quarta-feira, 28 de maio de 2014

As manias de minha mãe.


Nossa, agora que vi que o último post foi feito há mais de uma semana. Pois é, eu não morri ainda, embora eu tinha sido acometido por uma dor estomacal terrível semana passada, todos os dias, mas passou ontem. Era algo espiritual, mas já estou bem e novinho em folha!

Como está tendo reforma em casa, a gente tá achando aqui muita coisa que há muitos anos eu não via. Não sei se outras mães tinham esse hábito, mas minha mãe tinha o estranho hábito de guardar meus dentes-de-leite como se fosse jóias. Com meu irmão mais novo ela fez o mesmo também.

E nessa de mudar os cômodos de lugar, enquanto fuçávamos, encontramos meus dentes (nossa, se eu tivesse uns 70 anos isso teria outra conotação! Dentadura?)! E minha mãe deixou junto o dente do siso que arranquei no começo de 2006 (perdi o juízo, mas foi com dezoito anos, hehe!).

Realmente o bicho era imenso. Claro que o tempo deixou os dentes amarelados e um tanto quebradiços, embora que o último de leite que perdi tinha sido até que meio tarde, com oito anos. Eu lembro que perdi muitos na segunda-série, aliás, hehe. Lembro que pelo menos umas cinco vezes eu perdia os dentes na aula! Ele ficava mole, eu ficava brincando com ele, cutucando com o dedo, empurrando com a língua, até que ele caía na minha boca e... Jorrava aqueles rios de sangue!

E muitas vezes tinha que pedir pra professora pra ir na pia do bebedouro, cuspir um pouco daquele sangue e limpar os dentes. Eu lembro que a sensação era péssima de passar a língua e encontrar a gengiva. Não doía exatamente, apenas era uma sensação de que algo estava faltando ali. Mas meses mais tarde, lá estava outro dente nascendo no lugar, dessa vez, os definitivos.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Aquele shopping.

Acordei hoje depois de um sonho estranho.

Acho que depois de ter pensado tanto em você ontem - e inclusive depois de afirmar tanto que nutrir esse sentimento por você seja errado, idiota e que só mostra o que eu sou, um retardado carente que não consegue ficar quieto sem se apaixonar, mesmo que seja por uma amiga.

No sonho eu estava entrando num shopping super chique, e encontrei uma fila pra comer algo, acredito. E nessa fila estava você. Estranho ter sonhos em primeira pessoa, mas esse sonho foi. Você estava de salto, estava bem alta, além de vestida de maneira muito bonita. Estava até com uma leve maquiagem, coisa rara de se ver em você.

No nosso rápido papo você parecia estar super digamos... Interessada em mim. Falava de um jeito carinhoso, tombava a cabeça, encostava em mim. E eu, acho que de tanto negar esse sentimento por você, negava também no sonho - mesmo que aquilo fosse na verdade um encontro. Só eu e você. Mas eu não cedia ao seu charme, até que um momento você fez aquilo que você faz muito bem: sumir do meio do mapa e me deixar a ver navios te procurando.

E só depois que você sumiu que eu entendi o quanto gostava da sua companhia ao meu lado. Só que nisso de negar, negar e negar, nem eu percebi que você também mostrava interesse, e deixei você sumir quando enfim poderia tê-la em meus braços.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Doppelgänger - #21 - A cruel tutela do mestre.

"Não temos tempo a perder. Beba isso", disse o mestre.

"O quê é isso?", perguntou Al.

"Algo que vai deixar seus sentidos aguçados por um momento. Algo que aprendi a fazer com as tribos locais. Não temos muito tempo a perder, vire isso de uma vez!", disse o mestre.

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Já haviam se passado dez minutos. Mas parecia que tinham passado duas horas. Al naquele primeiro momento não conseguia entender o que estava acontecendo, seu corpo parecia paralizado, tamanha quantidade de estímulos que recebia. Apenas ouvia que seu mestre dizia que era um efeito do medicamento, que a dose exagerada de início era necessária para o efeito.

Parecia que não ouvia direito o mestre, mas que suas palavras vinham diretamente na sua mente. Sem dúvida, estava num estado de semi-torpor.

"Mais de noventa porcento das pessoas que entram na inteligência são pessoas racionais. Pessoas que tem como característica não serem dominadas pela emoção. Esse é o estilo clássico, embora seja necessário a pessoa um bocado de sorte também. Seu rival, 'n' é desse estilo, e até sua falecida esposa era também desse estilo".

Al estava no chão. Seu corpo estava com uma sensação tão forte que ele virava pro teto, olhando para a noite que aparecia, e desejando no fundo fugir de lá o quanto antes.

"Porém, você é de outra polaridade. Você, discípulo tolo, é extremamente emotivo. Ri, chora, fica com raiva, e isso não seria uma característica boa para um investigador. Não mesmo! Um investigador tem que ser frio, analisar as coisas de maneira calculista, e não ficar se jogando de cabeça por aí. Durante muito tempo isso foi um tabu na inteligência. Mas eu aprimorei um método que permitem pessoas com uma mente como a sua alçar voos ainda maiores que nossos amigos mais frios".

As palavras pareciam carimbadas na mente. Al não conseguia nem mesmo resmungar nada.

"Porém, você não concluiu o seu treinamento comigo. Lembro-me até hoje de quando você resolveu abandonar tudo e ir atrás do seu irmão, e olha só você. Falhou na busca pelo seu irmão mais velho, casou-se com uma mulher que se suicidou na sua frente, vive às sombras de um rival e tem relações promíscuas com uma mulher que, na minha opinião, não vale absolutamente nada, por querer te matar dia após dia".

Os olhos de Al começaram a ficar embaçados, e aí ele viu a verdade.

Que nem mesmo à sombra do irmão ele conseguia viver. Que não era nem mesmo um centésimo do que Arch fora. Que até aquele momento havia vivido uma vida triste e vazia, confiando em poucas pessoas, com quase nenhum amigo, e sempre prestes a morrer. Mas ainda assim não morria.

"Sempre o garotinho que era chutado pelos outros da escola, né? Olhe pra mim quando estiver falando com você! Concentre-se na minha voz, caso contrário esse veneno poderá se verter contra você e causar a sua morte! Discípulo tolo! Até quando vai viver achando que seu irmão vai vir te salvar? Ele está MORTO! E se não se concentrar, vai morrer do mesmo jei...", a voz do mestre foi ficando mais e mais baixa. Distance. Longínqua.

Até que tudo escureceu.

Neve.

Al gostava muito de neve. Ele tinha voltado a ser criança, e estava sentado na escada de uma das casas que tinha, em Pimlico, Londres. Algumas pessoas passavam na rua, mas ele apenas olhava os flocos de neve caindo lentamente.

Porque nascera assim? Era sempre a criança sozinha sentada nos degraus perto da rua. Apenas seu irmão o amava, mas ele o perdeu tão cedo. Obrigado a viver sozinho, com pessoas sempre apontando o dedo pra ele, dizendo que nele corria o mesmo sangue no traidor.

Mas o irmão dele não era um traidor. E ele também não era. Mas ele sentia vergonha de si mesmo, sentia medo do que as pessoas maiores poderiam fazer com ele. Tinha medo de morrer, e em algum momento ainda na infância Al pensou que, se seus pais tivessem no mínimo tomado cuidado para que ele não nascesse, ele não sofreria tanto.

Por isso tinha tanto medo dele mesmo ser pai um dia. Viver é um eterno sofrimento, o garoto pensava. Só havia tristeza, só haviam pessoas apontando o dedo, ridicularizando. A única coisa que o confortava eram as calmas ruas de Pimlico, mesmo sendo pertíssimo da sede da Scotland Yard. Ver aquela neve caindo lentamente.

A neve engrossou e um vento forte bateu no seu rosto. Era difícil de respirar. Ele se levantou, e quando ficou de pé viu que flutuava, que havia perdido o chão. Seu corpo estava mais alto, mas mesmo assim sentia-se flutuando no meio do nada.

Era água, e estava muito gelada.

A água parecia lâminas de gelo perfurando seu corpo, e logo o ar estaria acabando. Al correu e nadou com toda sua força até a superfície, onde bateu de cada com uma camada de gelo. Era um lago congelado. Socou o gelo com toda sua força e o quebrou, onde enfim conseguiu tomar um ar.

Deu um pulo e subiu na superfície do lago gelado. Seu corpo tremía muito. Era muito frio, e as roupas molhadas só pareciam piorar a situação. Depois de andar em qualquer direção no lago viu uma casinha, que parecia estar abandonada. Estava completamente fechada. Sentou-se na parede e abraçou suas pernas, numa tentativa de segurar um pouco o calor no corpo.

Foi aí que uma pessoa apareceu na sua frente. Vestida com uma calça preta, uma camisa branca e um lenço vermelho amarrado no braço esquerdo. Aqueles olhos eram inegáveis, o rosto triangular e o cabelo cor de abóbora.

Era Val. Sua falecida esposa.

"Até quando vai ficar aí?", ela perguntou.

Aquilo era bom demais pra ser verdade. Porque ela estava lá? O que havia acontecido? Parecia algo tão real. Ela estava de pé na frente, olhando pra Al que estava no chão, tentando se aquecer. Al no fundo sentia um bocado de vergonha. Anos sem ver a mulher que ele mais amou e quando ela aparece, ele está nessa situação. Tentou segurar a boca que tremia de frio e se concentrou em tentar falar da maneira mais natural possível.

"Não é nada, meu amor. Estou apenas descansando", disse Al, com um sorriso amarelo.

Silêncio dominava a situação. Até que Al quebrou o silêncio.

"Já se passaram oito anos desde que você faleceu, né. O tempo realmente voa."

"Sim", ela respondeu, séria.

"E eu enfim consegui sair a inteligência, e viver uma vida nova, num novo país".

"Sim!", ela respondeu, esboçando um sorriso.

"Mas tive que voltar, pra resolver um probleminha, mas pode deixar que daqui a pouco eu volto!".

"Eu sei", ela assentiu.

"Eu sinto tanto a sua falta, sabe. Se eu voltar a sorrir com outra mulher, você vai chorar?"

"Claro que não, querido! Quero que você viva, encontre um outro amor e seja feliz. Quando você sorrir, eu sorrirei junto! Agora, por favor, vá, supere esses seus medos e garanta o futuro mais uma vez".

"Salvar o mundo. Porque um fardo tão grande nas minhas costas, né? Hahaha! Mas pode deixar, querida. Fico feliz em vê-la novamente".

"Se cuida, querido. Seja feliz!", disse a garota do cabelo cor de beringela, que lhe deu um abraço firme, que esquentou o coração de Al prontamente.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Aceitar as coisas do jeito que elas são.

Hoje estava andando de metrô quando uma mulher virou do nada e quase esbarrei nela.

Virei discretamente e continuei andando pro lado, desviando da donzela. Lembrei de como eu era antes da prática budista, e tenho quase certeza que mesmo uma coisa trivial como essa, teria me deixado muito p* da vida.

Acho que é aquele pensamento de querer que tudo esteja certo, funcionando bem, e redondinho. Não vou dar uma de "perfeito" porque sou humano, também existem circunstâncias que me deixam com raiva, mas hoje são bem menos.

O problema é termos o desejo que nada modifique, que o ônibus sempre esteja vazio, que os semáforos sempre estejam acesos, e que nossa vida nunca tenha problemas. Mas esse que é o problema! Quanto mais pessoas tem esse pensamento, mais acabam sofrendo, pois é mais fácil se adaptar e saber conviver, do que ir contra o ciclo das coisas.

Buzinar vai melhorar o trânsito? Porque ao invés de ter esse desejo que nada mude, você não a aceita e busca maneiras de conviver com isso? Pode tentar um outro caminho, ou usar o tempo no carro fazendo outra coisa, ouvindo música ou algo assim. Não podemos ir contra as circunstancias da vida, temos que nos adaptar.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Roughs - Artistic Nudes #2

WARNING - Maiores de 18 anos, por favor.

Fazia tempo que não postava desenhos!

Mais desenhos das meninas peladinhas que eu desenhava por aí. Meu celular antigo era cheio de fotos de modelos, mas sempre foi um desenho bem artístico. Corpo feminino é difícil pra mim, sempre fazia seios quadrados, e era uma forma de conhecer melhor as formas para desenhar de cabeça depois. Afinal, seios sempre são diferentes de mulher pra mulher, é uma coisa bem única. E isso porque só estou citando uma das coisas

Olha aí as japonesinhas peladas!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A jogatina nossa de cada dia!



Dias atrás estava jogando alguns games um tanto quanto saudosistas. Direi o pó do meu Nintendo DS e joguei o primeiro jogo lançado pra ele, o Super Mario 64 DS. Que saudades daquele controle horrível do Nintendo 64! Mas depois de um tempo você até se acostuma com os controles do Nintendo DS.

Joguei depois que eu vi um vídeo de um maluco que detonou o jogo nas 120 estrelas em 1h43m. Sim, o que eu da primeira vez que joguei levei quase 1 ano pra conseguir, o cara conseguiu em menos de duas horas. Tem um link do vídeo aqui.

Depois passei pro Tomb Raider II! Engraçado como eu quando era moleque morria de tesão por aqueles polígonos de seios avantajados. Eu morria de vontade de jogar aquele Nude Raider (coisa de moleque de 13 anos, perdoem as espinhas!) que é um hack que substituía os sprites da Lara com roupa com uma versão estranha e quadradamente "pelada".

No final nunca instalei porque morria de medo de vírus no PC. Mas ainda assim é um baita jogaço. Engraçado como eu ainda tomo muitos sustos enquanto jogo, pois na época os jogos eram assim, fazer o quê? E ainda mais um jogo de aventura, o esquema é ir andando calmamente na caverna até que UM TIGRE ENORME E DOIS CARAS ARMADOS COM FUZIS E TRÊS ARANHAS VENENOSAS COM UMA PEDRA ROLANTE DO SEU LADO TE APARECEM PRA TE MATAAAR!

Mais ou menos esse o clima do jogo.

E por fim, dois que eu não dava nada e admito que virei fã: New Super Mario Bros Wii, e Donkey Kong Country Returns, ambos pro Wii.

O primeiro joguei com meu irmão. Aventura de dois jogadores, ainda bem que a geração tem mais capacidade gráfica que a interior! Pois é uma aventura toda diferente. Eu ia com o Luigi (desculpa ae, mas gosto mais do "Mario Verde") que sou fã de carteirinha desde o Smash Bros. (sim, eu só jogo com o Luigi, e duvido alguém me derrubar!).

Mas o Donkey Kong Country Returns joguei na Fnac quando fui passear com um amigo. Na verdade jogamos pro WiiU o Tropical Freeze. Mas pra quem era viciado como era na época do Super Nintendo, tiramos de letra, parecia estar jogando a versão original do jogo, só que com super gráficos! Estou jogando a versão do Wii com meu irmão, eu como o Donkey e ele como o Diddy (ele sempre curtiu mais o Diddy), só pra mostrar como não somos mesquinhos com os protagonistas, sabemos dividir bem, hehe.

Um problema? Faltou o Kiddy Kong, o melhor Kong de todos os tempos!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Doppelgänger - #20 - Mestre.

23 de novembro de 2012

Uma pequena barraca no meio da estrada. Al estava no interior da Colômbia, na América Latina. A viagem tinha sido cansativa, mas não havia tempo para perder. A barraca vendia vasos de cerâmica, e tinha um jovem lá terminando de fechar o caixa. O sol estava se pondo. Não havia mais tempo a perder.

"Estou procurando o senhor Alejandro Gutierrez. Ele se encontra?", disse Al, arranhando no seu espanhol com pouca prática.

O rapaz apontou a cabeça pros fundos da barraca, onde havia uma estradinha de terra, muito mal iluminada que dava numa casa simples, com aparência antiga e de interior, no fundo dessa estrada, escondida no mato. Lá tinha uma fogueira, e um homem, sentado, tomando uma xícara de café, e olhando para o fogo.

"O meu mestre dificilmente seria um mero oleiro no interior da Colômbia", disse Al, enquanto o homem apenas virava levemente o semblante em direção de Al, olhando-o com o canto dos olhos, "Mestre Vincent".

"Não sei de quem está falando. Mas se chegou até aqui, poderia ao menos se apresentar, forasteiro".

"Mestre, sou eu, Al. Sei que passaram quase vinte anos desde que saí da sua tutela, mas vim aqui implorar para que o senhor conclua o treinamento comigo", disse Al, se ajoelhando no chão, fitando Vincent.

O oleiro se ergueu com seu cobertor todo cheio de pó e se aproximou de Al. Ele realmente não tinha nada daqueles tempos de glória na inteligência: vestia singelas roupas velhas e cheias de mancha de barro, mãos ressecadas, barba por fazer e cabelo desgrenhado. Se fedesse mais um pouco, seria confundido com um mendigo, certamente. Ele se aproximou de Al e ficou olhando-o, dando voltas e mais voltas ao redor dele.

"Depois de anos você volta atrás de mim. Depois de anos que você simplesmente virou as costas para mim e deu no pé. Você deveria estar agradecendo que eu estou ao menos dirigindo a palavra a você, porque pra alguém que abandonou seu treinamento como você, eu não faria questão nem mesmo de olhar o rosto!".

"Mestre!", disse Al, agarrando na manta, "É algo urgente. Infelizmente criei um grande problema, e sei que só existe um jeito de enfrentá-lo, que é se o senhor me permitir terminar meu treinamento aqui. Infelizmente, eu não conseguirei no meu atual estado!".

O mestre olhava atentamente para Al. E ele se foi pra dentro da casa, virando de costas friamente para Al. Nem mesmo olhou pra trás. Aquilo parecia mesmo o final de tudo, Al não teria outro jeito a não ser enfrentar Ar com o que ele tinha naquele momento. Aquilo era impossível. Viajar quilômetros e depois dar de cara com isso? Um não que não poderia ser negociável? Foi aí que parado na porta o mestre olhou pra trás:

"Entre e venha tomar um café. Me conte o que aconteceu que pode ser que mude minha ideia... Discípulo tolo".

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"Depois que eu abandonei sua tutela na adolescência, fiquei vagando por aí tentando descobrir quem tinha feito aquilo com o meu irmão", disse Al.

"Imagino que tenha descoberto, não?", disse o mestre.

"Sim. Mas foi um tempo depois. Por volta do ano 2000. Entrei na Inteligência, desobedecendo a ordem do meu falecido irmão de nunca entrar pra esse ramo. Comecei a caçar as pessoas que trabalharam no Sector 9 com o meu irmão, mas alguns que conheci não eram tão maus como pensava. O antigo mestre dele, o senhor Schultz me ajudou muito, e em 1995 encontrei-me com Lucca, o braço direito do meu falecido irmão".

"Lembro dele", disse o mestre.

"Ele foi internado em 1995 com uma pneumonia grave, mas o deixamos sob custódia da equipe médica nossa, porém essa equipe era militar. E como você sabe, mestre, a equipe médica militar não tem nada a perder com os avanços no campo bélico: também recebe muitos recursos dos governos mundiais, porém muitos dos tratamentos são mantidos em segredo, e tentaram um procedimento médico audacioso na época com nano-máquinas para manter Lucca vivo. Porém isso teve um custo".

"Então ele sobreviveu?"

"Sim. Ele no processo perdeu muitas das suas memórias, logo o maior objetivo que era manter o gênio investigativo dele perdemos, mesmo que ele tenha depois recuperado toda sua capacidade física. Lucca não era o mesmo, e o batizamos de Nataku, o deus mitológico chinês Nezha, que não possuía alma. Ele ficou encubado durante anos, e foi liberado apenas agora. Porém ele não se lembra de nada".

"Incrível mesmo", disse o mestre, enchendo a caneca de café.

"Quando entrei oficialmente na inteligência conheci 'ela'. Uma outra agente com que fui obrigado a conviver e trabalhar junto, mesmo que fôssemos muito diferentes. Ela era fria e calculista, cabelos cor de beringela, aquariana. E eu, emotivo, como o senhor sabe. Juntos, nós dois começamos uma odisséia atrás de todas as pessoas que haviam trabalhado com meu irmão. Alguns tinham se envolvido com o tráfico de armas (Agatha), outros ainda estavam firmes no serviço (Rockefeller) e uma outra fez uma vingança sem sentido contra mim, pensando que havia matado Émilie, que era sua irmã mais velha (Victoire)".

"Qual o nome dessa mulher que você chamou de 'ela'?"

Al relutou por um momento. Falar o nome dela depois de tanto tempo lhe trazia na memória todas as coisas boas que viveram juntos. Aquilo doía forte no peito, pois era a coisa que nunca havia superado. Tinha sido a única mulher que havia amado, a mulher que ele sonhou durante anos a fio, a mulher que lhe tornou um homem.

Depois de anos se referindo a ela apenas como "ela", ou "garota do cabelo cor de beringela", era hora de quebrar o tabu. E por se submeter ao treinamento, deveria expor todas as suas dificuldades e anseios pro seu mestre.

"Val... Pode chamá-la de Val", disse Al, com os olhos cheios de lágrimas e saudades do seu grande amor, "Depois dessa caça às pessoas que trabalhavam com o meu irmão recebemos uma ordem da Velha. Ela disse que deveríamos viver uma vida comum e acabamos nos apaixonando, afinal éramos homem e mulher, e havíamos convivido durante um longo tempo juntos. Nos casamos, e em 25 de maio de 2006 ela morreu... Por minha culpa".

"Você a matou?"

"Não. Eu a enganei. Eu a decepcionei profundamente, e justo eu que era tudo o que ela tinha. Joguei os argumentos dela contra a parede e a interroguei sobre uma besteira, mas que abalou completamente nossa confiança. Ela tinha sérios problemas depressivos, e foi na nossa relação que ela voltou a sorrir, a se amar, e a se olhar no espelho. Foi no dia 25 de maio. Desde então todos esses dias são difíceis pra mim, pois tenho muitas saudades dela, e me arrependo profundamente de ter feito isso".

"Entendo. Mas você está muito acabado fisicamente. Estresse?"

"Não. A chefe da equipe médica, Victoire Blain, me acusou de ter assassinado Émilie. Ela é a irmã caçula dela, porém, isso tudo era mentira. Émilie se suicidou em 2012 com seu marido, um milionário que entrou em falência depois da queda do Lehman Brothers. Como chefe da equipe médica, ela tinha diversos meios de me matar sem produzir nenhuma prova contra ela, e por isso que há mais de dez anos atrás ela injetou em mim um vírus, produzido e pesquisado por ela mesma, que me fez contrair a Síndrome de Werner. Envelhecimento precoce, por isso estou cheio de cabelos brancos e dificuldades no corpo, estou envelhecendo de maneira muito mais acelerada".

"Estranho, mais de dez anos? Não era pra você já estar morto?".

"Pois é. Pior que não. Quando Victoire descobriu que eu não havia matado sua irmã ela desenvolveu um estranho afeto por mim. Temos um affair desde então, mas jamais conseguirei amá-la. Meu coração é da Val, mas ela está morta. Victoire deu a minha sentença de morte apenas. Ela está estudando um jeito de retardar o envelhecimento, mas a única coisa que ela fez de fato foi me fazer passar protetor solar pra evitar rugas".

"É... Pelo visto sua vida foi um bocado ativa depois que você abandonou o meu treinamento. Mas porque está aqui?"

"Ar, meu sobrinho, e o único filho de Émilie e Arch está solto por aí. É o meu Doppelgänger. E ele busca vingança, e quer me matar. Porém o moleque me conhece como ninguém, e uma luta contra ele é uma luta contra o meu passado. Eu sei que não completei o treinamento, e sei que a única pessoa no momento que pode me fazer pensar na frente de Ar é apenas o senhor, mestre. Por isso, vim aqui implorar para que conclua o treinamento comigo!".

O mestre olhou atentamente para Al. Era agora ou nunca.

"Muito bem então!", disse o mestre, "Vou concluir o treinamento com você, como a última coisa que farei pra esses calhordas da Inteligência. Seu coração é puro e sua motivação nobre. Temos poucos dias, então se prepare, discípulo tolo", disse o mestre, nutrindo a determinação de Al como nunca.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ensinando gratidão aos outros.

Esses dias tava lendo um artigo legal nas internet sobre como pessoas com gratidão vivem mais e melhor. Só vou ficar devendo o link porque realmente não salvei, hehe. Mas engraçado que isso já é algo ensinado no budismo, e fico feliz em ver como essas coisas são divulgadas para que as pessoas se auto-conheçam e achem um norte. =)

Nesse fim de semana estava conversando com uma amiga que está passando por diversos problemas na vida profissional. Tentei dar um conselho que todo mundo me dava antes: "Tenha gratidão, especialmente pelas coisas ruins". Mas ela não entendeu, e lembrei de como eu ficava muito p* da vida quando as pessoas me falavam isso e eu retrucava: "Falar é fácil, quero ver é viver minha vida", logo resolvi tentar sintetizar num bê-a-bá, ao invés de ficar apenas falando pra ela nutrir gratidão sem saber direito por onde que se começa.

Acho que quando estamos envolto de problemas é difícil ver as coisas legais e pequenas ao nosso redor. Muitas vezes eu como moleque via de dentro do carro crianças de rua e perguntava o que eu tinha de melhor que elas pra não estar naquela situação, por exemplo. Sendo bem sincero, as pessoas mais humildes são as que mais se mostravam ser felizes, pois quando você tem pouco, aquele pouco vira muito. E mesmo se você tiver muito, tenha muito apreço pelo pouco também.

Gratidão você pode exercitar em qualquer lugar. Eu gosto de exercitar nas coisas mais banais do dia-a-dia. Vamos dar um exemplo simples que funciona: digamos que você está andando na rua e pisa numa poça de água. Eu, por exemplo, detesto ficar com os sapatos molhados, mas e se a água estivesse limpa, só iria molhar um pouquinho, e depois com o sol iria secar. Mas e se fosse água suja? Eu agradeceria, pois seria um bom treinamento pra mostrar pras pessoas que esses acidentes acontecem, e que pediria desculpas às pessoas por ter sujado a calça (se fosse num trabalho, por exemplo). Sem contar que, mesmo que suje, existe a possibilidade de limpar numa pia, num banheiro por exemplo, e eu me sentiria grato por isso.

Viram? Normalmente uma pessoa que sujasse sua calça numa poça ficaria somente com muita raiva, xingaria o prefeito e tudo mais. Claro que isso é um exemplo simples e cotidiano, nutrir gratidão quando você é demitido do emprego, ou um parente próximo falece, ou quando é roubado é algo mais complexo, mas acho que se praticarmos o primeiro passo com essas coisas cotidianas, rapidinho sua mente não fica mais focada no seu ego, mas adquire uma espécie de paz mental, que elimina esses apegos (apego, no caso, aquele sentimento de raiva quando você pisa na poça e suja suas calças).

Acho que essa paz interior que te permite se distanciar dos problemas e ver eles como uma solução. Mas o caminho mais rápido e prático é com essa tal de gratidão. Então vamos praticar essa coisa, e vamos ser gratos por termos comida, por termos um teto, por termos o ar pra respirar e sempre um novo dia para fazer a diferença. Assim, seja você rico ou pobre, vai viver uma vida melhor ainda. ;)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Fushigi Yugi!

Esses dias estava limpando meus mangás, e me deparei com meus mangás antigos de Fushigi Yugi! Nossa, quanto tempo que não os lia, haha! Sim, é um mangá shoujo (voltado ao público feminino) mas junto com Shoujo Kakumei Utena, é um dos shoujos que mais tem meu respeito. Curto mesmo, sou fã de carteirinha!

Acho que foi um dos primeiros mangás a serem lançados no Brasil, isso lá nos anos 2000, quando Fushigi Yuugi rivalizava Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco. Eu tinha começado a coleção mas por dificuldades financeiras na época só fui completar anos depois. Eu lembro que a internet na época era um terreno muito mais inóspito que hoje em dia, pois a internet só tinha apenas pornografia e bate-papo. Hoje tem muita pornografia também, não mudou lá muita coisa...

Mas como a internet era uma putaria só (literalmente!) era difícil achar alguma informação que não fosse pênis sendo inseridos em vaginas. E na época, uma coisa que tinha me deixado apaixonado por Fushigi Yugi foi um AMV que tinha assistido (e olha que na época levava umas belas horas até conseguir assistir!):


E por muitos anos fiquei pensando inclusive que esse era o tema de abertura do anime (calma gente, não havia comunicação e Google como temos hoje. Só tinha o "Cadê?", mas era uma bosta!). Anos depois descobri a abertura, e fiquei mais abismado ainda pois a música era igualmente foda:


Não gosto do traço do anime, prefiro o do mangá. Especialmente a Miaka. Sei lá, tá zuada no anime, parece mulher formada, pernas grossas, mais esguia. A Miaka no mangá tem cara, corpo e jeito de bisonha, o que acho que tem muito mais a ver do que essa versão com olhos redondos do anime:


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