quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Religiões híbridas.

Não gosto muito de usar esse termo do título, mas vamos lá.

Esses dias estava estudando budismo, e vi que bodhisattvas são de conceitos diferentes nas correntes budistas Mahayana e Theravada. Na Theravada dizem que todos nós nos tornamos bodhisattvas a partir do momento em que buscamos a nossa própria libertação espiritual. Já na corrente mahayana, ser um bodhisattva é usar sua capacidade para ajudar os outros a se libertarem - e assim, você se liberta também.

Muita gente critica religiões, dizendo que usam histórias que existem em outras crenças, dizendo que é ruim que seja assim, pois mostra que todas têm a mesma origem pagã/primitiva.

Vamos lá então! Vou tentar desenhar meu pensamento aqui. Vamos começar pelos gregos. Como eu sou um cavaleiro de bronze de pégaso, quero começar da minha amada deusa Saori Kido Athena:

Athena para os gregos, mal traduzido como deusa da guerra (que não tem nada a ver) é a deusa da sabedoria e artes (τέχνες). Usei o termo grego téchnes, que virou o nosso arte pois engloba muito mais. A técnica é a mãe da arte, e não o inverso como a Revolução Industrial nos fez pensar.

Sarasvati para os hindus, também deusa da sabedoria e das artes, mais tarde representada no panteão japonês como Benzaiten. Uma deusa hindú (ela era esposa do se o bar é bom o chopp é Brahma) que, como podem ver, tem a mesma função da Athena.

Bom, são bem similares embora na prática sejam a mesma coisa. A questão acima que eu tinha levantado não é descobrir quem é o certo, quem é o errado, ou se os indianos vieram primeiro, nem nada do gênero, pois muitas vezes a crítica das pessoas é que religiões são vazias por uma serem a cópia da outra.

Mas será que estamos falando de cópia mesmo? E se for, é necessariamente ruim?

Figuras religiosas são criadas como uma espécie de avatares não apenas do comportamento humano, mas protetoras de uma certa causa. Athena, por exemplo, era reverenciada pelos gregos pois havia a crença de que ela os levaria à vitória em guerras. Curiosamente ou não, de acordo com as epopeias de Platão, Athena estava do lado dos gregos e Apollo dos troianos, e todos nós sabemos do resultado dessa guerra (CHUPA TRÓIA!!).

O que mudam são os nomes.

Acredito que esses deuses são na verdade grandes energias. Energias fortes que protegem a gente mesmo. Os nomes cada região dá um diferente. Ouvi falar por aí que Athena apareceria até mesmo no cristianismo, sob a forma do arcanjo Gabriel, que curiosamente, é um dos anjos que mais ajudam Deus e aparece em diversos momentos cruciais bíblicos.

Talvez a mitologia grega tenha criado todo o esquema do Monte Olimpo para nos distanciar dos deuses. E por muito tempo seres humanos continuam acreditando que esses deuses não estariam acessíveis. Mas existir uma entidade, que auxilia as pessoas por meio da sabedoria, das artes, muito parecidas em substância como Athena, Sarasvati e o Gabriel só me leva a crer que todos nós sempre acreditamos no mesmo ser, só demos nomes diferentes pra eles.

E isso não é ruim! Isso é algo muito forte que liga todas as religiões do mundo numa só, exatamente como sempre pensei: no mundo espiritual não existem barreiras. As barreiras são materiais como as que nós mesmos criamos. Espiritualmente não existem. =)

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