quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Aqueles que sentiremos saudades.

Todo emprego acho que é comum termos uma relação de amizade com uma pessoa ou outra.

Um dos ensinamentos budistas que mais tento seguir é o "Seja uma pessoa que os outros gostem tanto que sintam falta".

Comecei nessa empresa no dia treze de junho do ano passado. Nenhum numero auspicioso em 13/6/13, mas desde o começo sentia que havia um porquê ainda mais forte por detrás. Graças a esse emprego consegui ir para Chicago viver um fórum budista que ficará pra sempre na minha memória. E comprar os móveis pro meu quarto dos sonhos.

Verdade que muita gente não me dei bem. Muita gente um bocado chata ao meu lado, e experimentei como é ter o tapete puxado pela gerente. Foi algo chato, mas como essa empresa está caminhando para a franca falência, achei melhor que as coisas fossem assim.

Quando a menina do RH me chamou na sala para comunicar a despensa, ela disse que depois se sentiu como se fosse vomitar de tanta agonia. Somos bons amigos, íamos embora juntos sempre, fiquei triste por ela ter se sentido daquele maneira.

O seu comentário ontem ao sair foi "Puxa, vamos ficar sem nos falar". De fato. Tiveram poucas, mas sinceras demonstrações de carinho que tocaram minha alma profundamente.

Amanhã ainda será outro dia de trabalho. Mas acho que mesmo que tenham sido poucas, foram sinceras, e me dá ainda mais certeza que devo continuar fazendo o bem, pois assim continuarei atraindo ainda mais coisas boas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Chorando e andando.

Esses dias fiz um caminho diferente pra voltar pra casa. A vantagem de morar mais ou menos perto do trabalho é isso, e se tem uma coisa que me enjoa muito é fazer o mesmo caminho, pegar o mesmo ônibus, ver as mesmas caras. Gosto de volta e meia fazer algo diferente.

Peguei um ônibus que ia por dentro da Chácara Santo Antônio, e desembocava ali próximo da Avenida João Dias. Desci do ônibus e fui caminhando até a avenida, passando por uma empresa desativada que hoje é um terreno baldio, perto da Biblioteca Kennedy e o McDonald's ali.

Vi uma moradora de rua, com um cãozinho e morando numa barraca. E na frente dela, duas mulheres com suas filhas. Mas elas não estavam repreendendo ou gritando com a senhora, ambas estavam sorrindo e inclusive a moradora de rua olhou pra ela e começou a chorar sorrindo.

Não vou esconder que naquele dia eu estava meio p* da vida. Tinha acontecido algumas coisas no trabalho que me deixaram nervoso. Lembro que tinha descido do ônibus pensando em como seria as coisas agora que estava demitido e justamente vi aquela mulher naquela hora.

Meu primeiro sentimento foi de sentir uma imensa gratidão. Mesmo que eu não tenha muito, tenho um teto, tenho comida, tenho como tomar um banho todos os dias. Fiquei pensando que provavelmente era pra eu estar numa situação muito, muito pior, mas não estava.

E meu segundo pensamento foi uma espécie de epifania.

Questionei a mim mesmo: O que é "nirvana"? Vi que toda a elevação espiritual era uma coisa meio complicada de se entender os reais conceitos. Naquele momento na rua fechei os olhos, e vi como se fosse há dois mil e quinhentos um camarada meu, o Buda Shakyamuni, olhando pro sol se pondo. Vi ele chorando, como se estivesse tomado por uma grande angústia, pois sabia que muitas pessoas iam sofrer em todos os cantos do mundo, por provavelmente centenas de anos a fio, e que não teria muito o que se fazer.

Afinal o que faz uma pessoa ser considerada "divina"? Não é a pessoa ser dotada de uma sabedoria, mas sim de uma incrível bondade. Se as pessoas recorrem a Deus para que os guarde em suas mazelas, porque nós não podemos ser como Ele e, por exemplo, estender uma mão de ajuda?

Aquela imagem dela chorando e sorrindo me fez me curvar para aquela moradora de rua. Ela sim é uma pessoa iluminada, nem que fosse apenas naquele momento, viu a bondade num gesto inocente de crianças juntas das suas mães que te davam atenção. Fiquei profundamente tocado com aquilo e comecei a chorar.

Andei o caminho inteiro chorando até o ônibus, e vou dar um pulo lá um dia desses e entregar algo de comer para aquela senhora, com o desejo de profunda gratidão por ela, com um pequeno sorriso, ter me ensinado tanto sem abrir a boca uma única vez.

Como é um treinamento budista. #5

Os dias de fechamento foram tranquilos. No sábado fui ao supermercado e preparei sanduíches de peito de peru pros convidados, e vimos o depoimento da minha amiga Erika, que estava entre os vídeos do treinamento. Foi muito bom!

Logo depois do treinamento fui pra casa da Nai, minha melhor amiga (e também minha afilhada!) e jogamos a tarde inteira, até a noite! Levei minha guitarra do Xbox e ficamos jogando. Foi muito bom! Como no sábado da abertura foi em casa, no sábado do fechamento foi na casa dela.

O Buda envia essas coisas pra eu relaxar um pouco também, eu acho. Acho que até ele sabia que eu estava muito tenso, e tentando manter o máximo de meditação possível pra que tudo desse certo. A maneira enviada pelos céus foi uma jogatina de Xbox!

No domingo veio um senhor que contratei pra montar os móveis do meu quarto novo. A idéia original era fazer todo o treinamento no meu quarto novo, mas tudo foi acontecendo para que não fizesse lá ainda. O altar budista e casa fica no meu quarto, só eu que sou budista em casa. Como minha casa está em reforma, acho que foi a forma que os espíritos do meu quarto sentiram de despedirem-se. Fazer um último treinamento de inverno no bom e velho quarto.

Porém mesmo com os móveis montados, não fui fazer o treinamento no quarto novo, e sim no antigo. Quando o treinamento terminou e as pessoas foram embora agradeci imensamente aos Budas por tudo ter ocorrido sem maiores problemas e que muitas pessoas vieram.

Budismo se fala muito em desapego do ego. Eu não tenho nenhum crédito com isso, tudo, tudo, absolutamente tudo foi graças à imensa compaixão dos budas para que tudo desse certo. Por mais que eu me esforçasse em chamar, em preparar lanches, em fazer com que as pessoas se sentissem o mais confortáveis possíveis, nada disso seria possível se a ajuda toda dos Budas não existisse. Seria um esforço vazio.

O Treinamento de Inverno sempre foi especial pra mim pois foi nele que eu iniciei minha jornada budista. Todos os anos é um misto de: "Putz, vai começar de novo!" com "Nossa, tomara que ocorra tudo bem!" e mais uma pitada de "Vou fazer de tudo pra que dê certo". Sou humano, não vou mentir que tive muito medo, mas independente do que fosse, como praticante budista, teria que estar preparado e ser forte.

Afinal, jamais espere bondade de uma pessoa fraca. Somente pessoas fortes são realmente bondosas!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Como é um treinamento budista. #4

Enfim chegamos ao dia 31 de janeiro. Primeiro dia do fechamento.

Como de praxe, acordei ás 4h30, fiz ablução, fiquei esperando as pessoas chegaram às 6h da matina, mas ninguém veio. Enquanto fazia o treinamento do meu lado estava a Meggie, a cachorrinha da casa. É da raça lhasa apso, famosa por serem criadas junto com monges budistas, sendo um cão bem dócil e que late pouco com o dono.

Fui pro trabalho, e por volta das 16h recebi uma ligação: "Alain, vá pra sala de reunião, por favor". Quando abri a porta pra ir lá senti que estava se aproximando, a demissão. E de fato foi isso que aconteceu. Meu supervisor estava na sala junto da menina do RH, que é uma amiga minha. Disse que era uma situação difícil, que uma vez que o dono da empresa põe isso na cabeça fica difícil de tirar, e que por isso decidiu me demitir. Desculpas esfarrapadas de chefes, coisa de praxe, quem foi demitido sabe que o mesmo discurso sempre se repete.

Porém eu vi como isso estava sendo difícil pra ele me demitir. A própria amiga minha do RH estava com os olhos marejados, e eu estava tranquilo, estava em paz. Em algum momento os parei e disse o real motivo da minha demissão que eu imaginava, e a resposta dele foi se calar, afinal era verdade. Talvez num momento de demissão a gente seja realmente testado pelos Budas, e como ser humano claro que minha vontade era voar com o punho cerrado sobre meu chefe, mas fiquei tranquilo, recebi a notícia e ainda o ajudei a dar a notícia.

Dias depois fiquei sabendo que a menina do RH depois de me dar a notícia se trancou no banheiro e quase vomitou, de tristeza mesmo, e isso porque eu fiquei firme e tranquilo como nunca estive na vida.

Começar o primeiro dia do fechamento do Treinamento com a notícia que estava demitido. Provavelmente isso deixaria qualquer um bastante transtornado pra continuar, mas eu não deixei isso abalar. Fui pra casa e realizei o treinamento tranquilamente e nem me lembrei que estava na degola no serviço.

Três pessoas vieram, e tudo correu de maneira ótima!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Como é um treinamento budista. #3

Chegou o período do meio, do dia 27 até 30 de janeiro.

Como já disse antes, gosto muito de budismo também pois usa a palavra "treinamento" no lugar de "provação". Provação pros cristãos normalmente significa que é aquele super desafio que encaramos na vida, mas pra mim sempre soou que depois que passa pela provação, nunca mais acontece.

No budismo "treinamento" tem o mesmo conceito, mas acho que é bem melhor. Afinal, muitas vezes acabamos passando pelo mesmo treinamento, se aquilo foi como um parto da primeira vez, na segunda pode ser mais tranquilo pois já passamos por isso. E assim vai.

E quantos treinamentos!

A primeira foi um problema com os móveis do meu quarto novo. Fiz compras no Ponto Frio online, mas não vi que lá embaixo da página havia um item falando "Não nos responsabilizamos pela montagem dos produtos". Porque eles não colocam isso como um banner mais chamativo? Senão nem teria comprado!

Lembro que várias vezes ligava pro atendimento online deles (que é péssimo, no mínimo a ligação durava uma hora e meia) e, mesmo depois do chat oficial deles e o twitter falarem que a montagem iria ocorrer em alguns dias úteis, no final das contas eles voltaram atrás e falaram que havia o item escrito na página (minúsculo e discreto), logo era culpa minha e fiquei na mão.

E lembro que vendo um site de empregos meio sem querer, vi que estavam anunciando uma vaga similar à minha. Logo, isso só significava uma coisa, que eu estava a um passo de ser demitido do meu atual emprego. Porém, eu acho que depois de tantos treinamentos budistas, aquilo não me abalava. Sabia que a empresa está falindo - era melhor pular do barco fora enquanto dava tempo.

No dia 28 foi aniversário da tragédia na Boate Kiss. Sempre oferecia pedidos de consolação espiritual para os jovens que perderam suas vidas, esperando que assim a tristeza sobre as famílias fosse atenuada. Lembro que nesse ano fiquei assistindo ás notícias e fiquei muito feliz em ver que grande parte das notícias falavam de superação, da determinação dos pais, filhos e irmãos dos que perderam a vida na Boate Kiss. Independente das sentenças dos culpados, achei que isso foi um ótimo sinal de como o mundo espiritual e os Budas estão ajudando-os. Não via tanta tristeza, e sim relatos calorosos. Fiquei muito feliz e agradecido.

No dia 28 ofereci mais preces sinceras por todos eles.

Convidei mais pessoas, muitas inclusive que queria convidar encontrava pessoalmente na rua. A semana passou voando, e já estávamos no dia 31, e o período de fechamento iria começar!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Como é um treinamento budista. #2

O segundo dia foi no sábado dia 25. Acordei às 6h e fui fazer abluções para purificação. O primeiro horário era ás 8h, mas novamente ninguém veio, todos disseram que viriam no horário da tarde, ás 15h. Fiz o treinamento sozinho às 8h e depois fui aprontar as coisas, comprando frios e pão para fazer lanches para oferecer aos convidados.

Como minha casa está em reforma, quem passou por reforme sabe: faz muita sujeira, em especial poeira. E com esse tempo quente, é impossível ficar em um local sem circulação de ar. E com o uso de ventiladores, joga muito pó.

Vieram três pessoas no segundo dia de abertura! Depois fiquei junto do Guilherme, meu amigo que veio no treinamento, jogando Kinect no Xbox 360. Naquele momento eu tive o que chamam de "momento de Buda".

Uma das orientações que recebemos era para fazer o Treinamento de Inverno como um Treinamento de Alegria. Em japonês, 寒修行 (Kanshugyo), onde 寒 significa "frio". Porém, dá pra se escrever esse mesmo Kan (寒) de Kanshugyo que significa "frio" como kan que significa alegria (歓).

E foi isso que senti naquele momento em que estava jogando videogame com meu amigo. Veio pra casa, participou do treinamento, e ficamos jogando Kinect Sports até tarde da noite, dando muita risada como há muito tempo não fazíamos. Foi ótimo (e eu no boxe sou imbatível, hahaha!!).

O domingo chegou e vieram dois amigos meus. Fizemos o Treinamento só que dessa vez eles trouxeram o lanche, um pão recheado e um delicioso bolo de caçarola. Depois disso fui pro templo correndo, pois tenho um amigo que veio do Paraná pra um curso e gostaria de conhecer o templo.

Lembro que, quando toquei a maçaneta da sala sair pensei: "Caramba, já passam das 17h. Até eu chegar no templo serão 19h, depois ainda tenho que apresentar o templo e depois mais duas horas pra chegar em casa. Mas algo dentro do meu coração dizia pra ignorar isso, fazer o esforço pelo próximo que os Budas cuidarão de mim enquanto cuido dos outros. E foi o que eu fiz.

Cheguei no metrô ás 19h e fiquei esperando-o, que ainda chegou bem atrasado. Descemos pro templo e ele conheceu, e gostou bastante, o que me deixou bem feliz! Na volta fui pegar ônibus no Jabaquara, que é meio zuado pela noite, e o motorista disse que existiam vândalos queimando ônibus da região ali do Capão Redondo, logo o ônibus só iria até aproximadamente dois pontos depois do que eu desço, pois depois dali seria perigoso, já que nem a polícia estava conseguindo acalmar os ânimos dos bandidos.

Embarquei entoando mantras e bastante grato pelo ônibus conseguir ir até além de casa. Cheguei em casa ás 22h e pouco. Tomei banho e fui dormir. Era o fim do período de abertura, e início do período do meio, de botar tudo o que foi aprendido em prática!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Como é um treinamento budista. #1

Todo começo de ano realizamos o Treinamento Anual (ou "Treinamento de Inverno"), um treinamento que sempre nós budistas fazemos no começo do ano, para dar aquele gás pro ano inteiro. O conceito é longe de sabás judeus, onde eles ficam sem trabalhar e tal, tem nada a ver. A ideia mesmo é continuar trabalhando e colocar o treinamento budista na vida corriqueira.

No ano passado, no meio desse treinamento, fui acometido com litíase renal, a famosa "pedra no rim". Eu, que mal tinha recebido duas pessoas no período de abertura, acabei recebendo nenhuma no período de fechamento, pois estava em recuperação da cirurgia. O ano começou e tentei ficar ao máximo me meditação com os Budas para que o treinamento desse ano corresse tudo bem.

No primeiro dia do treinamento desse ano, dia 24, acordei ás 4h30 e fiz ablução com água fria. Disse que meu objetivo era fazer o treinamento e que me permitissem sentir na pele um esforço similar ao dos Pais do Ensinamento Shinnyo, quando ainda recebiam as pessoas em suas casas, antes mesmo de entrarem na vida religiosa. Preparei lanches, sucos, e fiquei no aguardo das pessoas no portão de casa, ás 6h. Mas veio ninguém nesse horário, então fui fazer ás 6h o treinamento, sozinho mesmo. Senti imensamente grato, e terminei tranquilamente ás 7h e fui pro trabalho.

Na volta, tive medo que chovesse, mas a chuva caiu à tarde, o que foi um ótimo sinal para ter gratidão sincera aos Budas por ajudarem, e não às 18h. Nos dias anteriores caiu muita, muita chuva, inclusive chegou a alagar no bairro perto de casa na quarta-feira dia 22. No primeiro dia recebi cinco pessoas pro treinamento! Isso foi 500% a mais do que foi ano passado, parece pouco mas entendo como é difícil ir em casa, depois do trabalho, com esse calor imenso fazendo. Fiquei imensamente grato e o treinamento correu tudo bem, com oração, meditação e vídeos interessantes contando um pouco sobre história budista que o templo nos cedeu.

Ficamos ainda conversando todos depois do treinamento sobre assuntos espirituais. Foi algo bem enriquecedor, e percebi como sou grato por praticar o budismo, que aceita todas as religiões do mundo, e tenta estender uma mão generosa para entender e acolher tudo e a todos. As pessoas ficaram em casa até às 23h50, e depois fui arrumar as coisas e tomar banho, fui dormir apenas depois das 1h.

Era dessa maneira que os Fundadores fizeram o primeiro Treinamento Anual há 78 anos. Acordando cedinho, indo dormir tarde, recebendo pessoas e agradecendo todas por terem vindo. Senti muito feliz em poder experienciar isso, e, mesmo acordando às 4h30, indo dormir depois das 1h00, mesmo depois de um dia de trabalho, numa sexta, eu não me sentia cansado. Era apenas o final do primeiro dia, mas posso afirmar que só aquele dia já tinha me feito feliz o suficiente por todos!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Como é bom sonhar contigo!

Sempre quando viajo trago coisas além da experiência e lembranças. Muitas vezes acabo conhecendo pessoas incríveis. E conheci uma menina incrível em Chicago. Tão incrível que gostaria de passar mais tempo com ela, nem que fosse só do lado.

Essa noite tive um sonho muito bom. E acordei muito feliz!

No sonho, eu estava no Terminal Santo Amaro. Tava meio escuro e tal, mas aí vi várias pessoas passando, e umas três meninas com aquelas jaquetas universitárias americanas, azul nos braços e amarelo no tronco. Estava com uma calça legging preta, mas não pude confundir quando vi seu rosto.

Era ela!

Nós dois nos abraçamos ternuramente, eu lembro que estava tão feliz que beijava muito a bochecha dela, pois não acreditava que era ela que estava ali! Ela também parecia muito feliz ao me ver. Mesmo eu estando no Terminal Santo Amaro, era o mesmo Terminal só que nos Estados Unidos. Nessa semana eu tive um sonho similar com uma amiga (mas essa é só amiga, calma!) no mesmo Terminal, acho que ele psicologicamente deve significar algo pra mim.

Enfim, voltando a essa minha japonesinha que mora nas América: Ela disse que tinha ido lá pra resolver uns problemas sobre uma casa da família dela, um imóvel que ia ser alugado, algo assim. Como foi uma coincidência nos encontrarmos, perguntei porque não íamos dar uma volta na vizinhança.

E foi lindo. Tudo era perfeito. Era aquela vizinhança típica americana, grandes jardins, casas de madeira. O sol estava poente e tudo parecia um cenário de filme romântico. Andávamos de mãos juntinhas, ela encostada no meu ombro, como se fôssemos um casalzinho apaixonado. Ela me falava que ia vir morar no Brasil, que a empresa que ela trabalha ia abrir escritório no Brasil, e inclusive estava arriscando umas palavras em português!

Teve coisas bizarras, como todo sonho. Teve uma imensa ladeira (que de uns tempos pra cá, SEMPRE aparece de uma forma ou outra nos meus sonhos) que dava numa casa abandonada e um castelo ao fundo. Perto dessa ladeira (no sonho, ela estava bem meiga, mas já teve sonho que eu vi essa ladeira e morro de uma maneira bem tenebrosa) tinha um rapaz negro que parecia meio retardado/bêbado. Ela tirou um sarro dele, ele falava nada com nada.

E em outro ponto estávamos numa calçada e tinha algo bloqueando. E nela tinha um ser, todo feito de madeira, parecendo aqueles soldadinhos de chumbo. A menina disse pra passarmos por detrás dele, com toda a calma, pra não acordá-lo, que se ele nos visse passando, ia nos matar.

Eu gosto muito dessa menina. Não conversamos muito, adoraria que tivesse uma oportunidade como no sonho, de bater um papo, nos conhecermos melhor. Foi o caso típico de "amor a primeira vista", não nego, mas volta e meia me pego pensando nela, e pensando nesse romance impossível entre um rapaz do Brasil e uma donzela nipo-americana.

No sonho, algo na minha mente falava: "Não é sempre que você encontra com ela. Aproveite cada segundo, cada olhar, cada abraço, cada toque como se fosse o último. Como se não houvesse amanhã". Talvez seja por isso que acordei tão feliz! Mesmo que tenha sido um sonho, aproveitei todos os momentos de carinho e quando andávamos de mãos dadas conversando sobre nossas vidas.

Não dá pra negar que foi bem romântico esse sonho, não? =)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Doppelgänger - A história dentro da história (3)

A primeira vez a gente não esquece.

É engraçado hoje eu falar que gosto de garotas asiáticas. Minha primeira vez foi com uma delas.

Já contei sobre Noriko Yamamoto, que trabalhou no Sector 9 com meu irmão mais velho, nos bons tempos. Eu a conheci enquanto buscava por informações do paradeiro do meu irmão mais velho, Arch.

Noriko era uma japonesa bem bonita. É o tipo de mulher que a maternidade tinha feito muito bem. Ganhado quadril e mais seios, e por ter o sangue asiático dificilmente parecia ser muito velha. Ainda enganava muito bem com a aparência de quem mal tinha completado vinte. Ela tinha perdido o filho, cujo pai, Lucca, morreu sem saber sequer que era o pai de uma linda criancinha mestiça.

Um dia, logo depois dela me entregar os documentos que tinha, ela me convidou para um jantar de despedida na casa dela. Eu era um adolescente ainda, mas já sabia me virar muito bem. Desde a morte do meu irmão mais velho vivi uma vida solitária onde sequer poderia confiar na minha própria sombra.

A japonesa serviu vinho e comemos um fricassé de frango. Estava bom. Mas o vinho estava começando a fazer efeito e eu fiquei um bocado mais solto. Como estava tarde, Noriko me sugeriu para ficar por ali mesmo, que tinha um sofá sobrando para eu dormir. Ela vivia sozinha naquele local, e eu era apenas um adolescente cheio de hormônios.

Sentei no sofá e comecei a ver tevê. Ela não parava de encher meu copo de vinho, e ela bebia muito também. Logo depois ela sentou do meu lado e, meio sem querer, colocou a mão sobre a minha perna. Naquela hora meu mundo rodava, eu nunca tinha bebido nada alcoólico antes, apenas fumava, mas tive uma ereção muito, muito forte.

Tentei esconder, colocando o copo em cima, mas acho que a própria Noriko estava sem muita noção das coisas. Ela agarrou minhas calças na altura da virilha e eu no susto olhei pra ela, foi aí que ela me beijou na boca.

Ficamos dando alguns amassos no sofá, ela por cima. Eu nunca havia encostado num corpo de uma mulher, e mesmo hoje eu tenho dificuldades em dar abraços ou beijinhos de cumprimento em muitas, mas melhorei bastante da época da adolescência, claro. Minha mão foi direto na bunda dela, que era macia, mesmo sob a calça jeans.

Os amassos foram esquentando e quando eu dei por mim, Noriko se levantou e eu reparei que ela estava apenas de sutiã, e eu tão grogue que lembrava nada. Ela desabotoou e eu vi os seios dela. Eram lindíssimos, pequenos, e tinham bicos protuberantes. O mamilo era escuro, como o de qualquer asiática, mas eram lindos, brancos e fofos até.

Minhas mãos, obvio, foram direto neles. Eu nunca tinha pegado num par de seios até então. Entendi porque nós homens gostamos tanto deles. Debaixo das roupas eles já têm uma sensualidade inata, mas quando eles estão livres são mais bonitos ainda.

A japonesa começou a tirar minha roupa, primeiro a camisa e depois a calça. De fato, me incomodava muito o volume endurecido entre as minhas pernas. Quando tirou minha cueca, senti as doces mãos dela acariciando-o. Pra cima, pra baixo, pra cima, pra baixo. Ela ainda tava de jeans, de fato, não sei por que ela foi mais rápida pra tirar minha roupa assim.

Ela foi de boca no meu pau. Nossa. Eu tinha dado muita sorte de ter perdido a virgindade com uma mulher bem mais velha. Se eu tivesse com uma da minha idade eu mal ia saber em que buraco colocar. Noriko sugava forte, e com o subir e descer da cabeça, o calor quentinho da boca dela, mais toda a saliva que ajudava no deslize, aquilo me parecia o paraíso. Tombei a cabeça pra trás e perdia o ar. Que sensação única era aquele que eu estava experimentando, meu deus?

Tudo era novidade pra mim.

Depois de um tempo Noriko se levantou e abaixou as calças. Tirou a calcinha e eu vi uma vulva pela primeira vez também. Japonesas mesmo não têm muito o hábito de aparar pelos pubianos, é algo meio cultural delas, e mesmo Noriko vivendo fora do Japão, ela ainda mantinha essa tradição. Era uma xoxota bem peluda. Mas ainda assim era bonita. Eu gosto de pelos pubianos na medida certa, nada contra.

E aí ela foi me beijando. Sinceramente, mesmo eu sendo homem, estava me sentindo meio alvo de um abuso. Tava tudo acontecendo muito rápido, e pra eu que era um moleque na época esperava algo mais sossegados, especialmente na minha primeira vez.

Noriko montou em mim e com a mão, colocou meu pênis pra dentro. E foi abaixando, lentamente.

De primeira, não achei muita graça. A própria felação que ela tinha feito em mim tinha me feito entrar em um êxtase muito forte - foi muito bem feito, nunca na vida me fizeram um tão bom quanto aquele, tenho que admitir. Mas quando eu olhava a Noriko em cima de mim, naquele entra-e-sai ainda no começo, sem ser muito frenético ainda, via o rosto dela aquela expressão clássica do prazer feminino: o prazer e a dor numa mistura incandescente que dava toda a beleza pro ato sexual em si.

Ela abaixou e me beijou. Mas tinha muita força no quadril e continuava o movimento. Sinceramente? Não via muita graça naquilo, era bem menos do que eu imaginava na minha mente de virgem. Mas aquilo era apenas o principio.

Do nada senti uma "rajada" de prazer. Uma sensação de um frio no estômago e aquele frescor na região peniana. Uau! Agora estamos falando a minha língua. Obvio que eu não tinha gozado ainda, mas parecia ser um bom começo. Enfim estava sentindo o prazer.

Quanto mais Noriko subia e descia com os quadris, mais aquilo se lubrificava, e mais estava ficando gostoso pra mim. O orgasmo masculino é um pouco mais diferente do feminino, enquanto elas conseguem chegar num nível e manter esse nível, o dos homens é constituído apenas de algumas ondas curtas de prazer e um ápice estrondoso. E como era minha primeira vez, não consegui controlar.

E fomos transando, cada vez mais os gemidos estavam ficando mais altos, até que até mesmo os gemidos se sincronizaram. Na minha frente eu via aquele corpo esguio de japonesa, os olhos puxados sob uma franja preta de cabelos lisos, a cintura reta e as pernas magrelas. Dependendo do biotipo de cada país isso pode variar, mas naquele momento a mulher mais linda do mundo era a senhora Yamamoto. Eu agarrava a cintura dela com firmeza, deslizava as mãos sobre aquele corpo, apertava os seios e desejava aquela mulher.

Do nada fui sentindo aquela sensação de prazer aumentar, aumentar, aumentar. E, do nada, fui dominado por um prazer imenso que parecia uma brisa de outono no meu corpo. Meus olhos dilataram e foram pra cima, minha boca abriu e por um momento senti minha energia se esvaindo. Foi aí que senti um jato vindo do meu pênis com uma pressão enorme. Um jato. Dois jatos. Três jatos. Quatro jatos. O quinto foi apenas uma dormência nas pernas causada pelo clímax.

Foi nesse desejo todo que eu... Gozei. Não estávamos de preservativo (o que é MUITO errado!), então foi um caminhão de porra na buceta dela.

Noriko gemeu, e quando desmontou de mim, ainda tinha esperma saindo dela. E eu lá. Suado, ofegante, babando e olhando pra ela, e ela a principio um pouco séria. Aí ela sorriu pra mim e deu uma risada.

"É, pelo visto foi bom pra você, né? Al, você é um menino muito levado, seu irmão não perdoaria isso entre a gente", disse Noriko, que depois caiu na risada.

Do nada uma exaustão imensa tomou conta de mim. Dormimos juntos na cama dela, abraçados. Uma cama de solteiro, mas até que coubemos bem. Na manhã do dia seguinte ela acordou querendo mais e eu perguntei se tinha algum problema aquela gozada que dei nela na noite anterior.

"Relaxa. Depois da gravidez eu decidi não ter mais filhos e operei. Foi algo traumatizante, mas acho que depois de todo aquele vinho, acabei me soltando um pouco, desculpe”, ela disse, dando um sorriso bem malicioso.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Doppelgänger - #13 - Agatha.

E lá estava Alexei. A Desert Eagle grudada na sua cabeça, empunhada por Nezha. Ele tinha perguntas e queria respostas.

"Vamos, Alexei! Porque todas essas lembranças são familiares pra mim? Porque tudo isso parece um déja vu?", gritou Nezha.

"Nezha, acalme-se", disse Alexei, "Eu tenho todas as respostas que você precisa, mas precisamos antes libertar essa pessoa."

"Quer dizer que você sabia de tudo, seu bastardo!", disse Nezha.

"Sim, eu sabia. Mas isso era algo necessário. E outra, isso não te importa nesse momento", disse Alexei.

"Como não importa? Isso faz parte da minha identidade! Isso diz quem eu sou! Eu sei lá o que vocês do governo fizeram comigo, ou se eu já tive uma família, ou qualquer coisa do gênero!".

"Nezha, coloque essa arma pra baixo, agora!!", disse Alexei, "Você leva uma vida tranquila, e o que faz sua personalidade, o que te faz como indivíduo não são lembranças de um passado que você perdeu, e sim o que você é agora! Quem é você fora daqui apenas você define, seu hoje só é definido pelas ações que você toma no agora! Ir atrás do que você foi no passado não vai mudar nada do que aconteceu!"

"E O QUE DIABOS ACONTECEU?!", gritou Nezha.

Nezha abaixou a arma e encarou Alexei, que continuava com olhar firme pra cima dele, mesmo que ele estivesse largado no chão. Com o detonador em mãos ele enfim apertou o botão. Aquilo tudo fazia sentido, e parar uma missão justo no seu ápice seria algo muito ruim.

Ao explodir a porta de aço, ela caiu fazendo um grande estrondo no chão. Saiu de lá uma mulher loira, de olhos verdes, vestindo uma roupa de presidiário. Seu porte era elegante, e sua voz fina como veludo. Mal Nezha sabia que estava lidando com uma das maiores traficantes de arma da Europa, uma inimiga de estado, que no passado havia trabalhado no mesmo time de Arch, o falecido irmão mais velho de Al.

"Onde vocês estavam? Demoraram bastante, huh?", disse Agatha van der Rohe.

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"Agatha, pegue essa caixa!", gritou Alexei, lançando a caixa pra ela.

Dentro da caixa tinha um grande equipamento bélico. Snipers, metralhadoras, pistolas e facas. Todos com compartimentos para serem presos ao longo do corpo. Aquilo estava sendo entregues para uma das únicas mulheres que ficaram conhecidas como "exército de uma pessoa só". As ferramentas certas para a melhor pessoa possível.

"Garoto, leve Alexei conosco. Eu vou na frente abrindo caminho", disse Agatha que começou a andar. Mas antes de cruzar o corredor virou e completou: "E muito obrigada!". A partir dali muitos tiros foram sendo ouvidos. Todos os guardas foram sendo alvejados pela incrível perícia de Agatha com as armas, um atrás o outro.

Como uma mulher poderia ser tão mortífera e ao mesmo tempo tão delicada e feminina? Aquilo era complicado de afirmar. Nezha carregava Alexei, subindo as escadas, cruzando os corredores e desviando de todos os corpos que encontravam no chão. E não eram poucos. Um verdadeiro genocídio estava acontecendo naquela prisão nos Países Baixos e agora Agatha estava livre, uma verdadeira máquina mortífera que os guiou pra fora daquele inferno.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Ser grato pelas coisas ao nosso redor.

Gratidão é o primeiro passo para a iluminação. Outra coisa que parece super fácil na teoria, mas na prática é um problema e tanto.

Especialmente porque a sociedade nos ensina a querermos sempre mais e mais, e dificilmente nos satisfazemos com o que temos hoje, ou mesmo com as coisas na nossa volta.

O freio pra isso que o Buda descobriu há dois mil e quinhentos anos é gratidão. Não estou dizendo que você não possa almejar um trabalho melhor, mas você já viu o que você tem em mãos hoje e já se sentiu grato por isso? Comece pelas coisas pequenas.

Dias atrás registrei no meu Instagram como o céu estava bonito no poente, realmente foi algo pra se sentir no mínimo grato. E via que muitas pessoas passavam por isso batidos, não viam a maravilha que estava sendo desenhada no céu naquele momento, como nessas fotos desse post que eu tirei. Muitas vezes estamos tão centrados no nosso ego que deixamos de ver isso, e não apenas isso, de agradecer a isso.

Eu brinco muito que eu agradeço muito aos Budas pela minha comida, porque muitas vezes enquanto estava desempregado tinha que comer o que minha mãe fazia na pressa, e normalmente não ficava muito bom, haha. Mas aí eu olho para o que eu tenho, e ao invés de ficar almejando sempre os melhores celulares, melhores roupas, melhores computadores, fico bem feliz com o que eu tenho hoje, e tento usá-los ao máximo. E mesmo quando vou comprar algo, paro duas vezes e penso: "Eu realmente necessito disso?", e a vontade passa, porque no fundo vejo o que tenho, e me sinto grato por isso. É um bom exercício!


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