quinta-feira, 25 de abril de 2013

Lara Croft como um ícone feminista.

Parece irônico isso que estou escrevendo. Justo Lara Croft. Reza a lenda que quando os malucos da Eidos criavam seu modelo tridimensional para o primeiro jogo, um dos modelistas exageraram de propósito nos seios para ver como ficava, e o diretor aprovou. Ficou a clássica Lara que todos conhecem:


O que acontece é que mesmo tendo inúmeros fãs, a Lara nasceu como um ícone sexual. Ela sempre fora essa mulher, armada até os dentes, caçando lobos, ursos ou homens malucos em Veneza (pilotar o barco no Tomb Raider II era divertidíssimo!). E a receita continuou praticamente a mesma, acredito eu (eu não joguei nada depois do Tomb Raider III), pelo menos pelo visual, sempre se manteve.

A questão aqui é como é retratada o conceito feminino. Uma mulher intocável, sem sentimentos, que só sabe atirar e os peitos nunca balançam quando pula por aí. Ok, vamos admitir que a capacidade gráfica da época limitava bastante (inclusive nesse último item), mas aquela Lara sempre passou essa ideia de ser invencível, intocável.

Até que ela mudou:


Terminei ontem o atual Tomb Raider, o de 2013.

Temos enfim uma Lara com menos peito, e mais cérebro. E mesmo assim totalmente apaixonante, diga-se de passagem.

A Lara antiga que me perdoe, mas eu prefiro muito mais essa. E não é pela beleza gráfica, mas pelo desenvolvimento mais humano da personagem. Antigamente, as pessoas tinham uma noção meio machista das personagens femininas. As retratavam com pouca personalidade e muitas armas. Eram algo como "one man army" (exército de apenas um homem). Foi assim com a Samus Aran de Metroid, ou a Jill Valentine de Resident Evil.

Dá pra sentir essa vibe nos primeiros minutinhos do game, ou mesmo nesse trailer que resume a coisa toda:


Nesse game a Lara começa como uma simples arqueologista que o máximo que tinha ido era dar uma rolês em Picadilly Circus (sim, ela sempre foi britânica!). Logo no começo do jogo (é sério! Não é tão spoiler) ela com fome tem que matar um sãopaulino veado pra poder se alimentar. Acerta ele com uma flecha e fica com dó de dar um golpe final no bichinho. Totalmente diferente da antiga que atirava sem dó em tudo o que se mexia, ficou mais humana.

Sem contar que ela tem vários desafios, como salvar a melhor amiga (uma japinha gatinha chamada Sam Nishimura), seres sobrenaturais (como em todo Tomb Raider) e claro, escapar da ilha.

Mas o interessante é o desenvolvimento dela como personagem. A hesitação na hora de matar a primeira pessoa (que tenta inclusive estuprá-la) ou os ferimentos em seu corpo que causam muita dor. Você começa controlando uma menina mimada abastada, e depois dela superar, e provar que as mulheres podem tudo, uma verdadeira sobrevivente nasce. Como de praxe, é um jogo muito cinematográfico.



Nunca achei mulheres fracas. Muitas das coleguinhas da pré-escola me batiam quando eu era moleque, hehe. E ainda digo mais, ás vezes acho que é mais um "bloqueio social" em cima das mulheres que as tornam fracas, exaltando nelas apenas o lado "meiga" ou "bonita" delas em detrimento da força física.

Só precisam mesmo de um empurrão, se defenderiam tão bem quanto os homens. Existem registros históricos tanto de mulheres que se disfarçavam de homens para lutar em guerras (até o Valdisnei fez filme disso), ou mesmo damas que formavam batalhões apenas femininos na antiguidade. Mulheres não apenas dotadas de músculo, mas de ótimos cérebros, que deixavam muito marmanjo pra trás. Porque essa característica entrou desuso, virando até mal vista pela sociedade hoje?

Pois é exatamente o que a Lara Croft nesse novo Tomb Raider prova. É engraçado até no meio do jogo você ouvir diálogos dos carinhas (homens) falando coisas do gênero: "Aquela vadia acha que pode ir andando por aí matando nossos bróders. Quando pegar aquela biscatinha vou dar uma lição nela!", isso momentos antes de você pegar uma flecha e enfiar na garganta dele.



Você não consegue, por exemplo, ir na base da porrada com os soldados do jogo. Mas agora a Lara é uma personagem que cresce, que supera seus medos e dificuldades, e não é o tipo de mulher que tem medo de estragar as unhas ou o que os outros pensariam dela por ela ficar pulando de penhascos, enfrentar mortos vivos, descer correntezas, e ficar naquela pose de "eu sou intocável" como era antigamente. Ela tem medo, tem sim, mas ela os enfrenta. E isso a torna um ícone feminino muito louvável, rompendo aquela fragilidade feminina de sempre ser a ser salva, nunca a que vai salvar alguém.

O jogo é excelente, mas o que mais me impressionou foi a mudança dessa característica da miss Croft. E se engana quem pensa que se a mulher fica assim fica menos "atraente" pra nós homens. Sinceramente, você, homem, qual escolheria pra tentar conquistar o coração? A Lara Croft, a heroína que luta contra lobos, soldados, clima hostil e prédios pegando fogo, ou a Sam, a donzela em perigo amiga da Lara que você tem que salvar no jogo?

Olha, vou ser sincero, essa Lara é apaixonante. ;-)
Onde fica a Inglaterra mesmo?

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