sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Karma

Gosto de caminhar pra pensar na vida. E esses dias lembrei de uma reportagem que vi há anos sobre o "Marlboro Man", e sua morte.

Ele, curiosamente morreu com uma doença pulmonar, e suas ultimas palavras foram sobre exatamente contra o cigarro - uma coisa que ele ajudou a vender muito, e virou um simbolo de masculinidade. Homens queriam ser o Marlboro Man, e mulheres queriam dar pro Marlboro Man.

Acho interessante pois isso é um exemplo de como conceitos budistas são bem fortes, independente da crença, local ou qualquer coisa. A lei da causa e efeito, a lei do karma.

Não quero criticá-lo, ele já teve uma morte sofrida o suficiente, e tudo o que posso fazer é oferecer preces sinceras pela sua alma. Apenas quero exemplificar como essa coisa de karma é forte, e que no fundo ele não é ruim, pois podemos purificá-lo quando temos esse insight, e salvar muitas vidas à nossa volta.

Hoje em dia tem muitas pessoas que acham que ser malvado é legal. Muito é pelo estereótipo de "anti-herói" que se espalhou por aí. A diferença é que as pessoas querem ser "malvadas" esperando que o mundo lhes dê de volta bondade, quando não é preciso ser um gênio da matemática pra entender que uma coisa jamais levará á outra.

Nessa hora que o conceito budista de "eu verdadeiro" deve ser explorado. Deixe que aquilo de melhor em você apareça. Não estou dizendo que pessoas extrovertidas sejam melhores que introvertidas, ambas tem qualidades. Assim como pessoas racionais também têm tantas qualidades quanto pessoas emotivas. Quando vejo pessoas que são "malvadas" por escolha, tudo o que vejo é superficialidade. Pessoas que se deixaram ser influenciadas, carecem de suas verdadeiras personalidades porque resolveram adotar a de outro (e ainda assim, um péssimo exemplo).

Karma também acredito que diga respeito sobre o que você atrai pra você mesmo. A partir do momento que você vai acumulando bom karma, por meio de atos bondosos, pessoas boas também são atraídas, e com elas, boas vibrações.

Veja o exemplo do próprio Marlboro Man. Depois de anos influenciando pessoas pra fumar, foi justamente no momento da sua morte que ele se ligou que aquilo era errado, e por meio das suas palavras não duvido que influenciou muita gente por aí a não colocar nem mesmo o primeiro cigarro na boca. Não penso nele como uma pessoa que influenciou pessoas pra um hábito ruim, e sim aquela pessoa iluminada que ele se tornou ao mostrar para pessoas os verdadeiros malefícios daquilo que era ruim. E assim, purificou seu karma e o de incontáveis outros através de gerações, não acha? Agora temos um motivo pra admirar esse rapaz, de uma maneira diferente, na minha opinião.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A importância da prática

Acredito que muitos curiosos acham que os conceitos budistas são fáceis. Pra muitas pessoas que eu explicava coisas como "As quatro nobres verdades" diziam: "Nossa, mas isso é bem simples e lógico. É facil fazer isso". Como diria Yusuke Urameshi: "Rapadura é doce, mas não é mole não!".

O estado de Nirvana não é algo carimbado nas pessoas. O Buda teve uma experiência, seus discípulos tiveram outra, eu estou tendo outra e você terá a sua particular também. Temos sim algumas diretrizes básicas de como chegar lá, mas o caminho somos apenas nós que percorremos.

Tudo isso porque muitas pessoas gostam muito de ler a teoria, mas menosprezam a prática. E budismo não tem nada a ver com esperar um milagre cair do céu, e sim arregaçar as mangas e você mesmo não apenas fazer seu destino, como desenvolver uma mente que lide com os problemas à sua volta.

Porém, para isso, cada coisa deve ser treinada por vez. Por isso a prática é tão importante. Quando pessoas me falam que praticam o suficiente, eu pergunto o que fazem, e falam apenas um ou dois atos por dia. Isso é um ótimo passo, mas de longe não é o suficiente. Tem que ser praticado diariamente, desde o primeiro bom dia, até o esforço que faz em não pisar no pé dos outros no busão de manhã, em sorrir pra moça que te atende no restaurante, em não pular no pescoço do seu chefe, etc.

Pessoas menosprezam a prática, ou são tão dominadas pelo ego que acham que a pouca prática que fazem é o suficiente. Repense isso e use todo o momento que tiver para agir com respeito, bondade e ética com os outros. Se cada um fizer sua parte, sem dúvidas o mundo vai melhorando de pouquinho em pouquinho. E mesmo que o mundo ao seu redor não aja te respondendo, não espere nada em troca. Tenha personalidade e entenda que atos bondosos falarão sempre mais alto que atos maléficos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Doppelgänger - #12 - A hora da verdade.

Quem era aquela mulher? Toda vez que sentia o seu toque, algo no coração de Nezha palpitava. Aquele aroma, tudo aquilo era muito familiar, era como se já conhecesse aquela mulher que estava na sua frente, envolta por seus braços.

"Lucca, me beije. Fique comigo aqui, estamos felizes. Me diga, o que fizeram com você?", disse a mulher japonesa.

"Eu... Eu não sei. Porque eu sinto que te conheço de algum lugar?", perguntou Nezha.

"Lucca, fique comigo. Você é minha vida, e eu te amo. O que fizeram com você foi algum tipo de lavagem cerebral, te apagaram as memórias, mas eu estou bem aqui", ela apontou pro coração.

"Onde?"

"Estou no seu coração, sou uma presença na sua alma, por mais que tentem, não vão poder apagar as memórias, todo o tempo que vivemos juntos, todas as noites que passamos juntos abraçados, todas as emoções que compartilhamos".

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Fogo. Todo o local parecia ter sido palco de uma verdadeira guerra. Tudo estava engolido por uma atmosfera escura e alaranjada, e labaredas estavam queimando ao fundo. Seus olhos estavam abertos, e rapidamente Nezha viu que algo estava acontecendo.

Aquilo parecia um sonho lúcido. Mas quanto tempo passou? Ele se viu sentado, encostado na parede. Ao virar o rosto para entender onde estava, viu que ao seu lado ainda existia aquela mesma porta, apontando para o subsolo onde sua missão seria completada.

Sua visão antes turva foi voltando ao normal. Aquele zumbido estava passando, e ele estava começando a ouvir o alarme de incêndio ensurdecedor que estava tocando. Ao virar o rosto pro outro lado viu uma pessoa, aplicando uma chave de pescoço numa outra pessoa.

Havia muito sangue no chão. E a pessoa que aplicava a chave parecia ferida.

E então a pessoa que estava sendo estrangulada caiu no chão, inconsciente. Quando seus olhos focaram na escuridão ele viu, era aquela mulher de cabelos pretos e olhos escuros.

E o que aplicou a chave era ninguém menos que Alexei.

"Como está, garoto? Pelo visto ela te pegou. Essa é Sara, é uma psíquica húngara. Ela é capaz de induzir as pessoas a ilusões por meio da sua telecinese, e você foi um deles. Vamos, fique em pé, me ajude. Ela enfiou essa faca na minha perna, mas eu consigo andar ainda".

"Alexei... Desculpe. Não sei como tudo aconteceu. Mas vamos sim, precisamos ir em frente. Venha, eu não estou ferido, encoste-se em mim.", disse Nezha.

Os dois passaram pela porta, e por fim havia um pequeno corredor, com muitas celas individuais, e uma grande cela no final dela.

"A última. Vamos!", disse Alexei.

Nezha percebeu que Alexei levava uma grande caixa pesada nas costas. Devia ser algo muito importante, pois ele a todo momento ajeitava nas suas costas, com medo que a mesma caísse.

"Pegue as fitas explosivas. É o único jeito".

Vários gritos de guardas em holandês dominaram o local. Sem dúvida os guardas estavam chegando, e aos montes. O tempo era curto. Nezha posicionou as fitas explosivas e estava com o detonador pronto. O que encontraria depois daquela porta? Será que era uma pessoa tão temível assim? Um terrorista? O que significava todo aquele resgate, afinal de contas?

Nezha não pressionou o botão. Ao contrário disso, pegou a Desert Eagle e apontou pra testa de Alexei, que estava no chão, pressionando a ferida e falando com Victoire.

"Alexei. Tenho perguntas e quero respostas agora. Quero que me diga se uma pessoa chamada 'Lucca' significa algo pra você e no seu passado".

A Desert Eagle gelada na cabeça fez Alexei transpirar. Agora era a hora da verdade.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O que a tragédia na Boate Kiss significa pra mim.

Eu lembro como se fosse ontem. Estava almoçando em casa quando vi a notícia urgente: uma boate na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, pegou fogo, e o número de mortos só estava crescendo.

Normalmente ao vermos uma tragédia, a primeira coisa que fazemos é culpar as autoridades, ou o dono do local. “Ah, foi culpa desse governo corrupto!”, “Não, foi culpa dos bombeiros que não fiscalizaram corretamente!”, ”Com certeza a culpa é do cara da banda que acendeu o fogo de artifício!”. Mas independente de quem será considerado culpado, já havíamos perdidos muitas vidas – e vidas de jovens.

Toda vez que via mais notícias, mais eu ficava aterrorizado. Acho que a aquela imagem dos caras do lado de fora com marretas quebrando a parede vai ficar pra sempre na minha memória. O número de mortos não paravam de aumentar.

E eu, naquele momento, estava no meio de um treinamento budista, o Treinamento de Inverno. Acho que a gente acaba ficando mais sensível nessa época, porque toda vez que via as imagens, meu coração doía e apertava. Toda vez que ouvia as palavras dos pais que tentavam ligar pros seus filhos já mortos que não atendiam o celular, eu ficava com aquilo entalado na garganta. Quando via que existiam pessoas hospitalizadas em estado grave, mais triste eu ficava.

E no dia 28, enquanto assistia ao Jornal Nacional, vendo a matéria, comecei a sentir um grande mal estar estomacal. Ia ao banheiro, fazia cocô, e nada da dor passar. Disse pra minha mãe que precisava deitar um pouco, que não estava me sentindo muito bem, e que logo iria passar.

Minutos depois eu estava gritando: “Mãe, pelo amor de deus! Me traz uma bolsa de água quente, que está insuportável!”.

De fato estava. Minha mãe sabe que eu sou um cara sem frescuras. Normalmente eu fico quietinho, não gosto de preocupar as pessoas, mas que dor era aquela? Ia descendo para os meus testículos e todo meu lado direito do abdome doía em ressonância. Por mais chás que eu tomasse aquilo não era um mal estar estomacal. Com uma bolsa de água quente colocada na parte direita da minha cintura eu pedia ajuda pros Budas, pois aquela dor era tão intensa que até estava me fazendo vomitar (de dor).

Ficava entoando “Namu shinnyo ichinnyo dai-hatsu nehan kyo” muitas, muitas, muitas vezes. Pedia ajuda pros Budas para passarem, foi aí que a dor foi passando, mas até eu estava sem energia e adormeci instantaneamente.

No outro dia, sem dor nenhuma, fui no médico pra saber o que era aquilo. Uma pedra de 7 mm estava no canal entre o rim e a bexiga, e até mesmo o médico estranhou, pois ele disse: “Era pra você estar se remoendo no chão de dor agora. Não sei como você não está sentindo nada”.

Mas eu ainda estava preocupado com as pessoas em Santa Maria. Sei que mesmo sendo de súbito isso, muitas pessoas queridas me mandavam orações via Facebook que vi depois, mas eu não queria nenhum tipo de oração pra mim. Gostaria que naquele momento orassem por Santa Maria, não pela minha recuperação.

A operação correu tudo bem, no outro dia. Passando pelos canais é claro que as notícias eram sempre de Santa Maria. Em um dos depoimentos de uma jovem que sobreviveu, mesmo eu ali, paralisado pelas anestesias e com muita dor, chorei, chorei muito. E unia minhas mãos em gassho, para que os Budas ajudassem todas as famílias que estavam passando por aquilo, e que não precisasse se preocupar comigo.

Por muitas vezes eu orava pelas pessoas em Santa Maria, mesmo que naquele momento toda a região ali da bexiga ardesse e urinasse sangue puro. Aquilo não era nada perto do sofrimento que eles estavam passando.

Desde então tenho me dedicado em sempre que possível oferecer pedidos de consolação espiritual para as vítimas. E vejo que as mãos dos Budas têm surtido efeito ótimo, os parentes dos sobreviventes criaram grupos de amparo, e fazem até mesmo donativos para instituições de caridade. Vendo isso, só tenho como agradecer por todo o apoio que os Budas deram para essas famílias, pois sem dúvida, foi e ainda deve ser uma dor muito maior do que aquela que eu senti nos rins.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Doppelgänger - #11 - Memories in the rain.

"Ei garoto! Vamos, acorde!".

Uma voz grossa vinha do pequeno orifício da porta da prisão. Nezha começou a se recordar de Schwartzman, daquele aroma estranho, e de que a última coisa que se recordava era que tinha sido jogado ali. Mas nada daquilo fazia sentido.

"Seu equipamento está aqui fora. Você já está bem?"

"Alexei...? É você?".

"Vamos, tome isso. Injete isso na artéria do seu pescoço. Vai tirar a tontura".

Nezha pegou a seringa e injetou, apertando o botão. Uma dor muito forte tomou conta do seu corpo, e ele caiu no chão gemendo baixinho. Começou então a ter uma crise urinária, e fez xixi em todo o chão da cadeia.

"Heh... Isso é idade pra fazer xixi nas calças, garoto? Mas fique tranquilo, isso acelera o seu metabolismo, elimina todas as toxinas que você respirou via urina. É a saída mais rápida, daqui a pouco essa dor vai passar".

A dor foi passando para Nezha, que depois já sentia menos daquela dor no seu corpo inteiro. A tontura já havia passado magicamente, e pelo cheiro da urina, deu pra perceber que realmente estava muito intoxicado.

"Tive que usar sua ajuda, garoto. Dei uns tiros no Schwartzman, e depois de uns 15 minutos chegaram os caras que te levaram. Mas aquele cara não morreu, tá vivo ainda, mesmo depois de ter sido alvejado".

"Qui-quinze minutos? Pra mim tinha sido no momento que ele caiu que eu fui levado!", disse Nezha.

"Não. Schwartzman é um perito em tóxicos. Foi assim que ele conseguia estripar os guardas mesmo ainda vivos e lúcidos. Ele é um judeu maluco que os pais haviam sido usados por nazistas para seus experimentos vivos. Ele era uma criança, e quando escapou da prisão, viu o pai tendo seu corpo vivo aberto para os experimentos dos nazistas. Desde então ele tem se especializado em venenos e anestesias. Um mestre em dopar pessoas".

Nezha sentiu medo. Um medo terrível como nunca tinha sentido. Se não fosse Alexei, provavelmente ele estaria morto agora. Um judeu psicopata que dopa as pessoas para estripá-las vivas e lúcidas. E ela para ele ter sido também, sem dúvidas. Ele ouviu um clique e a porta da cela se abriu, com Alexei lançando seu equipamento.

"Deixei uma Desert Eagle aí com você. Ela faz muito barulho, então evite usá-la contra qualquer carinha. Tive que te usar para ganhar acesso a esse subsolo, mas felizmente nosso prêmio está apenas um andar abaixo, no quinto e último", disse Nezha.

"Quinto subsolo? Essa pessoa realmente tem uma prisão em cinco estrelas".

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A partir dali a comunicação via rádio era comprometida. Era Nezha e Alexei, e apenas os dois. Nezha se trocou e saiu da cela, seguindo Alexei de perto. Novamente o local estava ligeiramente deserto, com apenas alguns poucos guardas e as câmeras todas inexplicavelmente desligadas.

Uma placa em holandês indicava: "vijfde kelder". Quinto subsolo. Estavam perto.

Foi aí que algo explodiu.

A luz começou a piscar, e pó parecia vir do final do corredor.

"Garoto, siga em frente. Os guardas provavelmente virão para esse lado, quero que desça para o quinto subsolo e resgate logo nosso alvo!".

"Alexei, espere, por favor!".

Mas era tarde. Alexei já estava cruzando o corredor, e sons de tiros ecoavam pelo local. Não era hora de virar e voltar, Nezha continuou pois aquele era o objetivo da missão, e não proteger Alexei. Passando por diversos corredores como se fosse um labirinto encontrou a porta que buscava.

Porém havia uma mulher na frente da porta. Uma mulher de cabelos negros, pele branca e grandes olhos azuis. Era magra, e sua coluna estava curvada pra frente, como se fosse corcunda. Seus braços jogados pra frente junto com o corpo. Ela parecia estar esperando ali por um bom tempo.

"Quem é você? Se identifique, senão eu atiro!".

"Você não seria capaz de atirar em mim, Lucca."

Nezha tremeu. Aquele nome não era o dele, mas ele parecia ter uma conexão com ele. A mulher na frente ainda estava parada, na sua frente, quando uma terceira pessoa tocou o seu ombro. Ao virar o rosto, viu a mesma japonesa que havia distraído-o quando entrou na base.

"Lucca meu amor, depois de tanto tempo te reencontrei! Sou eu, Noriko! Não se lembra de mim?".

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os desafios de um treinamento budista.

Budismo é uma religião única. Temos suporte espiritual pra enfrentar de cara limpa as coisas que acontecem na frente. Você nunca verá um budista dizendo que sua vida é apenas um mar de rosas - e sim das milhares de coisas que ele superou na sua caminhada.

Hoje, navegando na internet, achei uma vaga de emprego. Só que a vaga é na minha empresa, e é pra basicamente fazer o que eu faço, e ganhando muito mais que eu. Até mesmo o e-mail da minha gerente tem aí. Sem dúvida vem algo aí, e não acho que vou ganhar um companheiro de trabalho, e sim que vão me demitir e colocar outro no lugar:


Ao comentar isso com uma amiga ela estranhou minha calmaria. Disse que se fosse com ela, provavelmente ficaria revoltada, não ia mais fazer questão de trabalhar, nem nada. Mas eu estou tranquilo. Sei que isso faz parte do meu treinamento para que eu me torne uma pessoa melhor. O motivo da demissão ainda não sei, aliás nem sei direito se vai rolar. Vi vários anúncios de alguém tomar minha vaga desde dezembro, e o salário só vem aumentando, resumindo muito o quão difícil deve estar pra arranjarem alguém.

Ao mesmo tempo fico muito grato aos Budas, pois mesmo que esse emprego nessa empresa nunca tenha sido o meu emprego dos sonhos, me ajudou a pagar a viagem pra Chicago, e ainda comprar todos os móveis do meu quarto, o que já é algo bastante gratificante por si só. Esse tipo de coisa é feito para "abalar" mesmo, mas meu coração está tranquilo, e sei que dei o meu melhor independente de qualquer coisa.

Sem dúvida tenho recebido muita proteção, e tenho certeza que logo vou colher tudo o que plantei, mesmo que plantar essas sementes tenha sido muito complicado. Não fui avisado, apenas achei a vaga num site de emprego hoje, mas independente de qualquer coisa deixarei nas mãos dos Budas. O que tiver que acontecer, acontecerá.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O caminho que eu fazia todos os dias.

Na sexta dia 10 fui com a Nai comer sushi na Vila Olímpia. O restaurante era o Jow Sushi Bar, fomos muito bem atendidos e a comida excelente.

Mas o que foi interessante não foi apenas encher a barriga de peixe cru, mas andar de novo ali por aquela região que eu tanto andei há anos atrás quando trabalhava ali na Fundação Abrinq. Sempre na volta pra casa (ou pra faculdade) eu fazia aquele caminho pegando a Rua Fiandeiras e indo até a Rua Olimpíadas, dando de cara com aquele monte de hotéis e o Shopping Vila Olímpia.

Por incrível que pareça a hora de voltar era sempre prazerosa por conta de fazer esse caminho. Aquela região, mesmo tendo todas as milhares de empresas e escritórios na região, é uma região que fica muito bonita à noite.

Todas as luzes do prédio, mais o vento gelado que vinha dos estacionamentos subterrâneos e as calçadas com aqueles pisos sempre me vêem a mente como algo nostálgico. Claro que na época eram tempos terríveis, pois estava no meio da fase do TCC pra concluir minha faculdade, mas toda vez que eu passava por ali era diferente. Aquela região é digna de um cartão postal à noite. Um pedaço de São Paulo que tem um significado bem peculiar pra mim, e pela época que passei quando passava sempre por lá, há dois anos e pouco.

E quando passei de novo esses dias vi o porquê de eu curtir tanto aquele lugar, e de sempre ficar babando pelas luzes dos prédios quando passava por lá. Que coisa besta, né?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Saint Seiya e budismo. (3)

Mais uma da série! Saint Seiya visto por alguém budista. Se perdeu a primeira, ou a segunda, olha aí!


Essa é a Casa de Virgem nas doze casas. Só reparei agora que tinha dois Budas na porta. Mas aí você pode falar: "Pera lá, o Buda ele só fica sentado em posição de meditação, como ele tá de pé?". Imagens do Buda em pé significam muita coisa, mas em geral se refere ao período que o Buda peregrinou pela Índia naqueles tempos, divulgando os seus ensinamentos.

Alguns relatos afirmam que o Siddartha Gautama andava com uma baita duma turma pela Índia naquele tempo pregando as verdades que ele havia descoberto. Não consigo pensar em outra coisa a não ser Forrest Gump naquela parte do filme que ele corre pelos EUA com uma renca de gente atrás.


No anime quando chegam na Casa de Virgem é diferente do mangá. Achei uma liberdade poética aqui. Considerando que o Shaka é a reencarnação de Buda, e ele vive na Casa de Virgem, logo podemos dar uma viajada e dizer que a Casa de Virgem é um tipo de templo.

E é isso que Seiya e seus amigos vêem. Uma terra perfeita, pois templos budistas sempre são locais de extrema purificação espiritual. E essa purificação vem de muitas fontes, mas especialmente dos mantras que a galera entoa lá.


Só no anime, Shaka aparece meditando sobre uma flor de lótus. Eu acho que os produtores deram uma viajada legal nesse episódio no anime, mas muitas coisas eu achei forçado, mas tudo bem, não vou criticar pra não perder a amizade.

A flor do lótus é a flor do budismo. É a flor que nasce mesmo dentro de lamaçais, que significa que mesmo que você esteja envolto por tudo o que há de ruim, você é capaz de despertar e purificar-se.


Esse é o "kan" que o Shaka usa contra o Shun, quando este lança as correntes. Tá difícil de ler! Mas é muito mais sem-graça que na saga de Hades.

Pra mais explicações do kan, clica aqui, já falei sobre ele, rapá!

Entendendo o Tenma Kofuku
Bom, essa era a parte que eu mais temia. Mas vamos tentar desenhar uma linha de raciocínio, tentem me seguir. O Tenma Kofuku (天魔降伏) é um dos golpes poderosos do Shaka (como se ele tivesse algum golpe fraco!). A tradução é difícil, por isso que em cada lugar ele fala um nome diferente, e no final ninguém entende nada.

Em um sentido literal, Rendição Divina/Demoníaca. Agora você entendeu menos ainda, né? Bom, o "Kofuku" é rendição de qualquer maneira. Mas o que ferra são os caracteres chineses de Divino (天, ten) e o Demônio (魔, ma).

Se vocês repararem bem, antes do Shaka usar o golpe no anime, mostram várias imagens mostrando a dualidade entre bem e mal:



Tem outras também, mas peguei essas duas.

Mas aqui vou dar uma viajada pra ver se consigo passar algum sentido do treco. Talvez seja uma rendição dos demônios feito pelos seres divinos. Tem até um desenho do Mara ali, embora a versão do Persona faça mais sentido (tirem as crianças do computador quando abrir, porque esse Mara do jogo Persona é um pinto enorme!).

Mara é o rei dos demônios no budismo. Ele que tentou o Buda Shakyamuni quando ele estava sentado meditando pra alcançar o Nirvana, enviando a Valesca Popozuda mulheres gostosonas pra tirar ele da meditação e, sacumé né? Bom, o Buda ficou firme e seguiu em frente meditando, nem deu bola pras recalcadas, então por isso que eu digo que a versão de Mara do Persona foi bem sagaz, hehe.

Mas eu ainda acho que rendição demoníaca seja o melhor nome, olhando essa arte do Kurumada no mangá:


Nele, o Shaka faz o papel de purificador. E Seiya, Shiryu e Shun tomam na cara a explosão cósmica do Shaka.

E o que tem a ver com budismo? Muita coisa! Buda era uma pessoa que purificava muito as pessoas e os demônios por meio da força dele. Existem até mantras e mudras (gestos com a mão) de subjugação do mal, pois esses demônios são exatamente esses obstáculos, impedimentos que rola nas nossas vidas.

Mas ao contrário do cristianismo, que ficam condenando os demônios, fazendo-os sofrer, o budismo sempre ensinou a "acolher" esses demônios. Sabe, é como uma criança incompreendida - no fundo, ela só está sozinha causando muitas confusões, e a gente na nossa individualidade recrime a criança dizendo que ela é errada, sem tentar entendê-la antes. Se você aceitar ela do jeito que ela é, aceitando-a do jeito que é e trazendo o melhor dela pra fora, ela vai entender que existe algo maior.

Samsara
Depois, o pica das galáxias, Ikki de Fênix aparece atrasado para chutar o pau da barraca, fazer a cobra fumar, mostrar que quem manda é ele, segurar o boi pelo chifre, sentar o dedo nessa p****, e quaisquer outras frases populares que caibam nesse contexto. Afinal, estamos falando do Ikki!


Tem uma parte que o Kurumada exagerou. Vou transliterar esse diálogo do "mar de sangue".

Existe um jeito de você escapar daí.
Ajoelhe-se aos meus pés, esfregue sua testa contra o chão e me adore por toda a eternidade.

Isso não é budismo! Uma vez encontrei uma amiga das antigas, ela tinha virado crente, e quando comentei que virei budista a reação dela foi me criticar, dizendo que os budistas "adoravam uma estátua".

Foi um tempo pra explicar, disse pra ela que eu não adoro nenhuma estátua. A imagem do Buda lá existe por dois motivos. O primeiro é que isso é como transportar a gente de volta há dois mil e quinhentos anos atrás, para o tempo do Buda, quando ele pregava e tudo mais. As próprias imagens católicas eram feitas pra isso, por isso que a arte desenvolveu tanto. As artes serviam para ilustrar melhor o que rolava naquela época, a imagem é apenas simbólica.

O segundo é que as pessoas fazem reverência aos ensinamentos, não à estátua. É bem lógico que os monges budistas não vão adorar uma imagem, afinal ela não fala, mas a imagem representa um rapaz que viveu na Índia há muitos séculos e deixou um ensinamento lindo sobre como lidarmos com as dificuldades do dia-a-dia e alcançarmos esse estado de plenitude que ele alcançou.

A estátua do Buda é sempre rodeada de significado e ela explica, por exemplo, em que pé estavam os ensinamentos dele. Lembra que eu falei da estátua do Buda em pé, que significa uma fase da vida do Buda? Bem isso. A imagem é o simbólico dos ensinamentos que recebemos também, logo o que existe é gratidão, jamais reverência.




Tem uma hora que o Ikki se pergunta: "Quem é Shaka?" e ele tem uma visão do baby Buda!

Eu lembro que quando eu era moleque fiquei com medo dessa cena, haha! Se crianças vinham da cegonha, o Buda veio de uma flor, e isso me dava muita confusão! Isso fazia muita confusão na minha cabeça de moleque de cinco anos.

Mas isso é bem budista. Existem estátuas do baby Buda e mostram exatamente essa fase. O Buda tem uma alegoria do nascimento bem bonita. A mãe dele, a rainha Maya, sonhou com um elefante branco, e o elefante branco trazia um bebê pra barriga dela. Ela foi embaixo de uma árvore e deu a luz pro Siddartha Gautama, que deu passos nas quatro direções e disse "Eu vim para libertar todos do sofrimento". Mais ou menos isso.

Óbvio que um bebê recém nascido não fala, mas acho uma estória bem bonita.

Continuando:


Por fim, o Shaka usa um golpe poderoso (como se ele tivesse golpe fraco [2]) contra o Ikki, o Rikudô Rinne (六道輪廻). Rinne é o samsara, os mundos da existência cíclica budista. O Rikudô (六道) são "seis caminhos".

Budismo tem muito número. Não é difícil você confundir! Até hoje volta e meia me confundo. 4 nobres verdades, 6 paramitas, 108 pecados, 6 mundos da existência cíclica, nobre caminho óctuplo, etc.

Enfim, o Rikudô Rinne envia Ikki de Fênix para um dos seis mundos da existência cíclica. No budismo existem cinco infernos e um paraíso.


Primeiro, o inferno. Esse é O Inferno, o limbo (inception anyone?). É o ponto mais profundo que se pode chegar. Lá é o lugar frio e escuro, basicamente o fundo do poço. É o lugar pra onde vão os maiores transgressores.


Depois, o mundo dos seres famintos. Bocas pequenas, barrigas cheias de comida que não se saciam e um povo que só quer mais e mais, e exatamente por terem essa ganância sem fim, acabam cavando a própria cova, sendo lançados nesse inferno.


O mundo das feras, onde o que vale é a lei do mais forte! Só tem fera bicho, ô loco meu, como diria o Faustão. Aqui é leão comendo leão, seres achando que são fortes, mas sempre haverá alguém mais forte que o comerá.


Em quarto lugar, o mundo das guerras, ou mundo dos Ashuras. Ashuras são demônios no budismo, seres que só querem a discórdia e o derramamento de sangue. Pessoas que em geral têm convicções muito fortes, preconceito com os outros diferentes do seu povo, que causam guerras, vão arder por essas quebradas.


Onde vivemos é um inferno, ainda mais se for em São Paulo, já que Não existe amor em SP (SOOOO SAD!!). Brincadeirinha! Mas o mundo humano é um inferno, onde pessoas vivem rotinas, são tristes, não sabem o que fazer com suas vidas e vivem em dilemas. Mas é também o único mundo onde se pode chegar no mundo dos Budas (valeu, Shakyamuni! Deixou os esquemas prontos!).


Cumpadi Washington já dizia: "Cheguei, estou no paraíso! E a abundância, mermão?". É o único "bom", mas também tem seu lado ruim. Eu acho que colocar uma imagem do Buda não é a melhor, porque o Buda não reside no paraíso.

Paraíso é onde as coisas boas estão, mas elas são fugazes, acabam rapidinho. Esse paraíso simboliza aquele momento de felicidade momentânea que você teve - ela acaba assim que você sair de casa um busão passar por aquela poça lançando aquela água suja em você. Se apegar ao paraíso seria como nos apegarmos a algo que a validade está bem próximo, porque apodrece e você voltaria aos outros infernos.

Porém o Buda estar nesse paraíso é um baita erro do Kurumada, porque o estado de nirvana é um estado de felicidade que não tem fim. Por isso que ao virar um Buda você sai desse ciclo do Samsara.

Alcançar o estado de Buda não é viver eternamente no paraíso. Mas sair desse ciclo de ficar zanzando pelos seis mundos. Em suma, os mundos cíclicos são todos de sofrimento, incluindo o paraíso, pois são temporários e acabam. O único estado de real permanência é nirvana.

Entenderam mais ou menos?
Tem mais, aguardem, hehe.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Doppelgänger - #10 - Ne me quitte pas.

"Rockefeller, agora não estou entendendo mais nada! O Alexei disse que tinha como parceira a Victoire! A Victoire não estava de licença depois da morte do Al? Ouvi até boatos que ela tinha tirado sua própria vida, e agora ela está aqui, a um botão de distância via rádio!".

"Nezha, foque na sua missão. Já tivemos distrações demais, desça o subsolo e resgate a prisioneira!".

Nada ainda parecia fazer sentido. Ele sabia que Victoire não tinha lá muitos contatos. E como ela estaria numa missão dessas depois de tudo? Algo estava mal explicado. Nezha foi direto à porta, e ao passar por ela encontrou uma longa escadaria. Aquele local parecia catacumbas - mas todas feitas com tecnologia: paredes cimentadas, muitos monitores e celas, é claro.

Ao descer a longa escadaria começou a ouvir um tiroteio. Com uma arma que havia pego no andar superior foi caminhando lentamente, e viu uma sala com muitos guardas, todos atirando para todos os lados. Eles pareciam imersos num transe, sem focar em nada, aparentemente amedrontados. A cena era horrenda, pois os tiros ricocheteavam e acertavam uns aos outros. Sangue e vísceras eram vistos, e ali dava pra se ver muitos, muitos guardas.

A porta estava trancada. Mas ele podia ouvir uma música. Era a Sinfonietta, de Janáček. Uma música clássica como fundo daquela barbárie.

"Psiu! Psiu!".

Nezha ouviu alguém o chamando. Depois ouviu uns risinhos. O corredor na sua frente estava escuro - iluminado apenas por lâmpadas fluorescentes piscando. Mas o som não parava, alguém continuava por chamá-lo por "Psiu". Nezha não viu opção - tinha que cruzar aquele corredor. A pessoa a ser resgatada estava naquela direção também.

E aí ele começou a ouvir a mesma Sinfonietta. Mais e mais. Ele estava em praticante um breu completo, e viu uma sala de onde saía uma luz alaranjada. Era de lá que estava saindo o som. Sem dúvida a pessoa já havia o visto, a melhor opção era enfrentar quem quer que fosse.

Ao entrar, a porta se fechou logo atrás dele. Era um pátio similar de onde os guardas dopados estavam. Havia um grande lençol sobre algo imenso, mas aí essa coisa se virou, e ele viu que na verdade se tratava de uma pessoa.

"Shalom, invasor!", disse o homem.

"Quem diabos é você? Por acaso você é o responsável por todos aqueles guardas sem noção estarem naquele tiroteio desenfreado?", interrogou Nezha.

"Eu sou um noBODY. Pode me chamar de Schwartzman. Bom, se quer mesmo sa... sab saber s s e fo foi eu".

Nezha estava confuso. Aquele cara parecia falar nada com nada. Algo estava acontecendo.

"O o o qu que fo fo foi? C c con conse consegue m me o o ou ouvir?".

Ele ouvia, mas seu cérebro não processava. Schwartzman aproximava-se lentamente dele, mas sua visão estava confusa. Ele parecia andar pra frente, mas não saía do lugar. Tudo parecia estar em câmera lenta, enquanto ele sentia um doce aroma de lavanda.

Seu corpo parecia em um torpor imenso, suas pernas perderam o chão e ele caiu de joelhos. Mas estranhamente não sentiu a dor da queda. Foi nesse momento que seu tronco também cedeu, e ele via fixamente os pés de Schwartzman se aproximando. E ele, novamente, cantando em Francês.

"Ne me quitte pas, Il faut oublier, tout peut s'oublier, qui s'enfuit déjà..."

Sons de tiros ecoaram na sala, acertando Schwartzman, que caiu a poucos centímetros de Nezha. O jovem agente viu alguém se aproximando dele e colocando uma máscara de oxigênio. Aos poucos ele recobria os sentidos.

Porém, seu corpo ainda não respondia, nem mesmo sua fala. Ele sentia estar sendo levado para algum lugar. De súbito foi tomado por um sono incrível, e adormeceu. sua última lembrança era uma sala com paredes creme e uma porta em grade.

Ele estava preso.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Revisitando as Moiras.


Acho que muitas pessoas conhecem Minhas Três Moiras, um quadro que eu pintei em 2007.

É um quadro muito especial pra mim. Foi feito para marcar a transição de uma época minha, a saída da adolescência pra vida adulta. Foi também o meu primeiro quadro. Foi feito em tinta acrílica, sob um verão escaldante como é o atual. Mesmo depois de quase 7 anos desde que pintei, eu ainda não tinha colocado uma moldura nelas, por incrível que pareça.

Descobri uma loja de molduras perto de casa e fui lá emoldurá-las. O preço estava com e a qualidade também. Dizem que Da Vinci havia pintado a Monalisa, e que ele sempre levava ela pras viagens e quando ele se mudava de um lugar pro outro. Desculpa ae, Da Vinci, mas se você tinha uma Monalisa, eu tenho três moiras!

Engraçado como moldura muda o visual do quadro. Quando fui emoldurar eu comentei com o emoldurador: "Eu pintei esse quadro há sete anos, e só agora criei vergonha na cara pra emoldurar!", e ele respondeu, "Incrível é o estado de conservação mesmo depois de tanto tempo sem emoldurar. Você realmente cuidou muito bem dessa pintura, hein?

E como! =) São minhas queridinhas. Estão no quarto e, mesmo que duas ali eu praticamente tenha perdido o contato, ainda tenho boas memórias do tempo que elas conquistaram meu coração e me fizeram em 2007 pintá-las, para que eu as guardasse para sempre no meu coração.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

64º Kouhaku Utagassen!

Acabei de assistir ao 64º Kouhaku Utagassen, e pensar que a última vez que fiz análise dele aqui foi em 2010!

O festival de fim de ano musical da NHK. Mais de quatro horas, pqp, parecia interminável. Eu baixei, claro, minha tevê a cabo não tem NHK. Eu gosto de assistir ao Kouhaku porque dá pra ter noção do que bombou no ano em geral. Até ajuda como referência na hora de saber o que baixar pra ouvir.

Sempre tem os cantores de enka que cantam os mesmos gemidos todo ano e as mesmas músicas (depois reclamam do Roberto Carlos!), mas sem dúvida o destaque do Kouhaku são as bandas mais jovens.


Um dos grandes destaques foi a atriz Rena Nonen (acima), que não é cantora, mas sim a protagonista de um seriado muito bem bolado chamado Amachan, onde ela interpreta uma personagem chamada Aki Amano (acima), que marcou presença no Kouhaku caracterizada como a personagem do dorama.


Esse seriado fez muito sucesso no Japão por causa da temática dele: a personagem principal, a Aki, se muda pra região de Tohoku, onde teve o terremoto e tsunami de Sendai de 2011 e ela ajuda a reconstruir a região que foi devastada.

Eu acho engraçado isso porque não faltaram Brazil-haters que diziam que o Japão era nota dez pra se recuperar de um tsunami enquanto São Paulo alagava com qualquer chuvinha. Por incrível que pareça não é assim, ainda tem muita gente que perdeu a família, muitos orfãos, e muitas pessoas que até hoje não tem onde morar e não podem voltar pras suas casas por conta da radiação. Lembram que a região devastada teve que ser fechada por causa da radiação de Fukushima? Japão não é lá as mil maravilhas, e esse tsunami foi um dos piores da história do Japão!


Até o cast inteiro se juntou pra cantar uma canção (acima)! Foi bem legalzinho.

Mas vamos às músicas!


Tinha que começar claro, com ela, Ayumi Hamasaki (acima). Eu gosto da Ayu, mas o último álbum que eu ouvi dela foi o Love Songs (2010). Essa música parece com outras que ela já cantou, sei lá, falta criatividade. Parecia um pouco Sparkle. Eu achei Love Songs um álbum excelente e bem diferente do padrão dela. E a Ayumi não dançou, começou cantando sentada num trono e o esforço físico foi apenas de descer uma escada. Trinta e cinco anos só e já tá assim? Foi uma das mais fraquinhas!


Esse ano pra quem gosta de ver um mar de japonesas gatinhas como eu, se deliciou com os três principais girl-groups do Japão na atualidade: AKB48, SKB48 e NMB48 (acima), que juntas devem ter no mínimo 200 integrantes todas juntas (é sério). Japonesas, de sainha e pernas de fora, rebolando e dançando. Aja fôlego, meus amigos! E o pior que elas não são feias, pqp... Umas dez delas só já me faria feliz! Todas com cabelo nos trinques, corpinho sarado e essas pernas magrelas de japonesa que quem me conhece sabe que sou chegado!


Teve um cantor de enka qualquer lá que adentrou nesse mar de japonesinhas. Eu gostaria de ser esse cara. =/ Mas eu sempre pulo os enkas, eu sempre durmo.


Até achei um som de escala de um "ruim" pra um "possível de ouvir", das E-GIRLS. Engraçado que umas das que cantam esse essa japonesinha loira sorridente, mas aí na hora de falar no palco ficou muda. Elas são bem gatinhas e não tem o apelo lolicon que as meninas de AKB48 da vida têm (mesmo que um bocado de meninas das AKB48 da vida tenham feito pornografia/gravure idol).


Eu gosto foi do AAA, acho que é uma banda com ótimos vocais, tanto masculinos quanto femininos. É banda pop mesmo, e fiquei feliz em ver que eles ainda estão bombando. Attack All Around!


Teve uma que nunca vi, uma tal de miwa, essa tampinha aí de cima. Deve ser um daqueles exemplares de menina prodígio asiática, porque a música era muito boa e ela não deu uma desafinada! Menina novinha, espero que não se perca nas dorgas.


Quem não assiste, talvez se assuste da primeira, mas esse tipo de programa é um freak show ás vezes. Teve uma hora que apareceu esse ser amarelo estranho que fazia movimentos maliciosos, como se estivesse se masturbando em pleno ar (e isso era infantil??), e todo mundo querendo pará-lo e, pelo menos eu, fiquei sem entender NADA DO QUE ESTÃO FALANDO.


Linked Horizon simplesmente FODA. Fazia tempo que não via uma banda de J-Rock sem ser de VK ou similares que toque bem (Nem vem, HIGH AND MIGHTY COLOR perdeu a vocalista!). Eles estavam fazendo divulgação do anime Attack on Titan.


Oba! Mais japonesinhas cheias de hormônio e juventude! SKE48 com uma música péssima, mas seus corpos e rostos angelicais e todas lindas. Outro grupo formado por trocentas japonesinhas que animam qualquer Alain!


Eu gosto muito do estilo do Kobukuro. Os caras cantam e cantam muito. Uma baita duma dupla meio soul e tal, e o japonês de óculos ali que sempre fica com essa cara de canastrão e o outro é mais animadão. Gosto muito de vê-los no palco, mandam sempre muito bem!


A apresentadora desse ano foi essa gatinha aí em cima, a Ayase Haruka. Ela não manja muito de apresentar programas, pois ela é atriz, mas acho que deu um show de simpatia. Tadinha, a menina ficava sempre perdida na hora de anunciar os cantores para se apresentarem, e nessa vez que ela derrubou lágrimas acima foi no meio do Kouhaku, quando ela foi visitar uma escola de vítimas do terremoto de Sendai.

Nem precisava entender de japonês pra saber como a barra era pesada pra eles. Mesmo o Japão sendo Japão essa catástrofe deixou muitas pessoas ainda desabrigadas e as crianças são as que mais sofrem, pois perderam amigos, família e até os locais onde brincavam - que ficou apenas na lembrança, pois com o problema em Fukushima eles não podem voltar para o vilarejo onde moravam.


Bom, pra melhorar o clima, vamos falar de bizarrices. E de bizarrice, o Momoiro Clover Z manja, e manja pra caralho. É bizarro ver isso, e peguei a parte onde a careta era a menos retardada possível. E você achando que Valesca Popozuda era o limite da imaginação. Pense de novo.


Ouvir a Kana Nishino é esperança que existam cantoras talentosas no Japão. Já deu pra perceber que eu gosto de vocais femininas (e algumas eu gosto mais do corpo delas, porque a música é de dor os ouvidos, viu?). A Kana não é uma Ayaka, que na minha opinião é a melhor cantora do Japão, mas a música é boa!


Pra não dizer que eu fico só de olho nas meninas porque as acho gatinhas, os caras do TOKIO mandam muito bem. É tipo um SMAP, mas é mais rock. Eles são famosos e bem antiguinhos já. Gostei muito da música, muito empolgante! Não tem como não ficar com o refrão grudado na cabeça. BE AMBITIOUUUUS!


Esse é sem comentários. Sempre que o Dreams come true entra eu tenho certeza que vai ser no mínimo do caralho. É um trio, mas que sempre mandam melhor que as quarenta mil duzentas e sessenta e sete integrantes de AKB48 da vida. É uma das minhas bandas favoritas do Japão.


Voltando às partes freaks do Kouhaku, teve uma hora que apareceu essa japonesinha aí cantando sobre um imenso suporte (ou vocês pensaram que as pernas dela eram desse tamanho? Estou falando Kyary Pamyu Pamyu com uma música chata que nunca terminava, meio eletropop, mas nem chegando aos pés de Perfume. Mas a surpresa é que ela não estava em cima de um suporte e sim...


...De um baita dum negão! E o pior que deixaram o nego aí com uma roupa que mostrava toda a "mala" dele (se é que vocês me entendem). Acho que não precisava de tanto, né NHK? Isso é o quê? Fetiche??


Continuando no círculo de bizarrices, o que aconteceu com as meninas do Perfume, meu deus? Elas cantaram tanta música eletrônica que agora até a voz delas naturalmente está com esse timbre bizarro. Eu acho elas muito gostosas talentosas, e a música delas é boa, mas ficar fazendo vozinha irritante, infantil e retardada... Irrita. E muito. Fica a dica (e eu gosto da de franjona da esquerda! Mandem seus currículos, japinhas do Brasil! Quero uma igual a ela!).


Só vou comentar do Arashi por que eles que apresentaram essa birosca. Então vou comentar: Olha aí o Arashi. Ponto. Detesto essa bosta. Próximo!


E enfim, mais japonesinhas lindas e maravilhosas de pernas de fora! Dessa vez, AKB48 esbanjando progesterona em todo o palco. Eu não sei, eu não consigo olhar elas da mesma forma, fico pensando que elas ficam fazendo bicos como atrizes pornô paralelamente. Mas, enfim, veio o anúncio também da saída do grupo de UMA delas, a Yuko Oshima. Puxa vida, acho que agora o grupo vai falir, porque saiu uma e só restaram OITENTA E OITO membros (não estou brincando! Olha aí! E ainda tinha mais uma renca dessas no palco!).


As mina pira no Masaharu Fukuyama! Ele tá cheio das grana agora, é ator, cantor, um faz tudo do Japão. Dessa vez pelo menos ele não fez um merchan de algum dorama que ele está fazendo.


Uma duplinha romântica, a japonesa Seiko Matsuda e Chris Hart cantando Yume ga samete. Fofinho, pra dançar juntinho do seu par.



SMAP é SMAP, mano! Os Johnny's (boy-band japonesa) estilo Arashi da vida ainda tem que comer muito feijão com arroz pra chegar no nível desses caras. Não cantaram Sekai ni hitotsu dake no hana, mas valeu a pena revê-los novamente. Esses caras parece que rejuvenescem a cada ano.


E pra terminar, a lenda, o Roberto Carlos japonês, famoso cantor de Enka Saburo Kitajima! É o único enka que eu faço questão de assistir, pois sempre é um show a parte. E o velho é extremamente simpático.

E, por fim, queria só mostrar uma parte que eu achei muito bem bolada e fofo até. Quando a Aki (do seriado Amachan que eu falei no começo do post, lembram?) está no palco do Kouhaku ela vê a câmera instalada lá na casa dela em Touhoku e vê uma amiga dela lá:


E aí a amiga resolve ir pro Kouhaku encontrá-la! E eles bolaram um jeito bem legal de fazer essa travessia:


Esse é o palco do Kouhaku com o telão. Mostra ela correndo e pegando um trem, aí tudo vira desenho animado:


A menina vira esse desenho animado e depois pega um táxi que voa!


E fala se isso não é kawaii?? Ela e o taxista. Hehehe:


E o táxi chegando no estúdio da NHK:


A bonitinha saindo do táxi correndo pra encontrar a Aki-chan:


E enfim, as duas amigas juntas pra cantar um dueto! No vídeo foi bem fofinho essa parte.


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