quinta-feira, 20 de março de 2014

Porque praticar em comunidade é importante?

Eu lembro que eu tinha uma visão meio limitada do budismo no início, antes de virar praticante oficialmente. Eu era muito inspirado pela vida do Buda histórico, o Siddartha Gautama. Confiava nele, confiava nos ensinamentos dele, mas aquela ideia da comunidade de praticantes, da sanga (sânscrito: sangha) era muito abstrata pra mim. E não via importância, afinal a iluminação nos meus quatorze anos era pra mim, oras!

Depois de muito tempo saquei a importância dessa tal de sanga.

Se estamos em busca dos ensinamentos, a prática deveria ser algo feito isoladamente, não? Existem até algumas seitas budistas isoladas que somente tem como base meramente a meditação, e me pergunto lá o que de budista existe nessas seitas. Ninguém pratica sozinho. Nem mesmo o Buda praticou sozinho. Nem mesmo ele alcançou a iluminação sozinho. Então tem algo meio de errado aí.

O budismo só sobreviveu ao falecimento do fundador, Shakyamuni, pois existiu a sanga. Existiu a comunidade de praticantes que carregaram não apenas seus ensinamentos ou seu legado, mas sua bondade. O Buda aperfeiçoou o ensinamento dele ao compartilhar com os outros, culminando até o período Lótus-Nirvana, o ápice da sua sabedoria (e consequentemente, o final da vida também).

A sanga são as comunidades do praticante. Se o altruísmo está no cerne do budismo, é na sanga e fora dela que praticamos. Somos alvo do amor compassivo dos Budas e dentro da sanga temos como praticar também. Ofereceremos e recebemos ajuda quando praticamos em grupo, pois cada um ajuda o outro a alcançar a iluminação.

Quando penso nisso, vejo a imensa compaixão do Buda Gautama por criar isso. Não precisamos fazer o esforço incomensurável que ele fez para alcançar a iluminação, temos o darma, os ensinamentos expostos por ele, temos a sanga onde cada um de nós nos ajudamos e por fim o próprio Buda, que nos ajuda além das fronteiras espirituais. E tudo isso graças a um carinha que nasceu há 2500 anos cuja bondade ecoa mesmo depois de milênios.

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