quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Qual é a desse tal de Sexy Mandarin?

Hoje estava ouvindo a rádio e o locutor falou algo sobre um curso online de mandarim com modelos seminuas que está fazendo sucesso na internet.

Acho que é difícil tentar organizar e fazer uma imagem mental do que seja isso. Curso de mandarim, por vídeos, com modelos seminuas. WHADAFUQ??

Mas é o que o SexyMandarin propõe. Claro que eu que adoro uma carne oriental beleza asiática fiquei louco e interessadíssimo pra ver como era a coisa. E de fato, me surpreendi! É feito por uma japonesa, Kaoru Kikuchi, que além de ter ascendência japonesa óbvia pelo sobrenome, ainda fala mandarim e inglês, se pá.

Além de alta, magra e um docinho-de-coco, é formada na Universidade de Nottingham, arquiteta e, obviamente, modelo.

É. Acho que vai dar pra colocar fluência em mandarim no meu currículo!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Livros 2013 #5 - Assuntos Pendentes

Um dia estava andando numa banca e algo me chamou a atenção. Tinham poucos livros, mas essas bancas em regiões bacanas normalmente tem uns livros mais em conta, mas um especificamente me chamou a atenção entre tantos.

E não apenas isso, o livro parecia berrar pra mim um "compre".

Justo eu, que tinha despertado uma coisa espiritual em mim que não tenho controle, e tenho um bocado de medo desse "poder", especialmente as consequências dele dentro de mim. Mas ao ler o livro de James Van Praagh, algo em mim fez entender muita coisa que eu já tinha muita noção. Bom, no mínimo pelo menos tenho alguém que concorde comigo.

Sou budista, amo minha religião, e não a trocaria por nada. Ponto.

Eu lembro de uma professora que embora fosse da Igreja Batista, ela dizia que acreditava num "Deus Maior do que é mostrado na Bíblia", assim como eu acreditava sempre também. Mesmo no budismo, acredito que existe algo muito maior do que apenas nossos olhos vêem, mas mesmo assim o budismo é o caminho mais prático e fácil para se tocar em todo esse amor e compaixão transcendental.

No fundo, acho que os espíritos lá em cima não vêem esses limites que nós colocamos, sejam de etnia, religião, ou coisas do gênero. Talvez seja mesmo o tal "uno" que nos une, onde nós buscamos nossa própria verdade e nosso próprio deus dentro de nós mesmos. E achei que a visão do Van Praagh é bem similar aos conceitos que eu já tinha, o que fez a leitura ser muito prazerosa e esclarecedora.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A chegada do grande dia.

No capítulo anterior...

Dia 27 de julho fui pra Campinas, num encontro com os praticantes jovens de lá. Foi ótimo.

Ainda em agosto, fui colocado num grande dilema antes de ir. Eu sou uma pessoa brincalhona, e de fato 98% das pessoas aceitam bem, mas acontece dos dois porcento não gostarem. É natural, e acho que ainda assim é um número bem interessante, acredito. Mas ouvi reclamações.

Muito era pelo momento que eu passava. Infelizmente fui fraco, estava passando por diversas dificuldades e deixando meu lado sombrio pesar sobre meu lado iluminado. Isso é um dilema pessoal meu, deixar de ser um pêndulo que fica entre a luz e a sombra e tentar achar um meio termo. Isso tudo me fazia pensar: será que seria esse o momento de eu deixar de ser a pessoa extrovertida que eu sou e virar um adulto sério?

Pensava muito nisso. Eu lembro que quando era criança muitas pessoas foram rudes e maldosas até comigo. Isso me deixou meio com "síndrome de Peter Pan", logo eu tento fazer com que as pessoas se sintam o melhor possível quando estão comigo.

Isso veio antes de budismo, antes de qualquer coisa. Sempre acreditei que levando humor e fazendo as pessoas se divertirem - nem que seja naquele breve momento - seria algo que traria felicidade para as pessoas.

Porém, esse meu lado mais sombrio estava mais evidente: Estava magoado com minha mãe, que pisou em mim quando eu estava mal em maio, as coisas não estavam dando muito certo, uma pessoa que ajudei com todo meu coração se virou contra mim, uma coisa digamos... Espiritual, brotou em mim e eu não consigo ter o controle disso ainda, e justo nesse momento que não estou atrás de mulheres pra ficar me estressando com relacionamentos elas estão brotando aos montes.

Sabe, eu sou desses que acredita que o sexo frágil mesmo é o homem. Quer um bicho mais frustrado do que um homem padrão? Ter que se mostrar sempre machão e comer qualquer biscate na rua para provar algo para os outros. Sem contar que mulheres aguentam muito mais porrada da vida do que nós homens, e muitas vezes elas, se colocando no lugar de sexo frágil, pisam mais na gente quando a gente está mal, e fazem isso inconscientemente muitas vezes.

Nós homens, e héteros, somos sensíveis também. Não queremos que pisem na gente mais ainda quando estamos no chão. Ainda mais pelas mulheres que amamos.

Mas aquilo era um questionamento filosófico, que fazia parte dos meus valores. Virar uma pessoa séria e chata, ou continuar machucando as pessoas com minhas brincadeiras, especialmente nos momentos em que mais estou vulnerável.

No dia da viagem um grande amigo estava passando por muitas dificuldades. Fiquei com muito medo, pois sentia o desespero dele. Óbvio que vou manter em segredo quem era, mas era uma situação bem grave. Embarquei na noite do dia 15 rumo à Chicago pensando em tudo isso. A cabeça estava a milhão, mas nenhuma preocupação minha era tão grande como a com esse meu amigo. Desejei com todo meu coração que ele estivesse bem, mesmo que externamente eu não demonstrasse isso. Eu era a única pessoa que ele podia contar, e eu estava de braços atados.

Lembro que minha mãe, desde que eu era muita criança, sempre me ensinou o valor da fé. "Quando tudo der errado, ajoelhe e ore". Fé sincera em prol dos outros. Embarquei aquele dia assim, esperando que tudo terminasse bem. E que quando eu voltasse, desejei que esse amigo estivesse bem também. Foi um peso espiritual forte, mas eu tinha uma missão. Foi com esse pensamento que eu embarquei.

O resto, deixei nas mãos dos Budas. Eu sabia que o que quer que acontecesse, eram os desejos deles. Tudo o que pude fazer era confiar, como sempre fazia.

Continua...

domingo, 25 de agosto de 2013

Indo atrás do visto americano.

No capítulo anterior...

A notícia da viagem de fato não foi recebida de braços abertos pela minha família. Mas pelo menos o obstáculo do meu pai tinha sido ultrapassado. Junho passou e no início de julho, quando estava no templo, a Denichan me chamou.

Disse que tinha recebido uma carta para ajudar na retirada do visto americano. E lá vamos nós para outra aventura!

Eu já falei aqui como é cansativo e caro tirar o visto americano. Realmente, só quem conseguiu sabe. E justo Brasil, né? Se fosse Afeganistão ou Coréia do Norte acho que até entenderíamos. Ok, temos culpa também da quantidade imensa de imigrantes ilegais por lá, que tornou português quase uma terceira língua na terra do Tio Sam. Mesmo quando fui tirar o visto encontrei um rapaz, mais novo que eu inclusive, que tinha acabado de sair do trabalho e ia se mudar pros Estados Unidos, buscando as condições de vida que Dilmas não podem pagar.

Primeiro preencher o DS-160, com a sensação de estar digitando com uma arma apontada pra sua cabeça em caso de qualquer erro. Acabamos enquadrados numa tal de "Lei de Perjúrio" caso algum dado esteja errado. Basicamente você não é preso no Brasil, mas o sistema do visto é algo tão obscuro que a gente não sabe se está em uma lista negra ou algo do gênero. Agradeço muito aqui à minha amiga Erika por ter me passado os links e me explicado os trâmites.

Para mais detalhes, vejam o post que eu linkei acima.

Qual foi a sensação quando ganhei o papel dizendo que a solicitação do visto foi aprovada? Nossa... Foi simplesmente maravilhoso. Eu olhava pro céu e chorava lágrimas de gratidão. A brincadeira me custou quase quinhentas pilas, contando o táxi (para não atrasar, afinal não dá pra confiar no timing dos ônibus paulistanos) mais as US$160 doletas para tirar o visto. Deu mais de trezentos reais aí. Mais algumas coisas pra comer na fila, etc.

Porém pelo menos eu estava trabalhando. Ficou mesmo do meu bolso.

Dias depois no meu trabalho o visto, no dia 25 de julho. Foi como um presente de aniversário, hehe. Enfim a data estava chegando. Com o visto em mãos, as meninas puderam comprar as passagens.

O visto chegou também numa circunstância muito única. A ida ao CASV foi dia 17 de julho, a entrevista no consulado dia 18 de julho. Meu aniversário foi na segunda seguinte, dia 22. Dia 25 um dos meus gerentes tinha acabado de chegar na empresa, só que era sete da manhã. Ele mesmo disse que raramente ele chega nesse horário. Foi aí que o entregador estava na porta da firma com o meu passaporte e o segurança da agência pediu pro gerente receber.

Ele mesmo ficou repetindo pra mim várias vezes que eu tive muita sorte. Que coincidiu dele chegar na empresa aquele horário e o entregador estar lá.

Sorte mesmo? Sem dúvida, sem dúvida alguma isso foi algo enviado pelos Budas.

E mesmo hoje quando paro pra pensar, não sei como agradecer.

Continua...

sábado, 24 de agosto de 2013

Conseguir emprego.

No capítulo anterior...

Recebi no final de abril o convite para ir para Chicago. Chegou maio, e passou voando. Porém, em junho, um grande amigo, o Fábio, me mandou uma proposta de emprego que ele tinha recebido sem querer no e-mail dele. Fiz a entrevista na segunda-feira, dia 10 de junho e dia 11 já haviam me aceitado, pedindo para eu começar no batente dia 13.

De fato, era inesperado. Meu pai disse que emprego nenhum ia liberar o funcionário para uma viagem dessas. Na verdade eu senti meio o que ele quis dizer.

Ano passado tive duas viagens que estavam muito próximas. Primeiro para a Europa, que eu fiquei pagando ela durante todo o ano de 2012 praticamente. Porém, eu tinha sido convidado para ir no Japão também. Logo, seriam quinze dias pro Japão e um mês para a Inglaterra.

De fato, no trabalho não deixaram todos esses dias eu passar fora. E o lugar que eu trabalhei não era um lugar dos meus sonhos: duas horas e meia pra ir, duas e meia pra voltar, tarefas repetitivas, um co-worker gago, um chefe com sotaque paranaense ("daí? daí? daí?" sempre ao finalizar qualquer oração), enfim... Era muito desgastante. E como eles não deixaram de qualquer forma eu viajar, achei que seria a chance de cair fora e achar um trabalho no mínimo mais perto de casa.

Meu pai deve ter ficado com medo. Imagino como deve ter se sentido.

Porém, por algum motivo maior que desconhecemos eu tinha conseguido um emprego. Faltando dois meses para a viagem.

No primeiro dia, depois de preencher a ficha de admissão, chamei a menina do RH e expliquei tudo. Pensando no mínimo em terem compreensão com a situação. Parece fácil falar depois, mas não foi! Eu estava morrendo de medo. Mas recebi um grande "sim", só pediram para confirmar a data que iria rolar.

Mais tarde descobri que o chefe da empresa também fazia muitas viagens, especialmente para os Estados Unidos. Acho que ajudou à compreensão também, mas não tenho completa certeza disso.

Continua...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Onde começou tudo?

Cheguei ontem à tarde depois de pisar pela primeira vez em solo americano!

Como é bom estar de volta, hehe. Mas eu gostei muito da Chi-town. É um dos lugares que eu trocaria por São Paulo com certeza. Claro que também tem seus defeitos, mas as coisas boas pesaram da cidade pesaram um pouco mais que as coisas ruins.

E pensar que tudo começou lá atrás, no dia 25 de abril, enquanto eu ainda estava sem emprego. Na tarde daquele dia, depois de almoçar eu fui tirar um cochilo à tarde. Foi aí que eu tive um sonho onde minha queridíssima amiga Denichan chegava em mim no sonho e dizia: "Alain! Tenho uma novidade! Você vai viajar de novo!".

Eu lembro que eu acordei num salto do sofá.

E a primeira coisa que eu pensei foi: "Nossa. Caramba, foi só um sonho. Ainda bem!". Um pesadelo, eu diria. Sem emprego, sem dinheiro, e desanimado com as coisas e as entrevistas que davam em nada, viajar era a última coisa que eu queria. Mesmo que fosse um convite. Sabia que meus pais colocariam pilha, botar mais obstáculos do que os que eu coloco naturalmente.

E naquela tarde, depois de acordar desse sonho, eu fui pro meu computador e fui checar os e-mails depois que me acalmei do sonho. Foi aí que saltou um e-mail da própria Denichan, com o título: "Novidade em primeira mão". De fato, não imaginava o que era e abri. E eu quase tive um treco, porque parecia que era um sonho dentro de um sonho (Inception?).

No e-mail estava dizendo que eu tinha sido convidado para ir pra Chicago em agosto, para um fórum budista. Só que dessa vez não era um sonho.

E de fato, quando contei pra minha mãe ela mandou eu cancelar. Disse que era loucura, que não éramos ricos, que estávamos com a reforma em casa e eu estava sem emprego. Meu pai teve uma reação diferente, ele disse que não tinha problemas de eu ir, mas se eu conseguisse um emprego era pra esquecer. Ele disse que emprego nenhum ia liberar funcionário para viajar assim.

Logo, eu que estava procurando emprego fazia seis meses estava num beco sem saída: de um lado minha mãe dizendo que não tínhamos condições nenhuma de eu comprar nem uma latinha de coca nos Estados Unidos pra mim. Do outro meu pai me deixou num dilema de ficar mais três meses sem emprego.

Pra muitos receber um convite desses pode soar como um grande presente. Mas pra mim, foi apenas o início de uma grande Via Crúcis. E não estou exagerando. Pelo menos foi assim que eu via aquilo tudo naquele momento.

Mas calma! Essa história terá um final feliz. ;)
Assim como eu, peço que tenham fé. Fiquem ligados nos próximos posts!

Continua...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Doppelgänger - #3 - Qualquer lugar, menos Newmarket.

10 de novembro

"Witterman, é o Rockefeller. Está na escuta?".

"Boa noite, Rockefeller. Sinto lhe dizer, mas Alfred não pode falar com o senhor agora".

Rockefeller sentiu um frio na espinha. Aquilo só significava uma coisa. E ela não era boa. Porém, para chegar até aqui precisamos voltar um pouco no tempo.

- - - - - - -

9 de novembro

O rádio ao fundo tocava a BBC. Acho que era o quarto canal, lembro que estava tocando um programa musical. As pistas que tinha do paradeiro do criminoso apontavam para Newmarket.

Primeiramente, eu gostaria de explicar minha relação com Newmarket. Nasci na Rússia, mas foi apenas o lugar onde aconteceu de eu ter vindo ao mundo. A primeira residência do meu irmão era Newmarket, ao leste da ilha da Bretanha. Não é uma cidade famosa, nem muito grande. Tem muita gente que anda de cavalo morando por lá. Bom, eu nunca fui grande fã de cavalos, logo prefiro pular essa parte.

Não tem muita coisa por lá. E nos mudamos várias vezes na minha infância. Porém, eu tenho certeza que Newmarket não foi escolhido por acaso como o local para que ele centralizasse as operações. Newmarket significa muita coisa pra mim, como sendo o local onde morava com meu irmão. Parecia uma grande provocação: eu visitar o local onde vivi minha infância seria o local onde eu morreria.

O esquema seria o seguinte: eu consegui o contato de um dos subordinados dele. Marcamos de fazer alguns negócios e nos encontraríamos num Pub perto do campo de críquete local. No horário marcado nos encontramos lá. Olhei no relógio: 15h32.

"Senhor Alfred?".

"Sim?", respondi.

Era um homem calvo, tinha jeito mesmo de ser apenas pau mandado. Chegou com uma mala e terno. Eu estava tomando uma caneca de Fosters no momento.

"Sabemos que esse encontro não é para negócios", ele iniciou, se aproximou de mim e começou a falar mais baixinho, "E posso levá-lo ao Artie. Só preciso de uma garantia que a justiça não me pegue".

Pensei um pouco, e olhei pro cara. Ele colocou na mesa um cartão, estilo cartão de visitas. Deu um sorriso. Sem dúvidas era um pilantra. E aquilo provavelmente era uma armadilha.

Foi aí que uma pessoa chegou por trás do homem calvo, e discretamente, injetou nele um dardo. O homem se assustou, mas logo ficou um pouco avoado. Efeito do alucinógeno. Eu e Victoire o levamos para fora do bar, e eu, com o endereço nas minhas mãos peguei um carro com Rockefeller e seguimos ao endereço.

Era um pouco distante do centro, parecia um galpão abandonado.

O carro voltou pela estrada, mas de súbito um caminhão veio ao nosso encontro, batendo no nosso carro e estraçalhando a nós completamente.

Não sei descrever a sensação de estar num carro que bate. Não machucamos tanto, parece que o susto que "machuca". Eu perdi noção total do tempo. Por ser inverno, naquele horário já estava totalmente escuro. Eu não conseguia falar, e por mais que eu tentasse abrir os olhos, estava difícil. O carro não tinha capotado. Não lembro de como estava o Rockefeller. Vi um outro carro se aproximando, e meu corpo sendo puxado.

Você poderia me perguntar: porque não se mexeu?

Mas eu não conseguia. Acho que estava em choque. Aí que a gente vê como nosso cérebro é forte, e nosso inconsciente mais ainda.

Fui jogado num salão grande. O carpete era bonito e vermelho, tinha até um lustre. Parecia uma suíte presidencial de um hotel, só que sem a cama. Fui aos poucos me acalmando quando eu vendo que meu corpo estava inteiro. Foi aí que quatro homens entraram pela porta. Eu estava encostado na parede. O primeiro de aproximou de mim, eu tentava focar, mas tudo ainda estava muito embaçado. Ele com o pé, ergueu meu rosto e eu vi seus olhos.

"Já faz algum tempo, meu irmão!", ele iniciou, "Não está mais tão jovens, né? Você está se afogando no tempo mesmo, meu irmão".

"Quem é você?"

"Você sabe quem sou eu!".

"...Ar... Arthur?".

"Hahaha! Eu sei como você se sente. Não sei como você sobreviveu ao vírus que a Victoire colocou em você! Esse é o preço do prodígio mental. Mais alguns anos e você será apenas mais um morto, sem provas contra esse sistema imundo que nós fazemos parte!".

Newmarket drenava minha força, minhas lembranças, minha vida. Poderia ser qualquer lugar, menos aí.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Beneath the darkness.


Um lado sombrio, um lado iluminado.

Antes eu era uma pessoa que apenas obedecia. Uma pessoa que vestia apenas uma dura carapaça escura, que somente seguia ordens, por mais cruéis que elas fossem com os outros. Meramente um peão. Por isso tive que me esconder por debaixo de uma máscara.

Eu estava engolido pelas próprias trevas que eu havia criado. Era uma pessoa calada e quieta, de poucos amigos.

Foi quando eu me olhei no espelho que eu pude ver melhor.

E aí fui agraciado com a luz. Abandonei a escuridão que me abraçava, e deixei que a luz se impregnasse em mim.

Percebi que o único jeito de lutar contra as trevas seria me aliando com a luz.

O maior perigo era que, uma vez que eu havia tocado a escuridão, haveria momentos em que eu estaria no dilema de luz ou sombra. Isso foi uma vida inteira, é verdade. Mas depois de refletir muito, acho que cheguei numa conclusão.

Quanto mais eu fugia da escuridão, mais ela ficava forte. Quanto maior a luz, mais forte a sombra que ela projeta.

Entendi que a melhor opção seria abraçar essa escuridão dentro de mim, compreender que sou humano, ter compaixão comigo mesmo, expressar compaixão pelos outros para aí então ser alvo da compaixão. Não vou conseguir eliminar por completo a escuridão dentro de mim. Provavelmente ficarei oscilando pelo resto da minha existência, mas eu nasci com essa escuridão. Não é algo que eu possa eliminar.

Ao menos não ser um pêndulo tão forte. Mesmo que aja uma oscilação, que ela não seja tão radical. Manter um padrão. O caminho do meio.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sexo para eles e para elas.

Eu vi um vídeo muito engraçado. Baseado numa teoria em que "Se você perguntar pra cem mulheres se elas querem fazer sexo, pelo menos uma responderá que sim. Antes de continuar lendo, dêem uma olhadinha:


Demais! O cara levou toco de todas as cem, quebrando esse mito. Achei interessante, porque na prática é difícil conseguir algo, ainda mais fora da balada e com elas sóbrias. Mas como os próprios comentários do vídeo, essa conversa é muito de estuprador.

Sem contar que a mulher encara de maneira diferente. Não é apenas valor social, mas se ela tem que "receber algo" (defina isso da maneira que você quiser) tem que ter um mínimo de confiança, simpatia e porque não, amor por essa pessoa que vai "ceder".

Fiquei curioso pra saber o inverso. E eles postaram.


Ficou mais engraçado ainda do que o cara, hehe. Tirando o primeiro tiozinho que chamou a polícia (porque? Ele pensou que ela fosse estuprá-lo?) deu pra notar uma coisa: como homens não sabem lidar quando uma mulher dá em cima deles. É visível a cara de desconfiança deles, mesmo os que falaram "sim".

Não falo sobre os caras compromissados no vídeo. Aceitar a proposta na frente da namorada é igual a fim de relacionamento. Mas por ser algo altamente inusitado os homens não conseguem se desvincilhar, ou mesmo seguir ela sem achar que é uma pegadinha, do mesmo jeito que as mulheres - que são cantadas por pedreiros até o chefe na empresa.

Achei interessantíssimo esse experimento sobre a sexualidade. E você aí? Gostaria de fazer sexo comigo? ;)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ressuscitando Audrey Hepburn.

As funkeiras e popozudas que me perdoem, mas nenhuma chega aos pés da Audrey Hepburn.

Ontem enquanto assistia tevê passou um comercial onde "ressuscitaram" a Audrey, do chocolate Galaxy. A modelagem ficou excelente, como aqui no vídeo:


Pois é, é tudo em 3D! Incrível. Acho que no máximo umas duas ou três cenas me fizeram duvidar que era em 3D. O resto parecem mesmo atores reais contracenando com a Audrey sendo uma espécie de bonequinha de luxo de verdade tridimensional. Isso é um ótimo (e grande) passo. Eu não manjo muito de modelagem 3D, mas tenho um olho muito, muito, muito chato. E devo dizer que melhorou muito, pode ser a única coisa que faltava para modelagem 3D humana ficar perfeita e natural.

E o comercial dá uma mostra disso. E vou dizer o porquê, enunciando os erros primeiramente:


1) Pessoas no ônibus com expressões duvidosas
Como eu disse, é muito sutil. Aliás, ficou bizarro a sincronia do movimento das pessoas nesses dois ou três segundos de animação. O esquema é que as expressões não parecem mover todos os músculos da face, e sim como se todos estivessem com os rostos engessados.

Não falo da Audrey, quem a conhece sabe que o estilo dela era esse, Audrey trabalhava muito com o olhar, as piscadas, e as expressões sutis, os "sorrisos de Monalisa" que faz todo homem como eu se beijar seus pés (ainda mais numa geração onde só sabem ver bundas e peitos). Certamente as pessoas criticariam a falta de expressividade da Audrey tridimensional, mas se você assistir alguns filmes veria que ela é exatamente assim. Não foi erro dos modelistas 3D.


2) A luz e proporção do galã
Aí vemos o grande comedor com jeitão de Romeu italiano. Se você ver apenas a imagem acima dá pra ver erros "grotescos" (detalhes que passam quase de maneira imperceptível), como a luz nele ser muito diferente da que incide sobre a Audrey, além da pele dele ter o efeito de plástico como quase toda modelagem 3D. As roupas não têm um movimento fluído também. Isso dá a impressão muito forte de que é falso. É um detalhe que poderia ser muito bem resolvido simplesmente com luz adequada. Disfarçaria bem.

Agora os pontos fortes.
Esse tipo de detalhe não vemos em qualquer modelagem 3D. E aliás, não são coisas tão novidade assim. Desde a década de 40 pessoas já argumentavam sobre isso na animação convencional. Dica pro povo aí que manja dos esquemas.


Movimento da roupa
Você vê fácil muitas modelagem em 3D que a roupa da pessoa parece uma grande peça de acrílico moldado que não mexe nem com o vento, nem tampouco com o movimento do corpo. Eles cuidaram muito bem da modelagem aqui, mas não repare em lugares óbvios, como o colete. Veja nas calças do tiozinho pizzaiolo! Perfeito.


Expressões faciais
Quando uma pessoa mexe a sobrancelha, não mexe apenas aquela linha peluda que fica acima dos nossos olhos, mas sim uma quantidade considerável de músculos na nossa testa, que os erguem. Aulas de anatomia desse modelista em 3D foram perfeitas. Mais do que necessário para passar realidade e não ficar igual os efeitos podres de novela da Record.



Luz
Ah, a luz! Tão temida pelos modelistas 3D. Tanto que muitos desses projetos 3D tem uma equipe de modelistas e uma equipe só para cuidar da luz, só pra você ver como ela pode mudar totalmente a sua perspectiva de um trabalho bom ou ruim. Lição básica, a luz incide diferente em diferentes materiais. Os lábios da Audrey ficaram uma luz desenhada de maneira muito boa, ao mesmo tempo que esse alaranjado poente toscano realça a cor da pele, dando um efeito de "brilho" muito espetacular.

Enfim, nota dez pro comercial. Mesmo com os errinhos (que nem foram lá grandes erros) eu deixaria com 9,9, porque são detalhes que pra perceber tem que voltar o vídeo umas boas vezes. Mas pelo conjunto da obra merece dez mesmo. Ressuscitaram uma das maiores atrizes de Hollywood em grande estilo.

Até eu que detesto chocolate compraria esse Galaxy. Ganhou meu respeito!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Doppelgänger - A história dentro da história (1)

7 de novembro

"Me dá nojo esse monte de gaivota. Não sei como você consegue comer!", iniciou Victoire.

"Tenho nojo também. Mas é melhor que nada. Esses Herta Dog são baratinhos, mas são gostosos".

"Vamos na roda gigante?", ela agarrou no meu casaco, "Por favor!".

"Nada! Tenho medo de altura. Olha o tamanho dessa London Eye! Vamos passear mais um pouco".

Ela ficou quieta e olhou nos meus olhos. Na hora uma brisa gelada passou, não sei o que arrepiou mais: Ver aqueles olhos cor de chocolate dela fixos em mim, ou aquele vento frio repentino. Victoire prosseguiu:

"Eu sei que eu já te pedi desculpas, mas se eu pudesse voltar no tempo e apagar aquilo tudo que aconteceu. O que eu sinto por você não é mentira. Eu te amo, Al. E eu entendo que você vai ficar pela vida inteira pensando nisso, que jamais vai me perdoar. Você não sabe o quão feliz estou em rever você! Mas eu sei que nada do que eu fizer vai mudar dessa doença maldita que eu coloquei em você".

Naquela hora eu abracei ela de lado e levei para perto de um gradil. Dava pra ver o Tâmisa perfeitamente. Sempre que encostava no corpo dela eu o sentia gelado. Suas mãos eram frias como gelo. Mesmo quando estávamos transando o corpo dela parecia mais frio do que a das outras mulheres.

"Não fique se remoendo, já passou. Eu a vida inteira sempre quis morrer. Por isso eu tento fazer coisas que me façam ter motivos para ficar vivo, e acima de tudo: ficar aqui vivendo. Eu não tenho muito tempo, minhas células estão envelhecendo e morrendo uma a uma de maneira acelerada a cada ano. Por isso, tento me esforçar para fazer algo que me prenda aqui, como se eu fosse morrer amanhã. Pelo menos assim eu não vou ter nenhum desgosto na hora da minha morte, não quero ficar remoendo que deixei de fazer isso ou aquilo. No fundo, essa sentença de morte que você me deu, me ajudou a ter mais amor pela vida".

"E nossas duas famílias já se uniram no passado, pela minha meio-irmã e seu irmão mais velho. Acho que o destino dita que os Saint-Claire e os Blain nunca se enamorassem como os outros casais".

"Talvez não como marido e mulher", brinquei com ela, "Mas pelo menos a gente ainda pode se divertir na cama juntos".

Victoire se aproximou de mim e deu um beijinho na minha bochecha. O estalo deixou meu ouvido meio zuado. Seus olhos me olhavam como de gatinha pidona, seus olhos lacrimejaram levemente.

"Você vai me deixar de novo mesmo, né?".

"...Sim".

"Ai, ai!", ela caiu na gargalhada, "Só rindo mesmo. Quero aproveitar cada segundinho enquanto você é meu, então!".

"Fica aí, Vicky. Quero tirar uma foto sua. Só tente segurar essa sua crise de riso, sim?".

Ela tentou colocar a mão na boca para tampar o riso.

Ainda assim achei estranha a foto.

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