segunda-feira, 15 de julho de 2013

E lá estava você.

13 de junho. 

Combinação de números não muito favorável. Mas foi o meu primeiro dia de emprego.

Estava rolando uma greve na CPTM então a cidade estava aquele caos. Até aí, podemos considerar dentro da normalidade. Foi um sufoco chegar no trabalho no horário, e pra sair então foi outro parto. Ao invés de pegar um mesmo ônibus que eu sempre pego, peguei um outro e desci em outro terminal.

Estava muito, muito cheio. Subi para pegar o metrô. Foi aí que eu vi alguém passando a catraca.

Reconheci a altura dela, inclusive o aroma. Como se fosse uma memória olfativa forte, acredito que sentia algo, e eu sabia que era justamente ela. Era algo espiritual.

E eu a vi andando na minha direção. Aqueles olhos sem expressão, focados em olhar apenas na frente. Eu via aquilo mas não acreditava. Mas não estava morta? Pelo menos ali não. Roupa preta, um moleton e um calça jeans azul escura. Sua pele branca não havia mudado - era branca como a neve.

Meu coração acelerou na hora.

E eu fiquei mudo.

Ela passou por mim rapidamente e eu fiquei alguns segundos paralizado, como se alguém tivesse levado fora minha alma. Fiquei branco e suava frio. Tive vontade de gritar, de abraçá-la, mas não.

Olhei pra trás. Somente via aquele monte de gente, todos indo de volta para suas casas. Mas nem um sinal dela. Nada.

Pois ela já estava morta há alguns anos.

She's a ghost. In every sense of the word.

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