quarta-feira, 30 de julho de 2014

Bhaishajyaguru


(que nominho, hein!)

O Buda da Medicina para os íntimos. ;) Mudei minha técnica pra aquarela e resultou num resultado diferente também. Mais suave. Claro que jogar aqui distorce todas as cores, pessoalmente está bem, mas bem melhor.

Tô manjando dos paranauê das aquarela, mano!

Make a wish for a LOOPING star.



Muitos caminhos levam até você. Mas o caminho até você tem você como grande obstáculo. Era aquele monte novamente, dava pra ver o vale que se estendia até o horizonte. E nele havia uma casinha. E dentro daquela casa eu via um casal feliz, sentado na varanda, com um pequeno filho. Eles pareciam felizes.

Eu via aquela situação e perguntava se era aquilo que eu desejava pra minha vida. Afinal eu estava fugindo de tudo. Há dez anos tive um amor, já passávamos do ano de 2022. O tal filho já seria um garoto grande, mas tudo o que poderia fazer era fugir daquela realidade. E justo naquele momento em que havia encontrado aquele lugar perfeito, me deparava com essa cena. Me aproximei deles. Como estava longe de casa, temia que eles não soubessem minha língua. Mas sabiam, e falavam fluentemente.

“Porque pessoas se unem? Porque pessoas namoram umas com as outras se o amor apenas traz sofrimento?”, eu perguntei.

A mulher, que tinha no colo um pequeno bebê olhou pra mim:

“Todos nós fomos gerados do amor. Nosso corpo é nada menos do que a forma material de um amor na sua maior expressão. Aquele primeiro olhar, que virou uma palavra, que virou uma carícia, que virou um beijo, que virou o ato de fazer amor, que gerará mais pessoas, frutos disso”.

“Então toda a origem do sofrimento está nisso aqui?”, disse eu, apontando pra minha genitália, “É por causa dessa merda aqui, e dos desejos que ela me traz?”.

“Não. Por mais que você se livrasse disso, você nunca se livraria do amor. O amor está aqui”, disse ela, apontando pro meu estômago.

Por mais que o meu coração batesse, por mais que meu cérebro tentasse entender, a origem de todo o mal estava no meu estômago. Era ali que nascia o amor, era ali que nascia todo o sofrimento da espécie humana. Afinal era o amor que nos tornava cego, que nos fazia enxergar a pior espécie de pessoa como sendo a pessoa que nos completava. Era o amor que nos dava esperança, mesmo que a pessoa em questão jamais ficasse conosco, não importasse o quanto nos esforçávamos. Era o amor que nos dava a sensação de sermos um lixo de pessoa, depois que nos declarávamos e levávamos um fora, depois de lutarmos tanto por um amor, e nada mais teríamos que fazer a não ser amargar a derrota e nos perguntar onde erramos.

“Erramos desde o começo, porque amamos”, eu disse.

“Se você acreditar nisso, então essa será a sua verdade”.

“Mas eu não acredito nisso! Eu ainda quero acreditar no amor!”

“Como, se você tem esse receio? Você nem sabe como é ‘namorar’. Esse discurso é interno, apenas você pode encontrar a sua resposta, pois o seu medo nunca foi ter filhos, ser sozinho, ou mesmo levar um fora”.

“Então qual é o meu medo? Vamos, me diga!”.

Ela ficou quieta. Me olhava com os olhos de pena, como se não conseguisse falar. Mas eu queria realmente ouvir?

Senti um cheiro estranho de esgoto. Olhei pra trás.



Muitos caminhos levam até você. Mas o grande caminho até você tem você como obstáculo. Eu via aquele monte novamente, com uma grama verde, um céu de mármore azul. Vento fresco, a luz do meio dia, irradiando por todo o local. No topo daquele monte havia uma casa colonial, muito bonita, um amarelo bem claro, telhado marrom e uma varanda. E dentro daquela casa eu via um casal feliz, sentado na varanda, com um pequeno filho. Eles pareciam felizes.

Era um outro lugar, mas era idêntico. Eu me aproximei e olhei para a mãe, que colocava o pequeno fruto daquele amor para dormir. Parecia tão simples. Eles estavam vestidos elegantemente, um grande vestido branco e azul cheio de babados, e o homem com uma gravata e terno, observava aquilo com um ar doce e gentil. Vi o bebê dormindo e dei dois passos pra trás. Olhei pros dois e falei:

“Acho que nasci pra ser sozinho”.

Foi a vez do homem conversar comigo.

“Ninguém nasce pra ser sozinho. Cedo ou tarde encontramos uma pessoa. Muitas pessoas passam a vida namorando uma pessoa, mas ás vezes só depois que terminam com essa pessoa que encontram uma pessoa e se casam”.

“Então amor é uma... Vontade?”

“Sim. Pessoas não ligam se será você, ou se será com outra. Seres humanos descartam uns aos outros como peças. Pessoas amam umas as outras no momento. No momento você pode ser essa pessoa, amanhã pode ser outra, mas ninguém garante que essa outra será a que ficará para sempre. Pode haver uma terceira, e assim por diante”.

“Porquê?”

“Porque isso é amor. Amor é um ato egoísta e mesquinho. Só amamos quem nós queremos, não é possível amar uma pessoa que você não goste. E pessoas persistem nesse erro grosseiro de achar que somente podem amar uma pessoa que o coração lhes é tocado”.

“Então eu devo amar as pessoas o tanto que eu desejo ser amado?”, eu questionei.

“Você não pode querer que uma pessoa te ame sem que você se ame primeiro. Você pode vir aqui quantas vezes for pra questionar isso, mas sem vai receber a mesma resposta. E mesmo que não consiga ouvir, até mesmo esse ato é significante por si só”.

“Que eu não queira ouvir? Mas é claro, pois então fale!”.

“A verdade é que de todas as congruências do mundo, uma apenas é maleável o suficiente para reter qualquer quantidade de equanimidade da relação ubíqua que existe no hoje, na contemporaneidade. De todas as ambiguidades que existem na relação interpessoal entre seres retidos no dinamismo do vértice atemporal é julgado não apenas pela contextualidade dos meios vigentes pela presente lei como também pela necessidade de absorvência dos fatores presentes de toda presença contextualizada potencializadora de características inerentes”.

“Mas que merda é ess...?”, eu disse.

Eu me distraí. E vi quem estava dentro da casa. Vi novamente aquele ranger de dentes e a boca se abrindo.

Um cheio de esgoto dominou o local. E eu vi novamente isso.



Muitos caminhos levam até você. Mas até você tem você como grande caminho até o obstáculo. Nada mais fazia sentido. Eu via novamente aquele monte escarpado, recheado de uma grama verde e flores se abrindo. Se alguma forma eu conhecia aquele local... Mas de onde? Eu já estava ficando velho. Não conseguiria nunca mais me aceitar para aceitar um amor.

Afinal o que era amor? Amor era uma intransigência, um fator de destruição do ser humano, um ser que nasceu social mas hoje vive sozinho. Seus problemas são apenas os seus problemas, viva sua vida e não cause problemas pros outros. Seja uma pessoa responsável. Tenha um carro. Tenha um pênis de vinte centímetros. Tenha vinte mulheres correndo atrás de você. Tenha dinheiro. Seja independente. Seja uma pessoa que mande nos outros. Faça muito sexo.

Mas faça sexo pra valer, pois essa é a ordem. Tudo ao nosso redor fica refletindo isso. Vista-se bem para transar melhor, use a roupa de baixo correta, depile-se. Veja pornografia e saiba meter daquele jeito. Bem fundo. Não use camisinha. Use as pessoas para seu fim, saiba mentir. Saiba enganar. Nunca seja você mesmo, pois você mesmo jamais vai pegar ninguém. Funcionou alguma vez? Elas querem canalhas, querem alguém que pise nelas. Elas querem ser Belas, e você tem que ser uma Fera. Elas querem ser capazes de mudar um homem que trai, que engana, que mente, que não expressa os seus sentimentos no príncipe encantado. Elas querem Brad Pitt, George Clooney, DiCaprio, mesmo sem nunca conhece-los pessoalmente. Vão ao supermercado e escolhem a melhor embalagem.

Elas querem a imagem. Querem mostrar pras amigas, mesmo que nunca seja pra ser feliz. E isso que você vai ser, querendo buscar alguém que te aceite, mas ninguém te aceita, pois o que querem tanto é aquilo que está na vitrine. Aquilo que está nos filmes. Aquilo que está na novela. Aquilo que está nos Cinquenta Tons de Cinza. E isso você nunca será. Vai continuar trafegando sozinho no fundo pois é para isso que você nasceu, por mais que tenha vontade.

Afinal, o que é realidade?

Acha mesmo que esse mundo aqui é real?

Você está apenas lendo um texto. Nem sabe direito onde ele se situa. Pode ser que isso tudo tenha acontecido, pode ser que não. Pode ser que tudo seja verdade, ou que seja apenas mentira. No mundo de hoje pessoas acreditam em três verdades: a verdade que é dita pra todos, a verdade que é dita por alguns, e a sua verdade. Será que todas estão corretas?

O que você acha que é real, é o real. Se você achar que você não é uma pessoa, então você não é. Esconda. Aja pela aparência. Torne isso sua realidade. Ande na rua tranquilamente. Tenha uma vida comum. Viva preso na sua válvula de escape. Afinal, ninguém lá fora te entende, né? Ficam apontando a mesma coisa uma, duas, três vezes. Continue encarando as pessoas como se todas quisessem seu próprio mal. Afinal, eu não sou assim, porque eu não me vejo assim. Você está confundindo as coisas.

Sua vida é limitada pelo que você tem ao seu redor, pois você nunca tentou fazer algo ou ir além daquilo que era esperado. Anda na rua e vê muitas pessoas, e não entende que cada uma dessas pessoas tem uma vida, tem uma perspectiva, tem um ponto de vista quase que únicos. Que cada uma dessas pessoas vive no seu mundo, e todos esses mundos constituem o mundo visível. Não temos escolha. Não podemos escolher algo diferente. O mundo nos dá uma carta de escolhas, e você deve estar dentro daquilo. Seu grupo pode ter mais ou menos pessoas, pode ser um grupo popular ou odiado, mas vai ser sempre um grupo.

Uma era de confusão. Então se estou confundindo as coisas.

Afinal, o que é realidade?

terça-feira, 29 de julho de 2014

Pra sempre, Jane Austen.

Hoje estava passando os canais e fui assistir ao Top Chef, na Sony. Depois que terminou, começou a passar um filme, que já pelo título eu já sabia que era legal: O Clube de Leitura de Jane Austen (2007).

Quando fazia inglês dois livros ganharam meu coração e respeito profundos. O primeiro foi Rebecca, de Daphne Du Maurier. Embora o título pareça ser um clássico romance, é um livro eletrizante sobre um maluco chamado Mr. De Winter e uma obcessão bizarra pela protagonista. O segundo, que me marcou mais, foi Orgulho & Preconceito, e me fez conhecer essa tal de Jane Austen.

O filme trata basicamente de uma senhora que se reune com mais cinco pessoas e discutem os livros da Jane Austen que, embora tenha sido uma das melhoras escritoras do mundo, só escreveu apenas seis livros na vida (dos quais eu só conheço três, Emma, Razão & Sensibilidade e claro, Orgulho & Preconceito. Mas só esse último que eu tenho, o resto eu li emprestado e nem lembro direito).

Mas acho engraçado como as pessoas encontram as respostas na Jane Austen pros seus problemas na vida. E o mais engraçado é que tem até tem um homem, e que NÃO é gay, o que me remove qualquer vergonha de ser homem, hétero, e ler Jane Austen. E Jane Austen até o ajuda a se dar melhor com gatinhas (ou gatonas, afinal ele está correndo atrás da cinquentona gatíssima Maria Bello).

E o legal é que além da Jane Austen ajudar as pessoas a acharem respostas para seus dilemas na vida, todos eles compreendem muito o jeito da Jane Austen, mesmo depois de séculos que ela escreveu seus livros. Eu gostei muito de uma conclusão que uma delas chega, dizendo que: "A Jane Austen sempre deu chance pros homens se explicarem. Imagina o que seria se o Darcy não tivesse mandado aquela carta pra Elizabeth Bennet?".

Tudo bem que fresco mesmo na memória eu só tenha Orgulho & Preconceito, mas foi um dos livros (e continua sendo) dos que mais me emociona profundamente. Tudo bem que quando li pela primeira vez achei mesmo o Mr Darcy um idiota, afinal a própria impressão da Lizzie nos dá isso, mas depois que ele se explica na carta, e prova que tudo era apenas uma grande confusão, foi um dos livros que mais me deram esperança desse julgamento que nós homens muitas vezes recebemos das mulheres. Queremos sim ter uma donzela do nosso lado, e muitas vezes na vida nem mesmo nós temos a chance de nos explicar, e acabamos sendo julgados e chutados para a pior classificação possível sem defesa.

E outros títulos dela me deixou mais curioso ainda. Alguém quer me dar "Persuasion" aí? ;)

E poxa, a Charlotte Lucas não era gay! Hahaha.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #6 - Torre de Tóquio



Torre de Tóquio mano! Tem umas pessoinhas, tem um mapinha e tem uma gostosa aqui. Hahahaha!

Alguém morreu de medo!! (5m02s)

Realmente, a mais épica de toda a viagem! ;)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #5 - Metrô e JR


Pois é! Mais um da série.

Em São Paulo acho que muitas pessoas estão acostumadas andar de metrô ou trem. Mas como é isso lá no Japão? Qual será o som da campainha, ou a voz dos anúncios, hein? =)

Pra desvendar esses e outros mistérios, aqui está mais um capítulo dessa odisséia nipônica!

sábado, 19 de julho de 2014

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Medo. Muitas pessoas tem os seus medos. Muitos são tão antigos que nem mesmo sabemos de que época temos esse medo. Ninguém nasce com medo de algo. Desenvolvemos de acordo com nossa vivência, com o que vemos ao nosso redor. Uma sensação ruim vai permanecer na nossa mente, e sentiremos receio que vivenciar aquilo novamente.

Por isso temos o medo.

Vi uma menininha negra, com uma pele cheia de espinhas, pareciam milhares de picadas de inseto. Tinha um rosto reto, quase não tinha nariz, e tinha um estranho hábito de ficar rangendo os dentes. Estava na minha frente, em pé, fazendo esse movimento com a boca. Sequer tinha dentes. E quando ela, na minha frente, abriu a boca, senti um cheiro horrível. Um cheio de bueiro de esgoto, e me vi voltando no tempo.

Havia uma mulher. E ela me esperava numa casa que estava toda vazia. Afinal o que aquilo significava? Ela estava com uma expressão pensativa, e estava me encarando. Eu não sabia quem ela era, mas por algum motivo eu a conhecia.

Ela era uma adolescente. E eu também.

"Eu estou grávida", ela disse.

Muitas pessoas ao ouvir isso reagiriam com felicidade. Outras, com tristeza. Mas tudo o que eu sentia era pânico. Eu não estava pronto para ser pai, na verdade acho que nunca fui. Por mais que tentasse pensar, meu maior medo vinha a tona, o grande medo da paternidade.

Na adolescência, pela criação espartana que tive dos meus pais, sempre tive medo de relacionamentos.

Meu pai sempre dizia que ele nunca tinha conseguido aproveitar a vida, que eu era um estorvo. Que se eu não tivesse nascido, ele poderia ter saído mais, se divertido mais e ter feito muito mais coisas. Dizia que eu nunca devia ter nascido, que foi por culpa dele ter escolhido ter filhos que ele não era feliz.

Meu pai sempre se mostrava a pessoa mais infeliz do mundo. Sempre descontando o estresse de um dia, junto do alcoolismo no filho. Sempre gostava de ressaltar o quanto eu era um lixo, e o quanto eu era um filho que só trazia a ele nojo e repúdio. Que eu era um vagabundo. Que a única coisa que eu fazia da vida era estudar, e mesmo assim dava problemas.

Eu era o problema. Eu era o filho. Eu nunca deveria ter nascido. Eu era o motivo da tristeza do meu pai.

E então sempre desenvolvi uma fobia não apenas por relacionamento, mas por sexo. Eu sabia que aquilo o intuito era originalmente gerar filhos. E se eu descontasse minhas angústias no meu filho, igual meu pai fazia comigo? O medo sempre foi ser igual. Logo nenhum pesadelo era pior que o ser pai. Nem o pesadelo da morte. Nem o pesadelo da queda. Nem o pesadelo de perder um ente querido. O pesadelo era... Gerar vida.

Mas somos seres humanos. Somos seres sociáveis. E conforme fui crescendo a necessidade de ter uma parceira foi também crescendo. Era algo natural, mas pra mim sempre era mais seguro apenas sonhar.

Mas eu sabia que apenas ficar em sonhos era muito ruim. Que eu deveria encarar a realidade. Que deveria ser homem o suficiente pra não apenas amar, mas em troca ser amado também.

Então comecei a encarar as garotas que eu me apaixonava de frente mesmo. E comecei a expor os sentimentos gradualmente, a tentar quebrar essa barreira do medo. Óbvio que levei muitos foras, mas em todas as vezes nunca foi por falta de lutar, e não tenho vergonha disso. Corri atrás do que queria, mesmo com todo o medo do mundo ao meu redor era um medo. E medos devem ser enfrentados, e não superestimados.

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Mas naquele momento eu era o pai. E agora?

Se aquilo era um pesadelo, era melhor acordar. Mas eu não conseguia acordar.

Dentro de nove meses um novo ser sairia daquela barriga. E teria o meu sangue. E eu teria que educá-lo, alimentá-lo, pagar seus estudos e tonar um homem ou uma mulher pro mundo. E se eu falhasse? E se eu apontasse o dedo e fizesse como meu pai tinha feito comigo? E se eu deixasse de dar amor?

Eu seria responsável por aquela criança. Estaria de alguma forma preso. Sustentar? Como, se eu mal conseguia me sustentar?

Afinal, o tolo fui eu. Porque não me cuidei e tentei evitar de alguma forma? Eu só tinha 15 anos.

Aquilo era um pesadelo? Era. Mas eu não conseguia acordar.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Roughs que viraram pinturas.

É sempre bom rascunhar bastante antes de fazer uma pintura. No lápis a gente tem muito mais liberdade pra pensar nas sombras, cores e traços, e quanto mais roughs fazemos do objeto de pintura, melhor o resultado final sai - mesmo que no final de cinco ou seis desenhos a sua opção acabe recaindo sobre a primeira, hehe.

Aqui eu quero mostrar os roughs finais de várias pinturas que eu fiz. Foi baseado nos roughs que a pintura saiu, logo com todo o planejamento feito, era mais fácil transpor depois com as técnicas de pintura. E na pintura foi imprescindível ficar de olho no rascunho pra saber onde escurecer, clarear, os detalhes e tudo mais.

Na ordem: Achalanatha, Héstia, Jizô, Avalokiteshvara, Quetzalcoatl.






Realidade que pode ser doce também.

Março 2013

Eu a amava muito. Mas não queria nunca me declarar. Já havia se passado um mês desde o fim daquela saga contra Ar, já estava de volta ao país que estava exilado com minha identidade antiga, e o objetivo meu naquele momento era encarar aquilo que eu mais temia: o amor.

Sempre gostei de você. De longe, é claro. Mas nunca tinha tido coragem de me declarar. Bom, se eu tinha sobrevivido a tudo aquilo, era claro que eu deveria era ir lá e enfrentar meu medo, pois teoricamente não existiria nada pior.

Porque encarar quem amamos de frente? Porque atravessarmos todo aquele abismo enorme do medo, da incerteza, e chegar na pessoa em que amamos e declarar tudo o que sentimos por ela? Era mais fácil e seguro continuar nos sonhos.

Afinal nos sonhos era tudo possível. Mas o que eu encarava agora era real. Era longe de Victoire, longe "dela", longe de tudo que era temporário, incerto. Tudo o que buscava era uma vida nova. Uma vida ao lado de uma grande mulher. Acima de tudo uma mulher que me amasse. E eu tinha que encarar. Encarar o medo de levar um fora, mas encarar o desafio de também seguir em frente no amor. Afinal aquilo era uma escolha, e eu deveria estar ciente das consequências dele, independente de qualquer que fosse.

"Eu sei que isso tudo é difícil de dizer. E sei que somos apenas amigos, e que é difícil olhar para um amigo do mesmo jeito que se olha pra um namorado. Mas, quer saber? Não vejo motivos para que não aconteça nada entre a gente. Eu também colocava muitos impedimentos na frente, achava que entre nós nada daria certo, mas pensando hoje resolvi aceitar", eu disse.

"Aceitar?", ela disse.

"Sim, aceitar. Aceitar que não vai ser fácil. Aceitar que vai ser difícil. Aceitar que terei que lutar, mas acima de tudo, eu quero lutar. Quero que você me dê uma chance. Quero sair desse mundo de sonhos que tenho com você e encarar a realidade, incluindo a possibilidade de levar um fora. Mas acima de tudo o que me move é esperança. Tenho esperança que tudo será superado, que terei uma chance de te fazer feliz, por isso venho aqui te dizer com todas as palavras que encararia tudo o que está na minha frente. Encararia porque eu te amo com todas as minhas forças, e quero ser mais que um amigo pra você".

Ela no começo não sabia o que falar. Olhava pra baixo, pensativa. De fato, estava surpresa. Foram apenas segundos, mas foram os segundos mais longos da minha vida. Ela olhou pra mim e sorriu. Seus olhos brilhavam, parecia que toda aquela névoa de dúvidas e incertezas havia sumido.

"Eu tenho medo, e se não der certo?", ela disse.

"Eu também tenho medo. Mas estou determinado a enfrentar isso tudo. Entenda que eu não quero mais sonhar. Eu quero a realidade! Não quero te ver num sonho e ao acordar não te ver mais. O que quero é acordar e ver você ao meu lado", eu disse.

Mas antes que eu começasse uma outra frase ela silenciosamente aproximou-se de mim, seu rosto indo ao meu encontro e eu a beijei. Embora nosso primeiro beijo tivesse um pouco aroma do café da manhã que havíamos comido, foi o melhor beijo que eu poderia ter recebido. Seus lábios eram macios como eu nunca havia imaginado, nossas bocas iam se tocando delicadamente, e ela colocou a mão sobre a minha nuca, enquanto movia a cabeça pro outro lado.

Naquele momento meu coração batia forte. Era o amor. Era o primeiro passo para deixar aquela vida na Inteligência e ter enfim uma vida comum. Sem pessoas atrás de mim, sem pessoas para prender, sem ser uma mera ferramenta do governo ou de quem que seja.

Nunca agradeci tanto à velha por ter me dado essa possibilidade. Era apenas o primeiro beijo, mas era tão bom. Uma sensação tão boa que era como estar ao lado dela: tava vontade de nunca mais sair de lá. De sempre estar de mãos dadas com ela, de volta e meia roubar (e ser roubado) um beijo. De usar aquele tempo que tínhamos, mesmo que fosse pouco, que fosse eterno enquanto durasse.

Óbvio que a realidade também trazia lá seus problemas. Em dois meses tivemos nossa primeira briga. Foi algo fútil tinha a ver com uma viagem. Naquele momento vi que talvez algumas coisas não seriam tão fáceis como esperava. Mas ainda assim valia a pena. Fizemos as pazes, brigamos, tivemos nossos momentos de tristeza e tivemos que dar um ombro amigo ao outro. Aquilo era ser um casal. Aquilo era amor. Aquilo era ser parceiro de alguém como eu nunca havia experimentado na vida.

Todas as noites que nós nos deitávamos juntos era sempre a coisa mais bonita do mundo. O corpo dela, pequeno, frágil aparentemente me dominava todo na cama. O êxtase era intenso, sentia nosso corpo se tornando um, nós dois nos fundindo em um só. Sentia a energia toda, um calor cheio de ternura dentro de mim, que se conectava a ela, enquanto ela nua jogava seus braços em mim, me abraçando, enquanto eu estava por cima dela.

Realmente imaginava que ela, pela sua aparência, fosse mais... Recatada. Mas não. Era uma mulher e tanto. Aquilo que tantas pessoas transformavam em algo vil e impuro, era sempre regado a muitos beijos, carícias e, porque não, risadas? Era divertido e prazeroso estar nesses momentos com ela, afinal éramos dois grandes brincalhões. Pois naquele momento eu estava realizando aquele sonho maior que eu tinha: namorar alguém que eu tinha como amiga.

Todas essas memórias permaneceram no meu coração gravadas. Aquilo não parecia realidade. Parece que depois de tantos anos em busca, enfim havia encontrado uma mulher pra andar ao meu lado, pra ser minha parceira. A vida parecia enfim estar sorrindo pra mim, e se aquilo fosse um sonho, jamais eu queria acordar, afinal nem tinha como. Aquilo era real, com seus altos e baixos, mas acima de tudo, era amor.

Amor, pois eu a havia aceitado, tanto nos pontos positivos quanto negativos.

Você vai saber que está amando alguém quando mesmo que depois que você saber dos defeitos da pessoa, vai aceitar mesmo assim e querer ficar ao lado dela.

Eu amava.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Doppelgänger - #30 - O fim.

"Arghhh!", eu acordei num salto, gritando.

Lembro que ao meu lado estava Agatha. Estava lendo um livro ao lado da cabeceira.

"Ora, bom dia, Al", disse Agatha, "Parece que aquela médium te botou pra dormir mesmo. Bem vindo de volta!".

Eu sentei na cama, ainda estava entendendo nada. Aquela sensação era similar a quando acordava, ainda meio pedido. Estava sem meu relógio, mas vi que estava junto das minhas coisas. Parecia que eu havia dormido por uns dois anos.

"O que aconteceu? Onde está a Ravena?", perguntei.

"Ravena está morta. Seu mestre parece que recobrou os sentidos e a matou. Mas você não acordava nunca, não entendíamos. Por mais que levássemos você em médicos parecia que você estava era imerso numa espécie de coma. Como um sono muito pesado. Mas agora parece que você acordou", disse Agatha, colocando seu óculos de leitura na pequena mesa, "Se passou quatro meses desde que você dormiu. Feliz ano novo, Al".

"A-ano novo? Merda...", eu disse, "E onde diabos está o Ar?".

"Preso. O 'n' entrou na equipe de investigação e nós fomos atrás dele. Pegamos ele ainda antes do Natal, prestes a dar mais um golpe econômico. Conseguimos provar nossa inocência, e conseguimos uma gorda quantia do governo como agradecimento", disse Agatha.

Eu não acreditava que eu tinha dormido todo esse tempo. Então a hipnose da Ravena era mesmo poderosa. Estado similar a um coma? Nossa. Agora sei como as pessoas em coma se sentem. Você acorda e parece que passaram uns dez anos, mas só se foram quatro meses. Vi o calendário na parede: 13 de fevereiro de 2013. Agradeci a Agatha e me levantei da cama. Tirei as sondas que me alimentavam e tiravam minha urina e fezes. Em uma hora estava com roupas prontas e saí do apartamento pra dar uma volta.

Agora eu tinha uma vida comum. Parece que eu não tinha sido muito útil no final. Os três haviam conseguido tudo com a ajuda de "n". Ainda precisava ver com meus próprios olhos, e agendei uma visita à prisão de Ar, dias depois que despertei do coma hipnótico.

Quando eu e o encontrei, Ar estava todo cheio de ferimentos. Parece que havia acontecido um combate bravo antes dele ter sido detido. Quando eu cheguei próximo à cela ele ergueu a cabeça e me viu entre as grades.

"Hunf... Como vai, irmão?", iniciou Ar.

"Eu não sou seu irmão, Ar. Sou o seu tio, corta essa", eu disse.

"Não acredito que me pegaram... Aqueles idiotas. No fundo o sortudo foi você que ficou dormindo e nem apareceu".

"Ar... Por que isso tudo? O que diabos você queria fazer manipulando o sistema econômico desse jeito?".

"Eu queria era acabar com essa merda toda. Achava que se eu fizesse isso, meu pai viria atrás de mim. Eu perdi minha mãe ano passado... Meu pai, Arch, era minha única família que restava".

"Ar!", eu gritei, "Quando você vai entender que o seu pai, meu irmão está morto! Nada do que você fizesse o faria vir te parar! Você causou isso tudo pensando que meu irmão viria como um paladino montado em um cavalo e te parar?!".

"Eu tinha poder, irmão! Eu estava acima do bem e do mal!", gritou Ar.

"Pft... Deixa pra lá. Você é um doente! Me arrependo de ter salvado sua vida. Espero que apodreça na cadeia!", gritei. E depois me virei e foi embora.

Sem dúvida esse não era o final que eu esperava. Mas aconteceu. Fui pego e fiquei fora de combate por um bom tempo. Dias depois fui retirar alguns documentos na sede da Interpol e comprei um bilhete só de ida para o país que vivo refugiado. Dessa vez, pelo menos, espero que eles não me encham o saco tão cedo.

E dessa vez, quem sabe, poderia enfim ser... Feliz. E ter uma vida normal.

Meu segundo Achala.


Se você está perdendo a fé na humanidade, pinte um Achala pra voltar a ter fé nela, hehe.

Ando meio triste, cabisbaixo, e resolvi ontem pintar pra desabafar. A gente vai conversando com o Achala e parece que ele vai respondendo, não sei. Acalma nosso coração.

Vieram muitas idéias pra outras pinturas, até para melhorar minha técnica.

De fato acabou saindo com as cores bem fortes. Igual eu conversava com meu amigo Giba, eu deixei de pintar com tinta acrílica, mas a tinta acrílica não saiu de mim. Difícil pintar em Aquarela e entender que é outra pegada, outro conceito. Ficou parecendo pintura em guache, têmpera, e até acrílica. Exceto o fundo. Esse sim ficou parecendo aquarela, hehehe.

Mas é bom, vamos aprimorando a coisa, melhorando. Não ficou de se jogar fora!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #4 - Supermercado



Uau, logo logo vai fazer um mês que comecei os diários do Japão! =P

Mas digamos que estamos chegando no meio.

Esse é um divertido também! E essa senhorinha no final? Foi um dos momentos mais "WTF" que tive na minha vida! Da onde ela saiu? Hehehe!

sábado, 12 de julho de 2014

Perdemos porquê?

Bom, agora que o fuzuê abaixou um pouco dá pra postar.

Já depois do terceiro gol da Alemanha todo mundo em Facebook virou especialista em futebol. Mas acima de tudo uma coisa que não concordo nem vindo da imprensa, muito menos dos torcedores é a clássica forma de tentar achar um culpado.

Foi culpa do Felipão? Do Fred? Do Neymar? Do David Luiz que jogou na posição errada? Do time que estava com a zaga comprometida? Do Hernanes que não entrou (essa é a do comentarista Neto! Foi a frase que ele mais falou em todos os jogos, como se o Hernanes fosse o salvador da pátria)?

Quem procura culpado é mal perdedor, na minha opinião.

Foi criado desde o início uma confiança exagerada sobre o time do Brasil. Jogando em casa, saíam em comerciais pra trazer o povo pro seu lado, afinal eles sabiam que o brasileiro se acha técnico de time, e que se não tivesse o apoio, não conseguiriam nem a pau, porque se o brasileiro não vê o time jogando ele vaia mesmo.

Afinal, o torcedor brasileiro é sempre enganado, coitado. Fica passando aí na Globo que o futebol do Brasil é o melhor futebol do mundo. Diz que campeonato brasileiro é o mais concorrido do mundo, mas também pudera, que jogador aguenta jogar quarta, sábado e domingo direto? Por mais que ganhe um jogo, o corpo físico não aguenta tantas partidas seguidas. Ganha uma e perde uma, e o torcedor se vê no direito de bater no jogador se não ganha. Ao mesmo tempo o brasileiro médio só "descobriu" a Liga dos Campeões agora, muito graças ao Neymar. Ou quem ia imaginar que a Globo iria passar jogo do Barcelona no meio da tarde se o futebol brasileiro é tão perfeito e tão show?

Ninguém pensa nos méritos da Alemanha. Jogou e jogou muito. Eu acho que o Brasil devia ter perdido no Chile, mas ganhou muito mais pelo preparo físico do que por técnica propriamente dita. Hoje em dia todo país do mundo joga futebol, todo país gera craques. Da Colômbia até Costa do Marfim que você nem sabe onde é.

Na época do Pelé era fácil, só o Brasil que jogava futebol praticamente. Outros times eram apenas times de amadores que jogavam pelos seus países. Ou você pensa que, no futebol de hoje, algum jogador decente cairia naqueles dribles do Pelé? Não cairiam. Cravariam falta, dariam carrinho nele, roubariam a bola, e o Pelé não ia chegar nem perto do Neymar. O futebol mudou muito. Acostumem-se com isso. Não existe "futebol show".

E foi isso que aconteceu. Até pegar a Alemanha o Brasil, um time nível 5, tinha pegado no máximo um Chile que era nível 6. Quando veio Alemanha, um time nível 10, tomou sete gols. É simples! Alemanha era matematicamente garantida na final, como adoram dizer os comentaristas. Não foi culpa do Felipão, não foi culpa da escalação, não foi culpa do psicológico, nem nada. Apenas éramos... Inferiores.

Mas se você fala isso, nossa, é enforcado em praça pública: "Como assim! Brasil é o melhor time do mundo, somos Penta, revelamos craques pro mundo inteiro!". Falam que você não é patriota (especialmente os amantes da "Educação Moral e Cívica", conhecida como "Lavagem cerebral da ditadura"), que não acredita no seu país, que não chora cantando o hino, bem... Quando me falam isso, uso as palavras dos alemães, que não tem esse patriotismo doente e dizem: "Patriotismo exagerado gerou nada menos que o nazismo. Por isso jogamos pelo nosso país, mas não vemos motivo pra amar nossa bandeira cegamente". Bingo! ;)

Aí a gente vê essa molecada de cinco anos, dessas que gritavam "Joga por mim, Neymar" se afogando em lágrimas porque ensinaram pra ele que apenas ganhar é a opção. Falaram pra ele que Brasil é o único país que se joga futebol bem, que o SPFC é melhor que Barcelona e o Santos melhor que o Bayern de Munique. Mas esqueceram de ensinar pra ele o óbvio.

Que isso é uma competição! E temos que saber perder! Quando se é pior, se perde, não tinha como pedir pros jogadores jogarem mais pois era como tirar leite de pedra.

Como diz minha mãe, não mudou minha conta bancária. Nem se ganhasse mudaria minha conta bancária. Não adianta ficar apontando o dedo e colocando a culpa em alguém. Éramos pior, e quando se é inferior, se perde. Simples.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

É tão estranho pessoas sorrindo em fotos do perfil.

Esses dias estava na rede social e vi um post bem interessante, recheado de violência, indignação e outras coisas mais sobre a Copa. Dêem uma olhada no teor da coisa:


Bom, depois de enfiar várias coisas no orifício retal (coitado, sempre o cu que toma tudo sozinho!), bem... Não vou comentar sobre a copa. Pelo menos não nesse post. Mas sim como essa coisa de rede social mexe com nossa imagem das pessoas. E não digo sobre o que necessariamente a pessoa pensa - vivemos numa democracia, mesmo que não concordemos, devemos respeitar acima de tudo. Mas sim de imagem mesmo, no sentido literal.

A imagem dessa senhorita tecendo esse comentário de baixo calão e... SORRINDO NA FOTO DO PERFIL! xD

Não sei, mas uma das leis básicas da semiótica é que atribuímos um significado ao todo, juntamos o texto cheio de palavreado chulo com a imagem sorridente da pessoa, e tudo o que consigo imaginar é que a pessoa que nos diz fala sobre enfiar coisas no buraco anal... Sorrindo. Isso parece meio psicopata, não sei como definir. Por favor, sou só eu que penso assim?

Por isso que eu detesto fotos de pessoas sorrindo. Não coloque fotos sorrindo no perfil. Ou pelo menos não coloque sempre. Eu entendo que é muito uma questão de embelezar: especialmente mulheres.

Tirar uma foto sorrindo tem todo aquele significado de juventude, de estar na flor da sua idade e de seu período reprodutivo em busca de acasalamento, mas pera lá! Mas existem também outras caras, e... Pasmem, pessoas ficam muito bonitas sérias (homens e mulheres!), com aquele olhar de Monalisa, ou mesmo aquelas fotos espontâneas. Muitas são sensacionais, e você não precisa estar bêbado num bar e decidir tirar uma foto com aquele sorrisão de vodka pra se sentir bonito.

Pessoalmente não gosto de imagens sorrindo. Ok, meu Twitter tem uma foto minha sorrindo, meu Google Plus também. No meu Facebook é uma foto com sorriso mais discreto, e em outras é até um desenho auto-retrato meu... Com feição séria.

Acho que com o advento das câmeras em todo lugar e acessíveis trouxe também um novo padrão de fotos, onde apenas sorrindo é aceitável. Mas fica tão estranho uma pessoa sorrindo e me mandando enfiar objetos fálicos no meu reto como nesse post da rede social que... Acho muito estranho. Eu leio o que a pessoa disse e tudo o que consigo imaginar é a pessoa falando isso tudo sorrindo, como na imagem.

Estranho, né?

(ah, eu escondi, obviamente, pra preservar a identidade da pessoa, hehe. Mas acredite, a foto está com um sorrisão de bochecha a bochecha)

terça-feira, 8 de julho de 2014

Doppelgänger - #29 - Milagre.

Agatha e Victoire se abaixaram num pequeno muro que havia na saída dos fundos da mansão de Löfgren. Eles eram silenciosos e sorrateiros, mas ainda assim não eram páreo para o grupo de soldados que vindo em furgões, se espalhando por toda a quadra, altamente armados.

"Agatha, chamaram os SO12", disse Victoire, com sua voz apreensiva, "Os caras da Special Branch já estão prontos pra entrar, e para não levantar suspeitas para a imprensa, acho que já vão entrar logo. Droga... Se eles encontrarem o Löfgren morto, e a Desert Eagle com minhas digitais, estamos ferrados. E pelo visto, o Rockefeller e aquela mulher devem estar é do lado deles".

"Não acho que dê para distraí-los de alguma forma, garotas. E como não temos nenhum armamento, obviamente nem tem como irmos de frente contra eles. Acho que teremos que nos entregar e depois pensar em alguma forma depois de escapar", disse Nezha.

"Nezha, imbecil, em que mundo você acha que vive? Acha mesmo que em pleno século XXI com terroristas e idealistas soltos por aí acham que vão apenas nos fazer algumas perguntas? Nós somos inimigos de Estado, e provavelmente as informações que temos seria confiscada até mesmo pela mais podre da imprensa, afinal ninguém quer se meter com esses terroristas da bolsa de valores. É o dinheiro deles que está em jogo, porque eles denunciaram algo que lhes dariam prejuízo? É melhor ter como manchete o filho da Kate Middleton... Vende mais", disse Agatha, dando um choque de realidade.

Só um milagre pode nos salvar, pensou Victoire.

Ao longe, uma pessoa olhando por um binóculo de um andar superior de um pequeno edifício a três quadras dali via a cena toda. Seus olhos não conseguiam deixar de ver Agatha. A pele branca e macia, os longos cabelos dourados e os olhos azuis. Seu rosto holandês com traços penetrantes, parecia um pequeno coelho sendo visado por um lobo. Um lobo sedento. Agatha era a presa.

Agatha de súbito sentiu uma dor, e caiu gemendo no chão.

Naquele momento a surpresa tomou conta de todos. Agatha comprimia a si mesma sobre seu ventre, como se ficasse numa posição fecal, fechando a boca com muita força para que não a abrisse para soltar um único gemido.

Victoire e Nezha não sabiam o que fazer. O que acontecia? Será que Agatha havia sido envenenada em algum momento? Difícil... Apenas se isso tivesse acontecido quando golpeou a mulher dentro da mansão, mas teria que contar também com que ela mesma estivesse preparada para tal.

Agatha arregalava os olhos e cruzava os braços sobre seu ventre. Havia virado o seu corpo pro lado, e Nezha tentava contê-la, segurando-a pelos ombros, enquanto Victoire, com seus conhecimentos médicos, tentava pedir pra que ela saísse daquela posição para que pudesse fazer algum diagnóstico.

"Droga, Agatha! O que é isso? Você está tendo uma... Convulsão? Você é epiléptica?", disse Nezha, ainda aterrorizado ao ver a morte de Löfgren há momentos atrás.

Uma lágrima escorria dos olhos de Agatha, que fazia apenas gemidos abafados com sua boca fechada. Victoire tentava com toda sua força separar as pernas contraídas de Agatha sobre seu ventre, sem sucesso. Foi aí que sem querer Victoire olhou pra região da pelvis de Agatha, e viu que ali estava muito molhado, mesmo na calça jeans.

"Minha nossa, isso é... Urina? Será que é algo na bexiga?", argumentou Nezha.

Victoire passou a mão na parte molhada da pelvis e cheirou a mão. Aquilo não tinha nenhum cheiro de ureia. Agatha percebeu isso e, mesmo segurando todo o gemido, deu um sorriso pra Victoire, como se ela mesma não tivesse entendendo o que estava acontecendo com si mesma. Os gemidos eram baixos e... Longos. Seus olhos viravam pra cima, sua respiração estava profunda, e seu corpo inteiro estava preso como se fosse por um choque. Estava arrepiada.

Aquilo não era gemido de dor. Agatha estava estranhamente tendo um orgasmo. E dos fortes.

A dor e o prazer são sensações muito próximas. E nós como mulheres somos os melhores seres para descrever esse limiar.

Afinal, a dor de algo entrando em nós ao mesmo tempo é cheio de dor e prazer. Parece que a sensação é de acordo com o psicológico de nós mulheres. Quando quisermos sentir prazer, a dor virará um orgasmo. Mas se quisermos sentir dor, sexo sempre vai ser algo torturante e com gemidos falsos.

Já estava de olho em você há muito tempo, loira. E só de vasculhar sua mente, ver todas essas cenas que você tem aí na sua memória com os mais variados tipos de pessoas me excita muito. Eu quero ter você... Só pra mim.

"Essa voz... Está ecoando na nossa mente. Por acaso isso é... Telepatia?", disse Victoire.

Sim! Telepatia. Você pode ser uma francesa, mas pelo visto é uma das poucas inteligentes que vieram daquele país. Eu sou Sara, sou a psíquica do Legatus. Posso livrar vocês dessa, mas vou querer ver essa loira pessoalmente... Me concentrar e sentir prazer me cansam demais, mas já consegui tirar uma casquinha dela.

Nessa hora, Agatha relaxou seu corpo. Estava ofegante, deitada no chão, com as pupilas dilatadas, transpirando. Pegou a manga do seu suéter e limpou a lágrima que havia caído do seu olho. Estava vermelha, não sabia do que mais sentia vergonha: de ter sentido um orgasmo poderoso de súbito, ou de ter sido controlada por uma das telepatas mais poderosas do mundo.

"Certo, você é Sara, né?", disse Agatha, baixinho, "Se você nos tirar dessa, vou aí encontrar você".

- - - - - - - - - - -

O capitão Danny Archer estava apreensivo. Não sabia exatamente do que estava tratando, mas por ter recebido uma ligação da Interpol sem maiores detalhes parecia que o objetivo dele era levar os alvos vivos para eles. Nenhum detalhe a mais havia sido oferecido.

Talvez pelo fato de que sua filha, Jackie Archer era jornalista online do famoso tabloide The Sun, e que qualquer detalhe a mais iria com certeza acabar sendo alvo de algum comentário enquanto visitava sua filha em Haringey. Eram outros tempos... Nem todo tipo de notícia vendia arrebatadoramente como era antigamente.

Mas uma dessas sem dúvida venderia, e muito.

Três soldados entraram e encontraram Rockefeller com um saco de gelo na sua nuca. Parece que a pancada tinha sido dolorida, mas nada mais que isso. Ao seu lado estava a mulher que estava com ele, sentada numa cadeira, com os braços cruzados sobre sua barriga, massageando depois do golpe de Agatha.

"Eles foram por aquele lado. Vão em silêncio que vão pegá-los", disse a mulher.

Os três soldados foram andando, com suas armas em punho até o local apontado por Agatha. Podiam ver a mureta que os três estavam escondidos há pouco tempo. Os três de súbito deram um salto, afinal, tudo o que eles tinham eram o elemento surpresa.

Mas surpreendentemente, nenhum dos três estava lá.

"Capitão Archer. Os alvos não estão aqui. Precisamos de mais soldados para fazer uma varredura na mansão. Temos um homem baleado, sem sinais de vida", disse um dos soldados.

"Mas que droga...", disse Danny Archer, "Como eles escaparam?".

O capitão Archer não conseguia entender. Sentiu algo encostando na sua perna, mas quando virou, viu que havia nada.

Talvez eu esteja vendo coisas. Poderia jurar que vi um rapaz passando agachado do meu lado.

O que você diria se conseguisse ver, mas não conseguisse enxergar? Um golpe de mente, confusão cerebral. Tudo o que Sara havia solicitado era que os três saíssem calmamente da mansão pela porta de trás, que por mais que os guardas os vissem, eles não os conseguiriam enxergar.

De fato era uma grande telepata. Muito além do esperado.

E uma lésbica inveterada.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #3 - Quebradas de Tachikawa



Ueba! Mais um.

Nesse terceiro episódio, vou andar nas quebradas de Tachikawa, e temos aqui três coisas interessantes.

A primeira é uma japoronga me dando mole logo nos primeiros segundos do vídeo, haha! Pausem e olhem o sorrisinho malicioso que ela dá pro brasileño aqui! A segunda é eu bater com tudo meu relógio na proteção do monotrilho, ainda bem que ele é bem firme e segurou bem! E a terceiro é o sutil "Vish" que eu solto ao sair do trem e ver uns sons típicos de RPG japoneses quando você conquista um achievement.

Sem dúvida Japão não é uma terra de animês. E sim, uma terra com jingles de RPG em todos os cantos!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Doppelgänger - #28 - O que existe de pior em nós.

Nossa. Que coisa de louco... Eu falando com fantasmas. Bom, mas sei lá, o que garante que o que apenas o que eu vejo seja real. E ela está tão nítida aqui na minha frente... Acho que por mais que eu contasse isso, ninguém acreditaria.

Al pensava nisso enquanto olhava para sua falecida esposa ali, do seu lado. Realmente era o tipo de estória que quase ninguém acreditaria. Mas ela parecia firme e forte, mesmo que por aquele pequeno tempo, parecia disposta e determinada a caçar Ravena.

"Bosque de las ilusiones", disse Val, "Droga... Com certeza ela entrou mata adentro. E vendo a atmosfera daqui, com certeza tem muitos perigos nessa mata".

Al foi em direção dos tiros, e ao chegar lá viu que Ravena não estava mais lá. Apenas algumas marcas de sangue no tronco da árvore. Ravena havia escapado. Mas se ela tinha realmente uma missão, ela não poderia voltar ferida e sem completá-la. Al ainda era seu alvo e objetivo principal.

"Querido, ela como uma médium, provavelmente vai tentar de diversas maneiras fazer com que você caia num sono", alertou Val, "Uma vez adormecido ela vai ter controle total sobre você, portanto tome cuidado".

"Huh... Não acho que tenso do jeito que estou eu esteja no clima para tirar uma soneca", brincou Al.

"Sim. Mas nunca se sabe o que uma pessoa como ela pode usar. Dentro dos sonhos ela vai poder causar diversos tipos de ilusões, poderá criar o mundo do jeito que ela quiser, e nada te fará muito sentido. Em outras palavras, ela pode fazer com que você perca sua sanidade, ela é uma pessoa que sempre usou seu dom espiritual para o mal".

"Certo. Vou me lembrar disso. Mas antes temos que achá-la.".

O Bosque de las ilusiones é um mato virgem que tinha próximo da residência do mestre, no interior da Colômbia. Esse era o apelido local que tinha, embora fizesse parte de uma outra floresta maior daquele local. Al andava agachado, se escondendo em cada árvore que encontrava. De fato, era um ambiente um bocado escuro, e quanto mais entrava mato adentro, mais escuro ficava. Era algo aterrorizante por si só.

"Sinto... Muitas pessoas mortas aqui", disse Val, "Parece que essa floresta carrega muitos seres que acabaram morrendo, desde a época da colonização espanhola. Essa força parece me esmagar... Cuidado, querido".

Al sentia o ar pesado, embora só ouvisse Val falando, queria fazer silêncio absoluto. A escuridão era seu parceiro naquele momento. Resolveu ir em frente, e foi agilizando o passo. Ravena não devia ter ido pra longe. Caminhou até o momento em que viu uma pessoa, chorando. Era um jovem adolescente.

"Señor, señor!", disse o jovem, "Por favor, me ajude, fui picado por uma cobra há pouco tempo, estou perdido! Quero voltar para meu papa e minha mama! Não consigo andar com esse pé, estou com medo de ficar sozinho aqui, o señor é minha última esperança".

Cobras. Al não tinha muito medo, mas se um garoto havia sido picado, sem dúvida aquilo era um perigo. Dando o seu ombro, Al levou o garoto consigo. Usando bússola que tinha como base, voltou para o local onde estava a cabana do mestre.

"Acalme-se, garoto", disse Al, "Já estamos chegando. Meu mestre é um grande farmacêutico, com certeza ele tem algo para tratar".

Porém, quando Al chegava perto de uma clareira no local, viu dois homens correndo em sua direção, muito feridos.

Estavam todos sangrando muito, seus intestinos saindo para fora dos seus corpos, e seus gritos de dor e terror ecoavam por toda a floresta. Sem dúvida aquilo chamaria a atenção. O que diabos era aquilo? Prisioneiros das FARC que haviam escapado do cativeiro? Eles passaram correndo por Al, batendo em seu ombro, praticamente derrubando-o em cima do garoto machucado pela cobra. O rastro de sangue era nítido.

"Mas o que diabos...?", disse Al, "Quem eram esses caras? Que merda é essa, uma zona de guerra?".

Quando a cabana do mestre estava próxima, Al viu mais uma cena tórrida.

Quatro homens pareciam segurar firme uma pessoa no chão. Ficavam gritando muitos palavrões, pareciam surrar o rosto dessa pessoa que estava no chão com muita brutalidade. Socos. Até um momento que um deles pareceu tirar o cinto da sua calça, e usar aquilo como açoite, batendo firmemente na pessoa que parecia estar no chão.

O que diabos faziam com aquela pessoa? Al sacou a Beretta e foi se aproximando eles, mas antes deixou o jovem encostado numa árvore, mesmo ele gemendo muito de dor, e o efeito do veneno parecendo piorar toda a situação dele.

A arma estava sacada e destravada. Al mirava nos homens, mas um em especial chamava a atenção. Não dava pra ver de longe, mas ele parecia que estava colocando seu corpo em cima da pessoa, parecia fazer um movimento estranho, subindo e descendo. Al se aproximou bastante, ficando a apenas alguns metros daquela cena.

Quatro homens. Dois seguravam firmemente os braços da pessoa.

"Fica calma, fica calma! Não era isso o que você queria?", disse um dos homens.

As roupas da pessoa estava rasgada. Seu rosto estava com grandes hematomas.

"Vai logo, cara! Vai logo que eu tô louco de vontade também!", disse um dos homens.

A luz brilhou e era possível ver a silhueta da pessoa. Tinha mamilos largos e bicos firmes. Uma cintura muito fina. Parecia usar um vestido também, mesmo que naquele momento estivesse todo rasgado pela brutalidade. Seu rosto, mesmo todo ferido mostrava uma delicadeza.

Uma delicadeza feminina. Era uma garota.

E estava sendo estuprada naquele momento por quatro homens.

Sem dúvida era uma cena nojenta. Al quando enfim entendeu o que se passava não sabia o que fazer. Via a mulher sendo penetrada sem dó pelo homem, que mais parecia um animal subjugando a presa. Os outros homens estava lá com suas calças abaixadas e com seus pênis eretos, aos urros, mandando o que estava no ato gozar logo para que eles pudessem também ter o êxtase com aquela garota.

Era uma garota mesmo, parecia ter seus quatorze anos no máximo. Ela tinha uma aparência similar ao dos estupradores, talvez fosse até mesmo uma parente, o que deixava a cena mais nojenta ainda de se ver. O barulho do choque do cóxis do homem no ventre da mulher era um som que emitia dor por si só. A garota não parava de gritar de dor, e ela parecia ter desistido já de lutar. Queria mesmo que aquele pesadelo terminasse, e terminasse logo. E eles pareciam fazer de propósito, ignorando os gritos de "Pare" da garota.

Babavam em cima dela, uma baba espessa saindo da boca, até que com um urro final de prazer um dos homens saiu em fim em cima dela, com seu pênis completamente molhado, gotejando esperma que havia sido ejaculado em toda a garota, indicando pra que o próximo começasse.

O nojo de Al ver aquela cena era nauseante.

Era difícil segurar, mas ele queria vomitar no mato ao lado, mas sabia que ele seria descoberto ao menor barulho. Tinha uma arma, mas estava tão paralisado de medo que nem mesmo conseguia mirar a arma.

A pobre menina não tinha o que fazer. Seus braços eram segurados firmes, e era possível ver que depois de tantas agressões físicas, tudo o que ela queria era sair dali viva. Sair dali era o suficiente. Mesmo depois de humilhada e massacrada por quatro homens que estavam fazendo isso com ela. Ou talvez mesmo morrer ali. Torcer para que numa próxima vida tenha uma existência menos sofrida. Morrer era melhor que viver com aquela memória, com aquilo que havia passado.

Não podia fazer nada. Apenas torcer para que gozassem logo e saíssem dela o quanto antes.

Al estava encostado na árvore, sem reação. Havia visto naquele momento uma das coisas que havia de pior no ser humano.

"Al! Cuidado!!", veio correndo Val, gritando, "Ela está bem aí do seu lado!!".

De súbito, aquela cena de estupro parecia evaporar no ar. Aquilo não era real. Aquilo era uma ilusão. Com um golpe preciso, Ravena derrubou Al, que caiu paralisado de dor.

"São espíritos", disse Ravena, "A pessoa envenenada, os dois homens correndo feridos com suas tripas saindo, e a cena de estupro. Tudo isso aconteceu nessa floresta há alguns anos, mas a energia e as almas ainda estão aqui, perambulando, pedindo ajuda. E você nem reparou que a sua esposinha havia se perdido de você há alguns minutos. Talvez ela teria reconhecido que eram espíritos, mas agora é tarde demais".

"Argh...! Droga... Que dor!", disse Al.

"Agora venha aqui Al. Agora vai descobrir porque me chamam de Devoradora de Sonhos", disse Ravena.

Ela colocou a mão tampando seus olhos e sussurrou algo no ouvido de Al.

Hipnose. Pelo visto Ravena era uma expert em hipnose. Era algo irresistível. Em poucos momentos Al havia caído num sono. E era tudo isso que Ravena precisava.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Eu e Siddartha. #3

Quando era moleque eu sempre tinha visões.

Ás vezes só de andar em locais eu via muitas coisas que quando eu colocava meus olhos eles sumiam. Crianças são seres muito inteligentes, muito mais inteligentes que nós adultos, e eu não era diferente (mesmo que muitos adultos me tratassem como um retardado por eu ser criança).

Sabia que ver aquilo numa família católica pelo lado do pai e evangélica pelo lado da mãe era errado. E eu nunca concordava muito com isso, pois era a clássica rivalidade do "eu estou certo e você está errado".

Por parte de pai, tinham muitas pessoas que eram mães de santo. A mais próxima era minha avó Benedita, uma médium muito forte. Dizem que ela queria fazer uma purificação em mim quando eu era bebê e minha mãe, já evangélica, fez abraçada comigo orando o nome de Jesus fortemente. Muitos na família do meu pai herdaram essa sensibilidade espiritual, mesmo que ela se mostre de diversas outras maneiras.

Já por parte de minha mãe, tinha muita gente forte espiritual também. Mas por serem evangélicos, mesmo que a essência e o conceito das visões fossem similares, por serem evangélicos era um "presente de Deus", enquanto o que era feito pelas mães de santo de parte do meu pai, mesmo similares, eram "coisas do demônio".

Por parte de mãe eu tinha uma bisavó que era completamente cega pela catarata, a vó Ana. Mas ela enxergava claramente espíritos. Uma das coisas que mais me deixava impressionado era quando ela via espíritos incompreendidos sendo levados na água para o esgoto. Eu não conseguia ver com tanta clareza, mas até hoje tenho muito medo de bueiros nas ruas. Vó Ana faleceu com mais de noventa anos, em 1994.

Eu tinha muitas premonições também. Eu previ a morte do meu avô Raimundo. Eu sabia que ele estava prestes pra morrer, e mesmo eu tendo apenas nove anos na época, lembro que quando minha avó veio até mim, chorando, e disse: "Alain, o seu avô Rai morreu", eu peguei e voltei a brincar com carrinhos, pois eu já sabia. Era sempre muito em sonhos também que vinham essas indicações. Quando minha avó veio dizer que o vô Rai havia morrido, provavelmente eu teria dito: "Mas isso eu já sabia".

Mas curiosamente esses seres nunca me fizeram nenhum mal indiretamente. Não sei o que acontecia, mas quando eu os via eles... sumiam, evaporavam. As visões continuaram (e continuam) até hoje. Mas sempre alternavam muito.

Lembro de que quando tinha uns 17 anos eu sempre via uma menina loira de cachinhos, correndo com um vestido branco e um laço azul na cintura na minha casa. Na época eu tinha muita depressão por conta do relacionamento difícil com meu pai na época.

Quando era criança tinha medo, especialmente dos que eu via no corredor da sala de casa. Sempre os via chegar até a porta, mas sem nunca conseguir abrir a maçaneta pra entrar no corredor - onde havia uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma foto do casamento dos pais do meu pai, e da Sônia, minha falecida tia, a primogênita da família do meu pai, morta com apenas oito anos.

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O Buda também quando era criança tinha muitas visões. Uma vez, durante um festival agrícola, o pequenino Siddartha entrou em meditação e enquanto via um passarinho comendo uma minhoca. Entrou em comunhão com os guardiões terrestres do darma e teve um insight sobre como o ciclo da transmigração existe.

Tudo o que nasce, deve morrer.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #2 - Lojas de conveniência



Oba! Mais um capítulo do video blog!

Dessa vez a aventura foi conhecer as quebradas de Tachikawa e ainda ir dentro de uma das milhares de Lojas de Conveniência espalhadas pela Terra do Sol Nascente. Sempre é interessante ir a mercados em cada país que você vai, e eu ganhei esse ótimo hábito aí no Japão.

Realmente, é um banho de cultura!

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