quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Happy birthday, London Tube!

Hoje faz 150 anos que o metrô londrino foi criado. Tudo começou lá atrás por uma necessidade básica: tinha muito maluco precisando ir trabalhar na City londrina e era tudo congestionado. Aí eles fizeram o óbvio, contruíram um metrô para desafogar o trânsito e fundaram a primeira linha, que hoje é a Hammersmith & City.

Desde lá muita coisa mudou. Fui pra Londres e tenho que admitir que lá o metrô é mesmo de outro mundo. E acho que o metrô paulista tem algumas coisas a aprender com ele.

As coisas óbvias não preciso nem comentar, como aumentar a linha férrea em 4000%, diminuir os atrasos, e tudo mais.

Mas algumas coisas que poderiam ser implatadas no Brasil que ninguém "nunca pensou antes": teve um dia que eu fui num home meeting com uns amigos da Shinnyo-en em Surbiton, ao sul de Londres. Fui com o National Rail mesmo, a South West Trains. A reunião terminou por volta das 22h e fiquei amarelo igual todo bom paulista: "Tenho que correr porque moro no Capão! Essa hora o trem deve estar lerdíssimo!".

Mas não.

Haviam trens (e usuários!) como se aquilo fosse meio dia. Não havia o delay imenso que existe depois das 22h que existe hoje nos trens paulistanos. Ridículo! A desculpa do governo pra não ter trens ou ônibus é que tem que levar pra garagem. E que provavelmente os motoristas/condutores não querem trabalhar até 1h da madrugada. Bullshit. Em Londres às 23h ainda haviam muitos trens, eu cheguei bem mais rápido ao meu destino do que se eu saísse antes.

Lotado sempre é. Especialmente na hora do rush. Eu experimentei estar às 18h na King's Cross St Pancras e me senti como se estivesse na estação Pinheiros às 18h da tarde. Sim, pessoas são burras e seguram as portas, mas mesmo assim, com uma malha de trens umas oitocentas vezes maior do que a se São Paulo, são poucos os lugares que a gente se sente como na Sé. E mesmo onde tem lotação e lerdeza na plataforma a gente vê algo que muda radicalmente tudo: mesmo hoje em dia o Tube ainda está em obras de melhoria.

Alguém viu uma obra de melhoria na Sé nos seus trinta anos de existência? Os londrinos são assim mesmo, joga os usuários no meio de entulho pra fazer melhorias. E lá é bem assim mesmo, ás vezes uma estação que foi construída há uns oitenta anos hoje tem um aumento na capacidade, eles vão lá e aumentam.

São barulhentos, tem um sobe e desce que dá pressão no ouvido, parece que eles são mais lerdos que os trens paulistanos além de não ter ar-condicionado. Exceto o DLR.

Aliás, o próprio DLR é algo que deveria muito ser implementado em São Paulo. Mas eu falo implementado mesmo. A região das Docklands de Londres era um pântano de bosta e muita planta. Aquela região precisava ser desenvolvida, mas por conta do terreno, acredito que seria difícil colocar um metrô subterrâneo lá. Foi aí que veio o London DLR (Docklands Light Rail).

Sim, o AEROTREM. Ou Veículo Leve sobre trilhos.

Hoje a região das docas é uma área de intenso comercio e de pessoas de colarinho branco. Lá que reside um dos lugares que eu mais gostei de Londres, o Canary Wharf e Canada Water. É a "ZL" londrina, só que ao contrário da nossa Zona Leste, não tem japonesas boazudas e uma Radial Leste engarrafada sempre. Eles transformaram aquela região em uma região de primeiro mundo. Tem até aeroporto lá.

Agora a reclamação que tenho é com ônibus.

Eu pegava bastante o 29 (Wood Green/Trafalgar Square). A minha reclamação contra a SPTrans é simples: Eles disponibilizam nada mais do que quarenta e dois ônibus no horário de pico. Sabe quantos a SPTrans disponibiliza no horário de pico para uma de suas linhas mais requisitadas (6500-10 Terminal Sto Amaro/Terminal Bandeira). Oito.

Sim. Oito.

Teve um dia que eu tava lá na Trafalgar Square e precisava voltar pra Wood Green, onde eu pousei. Era tarde e fui pro ponto de ônibus da Trafalgar Square pegar o "twenty-nine", mas um tinha acabado de passar. Aí eu pensei: "Caralho, agora meia hora até aparecer outro, que raiva! Vou pegar o metrô". Mal deu pra eu concluir o pensamento e apareceu outro 29. Acho que deu uns cinco minutos.

Cinco minutos. E pensar que você fica lá em pé no Terminal Santo Amaro esperando seu busão e aparece lá que ele vai vir daqui a vinte minutos e, do nada, o letreiro muda: "Horário modificado". Fuck. Mais meia hora até o motorista que está tomando seu cafézinho aparecer.

Nada contra o motorista tomar seu cafézinho. Ele merece! Mas, pelo amor de deus, empreguem mais motoristas! Uma coisa é ter trinta ônibus por hora, outra coisa é ter apenas oito. E isso porque o 29 faz um trajeto de 12 quilômetros, é quase como ir do Jd Angela até o centro de São Paulo, ou até mais!

Fica vários ônibus "abarrotados" na rua? Fica! Mas a coisa funciona. Tá mais do que na hora de São Paulo levar a sério algo chamado de "Transporte público". E parabéns ao Tube!

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