sábado, 13 de abril de 2013

Parem de falar do Feliciano, por favor!

Revolta! Depois que eu vi um camarada meu, pseudo-jornalista que compartilhou uma dessas inúmeras imagens rodando a internet sobre "Feliciano não me representa", vi que o infeliz buraco é bem mais embaixo.

Não vou falar sobre os revoltadinhos de internet, que adoram falar que tudo isso é uma puta falta de sacanagem. E claro que a mídia vai cair em cima, fazendo rios de dinheiro e literalmente defecando e andando para o que Feliciano fala.

Não vou falar do racismo dele, ou das declarações contra gays. Todo mundo tá cansado de saber que isso é errado e feio, muito feio.

Queriam que ele pedisse a renúncia. Feliciano, em seu direito, não pediu. Qual a solução? Todo mundo começou a colocar fotos de "Feliciano não me representa", querendo criar algum tipo de comoção na internet - e justo para o Marco Feliciano, que está também defecando e andando pra isso.

Tantas coisas mais úteis poderiam ser feitas com essa energia toda!

Sempre que temos um problema, devemos atacá-la na sua raiz. Dizem que a única defesa nossa é o voto, e insistem que devemos votar melhor para evitar isso. Mas existem coisas muitas podres no sistema eleitoral, que ao invés de trazerem um pouco de justiça, causam mais insatisfação no povo.

Primeiro que é a bendita obrigatoriedade de voto. Em um país que viveu em ditadura por séculos (ou vocês acham que Portugal nos tratavam bem?), justo quando consegue um vislumbre de democracia, obriga as pessoas a votarem. Isso não soa irônico? E aí, o nego que quer simplesmente ter um domingo em casa coçando o saco e vendo a Eliana, tem que ir pra uma escola nos cafundé e votar no Tiririca. Achei mais que válido a eleição do Tiririca. Quer uma maneira melhor de protestar contra o voto obrigatório do que elegendo um palhaço?

Segundo, é o sistema, que é falho.

Eu não sou fã de presidencialismo. Dar plenos poderes pra um bando de malucos, com a chance mínima de impeachment, terem a chance de fazer o que bem entendem por quatro anos? Aí o carinha vai ter que mostrar serviço, caso contrário, cai e vem o próximo, que vai ter mostrar serviço em dobro pra manter a imagem boa do outro governo.

Mas parlamentarismo parece não funcionar na América. Talvez as pessoas ainda tenham algum bloqueio, pois no resto do mundo é assim, e funciona bem.

Estamos acostumados a pensar o sistema inteiro com deputados, senadores, governadores, presidentes, que deixamos de pensar numa nova possibilidade de arrumar isso. O maior exemplo tá aí:

Para eleger um deputado federal em São Paulo, é necessário pouco mais de 300 mil votos. Marco Feliciano recebeu pouco mais de 200 mil, mas aí entra os votos em legenda, os outros candidatos do partido dele que só receberam voto da mãe e da esposa, entre outros fatores. A ideia é sugar cada voto possível.

Por isso que diversos candidatos sempre estão lá, como o Ivan Valente.

Parece algo sério, não? Mas e se questionarmos e perguntarmos se isso é justo? Feliciano está lá e não conseguimos tirar ele, pois mesmo com a galera gritando aqui querendo que ele saia, essa mesma "democracia" o protege. Isso também não soa irônico?

Democracia não vem de deimos (pessoas) e kratos (poder, e não o protagonista do game God of War)?

Enfim, o cara tá no direito dele, tá numa comissão minúscula que tem tanto poder quanto o síndico do prédio vizinho, o país não vai mudar sem ele, e muito menos ele mudará o país, nem nada do gênero. Deixemos as pessoas em suas devidas mediocridades, por favor. Se até ele admitiu que é uma comissão medíocre, e vendo o histórico dela, de fato ela é tão decisiva nos rumos de um país quanto o tiozinho que quer café.

Resumindo: é nada.

O sistema é podre, parceiro, já dizia o Capitão Nascimento. Se fosse um sistema de governo mais justo, sem dúvida conseguiríamos tirar uma pessoa como ele fácil fácil. Voltemos a nossa programação normal, com pessoas compartilhando imagens de desapoio ao Feliciano, e achando que assim podem mudar o país.

Bullshit.

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