terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Nostalgia.

Hoje passei tive que subir na casa da minha avó pra pedir pra ela costurar umas calças minhas que estavam soltando. Aproveitei e fiz na volta o mesmo trajeto que costumava fazer quando tinha que ir para a minha antiga escola.

Passei na frente dela e de alguma forma senti um bocado de nostalgia. Lembrei da espera pro portão abrir, aquele amontoado de moleques que ficavam na frente. Lembrei de uma casa da frente, a banquinha da "tia Zeza" que vendia geladinhos (inclusive o de côco, que era o mais popular, por R$0,15), e fui passando nas casas e relembrando. Várias casas mudaram, claro. Pensando bem, desde 2003 não dava um pulo por aquelas bandas. Quase dez anos.

Pra chegar em casa eram duas ladeiras pra descer. Lembrei de onde alguns amigos moravam e fiquei olhando com calma a casa de todos. Muitas das casa estavam bem diferentes, mas ainda conseguia reconhecer alguma coisa.

E pensar que muitos amigos morreram por terem se envolvido com tráfico. Histórias bastantes tristes, e desde moleque sempre me perguntava porque somente eu devia ser o "fortunado" de ter isso. Mas hoje sei que não é uma questão de sorte ou azar, infelizmente. Sim, acho que "sorte" seria um critério justo. Infelizmente jovens da periferia são assim. São pessoas que vivem numa guerra urbana, onde nenhuma ONU pode ajudar. Não há princípios, apenas a sede em ter algo que não se pode ter, mesmo que a força seja usada para tal. Um apartheid social, em outras palavras.

Brasil é um país bem racista. Nosso apartheid não tem nada a ver com o apartheid da África do Sul. Pensando bem, o nosso era bem pior.

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