quarta-feira, 30 de abril de 2014

Doppelgänger - #19 - Agatha, o exército de uma só mulher.

As duas estavam num café, sentadas numa mesinha dentro do local. Fazia muito frio lá fora.

"Terrorista econômico, essa é boa. Fazer o caos em nome do próprio caos, com certeza alguém deve estar levando muito dinheiro nessa brincadeira", iniciou Victoire.

"A questão não é essa. Se eles querem acabar com organizações e afundar economias de países em crise, sem dúvida isso é pra algo mais poderoso quanto. Sem dúvida os governantes muito menos os empresários estão se lixando pro bem estar da população média, isso não é novidade nesse mundo atual. Isso eclodiria conflitos e guerras por aí, e a consequência poderia ser catastrófica", respondeu Agatha.

"E o dinheiro que os terroristas ganham, pode ser usado pra incentivar exatamente esse golpe. Faz sentido nesse mundo onde as coisas só andam ficando mais caras, especialmente nos países de terceiro mundo", disse Victoire.

"Os últimos conflitos começaram por interesse político e logo depois se mostraram por interesse econômico. Governantes não estão interessados na democracia dos árabes, ou na pobreza da América Latina, ou nas insurreições comunistas do leste europeu, ou as crianças sendo estupradas na África. Tem muita grana em recursos, e se você destrói uma renda deles, os empresários vão investir mais e mais. Eu conheço muito o meio da Economia de Guerra, e posso dizer que mortes e conflitos sempre são o maior ganha pão dos empresários bélicos", respondeu Agatha.

As duas tomaram um gole de café. Agatha estava com o braço enfaixado, tinha sofrido uma leve torção no combate no bosque. As duas se olharam, no fundo nenhuma nunca gostou ou odiou a outra. Eram vidas diferentes, experiências diferentes.

"É muito bom a liberdade, né?", diss Agatha, "Só valorizei isso agora, que eu não tenho. Poder sentar aqui, tomar um café. Tudo bem que estamos sendo caçadas, mas sinceramente, é muito bom poder beber um bom vinho, trepar com algum desconhecido, e respirar um pouco de ar puro".

"Agatha, eu te entendo, mas temos valores diferentes", disse Victoire.

"Ah, qual é, Victoire", disse Agatha, num tom de deboche, "Sei que na verdade você ama o Al. Mas ele não sente nada por você. Sinceramente, pra alguém que só recebeu ódio como ele, é impossível ele amar alguém, embora talvez a relação de vocês seja a mais passional - se é que posso chamar assim - que ele tem com alguém".

"Eu o amo, mas ele jamais me amaria. E eu entendo perfeitamente, antes eu era cega de raiva com ele, pensava que ele tinha matado minha irmã, Émilie. Se eu soubesse disso antes, nunca teria feito o que fiz com ele. Al está morrendo, envelhece três anos a cada um. Está cheio de cabelos brancos, seus órgãos já estão dando sinais da idade, e sinceramente, não acredito que ele vá durar por mais dez anos", disse Victoire.

"Sabe, Victoire... Temos que aproveitar a vida. Dar pra quem quiser, beber o quanto quiser, sair pra onde quisermos sair. Al é cheio de problemas, eu acho já estranho um moleque ter crescido e se tornado um homem com tanta gente chamando-o de irmão do traidor. É uma alma solitária. Uma alma que sempre soube viver bem e sozinho. Ele não precisa de uma mulher ao seu lado", disse Agatha.

"Mas nós fazemos amor! E é tão... Bonito", respondeu Victoire, com seus olhos marejando.

"Trepar todo mundo trepa, mulher. Ele tem medo de transar com as mulheres com medo de engravidá-las, e sabe que você é a única pessoa segura que ele pode fazer isso. Não por meios contraceptivos, mas sim pela confiança que ele tem. Sabe... Eu estou presa fisicamente num local, o único sexo que eu sei é com esses meus dois dedos aqui. Já você, está presa psicologicamente, pois acabou com a vida de um homem dando-lhe a sentença de morte, e ainda quer que ele a ame depois do que você fez? Vê se acorda! Eu já fico abismada com o fato dele conversar com você, quem dirá transar com você!", disse Agatha.

Victoire pegou um guardanapo e enxugou as lágrimas.

"Pft... O que mais detesto é mulher apontando o dedo pra mim porque trepo com dois ou três caras ao mesmo tempo, enquanto você fica aí chorando por um amor que só uma tonta como você poderia nutrir. Se as mulheres tivessem um mínimo de amor próprio seriam bem mais felizes. Sinto nojo de você, francesa", concluiu Agatha.

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Nezha achou a mesa. Foi difícil sentar-se, pois ainda sentia muitas dores no seu abdômen. Tudo estava enfaixado, mas as coisas pareciam estar melhores.

"Realmente, é um menino de ouro, Nezha", disse Agatha.

"Nossa... Quanto tempo fiquei desacordado? Puxa... Que dor horrível", disse Nezha.

"Um dia mais ou menos. Não sei como, mas seu anjo da guarda parecia fazer hora extra. Um golpe daquele monstro detonou o crânio do velho Giuseppe, mas em você, quebrou apenas algumas costelas. Não sei também se ele estava com toda a força naquele pistão hidráulico, mas funcionou bem".

"O quê? Impossível. Mas como vocês escaparam?", disse Nezha.

"Agatha sempre carrega armas. Aquela bolsa dela enorme tinha um rifle de assalto e algumas pistolas semi-automáticas. Conseguimos rendê-los, mas acabaram fugindo. A polícia ouviu os disparos, mas quando eles chegaram, todos nós já tínhamos fugido", disse Victoire.

"Minha nossa... E eu, o único homem, não consegui fazer nada...", disse Nezha.

"Larga disso, garoto! Não é porque somos mulheres que não sabemos lutar. A sociedade adora pensar que somos fracas e incapazes, mas eu pelo menos consigo derrubar qualquer cara - seja com armas ou no próprio braço".

"Pois é. The real one woman army", disse Victoire.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Histeria de Abril - Bananas e racismo.


Eu vou começar essa série depois da histeria de março. Porque de fato, muita gente falando da mesma coisa enche o saco! =P

Preconceito é uma merda, é sim. Todo mundo é alvo de preconceito. Eu lembro que como eu gosto de umas meninas de olhos puxados, já sofri racismo de mulheres japonesas por me tirar da listinha de possíveis pretendentes porque eu não tenho ascendência asiática, por exemplo. Acontece, uai, nem por isso me sinto inferior, posso ter sido alvo de racismo, mas sei do meu valor.

Mas aí todo mundo começa a postar fotos com bananas pelas redes sociais afora. De pessoas negras, até o Luciano Huck e sua esposa que vai de táxi por aí. Mas ninguém posta uma foto como essa, nosso amigo Donkey Kong, um legítimo macaco, com muito orgulho, se deliciando com bananas e que pela sua cara, está nem aí pra tudo isso.

Minha psicóloga dizia que preconceito existe muito mais na cabeça de quem é alvo, do que de quem é preconceituoso. Em outras palavras, se alguém apontar o dedo pra mim e falar que eu sou inferior, é problema meu me sentir ridicularizado por ouvir isso ou provar o contrário. Por isso que tenho lá minhas dúvidas se racismo é algo tão grave assim, ou se são pessoas que não tem muita noção das coisas. Especialmente porque a mídia gosta de mostrar isso.

Parece que eles gostam de ridicularizar mais, dizendo que eles são pessoas que vivem na margem da sociedade e não podem ascender socialmente. Mas quem mora aqui sabe que isso é completamente mentira. Tem que estudar, trabalhar, tem que ralar, como todo mundo. O que é foda é que muitos tem preguiça e escolhem a bandidagem e morrem alguns meses depois.

Donkey Kong é um símio, e não tem vergonha de comer bananas, olha a cara dele. Sem dúvida temos muito a aprender com ele. Donkey Kong não se sente inferior, ele sabe do seu potencial e que não vai ser nenhum King K. Rool que vai pará-lo, por isso, embora todo mundo esteja postando imagens de "Eu não mereço ser assassinado", ou tirando fotos com bananas, o único que agiu de maneira louvável foi o Daniel Alves, que comeu a banana e mostrou que racismo não se derruba com discursos ou diálogos de aceitação, e sim com ações. Foi lá, comeu a banana, e voltou pro jogo, como se nada tivesse acontecido. Não deu uma de "atingido", sentindo as dores, etc. Ele, agiu como o grande jogador de futebol que é mostrando em campo que não é uma atitude racista que vai tornar ele um jogador pior, igual ao Donkey Kong, surrando o King K. Rool.

Me poupem de tirar fotos com bananas como se vocês fossem alvo de racismo, por favor. Provem com ações, não com hipocrisia. Preconceito existe se você aceita. Mostre com suas ações que você é capaz de chegar lá como qualquer um. Se te jogarem bananas, coma-as, simples assim. São ricas em açúcar e água, vão te dar energia pra ir mais longe.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Doppelgänger - #18 - Os nossos medos.

Aquela conversa com "n" parecia interminável. Mas por mais que Al tentasse não encontrar sentido em qualquer coisa que seu maior rival falasse, tudo aquilo parecia o humilhar. Seu coração estava disparado, e ele sabia que não sairia dali tão fácil.

"Sim, o Ar é seu sobrinho. Foi em abril de 2000 que você o salvou de um maluco que havia invadido a casa dele em Rosário, na Argentina. Realmente o tempo voa, e agora ele é um moleque de 22 anos com uma bazuca nas mãos", disse "n".

"Vamos logo, se seu objetivo foi me humilhar, acho que sua vingancinha de merda já foi feita, preciso logo desses documentos, 'n'! Não tenho tempo a perder!", gritou Al.

Na hora "n" olhou de uma forma bem irônica para Al. Ergueu os braços o mostrou estar pouco de lixando para o que estava acontecendo ali. De fato, ele estava com as rédeas do jogo, e embora fosse necessário, Al não queria entrar no joguinho dele. Porque diabos ele estava fazendo isso?

"Escuta Al, lutar contra o Ar não é uma luta comum. Esse garoto te conhece como ninguém, você ajudou a criá-lo inclusive. Lutar contra o Ar é lutar contra o seu passado, lutar contra tudo aquilo que é sua fraqueza", iniciou "n".

Al sentou pois sabia que ia ser uma longa conversa.

"E seus medos ele conhece bem, e vai usar contra você. Estar no ramo da Inteligência normalmente as pessoas sempre prezam pessoas racionais e frias como eu, mas também existe espaço para pessoas muito emotivas como você, embora a maior lenda dos últimos tempos seja seu irmão, que tinha um equilíbrio perfeito entre razão e emoção - algo que dificilmente as pessoas nesse ramo têm. A maior prova que posso te dar sobre sua fraqueza é isso", disse "n" que se aproximou de uma prateleira calmamente.

Ao virar, "n" sacou uma arma e apontou diretamente para a testa de Al. Muitas pessoas nesse momento têm medo, afinal estamos lidando com um rival que sempre viveu para derrubá-lo, e que sempre faria de tudo para ser o melhor. Eliminar o rival seria a melhor parte, afinal ele estava em seu covil. A sensação gelada de ter uma arma pronta pra disparar em sua testa é algo de tirar o fôlego, entender que sua vida está nas mãos de um gatilho de uma pessoa e que a qualquer ligeiro movimento tudo aquilo que você conquistou, que você é, será pausado. E tudo o que você terá é uma morte de cão, enterrado numa lápide num cemitério qualquer, onde pessoas no máximo chorarão sua perda um dia ou dois, e depois retornarão suas vidas comuns, como se nada tivesse acontecido.

Porém, Al não pensou nada disso. E ficou em calma, olhando para a arma de "n".

"Viu só?", disse "n", "Você é imortal?"

"Não", respondeu Al, "Eu apenas não tenho medo da morte".

"Tolo!", disse "n", tirando a arma e guardando-a, "É exatamente essa sua fraqueza, Al. Pra você se te matassem seria um favor, não? Afinal nem se matar você consegue. Se eu colocasse a sua lista de maiores pesadelos, aqueles que te fariam gelar suas pernas, um deles seria aquilo que interferiu na sua cabeça todos esses anos por causa da criação dura que você teve. Por exemplo, não existe pesadelo maior seu que acordar no outro dia e uma mulher vier dizendo que tem um filho seu. Esse medo seu sobre isso é como o medo de morrer que muitas pessoas têm, talvez seja por isso que posso contar nos dedos de uma mão as mulheres que você se sente confiante em manter algo banal, como uma relação sexual".

Al engoliu seco. De fato, a paternidade era o seu maior pesadelo. Pode parecer algo simples e até bonito, mas ser responsável por uma vida, educar, dar carinho e viver completamente por um descendente soa como o maior de todos os pesadelos para Al.

"Me diga, e se um dia, sei lá, acontece da Victoire ficar grávida? É só ela que você anda comendo ultimamente, não? Se ela está te dando, o problema é dela, e sabemos que ela se cuida, toma a pílula certinho e do jeito que ela é apaixonada por você, duvido que dê aquela xoxota pra outro cara. Você pensa que apenas eu sei isso? Até o Ar sabe disso, e isso será uma das coisas que ele usará contra você. Ele vai acabar com sua vida, vai usar todas as artimanhas psicológicas pra te derrubar, e é isso que você quer?", disse "n".

"Então seu idiota," disse Al, avançando pra cima de "n" e segurando-o firme na parede no seu colarinho, "O que você me sugere, seu imbecil?".

"n" nesse momento riu. Ironicamente, claro.

"Simples. Você tem que ir atrás do Artax. E mandar que ele termine o seu treinamento!", disse "n".

Nessa hora, Al o soltou, e "n" caiu suavemente no chão. Al se virou e ficou olhando pro chão pensativo, enquanto caminhava. "n" olhava atentamente para ele, dando-lhe um tempo para que ele conseguisse pensar na ideia. Alguns segundos se passaram.

"Amanhã você ainda vai ficar aí com suas amiguinhas de Amsterdam, não? Diga pra elas que você vai pro Schiphol. Tem um agente que darei as ordens para te levar até um jato, onde embarcará pra onde seu mestre está".

"Meu mestre não vai me aceitar de volta. Eu abandonei o treinamento há muitos anos, nem eu sabia que ele estava vivo".

"Implore. É a sua única chance. Se existe alguém que vai te dar um treinamento para que você supere seus medos, essa pessoa é ele. Vincent está agora vivendo na Colômbia, é meio longe daqui, então você não tem tempo pra nada. É seguir direto pra lá, aprender, e voltar. Cinco horas pra ir, cinco pra voltar. Não vou te mostrar as informações que tenho agora, na hora certa elas chegarão até você. Bon voyage", concluiu "n".

Al sabia que encontrar com seu mestre não seria algo simples. Mas não tinha tempo a perder. O treinamento ia ser duro, mas necessário.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Se está tristinho, vamos pra cozinha!



Ontem eu tava bem triste. Queria ir no casamento de uma amiga, mas como estou desempregado - e ela vai fazer na praia, onde eu seria obrigado a me hospedar - não vou conseguir ir por falta de dinheiro. Resolvi sair e comprar algumas coisas pra fazer uma comida legal, pois cozinhar é uma ótima terapia, especialmente pra tirar essa moleza toda que quando a gente tá triste aparece.

Pelo menos pra mim funciona! Fiz esse yakisoba, gosto muito de culinária asiática, mesmo que muitas receitas legais não seja tão fácil de achar os ingredientes corretos no Brasil. Normalmente quando cozinho sempre sai briga em casa pra comer, e dessa vez não foi diferente, hehe!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Desperte o que há de melhor em você.

Esses dias estava voltando de viagem, tinha ido visitar a casa dos meus avós, e na volta, no ônibus, refletindo me veio uma forma bem fácil de tentar explicar pros outros o que significa despertar o melhor de nós e alcançarmos a iluminação.

O estado de Nirvana não é algo carimbado. Não é uma receita básica que todos ficarão da mesma maneira, e sim, usar o que temos de melhor para criarmos um atalho até lá.

Veja por exemplo um motorista de ônibus. Desses que levam pessoas pro interior pro exemplo. Talvez se ele fizesse seu trabalho com o pensamento de: "Puxa vida, graças ao meu trabalho uma esposa vai se encontrar com seu marido, um neto com o seu avô, ou ainda aquele grupo de jovens vai ter um momento pra se divertirem" ele estará mostrando aquilo que melhor existe nele, e esse é o pensamento de um buda, mostrar o seu melhor com o que você tem. Fazer com todo o coração, mesmo que os outros não reparem.

Porém muitas vezes o pensamento que vemos é: "Puxa... Estou cansado e ganhando uma miséria, me matando aqui e sendo sugado pelo gerente", com esse pensamento ele jamais se iluminará, continuará levando uma vida triste, pois acha que seu trabalho nunca ajudará ninguém. Acaba agindo de maneira egoísta.

Todos os caminhos levam ao Nirvana. A questão é só você pegar o melhor que existe em você e trazer à tona!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Vairocana.


Pintei dia 22 do mês passado, mas demorei pra postar, simplesmente esqueci!

É um Buda celestial. Ser um Buda é algo que está em nossa essência, nossa alma, uma capacidade extraordinária que bebe da fonte dele, um Buda celestial, como um grande sol que ilumina todas as direções com sua sabedoria, criando uma terra inabalável. =)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Viva, Chicago!!

Esse layout já estava pronto desde janeiro, mas na pressa e na perdição fui capaz de só postar hoje. É o último da série, pelo menos por enquanto!


Pelo menos até fazer minha super viagem pra Índia!

Nunca pensei que Chicago fosse tão legal. Normalmente quando pensamos Estados Unidos pensamos em Miami, Nova Iorque, São Francisco ou ainda o Havaí. Mas existem cidades sensacionais e tão fodas quanto, e Chicago está no meu coração!

Coloquei todos os locais que vi e visitei. O Navy Pier, o Feijão (Cloud Gate), a bandeira de Chicago, a Skyline de Chicago e o Teatro de Chicago. Inesquecível!

Como o tempo voa! Hoje, atualizando meu portfólio, vi que esse layout é o de número quarenta e dois. Incrível, né? Pra ver todos os outros, só clicar aqui. ;)

Os velhos hábitos.

Esse fim de semana estava saindo de casa para ir ao templo budista que frequento e encontrei o meu vizinho, voltando pra sua casa depois de ir buscar pão. Ele já é uma pessoa de idade, e estava casado há anos com a minha vizinha. Eu não tinha muito contato com ela nos últimos anos, apenas quando era criança. Ela fazia aniversário no mesmo dia que eu, mas obviamente, era bem mais velha.

Esse ano, no começo do ano, ela não resistiu a luta contra o câncer, e faleceu. Foi um choque pro esposo dela, que foi seu companheiro durante anos a fio. Ele nunca media palavras pra mostrar o quanto a amava, e dediquei muitas preces e meditações para que ele superasse, e ela encontrasse paz no além vida. Lembro de como seus olhos ficaram marejados quando nos encontramos na rua, dias depois do falecimento dela, em janeiro.

Ficamos jogando papo pro ar e uns moleques que tavam andando de bicicleta na rua vieram até ele e perguntaram:

"Tio, porque você compra tanto pão se é só pra você?"

E o meu vizinho, com um sorrisão na boca, disse isso:

"Ué, tudo bem que minha esposa já não tá lá em casa me esperando pra me ajudar a comer tudo isso. Mas não quer dizer que vou mudar meus hábitos, não acha, vizinho?".

De fato! Tudo bem que a esposa dele não vai estar lá pra comer o pão, mas acho que ela, onde quer que esteja, ficou muito feliz em ver que o marido continua com o mesmo hábito de comprar os cinco ou seis pães - mesmo que ela não esteja mais entre nós para comê-los. Fiquei tocado com isso, que mostra que esse amor que os dois nutriam vai além dessa vida.

Bonitinho, né?

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Doppelgänger - #17 - Aquela dor forte no peito.

Nezha estava no saguão do hotel aguardando Agatha descer. Passou muito tempo sem nenhuma notícia dela, foi aí que ele ao perguntar pra Victoire, resolveu subir e acordar Agatha logo.

Ao bater na porta, viu três homens saindo do quarto dela. Eles pareciam estar bem suados, e arfando. Ao esticar o pescoço na porta viu Agatha se levantando, completamente nua, indo ao banheiro. Parecia melada com algo em todo o corpo.

"Nezha, me dá uns vinte minutos só pra eu tomar um banho, sim?", disse Agatha, "Depois de tantos anos na prisão fazia tempo que eu não sabia o que era um homem".

Nezha ainda era um cara um pouco inocente. Desceu de volta pro saguão e viu Victoire encarando-o, pois o mesmo não estava com Agatha.

"Err...", iniciou Nezha, que não sabia por onde começar, "Vi três homens saindo do quarto da Agatha. Parece que tiveram uma noite daquelas os quatro juntos".

"Bem puritano você pelo visto, hein?", disse Victoire, "Estamos na Europa, não vejo problemas da Agatha fazer isso. Não é ilegal ficar com três homens transando a noite toda. E depois de anos na prisão, bem... A Agatha sempre foi uma mulher bem ativa sexualmente. Achei que tava até demorando desde que ela saiu da prisão...".

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Villa Adriana, Itália

O contato deles era um bispo em Tivoli. Seu nome era Giuseppe della Chiesa. O local era bem curioso. Vários turistas no local tirando fotos, e no meio estavam Nezha, Agatha e Victoire. Num local tão cheio de pessoas, seria mesmo o local ideal para que se encontrassem?

"Signore Chiesa", iniciou Victoire, "Sou Victoire Blain, e esses são meus companheiros, Agatha e Nezha. Parece que o agente Spirit, da Holanda, entrou em contato com o senhor. Podemos conversar com o senhor?".

"Prazer em conhecê-la. Uma francesa, uma holandesa e um outro rapaz que não sei da onde é", falou o bispo, "Escolhi esse local pois sei que a qualquer momento podem acabar com a minha vida. Pelo menos aqui não será humilhante com um tiro, ou algo do gênero. Temos muitos turistas aqui no momento. Mas vamos adiante... O que querem saber?"

"Senhor, estamos em busca de um grupo de criminosos, o mais longe que chegamos porém é que eles teriam uma ligação muito forte com um grupo chamado Legatvs. O senhor sabe de algo?", disse Victoire.

"Um nome bem clichê. Nome de soldados romanos, mas funciona bem. O Legatus é uma sociedade que vai muito além do que todos imaginam. Eles têm muito, muito dinheiro, e muita força política. Mas posso afirmar que nenhum dos membros da Sociedade Legatus têm lá muita noção do seu trabalho, eles são apenas fantoches", disse o bispo.

"Fantoches? Como assim?", apressou Agatha.

"Existe um grupo que controla o Legatus. É um parasita. São comandados por um novo tipo de terrorista, que são muito mais silenciosos, porém tão destrutivos quanto, pois usam o maior de todas as armas que o homem criou", respondeu o bispo della Chiesa.

"O que quer dizer? Armas nucleares?", questionou Nezha.

"Não", respondeu o bispo, ríspido, "As armas que eles usam são bem mais poderosas. É o que chamamos de Terroristas Econômicos. Muitas pessoas pensam que são grupos isolados, mas suas ações são bem melhor arquitetadas que qualquer coisa".

"Terroristas econômicos? Isso não existe", respondeu Victoire, convicta.

"Existem sim, e são uma realidade bem mais comum do que pensa, senhorita francesa. O sistema bancário é muito simples de controlá-lo, hoje em dia qualquer pessoa se tiver os mecanismos corretos podem fazer rios de dinheiro. Porém, os terroristas econômicos não são pessoas que querem riqueza - o que eles querem é causar a instabilidade no sistema, ruindo países, empresas e economias inteiras. Esse mesmo grupo foi o responsável por diversos eventos atuais, da queda do Lehman Brothers, até a falência estatal na Espanha".

"Mas porque eles fariam isso se não é para conseguir dinheiro? Não faz sentido".

"Não é o dinheiro que eles querem. Se um grupo parasita suga o Legatus, ele não precisa de mais dinheiro. É como xadrez, um movimento certo no momento certo. Sinceramente, não sei o que os move, pois causando crises monetárias pelo mundo, usando as empresas que vão à falência como bodes expiatórios, eles reduzem o próprio poder deles a nada. É um grupo não muito grande, mas com grandes cabeças, de fato".

"E entre eles está esse rapaz aqui?", disse Agatha, mostrando uma foto de Ar.

"Sim! Esse rosto... É ele mesmo. Ele é um dos líderes!", disse o bispo, abismado de ver o quanto eles sabiam.

"Entendo. Então é um grupo organizado... Usam seu poder pra causar o caos no sistema monetário, usando sua influência em diversos meios. Faz sentido... Eles têm pessoas que são psíquicas, dominar a mente não seria uma tarefa complicada pra eles, e apagar depois".

Ao ouvir o apagar depois Nezha engoliu seco. Ele mesmo parecia ter sido alvo disso, não? Sua mente ainda estava confusa, mas acreditava que quando fosse o momento certo ele faria as perguntas certas.

"Isso faz sentido. Senhor, qual o nome da organização que age por detrás da Legatus?", perguntou Victoire.

"O nome dela é...", o bispo foi interrompido por uma ventania forte que trouxe muita terra pra cima deles, de súbito. A ventania durou alguns segundos, e quando a poeira baixou, algo parecia estar de errado na língua do velho.

"O senhor está bem? Isso é só terra, arde bastante. Cuspa um pouco no chão", respondeu Nezha.

Mas o velho não conseguia nem cuspir. Seus olhos estavam ficando vermelhos, foi aí que ele se levantou e, parecendo afônico, fez gestos para que o seguissem para o seu carro. Todos o seguiram, e ao entrar, viram que o velho dirigiu por aproximadamente meia hora, chegando num lugar distante e longínquo. Uma espécie de um bosque.

Ele desceu do carro e pediu para que o seguissem mata a dentro. Os três foram seguindo-o.

O que deu nesse velho?, pensou Nezha, Porque ele está indo no meio do mato desse jeito? Será que quer contar algo?

Foi aí que viram um homem imenso, vestindo um avental branco cheio de marcas de sangue batido e com uma máscara de Kitsune. E do seu lado, uma pequena jovem estava sentada, seus cabelos ruivos pareciam balançar sozinhos, e não havia vento algum. Ela vestia uma roupa de couro bem justa, mesmo que seu corpo fosse relativamente normal. Sua pele era morena, mas tinha grandes manchas brancas que pareciam vitiligo.

"Obrigado, Giuseppe, agora sente-se", a voz masculina sob a máscara falou. Nezha sabia que a conhecia de algum lugar.

Essa voz... Eu já ouvi ela antes. Ela me é bem familiar, parece que a ouvi não tem muito tempo. Essa mesma voz me causou medo e espanto, grossa desse jeito, porque estou com medo? Porque quero fugir desse jeito? Essa voz... Essa voz é...

"Schwartzman!!", gritou Nezha.

Nesse momento uma pessoa surgiu por detrás dos dois. Tinha cabelos brancos e vestia um grande sobretudo. Veio em passos fortes, batendo palmas, como se estivesse vendo um show. Ele não era maior que o judeu Schwartzman, mas definitivamente não era alguém que parecia ser amigo.

"Muito bem, camaradas. Podem deixar que a partir daqui eu assumo", disse o homem, porém ao ver Nezha ele fixou seus olhos nele, como se talvez o conhecesse, mas não estava lembrando, "Você... Não é possível que esteja vivo. Enfim, damas e cavalheiros, vim aqui fazer uma demonstração rápida da maior arma que o corpo humano já viu. Em quem devo começar?", e ele foi em direção a Nezha, com o punho cerrado.

Porém, depois de um som de um pistão de ar sendo comprimido, ele deu um salto, parando na frente de Giuseppe, e golpeando-o na face. Seus miolos voaram por alguns metros, e depois da onda de choque der dissipado o sangue, ossos e cartilagem, não havia nada do rosto de Giuseppe, estava completamente desfigurado e morto.

"Ele estava dopado. Schwartzman conseguiu dopá-lo no momento que aquela terra toda vôo. Realmente é uma arte, a arte da alucinação e perda de consciência. O resto, foi graças a nossa bonitinha ali que dominou a mente dele o fez ele vir até aqui. Vocês acham que estão longe, mas ele só deu voltas no mesmo local".

Todos ficam abismados. Foi aí que o velho tirou o sobretudo, e por baixo havia um exoesqueleto, cheio de pistões hidráulicos, capazes de potencializar muito a força de um punho, com explosões rápidas. Aquilo era fora de qualquer sonho, de onde havia saído aquele homem?

"Bom, e qual de vocês será agora? Duas mulheres e um homem. Acha que é capaz de proteger essas belezinhas?", disse o homem, "Memorize bem o meu nome. Otto Dietrich. Talvez esse nome vai causar espanto quando você encontrar a primeira pessoa quando acordar".

"Quando eu acordar?", questionou Nezha.

"Sim. Pois você vai dormir AGORA".

Nezha sentiu um punho no seu peito. Parecia que um caminhão o havia atropelado. Aquela dor queimava, e o impacto parecia ter vibrado todos os músculos e nervos do seu corpo. Ele nem mesmo sentiu o chão, segundo após o impacto ficou desacordado, e dali em diante, não se recorda de nada do que aconteceu.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A santa que admiro.

Posso ser budista, mas por vir de uma família cristã, não perdi todas as minhas raízes com Jesus. E isso é bom! Por ter sido cristão antes sou imensamente grato por toda a ajuda que recebi. E inclusive passei a entender ainda mais o cristianismo depois que virei budista. Os ensinamentos no fundo não eram muito diferentes. Dá pra conviver em paz!

Uma coisa que eu acho difícil me acostumar é com a questão da penitência cristã. Isso não existe no budismo, pelo contrário, é uma imensa compaixão, o que é exatamente o oposto. É um grande treinamento pra mim ver as "penitências" como "compaixão" de acordo com o budismo. Mas acho que esse é um treinamento difícil, que terei que absorver depois de uma prática de uma vida inteira.

Na adolescência conheci o Código Da Vinci, que foi o pontapé inicial pra que eu pesquisasse mais a fundo coisas como o Santo Graal, e a própria Maria Madalena. Posso dizer que o Código Da Vinci é apenas a pontinha do iceberg, existem muito mais coisas legais quando se pesquisa a minha santa favorita, a Maria Madalena.

Acho que sem querer sinto essa coisa da penitência dela em mim. Sempre ela foi retratada com aquele olhar de misericórdia. 

Quando descobri que ela era a santa do meu dia, fiquei imensamente feliz! Já a admirava de paixão, naquela época que descobri, a paixão virou um amor. Além de ser a protetora de prostitutas, ela é protetora das mães solteiras também. Parece que aqui ela é a protetora das mães solteiras também. Achei a oração dela bem bonitinha:

Santa Maria Madalena, vós que ouvistes da boca de Jesus estas palavras: “Muito lhe foi perdoado porque muito amou… vai em paz, os teus pecados estão perdoados”, alcançai-me de Deus o perdão dos meus erros e pecados, deixai-me participar do ardente amor que inflamou o vosso coração, para que eu seja capaz de seguir a Cristo até o Calvário, se for preciso e assim, mais cedo ou mais tarde, tenha a felicidade de abraçar e beijar os pés do divino Mestre.

Como Jesus ressuscitado vos chamou pelo nome: “Maria!” ele chame também pelo meu nome.., e eu nunca mais me desvie do seu amor, com recaídas nos erros do meu passado.

Santa Maria Madalena, eu vos peço esta graça, por Cristo Nosso Senhor. Amém!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Doppelgänger - #16 - Pra precisar da minha ajuda, a coisa deve estar feia.

21 de novembro de 2012

Foi um período de descanso. Umas férias de alguns dias. Al estava meio receoso. No catálogo de procurados pela Interpol mostrava sua foto com um dos seus nomes falsos. Al resolveu descansar um pouco na casa de amigos, porém eles o conheciam com um nome e nacionalidade diferentes. No documento, seu nome era Allan Frost, americano, de Illinois.

Porém a expectativa de ter noticias sobre Agatha e Victoire era maior. Usando a internet em Amsterdam ele conseguiu contactar "n". Porém, o local que havia escolhido para o encontro era um tanto... Inusitado.

O mundialmente conhecido Distrito das Luzes Vermelhas, onde garotas de programa são exibidas em vitrine, atraindo jovens cheios de hormônios, e causando muita surpresa nas vovós que passam por ali. Querendo ou não, aquilo ainda era um ponto turístico famoso mundialmente. A orientação era simples, buscar uma garota de programa loira com biquíni dourado. Uma combinação aparentemente comum naquela região, mas depois de muita procura enfim a encontrou.

"Vim atrás do 'n'", disse Al, com a garota prontamente abrindo uma porta secreta atrás dela, caindo numa sala de reunião onde "n" já o esperava.

"Pontual como britânicos, Sir Al. Você é mesmo muito clichê", disse "n" enquanto se virava, sentado numa cadeira executiva, "Pra você precisar da minha ajuda realmente a coisa deve estar feia".

"Pft... Cala a boca, 'n'. Pela quantidade de favores que você me deve, você deveria era ficar quieto sem fazer um comentário desses", disse Al.

"n" levantou-se e foi em direção de uma pequena mesa redonda que tinha uma pasta cheia de documentos. Aquilo realmente parecia informação quente. Por se tratar de um país europeu, investigar a Legatus era algo essencial. Porém, naquele país especificamente, o ideal mesmo seria pedir ajuda de "n".

"O que está fazendo agora?", perguntou Al, com um tom irônico, "Por acaso virou cafetão?".

"Não. Estou investigando tráfico internacional de mulheres aqui em Amsterdam. Isso queima muito a imagem do governo, chamando garotas pobres e bonitas do leste europeu pra trabalharem num ponto de prostituição reconhecido mundialmente. Foi mais fácil que pensava, e estou negociando ainda com o governo o pagamento dos meus serviços. Esses holandeses tem muita grana, vou sugar um pouco deles, gastei muito esses tempos".

"Ótimo. Preciso dos documentos aí", disse Al, indo buscar a pasta, quando "n" colocou a mão em cima, impedindo-o.

"Pera lá, Al", iniciou "n", "Você caiu muito de nível por ser quem você é. Afinal, quem você pensa que pode enganar nessa brincadeira? Tá na cara que o Ar foi solto da prisão por uma ordem sua. Porque você foi soltar um cara perigoso como ele por aí?", disse "n".

"É um passo pra trás para dar dois pra frente. Só não imaginava que a Interpol nos colocaria como Disavowed. Mas isso não vai impedir o que tenho que fazer".

"Como assim, Al?", disse "n".

"Tenho uma missão a cumprir, agora vamos, me dê esses papéis", disse Al, que foi tentar puxar a pasta de "n". Porém na hora, "n" pegou a pasta, segurou-a junto ao seu corpo, e depois apontou a mesma para uma lareira. Al na hora parou, sem acreditar no que estava vendo.

"Confrontar o Ar é mexer no seu passado, Al. Justo você que sempre foi fraco com esse assunto. Esse é o seu maior problema, Al. Esconde quem você é para todas as pessoas. Queria saber o que fariam quando descobrirem a verdade. Veste uma máscara de ser alguém pacato, mas só quem viveu contigo sabe com que tipo de pessoas você andava", disse "n".

Al ficou mudo, olhando fixamente para "n".

"Você mente pra você mesmo. Quando vai entender que a vida que você leva, seja onde for - e isso também não me diz respeito -  é uma vida falsa e vazia? Isso me enoja, Al. Além do mais, esse é o seu verdadeiro 'eu'. Essa pessoa séria e introspectiva. Uma pessoa extrovertida é apenas uma máscara que você colocou pra parecer mais legal, mas quem te conhece mesmo como eu sabe que no fundo você é uma pessoa extremamente séria e chata - algo que você sempre repudiou dentro de você mesmo e nunca aceitou", disse "n".

"n" pegou a pasta, abriu, deu uma rápida folheada e tirou uma foto de Ar. Ele era idêntico ao Al, só que tinha a cabeça raspada e não usava barba.

"Seu passado é a sua maior ferida. Você é uma pessoa sozinha nesse mundo, Al. Não tem família, não tem amigos, não tem namorada, não tem ninguém. Se você morrer amanhã, dificilmente alguém irá no seu enterro, pois é isso que você faz. Fugir. Você só encara o que lhe é cômodo. Não gosta de depender da ajuda de ninguém, e agora quer confrontar esse garoto, que é o elo mais forte que você tem com o seu irmão mais velho".

"Irmãos de sangue", disse Al.

"Irmão porque você quis! Aposto que nem mesmo as pessoas que trabalham com você sabe a verdade que eu descobri apenas mexendo uns pauzinhos".

Al olhou pra "n", atônico. Depois o próprio "n" concluiu:

"Achou que poderia esconder isso de mim até quando? Sim. Arthur Blain, codinome Ar, é na verdade seu sobrinho", revelou "n", deixando Al abismado na velocidade que "n" descobrira a verdade que ele escondia até então.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Aquela for forte no peito.

13 de fevereiro de 2004

Eu sei qual será sua resposta. Dia desses vi O Tigre e o Dragão, onde no final, quando Li Mu Bai fala que viveu um amor pela Shu Lien a vida inteira, só que nunca tomou coragem de se declarar. Fazia tempo que eu não sentia essa dor.

Quando vi a cena, me imaginei no futuro. E se, depois que nós dois caminhamos uma vida inteira juntos, e se lá na frente, quando estivermos já nos nossos últimos momentos nesse mundo, que eu declararei? E o pior de tudo, e se falasse um "sim"? Aquele sim que eu sempre esperei.

Meu coração está confuso. Por um lado, fala para que fale com todas as letras o quão grande é esse sentimento que sinto por você. Por outro lado, o resto das coisas pesam, pois sei que existem milhares de motivos que te impede de namorar qualquer pessoa.

O primeiro, é o dinheiro. Sei que nós dois não temos muito. E sei que você sempre colocou aquele obstáculo básico de que não poderia sair pra jantares caros, ou passeios caros juntos. Sinceramente? Eu não ligo. Gostaria mesmo da sua presença, que é algo que sinto muita falta.

O segundo, é a nossa relação. Sei que existe uma imensa amizade, e que provavelmente sua primeira reação seria que estou confundindo as coisas, ou que sou um idiota em nutrir esse tipo de coisa. Infelizmente não sei porque diabos pessoas pensam que sou um cara que não presta... Talvez seja um karma que tenha na minha família. Mas acredite, isso que sinto por você é puro.

E isso só me faz sentir vergonha de mim mesmo de nutrir algo por você. Por mais que eu negue, tanto pra mim, quanto pra você, isso parece uma tortura. Eu não vivo sem sua amizade também. Gosto de ter você ao meu lado pra conversar, jogar papo fora, nossos momentos são o meu maior tesouro.

O terceiro fator, é que queria que nada mudasse. Se eu me declarasse pra você, e recebesse tanto um sim ou não, queria continuar amigo de você. Não queria ser apenas um amante, mas também não queria perder a amizade. Por isso estou atado, e quando digo isso, meu coração dói.

Eu sei que nego, e infelizmente continuarei a negar. Sei qual seria sua reação, e sei qual seria sua resposta. Por isso, vou continuar com essa de que jamais, sobre hipótese alguma, ficaria com você.

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