quarta-feira, 30 de julho de 2014

Make a wish for a LOOPING star.



Muitos caminhos levam até você. Mas o caminho até você tem você como grande obstáculo. Era aquele monte novamente, dava pra ver o vale que se estendia até o horizonte. E nele havia uma casinha. E dentro daquela casa eu via um casal feliz, sentado na varanda, com um pequeno filho. Eles pareciam felizes.

Eu via aquela situação e perguntava se era aquilo que eu desejava pra minha vida. Afinal eu estava fugindo de tudo. Há dez anos tive um amor, já passávamos do ano de 2022. O tal filho já seria um garoto grande, mas tudo o que poderia fazer era fugir daquela realidade. E justo naquele momento em que havia encontrado aquele lugar perfeito, me deparava com essa cena. Me aproximei deles. Como estava longe de casa, temia que eles não soubessem minha língua. Mas sabiam, e falavam fluentemente.

“Porque pessoas se unem? Porque pessoas namoram umas com as outras se o amor apenas traz sofrimento?”, eu perguntei.

A mulher, que tinha no colo um pequeno bebê olhou pra mim:

“Todos nós fomos gerados do amor. Nosso corpo é nada menos do que a forma material de um amor na sua maior expressão. Aquele primeiro olhar, que virou uma palavra, que virou uma carícia, que virou um beijo, que virou o ato de fazer amor, que gerará mais pessoas, frutos disso”.

“Então toda a origem do sofrimento está nisso aqui?”, disse eu, apontando pra minha genitália, “É por causa dessa merda aqui, e dos desejos que ela me traz?”.

“Não. Por mais que você se livrasse disso, você nunca se livraria do amor. O amor está aqui”, disse ela, apontando pro meu estômago.

Por mais que o meu coração batesse, por mais que meu cérebro tentasse entender, a origem de todo o mal estava no meu estômago. Era ali que nascia o amor, era ali que nascia todo o sofrimento da espécie humana. Afinal era o amor que nos tornava cego, que nos fazia enxergar a pior espécie de pessoa como sendo a pessoa que nos completava. Era o amor que nos dava esperança, mesmo que a pessoa em questão jamais ficasse conosco, não importasse o quanto nos esforçávamos. Era o amor que nos dava a sensação de sermos um lixo de pessoa, depois que nos declarávamos e levávamos um fora, depois de lutarmos tanto por um amor, e nada mais teríamos que fazer a não ser amargar a derrota e nos perguntar onde erramos.

“Erramos desde o começo, porque amamos”, eu disse.

“Se você acreditar nisso, então essa será a sua verdade”.

“Mas eu não acredito nisso! Eu ainda quero acreditar no amor!”

“Como, se você tem esse receio? Você nem sabe como é ‘namorar’. Esse discurso é interno, apenas você pode encontrar a sua resposta, pois o seu medo nunca foi ter filhos, ser sozinho, ou mesmo levar um fora”.

“Então qual é o meu medo? Vamos, me diga!”.

Ela ficou quieta. Me olhava com os olhos de pena, como se não conseguisse falar. Mas eu queria realmente ouvir?

Senti um cheiro estranho de esgoto. Olhei pra trás.



Muitos caminhos levam até você. Mas o grande caminho até você tem você como obstáculo. Eu via aquele monte novamente, com uma grama verde, um céu de mármore azul. Vento fresco, a luz do meio dia, irradiando por todo o local. No topo daquele monte havia uma casa colonial, muito bonita, um amarelo bem claro, telhado marrom e uma varanda. E dentro daquela casa eu via um casal feliz, sentado na varanda, com um pequeno filho. Eles pareciam felizes.

Era um outro lugar, mas era idêntico. Eu me aproximei e olhei para a mãe, que colocava o pequeno fruto daquele amor para dormir. Parecia tão simples. Eles estavam vestidos elegantemente, um grande vestido branco e azul cheio de babados, e o homem com uma gravata e terno, observava aquilo com um ar doce e gentil. Vi o bebê dormindo e dei dois passos pra trás. Olhei pros dois e falei:

“Acho que nasci pra ser sozinho”.

Foi a vez do homem conversar comigo.

“Ninguém nasce pra ser sozinho. Cedo ou tarde encontramos uma pessoa. Muitas pessoas passam a vida namorando uma pessoa, mas ás vezes só depois que terminam com essa pessoa que encontram uma pessoa e se casam”.

“Então amor é uma... Vontade?”

“Sim. Pessoas não ligam se será você, ou se será com outra. Seres humanos descartam uns aos outros como peças. Pessoas amam umas as outras no momento. No momento você pode ser essa pessoa, amanhã pode ser outra, mas ninguém garante que essa outra será a que ficará para sempre. Pode haver uma terceira, e assim por diante”.

“Porquê?”

“Porque isso é amor. Amor é um ato egoísta e mesquinho. Só amamos quem nós queremos, não é possível amar uma pessoa que você não goste. E pessoas persistem nesse erro grosseiro de achar que somente podem amar uma pessoa que o coração lhes é tocado”.

“Então eu devo amar as pessoas o tanto que eu desejo ser amado?”, eu questionei.

“Você não pode querer que uma pessoa te ame sem que você se ame primeiro. Você pode vir aqui quantas vezes for pra questionar isso, mas sem vai receber a mesma resposta. E mesmo que não consiga ouvir, até mesmo esse ato é significante por si só”.

“Que eu não queira ouvir? Mas é claro, pois então fale!”.

“A verdade é que de todas as congruências do mundo, uma apenas é maleável o suficiente para reter qualquer quantidade de equanimidade da relação ubíqua que existe no hoje, na contemporaneidade. De todas as ambiguidades que existem na relação interpessoal entre seres retidos no dinamismo do vértice atemporal é julgado não apenas pela contextualidade dos meios vigentes pela presente lei como também pela necessidade de absorvência dos fatores presentes de toda presença contextualizada potencializadora de características inerentes”.

“Mas que merda é ess...?”, eu disse.

Eu me distraí. E vi quem estava dentro da casa. Vi novamente aquele ranger de dentes e a boca se abrindo.

Um cheio de esgoto dominou o local. E eu vi novamente isso.



Muitos caminhos levam até você. Mas até você tem você como grande caminho até o obstáculo. Nada mais fazia sentido. Eu via novamente aquele monte escarpado, recheado de uma grama verde e flores se abrindo. Se alguma forma eu conhecia aquele local... Mas de onde? Eu já estava ficando velho. Não conseguiria nunca mais me aceitar para aceitar um amor.

Afinal o que era amor? Amor era uma intransigência, um fator de destruição do ser humano, um ser que nasceu social mas hoje vive sozinho. Seus problemas são apenas os seus problemas, viva sua vida e não cause problemas pros outros. Seja uma pessoa responsável. Tenha um carro. Tenha um pênis de vinte centímetros. Tenha vinte mulheres correndo atrás de você. Tenha dinheiro. Seja independente. Seja uma pessoa que mande nos outros. Faça muito sexo.

Mas faça sexo pra valer, pois essa é a ordem. Tudo ao nosso redor fica refletindo isso. Vista-se bem para transar melhor, use a roupa de baixo correta, depile-se. Veja pornografia e saiba meter daquele jeito. Bem fundo. Não use camisinha. Use as pessoas para seu fim, saiba mentir. Saiba enganar. Nunca seja você mesmo, pois você mesmo jamais vai pegar ninguém. Funcionou alguma vez? Elas querem canalhas, querem alguém que pise nelas. Elas querem ser Belas, e você tem que ser uma Fera. Elas querem ser capazes de mudar um homem que trai, que engana, que mente, que não expressa os seus sentimentos no príncipe encantado. Elas querem Brad Pitt, George Clooney, DiCaprio, mesmo sem nunca conhece-los pessoalmente. Vão ao supermercado e escolhem a melhor embalagem.

Elas querem a imagem. Querem mostrar pras amigas, mesmo que nunca seja pra ser feliz. E isso que você vai ser, querendo buscar alguém que te aceite, mas ninguém te aceita, pois o que querem tanto é aquilo que está na vitrine. Aquilo que está nos filmes. Aquilo que está na novela. Aquilo que está nos Cinquenta Tons de Cinza. E isso você nunca será. Vai continuar trafegando sozinho no fundo pois é para isso que você nasceu, por mais que tenha vontade.

Afinal, o que é realidade?

Acha mesmo que esse mundo aqui é real?

Você está apenas lendo um texto. Nem sabe direito onde ele se situa. Pode ser que isso tudo tenha acontecido, pode ser que não. Pode ser que tudo seja verdade, ou que seja apenas mentira. No mundo de hoje pessoas acreditam em três verdades: a verdade que é dita pra todos, a verdade que é dita por alguns, e a sua verdade. Será que todas estão corretas?

O que você acha que é real, é o real. Se você achar que você não é uma pessoa, então você não é. Esconda. Aja pela aparência. Torne isso sua realidade. Ande na rua tranquilamente. Tenha uma vida comum. Viva preso na sua válvula de escape. Afinal, ninguém lá fora te entende, né? Ficam apontando a mesma coisa uma, duas, três vezes. Continue encarando as pessoas como se todas quisessem seu próprio mal. Afinal, eu não sou assim, porque eu não me vejo assim. Você está confundindo as coisas.

Sua vida é limitada pelo que você tem ao seu redor, pois você nunca tentou fazer algo ou ir além daquilo que era esperado. Anda na rua e vê muitas pessoas, e não entende que cada uma dessas pessoas tem uma vida, tem uma perspectiva, tem um ponto de vista quase que únicos. Que cada uma dessas pessoas vive no seu mundo, e todos esses mundos constituem o mundo visível. Não temos escolha. Não podemos escolher algo diferente. O mundo nos dá uma carta de escolhas, e você deve estar dentro daquilo. Seu grupo pode ter mais ou menos pessoas, pode ser um grupo popular ou odiado, mas vai ser sempre um grupo.

Uma era de confusão. Então se estou confundindo as coisas.

Afinal, o que é realidade?

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