quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pedras no rim.

Na noite da segunda estava assistindo ao Jornal Nacional, vendo as reportagens sobre a tragédia em Santa Marta na boate Kiss. Foi aí que uma dor extrema me bateu na região direita da barriga. De primeira, pensei ser algo que tinha comido, ou até gases. Mas a dor me fazia entrar em desespero, ficar tonto e até "vomitar" de dor. Suava frio, mas mesmo assim segurava para não gritar.

Na terça, depois de um dia inteiro de exames, incluindo raios-x, exames de urina e tomografia, descobri que todo aquele escárnio que passei na noite anterior era causada por uma minúscula pedra de 7 mm. Metade um grão de arroz. Entupida no canal entre o rim e a bexiga. Pelo tamanho, o veredito do médico foi um só. Na noite da terça ele disse: você vai ter que ser internado hoje, e amanhã passar por uma cirurgia.

Nunca passei por cirurgia na vida desde então, e me orgulhava e cuidava bem da minha saúde pra não precisar passar. Mas aquilo estava decidido, era um problema de pedras nos rins onde as dicas do médico eram as mesmas de sempre: você devia ter bebido mais água, menos refrigerante, mais comidas caseiras e pouca carne. Mas... peraí! Eu já fazia isso naturalmente. As vezes algumas coisas na vida acontecem.

Fiquei em pânico, oras. Mesmo sendo um procedimento simples e corriqueiro, estamos falando de uma cirurgia. Dá medo nas pessoas, até se for pra tirar verruga. E ainda mais por ser a primeira vez... não foi a melhor sensação do mundo. Já no leito hospitalar eu dormi uma meia hora naquela noite, de tanto medo. E enfim chegou a hora. A enfermeira veio perguntando: "E aí Alain, está pronto?".

Tomei a raqui (que pensava que doía, mas é nada demais) e vi o médico injetando o anestésico pra me capotar. A sensação é engraçada, não achei que desse sono. Eu tive muita tontura. Parecia que eu tinha enchido a cara de bebida a ponto de esquecer as coisas, hehehe. A ultima coisa que eu me lembro foi ter dito ao anestesista que eu estava muito tonto aquela hora. Depois, não lembro de mais nada.

A primeira memória é um dos médicos chegando em mim e falando: "Alain, já terminamos!". Mas já? Eu nem lembrava de ter sequer fechados pra dormir! E fui lá pra sala de pós operatório e depois ao meu leito.

Primeiro dia foi bem chato, me deram muita agua, a raqui demorava a passar, e não conseguia fazer xixi no "papagaio" (a versão masculina da comadre para as meninas fazer xixi no leito). Aguentei a dor na bexiga e bebi toda agua que tinha pra servir de estimulante pra urina. Quando consegui pisar no chão, acho que ainda pelo efeito da ráqui, foi mijo no quarto inteiro, com bastante sangue. Tentei ir segurando até o vaso onde fiz o segundo melhor xixi da minha vida (o melhor foi qd estava agora em Londres, com uma guia turistica, andamos o dia inteiro e eu tinha bebido uns dois litros de água e não paramos para ir ao banheiro. Desci em Westminster e quase paguei com 10 pounds pelo banheiro que custava 50 pents. Mas pra dar uma aliviada naquela hora eu pagaria até 100 pounds!).

De resto, já estou bem, tomando antibióticos e antinflamatórios e me recuperando. O problema é só pra fazer xixi: tiveram que colocar um catéter no canal renal e pra retirar depois uma cordinha, que sai pelo meu pênis. E essa cordinha tem que ficar aí, sem ser "engolida" até segunda quando termina o escárnio. Bom, pelo menos assim espero, ehehehe.

Desculpe se não consegui avisar ninguém, mas foi muito de sopetão.

Só me dá raiva é que poderia ter tido o ano inteiro pra rolar isso, e essa pedra aparece agora, no meio do Treinamento de Inverno. Que raiva!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Quando um mal estar de um cachorro parou o mundo.

Hoje estou escrevendo isso com ela aqui do meu lado dormindo. Uma menina alegre, simpática, cheia de energia e muito bonita. Não, eu não fui pra balada ontem e acordei bêbado na casa de alguém. Estou aqui do lado da cadelinha da casa, a Meggie.

Dias atrás ela passou muito mal e causou grande comoção em casa. Muitos vômitos e fezes em todos os cantos da casa, sem contar que ela só sabia ficar deitada, sem latir, ou vir atrás de alguém (em geral, eu).

Tudo já acabou, ela já está bem, era apenas um mal de estômago. Mas assustou bastante o povo aqui.

O que me impressionou mais foi como ela mudou o clima da casa. Até minha mãe, que não vai muito com a cara dela (e vice-versa), foi levá-la no veterinário. Meggie é safadinha, ela adora um homem. Grudada no meu pai, meu irmão e eu. E era em nós que ela buscava uma força.

Quando melhorou, meu pai todo feliz veio abraçando ela, dando graças a Deus.

É, quase parou o mundo! Hehehe.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Três anos de Shinnyo-en.

Amanhã fará três anos que me conectei ao budismo Shinnyo.

Tirando os altos e baixos, fiquei abismado em ver que serão três anos. Não significa que pensei: "Puxa, só três anos!", mas sim: "Puxa, ainda três anos?". Parece que foi uma década.

Uma amiga que trabalhava comigo no primeiro estágio que eu fiz viu quando fui coligado. Ela disse que eu só achava que isso era modinha e ia sair logo. Bom, já foram três anos.

No budismo a gente acredita que é meio que o fechamento de um ciclo quando se chega a essa marca de três anos. Fechamento de um, início de um outro. Um novo começo, se preferir assim. Nesses três anos muita coisa aconteceu, mas acima de tudo, por seguir o ensinamento a coisa que eu mais posso ser feliz é: Ajudar a mudar eu mesmo, e com essa mudança, melhorar as pessoas ao meu redor.

Antes de ir pro Japão, meu irmão, evangélico, disse que via a mudança de mim mesmo desde que entrei na Shinnyo-en. Enquanto estive nos Países baixos uma amiga que coligou uma outra amiga disse que a mãe dessa até hoje é eternamente grata a ela. Mas nós não somos nada. Somente seguimos o ensinamento, uma filosofia criada por um príncipe indiano há dois mil e quinhentos anos e que continua atual mesmo depois de tanto tempo.

Quando eu era moleque, e fazia meus estudos budistas, eu queria muito fazer igual ao Shakyamuni e abandonar tudo em busca da minha verdade. Hoje, vejo que não é preciso inventar essa roda de novo. Já existe tudo lá, só seguir e botar em prática.

E o que tudo começou como uma curiosidade, hoje não imagino minha vida sem isso.

Muito obrigado por tudo. Ao Buda, pais do ensinamento, dois dojis e Shinnyo Keishu-sama.

Aquela paixão da adolescência.

Tive um sonho estranho e um bocado engraçado essa noite.

Na minha escola antiga (aquela que eu passei na frente uns posts atrás) normalmente tinha alguns eventos na quadra. Parecia que eu estava lá, agora adulto, e do meu lado estava ela.

Ela era uma das minhas paixõezinhas da adolescência. O nome dela era Natália, tinha minha idade (na época, 13 anos), era uma magricela e até que meio tomboy (aquelas meninas com jeito de menino). Não era uma menina meiga, ás vezes era meio ignorante mesmo. Mas na época tinha conquistado meu coração.

E nesse sonho nós tínhamos nos encontrado de novo. Só que já estávamos adultos. E ela estava lindíssima! Até estava com um corpão, hehe (pelo menos em comparação com aquela magreza dela). E ela pegou na minha mão sorrindo e disse que estava me procurando também por todo esse tempo. E aí nós nos beijamos! Foi lindo!

Um tempo depois que eu troquei de sala, em 2002 eu acho, eu tinha me declarado pra ela, mas ela era meio tomboy demais. Recebi um "não", mas depois fiquei sabendo que ela estava gostando de mim também, mas quando ouvi isso eu já estava em outra escola, iniciando a faculdade.

E já fazem dez anos. E esse sonho veio essa noite do nada.

Será que a Natalia está bem?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tom & Jerry

Quando moleque, um dos meus desenhos favoritos era o Tom e Jerry. Achava divertidíssimo, embora um bocado violento, as aventuras do gato caçando o rato.

Esses dias, no âmago do meu desemprego, acordei e coloquei no SBT. Vi que o Bozo ainda existe e... Fizeram uma nova versão do Tom e Jerry! O Tom and Jerry Tales. Curti pra caramba.

O esquema é que se muda muito a gente sente diferença. Tom e Jerry eram animações antiguíssimas de um tempo onde provavelmente era impossível ou muito difícil gravar-se vozes. Por isso cada episódio teve sempre uma sonoplastia excelente e uma trilha sonora de deixar qualquer um abismado. E, isso continua!

Existe um filme deles onde eles falam. E, sinceramente, isso é muito chato. Eu vi depois um outro filme em que eles já não falavam, exceto por gestos. E assim que deveria ser.

Acho que no fundo William Hanna e Joseph Barbera quiseram retratar de uma maneira mais realística a caça de um rato. Bichos não falam. Exceto aqueles gritos de dor do Tom, claro!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Livros 2013 #2 - Chaves, a história oficial ilustrada.

Terminei hoje. E pensar que a série mais famosa do Brasil é... Mexicana!

Chaves encanta gerações a fio. Uma fórmula tão simples que conquistou todo mundo com o charme de um pão com manteiga. Meu irmão ganhou esse livro mas fui lendo aos poucos. Primeiro eu só vi as imagens, depois eu li inteiro de começo ao fim. Excelente!

Chespirito. Roberto Gómez Bolaños sempre diz que um dos maiores problemas de sua vida foram a sua paixão pelas mulheres. Parece que ele foi um grande comedor, mesmo tendo a altura ínfima e, como ele mesmo admitiu, não tão boa aparência. Foi um bocado de sorte ter conquistado Florinda Meza.

O livro mostra algumas coisas complicadas na vida de Bolaños, mas não cita algumas coisas mais polêmicas, como a relação dele com Carlos Villagrán (o Quico) que ele roubou a esposa e depois o tirou do elenco de Chaves (lembram dos episódios do Chaves no restaurante da Dona Florinda?) e também as últimas disputas judiciais, quando Chespirito lançou mão de todos os direitos dele aos seus personagens, e a única pessoa que ganhou dele foi a Maria Antonieta de las Nieves, intérprete da Chiquinha. Bolaños queria garantir o dele, óbvio.

Livro biográfico mas é como o filme do Lula: só mostra uns aspectos grotescos óbvios. E como sempre, muitos têm medo de mostrar esse lado mais podre das pessoas com medo de torná-las menos idealizadas. Eu nunca achei isso!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Nostalgia.

Hoje passei tive que subir na casa da minha avó pra pedir pra ela costurar umas calças minhas que estavam soltando. Aproveitei e fiz na volta o mesmo trajeto que costumava fazer quando tinha que ir para a minha antiga escola.

Passei na frente dela e de alguma forma senti um bocado de nostalgia. Lembrei da espera pro portão abrir, aquele amontoado de moleques que ficavam na frente. Lembrei de uma casa da frente, a banquinha da "tia Zeza" que vendia geladinhos (inclusive o de côco, que era o mais popular, por R$0,15), e fui passando nas casas e relembrando. Várias casas mudaram, claro. Pensando bem, desde 2003 não dava um pulo por aquelas bandas. Quase dez anos.

Pra chegar em casa eram duas ladeiras pra descer. Lembrei de onde alguns amigos moravam e fiquei olhando com calma a casa de todos. Muitas das casa estavam bem diferentes, mas ainda conseguia reconhecer alguma coisa.

E pensar que muitos amigos morreram por terem se envolvido com tráfico. Histórias bastantes tristes, e desde moleque sempre me perguntava porque somente eu devia ser o "fortunado" de ter isso. Mas hoje sei que não é uma questão de sorte ou azar, infelizmente. Sim, acho que "sorte" seria um critério justo. Infelizmente jovens da periferia são assim. São pessoas que vivem numa guerra urbana, onde nenhuma ONU pode ajudar. Não há princípios, apenas a sede em ter algo que não se pode ter, mesmo que a força seja usada para tal. Um apartheid social, em outras palavras.

Brasil é um país bem racista. Nosso apartheid não tem nada a ver com o apartheid da África do Sul. Pensando bem, o nosso era bem pior.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Livros 2013 #1 - 1Q84 (Livro II)

Oba! Começando 2013 com boas leituras.

Fiquei bem feliz quando vi que já está rolando a tradução do 1Q84 do Haruki Murakami no Brasil! Eles vão lançar cada um dos livros separados. Não tem a capa e projeto gráfico tão ousado e bonito como o que eu comprei, mas vale a pena do mesmo jeito!

Não cheguei a ler a versão em português, mas pelo visto eles mantiveram os nomes no original. Aomame e Tengo pelo menos parecem sem nenhuma modificação!

O primeiro você entende nada de nada. E sinceramente, ele frustra muito. O segundo ele começa com muitos questionamentos existenciais, especialmente da Aomame e do Tengo. Mas ele começa a responder trilhões das perguntas do primeiro e, você começa até a dar uma viajadas e achar que tudo aquilo faz sentido!

Não vou dar muito spoilers. A história continua nos moldes do primeiro, sempre tem um capítulo do Tengo e um capítulo da Aomame. O esquema é que as histórias dos dois começam a se aproximar cada vez mais... Até você descobrir qual a rolada por detrás de tudo. É um livro em algumas partes um bocado chato, mas acho que ser chato faz parte desses grandes escritores, como o Machadão. Nas partes chatas que normalmente a gente pensa, e não fica apenas um livro com ação atrás de ação como um Dan Brown da vida.

Estou interessado em começar o terceiro. A versão americana é um compilado de quase mil páginas com os três juntos. O terceiro livro começa por volta da página seiscentos e vai até novecentos e pouco. E, vai ter adição de mais um personagem: o brucutu do Ushikawa.

(sim, é Ushikawa mesmo, de touro!)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O que faz um país desenvolvido ou não?

Quando era moleque era ensinado que um país desenvolvido é um país que é dono de diversas indústrias, que produz bastante, e tudo mais. Hoje, vivo num país que possui um dos maiores PIBs do mundo e mesmo assim não entra no seleto grupo de "países de primeiro mundo". Fui na Europa e vi que o buraco é bem mais embaixo.

Se você acha que o Brasil é um país nem um pouco capitalista eu tenho uma péssima notícia pra você: Brasil é sim, muito capitalista. E hoje, por incrível que pareça, existe um capitalismo social muito presente na Europa. E tem nada a ver com a crise. Vou destacar o Reino Unido que foi onde eu estive.

Enquanto eu estava lá, muitas pessoas estavam doidas pra participar de uma loteria lá, similar a essas da Caixa que você tem uma chance em 2 bilhões de ganhar, tinha por lá também. O mais engraçado era que, embora o prêmio fosse de, digamos, 100 milhões de libras, de fato só iria pra sua conta uns 40 milhões. O governo pega tudo.

Algo similar eu vi em Amsterdam. As pessoas não são ricas, elas tem uma vida bem confortável. É difícil ir para um nível mais miserável que esse, e é praticamente impossível existir uma "ascensão social" e ficar rico igual o Tio Patinhas.

Acho que muita gente pensa que todos na Europa são ricos. Longe disso. Existe um controle imenso do governo, por meio da carga tributária e tudo mais, para que as pessoas fiquem naquele nível social. É um nível bom? Opa, excelente. Pessoas lá com 20 anos estão morando sozinhas, tem capacidade de pagar um teto e costumam consumir produtos que para nós são nobres. Se Brasil produzisse Kit Kat, ele seria mais vagabundo que um Bis.

Óbvio que estamos falando de um país capitalista, as pessoas querem enriquecer. Mas mesmo que não enriqueçam, eles têm uma qualidade de vida formidável como classe média. Porquê? Simples e básico controle de tributos. O governo distribui melhor a renda pra todos, sugando dos mais ricos e distribuindo pros pobres.

Ir pra Europa me ajudou a montar esse quebra-cabeças social. John D. Rockefeller foi o primeiro maluco que conseguiu alcançar a quantia de 1 bilhão de dólares em riqueza, isso em pleno início do século XX. Com a correção monetária, aqueles 1 bilhão virariam hoje nada mais do que 600 bilhões de dólares. Isso é pra deixar qualquer Carlos Slim, o homem mais rico do mundo hoje, parecendo um favelado com seus "míseros" 69 bilhões.

Esse controle que fez com que países não apenas se tornassem mais desenvolvidos mas também mais justos. O Brasil ainda tem um sério problema de distribuição de renda e as pessoas tem que perder essa ilusão de que precisamos de pessoas ricas: devemos sugar tudo o que os ricos têm e distribuir melhor essa renda. Isso chama-se justiça social.

Porquê? Simples. Assim o salário médio aumenta, pessoas consomem mais, a violência diminui e, acima de tudo, com um consumo maior as industrias produzem mais, competem mais, o país produz mais riqueza e as coisas crescem. Rico não gasta dinheiro.

Eu lembro de uma fala do Márcio Garcia, que ouvi há muito tempo dele quando lhe perguntaram numa entrevista se ele prefere ter dinheiro, ou gastar dinheiro. Ele respondeu que prefere ter dinheiro. Pessoas ricas são assim, pessoas enriquecem não para gastar, mas para ter. Por isso se faz necessário uma distribuição de renda para enfim impulsionar esse país.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Happy birthday, London Tube!

Hoje faz 150 anos que o metrô londrino foi criado. Tudo começou lá atrás por uma necessidade básica: tinha muito maluco precisando ir trabalhar na City londrina e era tudo congestionado. Aí eles fizeram o óbvio, contruíram um metrô para desafogar o trânsito e fundaram a primeira linha, que hoje é a Hammersmith & City.

Desde lá muita coisa mudou. Fui pra Londres e tenho que admitir que lá o metrô é mesmo de outro mundo. E acho que o metrô paulista tem algumas coisas a aprender com ele.

As coisas óbvias não preciso nem comentar, como aumentar a linha férrea em 4000%, diminuir os atrasos, e tudo mais.

Mas algumas coisas que poderiam ser implatadas no Brasil que ninguém "nunca pensou antes": teve um dia que eu fui num home meeting com uns amigos da Shinnyo-en em Surbiton, ao sul de Londres. Fui com o National Rail mesmo, a South West Trains. A reunião terminou por volta das 22h e fiquei amarelo igual todo bom paulista: "Tenho que correr porque moro no Capão! Essa hora o trem deve estar lerdíssimo!".

Mas não.

Haviam trens (e usuários!) como se aquilo fosse meio dia. Não havia o delay imenso que existe depois das 22h que existe hoje nos trens paulistanos. Ridículo! A desculpa do governo pra não ter trens ou ônibus é que tem que levar pra garagem. E que provavelmente os motoristas/condutores não querem trabalhar até 1h da madrugada. Bullshit. Em Londres às 23h ainda haviam muitos trens, eu cheguei bem mais rápido ao meu destino do que se eu saísse antes.

Lotado sempre é. Especialmente na hora do rush. Eu experimentei estar às 18h na King's Cross St Pancras e me senti como se estivesse na estação Pinheiros às 18h da tarde. Sim, pessoas são burras e seguram as portas, mas mesmo assim, com uma malha de trens umas oitocentas vezes maior do que a se São Paulo, são poucos os lugares que a gente se sente como na Sé. E mesmo onde tem lotação e lerdeza na plataforma a gente vê algo que muda radicalmente tudo: mesmo hoje em dia o Tube ainda está em obras de melhoria.

Alguém viu uma obra de melhoria na Sé nos seus trinta anos de existência? Os londrinos são assim mesmo, joga os usuários no meio de entulho pra fazer melhorias. E lá é bem assim mesmo, ás vezes uma estação que foi construída há uns oitenta anos hoje tem um aumento na capacidade, eles vão lá e aumentam.

São barulhentos, tem um sobe e desce que dá pressão no ouvido, parece que eles são mais lerdos que os trens paulistanos além de não ter ar-condicionado. Exceto o DLR.

Aliás, o próprio DLR é algo que deveria muito ser implementado em São Paulo. Mas eu falo implementado mesmo. A região das Docklands de Londres era um pântano de bosta e muita planta. Aquela região precisava ser desenvolvida, mas por conta do terreno, acredito que seria difícil colocar um metrô subterrâneo lá. Foi aí que veio o London DLR (Docklands Light Rail).

Sim, o AEROTREM. Ou Veículo Leve sobre trilhos.

Hoje a região das docas é uma área de intenso comercio e de pessoas de colarinho branco. Lá que reside um dos lugares que eu mais gostei de Londres, o Canary Wharf e Canada Water. É a "ZL" londrina, só que ao contrário da nossa Zona Leste, não tem japonesas boazudas e uma Radial Leste engarrafada sempre. Eles transformaram aquela região em uma região de primeiro mundo. Tem até aeroporto lá.

Agora a reclamação que tenho é com ônibus.

Eu pegava bastante o 29 (Wood Green/Trafalgar Square). A minha reclamação contra a SPTrans é simples: Eles disponibilizam nada mais do que quarenta e dois ônibus no horário de pico. Sabe quantos a SPTrans disponibiliza no horário de pico para uma de suas linhas mais requisitadas (6500-10 Terminal Sto Amaro/Terminal Bandeira). Oito.

Sim. Oito.

Teve um dia que eu tava lá na Trafalgar Square e precisava voltar pra Wood Green, onde eu pousei. Era tarde e fui pro ponto de ônibus da Trafalgar Square pegar o "twenty-nine", mas um tinha acabado de passar. Aí eu pensei: "Caralho, agora meia hora até aparecer outro, que raiva! Vou pegar o metrô". Mal deu pra eu concluir o pensamento e apareceu outro 29. Acho que deu uns cinco minutos.

Cinco minutos. E pensar que você fica lá em pé no Terminal Santo Amaro esperando seu busão e aparece lá que ele vai vir daqui a vinte minutos e, do nada, o letreiro muda: "Horário modificado". Fuck. Mais meia hora até o motorista que está tomando seu cafézinho aparecer.

Nada contra o motorista tomar seu cafézinho. Ele merece! Mas, pelo amor de deus, empreguem mais motoristas! Uma coisa é ter trinta ônibus por hora, outra coisa é ter apenas oito. E isso porque o 29 faz um trajeto de 12 quilômetros, é quase como ir do Jd Angela até o centro de São Paulo, ou até mais!

Fica vários ônibus "abarrotados" na rua? Fica! Mas a coisa funciona. Tá mais do que na hora de São Paulo levar a sério algo chamado de "Transporte público". E parabéns ao Tube!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dedique-se no Treinamento de Inverno da Shinnyo-en.

Ah! Por um momento pensei que não ia dar. =(

Eu tava com a ideia pronta, mas as viagens apareceram, e os dias que eu teria pra fazer isso desapareceram. Mas até que deu pra dar um gás e finalizar, bem em cima do prazo, mas deu! O do ano que vem eu faço mais adiantado, hehehe.

Obrigado a todos pela imensa ajuda!


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