quarta-feira, 6 de março de 2013

A morte de Alexandre Magno Abrão.

Dizem que Buda envia sinais pra gente.

Hoje morreu Chorão. O vocalista da banda Charlie Brown Jr. Sinceramente, mal conhecia essa banda, sequer eu sei um sucesso. Não vou baixar a discografia agora que o vocalista morreu. E sinceramente pensava que era apenas um skatista vagabundo de 22 anos. Mas não, ele tinha passado dos quarenta e tinha até um filho com a minha idade.

Como muitos hoje, acabei conhecendo um pouco sobre a banda.

Parece que foi mesmo suicídio. Subiu, subiu, subiu e acabou caindo - e falecendo. Hoje, assistindo ao Datena a tarde, vi a entrevista que a Sonia Abrão deu pra ele na rádio. Tem um link aqui, é tocante. Uma das coisas que mais me surpreenderam foi a fala de Chorão que Sonia Abrão revelou: "O que me derruba é que a gente nasceu sozinho e morre sozinho".

Engraçado isso, né?

Hoje durante a corrida matinal eu tava pensando sobre isso. Que muitas pessoas passam por grandes sofrimentos têm normalmente dois comportamentos: o primeiro é ser destrutivo consigo mesmo. É difícil de explicar, mas vou dar um exemplo: é igual uma menina que quer ser livre pra namorar quem ela quer, mas por conta da pressão social e da família ela tem que ser obrigada a evitar, e acaba agindo como uma grande biscate por consequência disso.

Outro tipo de comportamento é um menos destrutivo. A pessoa sofre, sofre, sofre, mas ainda segue em frente. Meio que ignora isso pra que continue sua própria vida. São aquelas pessoas que mesmo na cadeira de rodas, com milhões de tumores no corpo e sem os braços continuam seguindo em frente. Isso também não é um ideal, pois, pelo menos no meu caso e no que vejo de vários, existe uma linha tênue sobre esconder as consequências e quando elas explodem, revelando o seu mal interior, que estava adormecido.

Nunca fui flor que se cheire. E sei que existe uma pessoa terrível dentro de mim. Adormecida, mas existe.

Um cara com fama, que comia muitas fãs (eu sempre quis ser "rockstar" pra comer fãs!) e que devia ter lá uma grana. Seguia fazendo shows, mas muitos imaginavam que talvez aquela tristeza que ele tinha era... Poesia?

E hoje, aparece morto. Morreu sozinho. A morte sempre acaba sendo um aspecto solitário. Não podemos pedir pra outra pessoa morrer por nós. Morrer é uma atitude bastante mesquinha.

Não conheço o cara, mas vendo as falas, me cativei. Minha criação sempre foi na base do "você tem que se virar sozinho, porque você é sozinho nesse mundo". Claro que teve momentos difíceis, mas em grande parte sempre gostei dessa liberdade. Eu provei um bocado dessa solidão enquanto estava na Europa, por exemplo. Não sou desses anti-sociais, eu consigo manter uma conversa sadia com pessoas, sou simpático. Mas a vida sempre ensinou que as coisas são muito transitórias, e o que antes pra mim era um pesadelo (como deixar de falar com um amigo pela distância ou tempo) hoje é algo que consigo conviver.

Sem namorada pra gastar dinheiro ou ficar dando satisfação pra onde vou e com quem eu vou. Sinto falta de uns carinhos um pouco de sexo gratuito? Sim. Mas não é algo que seja a maior meta de vida, como é dessas menininhas de trinta e poucos anos com medo da menopausa.

Até pouco tempo eu tinha muito essa meta de conseguir uma namorada pra lidar com essa minha solidão. Mas aí eu vi que mulher dá muita dor de cabeça e cada vez mais tá difícil arranjar alguma que tenha algo na cabeça e seja minimamente atraente.

Será que se o Chorão soubesse lidar melhor com a solidão uma tragédia não teria acontecido? Fiquei pensando sobre o assunto. Mas acredito que sim. Lembro das palavras do Sakurazukamori: "É porque somos solitários. Enquanto desejarmos algo, nós conseguimos sonhar. O ser humano não é tão forte a ponto de conseguir viver sem sonhos".

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