segunda-feira, 16 de junho de 2014

A fobia de amor contemporânea.

Sexta passada fui ao hospital visitar uma amiga. Fiquei sabendo sem querer que ela estava na UTI, mas já está em recuperação. Força, Renata! Estamos torcendo por você!

Como ambiente de hospital é sempre morbidamente branco e péssimo, resolvi levar flores pra ver se dava uma alegrada no clima. Passei numa floricultura perto de casa e comprei um buquê de rosas brancas. O hospital não era distante de casa, apenas uns quinze minutos de ônibus. Peguei o busão e fui.

Eu sou uma pessoa bem introvertida, é verdade. Muita gente acha que por eu ser comunicativo eu não tenho problemas, mas minha natureza é muito introvertida. Sempre foi, mas como eu fiz teatro, aprendi a encenar bem. Mas mesmo coisas corriqueiras como falar em público me fazem tremer adoidado, eu sempre falo baixinho com vendedores, mas não sou um tímido nervoso. Vou lá e enfrento o bicho. Só que pensava que com o tempo ficaria melhor, mas a introversão continua firme e forte!

Logo, andar com mero buquê de flores num ônibus seria algo o suficiente pra me fazer querer esconder minha cara no primeiro saco de papel que encontrasse!

Mas fiquei reparando nas pessoas. Via homens me olhando com um olhar de orgulho. Não sei se era porque eu tinha coragem de andar com aquele buquê enorme e tava nem aí (aparentemente), ou se eu tinha aquela imagem de um professor Girafales que ia encontrar sua dona Florinda. Existem muito mais homens românticos por aí do que se pensa.

Mas as mulheres... Foram as melhores reações, haha. Não teve nenhuma reação direta, exceto das vovózinhas, que quando eu pedia alguma informação ou respondia uma pergunta, todas elas me sorriam alegremente, como se quisessem me apresentar como bom partido para suas netas.

Vi algumas mulheres jovens que tinham duas reações. A primeira era me ver, ver o buquê e virar o rosto na hora pro outro lado. A outra reação era me olhar com olhar de asco mesmo. E justo num momento onde eu com um buquê estou querendo enfiar minha cara e fugir do mundo, aí que a gente repara mais ainda.

Achei interessante as que viraram o rosto e nem olharam mais. Normalmente mulheres hoje em dia não estão preparadas para declarações públicas de afeto. Ainda mais nos dias de hoje onde qualquer um pode contratar qualquer zé ninguém aí pra fazer uma "loucura de amor". Exceto, claro, se elas estiverem esperando a tal declaração, aí elas nem se incomodam. Logo, ao verem um buquê pareciam ter medo daquilo, como se eu fosse um desses carinhas que fazem declarações de amor públicas, porque muitas pareciam fugir inclusive!

E o asco? Acho que é a visão que mulheres tem que homens nunca oferecem flores - exceto se é quando fazemos alguma merda, como traição com aquela secretária gostosa. Ainda mais eu com esses cabelos grisalhos, aí que seria possível uma interpretação como essa. Deviam me olhar com o pensamento de que chifrei minha esposa e vou pedir reconciliação - como se eu tivesse uma, ora patavinas!

Havia uma timidez incrível dentro de mim também. Ver todo mundo me olhando me fez pensar porque nessa sociedade tão baseada descaradamente em sexo as pessoas nunca estão prontas quando recebem um pouco do bom, sincero, e velho amor. Mulheres taxam como carência, acham que é apenas vontade de sexo ou para se ganhar um status. Ambos os lados até eu diria, homens e mulheres. Tanto que nas vezes que me apaixonei e oferecia flores pra mulheres, a grande reação delas era sair correndo, mesmo se fosse um mísero. Em cem porcento das vezes! Nem declarar eu conseguia declarar. Parecia que flores eram algo pra afugentar mulheres... Era engraçado.

Mas fiquei feliz em rever minha amiga! Conversamos durante uma hora, e fiquei feliz em ver que ela estava bem. Se tudo der certo, amanhã terá enfim alta do hospital. Ficou entre a vida e a morte, e até me mandou uma linda foto segurando o buquê que ganhou de presente depois. Afinal, ela super merece isso e muito mais! =)

O que custa demonstrar um pouco de amor, né gente? Não tenham esse medo. Olha isso aí pra inspirar vocês:

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