terça-feira, 31 de dezembro de 2013

No rain, can't get the rainbow.


U-lá-lá!

Nunca fui muito fã de anos ímpares. E ainda mais com um treze no meio, hehe. Mas como foi o primeiro (e provavelmente único) que encararei pela vida, podemos dizer que foi até bom!

Eu via muitas pessoas se queixando, dizendo que um determinado ano foi um ano perdido, ou algo do gênero. Se eu paro pra notar de maneira fria, de fato foi um ano bem complicado. Mas existe algo que quando penso faz mudar toda a perspectiva da coisa - "perspectiva" essa no sentido original da coisa, ver através de.

Foi um ano complicado? Ô se foi! Mas imaginando hoje, ainda bem que foi. Me dá um pouco de medo eu acabar sendo surpreendido por coisas similares em algum ponto da minha vida de agora em diante, mas se eu passei uma vez por ela, porque não passaria duas vezes? Sempre o primeiro passo é mais complicado mesmo.

Mas esse ano foi o ano em que enfim pude por em prática o "ver a felicidade nos outros, e ficar feliz junto". E isso é sem preço. E por diversas vezes deixei meu destino nas palmas das mãos do Buda - e nunca me arrependi, pois sempre tudo deu certo.

2014 chegando aí! E tem tudo para ser maravilhoso. Foram sementes difíceis de plantar nesse ano, mas quando a plantação é difícil, é um sinal de que nascerão as mais belas flores na colheita.

Vamos colher juntos? =)
Feliz 2014!

domingo, 29 de dezembro de 2013

E como foi 2013 pra você?

Pra mudar um pouco a minha "retrospectiva", achei que seria legal fazer uma coisa que eu sempre quis: ser entrevistado! Só que eu sou uma criança solitária e brinco sozinho, logo uso muito a minha imaginação, porque tecnicamente quem vai me entrevistar sou eu mesmo!

Será que vai dar certo? =P

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Alain! Que prazer recebê-lo hoje aqui nos nossos estúdios! Por favor, sente-se.
Ah! Obrigado, hehe! É um prazer estar aqui, boa noite platéia!

2013 sem dúvida foi um ano e tanto, não? Acho que como a área que você trabalha não estava muito aquecida, você ficou um bocado de tempo desempregado, não? Pode nos contar um pouquinho?
Nossa! Esse é um assunto grande, mas vou tentar resumir ao máximo. De fato, quando voltei de viagem estava sem emprego. Meu outro trabalho era uma agência na região ali dos Jardins, mas por conta da distância era muito estressante, e não valia todo o esforço pelo salário que eu estava recebendo. 2012 foi um ano inesquecível por tudo o que aconteceu, mas voltar à ativa foi bem difícil, demorou bastante.

Em janeiro comecei a enviar currículos. Tinha dia que eu mandava currículos pra vinte, trinta empresas diferentes. Usei tudo quanto era site, e inclusive a Catho Online, que ao contrário do que eles mostravam na propaganda, não conseguiram me colocar no trabalho, e sugaram o pouco de dinheiro que tinha no meu banco nesses seis meses. Na época que cancelei cheguei até a tuitar isso:


O mais difícil foi ver amigos meus na mesma condição. Tive dois bem especiais, ambos mais velhos, e com necessidade maior ainda. Não vou revelar nomes, mas uma era uma mulher que sofria de epilepsia, logo ela tinha que esconder aquilo porque não tinha família e precisava trabalhar (pra quem não sabe, quem tem epilepsia não pode trabalhar, e caso tenha algum ataque é demissão com justa causa) e o outro era um amigo meu jornalista, que inclusive sustentava uma família, e tinha que viver com os pais e estava passando por muitas dificuldades. Muitas vezes eu orava pelos Budas e implorava: "Dê um emprego pra eles ao invés de mim. Eu não ligo de esperar mais um pouco, mas eles precisam mais do que eu".

Minha nossa! Quer dizer que você ficaria mais feliz em ver eles empregados do que você mesmo? Mas isso não é certo, você está causando problemas na sua carreira e tudo mais!
Mas sinceramente, não ligo. Acho que uma fé verdadeira é só essa que você dedica pra ajudar os outros. Meu avô me ensinou isso, e hoje na minha religião (Alain é budista, praticante da Shinnyo-en) consigo praticar isso que acreditei desde criança. Eu nunca comentei abertamente no blog essa fase sem emprego, sequer postei quando entrei na agência que estou agora, no dia treze de junho desse ano.

Pessoas me perguntavam "Como você tá vivendo?", e eu dizia que eu estava bem, e acho que foi algo necessário. Junho foi um mês complicado. Tiveram os protestos, várias greves, a tentativa de suicídio da Paris Jackson.

Muito bem, muito bem. Mas acho que se formos falar do ano, acho melhor começamos do início, né? Em janeiro sem dúvida o destaque foi sua hospitalização. Todos nós ficamos torcendo pela sua recuperação!
Puxa, sério? Muito obrigado! Mas foi complicado mesmo. No dia 28 eu tive um acesso de dor terrível no meu lado direito do abdômen. Era uma dor terrível que se expandia até o testículo. Uma dor de alguém te dar um chute lá já dói muito, e aquilo parecia ainda pior, junto com a dor na área onde fica o rim. No dia, mesmo eu de cama com dor, pedi ajuda pros Budas para que me protegessem, até que a dor do nada passou.

No médico no outro dia, mesmo sentindo nenhuma dor, eu fiz uma bateria de exames. Foi quando o médico disse que tinha achado uma pedra no canal que liga o rim e a bexiga, e ela tinha 0,7mm. Ele não entendia como eu não estava sentindo dor, porque era pra eu estar gemendo no chão de dores. Disse que era necessário retirá-la, e no dia 29 fui hospitalizado para que na manhã no dia 30 eu fosse operado. Até tirei uma foto depois:



Mas teve coisas boas também. Eu fiz três anos desde que fui conectado ao Ensinamento Shinnyo. Dizem que existe um ciclo de três anos, e que normalmente você só é bom em alguma coisa ou pode dizer que gosta ou não depois de um período de três anos se dedicando. Bom, já desde muito antes de fazer três anos eu sabia que não consigo mais viver hoje sem a Shinnyo-en. É parte integrante da minha vida e sou incrivelmente feliz em ser budista!

Quantas emoções, hein Alain? Mas que ótimo que acabou tudo bem, né? E depois?
Os outros meses foram meio mornos. Pelo pelos esses do começo do ano. Mas agradeço imensamente aos meus pais por não me privarem de ir ao templo, mesmo sem dinheiro.


Em março, um dos meus melhores amigos se casou, foi algo incrível!

Foi uma festa bem simples, mas deu pra aproveitar bastante. Ele encontrou uma boa esposa e estão felizes.

Em abril eu não postei isso, mas depois mais pra frente postei. No final do mês recebi um e-mail da minha queridíssima e uma das melhores amigas, Denichan, dizendo que nós tínhamos sido escolhidos para ir a um fórum budista em Chicago, nos Estados Unidos.

Eu lembro disso, Alain! Você estava sem emprego inclusive, não? Muita gente leu os seus diários sobre Chicago!
Pois é! Dá pra ler tudo aqui. Mas se eu ficar falando de Chicago, vou ficar falando só de Chicago, e o post se tornará uma bíblia, pois sem dúvida, foi a melhor coisa que me aconteceu.

Teve coisa que pensei que fosse ruim, e depois vi que foi ótimo na verdade. Acho que quem também frequenta o templo comigo sabe das dificuldades que passei em maio, onde tive uma espécie de teste de fé, que não posso falar muito aqui sobre. Realmente pensei em deixar o ensinamento budista, deixar tudo. Mas fui alvo de uma imensa compaixão dos Budas e depois entendi que a tal "falha" na verdade foi necessária para um salto muito, muito maior, que veio se concretizar em outubro. E correu tudo bem no final das contas!

De junho já falei em cima, acho que é melhor eu saltar pra julho, não?

Claro! Julho, seu aniversário. E o inferno astral?
Nem foi tão forte, sabia? Pelo contrário. Meditando em julho tive uma visão muito bonita, e conheci uma antepassada minha, uma índia. Foi uma experiência transcedental e única. Foi no dia sete de julho, jamais vou esquecer!

Ter o futuro herdeiro do trono britânico fazendo aniversário junto de mim foi uma honra e tanto. Ainda mais eu que, quando estava em Londres, vi o anúncio da gravidez da Kate. De fato, o país inteiro deveria estar na expectativa. Kate colocou "Alexander" em minha homenagem, fiquei muito feliz!

Em julho tinha ido atrás do visto americano para ir pra Chicago. Sim, foi um PARTO! Mas correu tudo bem.



E Chicago, cara? Onde você foi parar?
Hahaha! Nossa, até hoje nem acredito direito. Foi inesquecível. Embarquei em agosto, no dia 15 embarquei e no fórum ocorreu tudo bem, assim como passear em Chicago. E como sempre... (Alain faz um silêncio)

O que? Conheceu alguma gatinha?
Sim e não, haha. Eu brinco muito, mas no fundo eu fujo sempre. Mas conheci uma japonesinha lindíssima e simpática, mas infelizmente a distância vai tratar de fazer com que tudo isso fique apenas no impossível. Eu fico triste, mas ligo muito não, a vida prossegue. Se for pra ser, vai ser, se não for, espero que ela seja enormemente feliz.

Todos os dias foram uma escola lá. Escrevi muito sobre, mas ainda gosto de rever todas as emoções e viajar na minha mente como se estivesse novamente lá. A circunstância foi única, quando recebi a notícia que iria pra Chicago estava sem emprego, sem perspectiva de nada. E tudo foi entrando nos eixos e no final tudo deu mais que certo. Sou eternamente grato aos Budas por tudo.

E de setembro pra cá?
Em outubro, como disse, foi a confirmação daquilo que eu achava que era ruim, que aconteceu em maio. Acabei dando um passinho a mais na elevação budista, graças a toda ajuda dos Budas que recebi. Eu lembro que pouco tempo antes, enquanto andava durante o horário de almoço no meu serviço, uma música não me saía da cabeça: Felicidade.



Em novembro tive uma baita duma crise de diarreia. Era uma dor terrível, e me deixou uma semana inteira fora do trabalho praticamente. E como um fantasma, a pedra no rim voltou, mas era só diarreia dessa vez.

E em dezembro lançamos o vídeo de incentivo do Treinamento de Inverno 2014 no templo.

Uau Alain. Foi um ótimo ano, hein?
Sem dúvida! E que venha 2014! Muito obrigado por tudo, e obrigado a todos por toda a força. Foi inesquecível!

Nós que agradecemos, Alain! Continuaremos ligados aqui no seu blog. Boa sorte!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Porque eu acredito em Papai noel?


Pois é! Olha o tamanho do marmanjo.

Quase tudo o que aprendi foi sozinho. Eu lembro quando na terceira série eu, num livro de ciências, descobri o que era sexo. "Hum... Então põe isso dentro daqui e isso resulta em filhos?". Não! Isso era muito estranho. Sabe, até hoje eu vejo mulheres grávidas e ainda penso que elas estão com uma melancia dentro da barriga delas. Acho que até mesmo se eu for pai, vai ser difícil de imaginar que tenha um filho meu dentro da barriga de alguém.

Normalmente crianças acreditam em Papai Noel porque ou o pai aparece vestido de bom velhinho, ou porque os presentes "aparecem" na manhã do outro dia. Nunca pedi brinquedos pro Papai Noel porque meu pai me dava um jogo novo de videogame nessa época do ano, então eu pensava assim: "Bom, se eu não pedi nada pro Papai Noel, claro que ele não vai me aparecer, mas não quer dizer que ele não exista!".

Eu sei, e tinha consciência desde sempre que os Papai Noéis nos shoppings eram apenas covers. O verdadeiro claro que não iria pro shopping.

Pessoas ainda têm essa mania de acreditar apenas no que vêem. Então tudo o que existe é algo apenas reservado para o que nossa visão vê? Acho que é uma visão muito limitada das coisas.

Acredito que o Papai Noel seja uma coisa muito louca, uma energia muito forte que nos dá presente muito maiores do que precisamos ou queremos. Não é um presente, dinheiro ou algo assim. O Natal sempre acaba sendo essa data onde pessoas olham umas pras outras muito mais pelo coração do que pelo bolso. Mesmo que seja apenas um dia do ano dentro dos outros trezentos e sessenta e quatro, acho que é mais do que um milagre pra acreditar que ele existe. Isso sim é milagre natalino.

Por essas e outras eu, com vinte e cinco anos, ainda espero um dia desses aí encontrar o verdadeiro Papai Noel. E agradeceria muito a ele!

Feliz Natal! ;)

sábado, 21 de dezembro de 2013

Viva, Países Baixos!!


Ah, que saudades da Holanda! S2

Eu coloquei vários elementos que visitei e curti na minha rápida estadia na Holanda! Coloquei o Spacecake, o bolinho com maconha muito louco, mas eu não provei (sim, eu juro). Acho que o máximo de experiência que eu tive com maconha na Holanda foi estar ao lado de alguém fumando e eu ficar mais doidão que a pessoa só de ter aspirado a fumaça!

(e o Spacecake tá voando! Sacou né? Diz que sim vai! Hahah)

Coloquei a Erasmusbrug, uma ponte famosa de Rotterdam que eu visitei! Ao lado da palavra "Netherlands" tem o queijo, que eu adoro tanto, e até hoje a Holanda é conhecida como país do queijo! Tem o moinho holandês, que são bem presentes lá (mas apenas pra enfeite, no caso!) e o Red Light District (esse, ao contrário da maconha, eu provei muito! hahaha!).

Na divisória pro conteúdo tem as Casas Cubo de Rotterdam, uma obra-prima da arquitetura contemporânea do país. ;)

Viva, Países Baixos!!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Caminhando para igualdade com bom humor.

Ultimamente na web tenho assistido a muitos bons vídeos onde exploram as diferenças entre homens e mulheres. Esses dias estava vendo a IdealTV e vi uma pesquisadora que disse que hoje em dia mulheres lutam muito mais por equanimidade do que por igualdade com os homens.

Basicamente a diferença é que equanimidade leva em consideração que mulheres são diferentes dos homens: não tem a mesma força, nem o cérebro igual, nem hormônios iguais, mas que essas diferenças deveriam ser respeitadas e convividas, e não menosprezadas.

Totalmente diferente das mulheres que queimavam o sutiã no meio do século passado.

E acho que hoje, enfim a semente plantada lá está germinando. E achei bons exemplos no campo do humor. São poucos exemplos, mas isso mostra pra tanto homens quanto mulheres como é estar do outro lado, por exemplo e nos fazem refletir sobre o comportamento, e os limites dele.

Homens e mulheres trocando de comportamentos na relação




Se homens menstruassem




Como homens reagem fazendo sexo

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Saint Seiya e budismo. (2)

Spoilers abaixo!
Depois não me venha com mimimi dizendo que não avisei!

Queria fazer mais um post, relacionado ao Shaka de Virgem, já que ele é a maior referência ao budismo no anime, e falar onde o autor, Masami Kurumada, acertou ou errou. Se você não viu o primeiro, clica aqui fiote.

Antes de falar do anime, quero voltar ao mangá, uma cena que só existe lá (não tem no anime).

Logo depois que o Ikki ganha a armadura de Fênix ele se depara com o Shaka, que foi enviado para a Ilha da Rainha da Morte para dar um safanão no Jango e nos Cavaleiros Negros. Porém Shaka encontra justo o Ikki, que já tinha dado cabo de Jango, e estava acabando de pagar a última prestação da armadura de Fênix.

E aí ele se depara com um maluco vestindo uma armadura dourada, e provavelmente seu primeiro pensamento deve ter sido: FU-DE-U.


Shaka, com toda sua sabedoria, ao ver o Ikki com sua armadura zero quilômetro tira uma com a cara dele chamando o Ikki de macaco de Son Goku (do chinês, Sun Wukong). Mas não é o Goku de Dramongall, e sim o que originou esse, o rei símio Son Goku, da obra folclórica chinesa "Jornada para o Oeste".

É muito extensa, aliás. E sinceramente, tenho preguiça de ler.


Mas basicamente era sobre um macaco que apontava mil e uma confusões e, depois de esgotadas todas as opções pra sossegar o bicho, tiveram que chamar o Buda pra dar um jeito nele.

O macaco tinha super poderes. Pelo conto, ele conseguia com seus saltos percorrer longas distâncias, e aí o Buda chegou no macaco e disse: "Você pode correr, mas jamais poderá escapar de mim. Você é um grão de areia na minha mão".

O macaco, óbvio, duvidou do Buda e quis se mostrar o fodão. Ele percorreu essas longas distâncias com o poder dele e marcou pilares em cada lugar na terra que passava.



Só que depois o macaco se ligou que cada um desses pilares eram apenas OS DEDOS da palma da mão de Buda, e que por mais que ele fosse forte, não passava de um grão de areia na palma da mão do Buda. Enfim ele percebeu que tinha sido preso pelo Buda na palma da mão dele sem perceber, já que essa palma era nada menos que o nosso mundo, com montanhas, rios, etc.

E aí ele ficou preso por séculos vagando pela palma da mão de Buda.

De acordo com a religião budista, faz sentido! Essa resposta veio enquanto eu meditava nesse fim de semana sobre isso. Vou falar das minhas conclusões:

Óbvio que não estamos na palma literalmente de Buda, caso contrário o Buda deveria ser uma espécie de Titã da mitologia grega, um gigante. Mas depois que praticamos o budismo, chegamos a ter momentos de reflexão, e vemos que tudo ao nosso redor é Buda.

Entenda que Shakyamuni atingiu a iluminação há dois mil e quinhentos anos, e essa iluminação não é apenas dicas para nos tornarmos mestres da nossa própria mente, mas o de entendermos que toda aquela compaixão imensa, o jeito bonzinho e amigável do Buda histórico, que ajudou as pessoas de coração, ouvia com carinho e aconselhava é algo que foi passado até os dias de hoje.

O próprio budismo esotérico tem como imagem principal do Buda o Tathagatha Vairochana, o iluminador, que representa esse aspecto do Siddartha Gautama: como um grande sol, presente em tudo, que irradia sua sabedoria para todos os lados e está presente em tudo.

E é claro que isso não é motivo para nós temermos, como se Buda fosse uma velha fofoqueira esperando você fazer besteira pra te dar uma chicotada. Não, jamais! Longe disso. É observando o nosso entorno que vemos a beleza das coisas, a bondade e a imensa compaixão desse carinha chamado Siddartha Gautama que nasceu e deixou ensinamentos há mais de dois mil e quinhentos anos.

E aí, mesmo que em alguns momentos nos sintamos como o Son Goku, como o "rei do universo", nós ficamos humildes em perceber que existe uma força maior que nos guia e protege. Isso é mais real se você pensar que antes do Buda Shakyamuni vieram muitos outros Budas também, mas só ele que deixou o manual de como se chegar lá.


Tem o resto da história também que o Shaka não conta, mas anos depois vagando na palma da mão de Buda, o bodhisattva Avalokiteshvara liberta o macaquinho com a condição que ele ajudasse Xuanzang, então um monge budista, a levar o Ensinamento Budista para a China são e salvo. O macaco aceita e é libertado pra ajudar o monge.

Se o macaquinho existiu ou não são outros quinhentos, mas esse é um contos budistas mais legais e famosos que se tem por aí, sem dúvidas!

Voltando ao mangá:


Aí o Shaka usa o "Om", que é esse "desenho" aí na fala dele.

"Om", sendo direto e claro, é dito no budismo como o "som do universo". Acho que vocês lembram de algum filme/seriado que mostra alguém meditando fazendo um barulho: "Aaaaaaa-uuuuuuhhmmm". Isso é bem anos noventa, mas o povo pensava que era assim, que tinha que fazer o som... Quando o som tem que na verdade estar na sua cabeça!

É uma vocalização budista, é um som que tem poder e mérito por si próprio.

É como o hām do Achala (não é "ham" de presunto!), que também é um golpe do Shaka! Mas o Om é uma liberação de energia, enquanto o hām é o estado de Achala, o imutável e determinado, que no caso de Shaka quando usa esse golpe vira um grande escudo de energia.


Fizeram até um Achala ali do lado, hehe.

Mas tio, o que é o Achala? É o Buda armado com uma espada?

Boa! O Achala é um vidyaraja (nossa, isso ajudou MUITO a entender né?), que pode ser traduzido como rei da sabedoria. Eles não existiram de verdade como pessoas, como o Buda. São como divindades, ou melhor ainda: figuras que representam um aspecto da fé budista. Tipo deus grego, sabe? Afrodite não existiu, mas ela era a encarnação de um aspecto do ser humano, no caso a beleza e o erotismo.

No caso do Achala, ele significa a determinação imutável. Existem outros vidyarajas dentro do budismo, mas o Achala é o principal e mais importante, e super popular no Japão e no Tibet.

No mangá, como a gente pega da versão japonesa, o hām foi transformado em kan. É mais pela fonética da língua presa do japonês, mas o significado místico é o mesmo. É aquele símbolo que está no quadrinho que mostra o rosto do Shaka, logo acima dele:


Bom, falei demais, mas na próxima quero falar do resto dos golpes.

Senão vai ficar duas horas pra carregar as imagens do post, hehe.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Eu e Siddartha. - #2

"Você é um vagabundo! Já pra fora dessa casa, você não mora mais embaixo desse teto!".

Muitas vezes eu pensava que vivi minha infância inteira dentro de uma estufa. Meu pai era um Suddhodana, o pai do Buda Shakyamuni, e me criou trancado em casa para que eu não tivesse contato com o que havia fora de casa. Eu lembro que eu era a única criança da rua que não saía pra brincar na rua. Só aprendi a andar de bicicleta aos quinze anos.

Meu pai tinha medo que eu me envolvesse com más amizades, drogas, ou violência. E como nos finais de semana ele apenas sabia (e até hoje só sabe) dormir, a única diversão que eu tinha era videogame. E doces. O que me fez virar uma criança gorda, sendo alvo de gozações na escola e inclusive dentro de casa, pois meu pai dizia que eu parecia ter "corpo de mulher", e que por causa da gordura estavam nascendo "peitinhos" em mim.

Foi uma criação muito rígida, aquilo parecia compensar o que eu não encontrava lá fora, pois encontrava as punições e frustrações em casa. Uma vez um professor implicou comigo, e isso me resultou uma nota no boletim de 6,5. Foi a gota d'água pro meu pai, que gritou comigo, me ameaçou de todas as maneiras possíveis. Eu chorava, pois eu não tinha culpa daquilo. Jurei aquele segredo da sabotagem do professor dentro de mim, e nunca contei pra eles a verdade - que o professor não foi com a minha cara, e me deu nota baixa.

Quando andava de carro via as coisas pela janela. Via crianças como eu pedindo dinheiro nos semáforos, e não entendia se eu tinha algo de especial pra ter aquela vida confortável que tinha - ao menos mais confortável que a deles. Não me sentia especial.

Uma vez vi a morte. Era meu avô. Acho que a morte a gente só reconhece bem depois, ás vezes é difícil de assimilar que aquela pessoa não vai mais fazer parte das nossas vidas. Eu era criança, estava brincando com meus primos, quando minha avó veio dizer "Alain, o vô Raimundo morreu". Eu já sabia. Eu tinha tido uma premonição daquilo algumas semanas antes, mas não havia falado nada. Numa família cristã, esse tipo de faculdade espiritual é considerado "obra do diabo".

A última coisa que ele queria era que o filho virasse gay. Eu sempre gostei de mulheres, mas como eu era muito nerd e desmotivado, meu primeiro beijo foi apenas com quinze anos - e eu sendo de uma geração onde todos haviam dado seu primeiro beijo com sete, oito anos no máximo. Tive alguns amigos que eram estranhos como definia meu pai. Tinham um jeito afeminado, mas todos ele me proibia de conversar. Perdi muitas amizades pois ele pensava que eu poderia me "apaixonar" por eles. Ora bolas! Eu gostava de meninas! E nenhum deles era gay. Éramos crianças, crianças tem um jeito delicado, e nem por isso se tornariam gays no futuro.

Eu era o herdeiro. Não do reino dos Shakyas, mas de um mito que se chamava "meu pai". Diz a lenda que ele namorava todas as meninas bonitas da escola, beijava quem aparecia na frente, a menina só tinha que abaixar pra mijar. Conheceu a bebida com quatorze anos, e até hoje bebe muito. Era o melhor nos esportes, o melhor goleiro da escola e um grande jogador de vôlei. E eu? Mal sabia chutar uma bola. Era o melhor nos estudos, somente tirava notas boas e dizem que nunca tirou uma nota ruim. E quando eu falhava na escola, significava que eu só fazia uma coisa na vida, estudar, e ainda assim não fazia direito, o que só provava que eu era um perdedor na visão dele.

Queria que eu me tornasse engenheiro. Esse era o sonho dele. Mas eu não queria. Dizia que vivíamos uma vida de luxo, que fui criado com leite com pêra e que nunca havia conhecido as desgraças do mundo depois do portão de casa. Que não teria como pagar as regalias. E eu? Tentava viver uma vida simples. Não via toda aquela suntuosidade como algo necessário pra minha vida, queria uma vida simples e feliz, com pouco mas tranquila. Eu não queria continuar na empresa que ele trabalhava e aquele estilo de vida eu inconscientemente negava, e dizia pra mim mesmo que aquilo era muito desnecessário.

Via meu pai afogado num mar de dívidas, onde o único culpado era eu de ter nascido, pelas próprias palavras dele.

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Eu entendo o pai do Siddartha. Ser um aristocrata, ter um povoado e ter medo de perder seu herdeiro caso ele "conhecesse o mundo". Acho nem tanto o fato do Siddartha virar um sábio ao encontrar o sofrimento, mas por preservação dele mesmo. E se acontecesse alguma coisa?

E não apenas isso, o fato do Siddartha ter vivido a vida inteira num palácio, sem nunca ter visto a vida como ela era, era também sinônimo de falta de experiência. Um rapaz até aquele momento protegido de tudo.

Se tornar um religioso o deixaria sem saber em quem confiar o reino depois. Não havia opção, ele devia seguir os passos do pai e cumprir seu destino. Siddartha, "aquele que cumpre o seu destino". Acho que é por isso que eu via inspiração na vida do Buda antes de entrar no caminho religioso. E essa odisséia me inspirava já naquela época, quando tive o primeiro contato com ele, aos quinze anos.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Porque eu gosto de editar vídeos?

Isso não é propaganda, e nem a Apple está me pagando pra postar isso. E, sinceramente, não sou grande fã da Apple, ainda mais depois que de o problema na capa traseira do meu MacBook White.

Mas não posso descontar minha raiva e dizer que nada presta. Presta sim! Gosto muito do iMovie. Não é uma baita ferramenta com trilhões de recursos, mas a interface dele é muito, muito simples. Lembro de um amigo jornalista que dizia que o maior saco era editar filmes. Ele usava o FinalCut, um programa profissional da Apple.

iMovie engana bem! Acho que mesmo se editassem um vídeo jornalístico nele eu não saberia reconhecer a diferença.

Algumas belezinhas feitas no iMovie:




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Até mais, Madiba!

Eu lembro que em meados de julho disseram que o estado Mandela era grave. E semana passada ele faleceu.

É verdade que tivemos muitos grandes negros no século XX. Se por um lado tínhamos Martin Luther King Jr nos Estados Unidos que, embora tenha sido um país que boicotou o apartheid, tivesse uma política de racismo tão forte quanto, o mundo precisava de alguém que lutasse por isso no continente africano.


Uma coisa que achei engraçado quando visitei os Estados Unidos é que não existe mistura de etnias. Brancos casam com brancos e negros com negros. Não é como aqui no Brasil, onde é tudo bem misturado e isso é cultural nosso.

Vendo por um lado parece que tudo parecia destino mesmo. Se de um lado Mandela em algum momento provocou a revolta e até mesmo foi atrás de um preparo militar para depor o governo, foi justamente quando ele foi preso por mais de duas décadas que ele viu que o caminho era a não-violência. Ás vezes fico imaginando "e se ele não tivesse sido preso?". Muito provavelmente nem chegar aos noventa e cinco ele chegaria.

Claro que teve um lado político e econômico. O apartheid era lei de segregação. Países não compravam produtos da Africa do Sul, ou não participavam de competições esportivas contra a África do Sul. E isso resultou na pobreza, que afetou não apenas os negros, mas os brancos também. E quando pesou no bolso, os brancos tiveram que pensar duas vezes.

O racismo já é algo sem essa formalidade da lei: pela lei somos todos iguais, mas na prática não é bem assim que funciona, especialmente quando falamos de salários ou oportunidades. Racismo está presente em todos os lugares, e isso é bem triste, porque é tão duro e desumano quanto uma lei de apartheid.


Mas o apartheid caiu, a Africa do Sul elegeu democraticamente Mandela e agora caminha para aos poucos fazer justiça social. Óbvio que a molecada pobre de Soweto ainda está lá, na miséria. Mas o maior legado é esse: mesmo que seja apenas uma semente da união étnica, mas que ela cresça no futuro e se torne aquilo que o Mandela sempre quis: igualdade entre negros e brancos.

Que ambos tenham responsabilidade, que ambos tenham garra de correr atrás de um estudo, de uma oportunidade e de melhoria de vida.

E que cenas bonitas como essas de brancos e negros juntos continuem existindo não apenas na África do Sul, mas no mundo. Apesar de todas as dificuldades econômicas, ao ver cenas como as dessas fotos, justo no funeral do Mandela, a gente fica orgulhoso pela Africa do Sul, não é mesmo? =)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Chicago 2013 - Trivia

Quando desembarquei no O'Hare, temos que passar por duas seguranças. Na primeira foi tranquila (mesmo que, nosso vôo tivesse chegado ás 5h lá e só fôssemos atendidos depois das 8h! Três horas na fila! Já estava sem assunto pra falar com a Dê), mas na segunda triagem da segurança um carinha perguntou o que eu ia fazer nos EUA e eu disse que tinha ido pra um fórum budista. Porém, eu pronunciei errado, falei o "u" de "buddhism" como o "u" de "butt". Resumindo, eu disse que tinha ido pra um fórum BUNDISTA (I came for a butt-ist forum). Nem preciso dizer que o guardinha me perguntou o que era esse tal de "bundismo".

Duas músicas não paravam de tocar na minha cabeça. A primeira era Back for good, do Take That. A segunda, não me perguntem porquê, mas era Let me sing my rock 'n roll, do Raul Seixas.

Todos os dias fizeram sol! Acho que fomos muito bem agraciados pelos budas. E a previsão de chuva veio só na quinta-feira - quando estávamos voltando pro Brasil

Na primeira viagem de metrô, apareceu um negão típico americano. Ele estava ouvindo uma música com diversos motherfucka, que era a única coisa que eu entendia. O cara tava tão viajado na música, e cantando tão alto aqueles mothafucka que senti como se estivesse no Brasil, e alguém entrasse tocando funk no ônibus.

Não teve lugar em que me senti mais pequeno como quando desembarquei no meio do loop na Chicago Union Station. Sério, a gente não tem noção do que é prédio alto quando vê um.

Chicago parece uma cidade com muitos asiáticos. Em todo lugar vê-se um par de olhos puxados! E a Chinatown não é tão legal.

Nova York pode ser a cidade que não dorme, mas Chicago dorme sim. É bizarro você andar no centro, especialmente na região do Loop, num dia de semana ás 21h. Não tem uma alma na rua.

Um dia estava bem quente e fomos para a fonte de água em Buckingham Garden. O jato é muito alto, e faz uma névoa refrescante (especialmente porque estava um forno). Mas justo quando eu queria dar uma refrescada o jato ficou baixinho e não deu.

Elk Grove Village só tem gente gorda. Mas eu não estou falando do que é considerado "gordo" no Brasil. É bizarro você andar numa cidade onde todo mundo é maior que o padrão Fat Family.

O preço das coisas tamanho "super" são ridiculamente baratos. Vou dar um exemplo: digamos que uma copo de coca custe US$1,20. Tem o tamanho médio, grande, extra-grande e o super. O mais bizarro é que o "super" custa US$1,60. Como alguém vai em sã consciência comprar o tamanho pequeno se o super tem esse preço barato?

Quase morri do coração ao andar numa roda gigante no Navy Pier. E o pior era a Denichan sem saber o que fazer com um marmanjo do dobro do tamanho dela com pavor de altura perdendo o ar enquanto a roda gigante subia.

Fomos num bar famoso de blues ali na região do Lincoln Park. Tomei um susto quando a segunda banda tocava e subiu um baita dum negão enorme e pegou a guitarra do cara da banda. Parecia que era parte do show, porque ele parecia mostrar algo como "quem toca bem aqui sou eu. Fuck off!".

Nos perdemos várias vezes. Mas a mais emocionante foi se perder à noite num bairro de classe média de Chicago. Sabe aquele sentimento em andar em rua escura com pessoas à espreita te olhando só pra dar o bote? A gente se sente como em São Paulo nessas horas.

Eu nunca tinha andado de barco. Achei o máximo!

Se fala que brasileiro é viciado em futebol, americano é doente por baseball. Tem até uns programas no estilo do Neto que passam durante o dia.

Se você ri da Dira Paes fazendo comercial da Activia é porque você não viu a Jamie Lee Curtis te vendendo iogurte pra cagar.

Ou pior ainda, o Shaquille O'Neal te vendendo um carro.

Programas policiais fazem muito sucesso. E sim, os Estados Unidos é um país tão violento quanto o Brasil. Eu vi um programa no hotel de um cara que tinha matado a namorada, pegado o corpo, enterrado, enfim. Coisa de goleiro Bruno.

Eu só comi besteira. Mas um que eu sinto falta foi um hotdog que comi lá em Elk Grove, numa dessas lanchonetes que parecem o Applebee's. Tinha até um Jukebox, e muitas, muitas, muitas coisas de baseball. Tinha um molho de queijo que eu peguei da Dê que era excelente!

Acho que só eu reparei nisso, mas o céu não era azulão como aqui do Brasil. Era um azul mais claro, puxando pro branco. E não tinha uma nuvem no céu!

Na segurança na hora de voltar a gente tem que tirar até o sapato e passar nosso corpinho num scanner de raios-x. O scanner raio-x, ok, tinha um no Schiphol em Amsterdam, mas o do sapato é porque um desses terroristas com muita esfirra e pouco cérebro foi inventar de levar algo cortante dentro do sapato e adicionou mais uma neura na segurança americana.

Se eu tenho medo de roda gigante, nem preciso dizer que tremi ao andar no Skydeck na Willis Tower. Aliás, subir um elevador que passa dos cem andares é garantia de seu ouvido tampar. Umas vinte vezes. É ruim demais!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Doppelgänger - #9 - Despertar.

Nezha estava preso em algo escuro. Não conseguia abrir os olhos, nem se mexer.

Mas ele conseguia sentir algo no seu corpo. Mesmo que inconscientemente.

Seres humanos sonham em preto e branco. E ele via várias pessoas em rápidos flashes embaçados.

E de novo, aquela japonesa.

Mas onde ele tinha parado mesmo? Ele estava seguindo uma mulher dentro do complexo presidiário, é mesmo!

Porém, ele não se lembra de nada depois daquilo. E mesmo agora, não entendia o que era aquilo, ou onde ele estava.

- - - - - - - - - -

Uma luz forte estava incidindo sobre seu rosto. Nezha estava deitado numa cama hospitalar, semi-inclinada. Ao seu redor via o que parecia ser uma enfermaria. Seus braços estavam atados à cama. Sua cabeça ainda estava demorando pra entender o que estava acontecendo.

Momentos atrás ele estava correndo atrás de uma mulher que ele parecia conhecer.

E agora estava ali.

Nezha fez um esforço com seus braços, e conseguiu livrar seu braço esquerdo. Foi aí que ele percebeu que estava completamente nu, e uma atadura imensa na área do abdome. Um bilhete estava ao lado da sua cama. Dizia para não mexer na atadura.

Com certeza haviam mexido no corpo dele. Mas ele não se lembrava de nada. Nem mesmo sentia dor.

Nessa hora um guarda entrou na sala, e Nezha correu pra se esconder embaixo da cama.

"Ei garoto, você está bem?", era Alexei.

"Alexei. O que diabos aconteceu?".

"Garoto, eu disse pra você. A partir do momento que você passou daquele túnel você está entrando num mundo diferente de lá fora. Mas eu já estou começando a entender o que está acontecendo", disse Alexei.

"Hã? Como assim? Claro que isso é o mundo real, e isso é apenas uma missão!", disse Nezha.

"É uma missão. Mas você deve se despir de todo preconceito. A partir do momento que você pensar que algo não existe, ou que algo é impossível, é quando você cairá na armadilha deles. Por isso, abra os olhos".

"Alexei... Eu não estou entendendo mais nada! O que diabos tem essa pessoa que eu tenho que resgatar aqui? Estou começando a suspeitar que ela nem mesmo exista!", disse Nezha, revoltado.

Nessa hora Alexei se levantou. E com sua mão, desferiu um soco na cara de Nezha, que caiu no chão e olhou pra Alexei com uma cara de quem não estava entendendo nada.

"Isso talvez te mostre que isso tudo não é um sonho...", disse Nezha.

Nezha continuava mudo.

"Escute, garoto. Você não achou estranho que em uma prisão de segurança máxima não tenha quase nenhum guarda andando, todas as câmeras estejam desligadas e a os prisioneiros imersos num imenso sono?".

O jovem Nezha começou a ligar os pontos. Aquilo era estranho mesmo.

"Coloque suas roupas. Como eu disse, os noBODIES entraram. Um deles é um psíquico, extremamente forte em telecinese. Foi ele que fez a armadilha e te colocaram aqui. Provavelmente estavam procurando algo dentro de você, mas não encontraram".

Nezha ficou pálido. Ele ainda não tinha tomado ar pra falar nada desde que tomara aquele soco. Parecia que estava acontecendo um imenso choque de realidade e que agora era o momento de despertar.

"Aqui está o cartão magnético que eu tinha te dado pra acessar o subsolo 1. Vamos nos falando via rádio. Eu registrei a frequência de uma parceira minha".

Os dois entraram na comunicação via rádio, em grupo:

"Nezha, essa é minha parceira. O nome dela é Victoire", disse Alexei.

"Victoire?! Como assim?!", disse Nezha, abismado.

"Olá Nezha, prazer em conhecê-lo", disse Victoire, via rádio.

"Victoire vai te ajudar depois que você entrar no subsolo. Por favor, confie nela".

Alexei saiu da sala. Nezha viu o número de conexão de Victoire. Agora sim que aquilo tudo fazia menos sentido ainda pra ele.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Religiões híbridas.

Não gosto muito de usar esse termo do título, mas vamos lá.

Esses dias estava estudando budismo, e vi que bodhisattvas são de conceitos diferentes nas correntes budistas Mahayana e Theravada. Na Theravada dizem que todos nós nos tornamos bodhisattvas a partir do momento em que buscamos a nossa própria libertação espiritual. Já na corrente mahayana, ser um bodhisattva é usar sua capacidade para ajudar os outros a se libertarem - e assim, você se liberta também.

Muita gente critica religiões, dizendo que usam histórias que existem em outras crenças, dizendo que é ruim que seja assim, pois mostra que todas têm a mesma origem pagã/primitiva.

Vamos lá então! Vou tentar desenhar meu pensamento aqui. Vamos começar pelos gregos. Como eu sou um cavaleiro de bronze de pégaso, quero começar da minha amada deusa Saori Kido Athena:

Athena para os gregos, mal traduzido como deusa da guerra (que não tem nada a ver) é a deusa da sabedoria e artes (τέχνες). Usei o termo grego téchnes, que virou o nosso arte pois engloba muito mais. A técnica é a mãe da arte, e não o inverso como a Revolução Industrial nos fez pensar.

Sarasvati para os hindus, também deusa da sabedoria e das artes, mais tarde representada no panteão japonês como Benzaiten. Uma deusa hindú (ela era esposa do se o bar é bom o chopp é Brahma) que, como podem ver, tem a mesma função da Athena.

Bom, são bem similares embora na prática sejam a mesma coisa. A questão acima que eu tinha levantado não é descobrir quem é o certo, quem é o errado, ou se os indianos vieram primeiro, nem nada do gênero, pois muitas vezes a crítica das pessoas é que religiões são vazias por uma serem a cópia da outra.

Mas será que estamos falando de cópia mesmo? E se for, é necessariamente ruim?

Figuras religiosas são criadas como uma espécie de avatares não apenas do comportamento humano, mas protetoras de uma certa causa. Athena, por exemplo, era reverenciada pelos gregos pois havia a crença de que ela os levaria à vitória em guerras. Curiosamente ou não, de acordo com as epopeias de Platão, Athena estava do lado dos gregos e Apollo dos troianos, e todos nós sabemos do resultado dessa guerra (CHUPA TRÓIA!!).

O que mudam são os nomes.

Acredito que esses deuses são na verdade grandes energias. Energias fortes que protegem a gente mesmo. Os nomes cada região dá um diferente. Ouvi falar por aí que Athena apareceria até mesmo no cristianismo, sob a forma do arcanjo Gabriel, que curiosamente, é um dos anjos que mais ajudam Deus e aparece em diversos momentos cruciais bíblicos.

Talvez a mitologia grega tenha criado todo o esquema do Monte Olimpo para nos distanciar dos deuses. E por muito tempo seres humanos continuam acreditando que esses deuses não estariam acessíveis. Mas existir uma entidade, que auxilia as pessoas por meio da sabedoria, das artes, muito parecidas em substância como Athena, Sarasvati e o Gabriel só me leva a crer que todos nós sempre acreditamos no mesmo ser, só demos nomes diferentes pra eles.

E isso não é ruim! Isso é algo muito forte que liga todas as religiões do mundo numa só, exatamente como sempre pensei: no mundo espiritual não existem barreiras. As barreiras são materiais como as que nós mesmos criamos. Espiritualmente não existem. =)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A direita no Brasil vista de longe.

Quando estava em Chicago, tive que pegar um trem pra ir de Elk Grove Village até o centro de Chicago. No caminho sentei ao lado de uma família canadense, que estava aproveitando um fim de semana em terras ianques.

Ele começou comentando que o Brasil é um país que está crescendo muito nos últimos anos, e eu confirmei isso, dizendo que de fato pessoas na miséria hoje possuem mais poder aquisitivo.

O canadense manjava bastante. Ele sabia até que o nome da nossa presidente era Dilma. E aí ele fez o seguinte comentário:

"She's left wing, right?" (Ela é de esquerda, né?)

Uau! O cara era informado. Ao contrário da maioria dos anglo-saxões que pensavam que no Brasil se falava espanhol (não, eu não falo ¡Hola! ¿Qué tal?).

Comentei com ele que o Brasil só tinha partidos de esquerda. Ele ficou abismado. Perguntou porque a direita do Brasil era tão fraca, e eu disse que acredito que era muito pela herança da ditadura militar, que demonizou a "direita" no país, e que a oposição do governo era de centro-esquerda, nem mesmo ela se aceitava ser classificada como direita.

Mas é muito pensamento do Brasil mesmo. Embora a direita tinha produzido políticos péssimos como George W. Bush ou Herbert Hoover, ela produziu outros excelentes como o Lincoln e até o Martin Luther King Jr.

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