster que me chamou muito a atenção por causa dessa koreana bonitinha de azul e pernas de fora da arte dele que parecia muito bem feita.


Koreanos e seu plano de dominação mundial! Eu baixei o filme e coloquei no meu celular, e assisti nesse fim de semana no ônibus.

Nossa. Uma coisa que eu fico abismado é como o mundo é grande. E como aqueles países asiáticos ainda parecem viver num mundo maior ainda do que a gente imagina. Acho que é muito esse estigma de nós ocidentais acharmos que todos eles são iguais, mas é em filmes desses que a gente vê a imensa diferença cultural. Por isso que é divertido adicionar no Facebook pessoas de Taiwan, Koreia, Japão... Enquanto a gente tá aqui filando a boia, eles estão aprontando mil e uma confusões na Sessão da Tarde.

O filme embora seja koreano, tem muitas línguas no meio. Japonês, Chinês e inglês são as coadjuvantes. E as atuações são sensacionais. De que água bebe esse povo, Deus? Acho que a gente se acostuma muito com as atuações de filmes ocidentais, com muitos closes de rosto, muitas feições baseadas em nuances, e quando a vê atores mais expressivos (mas que não ficam ridículos) a gente para pra pensar se nós ocidentais deixamos de atuar bem.

Óbvio, o filme é um blockbuster koreano. Parece que vendeu muito bem lá. Mas todo mundo sabe que não é apenas isso que vende um filme. Roteiro é sempre bem vindo, por isso depois que terminei de assistir não pude deixar de comparar com o mais óbvio: 11 homens e um segredo. Só que com mulheres muito mais participativas.

Tem algumas cenas de ação, mas isso não me atrai mais, ehehe. Foram bem feitas, mas é difícil ver um filme que não faça uma cena de ação boa, por isso eu prefiro julgar outras coisas. Eu gostei muito da fotografia. Os cenários vão desde bunkers dos ladrões, até os mais luxuosos resorts.

Agora vamos pras atuações!


Gostei muito da Kim Hse-soo (Pepsee), e... Não, ela não é a de camisa azul e belas pernas magrelas. A Pepsee (acima), aliás, é bem zuada no filme por ser a ladra "meio velha", e vendo os dados dela, a atriz já é um pouco velha (40 anos), mas ainda assim, eu comia fácil. Eu daria um Oscar pra ela na cena que o furgão que ela está algemada cai na água. Essas cenas mais assim mesmo com toda a segurança tem que ter bala na agulha pra fazer, e eu admiro muito!


E como atuação masculina, eu gostei muito do protagonista, o Kim Yoon-seok que faz o Macao Park. Os homens em si não achei que tiveram uma atuação muito extraordinária, as atrizes roubam muito a cena, exceto o Macao Park. Ele só demora pra aparecer no filme, entre mais ou menos no segundo quarto do filme. Faz o tipo chefão do crime, mas é caído de amores pela Pepsee (acima), e fica nesse dilema o filme inteiro, que dá até um ar de "meigo" pra ele, ao contrário dos outros que são ladrões anti-éticos e blábláblá. Personagem mais "humano" e interessante.


Outra atuação que chamou a atenção foi a da mestiça Angelica Lee (Julie). E ela fala tipo... Umas três línguas. Koreano, Chinês e inglês. Ela no filme é uma policial que trabalha como ladra de jóias pra descolar uma grana extra (NÃO TÁ FÁCIL PRA NINGUÉM, GENTE!). O legal da atuação dela é ficar mudando entre o aspecto ladra e policial. Vale a pena reparar nela! É impressão ou ela é a cara da Audrey Tatou?

E por fim, e a dona das pernas torneadas à moda koreana?

É a Jeon Ji-hyeon (Yenicall). Ela faz uma atuação mediana, mas as acrobacias que ela faz são dignas de nota dez... Se fossem feitas por ela mesma. Com certeza era uma dublê! Mas as caretas dela no filme são as melhores.

Foto dela? Bem... Pesquisando o nome dela (전지현) só achei fotos quentes dela. E como esse é um blog de família, eu vou postar as fotos das belas pernas magrelas dela mais comportada que achei:


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