quarta-feira, 31 de julho de 2013

Doppelgänger - #2 - Filthy abstinence

No dia 6 fui passear com duas amigas que estavam visitando Londres. Ficamos o dia inteiro andando. Já era tarde da noite e as havia deixado perto da Victoria Station. Voltei andando até Pimlico e peguei o metrô de volta.

Eu sempre gostei de Pimlico. Quando eu era criança andava muito com meu irmão mais velho por lá. Ele tinha alguns amigos que moravam lá, inclusive alguns que trabalharam com ele no Sector 9. Sempre gostei dos arredores do Tate Britain. Depois fui pra casa dormir.

7 de novembro

“Você só fuma quando está bem nervoso, né?”, disse Victoire olhando pra mim.

Estava sem fome. Aquele Lucky Strike era o meu café da manhã. Estava frio no dia, eu estava encostado em um poste e Victoire chegou me abraçando. Ficou um tempo com o ouvido sobre o meu peito. Estávamos no Jubilee Gardens, vendo a imensa London Eye com as Casas do Parlamento ao fundo.

Coloquei meu braço sobre o ombro dela e a levei para sentarmos numa daquelas mesinhas ali. Foi aí que uma senhora perguntou se poderia sentar ali. Na hora não liguei muito, mas quando a vi a reconheci imediatamente.

“Velha? É você?”, iniciei, mostrando uma imensa surpresa.

“Pssst!”, ela gesticulou, pedindo pra eu não esboçar muita surpresa, “Há quanto tempo meu querido. É ótimo revê-lo novamente!”.

Várias coisas vieram na minha cabeça naquela hora. Essa velha não tinha mesmo muito cérebro - ou estava era ficando gagá. Andar por aí com roupas comuns e sem segurança (pelo menos nenhum aparente). Mas ela parecia uma velha comum sem a pomposidade toda dela. Vestia um moleton de academia e estava de touca. Era rosa e o moleton cinza. Parecia uma velhota que havia decidido fazer exercícios físicos.

“Eu disse pra você não se meter com essa gente de novo, e você me prometeu que não seguiria os passos do seu irmão, que viveria uma vida comum”, começou ela, me recriminando com dureza.

“Desculpe. Mas infelizmente somente eu posso fazer isso. E você sabe bem disso”, iniciei.

Ela tirou da bolsa delas algumas pastas.

“Não temos muitas informações, infelizmente”, ela iniciou, “Porém, temos um grande time pra ir com você. Se essa biscatinha quiser ir também, não tem problemas”, a velha apontou pra Victoire, que obviamente não gostou de ser chamada assim pela velha.

Eu peguei os papéis e documentos que ela tinha. De fato não eram muitas coisas. A minha semelhança com ele era incrível, apenas o cabelo estava um pouco mais curto que o meu. As fotos foram batidas nos arredores de Newmarket, ao leste da Grã-Bretanha. Era muita coincidência mesmo, poderia ser qualquer lugar pra mim, menos em Newmarket.

“Newmarket? Mas pera lá, você viveu lá!”, disse Victoire, mostrando surpresa. Tudo o que pude fazer era ficar quieto e ler aqueles papéis.

“Esse cara é completamente maluco.”, iniciou a velha, “Ele provavelmente tem um time, cujo objetivo é puramente causar algum tipo de pânico global por meio de suas influências e seus movimentos”.

“Militar?”, questionei.

“Não, Al. Não estamos mais na Guerra Fria. Esses homens vão causar um colapso financeiro no mundo por meio de seus agentes, infiltrados nas mais altas cúpulas da economia global. Causando a miséria ainda maior de muitos e o benefício de meia dúzia. Seria o estopim para atentados terroristas, ou mesmo guerras no futuro. Porém...”, a velha pausou.

“Porém o quê?”, eu perguntei, tentando acelerar aquilo, pois estava ansioso.
“...O líder deles disse que apenas uma pessoa pode encontrá-lo. Curiosamente ou não, todos os agentes que mandamos foram assassinados ou estão desaparecidos”.

“Não faz sentido, velha”, iniciei, olhando pra baixo, tentando organizar os meus pensamentos, “Sou apenas um cara da velha guarda. Como que esses caras de alto nível foram pegos? Hoje eles estão muito mais preparados do que na minha época. Exceto se esse cara fez isso para provocar vocês da Inteligência. Deixando vocês acuados, sem opção, exceto chamar a mim”.

“Sim”, respondeu a velha, “Você é o único que estaria imune a ele, pois ele quer te encontrar antes. Sabemos que ele não te mataria antes. Logo, ele não te mataria até que vocês dois estivessem face-a-face. Mas quando você encontrá-lo, você já sabe o que deve fazer”.

Fiquei em silêncio. A vida estava muito fácil no meu exílio. Uma vida tranquila, um trabalho tranquilo. Mas naquele momento eu tinha me questionado se era isso mesmo que eu queria? Como se a adrenalina de ser caçado pelo mundo, de ter minha cabeça valendo mais que o trabalho de muitos anos de gente por aí, de escapar das maiores perseguições seria algo que eu estava completamente viciado.

Se aquilo era um vício, eu estava numa abstinência imunda.

“Vou deixar você analisando isso com calma. Mas tome cuidado, sim? Vou te deixar na sua equipe os agentes Rockefeller e a Victoire. Tem mais uma pessoa que você gostaria como cabeça de equipe a não ser eles?”, questionou a velha.

“Sim. Mas pode deixar que vou buscá-la”, respondi.

“Onde ela está?”, a velha questionou.
“Ela está na Holanda”, eu concluí.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Contradições do contraditório.

Ontem saí com umas amigas e fomos comer uns hambúrguer muito doido na Lapa. Cheguei meio cansado em casa e fui tirar um cochilo. Acordei no final do Pânico na Band e como estava sem sono fui assistir ao Canal Livre. Volta e meia sempre tem uma entrevista interessante.

Primeiramente: se tem uma pessoa que é totalmente descrente sobre aquecimento global feito pelo homem sou eu. Tudo começou quando anos atrás tive acesso ao The Great Global Warming Swindle, um documentário que dificilmente passaria por aí para todos verem. Mas poderia ser algum tipo de especulação - nunca se sabe. A gente fica com um pouco de receio de confiar nessas coisas.

Ainda assim eu fui pesquisando, e vi que tudo o que falam no documentário tem fundamento científico forte. Talvez nem tanto a parte sobre os países industrializados quererem que os países pobres tenham um impedimento ao seu crescimento. Na verdade isso é óbvio demais pra ser colocado como "conspiração".

Ontem, porém, assisti a entrevista com Luiz Carlos Molion. Uma coisa que dificilmente iria causar tanto impacto, e caso fosse amplamente divulgada, ia quebrar as pernas de muita empresa "verde" por aí. Quem não assistiu, nem vou comentar sobre, apenas assistam:

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Final Fantasy IV



Mais um pra listinha! Já terminei Final Fantasy I, Final Fantasy II, Final Fantasy XIII e Final Fantasy XIII-2. Ontem a noite fechei Final Fantasy IV (que foi lançado no ocidente como Final Fantasy 2), aquele do Cecil Harvey, Kain Highwind, e as gostosinhas Rydia e Rosa.

Curti muito! Eu já estava querendo jogar pois no Dissidia tem algumas cenas com o protagonista, o Cecil, e achei legal os dilemas dele entre seu lado sombrio e seu lado iluminado. Sem contar o carinho fraterno com o seu irmão mais velho, o todo-fodão Golbez. Pensei comigo mesmo que queria experimentar esse jogo e entender toda a história por detrás desses personagens.

Dei uma pausa nas leituras e fui mandar ver no Final Fantasy IV, um remake pro PSP.

Simplesmente demais!

Achei muito bom o dilema que no começo do jogo o Cecil tem. Ele começa todo com uma armadura sombria, cheio de não-me-toques. Porém, logo mais ou menos na quarta missão sua você vai pra um monte onde descobre que você também tem um lado cheio de luz, e muda de profissão, virando um paladino.

O jogo tem vários personagens que vão e voltam. Mas no final você pode escolher qualquer um pra integrar seu time. O único que você nunca deixa de jogar é o viadinho do Cecil. Destaque pra Rydia, que começa uma pirralha e depois de um treinamento pra virar uma high summoner vira uma baita duma gostosa (essa menina de verde aqui no post).

Enfim, nota dez! A única coisa que achei difícil de acostumar é o modo de luta. Não é tão simples como os outros onde você dá o comando e ele manda o ataque. O sistema é meio parecido com o FF13, você tem que primeiro esperar a barrinha encher pra dar o comando do golpe, e depois, esperar de novo pra atacar. Achei esse esperar de novo inútil, mas... Paciência. Se quiser descansar aperte Select e deixe no automático. Salva muito mais tempo nas batalhas!

Spoilers abaixo

Sempre roteiro é essencial, desculpem quem gosta de gráficos. E roteiro bem escrito é bem nessa, o cara consegue te contar uma história inteira sem câmeras ou vozes surreais.

O primeiro Final Fantasy era bem estilo conto de fadas mesmo. Todos os Warriors of Light contra o Chaos, a essencial de todo mal. O segundo parecia tratar de autoritarismo, com o Imperador querendo comandar tudo e todos, usando toda sua força para levar a bagunça para o mundo e aprontando muitas confusões na Sessão da Tarde, sobrando o Firion e seus amigos acabarem com a festa dele.

O terceiro eu pulei porque não me interessou. Parece um pouco o primeiro só que com mais opções de job. Exceto pela antagonista, a Cloud of Darkness com seus generosos seios.

O quarto parece brincar com a dualidade entre bem e mal. E não apenas isso, mas entre luz/escuridão. Hoje é meio ver filmes como "Meu malvado favorito" ou "The nightmare before Christmas" com protagonistas que tem aparência de vilões. FF4 não é muito diferente. Você começa controlando o Cecil sombrio, que destrói vilarejos, mas que no fundo não era nada mais do que uma marionete na mão dos vilões de verdade. E mesmo o Golbez em toda sua maldade no jogo, vira um cara legal pra tomar uma breja no buteco no final, meio que se sacrificando pra que você possa lutar contra o real cara malvado do jogo, o Zemus (que depois vira "Zeromus", o chefão final).

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A (dura) jornada atrás do visto americano.

Chegou hoje! Ah! Isso que é tirar peso das costas.

Tirar visto americano não é um processo fácil. E isso porque dizem que antes era pior. Móderfaquer, americanos gordos! Reservar dois dias, pra ir no CASV e no Consulado, sem contar que preencher o formulário DS-160 de maneira impecável, o que não é fácil.

Preencher o DS-160 foi uma das etapas mais chatas. Mas existem uns guias legais como esse. Recolher todo raio de documento, preencher com cuidado e depois rever todos os dados um por um. E depois mais umas duas vezes, por via das dúvidas. É importante preencher tudo da maneira mais correta possível, pois alguma incongruência será pega na hora da entrevista no consulado. E aí, bye bye visto.

Sem contar que tem umas perguntas que só o Osama Bin Laden poderia responder, como: "Você pretende fazer um ataque terrorista em território americano na sua estadia?". Não teve uma pessoa que eu não dissesse isso que não desse risada. E o pior: tem alternativas "Sim" ou "Não"!

Com a página de confirmação do DS-160 em mãos a próxima missão era pagar o raio do boleto de US$160 doletas. Pra quem mal tinha começado no emprego novo, e mal recebido o primeiro ordenado isso foi uma facada que doeu na nossa moeda desvalorizada. Obrigado à Dilma nessa parte e ao Guido Mantega viado.

Depois foi agendar no CASV. Eu indico fortemente que você faça questão de ligar nos telefones e ir seguindo com um atendente o passo a passo. Sinceramente, eu sou webdesigner, mas não quer dizer que eu tenha a solução mágica para navegar em qualquer site, especialmente se ele é mal construído como esse. Você passa por umas cinco (!) páginas até que você consiga voltar na página de impressão do boleto e digitar o campo "Seu número" que está lá pra ver se pode agendar a entrevista.

Porque cargas d'água isso não está logo de cara quando você faz o login?

Logo após isso, enfim, você tem acesso a página para agendar as coisas. Mais um erro grave de design: primeiro você agenda a visita ao Consulado e depois a visita ao CASV. Porém, você precisa ir primeiro no CASV e depois ao Consulado! Que trabalho de português, hein? Porque eles fazem isso? Seres humanos seguem a ordem das coisas de maneira cognitiva, o lógico seria agendar primeiro no lugar que você vai primeiro e depois agendar o segundo lugar que você tem que ir. Mas por algum motivo lusitano americano faz isso.

Agendado pronto, chegou o grande dia. Não se esqueça de levar o e-mail de confirmação da entrevista e a confimação do DS-160. Leve também o boleto pago, por via das dúvidas. Não pediram, mas eles pedem no site.

Mas tio Alain, e se eu não levar?

Se você não levar, o que não faltam são oportunistas. Uma galera de camiseta vermelha que ficam na porta do consulado loucos para alguém desprevenido para cobrar vinte pratas por folha da confirmação. E não leve nada a não ser carteira, chave, bilhete único, e uma pasta de elástico com os documentos. Nem bolsa, nem celular, nem mochila. Se levar, provável que tem que pagar um guarda-volumes. Vi uma galera entrando de celular desligado, mas eu não arriscaria. Custa ficar uma meia horinha sem o seu iPhone, seu Apple faggot?

No CASV é de boa. Ás vezes pode ser até atendido antes. Tem umas minas gostosinhas trabalhando lá também. Pegaram as digitais, a foto, e o funcionário disse: "Pronto, o senhor pode ir ao consulado pra entrevista". Fiquei nervoso à toa (primeira vez, né? Quem teve a melhor transa da vida primeira que atire a primeira pedra).

Agendei pro outro dia o consulado. Organizado, em filas, até aí sem problemas. As entrevistas são feitas em uns guichês, parece estação de metrô com cobrador do outro lado. Tipo uma bilheteria! Tem uns americanos que te entrevistam, mas tem uns brasileiros também. E na entrevista basicamente ele tenta pegar alguma incongruência.

Os caras manjam um pouco de linguagem corporal, isso eu consegui notar pelo trajeto do olhar deles. Eles costumam repetir a pergunta, também. Eu sei que muitos falam "não fique nervoso na hora", mas muitas vezes se a gente fala isso acaba ficando é mais nervoso. Bom, eu sou meio especialista em interrogatórios, então pulemos essa parte.

A única parte que eu vacilei foi que ele pediu alguma confirmação do meu trabalho que eu tinha sido liberado aqueles dias para viagem. Aí fodeu. Eu disse que foi um acordo verbal com o RH da empresa, e que eles estavam avisados. De resto, correu tudo bem.

Acho legal ficar observando as outras pessoas enquanto você está na fila. Você vê ali o tipo mais interessante de pessoas possível. Desde o executivo que começa respondendo com firmeza cada pergunta (ás vezes falando tão alto que dá pra ouvir de longe) e que depois se borra quando o carinha pergunta coisas mais elaboradas. Tem também o infeliz clássico: "Desculpe, mas no momento a sua solicitação de visto americano foi negada". E lá se vão as trezentas pratas jogadas ao vento.

A minha entrevista foi exatamente há uma semana, dia 18 de julho. Chegou hoje o passaporte. =)

Bora pras américa!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Madalena.

Eu sou budista, mas tenho uma grande admiração por uma santa em especial.

Dia 22 de julho desse ano parece um dia e tanto. Não apenas pelo papa Chicão vir pro Brasil ou se a Kate entrar em trabalho de parto. Mas hoje o dia foi está sendo bem diferente.

Acordei e me deparei com o tempo super fechadão. Normalmente no meu aniversário vai um sol de rachar, isso a vida inteira. Eu não sou muito fã, mas desde que eu vi a previsão indicando hoje um tempo um pouco nublado e amanhã a temperatura despencando, achei que seria diferente. Porém, vindo ao trabalho, fiquei olhando pro céu, e ele foi mudando. As nuvens começaram a abrir e deu pra ver um céu bem bonito.

Chegando no trabalho abro o Facebook e vejo uma mensagem da Cris, dizendo: "Meu amigo irmão! Hoje não fez frio porquê o sol tinha que brilhar pra você. O sol é a luz do Buda. E acho que é ele que também nos une!"

Achei lindo! =)

Na verdade muita gente sempre chama a atenção pelo fato de eu fazer aniversário no meio de julho (inverno no Brasil) e o tempo justo nesse dia ser diferente.

Mas e a Madalena, o que em a ver? Eu vou confessar que minha paixão por ela começou como quase 90% das pessoas pelo Código Da Vinci. Mas aí fui pesquisando, pesquisando, pesquisando e descobri duas coisas: a primeira é que o que Dan Brown mostra é pífio comparado com a história inteira. Segundo: essa história inteira é bem melhor que qualquer uma do Dan Brown.

Nada a ver com o papo de Hieros Gamos que ele tanto cita, mas sim de um amor puro. Eu me via muito na pele da Madalena, apedrejado por todos até que alguém me protegeu, alguém me mostrou compaixão. Não estamos falando de fé, mas da força que sempre foi motriz da humanidade e nos trouxe até aqui: amor!

E um belo dia, pesquisando sem querer, descobri algo que, coincidentemente (coincidências existem?) que ela é a santa do meu dia, do dia 22 de julho.

Obrigado!! Muito obrigado!

sábado, 20 de julho de 2013

Cecil Harvey e eu.

(não, esse post não tem o título de "E lá estava você")

Eu sei que eu deveria postar mais, mas esse mês foi atribulado, e eu estava tirando o visto americano. Deu tudo certo, mas eu quando estou cheio de problemas eu não consigo sentar relaxado pra escrever aqui.

Mas hoje eu estou! Hohoho.

Eu pausei um pouco as leituras pois consegui uma nova maneira de instalar jogos no PSP pra jogar. Eu joguei muito Dissidia Duodecim pro PSP e gostei bastante de conhecer os protagonistas e antagonistas da série Final Fantasy. Até esse momento eu já terminei quatro Final Fantasys: o primeiro, o segundo, o décimo-terceiro e a continuação desse, o décimo-terceiro dois. Dessa vez estou me aventurando no quarto.

Mas aí eu te pergunto, porque justo entre os treze jogos eu fui jogar justo o quarto pra jogar?

Pois quando joguei Dissidia (que é uma estória cruzada com todos os protagonistas/antagonistas da série inteira) eu gostei muito do Cecil Harvey, o protagonista do quarto. No jogo ele fica direto com o traje sombrio dele, como dark knight. Porém, mesmo tendo essa cara de vilão tipo B, o Cecil é bonzinho.

Ele é um cara que vive como um pêndulo entre seu lado heróico e sombrio. O lado heróico é ele como paladino, essa armadura branca. O lado sombrio é essa armadura escura. Isso me interessou.

Muitas pessoas talvez só conheçam meu lado "paladino", mas eu tenho um lado sombrio também, infelizmente. É algo que eu tenho que conviver, mas acho que melhorou bastante. Não que a resposta que eu encontrei fosse eliminar o lado sombrio e só deixar meu aspecto bondoso. Mas sim ter um meio-termo.

Tem um momento que o próprio Cecil fala no jogo que ele mesmo sendo um cavaleiro sombrio ele é uma pessoa bondosa. Porque de fato, até o momento em que você vira paladino o Cecil tem esse jeitão de vilão, igual ao Kain Highwind. Acho que o meu destino seja esse, mostrar que mesmo no meu lado sombrio eu posso fazer o bem para as pessoas próximas de mim.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

E lá estava você.

13 de junho. 

Combinação de números não muito favorável. Mas foi o meu primeiro dia de emprego.

Estava rolando uma greve na CPTM então a cidade estava aquele caos. Até aí, podemos considerar dentro da normalidade. Foi um sufoco chegar no trabalho no horário, e pra sair então foi outro parto. Ao invés de pegar um mesmo ônibus que eu sempre pego, peguei um outro e desci em outro terminal.

Estava muito, muito cheio. Subi para pegar o metrô. Foi aí que eu vi alguém passando a catraca.

Reconheci a altura dela, inclusive o aroma. Como se fosse uma memória olfativa forte, acredito que sentia algo, e eu sabia que era justamente ela. Era algo espiritual.

E eu a vi andando na minha direção. Aqueles olhos sem expressão, focados em olhar apenas na frente. Eu via aquilo mas não acreditava. Mas não estava morta? Pelo menos ali não. Roupa preta, um moleton e um calça jeans azul escura. Sua pele branca não havia mudado - era branca como a neve.

Meu coração acelerou na hora.

E eu fiquei mudo.

Ela passou por mim rapidamente e eu fiquei alguns segundos paralizado, como se alguém tivesse levado fora minha alma. Fiquei branco e suava frio. Tive vontade de gritar, de abraçá-la, mas não.

Olhei pra trás. Somente via aquele monte de gente, todos indo de volta para suas casas. Mas nem um sinal dela. Nada.

Pois ela já estava morta há alguns anos.

She's a ghost. In every sense of the word.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

E lá estava você.



Foi algo tão único! =)

E só de saber que alguém como você estará do meu lado já dá mais ânimo pra seguir em frente.
Muitas pessoas nos aguardam. Vamos lá, indiazinha! =)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Doppelgänger - #1 - Eu e Victoire.

5 de novembro

Eu estava na janela, vendo o sol nascer e fumando um cigarro. Ao longe era possível ver a Tower Bridge e grandes pedaços da City londrina. Os primeiros raios de sol daquele outono vinham pela janela diretamente no rosto dela. Ela acordou e me viu na frente da janela.

"Bon jour, Al", Victoire disse.

"Eu ainda não acredito que fiz isso...", respondi.

"No que? Não seria melhor você colocar pelo menos uma cueca quando ficar olhando pra janela desse jeito?".

"Eu não acredito que dormi com você de novo. Que merda".

Victoire se ergueu e veio na minha direção. Ela não era muito baixa, tinha quase 1,80m, e jogou seus braços nos meus ombros e encostou o ouvido nas minhas costas. Pude sentir os seios dela encostando na minha coluna.

"Você também queria, não queria?", ela iniciou, "Quando a gente tá junto rola uma química forte, né? Porque não deixa esse país que você tá exilado e vem de vez morar comigo aqui? Imagina nossos pimpolhos, eles seriam lindos! E você seria um pai e tanto".

Eu não sei o que eu tenho. Em geral depois que eu dou uma trepada no outro dia eu acordo como se estivesse com uma baita duma ressaca. É verdade que tomamos uma garrafa de Bailey's na noite anterior com algumas frutas, mas não imaginava que eu ia ficar tão mal quando acordasse.

"Você é mesmo uma vadia, Vicky", eu respondi, "Você planta aquele vírus em mim que está causando esse envelhecimento precoce e chega na maior cara de pau dizendo agora que quer constituir família e casar comigo? Sinceramente, não entendo o que tem na sua cabeça. Você é uma mulher fantástica, tem uns seios bem bonitos, mas ao mesmo tempo não parece bater muito bem da cabeça".

Ela se sentou na cama e ficou me encarando. Fez um biquinho e me olhou fingindo aquela cara de cachorro que levou um esporro do dono.

"Puxa... Escuta, você tá muito puritano, Al. Você não era assim! Foi pra América que fica julgando que fazer sexo é errado? Estamos na Europa! Puxa, estava com saudades de dar uns amassos em você, fazer nossa noite gostosa", e ela desceu a mão e encostou no meu pau.

"Pois é, mas isso você sabe muito bem que é errado. Nós não deveríamos nos relacionar. Muito menos trepar".

Saí e fui vestir uma roupa.

A tarde fizemos uma grande bateria de exames. Queria saber qual era o progresso da Síndrome de Werner que está causando o envelhecimento precoce no meu corpo.

"É... As drogas que eu te receitei estão surtindo efeito e retardando a Síndrome de Werner progressivamente. Tirando algumas rugas no seu rosto e os cabelos brancos, os órgãos internos estão até que razoáveis. Pra um sujeito de 34 anos seu corpo está dez anos na frente, mais ou menos".

"E isso é bom?", questionei.

"Poderia ser pior. Sem o tratamento celular e radicais livres você estaria com aparência de 60. Eu vou fazer uma mudança no seu tratamento. Quero que injete isso na sua artéria no pescoço uma vez por semana. Pode usar essa pistola pra injetar, é só mirar e disparar".

"Chega do coquetel?".

"Sim. Isso pode ser mais eficaz".

Coloquei uma roupa e desci pra tomar um café com um muffin no Prêt-a-manger mais próximo. Victoire tirou o avental de médico e veio comigo.

"Quanto tempo vai ficar por aqui?", Victoire perguntou.

"Um mês. Preciso resolver umas coisas. Amanhã não vai dar pra gente se ver. Duas amigas estão vindo pra cá e vou me encontrar com elas".

"Preciso ter ciúmes?", ela perguntou, dando uma risadinha.

"Não... Daqui elas vão pra Paris. Acho que só vamos nos rever em Amsterdam. Uma delas eu não quero ver, vou ter que aturar ela só enquanto estivermos aqui".

"Vou sentir sua falta. Sabe... Eu fico te vendo assim, na minha frente, e logo você que some da nossa vida e nunca mais dá notícias. Parece que amanhã você vai sumir e ficar mais uns três anos sem falar comigo. Isso é ruim demais, sabia? Inconscientemente fico te olhando até cansar, porque sei que do nada você vai sumir, e vamos ficar um longo tempo sem nos ver".

Tomei um gole de café e olhei pra vidraça. Dava pra ver o MI6 na minha frente, cruzando a Ponte Vauxhall. Quando voltei a olhar pra ela, seus olhos estavam marejados. Ela estava prestes a chorar. E eu, não sabia o que fazer.

"Eu enjoo fácil das pessoas, Vicky", iniciei e segurei com ternura na sua mão, "É por isso que prefiro não me relacionar com ninguém".

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Aqueles que não vemos mais.

Hoje estava conversando com uma galera de um fórum antigo de fãs de Michael Jackson que eu costumava frequentar na web. E isso em 2002, foi quando eu ingressei. Brincando ou não foram onze anos! E conversando com uma amiga sem querer citei uma menina - que na época era menina mesmo, de onze anos. Eu devia ter uns quatorze naquele tempo.

Mas o tempo passa, e hoje estou beirando os 25 e ela 20. Fiquei abismado ao ver como ela cresceu e... Ficou gatinha!

Porém ainda vejo ela como a pirralha viciada em mangás da época, haha. Eu tinha meio medo dela. Sei lá, internet é coisa difícil de se acreditar, ainda mais naqueles tempos que não existia a identidade da web como existe hoje. Sim, eram tempos difíceis onde a gente não falava onde vivia, muito menos o nosso próprio nome! Todo mundo ainda deve achar difícil associar "Alain De Paula" com o "Meta_Morphine", meu nick no fórum.

Cara, tô ficando velho, isso sim! A gente era tão criança na época, entrando na puberdade e tal. Hoje somos adultos, trabalhamos e estudamos (ou já terminamos). Eu tenho uma imensa dificuldade em ver o tempo como uma linha reta. Eu acho que isso é uma forma que nós encontramos de colocar um ponto A a um ponto B.

Mas eu ainda acho que uma forma melhor de representar o tempo seria um círculo. Time flows in circles. Until all possibilities have been tested, it will remain locked in this arc for all eternity.

Putz, aquela pirralha virou essa loiraça? Brincadeira, hein?
Baba, baby. Baba, a criança cresceu.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Livros 2013 #4 - 1Q84 (Livro III)

Terminei ontem a noite o terceiro volume da trilogia 1Q84, do Haruki Murakami. Achei esse videozinho independente no Youtube sobre o livro. Quem sabe vira um filme em breve, huh?


 
Agora que eu terminei os três eu posso falar melhor da maneira que for escrita. Mas fiquem tranquilos que quando tiver spoilers eu aviso.

Eu li por aí que esse livro é da via literária do pós-modernismo. Incrível! Acho que é por isso que eu gostei tanto dele. Eu adoro coisas pós-modernistas, e ainda acredito que é um movimento muito mais forte do que muitos teóricos ficam falando por aí.

O autor escreve muito bem. Se você for falar de forma direta, resumindo os fatos e reviravoltas da trama, é possível resumir o livro exatamente como é dito no resuminho na Wikipédia. Mas o esquema do livro é exatamente a imersão que você tem nos personagens. Tem hora que fica um bocado monótono, pois ficam dois, três capítulos direto os personagens em dilemas internos. Mas quando a ação propriamente dita começa, sai de baixo! É de tirar o fôlego. Não dá pra resumir, basicamente tudo é inesperado.

Como eu já havia dito antes, o livro ele é dividido em capítulos que ficam alternando entre os dois protagonistas. De um lado a assassina de aluguel, Aomame, e do outro o escritor de livros e professor de matemática Tengo. Claro que isso é a mera descrição deles no começo da trama, mas como você acaba se envolvendo bastante com os dois personagens durante a trama toda, você acaba sabendo que eles são muito mais do que essas descrições simples.

Existe um terceiro personagem que no terceiro livro também entre alternando entre as narrações da Aomame e do Tengo: o detetive mal-humorado Ushikawa.

Como sempre, japoneses adoram colocar personagens no mínimo curiosos. Eu gostei muito da Fuka-Eri, a adolescente que tem problemas de dislexia e é muito... MUITO BIZARRA. Eu não sei como eu lidaria com ela, porque ela é o tipo de personagem que encaixaria muito num filme de terror - se não tivesse essa aparência de uma adolescente inocente. Ou não. Mas no fundo é uma pessoa legal.

A trama inteira é cheia de referências à fantasia. Elementos como duas luas, Little people, crisálidas de ar, maza e dohta, todas coisas que são difíceis de se explicar, e que perderiam a graça se explicássemos exatamente por se tratar de um livro pós-modernista. As pessoas lêem, chegam nas suas conclusões, e aí que está a graça da coisa.

Eu li em inglês. Não achei difícil, foi muito bem traduzido. Lançaram o livro 1 em português. Porém, graças a essa vida de Brasil onde se paga em caras Dilmas até para se dar descarga, o preço do livro 1 em português está ainda mais caro que os três juntos em inglês. Quando vão diminuir esses impostos, caralho?

Agora spoilers!

Rá! Tava louco pra chegar essa hora, hehe.

Eu achei que não teve maneira melhor de finalizar do que desse jeito. No fundo no fundo, o livro na verdade é um romance, daqueles bem bonitinhos! No primeiro livro ainda existe aquela relação pura, o amor infantil que Tengo e Aomame nutriam quando eram crianças, e que mesmo depois de vinte anos ainda estão com os mesmos sentimentos.

No segundo eles decidem ir atrás um do outro, primeiro a Aomame porque ela viu a morte do seu amor lésbico amiga Ayumi (que pela descrição da própria, tinha "seios suculentos") e também pelo encontro que ela teve com o "Líder", o sacerdote-mor da seita Sakigake.

E o Tengo, por sua vez, desperta o desejo de encontrar a Aomame por culpa da Fuka-Eri, que ele inclusive trepa com ela quando ela tava num momento de transe espiritual, a menina foi dominada por uma pomba gira e sentou em cima do cacete do Tengo, e ficou cavalgando nele, e ele acabou jorrando gozo dentro da adolescente, e que no terceiro livro você descobre que quem engravidou dessa gozada foi... A Aomame?! (calma, mas até que faz sentido)

Como a Aomame tinha matado o Líder no segundo livro, o terceiro livro ela passa quase que totalmente enclausurada pois a polícia (leia-se Ushikawa) está atrás dela. O Tengo vai visitar o pai que está em coma e perto de morrer, e dá uns catos numa enfermeira. A Fuka-Eri some em algum momento e não dá mais sinal de vida.

E no final depois que o Ushikawa é morto pelo Tamaru os dois se encontram para ver a Lua. As duas luas, na verdade. Pegam um táxi até a rodovia que a Aomame está no começo do primeiro livro e eles escalam de volta, saindo de 1Q84/Cat town e voltando para 1984, onde a primeira coisa que eles fazem é ir pro motel e trepar a noite inteira vendo a lua (que agora era apenas uma no céu). Que romântico (como diria o Tamaru viadão)! =)

É o tipo de livro que depois que eu terminei deu aquele gostinho de tristeza como "fim de novela". Vou sentir falta da Aomame e do Tengo. Foi uma aventura e tanto!

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