segunda-feira, 30 de junho de 2014

Doppelgänger - #27 - Traição.

“Parados aí vocês dois”, disse Rockefeller, “Qualquer movimento em falso e eu estouro os miolos da Vicky”.

Merda... Rockefeller, o que significa isso? Da onde diabos você saiu? Não pode ser... Será que ele é um agente duplo? Vamos Agatha, pense. 

Segurando Victoire pelo pescoço, e uma arma apontada pra cabeça, Rockefeller parecia firme e sereno. Agatha não sabia o que fazer. Na verdade Agatha nem sabia direito o que havia acontecido antes de Al junto de Nezha a libertarem da prisão nos Países Baixos. Ver Rockefeller daquele jeito, como um traidor, a deixava ainda com mais dúvidas: “Por que, Rockefeller?”.

Rockefeller permanecia em silêncio. Mas o que se passava na cabeça de Nezha?

Impossível. Não pode ser... O comandante Rockefeller, ele mesmo me ajudou a penetrar na prisão onde a Agatha estava. Mas... Pensando bem, ele depois daquela confusão toda sumiu, e acabei me juntando ao Al e os outros. Droga... Se fizeram mesmo uma lavagem cerebral em mim, porque diabos eu fui esquecer logo disso? Pelo que ouvi ele estava trabalhando com Al e a Victoire. E que havia rolado um acidente de carro que matou o Al.

Mas não pode ser, Rockefeller estava naquele carro!

Ou será que foi exatamente feito assim para que ele nunca fosse suspeitado?

Será que ele está do lado do Ar? Droga... De todas as pessoas no mundo, justo o Rockefeller era a última pessoa que eu imaginaria!

Uma voz vindo do corredor ao lado de Rockefeller ecoou. Era feminina.

“Certo. Estamos no aguardo da ajuda. Tragam muitas unidades, pois eles são de extrema periculosidade”, disse a mulher que apareceu, carregando um celular na mão e finalizando a ligação.

“Pronto, Rockefeller. Daqui a alguns minutos a polícia estará batendo aqui. Só tem que segurá-los aqui por mais um tempinho. Vamos acabar com essa festinha”, disse a mulher misteriosa.

Suas roupas eram de grife. Um vestido alaranjado, desses que peruas de idade usam. Seu corpo era meio cheinho. Sua cabeça estava enrolada com uma encharpe grafite, como se fosse um véu, e usava grandes óculos desses que estão na moda entre mulheres hoje em dia. Sua voz era grave, como de uma senhora que tivesse aproximadamente uns cinquenta, sessenta anos.

“Fran”, disse Rockefeller, “Temos que aproveitar e perguntar logo pra eles onde está o Al, e porque ele não está aqui com eles”.

“Oh, verdade!”, disse a senhora, “Vamos Agatha, será melhor se vocês revelarem aqui logo. Sabe que pra criminosos internacionais como vocês a polícia vai fazer um interrogatório especial. Por isso quero apenas o local. Pensei que o Al estaria com vocês, mas... Pelo visto eu errei”.

As duas ficaram em silêncio. Agatha ainda apontava a arma para Rockefeller, e no meio deles, sentado no sofá apenas apreciando o show, estava Löfgren. O sueco parecia tão entretido que faltava apenas uma pipoca pra ele, aquilo parecia um filme de ação acontecendo na frente dele.

“Suponho então que vocês não sejam da polícia”, disse Agatha, “E como não sabem onde o Al está, provavelmente nem mesmo da rede do Ar devem ser. O que vocês são então, mercenários? Ou será que o Ar contratou vocês para fazer todo o trabalho sujo?”.

“Calada, sua vaca!”, gritou Rockefeller, “Dentro de minutos você vai estar fodida, vão te dar choques nos seus peitos e enfiar um cabo de vassoura nessa sua buceta se você não falar logo. Vão te torturar igual um prisioneiro de guerra. Não é da sua conta o que estamos fazendo ou pra quem estamos trab...”, nessa hora, Victoire, percebendo que Rockefeller estava descontrolado, com sua mão direita levou a arma pra cima, pra fora da sua cabeça, e aproveitando que ele ainda estava firme no seu pescoço ela agachou, colocando seu joelho no chão, fazendo força de empuxo com seu abdômen.

Rockefeller perdeu o equilíbrio e ficou com seu corpo em cima de Victoire, ele não teve tempo hábil para mirar, e deu três disparos com sua Desert Eagle sem perceber onde os tiros estavam indo, mas passaram longe de Victoire, de Agatha e Nezha.

Antes mesmo que ele tivesse tempo hábil para mirar, Victoire com as suas duas pernas deu um salto com um mortal no ar, caindo em cima de Rockefeller, fazendo-o bater a cabeça fortemente numa quina de um pequeno degrau na sala de Löfgren.

Rockefeller perdeu os sentidos.

Muito bem Vic! Lembro que você era só inferior a mim no teste de aptidão física e artes marciais. Até homens maiores que ti você conseguia sem dificuldades neutralizá-los, não importasse a situação. Sem dúvida esse seu rostinho bonito esconde uma força física tremenda, pensou Agatha.

Victoire pegou a arma das mãos dele, enquanto a senhora ainda tentava entender o que acontecia. Enquanto Fran ia de encontro a Rockefeller, Agatha deu um salto golpeando-a de joelho na barriga, fazendo-a cair no chão e cuspindo um pouco de sangue. Agatha pegou uma faca e ameaçou a velha, colocando a lâmina no pescoço dela.

“Ora, sua...! O que diabos você quer?”, disse Agatha para Fran.

“Pft... Droga.”, disse Fran, cuspindo um pouco de sangue ainda depois do golpe, “Vocês são realmente bons. Mas sair da casa vocês não vão conseguir sair. A polícia acabou de chegar. E com as suas digitais na arma, com certeza vão acusar vocês de terem matado aquele ali”.

E Agatha virou o rosto. Olhou para Victoire e viu que ela estava segurando a Desert Eagle com as mãos nuas, e Rockefeller vestia luvas. Voltando o olhar pra direção da sala, Agatha fitou o sofá. E no sofá, estava Löfgren, baleado com dois tiros no peito, nos seus últimos suspiros.

“Ai, ai... That’s all, folks!”, disse Löfgren, “Eu sabia que esse emprego bom não ia durar muito, mas pelo menos eu curti bastante. Espero ter um pouco dessa sorte... Na próxima vida...”, disse Löfgren, que mal conseguia falar, antes de dar uma risadinha e cair.

“Agatha, não temos tempo para conversar com ela, temos que dar um jeito de sair daqui!”, gritou Nezha, que ainda estava chocado em ver alguém morrendo assim tão próximo dele.

E a polícia começava a colocar seus carros em volta da mansão. A Força Tática Real estava lá também. Definitivamente tudo estava contra os três naquele momento, e apenas um milagre poderia salvá-los.

0 comentários:

Postar um comentário

Arquivos do blog