segunda-feira, 30 de junho de 2014

Como é duro viver assim.

Pois é, ela deu o ultimato.

Mas acima de tudo, acho que cresci como pessoa. A coisa que mais abalaria a minha fé foi colocada em prova. Declarei meus sentimentos pra pessoa que amei secretamente durante os últimos anos. E sua resposta foi "não".

Não sei descrever o que sinto depois de tanta luta ter sido uma luta em vão. Mas eu lutei. Por mais que eu tivesse medo, por mais que eu colocasse a prova tudo, eu encarei de frente. Não apenas os meus sentimentos, mas lutar por eles, que eram coisas que eu dificilmente faria.

Meses atrás quando encontrei a Natália, uma amiga da época do ginásio que eu tinha uma quedinha, me veio um pensamento na cabeça. Sobre como seria minha vida se eu tivesse namorado uma determinada pessoa. Me julgando como eu acho que agiria, e considerando o quão puro sempre foi o sentimento que direcionava para essas garotas, consigo ver centenas de possibilidades se eu ficasse com cada uma delas.

Não sinto falta, isso é apenas um pensamento. A vida é feita de escolhas. No fundo nós mesmos que somos responsáveis pelas falhas e êxitos. A acredito que as não-escolhas também. Podemos fazer escolhas que irão nos causar problemas, ou podemos negar fazer escolhas boas e escolher fazer o ruim. Enfim... Lei da causa e efeito. Isso que rege o universo.

Eu já disse tudo o que queria dizer a você. Não consigo por de maneira mais sincera o meu sentimento por você, e obviamente só eu sei o quanto de sinceridade que direcionei. Verdade que me respondeu de uma forma rude antes, mas chegou um momento que eu via que você nunca me daria ouvidos. Que continuaria fugindo. Continuaria negando com todas as forças. Que continuaria dizendo que não merece. Por mais que eu mostrasse isso na sua frente.

E eu insisti.

Mas chegou um momento que eu não buscava mais tanto ser aceito por você como seu namorado, e sim, que você pensasse naquilo que tinha escrito, e que mudasse sua maneira de ver a vida assim como eu, graças indiretamente a você, mudei minha visão sobre relacionamentos.

Eu havia me fechado. Todo sentimento que eu nutria eu tentava suprimi-lo de qualquer forma. E aprendi que esse não era o caminho. Que tenho um coração muito grande, e não devo nunca ter medo de me envolver com as pessoas. Por isso eu tento sempre ser essas coisas ao máximo. Amar as pessoas na mesma intensidade que quero ser amado. Me dar chances para me apaixonar e que outros me amem também, não apenas quem eu eleger como uma boa parceira, aceitar meus sentimentos, e acima de tudo enfrentar meus medos, mesmo que 90% das mulheres que já tentei alguma coisa tenha dado num fora.

E quanto a você? Sinceramente, oro muito pelos Budas para que eles te ajudem a ver isso tudo que tentei mostrar que você ainda fica negando que não tem. Sei que você vai se fechar pra mim de novo, você sempre se fechou com medo das pessoas verem suas fraquezas e usarem contra você. Todos nós somos assim. Eu também não sei se a pessoa do meu lado é um psicopata que vai usar tudo o que eu mostro contra mim. É um medo com embasamento.

Mas tudo o que eu disse foi sincero. Foi esperando uma atitude sua. Não precisa ser comigo, sei que você conhece meus defeitos e meus problemas como ninguém, e sei que escondeu os motivos, pois por mais que me mostrasse, mais eu teria argumentos pra rebater um a um.

O que você me deu não foi um não gosto de você. Foi um não quero ficar com você.

Estou mentindo e confundindo as coisas de novo? :)

E quem sou eu pra insistir? Não adianta, por mais que eu dê motivos, você nunca dará a abertura, porque você gosta de mim. O esquema mesmo é que você não quer ficar comigo, e nunca achou que poderia ser sincera o suficiente pra dizer.

Apenas me prometa que vai seguir na sua vida, e parar e ficar nutrindo sentimentos por ex-namorados ou por carinhas que você julgou que seriam bons partidos e te deram um fora - afinal, eu devo ser um péssimo partido mesmo.

Mas seja apenas... Feliz.

Sinto uma grande tristeza dentro de mim, é verdade. Todos esses anos, todo esse tempo todo nutrindo essa vergonha, todos esses anos sonhando, todos esses anos tentando de aceitar apesar do seu jeito. Vai ser muito mais difícil pra mim do que vai ser pra você. Você apenas deu o fora, é bem simples e até divertido. Quem não gosta de ver pessoas fazendo loucuras por nós? Alimenta e inflama nosso ego, nos faz nos sentir queridos e especiais. Quando cansar ou avançar, dá um fora, simples. Convivemos no mesmo local, e teremos que nos ver, mesmo eu nutrindo esse carinho por você. O que se passa pela minha cabeça? Só eu sei.

Mas a vida é assim.

Talvez demore dias pra você entender o que eu quis dizer. Talvez demore semanas, meses, ou até mesmo anos. Mas o amor por mim mesmo vem antes, não vou ficar me humilhando. A escolha é sua. E agora sou eu que tenho que conviver com essa escolha.

Eu sei o quanto eu cresci. E agradeço profundamente.

Doppelgänger - #27 - Traição.

“Parados aí vocês dois”, disse Rockefeller, “Qualquer movimento em falso e eu estouro os miolos da Vicky”.

Merda... Rockefeller, o que significa isso? Da onde diabos você saiu? Não pode ser... Será que ele é um agente duplo? Vamos Agatha, pense. 

Segurando Victoire pelo pescoço, e uma arma apontada pra cabeça, Rockefeller parecia firme e sereno. Agatha não sabia o que fazer. Na verdade Agatha nem sabia direito o que havia acontecido antes de Al junto de Nezha a libertarem da prisão nos Países Baixos. Ver Rockefeller daquele jeito, como um traidor, a deixava ainda com mais dúvidas: “Por que, Rockefeller?”.

Rockefeller permanecia em silêncio. Mas o que se passava na cabeça de Nezha?

Impossível. Não pode ser... O comandante Rockefeller, ele mesmo me ajudou a penetrar na prisão onde a Agatha estava. Mas... Pensando bem, ele depois daquela confusão toda sumiu, e acabei me juntando ao Al e os outros. Droga... Se fizeram mesmo uma lavagem cerebral em mim, porque diabos eu fui esquecer logo disso? Pelo que ouvi ele estava trabalhando com Al e a Victoire. E que havia rolado um acidente de carro que matou o Al.

Mas não pode ser, Rockefeller estava naquele carro!

Ou será que foi exatamente feito assim para que ele nunca fosse suspeitado?

Será que ele está do lado do Ar? Droga... De todas as pessoas no mundo, justo o Rockefeller era a última pessoa que eu imaginaria!

Uma voz vindo do corredor ao lado de Rockefeller ecoou. Era feminina.

“Certo. Estamos no aguardo da ajuda. Tragam muitas unidades, pois eles são de extrema periculosidade”, disse a mulher que apareceu, carregando um celular na mão e finalizando a ligação.

“Pronto, Rockefeller. Daqui a alguns minutos a polícia estará batendo aqui. Só tem que segurá-los aqui por mais um tempinho. Vamos acabar com essa festinha”, disse a mulher misteriosa.

Suas roupas eram de grife. Um vestido alaranjado, desses que peruas de idade usam. Seu corpo era meio cheinho. Sua cabeça estava enrolada com uma encharpe grafite, como se fosse um véu, e usava grandes óculos desses que estão na moda entre mulheres hoje em dia. Sua voz era grave, como de uma senhora que tivesse aproximadamente uns cinquenta, sessenta anos.

“Fran”, disse Rockefeller, “Temos que aproveitar e perguntar logo pra eles onde está o Al, e porque ele não está aqui com eles”.

“Oh, verdade!”, disse a senhora, “Vamos Agatha, será melhor se vocês revelarem aqui logo. Sabe que pra criminosos internacionais como vocês a polícia vai fazer um interrogatório especial. Por isso quero apenas o local. Pensei que o Al estaria com vocês, mas... Pelo visto eu errei”.

As duas ficaram em silêncio. Agatha ainda apontava a arma para Rockefeller, e no meio deles, sentado no sofá apenas apreciando o show, estava Löfgren. O sueco parecia tão entretido que faltava apenas uma pipoca pra ele, aquilo parecia um filme de ação acontecendo na frente dele.

“Suponho então que vocês não sejam da polícia”, disse Agatha, “E como não sabem onde o Al está, provavelmente nem mesmo da rede do Ar devem ser. O que vocês são então, mercenários? Ou será que o Ar contratou vocês para fazer todo o trabalho sujo?”.

“Calada, sua vaca!”, gritou Rockefeller, “Dentro de minutos você vai estar fodida, vão te dar choques nos seus peitos e enfiar um cabo de vassoura nessa sua buceta se você não falar logo. Vão te torturar igual um prisioneiro de guerra. Não é da sua conta o que estamos fazendo ou pra quem estamos trab...”, nessa hora, Victoire, percebendo que Rockefeller estava descontrolado, com sua mão direita levou a arma pra cima, pra fora da sua cabeça, e aproveitando que ele ainda estava firme no seu pescoço ela agachou, colocando seu joelho no chão, fazendo força de empuxo com seu abdômen.

Rockefeller perdeu o equilíbrio e ficou com seu corpo em cima de Victoire, ele não teve tempo hábil para mirar, e deu três disparos com sua Desert Eagle sem perceber onde os tiros estavam indo, mas passaram longe de Victoire, de Agatha e Nezha.

Antes mesmo que ele tivesse tempo hábil para mirar, Victoire com as suas duas pernas deu um salto com um mortal no ar, caindo em cima de Rockefeller, fazendo-o bater a cabeça fortemente numa quina de um pequeno degrau na sala de Löfgren.

Rockefeller perdeu os sentidos.

Muito bem Vic! Lembro que você era só inferior a mim no teste de aptidão física e artes marciais. Até homens maiores que ti você conseguia sem dificuldades neutralizá-los, não importasse a situação. Sem dúvida esse seu rostinho bonito esconde uma força física tremenda, pensou Agatha.

Victoire pegou a arma das mãos dele, enquanto a senhora ainda tentava entender o que acontecia. Enquanto Fran ia de encontro a Rockefeller, Agatha deu um salto golpeando-a de joelho na barriga, fazendo-a cair no chão e cuspindo um pouco de sangue. Agatha pegou uma faca e ameaçou a velha, colocando a lâmina no pescoço dela.

“Ora, sua...! O que diabos você quer?”, disse Agatha para Fran.

“Pft... Droga.”, disse Fran, cuspindo um pouco de sangue ainda depois do golpe, “Vocês são realmente bons. Mas sair da casa vocês não vão conseguir sair. A polícia acabou de chegar. E com as suas digitais na arma, com certeza vão acusar vocês de terem matado aquele ali”.

E Agatha virou o rosto. Olhou para Victoire e viu que ela estava segurando a Desert Eagle com as mãos nuas, e Rockefeller vestia luvas. Voltando o olhar pra direção da sala, Agatha fitou o sofá. E no sofá, estava Löfgren, baleado com dois tiros no peito, nos seus últimos suspiros.

“Ai, ai... That’s all, folks!”, disse Löfgren, “Eu sabia que esse emprego bom não ia durar muito, mas pelo menos eu curti bastante. Espero ter um pouco dessa sorte... Na próxima vida...”, disse Löfgren, que mal conseguia falar, antes de dar uma risadinha e cair.

“Agatha, não temos tempo para conversar com ela, temos que dar um jeito de sair daqui!”, gritou Nezha, que ainda estava chocado em ver alguém morrendo assim tão próximo dele.

E a polícia começava a colocar seus carros em volta da mansão. A Força Tática Real estava lá também. Definitivamente tudo estava contra os três naquele momento, e apenas um milagre poderia salvá-los.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Doppelgänger - #26 - O reencontro.

Mestre, por favor, sobreviva!

Al estava num imenso diálogo interno. Seu mestre estava com os batimentos muito fracos, e ele precisava achar alguma coisa que pudesse acelerar os batimentos e ressuscitar seu mestre o mais rápido possível. Não havia obviamente um desfibrilador. Buscando na prateleira de medicamentos, Al buscava qualquer um daqueles xaropes que tivesse algo para acelerar o coração, enquanto seu mestre continuava desacordado.

O desespero foi tanto que ele sequer percebeu que uma mulher havia entrado na casa.

A busca frenética resultou num medicamento herbal que seu mestre fazia, que vendia como farmacêutico natural. No rótulo incluía os efeitos colaterais: aumento da pressão e batimento cardíaco. Al pegou, abriu a boca do mestre, e despejou uma quantidade generosa daquele medicamento. O jeito era esperar.

"Al, meu querido, há quanto tempo não nos vemos", disse a voz feminina que havia adentrado na casa.

Ao ouvir o timbre da voz, via que aquela voz era inconfundível. Como um câmera lenta seu rosto foi virando, e Al foi a reconhecendo dos pés até a cabeça: as botas militares, a calça preta jeans bem justa, a camisa branca com um lenço vermelho amarrado no braço esquerdo e os cabelos.

Os cabelos tinham aquela cor de beringela inconfundíveis.

O que era aquilo? Al não sabia, e ficou atônico. Na sua frente via ninguém menos que a Val, sua falecida esposa, que havia morrido há seis anos atrás. Mas o que significava aquilo, parecia viva, parecia feita de carne e osso! O tempo parecia que tinha parado pra ela, e ela estava linda como sempre fora.

Mas como isso é possível... Val? Você está viva? Não... Não é possível! Isso só pode ser uma piada, ou uma sósia! Até o perfume é similar... Que tipo de pessoa pesquisaria tão a fundo? Droga... E o que diabos ela está fazendo no fim do mundo da Colômbia!

E ela está andando na minha direção... Merda. Ela morreu nos meus braços, não é possível que aquilo era uma piada, e se fosse, porque me enganar desse jeito? Pense Al, pense... Deve ter algo nisso tudo!

Al caiu e se encostou na parede, sentado no chão. O seu mestre, inerte, ao seu lado, ainda estava desacordado. Val ao vê-lo fez um sinal para que viesse pra fora da cabana, e Al não sabia o que fazer. O que era aquilo? Depois de algum tempo respirando, levantou-se, com o coração acelerado e transpirando de medo, como se tivesse visto um verdadeiro fantasma. Foi até a porta e seguiu na direção de onde estava Val. Levando consigo uma Beretta, a única arma que havia achado ali na modesta cabana do mestre.

"Parada aí!", gritou Al, apontando a arma, "Quem diabos é você?"

"Querido, não está me reconhecendo? Sou eu, a Val. Eu estou aqui, eu voltei!", disse Val, indo em direção de Al.

"Sem essa!", disse Al, se esquivando, "Você está morta! Isso só pode ser uma piada...! Onde você estava esse tempo todo?".

"Eu... Não posso falar. Mas eu só queria mesmo te ver. Te tocar. Sinto muita saudade de você, querido. Temos pouco tempo, e você deve agir rápido!"

"Merda! Sai daqui! Eu não vou cair nessa", disse Al, circulando em torno da Val, observando-a dos pés a cabeça. De fato, parecia muito ela. "Você está morta! Isso deve ser algum disfarce, ou algo assim".

"Querido, olhe nos meus olhos. Acha mesmo que eu não sou eu? Eu só gostaria de te abraçar...", disse Val, chegando próxima de Al, com os braços abertos, prestes para abraçá-lo, "...Confie em mim. Sou eu mesmo. E tenho um último recado pra você...".

Quando Al viu, estava envolto nos braços dela.

Aquela mesma sensação, o mesmo cheiro, o mesmo toque.

Seu coração palpitava de emoção de enfim ter encontrado ela. Esticou seus braços e a abraçou, sem largar a arma. Aquilo parecia um sonho, e seus olhos lacrimejavam como se enfim tivesse encontrado aquela pessoa que ele mais amou e mais lhe era especial.

Foi aí que Val sussurrou algo em seu ouvido.

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Apenas a cinco ou seis metros dali, escondida no matagal, uma mulher com o cabelo preto parecia estar num transe muito forte. Seus olhos estavam voltados para Al, enquanto lentamente ela tirava de um coldre um rifle de assalto, um M16, exército americano, capaz de destroçar qualquer pessoa que aparecesse.

Lentamente ela mirava em Al, tudo o que ela via era apenas ele. O dedo estava no gatilho, e uma rajada daquilo acabaria com tudo ali. Não havia testemunhas. Não havia polícia. Não haveria ninguém. E mesmo que descobrissem algo, Ar já havia garantido que conseguiria manipular de alguma forma a imprensa, deixando-os incógnitos.

Estava tão focada em Al que não percebeu na escuridão um pequeno detalhe. Que sua Beretta estava apontada diretamente pra ela. E antes que ela pudesse dar um tiro, dois tiros foram disparados na direção dela, acertando-a no braço, deixando cair o rifle, e dando um salto para trás.

"Como...?", disse a mulher na penumbra.

"O nome dela é Ravena", disse Val, "Ela é a médium dos Nobodies. Uma pessoa de grande força espiritual, mas que usa todo seu conhecimento e seus espíritos espiões para obter informações favorecidas sobre negócios e causar sonhos delirantes em grandes executivos".

"Certo. Quer dizer que sua aparição aqui é...?", disse Al, olhando para Val.

"Sim. Espíritos mandados por ela me chamaram aqui, do outro mundo, para que eu te enganasse. Ela sabia que eu era seu ponto fraco. Obrigada por confiar em mim, querido. Não acho que tenho muito tempo aqui antes de voltar, então precisamos acabar com essa mulher rapidamente e enquanto o poder dela de me fazer aparecer ainda me permita ficar aqui!", disse Val.

Al saltou para um arbusto ali perto pra se esconder.

Na cabana do mestre havia um poste com uma luz alaranjada um bocado forte, logo ele seria um alvo fácil para Ravena. Se sentia feliz em ver Val novamente, e mais feliz ainda em receber sua ajuda - mesmo que espiritualmente. Sinal de que tudo aquilo havia sido superado, e que ela dessa vez iria ajudá-lo contra essa ameaça que nem mesmo Al sabia por onde começar a combater. Uma médium?

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Momentos atrás, enquanto Ravena tinha Al sob sua mira, Val estava abraçada com Al, e sussurrou coisas que salvaram sua vida.

"Al... Confie em mim. Sou eu mesma, mas sou apenas um espírito", disse Val.

"Es-espírito?", disse Al.

"Sim. Ravena me invocou com seu poder espiritual aqui. Embora as ordens dela fosse pra que eu te atraísse pra cá, não posso deixar nunca que algo aconteça com a pessoa que eu mais amo".

"Ravena... Uma dos Nobodies me seguiu até aqui?", perguntou Al.

"Sim. Mas você precisa agir rápido enquanto ela está se concentrando pra atirar. Mire sua Beretta, e acerte a minha flor favorita próxima da árvore que tem sua flor favorita", disse Val.

Al começou a puxar da memória. De fato, esse casal gostava muito de flores. E as flores que Al gostava não tinham nada a ver com as preferidas pela Val - mesmo que ambos ganhassem na questão de simplicidade. Olhava atentamente e procurava, sabia que teria apenas um disparo. Viu o rosto de Val, olhos fechados, abraçando-o com a cabeça sobre seu ombro, parecia confiar plenamente naquele que havia sido seu esposo.

Viu então a flor e deu um disparo no espaço entre ambos. Havia acertado em cheio Ravena, que estava prestes a atirar.

Havia uma roseira branca no jardim do mestre (a flor preferida dela) junto de uma laranjeira, que estava começando a florir (a flor preferida dele).

terça-feira, 24 de junho de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão! #1 - Sushi!



Dá uma saudadezinha de passear no Japão! Como eu tenho uma cacetada de vídeos, quero postar por semana um capítulo da série "Aventuras de Sir Alain no Japão". Toda segunda-feira, pode ser? Só pra não jogar tudo de uma vez, hehe.

Espero que gostem! No primeiro dia que cheguei lá em 2012 fui comer num restaurante de sushi, daqueles clássicos com os trilhos e cada prato por um preço que deixaria qualquer sushiman do Brasil de queixo caído: apenas 100 ienes!

Comi igual um porco! xD

(aliás se come tão bem no Japão... Engraçado como todo mundo é magrinho magrinho!)

domingo, 22 de junho de 2014

Doppelgänger - #25 - INSURRECTION.

Birger Löfgren vivia numa tranquila mansão em Cockfosters, ao norte de Londres. Lar de muitos jogadores de futebol da liga inglesa e celebridades, o tranquilo bairro de Cockfosters guardava um dos maiores terroristas econômicos do mundo. Tinha uma vida tranquila, cheia de exuberância. Grandes carros, Porsches, Lamborghini e até um raro Koenigsegg. Carros potentes. Não tinha esposa fixa, e praticante cada noite estava com uma mulher nova. Na dúvida havia se esterilizado, mas isso não queria dizer que não dava caros mimos para cada nova buceta que se dormia com ele e aceitava tomar seu leitinho. As melhores bucetas da Grã Bretanha e Europa, aliás.

Estava de bermuda azul e camisa amarela. Ligando a sua tevê na sua sala e indo pra cozinha pegar algo para comer. Foi aí que uma voz feminina lhe chamou a atenção.

"Ora, ora, como vai senhor Löfgren?", disse a voz feminina, saindo da parede próxima da sua sala "Somos da Interpol. Gostaríamos de ter uma conversinha com o senhor".

Na hora Birger derrubou a faca de cozinha que estava na sua mão. Na mão da mulher loira, uma Walter P99 com silenciador. Antes que ele pudesse mesmo entender que era uma emboscada uma outra mulher com porte de francesa e um homem apareceram como que brotados do chão. Todos apontando armas para ele.

"Quem diabos é você?", disse Birger Löfgren.

"Meu nome é Agatha, e essas pessoas são meus companheiros de trabalho. Viemos ter uma conversinha com você, desculpe a falta de convite".

Birger Löfgren foi lentamente para a sua pia, onde embaixo havia um botão de alarme, que ele pressionou discretamente. Mas nada acontecera. Seu rosto mostrava um pavor indescritível.

"Dez seguranças, né? Eu coloquei todos pra dormir. Assim teremos tempo para nosso papinho", disse Agatha.

"Mas você... Você é uma mulher!".

"E...?", disse Agatha, ironicamente, "Quem disse que mulheres não conseguem dar uma bela surra num homem? Eu não tenho essas convenções, e não tenho medo de homem nenhum, independente do tamanho. Vamos, sente-se no seu sofá que a conversa será longa".

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Victoire estava numa posição privilegiada com a arma apontada para Birger Löfgren. Ela preferia snipers, sempre foi uma excelente atiradora de elite, e mesmo parecendo tão fraca fisicamente como Agatha, era tão mortal como ela, mesmo sendo muito atraente como mulher.

"Birger Löfgren... Quero que nos fale tudo sobre o Legatus. Que papo é esse de terrorismo econômico?".

"Ora, sua... Vejo que sabe mais do que imagino", disse Löfgren, "Mas eu sou apenas um agente deles pra se certificar que tudo está sendo feito dentro dos planos. Faço isso pra ter essa vida boa, afinal alguém deve fazer o trabalho sujo. Apenas sou pago pra isso, se você quer saber de quem idealiza isso, é alguém muito acima de mim".

"Por isso mesmo que precisamos da sua ajudinha. Não temos receio nenhum em deixar um furo na sua testa, Birger. Por acaso uma das pessoas seria esse aqui?", Agatha disse, mostrando uma foto de Ar que estava em seu dossiê.

"Sim. É o Ar. Mas raramente tenho contato com ele", disse Birger Löfgren.

"Raramente? Estamos na busca dele. Sabe qual são os planos dele? Ou por acaso ele é alguma espécie de comunista vermelho que quer afundar o mundo?", disse Agatha.

"Comunista? Ele não é tão burro. Acontece que o cerco começou a se fechar contra nós desde a queda do Lehmann's. Mas foi basicamente esse grupo que fez. Empresas hoje em dia são o novo governo, ditam a economia, o consumo, não existe mais governo. E como sabemos, empresas não têm nenhum escrúpulo quando o objetivo é conseguir mais dinheiro. Tudo o que eu faço é dar um empurrãozinho neles, com a ajuda dos Nobodies".

"Nobodies?", disse Nezha, que reconhecia esse nome de algum lugar.

"Sim", disse Birger Löfgren, "Pessoas subestimam os poderes de psíquicos. Milhões, talvez bilhões de pessoas são alvo de lavagem cerebral. Temos três grandes manipuladores mentais: Schwartzmann, o judeu químico, capaz de intoxicar uma pessoa com muitas das suas receitas pessoais, Sara, uma psíquica mortal, capaz de controlar as pessoas e ler suas mentes, e Ravena, uma médium poderosa que usa espíritos para saber detalhes e pontos fracos dos seus alvos".

Nezha novamente foi confrontado com a realidade. Químicos? Isso até era aceitável. Mas uma psíquica e uma médium? O que diabos era isso? Isso existe na vida real ou é algo fantasioso? Uma pessoa que pode levitar objetos ou conversar com fantasmas é algo que só existia nos livros e filmes, aquilo não poderia ser real. Aquilo não era fantasia! Por mais que ele procurasse algo lógico nas duas, pensando que estavam tão abismadas quanto ele, elas apenas olhavam com calma para Löfgren. Parecia que aceitavam toda essa estória biruta!

"Esses são os que você conhece. Mas não sabe dizer se existem mais pessoas?", disse Agatha.

"Não, não sei. Embora que eu consiga fazer muita coisa também. Dê um pouco de dinheiro para uma pessoa minimamente egoísta e você verá o mais podre no ser humano. No fundo magnatas são como criminosos: não sobrevivem muito tempo. O que fazemos é usar esses executivos e sua ganância para causar uma avalanche sincronizada e devastante na economia. Conseguimos afundar países inteiros, desde os Estados Unidos, até a Espanha, e nossos alvos estão apenas aumentando. E como as pessoas sentem muito medo de fazer algo contra esses bancos ou empresas, nossos atos são invisíveis. Ouvimos falar de terroristas do leste europeu, da América Latina ou até do Oriente Médio. Mas ninguém imagina que terroristas econômicos existam, pois pessoas como nós somos a brecha invisível do sistema".

"Total liberdade para atuar. Derrubar economias, países inteiros usando bancos. Tudo isso pra quê? Poder?", disse Agatha.

"Isso eu não sei. E francamente não quero saber, o cara me pagando bem, estou pouco me lixando pra mãe espanhola que não vai ter leite pra dar pros seus filhos ou pro funcionário demitido do Lehmann's. O sistema econômico quando você conhece dá pra ver que ele é muito fácil de se burlar. Cria-se dinheiro a partir do nada, juros em cima de juros para dar mais lucro, e no final das contas o um dólar de ontem não vale o mesmo no amanhã, mesmo as pessoas ganhando a mesma coisa. Afundar países em inflação até um ponto que os próprios bancos - gerenciados por esses mesmos tolos que influenciam - quebram, derrubando todo um país. O esquema é aplicar a força correta no ponto correto e ver as coisas até onde vão. Influência eu tenho, pois me foi nada pelo Ar. E mesmo que ele me perca, amanhã já terá um cara pra ganhar o mesmo que ando tirando. Quem negaria um emprego desse nos tempos de hoje?".

Victoire não tinha o que falar. Terroristas econômicos, pessoas que são capazes de destruir economias de países inteiros manipulando seus bancos e empresas. E com isso, causar mais ainda terror no mundo. Quanto mais ela pensava mais aquilo tudo fazia sentido: Guerras, armamento, economia de guerra. O mundo inteiro estava até o pescoço mergulhado nisso, e não conseguia ver isso. Apenas sabiam acordar nas suas vidas medíocres, em seus empregos medíocres, sendo manipulados pela vontade de um grupo de empresas que eram influenciados por uma única pessoa acima de tudo. Ar.

"Mas não entendo... O que diabos o Ar quer com isso tudo? Porque causar tanto terrorismo?", disse Nezha.

"Isso eu não sei, como eu disse. Teriam que perguntar pra ele. Raramente converso com ele, e quando o encontro diretamente, sempre é no mesmo lugar", disse Löfgren.

"E quando vai ser o próximo encontro?", perguntou Agatha.

"Hoje. Às 16h, em Canary Wharf", disse Löfgren.

"Canary Wharf? Mas aonde? Existem dezenas de edifícios lá!", disse Agatha.

"No subsolo restrito número treze do One Canada Square. Mas fiquem tranquilos que é impossível chegar lá. Aquele lugar é um verdadeiro cofre. A segurança é extremamente rígida, ninguém entra lá sem ser convidado. E mesmo que você tente fazer algo, são os melhores soldados da SAS que guardam o local. O Ar estava sumido um tempo, tinha ouvido um boato que ele tinha sido preso, mas pelo visto o tamanho poder político dele foi o bastante para tirá-lo de lá. Logo, posso afirmar que vocês não têm o apoio nem da polícia, menos ainda das empresas e nem em sonhos do governo. Tudo está arquitetado para o maior plano de colapso econômico que o mundo viu", disse Birger Löfgren.

"Um plano?", disse Victoire, abismada.

"Sim. Chamamos de Arthur Blaine Insurrection. Mas podem chamar do que quiser. Ninguém pode parar o cara. Agora podem me deixar ver a TV?", disse Birger Löfgren.

Porém ninguém percebeu que uma quinta pessoa já estava naquele local. Birger Löfgren tinha usado sua grande lábia pra fazer isso, e os distraiu tranquilamente enquanto um homem calçando tênis se aproximava com uma faca de guerra atrás de Victoire. 

E com um único impulso de súbito colocou seu braço no pescoço de Victoire, aplicando nela uma chave, imobilizando-a e usando de refém, enquanto apontava uma Desert Eagle para Agatha e Nezha. Seu rosto foi reconhecido na hora.

"Porra, Rockefeller!", gritou Agatha ao reconhecê-lo, "Mas que merda é essa? Onde diabos você estava? O que significa isso?"

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Doppelgänger - A história dentro da história (4)

Julho de 1999

Victoire entrou na equipe médica enquanto Al buscava pela Dawn of Souls, entre 1998 e 2000. Al se lembrava dela no começo como uma garota tímida, e muitas vezes em países diferentes eles jantavam juntos. Naquela época não havia nada entre ele e a garota de cabelo cor de beringela, eles eram apenas co-workers.

Estavam em um restaurante barato em Bruxelas. Restavam poucas batatas no prato na frente deles, e Al foi colocar aquele resto no seu prato.

"Sinto muito pela sua irmã", disse Al, "Como ela era?".

Victoire olhou para Al surpresa. Aquilo realmente não era esperado. Ela levou a taça de vinho branco à boca, e tomou um gole demorado. Al estava mastigando calmamente a batata, esperando a resposta de Victoire. Porém, ela não sabia o que dizer.

Acontece que Victoire havia entrado na equipe médica da Interpol apenas para tornar real sua maior vingança: matar aquele que ela achava que havia matado sua irmã e única família, Émilie. Al era seu alvo. Para tanto ela havia desenvolvido uma espécie de retrovírus capaz de enganar o sistema do corpo, criando uma quantidade excessiva de sirtuin, aumentando muito a quantidade de radicais livres no sangue, causando células envelhecerem mais rapidamente até o ponto de cometerem apoptose - suicídio das células.

E já havia sido há muito injetado em Al.

Logo, ela não poderia naquele momento dizer quem era a sua irmã. Isso sem dúvida deixaria Al desconcertado, e tudo naquele momento que ela queria era apenas sua confiança. Por isso mesmo, ela mentiu:

"Minha irmã era veterinária. Uma mulher loira e alta, tinha uma pureza enorme pelos animais, e cuidava deles como se eles fossem seus próprios filhos. Por isso eu entrei no ramo biológico. Tudo o que queria era cuidar dos animais como ela", disse Victoire, mentindo.

Não. Eu entrei no ramo biológico apenas para acabar com você, seu idiota.

Logo depois da janta os dois pegaram um táxi de volta para seu hotel. Havia ainda muito trabalho, e Dietrich parecia cada vez mais longe. Mas algo estava cativando Victoire sem ela perceber toda vez que ela olhava para Al e via seus atos puros. Em alguns momentos ela mesma chegava a se perguntar como uma pessoa como ele teria matado sua irmã, pois ele parecia uma pessoa bondosa - um bocado introspectivo, fechado, mas incrivelmente bondoso.

Sem ela perceber, ela estava nutrindo um amor pelo Al que ela via, e alimentando um ódio pelo Al que ela achava que existia. Tinha ouvido falar que ele era uma pessoa muito fria e ignorante, mas tudo o que via era um garoto sozinho no mundo. Sem amigos. Sem família. Sem ninguém. Queria no fundo era dar um abraço forte nele. E o momento para isso estava chegando.

Al e Victoire estavam no saguão do hotel. Ambos foram em direção do elevador e apertaram o botão para chamá-lo. Quando o elevador chegou ambos entraram e apertaram os botões dos seus andares. A primeira a desembarcar seria Victoire. Quando a porta se abriu Al, sério, lhe disse:

"Boa noite, Victoire".

"B-b-boa noite, Al", disse Victoire, gaguejando.

Ela mal havia saído quando voltou em um passo longo para o elevador e abraçou Al com muita ternura, lascando-lhe um beijo na boca. Al não sabia o que fazer, era algo totalmente inesperado e retribuiu. Quando ele viu, estava entrando no quarto de Victoire, e o quarto de Al passou a noite da mesma maneira que ele havia deixado.

Al e Victoire transaram naquela noite. Depois que Al atingiu o êxtase, saiu de cima de Victoire. E enquanto retirava o preservativo, viu Victoire em lágrimas, porém sorrindo.

"Você está bem?", disse Al.

"Sim", disse Victoire, "Estou bem sim, não se preocupe".

Seu coração naquele momento estava confuso. Amava o homem que conhecia, e detestava o homem que achava que era. Victoire durante anos estudou com afinco o ramo biológico, e desde o desaparecimento de Émilie depois da morte de Arch, ela nunca havia tido tempo para ser uma mulher. E naquela noite parece que havia enfim experimentado como era ser mulher e irradiava uma felicidade inegável. Mas porque justo com ele? Porque nutrir um sentimento por uma pessoa que achava que era a própria encarnação no mal? E se um dia ele descobrir sobre o vírus que havia sido inserido nele, tudo parte de uma vingança sobre algo que ela na frente descobriu que era uma mentira?

E justo nessa noite, Victoire havia perdido também sua virgindade. Porém seu hímen havia se rompido sem derrubar uma única gota de sangue. O que isso significava?

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Novembro de 2012

"Hey, Vic", disse Agatha, enquanto elas estavam pegando um avião de volta a Londres.

Victoire não havia ouvido. Estava distraída olhando seu celular. Nele ela via fotos de Al. Fotos pessoais, que ela havia colecionado depois de fuçar alguns arquivos pessoais dele. Agatha se levantou e puxou o celular da mão dela, retirando-a daquele quase transe.

"O que diabos...? Francamente, Victoire! Você praticamente decreta a morte do cara, arquiteta uma vingança pessoal e depois se A-PA-I-XO-NA por ele. Alguém te leve para o México, porque isso tá parecendo novelinha brega dos anos noventa!", disse Agatha.

"Me devolva, Agatha!", disse Victoire, levantando.

A aeromoça veio na direção delas, vendo o início da confusão.

"Senhoritas, por favor, sentem-se e apertem os cintos! Vamos pousar logo, os celulares devem ser desligados!", disse a aeromoça.

As duas se sentaram, uma do lado da outra. E apertaram os cintos.

"Você é uma biscate, Agatha", disse Victoire.

"Eu sou o quê? Biscate? Ai, ai...", disse Agatha, tomando um ar, "Quem vê essa pseudo-relação de vocês de longe acha que o canalha aqui é o Al, por ficar te comendo direto e não querer compromisso com você. Victoire, a única responsável pela sua felicidade é você mesma".

"O que você disse?", disse Victoire.

"Vocês mulheres mais românticas adoram me chamar de biscate porque eu durmo com dois, três caras ao mesmo tempo. Mas eu sou isso, sou uma mulher livre, feliz e desimpedida, e faço nada de ilegal. Pelo contrário, depois dessa missão vou voltar pra cadeia, vou aproveitar porque na prisão não tem nenhum pinto pra me divertir. Já você dá o seu rabo pro Al porque você quer. Você é iludida porque você quer. Vive nesse mundo de sonhos achando que um dia ele vai te amar, mas ele não vai. Isso é cômodo pra você e ele só está fazendo o papel dele de homem. Tudo isso é culpa sua, e ele tem nada a ver", disse Agatha.

"Agatha, chega disso!", disse Victoire, começando a elevar sua voz.

"Vocês mulheres deviam saber que vocês são as responsáveis pelas suas vidas amorosas. Eu namoraria e casaria se quisesse. Só dar mole aí e esperar morderem a isca, homens são todos iguais. O que não suporto é ver mulheres de baixa auto-estima como você que ficam vivendo nesse mundinho de Carrie Bradshaw achando que vai ter um final feliz com Al. Acorda, garota! Quem faz o seu final é você mesma. Não tô falando pra dormir com um cara por noite, mas investir num cara que nunca vai te ver como companheira e depois achar que ele é canalha porque tá te comendo? Você está aí porque você quer, isso tudo é escolha sua. Porque simplesmente você deve é gostar de sofrer, e não tem um mínimo de amor próprio, isso sim".

"CALA A BOCA, AGATHA!!!", disse Victoire a todos os pulmões.

O piloto havia anunciado que o avião iria pousar. Ao serem liberados, Victoire se apressou a sair na frente, sem nem olhar pra trás.

Ao chegar na sala de desembarque ela não aguentou e se trancou no banheiro, onde chorou como nunca havia chorado em sua vida.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Doppelgänger - #24 - Treinamento.

O treinamento com o mestre foi duro. Era uma preparação psicológica. Ter emoções, mesmo trabalhando na inteligência, era ter o que os outros investigadores racionais não tinham. Isso seria uma forma de ter sempre um passo a frente, uma empatia e uma capacidade de intuição sem fim, mas para isso deveria ser treinado para ser controlado, e liberado no momento certo. Basicamente Al teve que enfrentar seus medos, e aqui temos trechos de todos esses fantasmas da mente que tiveram que ser encarados.

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"Você continua com essa mania. Não mudou nada", disse o mestre.

"O que você quer dizer?", perguntou Al.

"Essa sua mania idiota, discípulo tolo. Sempre dando risada. Eu já te disse o que significava, há anos atrás".

"Sim... Eu me lembro, mestre".

"Você sorri porque você lacrou todos os seus sentimentos no fundo da sua alma. Não estranharia isso, já que você teve criação que caso você não desse risada enquanto te batiam, a dor seria bem pior. Mas inconscientemente você lacrou a tristeza, a raiva e até mesmo a verdadeira felicidade no fundo do seu coração, veste uma máscara da felicidade para não causar preocupação às pessoas".

Al ficou mudo nesse momento.

"Você não conhece outros sentimentos que não seja sorrir, discípulo tolo. E agora, adulto, vai ser mais difícil ainda te ensinar isso. Mas você deve deixar fluir seus sentimentos, se você os deixar lacrados sempre, quando eles vierem a tona, como você vai reconhecê-los corretamente?".

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"Vamos. Faça logo sexo com ela", ordenou o mestre.

"O quê? Aqui?".

"Vamos logo, ela é apenas uma prostituta. Não estou mandando você fazer isso porque eu quero ver sua performance, mas sim pra ver se você enfim supera esse medo besta".

"Mestre... O que uma coisa tem a ver com a outra?".

"Por conta do trauma dos seus pais, e por nunca ter tido uma família, isso afetou sua área de desejo. Em outras palavras, você não é completamente um homem, embora até mantenha relações sexuais com mulheres de sua estrita confiança. Por nunca ter tido uma família, você tem medo de constituir uma, porém ao invés de isso ter te tornado um canalha com as mulheres, te fez se tornar um frouxo. Quero que transe com ela, e tenha um orgasmo com uma desconhecida".

Al começou a tirar sua roupa. Sem dúvida ele estava muito tímido.

"Você criou total aversão a figura masculina, dominadora, bruta e viril. Quero que você desperte seus instintos masculinos mais primitivos e coma-a sem dó. Esse seu lado você desenvolveu em nada, você tem relações com mulheres como se sua psique fosse feminina. E isso não tem nada a ver com homossexualismo, óbvio. Você é hétero e sente total atração por mulheres, mas você não consegue vê-las como objeto sexual. Isso é algo necessário para que você saiba dosar suas emoções, por isso o sexo deve ser feito aqui, e repetido com várias mulheres para que você desenvolva esse lado. Você não deve ter medo de fazer sexo pra não engravidar nenhuma. É um tratamento de choque, mas não tenho tempo pra dar uma de terapeuta aqui. Dado a criação espartana que você teve, não me espantaria essa sua dificuldade".

"Libertar minha fera interior? Meu eu primitivo e sexual? Vejamos...".

Al foi então pra cima da garota. Colocou uma camisinha e fez sexo como nunca antes tinha feito.

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Al estava colocando a sua roupa, e a garota estava sendo paga com um extra. Estava ofegante, e nem mesmo ele estava acreditando que enfim conseguira manter uma relação fora das mulheres que estavam no seu restrito círculo de confiança.

"Você tem um medo terrível da paternidade, né? Nenhum pesadelo seria pior que isso. Nem doenças, nem morte, nem nada. Isso é prazer. Isso é fora daquela relação papai-e-mamãe que você deve manter com aquela francesa. Você pegou esse trauma de viver, logo até mesmo sexo você evita com medo de gerar vida em outra pessoa. Pelo menos você tirou esse sorriso bobo do seu rosto".

Al ainda estava arfando. Seu corpo suava muito, e ele estava chegando perto do seu esgotamento. Uma viagem que ele mal teve tempo para descansar, e o treinamento havia adentrado a madrugada. Mais uma sessão de sexo inusitado, um orgasmo que ele nunca havia experimentado, e havia dado mais segurança pra ele manter relações com outras mulheres.

Mas ainda havia um último treinamento.

O mestre apontou uma Colt Single Action Army para sua testa.

"Te dou apenas duas opções agora, Al. Ou você atira em você, ou eu que atiro".

Sua espinha estava gelada. Aquele cansaço havia dado lugar a uma imensa adrenalina. Na sua mão o mestre pousava uma TT-30, pistola soviética semi automática, sem pente, apenas uma bala engatilhada.

"Vamos Al. Você é realmente uma pessoa com um espírito destroçado. Revolta, ira, injustiça. Você tem todos os sentimentos necessários na sua alma para te tornar uma pessoa sem esperanças. Você não tem ninguém na sua vida. Não tem esposa, não tem filhos, não tem uma família".

O suor havia parado. Al via o mestre se distanciando dele, caminhando na sua frente, mas ainda apontando a arma para ele, enquanto ele estava no chão, de joelhos, fitando a TT-30 que seria a arma que ele teria que explodir seus miolos e acabar com a sua vida.

"Em que você acredita, Al? Você tinha uma esposa, e ela morreu. Tinha um irmão mais velho, seu maior exemplo, que morreu. Hoje você é uma pessoa isolada, que não consegue ter laços fortes com ninguém, pois tem medo de entrarem na sua vida".

"Merda... O que você quer, mestre?"

"Pra que eu te deixaria viver? Está agora encarando o maior desafio da vida, enfrentando nada menos que seu sobrinho maldito, aquele você salvou a vida e criou como um irmão mais novo. O filho com o mesmo sangue da Émilie, a mulher que sempre quis a sua morte!".

Al batia no chão a cabeça. Seu espírito estava sendo destroçado.

"Você é um grande derrotado, Al. Pra que continuar a sua vida? Pegue esse arma e tenha um mínimo de honra. Puxe o gatilho!! PUXE O GATILHO E ACABE COM A SUA VIDA!!"

"Não, mestre!! Eu não posso fazer isso!".

Al dizia uma coisa, mas a arma nesse momento já estava no pé do seu ouvido. Por mais que ele dissesse que não queria morrer, naquele momento era tudo o que seu corpo também parecia querer. Aquilo que o mestre fazia lógica, ele era um lixo de pessoa. Não havia conquistado nada. Não era ninguém.

Era apenas exteriormente aquilo, por dentro todas as duras palavras do mestre somente o fazia constatar aquilo que ele já sabia. Que ele não era ninguém. Que ninguém choraria por ele. Que ninguém faria nada por ele. Que ninguém correria por ele.

"Isso mesmo. Puxe esse gatilho e estoure seu crânio. Esse é você. Você vive sorrindo pras pessoas, divertindo-as, quando no fundo você é a pessoa mais melancólica e triste do mundo. Você não gosta de depender dos outros, acha que problemas seus devem ser resolvidos apenas por você e pronto. As responsabilidades, você as obedece, até o ponto em que elas te sufocam. Nesse momento você volta a ser aquela criancinha mimada que chora no colo do irmão mais velho. Seu irmão mais velho, o ideal que você sempre buscou e que sabe que nunca vai chegar a ser nem mesmo dez porcento dele. É a pessoa que tem medo dos seus próprios sentimentos, que se censura, que não sabe manter uma relação sexual comum com uma mulher com um medo doentil de engravidá-la e de ser pai! Você sente que você já é desgraçado o suficiente por viver, que a vida é um mar de amarguras e desilusões, então porque não tira sua vida agora nesse momento, Al? Vamos, puxe essa merda desse gatilho!!".

Nesse momento Al, olhando a lua, pensou em várias coisas.

A arma estava na altura do seu ouvido, pronta pra estourar seu crânio.

As palavras do mestre foram ficando mais e mais distantes.

Ecoando dentro dos seus poros. Naquele momento Al estava de frente com todos seus fantasmas.

Tudo aquilo que havia acontecido da sua vida estava aparecendo de novo. Cena por cena.

E ele então apenas disse uma coisa:

"Já chega. Estou cansado".

Tudo passou como um filme na cabeça dele.

Nous ne donnons pas l'aumône pour les enfants!
- Émilie, ao ver Al pela primeira vez, quando se mudou para a casa de seu irmão Arch.

Eu não dou a mínima para as asneiras que vocês falam sobre mim. Mas eu não perdôo essa perna que acabou de chutar meu irmãozinho. Vamos, seu idiota! Bote sua perna aí para que eu possa torcê-la!
- Arch, segurando Al pelos braços, na vez que ele sem querer entrou numa reunião dos Blain.

Al...! Saia daqui, garoto! Isso não é lugar para uma criança ficar!
- Arch, na prisão, próximo do dia da sua execução enquanto estava sendo torturado, com seu olho arrancado.

Você... Foi culpa SUA! Foi você que matou o meu irmão!! Eu te odeio!! EU TE ODEIO, SUA PUTA!!
- Al, a todos os pulmões, no dia do funeral de Arch, quando Émilie apareceu na porta.

Enquanto alguém lutar pelo bem, essa pessoa jamais será abandonada. Tenha certeza disso, pequeno Al.
- Senhora Elisabeth, enquanto Al ainda era uma criança.

Você... Você ainda tem sua juventude! Não jogue-a no lixo! Você provavelmente irá passar anos atrás dela e nunca conseguirá nada!
- As últimas palavras do senhor Schultz para Al, antes de falecer. A mulher que ele fala é Émilie.

Não, ela está muito perto. A senhorita Yamamoto não está na Virgínia. Está na Bélgica. A Noriko está atrás da cabeça da Émilie.
- Lucca, enquanto Al buscava pistas sobre as pessoas que haviam trabalhado com seu irmão.

A verdade é que cada vez mais estou a cara dele... Pra não ficarem me enchendo o saco eu tingi o cabelo de vermelho.
- Disse Al, quando se encontrou com Noriko Yamamoto pela primeira vez.

Seu irmão mais velho era uma pessoa tão bondosa que acho que ele conseguiria salvar o coração até mesmo do pior ser humano.
- Noriko Yamamoto, sobre Arch.

Não! Não é possível!! Eu me recuso! Ela é totalmente diferente de mim, e porque diabos eu tenho que dividir glória com uma mulher tão fria e calculista como ela?!
- Al, quando foi obrigado a trabalhar com Val, na caça aos renegados que haviam trabalhado ao lado do seu irmão Arch.

Prazer, Al. É uma honra trabalhar com você. Estou assumindo a parte médica da nossa organização. Posso pedir alguns exames e algumas vacinas pra fazermos um check-up?
- Victoire, ao se apresentar para Al. Dentro de umas dessas vacinas estava o vírus, que causa o envelhecimento precoce das suas células.

Procure a verdade, Al. Vá até o fim.
- Agatha, antes de ser presa por Al.

Você entendeu agora, Mikael, meu caro? Eu sou a justiça.
- Dietrich, enquanto fazia a lavagem cerebral em Mikael, que mais tarde se tornaria Yuri.

Eu só tive uma irmã mais velha que cuidou de mim quando eu era criança, me levava na escola, preparava minha comida e cuidou de mim como uma mãe.
E onde ela está agora?
Ela morreu.
- Conversa entre Victoire e Al, onde Victoire cita sobre Émilie, sua meio-irmã mais velha, e única família.

Porém, uma vez que eu estiver dentro daquele prédio eu serei um alvo fácil. Inclusive pra voc...
- Rockefeller, prevendo uma ação que poderia resultar em sua morte quando Al a tinha em suas mãos.

Não, não é algo tão comum como vingança. Quero apenas falar com você, e somente assim minha alma pode descansar em paz.
- disse o homem misterioso, que mantinha Ar em cárcere privado.

EI! PODE PARAR COM ISSO! Esse cara matou o meu irmão! Não vem querendo matar ele no meu lugar não!!
- Al, quando descobriu que Yuri havia sido um dos algozes do seu irmão Arch.

Viva, Al. É tudo que posso dizer pra você.
- Victoire, pouco depois de anunciar que havia implantando o vírus em Al.

Era praticamente impossível alguém sobreviver naquelas condições, porém, na verdade, seu atual estado é desaparecido.
- Yuri, hospitalizado, falando sobre o paradeiro de Arch, e que havia a possibilidade de que ele estivesse vivo, porém desaparecido.

Você foi um idiota, você quebrou meu coração! Eu também te achava uma pessoa especial, eu que sempre me preocupei com você, eu que mesmo na época em que sentia nada por você continuei do seu lado e agora você faz desmoronar todo o castelo que construímos juntos com aquela conversa que tivemos?
- Disse Val, a garota do cabelo cor de beringela, logo depois da nossa última briga que resultou em seu suicídio.

Meu irmão tem um par de asas. São as asas mais lindas que já vi na vida! Ele pode voar, ele é livre, e sua pureza de espírito é imbatível. Eu gostaria de ter, mas não tenho asas como ele... Mas eu tenho duas pernas que se fincam no chão. E todas as vezes que eu cair, elas me farão levantar uma, duas, três ou quantas vezes fossem necessárias! E é nas minhas pernas que estão minha força, e elas que me ajudarão a me erguer e a seguir em frente sempre!
- Al, no último encontro com Noriko Yamamoto, na frente do túmulo do seu irmão Arch.

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Nesse momento a arma caiu da mão de Al. Nenhum tiro havia sido disparado. O barulho da pistola no chão foi amaciado pela grama no quintal do mestre. Olhava pra cima, de joelhos, a lua brilhante no céu. Via as nuvens brilhando ao seu redor e viu o quão a vida era bela.

Via que todas aquelas coisas que havia passado haviam o tornado o que ele era naquele momento. Ele não era seu irmão mais velho, e jamais seria. Mas deveria ser diferente, criar seu estilo, seus valores, e lutar pelo que acreditava.

Naquela hora os olhos de Al lacrimejavam. Ele havia tido enfim a chance de tirar sua própria vida, aquilo que ele mais queria, na distância de um dedo, mas não havia escolhido isso, que era sua própria morte, o suicídio que ele tanto desejou. 

Se ele fosse morrer, não seria tirando sua própria vida. A vida era um dom a ser agradecido, e só o fato de ter nascido naquela época, ser ainda tão jovem para viver, era algo que lhe dava esperanças de um amanhã melhor. E mesmo que o amanhã fosse pior, ele usaria tudo isso como mais um impulso para que ele fosse mais longe. Pois tudo o que era ruim o havia feito crescer. No fundo, tudo o que era de ruim eram oportunidades disfarçadas que ele nunca reparara.

Poderia vir quem fosse. Francesca Vittorio, Dietrich, Ar... Tudo ele daria o máximo para superar, logo a sua escolha não era morrer.

Baixou sua cabeça e viu seu mestre, com a Colt Single Action Army apontada pra ele. Sem dúvida um tiro daqueles o mataria na hora. Seu mestre estava em pé, apontando a arma a uma distância de mais ou menos cinco metros. Al estava de joelhos no chão, seus olhos embaçados por conta das lágrimas, mas conseguia ver ainda claramente seu mestre e o reflexo metálico da arma.

"Então essa é sua escolha. Você pelo visto não vai se matar, é isso?", perguntou o mestre.

"Não, mestre", disse Al, se erguendo lentamente, "Não posso desistir agora. As pessoas que estão me esperando torcem por mim. Eu sou a única esperança delas, não posso desistir agora!".

As palavras de Al ecoavam por todo o bosque. O mestre então soltou um: "Pft...". E puxou o gatilho contra Al.

Nesse momento Al avançou em direção ao mestre e um disparo foi feito, que acertou Al, causando uma imensa dor. Porém, Al conseguiu se aproximar do mestre a ponto de puxar sua arma e jogar no chão. Um abraço foi dado pelos dois, como um pai e filho, mestre e discípulo. A trilha do sangue era grande.

Porém, foi um tiro de raspão, que deixou uma cicatriz na sua cintura, do lado direito de Al.

"É isso. É essa vontade de viver, discípulo tolo. Nada é mais forte que isso. Você deve ter a esperança de sempre se erguer e tentar de novo. De sempre se reinventar, e nunca desistir. Nunca desistir, e manter a esperança. O psicológico influi muito nas pessoas da Inteligência nessa hora, por isso que enquanto todos desistirem, você continuará em frente, não importando quanto tempo, esforço e tudo o que acontecer. Seu treinamento... Está... Completo...", disse o mestre, caindo em cima de Al, com a mão no peito.

O mestre havia aplicado uma dose grande de estresse em Al, e para causar mais impacto usou muita da sua energia, que o deixou exausto depois de tantos gritos e energia gastos para apavorar seu aprendiz. 

Dar duas opções, tirar sua vida ou ter sua vida tirada por alguém.

Ao negar tirar sua vida, Al havia adquirido uma força suficiente pra viver, e assim peitar o seu mestre de frente, tirando dele o instrumento que tiraria a sua própria vida. A vontade de viver superou tudo no final das contas.

A conclusão do treinamento era dar a Al a única chave que nenhum investigador do mundo tinha: a persistência da esperança, reservada apenas aos investigadores emotivos. A partir daquele momento seu treinamento estava concluído, ele havia se tornado uma lenda viva, como seu irmão mais velho havia sido.

Só restava encarar Ar. E colocar tudo o que aprendera em prática.

"Mestre... Mestre... Mestre!", disse Al, enquanto balançava o mestre, que estava desacordado, "Está me ouvindo mestre, por favor! Não morra, mestre!!! Não morra mestre!!!", gritava Al, desesperado, vendo seu mestre morrer na sua frente.

Porém, o mestre estava debilitado. Seu coração estava dando claros sinais de início de ataque cardíaco. Al o carregou com todas suas forças para dentro da cabana, onde buscava por algo que pudesse usar naquela pilha de medicamentos.





Estava tão distraído que não viu que uma mulher estava ali próximo, e estava vendo tudo o que estava acontecendo...

terça-feira, 17 de junho de 2014

Malévola.

Filmes que me chamam a atenção faço questão de citar aqui. Esses dias fui com um amigo assistir Malévola, esse novo aí com a Angelina Jolie.

Até aquele momento a minha maior referência da Maleficent, vilã da história da Bela Adormecida, era a do desenho e como vilã do Kingdom Hearts, game da Disney/Square-Enix.

Vi algumas críticas bem pesadas do filme, como se fosse uma espécie de filme pras feminazis de plantão, que critica os homens que enganam as simples camponesas de nobre coração que vão todos os dias ao bosque recolher lenha, e vi até reviews do filme dizendo que ele havia um amor lésbico. What? Não sei se viram o mesmo filme que eu vi.

Nota dez pra maquiagem e figurino! Incrível como conseguiram transpor o ambiente do desenho sem ficar ridículo. E aquelas maçãs no rosto da Angelina Jolie? É igual aqueles chifres da Lady GaGa? E nota dez pra atuação da Jolie, aliás. Não vale Oscar, claro, mas até sotaque britânico ela fez.

A Aurora ficou apagadinha, como toda princesa Disney, ficou uma personagem semi-songa monga, e os efeitos são de qualidade padrão, nada muito revolucionário. O roteiro ficou bem original... Agora faltam só pegar isso e fazer também com outras Princesas Disney® se a moda pegar.

Falta só fazer a Bruxa má da Branca de Neve, da Rainha de Copas da Alice, do Jafar da Jasmine, da Fera (?) da Bela e da Senhora Tremaine da Cinderella. Se bem que hoje em dia colocam até a Mulan como princesa Disney... E ela nem é princesa coisa nenhuma!

Spoilers abaixo. Depois não diga que eu não avisei.

Eu achei interessante, porque uma coisa besta eram os príncipes encantados nos filmes. Sempre eram os coadjuvantes com importância de protagonista. Afinal era o beijo do verdadeiro amor, quer dizer que se eles basicamente não aparecessem no final do filme, sempre a princesa teria seu destino fatídico.

Em Malévola, a história toda tem como foco a Malévola e a Aurora. É criado um relacionamento entre elas, algo que justificasse a escolha da Malévola, que era uma fada que havia se apaixonado por um garoto que a havia enganado e arrancado suas asas (que teve gente que viu um estupro, eu vi mais o fato de perder a liberdade, de reduzir sua capacidade, quebrar a confiança), e que mais tarde se torna o rei que é alvo da maldição da Malévola.

No desenho, era a Malévola disfarçada que mostrava a roca de fiar de propósito pra Aurora machucar e adormecer, no filme ela entra numa espécie de transe e põe seu dedinho lá. Ficou um roteiro paralelo legal exceto a parte do final feliz. O príncipe chega a dar um beijo da Aurora, mas é apenas o beijo quase maternal da Aurora que é o beijo do amor verdadeiro - o beijo do amor de uma mãe pela filha praticamente, uma vez que a Malévola ajudou a Aurora o filme inteirinho.

O final feliz que tirou a graça. E as asas também. A Malévola já é uma das vilãs Disney mais fortes (se não for A Mais Poderosa), quando você equipa asas nela, é como se você desse um Charizard pro Darth Vader. Aí que fica imbatível, tudo o que voa é imbatível, tipo Superman e o Goku.

Acho que a Malévola deveria morrer no final, e as últimas palavras pra Aurora deixar ela em dúvida pelo resto da vida de deveria ter tido raiva ou não dela por conta da maldição. E talvez o príncipe matar, mas que ela matasse o rei primeiro, afinal todos que assistiram o filme estavam esperando por esse momento.

Mas como o filme tem meio o foco pra crianças, não dava pra ser um final assim...

E eu sou da geração Titanic, tivemos que crescer sabendo que o Jack jamais ficaria com a Rose e tivemos que nos acostumar com isso. Não tá fácil pra ninguém!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

A fobia de amor contemporânea.

Sexta passada fui ao hospital visitar uma amiga. Fiquei sabendo sem querer que ela estava na UTI, mas já está em recuperação. Força, Renata! Estamos torcendo por você!

Como ambiente de hospital é sempre morbidamente branco e péssimo, resolvi levar flores pra ver se dava uma alegrada no clima. Passei numa floricultura perto de casa e comprei um buquê de rosas brancas. O hospital não era distante de casa, apenas uns quinze minutos de ônibus. Peguei o busão e fui.

Eu sou uma pessoa bem introvertida, é verdade. Muita gente acha que por eu ser comunicativo eu não tenho problemas, mas minha natureza é muito introvertida. Sempre foi, mas como eu fiz teatro, aprendi a encenar bem. Mas mesmo coisas corriqueiras como falar em público me fazem tremer adoidado, eu sempre falo baixinho com vendedores, mas não sou um tímido nervoso. Vou lá e enfrento o bicho. Só que pensava que com o tempo ficaria melhor, mas a introversão continua firme e forte!

Logo, andar com mero buquê de flores num ônibus seria algo o suficiente pra me fazer querer esconder minha cara no primeiro saco de papel que encontrasse!

Mas fiquei reparando nas pessoas. Via homens me olhando com um olhar de orgulho. Não sei se era porque eu tinha coragem de andar com aquele buquê enorme e tava nem aí (aparentemente), ou se eu tinha aquela imagem de um professor Girafales que ia encontrar sua dona Florinda. Existem muito mais homens românticos por aí do que se pensa.

Mas as mulheres... Foram as melhores reações, haha. Não teve nenhuma reação direta, exceto das vovózinhas, que quando eu pedia alguma informação ou respondia uma pergunta, todas elas me sorriam alegremente, como se quisessem me apresentar como bom partido para suas netas.

Vi algumas mulheres jovens que tinham duas reações. A primeira era me ver, ver o buquê e virar o rosto na hora pro outro lado. A outra reação era me olhar com olhar de asco mesmo. E justo num momento onde eu com um buquê estou querendo enfiar minha cara e fugir do mundo, aí que a gente repara mais ainda.

Achei interessante as que viraram o rosto e nem olharam mais. Normalmente mulheres hoje em dia não estão preparadas para declarações públicas de afeto. Ainda mais nos dias de hoje onde qualquer um pode contratar qualquer zé ninguém aí pra fazer uma "loucura de amor". Exceto, claro, se elas estiverem esperando a tal declaração, aí elas nem se incomodam. Logo, ao verem um buquê pareciam ter medo daquilo, como se eu fosse um desses carinhas que fazem declarações de amor públicas, porque muitas pareciam fugir inclusive!

E o asco? Acho que é a visão que mulheres tem que homens nunca oferecem flores - exceto se é quando fazemos alguma merda, como traição com aquela secretária gostosa. Ainda mais eu com esses cabelos grisalhos, aí que seria possível uma interpretação como essa. Deviam me olhar com o pensamento de que chifrei minha esposa e vou pedir reconciliação - como se eu tivesse uma, ora patavinas!

Havia uma timidez incrível dentro de mim também. Ver todo mundo me olhando me fez pensar porque nessa sociedade tão baseada descaradamente em sexo as pessoas nunca estão prontas quando recebem um pouco do bom, sincero, e velho amor. Mulheres taxam como carência, acham que é apenas vontade de sexo ou para se ganhar um status. Ambos os lados até eu diria, homens e mulheres. Tanto que nas vezes que me apaixonei e oferecia flores pra mulheres, a grande reação delas era sair correndo, mesmo se fosse um mísero. Em cem porcento das vezes! Nem declarar eu conseguia declarar. Parecia que flores eram algo pra afugentar mulheres... Era engraçado.

Mas fiquei feliz em rever minha amiga! Conversamos durante uma hora, e fiquei feliz em ver que ela estava bem. Se tudo der certo, amanhã terá enfim alta do hospital. Ficou entre a vida e a morte, e até me mandou uma linda foto segurando o buquê que ganhou de presente depois. Afinal, ela super merece isso e muito mais! =)

O que custa demonstrar um pouco de amor, né gente? Não tenham esse medo. Olha isso aí pra inspirar vocês:

sábado, 14 de junho de 2014

Doppelgänger - #23 - Legatus.

"Legatus então está por detrás de tudo isso. Mas vendo aqui, não consigo ver o nome do Ar no meio deles", disse Nezha, enquanto pesquisava, "E o bispo que nos ajudou agora está morto. Isso tudo tá é me parecendo uma conspiração. E se buscar a Legatus nos fazer apenas andar em círculos?".

As outras duas estavam em suas mesas. O Macbook de Victoire estava checando alguns documentos, enquanto Agatha parecia concentrada, aparentemente havia encontrado algo.

"Estranho... Os nomes aqui batem muito. Peguei o nome do quadro de executivos do Goldman Sachs, FED, Lehmann Brothers. Veja só isso, vocês dois", disse Agatha, virando seu laptop para eles, mostrando nomes de seis pessoas, "Parece que todos alternavam nos cargos. Porém fica complicado assim, mesmo que sejam seis pessoas, é possível que se arriscarmos em um, os outros vão saber que estamos atrás deles. E com a Interpol atrás da gente, e nós em estado disavowed, a chance de acerto é de 16%".

"Droga... E aquele cartão de memória no bolso do bispo?", disse Victoire.

"O quê?", perguntou Nezha, "Do que estão falando?".

"Desculpe, Nezha, não te avisamos isso. Mas parece que o bispo imaginava que algo aconteceria com ele, logo ele deixou um cartão de memória no bolso dele. Temos um arquivo com nomes de pessoas envolvidas diretamente com o Legatus - que até então é algo impenetrável. Colocando o computador para comparar os nomes, temos aqui uma pessoa, que está envolvida em toda essa crise econômica", disse Agatha, mostrando o nome que estava destacado na tela do seu laptop.

"Birger Löfgren", disse Nezha, "Esse nome... Sueco?".

"Exato. Parece que esse tal de Birger é um nome em comum que andou dentro da Legatus, Lehmann Brothers, Federal Reserve e até mesmo Goldman Sachs. Pense comigo, Nezha... O Legatus é apenas um bode expiatório. Existe algo na sombra do Legatus que controla toda a economia mundial, brincando com ela como se fosse um playground. Não acho que seja possível que esse homem esteja andando sozinho, essas informações valem ouro, são a peça que faltava para fechar o quebra-cabeças".

"Entendi", disse Victoire, "Talvez esse senhor Löfgren seja apenas um agente infiltrado. Ele conseguiu derrubar o Lehmann Brothers em 2008, mas sem dúvida deve ter algo mais podre. Os dados que temos ele são poucos dentro das redes da Interpol, mas isso parece ter sido apagado propositalmente. Temos aqui um endereço dele, mas a ficha dele é aparentemente limpa. Limpa até demais. Faltam dados essenciais que o serviço de inteligência tem!".

"Merda... Então é isso. Esse cara é o elo entre o grupo do Ar, para cometerem seus atos terroristas!", disse Nezha.

De súbito, um dos agentes da Agatha entraram no local. Ele parecia eufórico.

"Senhora Agatha! Parece que fomos descobertos! Temos que sair imediatamente, os agentes da Interpol estão subindo no prédio!".

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Pareciam policiais da SWAT. Mesmo com suas aparências temíveis, eles estavam subindo e abordando todas as pessoas para manterem silêncio. O líder deles era um homem de jaleco branco, segurando um tablet, parecia rastrear um sinal.

Todas as escadas estavam lacradas. Guardas por todos os lados. Não havia dado nenhum alarde em especial, para não causar furor e atrair a mídia - mais uma daquelas clássicas despistadas que o serviço de inteligência sempre dá na imprensa. Nenhuma palavra. E se alguém perguntasse, era apenas mais um cartel de drogas. Desculpa padrão da polícia.

Mas eram pessoas. Pessoas que iam contra o sistema.

Subindo as escadas e dando de cada no quarto que os três estavam hospedados. Sem muita hesitação, eles abriram com um pequeno explosivo, e de súbito mais de quinze soldados entraram no quarto, acompanhado do velho de jaleco, o oficial de segurança.

De súbito, uma voz feminina ecoou no local. Mas não se sabia da onde estava vindo.

"Há quanto tempo, capitão Dawson. Como está o namoro do seu filho Jack com a jovem Rose?", sua voz era cheia de deboche, mas tinha aquele sensualismo natural que era inconfundível para qualquer um.

"Essa voz... É você, Van der Rohe?", respondeu o capitão Dawson, "Fico feliz de depois de anos se lembrar ainda do Jack e da Rose. Eles já se casaram e tiveram um lindo menino. Então os boatos são verdadeiros, você está mesmo livre, certo?", disse o capitão Dawson, que ordenava por meio de gestos que seus soldados buscassem vestígios no local.

"Sim! Sou eu sim. Vamos ver se você consegue me achar. Posso te dar uma dica? Veja embaixo da cama. Sempre embaixo da cama que estão as maiores... Obscenidades", disse Agatha, dando uma gemida no final.

Dois soldados ficaram a postos, mas foi o Capital Dawson que se aproximou. Seu iPad começou a apitar, parecia que havia realmente alguém ali, de acordo com os sensores. Ele puxou o colchão, e tudo o que viu foi um aparelho de jamming, soltando interferência, confundindo o sensor do seu tablet. E ao lado, uma revista da Private, de pornografia, aberta numa página onde um ator pornô ejaculava no rosto de uma atriz.

"Desculpe pela gozada, Dawson. Mas temos que correr. A revista pode guardar, é o tipo que o Al mais gostava, ninfetas européias branquelas, tirando é claro quando tem aquelas japonesinhas de xoxota peluda que só ele deve curtir. No final você vai entender e ainda vai agradecer a gente. Mas por enquanto, todo segundo é precioso. Beijinhos!".

Um ruído agudo começou a ser emitido na sala, e depois de poucos segundos de procura, um dos soldados acharam atrás da cortina uma caixa de som, de onde saía a voz de Agatha.

Minutos atrás, Agatha estava saindo do prédio vizinho calmamente e dentro de uma van alugada. Os agentes foram enganados como patinhos, quando Agatha reservou em seu nome e tinha pago aquele quarto, mas estava com outro passaporte reservando um quarto no prédio vizinho. Como o prédio vizinho não havia nenhum único guarda, eles saíram pela porta da frente calmamente enquanto viam os soldados da Interpol subindo as escadas do outro em pressa.

"Ok, crianças. Próximo destino: Londres. Vamos brincar um pouco com esse Löfgren. Será que ele é bonitinho pelo menos?", disse Agatha.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Não sou um DiCaprio.

Não sou um DiCaprio. Infelizmente.

Eu sei que você tem esse medo de relação. Ao mesmo tempo eu admiro, admiro muito esse cuidado que você tem, especialmente com seus pais. No começo eu pensava: "Nossa, essa menina realmente em muita garra. Mas ela vive nesses romances de mentirinha, só sabe sonhar, não desencana do ex-namorado. Será que se ela conseguisse mesmo alguém, ela iria namorar essa pessoa?".

Não quero julgar meu sentimento. Isso eu já fiz antes. Só gostaria te falar o que eu sinto por você. Acho que apenas quando eu aceitar essa situação, vai ser quando vou conseguir enfim lidar melhor com essa paixão por você.

Não fui movido por carência. Eu te disse que eu me sentia muito sozinho sem você, não? Que nos momentos que precisava, sempre eu ficava em segundo plano, que eu sempre disse que achava que você não me considerava um amigo, e sim o carinha que frequenta o seu trabalho. Foi naquele momento que eu via você não como a minha guia, mas como uma mulher. E acho que isso é o que entrava em conflito comigo, sendo um homem. E por isso menti. Dizendo que nunca ficaria com você sobre hipótese nenhuma.

No momento daquela mentira que eu percebi o quanto eu te amava. Mesmo que eu não conseguisse definir quando esse sentimento começou, quando ele morreu, e quando ele voltou. Mas ao mesmo tempo eu sabia que você nunca ficaria comigo. Não apenas pela minha condição econômica, ou por eu não ser do seu tipo, já que você sempre gostou de pessoas loiras (mas se isso te conforta, se tivermos filhos, existe uma chance mínima de saíram com olhos claros! Tenho os genes tanto por parte de pai, como de mãe!).

Mas sim, porque sabia que que você vivia num mundo imaginário.

Eu também era assim. E, sinceramente, em muitos dos meus sonhos que tinha com você, era tão lindo e tão único o sentimento que havia entre nós. Mas quando eu acordava que eu via que aquilo era um sonho. Que seria impossível entre nós, e sabendo disso tinha tomado a decisão de morrer com esse sentimento dentro de mim, de nunca contar pra você e pra ninguém.

Me sentia tão feliz ao seu lado! Mesmo que você não falasse nada. O dia ficava bom e feliz, e sempre a despedida tinha um gosto de quero mais. E isso porque nunca sequer trocamos um mísero beijo! Ficava feliz com a sua presença. Ficava feliz em te ver. Ficava feliz em apenas ficar ao seu lado.

Mas o sonho dói. Dói na hora que a gente acorda, e percebe que todo aquele carinho era apenas uma doce ilusão.

Eu sei que dá medo. Somos jovens, oras. Uma vida de incertezas, não sabemos quem amamos, quem desejamos. E por um bom tempo, eu também me perguntava se era apenas algo passageiro, mas foi crescendo e crescendo. E mesmo hoje, mesmo depois de ter te falado tudo, sinto tanta vontade de te abraçar forte, mas todas as vezes que vou meu coração dói. Porque sei que continuo nutrindo esse sentimento puro de amor por você.

Eu entenderia seu trabalho como ninguém. Entenderia que você tem uma agenda complicada. Mas queria um namoro como outro qualquer, sabe? Andar de mãos dadas, conversar, comer algo barato na esquina. Se existe algo similar ao Jack Dawson do Titanic é isso, não tenho muito a oferecer, mas o que sinto é puro. Quero realmente ser o seu escolhido. E acima de tudo, ser o seu real, tirar desse seu mundo de paixões que só existem nos seus sonhos, porque juntos podemos transformar isso em realidade. Nós dois!

Nesse momento sei que você está do outro lado do mundo. E estou aqui orando por você. E mesmo que não dê certo, vou continuar do seu lado. Meu sonho sempre foi ter uma namorada amiga, e você conseguiu quebrar o gelo desse coração velho, que era tão sonhador como você. Ou você pensa que foi fácil eu sair dos meus sonhos com você e me declarar pra você? Eu jamais ia querer fazer isso, mas tive que fazer.

O que estou querendo te oferecer é um relacionamento real, com alguém real e que tem muito amor pra te oferecer. Sabe, aquela coisa de que "o amor está bem na sua frente"? Ele está aqui. Só preciso que você diga "sim".

Não sou um DiCaprio como você sempre sonhou. Mas sou real, e estou sempre aqui, do seu lado. O que custa tentar? Prometo que darei o meu melhor.

E ficarei aqui até receber o seu "sim".

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Doppelgänger - #22 - Irmão.

Era um local branco. Havia uma imensidão branca, e Al estava lá. E começou então a correr. Corria, corria como nunca havia corrido, mas tudo que via era uma imensidão branca sem fim.

Certo momento encontrou uma pessoa, e foi em direção a ela. Ao se aproximar, viu alguém que era muito conhecido, junto de uma criança na frente, que estava ajoelhada. Ao se aproximar da criança, viu que era nada menos que ele mesmo quando era criança, e a pessoa que olhava ninguém menos que Arch, seu irmão mais velho.

"Hum... É uma estratégia muito bem pensada, mas acho que sinceramente vai ser muito perigoso se você usar esse método de persuasão contra alguém. Tem algumas falhas cruciais", disse Arch.

"Como assim mano! É genial! É invencível!!", disse o pequeno Al.

"Hahaha!", riu Arch, indo ao encontro de Al, abrançando-o com ternura, "Meu irmãozinho, o método é muito bom, me espantou que você conseguiu chegar nisso sozinho. Mas o erro não é método ser infalível, e sim, aqui", ele apontou pro coração de Al.

"Meu... Coração?", perguntou Al.

"Sim! Esse método requere também uma grande determinação. Ser mais determinado até mesmo que eu. Mesmo que você caia uma, duas, três vezes, você vai continuar se levantando, pois você acredita em você mesmo. Por isso que, se eu pudesse te dar um conselho pra isso, daria esse. Tenha essa garra, essa teimosia, essa vontade de desistir jamais. Você tem isso guardado bem aqui dentro. É um tesouro seu que supera qualquer tesouro de outra pessoa, até mesmo de mim. Esse é o segredo".

O pequeno Al abraçou seu irmão. Aquilo era um flashback bem direto, e trouxe respostas para Al adulto, que via aquilo.

Em que momento ele tinha perdido a esperanças? Será que foi quando viu seu irmão morto, e sabia que nada poderia fazer? Será que foi quando foi em busca da Émilie e viu que tudo o que fazia não deixava nem mesmo a um passo dela? Será que foi quando se casou  a força com a Val, e depois arrasou o coração dela, lançando-a num abismo suicida?

Ter esse coração como tinha quando era criança. Determinação pra levantar quantas vezes fossem necessárias, e levantar mais forte. Esperança. A esperança que ele tinha perdido.

- - - - - - - - - - -

"Vamos, acorde discípulo tolo", disse o mestre.

Al acordou num salto. Seus olhos ainda estavam marejados com as lágrimas, e ele tremia, com seu coração disparado. Virou a cabeça e viu seu mestre, além da bagunça toda que tinha feito no chão.

"Meu Deus... Preciso ir! Eu acabei dormindo, estão precisando de mim!", disse Al, eufórico.

"Acalme-se, discípulo tolo!", disse o mestre, segurando-o pelo ombro, "Foram apenas onze minutos que você ficou desacordado. Mas pelo visto você deve ter visto muita coisa, né? O tempo no inconsciente passa de maneira diferente".

Al ficou abismado. Só haviam se passado onze minutos. Aquile tempo todo correndo parecia ter durado uma eternidade.

"Vamos começar logo o treinamento. Não temos tempo a perder, vou te ensinar minha técnica suprema. Mas antes, vai lavar o rosto... Você não conseguia parar de chorar".

Alguns minutos depois...

"Venha aqui fora. Está um céu lindo aqui, muitas estrelas. E está bem fresquinho", iniciou o mestre, "Al, como você sabe existem dois tipos de psicologia investigativa, a emocional e a racional. E como a grande maioria é racional, quem não tem cão, caça com gato. É impossível mudar isso em você, seu lado emotivo", disse o mestre.

"Sim... Em tese, eu sou a pior pessoa designada para trabalhar na Inteligência".

"Exato. Mas eu não sou chamado como lenda por acaso. Toda investigação é uma troca de energias, e toda a parte teórica e racional, eu não tenho nada para lhe ensinar, seu treinamento está concluído".

"O... que?", disse Al, abismado, "Meu treinamento já está concluído? Isso é impossível, mestre! Com o que tenho jamais conseguirei bater de frente com o Ar. Eu não acredito que cruzei o oceano para...", nesse momento ele foi interrompido por uma tosse grave e irônica do mestre, que o olhava com um olhar firme.

"A emoção. É isso que você tem a mais que os mais racionais não tem. Isso que diziam que era um monstro interno, na verdade pode ser muito bem usado para o contrário, para adicionar algo e tornar você superior a qualquer um, discípulo tolo! Eu mesmo sou uma pessoa extremamente emotiva, e sou um grande detetive", disse o mestre.

"O senhor é emotivo? Impossível!", disse Al.

"Vamos começar alguns exercícios básicos. Mesmo que você seja emotivo, existe um fator que sempre vai te deixar na frente de qualquer pessoa. Use sua intuição e siga seu coração, vamos concluir seu treinamento, mas isso só depende de você".

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Essa maldição que se chama amor.

Lembro que há alguns meses eu estava passando os canais da tevê e vi passando um filme que eu adorava – O Tigre e o Dragão – e fiquei assistindo. Engraçado que muitas vezes eu assisto filmes prestando atenção em detalhes e esquecendo outros. Lembrava das cenas de combate, dos belos efeitos especiais, mas não lembrava da cena final.

Quando Li Mu Bai diz que sempre nutriu amor pela Shu Lien, mas que nunca conseguiu declará-lo. E justo naquele momento, próximo da morte, que ele viu que a Shu Lien ficou também a vida inteira nutrindo em segredo um sentimento por ele, talvez ele enfim tenha entendido que uma vida inteira havia perdido por um medo bobo por nunca ter colocado seus sentimentos pra fora.

Lembro que quando vi o filme eu não conseguia parar de chorar. Não lembrava dessa cena. Eu sabia que aquele também era meu destino – nutrir um sentimento por alguém, nunca declara-lo, e morrer com esse sentimento sem que ela nunca soubesse. Assim como Li Mu Bai tinha um motivo forte o suficiente para nunca revelar, meu motivo era também muito forte. Um motivo que ia de encontro com minha fé, que é tudo o que tenho hoje.

Em fevereiro eu menti pra ela. Pensei que se mentisse e eu acreditasse na mentira, ela se tornaria verdade. Mas como a lei do mundo é, tudo o que vai, volta. E aquilo iria voltar pra mim, cedo ou tarde. Só esperava que fosse daqui uns 50 anos no mínimo, e não em alguns meses.

O estômago. Estômago, aquele que é o invólucro dos nossos sentimentos. O mundo espiritual sempre me indicava: “Seu estômago”. Era apenas a dica, havia algo para se resolver. Obviamente os budas sabiam exatamente o que se passava comigo – eram meu confessionário espiritual – mas nunca foi indicado precisamente isso. Porquê? Simples. Acho que se eu ouvisse tais palavras eu negaria até a morte. Quem deveria achar a resposta era eu, e a única dica que recebia era “estômago”.

E francamente, não sabia. Mas a coisa que mais me abalava nesses três meses era esse sentimento. Talvez, você caro leitor, possa perguntar: “Mas oras, porque não foi lá e se declarou?”. Primeiro que eu sabia a resposta. Não sou o tipo dela, e nem tenho as condições financeiras de lhe dar uma vida confortável. E a segunda, era que numa conversa há quatro anos, na primeira vez que nutri algo por ela – na época, por pura e simples carência mesmo, não nego – a resposta dura e grossa de uma amiga foi o fator decisivo para que eu nunca falasse nada.

“Todos os romances dela são por atitude dela, se ela gosta de alguém ela é bem direta. Vocês são muito diferentes, você nem faz ideia, o tipo de homem que ela gosta não tem nada a ver com você. Vocês jamais seriam felizes. Ela ficou mega brava comigo um dia quando achou que eu estava te empurrando pra ela.”

E era nisso que eu me apegava pra nunca falar nada. E de fato, não queria nunca, jamais falar isso. Pensava que isso iria passar como da primeira vez, mas aí a coisa ia só piorando. Ficava pensando nela dia e noite, ia pro meu altar meditar e orar um pouco. Depois encontrava com ela e ficava ainda mais tenso, e fazia esforços monumentais pra manter distância dela. Até mesmo dar um beijinho na bochecha eu negava, e mesmo sendo homem e mulher, só cumprimentava ela com um aceno. Bem de longe.

E acima de tudo era um sentimento errado. Eu era o meu próprio censor. Eu já havia me metido em confusões duas vezes por nutrir sentimentos, mas errar uma terceira vez? Que ridículo isso, eu só dava problema para as pessoas. Não queria cometer um terceiro erro, por isso naquele dia que vi a cena do Li Mu Bai prometi pra mim mesmo que jamais falaria disso, que levaria uma vida tranquila e normal, mas que nunca falaria a verdade pra ela. Jamais.

Mas aí o estômago não parava de ser indicado. E o que era apenas um friozinho na barriga foi piorando. Até o momento em que as dores eram tão terríveis que pareciam me sugar completamente. Até aquele momento eu não queria nunca falar isso, mas aí um dia conversando com ela, enquanto ia ao banheiro por conta da dor eu disse: “Escuta... Terça-feira podemos conversar?”. Na hora que ela disse que sim, estranhamente a dor sumiu. Mas ainda assim continuei a ir ao banheiro – não estava me sentindo bem em ficar lá vendo ela, com meu coração e meu estômago doendo.

E chegou a terça-feira. E depois de explicar tudo eu me declarei. Acho que nunca vou esquecer a cena dela balançando a cabeça negativamente e falando não um “não”. Mas algo pior que um não: “Mas você sabe que comigo não deve nutrir esperanças, né?”. Sorrindo. Francamente, gostaria de saber se alguma vez na vida ela seria séria comigo, e não falaria comigo com esses risinhos que eu detesto quando quero que seja séria. Se alguma vez na vida não ficaria com esses risinhos automáticos como se pra mim a vida fosse simples sorrir e uma eterna piada. 

Aquilo não era uma piada, eu estava entregando os meus sentimentos pra ela, eu estava cruzando o grande deserto ameaçador, estava com toda a coragem do mundo, mesmo sabendo que aquilo não poderia dar certo, mesmo que meu desejo era nunca revelar aquilo, mesmo que meu desejo era voltar no tempo e dar um soco na minha cara quando passava mal em nutrir um sentimento por alguém que eu jamais poderia me declarar, a resposta dela foi um desprezo sorridente que acabou ainda mais comigo.

Mas acima de tudo meu maior medo era perder a amizade. Não era o amor. A amizade veio primeiro. Era ela como o grande sustentáculo da minha mudança como pessoa, da minha maturidade, tudo por conta das imensas ajudas que ela me ofereceu durante todos esses anos – mesmo que ela estivesse distante em diversos dos momentos decisivos – ainda era a amizade que eu mais lutaria pra manter. Pois afinal, ela é importante demais na minha vida, e eu não conseguiria nunca viver sem a sua amizade. Jamais. 

Mas eu sabia que ela é imatura. E muito perdida nos sentimentos. E sabia que ela jamais teria capacidade de manter as coisas como são depois da declaração. Absolutamente todo o universo conspirava contra.

E no final das contas a resposta dela obviamente foi “não”. Afinal, de onde eu tirei esperanças?

E esse sentimento era totalmente errado e idiota, e se eu pudesse apagar, eu apagaria sem dó. Mas não. Eu nutri uma esperança vazia, mesmo sabendo qual seria sua resposta. Nutri um amor por uma pessoa que eu sabia que com toda certeza me diria um não. O mesmo não que eu recebi pela amiga dela, há quatro anos atrás. Menti, disse que jamais ficaria com uma pessoa como ela, mas menti em prantos... Chorava, chorava e chorava pois eu sabia que isso era impossível, mas que de alguma forma minha alma mesquinha e imbecil ainda nutria essa esperança idiota por esse droga banal que destrói vidas, amizades, relacionamentos e tudo a nossa volta. E o pior. Ainda fazem filmes por aí pra enganar as pessoas, vendendo a ideia de que amor existe, de que romances são possíveis, e que pessoas na vida real se amam. Mentira. Isso que nos filmes e novelas é tudo mil maravilhas, mas na vida real só traz desgraça, destruindo amizades, vidas e tudo o que construímos com muito esforço durante anos. 

Pensei que enfim estava livre, e por muito tempo no ano passado vivi bem. Vivi feliz, sem gostar de absolutamente ninguém. Mas por você, esse sentimento nasceu, eu o menosprezei pois pensei que o controlaria como há quatro anos, mas ele me engoliu. Me fez passar mal do estômago como nunca sentira antes. Me fez prometer coisas que eu depois descumpri e acima de tudo quebrou meu coração, como eu já sabia desde o começo.

Essa maldição que se chama amor.

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