quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O que faz um país desenvolvido ou não?

Quando era moleque era ensinado que um país desenvolvido é um país que é dono de diversas indústrias, que produz bastante, e tudo mais. Hoje, vivo num país que possui um dos maiores PIBs do mundo e mesmo assim não entra no seleto grupo de "países de primeiro mundo". Fui na Europa e vi que o buraco é bem mais embaixo.

Se você acha que o Brasil é um país nem um pouco capitalista eu tenho uma péssima notícia pra você: Brasil é sim, muito capitalista. E hoje, por incrível que pareça, existe um capitalismo social muito presente na Europa. E tem nada a ver com a crise. Vou destacar o Reino Unido que foi onde eu estive.

Enquanto eu estava lá, muitas pessoas estavam doidas pra participar de uma loteria lá, similar a essas da Caixa que você tem uma chance em 2 bilhões de ganhar, tinha por lá também. O mais engraçado era que, embora o prêmio fosse de, digamos, 100 milhões de libras, de fato só iria pra sua conta uns 40 milhões. O governo pega tudo.

Algo similar eu vi em Amsterdam. As pessoas não são ricas, elas tem uma vida bem confortável. É difícil ir para um nível mais miserável que esse, e é praticamente impossível existir uma "ascensão social" e ficar rico igual o Tio Patinhas.

Acho que muita gente pensa que todos na Europa são ricos. Longe disso. Existe um controle imenso do governo, por meio da carga tributária e tudo mais, para que as pessoas fiquem naquele nível social. É um nível bom? Opa, excelente. Pessoas lá com 20 anos estão morando sozinhas, tem capacidade de pagar um teto e costumam consumir produtos que para nós são nobres. Se Brasil produzisse Kit Kat, ele seria mais vagabundo que um Bis.

Óbvio que estamos falando de um país capitalista, as pessoas querem enriquecer. Mas mesmo que não enriqueçam, eles têm uma qualidade de vida formidável como classe média. Porquê? Simples e básico controle de tributos. O governo distribui melhor a renda pra todos, sugando dos mais ricos e distribuindo pros pobres.

Ir pra Europa me ajudou a montar esse quebra-cabeças social. John D. Rockefeller foi o primeiro maluco que conseguiu alcançar a quantia de 1 bilhão de dólares em riqueza, isso em pleno início do século XX. Com a correção monetária, aqueles 1 bilhão virariam hoje nada mais do que 600 bilhões de dólares. Isso é pra deixar qualquer Carlos Slim, o homem mais rico do mundo hoje, parecendo um favelado com seus "míseros" 69 bilhões.

Esse controle que fez com que países não apenas se tornassem mais desenvolvidos mas também mais justos. O Brasil ainda tem um sério problema de distribuição de renda e as pessoas tem que perder essa ilusão de que precisamos de pessoas ricas: devemos sugar tudo o que os ricos têm e distribuir melhor essa renda. Isso chama-se justiça social.

Porquê? Simples. Assim o salário médio aumenta, pessoas consomem mais, a violência diminui e, acima de tudo, com um consumo maior as industrias produzem mais, competem mais, o país produz mais riqueza e as coisas crescem. Rico não gasta dinheiro.

Eu lembro de uma fala do Márcio Garcia, que ouvi há muito tempo dele quando lhe perguntaram numa entrevista se ele prefere ter dinheiro, ou gastar dinheiro. Ele respondeu que prefere ter dinheiro. Pessoas ricas são assim, pessoas enriquecem não para gastar, mas para ter. Por isso se faz necessário uma distribuição de renda para enfim impulsionar esse país.

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog