quarta-feira, 3 de julho de 2013

Livros 2013 #4 - 1Q84 (Livro III)

Terminei ontem a noite o terceiro volume da trilogia 1Q84, do Haruki Murakami. Achei esse videozinho independente no Youtube sobre o livro. Quem sabe vira um filme em breve, huh?


 
Agora que eu terminei os três eu posso falar melhor da maneira que for escrita. Mas fiquem tranquilos que quando tiver spoilers eu aviso.

Eu li por aí que esse livro é da via literária do pós-modernismo. Incrível! Acho que é por isso que eu gostei tanto dele. Eu adoro coisas pós-modernistas, e ainda acredito que é um movimento muito mais forte do que muitos teóricos ficam falando por aí.

O autor escreve muito bem. Se você for falar de forma direta, resumindo os fatos e reviravoltas da trama, é possível resumir o livro exatamente como é dito no resuminho na Wikipédia. Mas o esquema do livro é exatamente a imersão que você tem nos personagens. Tem hora que fica um bocado monótono, pois ficam dois, três capítulos direto os personagens em dilemas internos. Mas quando a ação propriamente dita começa, sai de baixo! É de tirar o fôlego. Não dá pra resumir, basicamente tudo é inesperado.

Como eu já havia dito antes, o livro ele é dividido em capítulos que ficam alternando entre os dois protagonistas. De um lado a assassina de aluguel, Aomame, e do outro o escritor de livros e professor de matemática Tengo. Claro que isso é a mera descrição deles no começo da trama, mas como você acaba se envolvendo bastante com os dois personagens durante a trama toda, você acaba sabendo que eles são muito mais do que essas descrições simples.

Existe um terceiro personagem que no terceiro livro também entre alternando entre as narrações da Aomame e do Tengo: o detetive mal-humorado Ushikawa.

Como sempre, japoneses adoram colocar personagens no mínimo curiosos. Eu gostei muito da Fuka-Eri, a adolescente que tem problemas de dislexia e é muito... MUITO BIZARRA. Eu não sei como eu lidaria com ela, porque ela é o tipo de personagem que encaixaria muito num filme de terror - se não tivesse essa aparência de uma adolescente inocente. Ou não. Mas no fundo é uma pessoa legal.

A trama inteira é cheia de referências à fantasia. Elementos como duas luas, Little people, crisálidas de ar, maza e dohta, todas coisas que são difíceis de se explicar, e que perderiam a graça se explicássemos exatamente por se tratar de um livro pós-modernista. As pessoas lêem, chegam nas suas conclusões, e aí que está a graça da coisa.

Eu li em inglês. Não achei difícil, foi muito bem traduzido. Lançaram o livro 1 em português. Porém, graças a essa vida de Brasil onde se paga em caras Dilmas até para se dar descarga, o preço do livro 1 em português está ainda mais caro que os três juntos em inglês. Quando vão diminuir esses impostos, caralho?

Agora spoilers!

Rá! Tava louco pra chegar essa hora, hehe.

Eu achei que não teve maneira melhor de finalizar do que desse jeito. No fundo no fundo, o livro na verdade é um romance, daqueles bem bonitinhos! No primeiro livro ainda existe aquela relação pura, o amor infantil que Tengo e Aomame nutriam quando eram crianças, e que mesmo depois de vinte anos ainda estão com os mesmos sentimentos.

No segundo eles decidem ir atrás um do outro, primeiro a Aomame porque ela viu a morte do seu amor lésbico amiga Ayumi (que pela descrição da própria, tinha "seios suculentos") e também pelo encontro que ela teve com o "Líder", o sacerdote-mor da seita Sakigake.

E o Tengo, por sua vez, desperta o desejo de encontrar a Aomame por culpa da Fuka-Eri, que ele inclusive trepa com ela quando ela tava num momento de transe espiritual, a menina foi dominada por uma pomba gira e sentou em cima do cacete do Tengo, e ficou cavalgando nele, e ele acabou jorrando gozo dentro da adolescente, e que no terceiro livro você descobre que quem engravidou dessa gozada foi... A Aomame?! (calma, mas até que faz sentido)

Como a Aomame tinha matado o Líder no segundo livro, o terceiro livro ela passa quase que totalmente enclausurada pois a polícia (leia-se Ushikawa) está atrás dela. O Tengo vai visitar o pai que está em coma e perto de morrer, e dá uns catos numa enfermeira. A Fuka-Eri some em algum momento e não dá mais sinal de vida.

E no final depois que o Ushikawa é morto pelo Tamaru os dois se encontram para ver a Lua. As duas luas, na verdade. Pegam um táxi até a rodovia que a Aomame está no começo do primeiro livro e eles escalam de volta, saindo de 1Q84/Cat town e voltando para 1984, onde a primeira coisa que eles fazem é ir pro motel e trepar a noite inteira vendo a lua (que agora era apenas uma no céu). Que romântico (como diria o Tamaru viadão)! =)

É o tipo de livro que depois que eu terminei deu aquele gostinho de tristeza como "fim de novela". Vou sentir falta da Aomame e do Tengo. Foi uma aventura e tanto!

1 comentários:

Numa de Letra disse...

Também gostei muito da trilogia:

http://numadeletra.com/1q84-livro-3-de-haruki-murakami-51750#comentarios

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