sábado, 12 de julho de 2014

Perdemos porquê?

Bom, agora que o fuzuê abaixou um pouco dá pra postar.

Já depois do terceiro gol da Alemanha todo mundo em Facebook virou especialista em futebol. Mas acima de tudo uma coisa que não concordo nem vindo da imprensa, muito menos dos torcedores é a clássica forma de tentar achar um culpado.

Foi culpa do Felipão? Do Fred? Do Neymar? Do David Luiz que jogou na posição errada? Do time que estava com a zaga comprometida? Do Hernanes que não entrou (essa é a do comentarista Neto! Foi a frase que ele mais falou em todos os jogos, como se o Hernanes fosse o salvador da pátria)?

Quem procura culpado é mal perdedor, na minha opinião.

Foi criado desde o início uma confiança exagerada sobre o time do Brasil. Jogando em casa, saíam em comerciais pra trazer o povo pro seu lado, afinal eles sabiam que o brasileiro se acha técnico de time, e que se não tivesse o apoio, não conseguiriam nem a pau, porque se o brasileiro não vê o time jogando ele vaia mesmo.

Afinal, o torcedor brasileiro é sempre enganado, coitado. Fica passando aí na Globo que o futebol do Brasil é o melhor futebol do mundo. Diz que campeonato brasileiro é o mais concorrido do mundo, mas também pudera, que jogador aguenta jogar quarta, sábado e domingo direto? Por mais que ganhe um jogo, o corpo físico não aguenta tantas partidas seguidas. Ganha uma e perde uma, e o torcedor se vê no direito de bater no jogador se não ganha. Ao mesmo tempo o brasileiro médio só "descobriu" a Liga dos Campeões agora, muito graças ao Neymar. Ou quem ia imaginar que a Globo iria passar jogo do Barcelona no meio da tarde se o futebol brasileiro é tão perfeito e tão show?

Ninguém pensa nos méritos da Alemanha. Jogou e jogou muito. Eu acho que o Brasil devia ter perdido no Chile, mas ganhou muito mais pelo preparo físico do que por técnica propriamente dita. Hoje em dia todo país do mundo joga futebol, todo país gera craques. Da Colômbia até Costa do Marfim que você nem sabe onde é.

Na época do Pelé era fácil, só o Brasil que jogava futebol praticamente. Outros times eram apenas times de amadores que jogavam pelos seus países. Ou você pensa que, no futebol de hoje, algum jogador decente cairia naqueles dribles do Pelé? Não cairiam. Cravariam falta, dariam carrinho nele, roubariam a bola, e o Pelé não ia chegar nem perto do Neymar. O futebol mudou muito. Acostumem-se com isso. Não existe "futebol show".

E foi isso que aconteceu. Até pegar a Alemanha o Brasil, um time nível 5, tinha pegado no máximo um Chile que era nível 6. Quando veio Alemanha, um time nível 10, tomou sete gols. É simples! Alemanha era matematicamente garantida na final, como adoram dizer os comentaristas. Não foi culpa do Felipão, não foi culpa da escalação, não foi culpa do psicológico, nem nada. Apenas éramos... Inferiores.

Mas se você fala isso, nossa, é enforcado em praça pública: "Como assim! Brasil é o melhor time do mundo, somos Penta, revelamos craques pro mundo inteiro!". Falam que você não é patriota (especialmente os amantes da "Educação Moral e Cívica", conhecida como "Lavagem cerebral da ditadura"), que não acredita no seu país, que não chora cantando o hino, bem... Quando me falam isso, uso as palavras dos alemães, que não tem esse patriotismo doente e dizem: "Patriotismo exagerado gerou nada menos que o nazismo. Por isso jogamos pelo nosso país, mas não vemos motivo pra amar nossa bandeira cegamente". Bingo! ;)

Aí a gente vê essa molecada de cinco anos, dessas que gritavam "Joga por mim, Neymar" se afogando em lágrimas porque ensinaram pra ele que apenas ganhar é a opção. Falaram pra ele que Brasil é o único país que se joga futebol bem, que o SPFC é melhor que Barcelona e o Santos melhor que o Bayern de Munique. Mas esqueceram de ensinar pra ele o óbvio.

Que isso é uma competição! E temos que saber perder! Quando se é pior, se perde, não tinha como pedir pros jogadores jogarem mais pois era como tirar leite de pedra.

Como diz minha mãe, não mudou minha conta bancária. Nem se ganhasse mudaria minha conta bancária. Não adianta ficar apontando o dedo e colocando a culpa em alguém. Éramos pior, e quando se é inferior, se perde. Simples.

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