segunda-feira, 9 de junho de 2014

Doppelgänger - #22 - Irmão.

Era um local branco. Havia uma imensidão branca, e Al estava lá. E começou então a correr. Corria, corria como nunca havia corrido, mas tudo que via era uma imensidão branca sem fim.

Certo momento encontrou uma pessoa, e foi em direção a ela. Ao se aproximar, viu alguém que era muito conhecido, junto de uma criança na frente, que estava ajoelhada. Ao se aproximar da criança, viu que era nada menos que ele mesmo quando era criança, e a pessoa que olhava ninguém menos que Arch, seu irmão mais velho.

"Hum... É uma estratégia muito bem pensada, mas acho que sinceramente vai ser muito perigoso se você usar esse método de persuasão contra alguém. Tem algumas falhas cruciais", disse Arch.

"Como assim mano! É genial! É invencível!!", disse o pequeno Al.

"Hahaha!", riu Arch, indo ao encontro de Al, abrançando-o com ternura, "Meu irmãozinho, o método é muito bom, me espantou que você conseguiu chegar nisso sozinho. Mas o erro não é método ser infalível, e sim, aqui", ele apontou pro coração de Al.

"Meu... Coração?", perguntou Al.

"Sim! Esse método requere também uma grande determinação. Ser mais determinado até mesmo que eu. Mesmo que você caia uma, duas, três vezes, você vai continuar se levantando, pois você acredita em você mesmo. Por isso que, se eu pudesse te dar um conselho pra isso, daria esse. Tenha essa garra, essa teimosia, essa vontade de desistir jamais. Você tem isso guardado bem aqui dentro. É um tesouro seu que supera qualquer tesouro de outra pessoa, até mesmo de mim. Esse é o segredo".

O pequeno Al abraçou seu irmão. Aquilo era um flashback bem direto, e trouxe respostas para Al adulto, que via aquilo.

Em que momento ele tinha perdido a esperanças? Será que foi quando viu seu irmão morto, e sabia que nada poderia fazer? Será que foi quando foi em busca da Émilie e viu que tudo o que fazia não deixava nem mesmo a um passo dela? Será que foi quando se casou  a força com a Val, e depois arrasou o coração dela, lançando-a num abismo suicida?

Ter esse coração como tinha quando era criança. Determinação pra levantar quantas vezes fossem necessárias, e levantar mais forte. Esperança. A esperança que ele tinha perdido.

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"Vamos, acorde discípulo tolo", disse o mestre.

Al acordou num salto. Seus olhos ainda estavam marejados com as lágrimas, e ele tremia, com seu coração disparado. Virou a cabeça e viu seu mestre, além da bagunça toda que tinha feito no chão.

"Meu Deus... Preciso ir! Eu acabei dormindo, estão precisando de mim!", disse Al, eufórico.

"Acalme-se, discípulo tolo!", disse o mestre, segurando-o pelo ombro, "Foram apenas onze minutos que você ficou desacordado. Mas pelo visto você deve ter visto muita coisa, né? O tempo no inconsciente passa de maneira diferente".

Al ficou abismado. Só haviam se passado onze minutos. Aquile tempo todo correndo parecia ter durado uma eternidade.

"Vamos começar logo o treinamento. Não temos tempo a perder, vou te ensinar minha técnica suprema. Mas antes, vai lavar o rosto... Você não conseguia parar de chorar".

Alguns minutos depois...

"Venha aqui fora. Está um céu lindo aqui, muitas estrelas. E está bem fresquinho", iniciou o mestre, "Al, como você sabe existem dois tipos de psicologia investigativa, a emocional e a racional. E como a grande maioria é racional, quem não tem cão, caça com gato. É impossível mudar isso em você, seu lado emotivo", disse o mestre.

"Sim... Em tese, eu sou a pior pessoa designada para trabalhar na Inteligência".

"Exato. Mas eu não sou chamado como lenda por acaso. Toda investigação é uma troca de energias, e toda a parte teórica e racional, eu não tenho nada para lhe ensinar, seu treinamento está concluído".

"O... que?", disse Al, abismado, "Meu treinamento já está concluído? Isso é impossível, mestre! Com o que tenho jamais conseguirei bater de frente com o Ar. Eu não acredito que cruzei o oceano para...", nesse momento ele foi interrompido por uma tosse grave e irônica do mestre, que o olhava com um olhar firme.

"A emoção. É isso que você tem a mais que os mais racionais não tem. Isso que diziam que era um monstro interno, na verdade pode ser muito bem usado para o contrário, para adicionar algo e tornar você superior a qualquer um, discípulo tolo! Eu mesmo sou uma pessoa extremamente emotiva, e sou um grande detetive", disse o mestre.

"O senhor é emotivo? Impossível!", disse Al.

"Vamos começar alguns exercícios básicos. Mesmo que você seja emotivo, existe um fator que sempre vai te deixar na frente de qualquer pessoa. Use sua intuição e siga seu coração, vamos concluir seu treinamento, mas isso só depende de você".

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