quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Doppelgänger - #37 - Invasão.

14h05

Canary Wharf sempre estava cheio de pessoas. Ali que ficava também um dos edifícios da bolsa de valores de Londres. Aquela região era no meio das docas londrinas. A região de Canary Wharf havia sido alvo já do IRA há alguns anos, e agora, era alvo de outro tipo de terrorismo: terrorismo econômico.

É um local onde existem muitos edifícios modernos, contrastando com a City londrina não muito distante dali. Uma região desenvolvida muito recentemente, mas era apenas um polo econômico, não tanto cultural. Pessoas engravatadas subindo e descendo escadas, e aquele horário já era praticamente início da hora do Rush.

Os três desembarcaram na estação de Canary Wharf e fizeram um plano.

“Parece que o Ar vai estar no subsolo do One Canada Square. É um prédio muito vigiado, e vamos ter que agir com cautela. Estamos com roupas civis, não vai ser muito fácil passarmos desapercebidos, e existe a possibilidade dele saber que o Löfgren já morreu”, disse Agatha, liderando o time.

“Vamos primeiro entrar no One Canada Square. Existem muitas pessoas lá, acho que vai temos a vantagem do terreno. Eu vou ficar distante de vocês, dando suporte, mas visível”, Victoire disse, apontando pra um banco na praça em Cabot Square.

“Nezha, está prestando atenção? Tem algo de errado?”, Agatha questionou.

Nezha parecia distante. Desde que todos eles estavam caminhando até Canary Wharf ele parecia estranho. Ele, que sempre fora o mais calado dos três, estava mais quieto que o normal.

“Vamos antes usar esse dinheiro e trocar nossas roupas. Trajes sociais. Temos um tempo até mover nossos hackers pra liberarem nossa entrada no prédio. Temos que agir com extrema cautela”, disse Agatha.

“Entendeu, Nezha?”, Victoire disse, chamando a atenção.

“Ah! Eu... Eu entendi. Desculpe”.

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14h40

“Victoire, está na escuta?”, disse Agatha, já vestida e maquiada, e com um fone de escuta.

“Sim, estou a postos”.

“Certo. Vamos revisar o plano: estamos com crachás falsos de funcionários da Barclays. O Spirit está na escuta, e está acessando o sistema do One Canada Square pra nos dar acesso. Dentro da maleta de Nezha existe um gravador, duas pistolas semi-automáticas, além de outros aparatos, incluindo um localizador. Nosso objetivo é alcançar Ar e acabar com a festinha dele de uma vez por todas”.

“Certo”, disse Nezha.

“Vamos lá”, disse Agatha.

Os dois foram andando tranquilamente em direção ao One Canada Square. Nezha dera uma última olhada em Victoire, que estava os acompanhando de longe, com as mesmas roupas de antes. Agatha estava com um traje social feminino, saia, e tudo isso coberto por um imenso e quente sobretudo. Ainda assim, suas pernas estavam de fora, protegidos por uma meia-calça escura e um salto alto. Nezha estava com um terno preto, camisa preta e gravata branca. Vestia óculos escuros também, mesmo que naquele horário no final de outono londrino, já estivesse escuro.

Foram caminhando no meio da multidão sem levantarem muitas suspeitas. Eram naquele momento meros funcionários dos bancos ali presentes. No meio do caminho um homem, também bem vestido, pediu fogo a Nezha. Realmente o disfarce estava indo de vento e popa. O homem que pediu fogo vestia um terno muito fino e usava ainda um chapéu, que escondia ligeiramente o rosto.

Nezha ofereceu fogo, e quando ele ergueu o rosto pra agradecer, levou um imenso susto.

Era Ar.

“Então são vocês que estão atrás de mim? Pensei que mandariam gente mais qualificada”, disse Ar.

Ambos se assustaram, ficaram mudos, sem reação. Realmente aquilo era uma armadilha, não era mentira de Neige! Ar de alguma forma havia previsto o passo de todos, e antes mesmo de entrarem no One Canada Square Ar havia os pego sem menores problemas.

“Agora que acendi o cigarro não vai dar pra entrar, uma pena. Teremos que ficar aqui nesse frio. Mas eu prometo que vai ser mais divertido ainda”, disse Ar.

“Droga... Como você...?”, disse Agatha.

“Calma, Agatha. Primeiro, me dê essa mala”, Ar pegou a mala e entregou pra um homem que estava distante apenas alguns metros dele, “Com vocês no meu encalço vai ser complicado realizar meus planos. Eu prometo que se vocês forem legais, não vão ficar muito tempo na cadeia, afinal vocês estão em estado de Disavowed”.

Nezha permanecia sem palavras.

“Seu idiota... Se não tivesse tantas pessoas aqui eu enfiaria uma bala nos seus miolos!”, disse Agatha.

“Mesmo que enfiasse, posso te dar certeza que chamaria muito a atenção, e sem provas, seria apenas um assassinato polêmico numa praça em Canary Wharf. Os jornais com certeza iam condenar vocês até a morte, pois é assim que funciona a justiça”, disse Ar.

“Então o que você quer, seu imbecil?”, disse Agatha, ofensivamente.

“Quero mostrar porque o mundo está nas minhas mãos, Agatha. Vou quebrar alguns países como uma jogada de xadrez. E o melhor: vou deixar você escolher. Tem algum lugar em especial que você quer quebrar a economia?”.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

The last of us

Esses dias eu enfim botei as mãos em um jogo que eu queria jogar há muito tempo. The last of us, da NaughtyDog (a mesma que produziu "apenas" Uncharted, um dos meus jogos favoritos também).

Como sempre o jogo é muito cinematográfico. Ótimo motion capture, ótimos atores também, mas o que mais me impressionou foi a dublagem em português. Eu admiro muito trabalho dos dubladores no Brasil, eu mesmo ainda pretendo ser um em breve. E a NaughtyDog aprendeu com a burrada que foi Uncharted em português e enfim dublaram a coisa de uma maneira legal.

Queria mostrar uma cena do jogo, aos 15m11s desse vídeo que tem todas as cenas, é logo do início, então não tem spoilers, só pra verem o nível da coisa, expressões, falas, jogos de luzes, ângulos de câmera, enfim. Aula de cinema.



(Só eu continuo achando que foi muito descarado criar um CG que é a cara cuspida da Ellen Page e ainda colocar o nome da personagem de Ellie? Pelo visto nem a Ellen Page curtiu muito)

Games já tomaram o lugar do cinema faz tempo. E games como The last of us mostram muito isso. Claro que a coisa foi evoluindo, e muita gente ainda acha que games são como aqueles fliperamas antigos, mas não! Games mudaram bastante, hoje são verdadeiras obras como The last of us.

O jogo em si é bom. Não é muito grande, nem muito longo. O quesito de exploração é muito elaborado, as conversas bem boladas e o enredo digno de filme. E isso porque odeio essa moda de zumbis que tem hoje em dia, mas esse os protagonistas têm uns discursos internos e o final é do balacobaco.

Como acho que a engine foi meio em cima da do Uncharted, existe uma coisa inútil: botão X como sendo de pulo. Você nunca usa, e ele te leva pra lugar nenhum. Apenas é usado como botão de ação secundária. Clichê de games desde Mario é que seu personagem pule.

Mas em suma curti. NaughtyDog como sempre arrebenta. ;)

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Último fôlego.

Shu Lien…

Shh… Guarde suas forças.

Minha vida está se esvaindo. Eu só tenho um último fôlego.

E então o use para meditar. Liberte-se deste mundo. Como você me ensinou. Deixe sua alma partir para a eternidade com o seu último fôlego. Não o desperdice comigo.

Já desperdicei toda a minha vida. Quero lhe dizer com meu último fôlego, que eu sempre amei você. 


Eu preferiria ser um fantasma vagando ao seu lado, como uma alma condenada a ter que entrar no paraíso sem você. Porque com o seu amor eu nunca seria um espírito solitário.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Diário de Fotógrafo #22 - Cusco

(nossa, a última postagem do diários de fotógrafo foi em fevereiro de 2013... Shit!)

Cusco! Lugar lindo, sem noção. E isso porque nem precisei ir até Machu Picchu. Cidade muito humilde, é verdade, mas muito segura e com edifícios lindos. Uma super vista!

Além das estátuas presentes no local também. Todas as fontes e tudo mais, enfim, Cusco é um sonho na América Latina!










segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Duas faces distintas de um mesmo ser.

Esse é um daqueles posts que eu quero mostrar como budismo é essa coisa que faz super sentido quando estudamos a fundo. Eu gosto muito de estudar, e quanto mais vou estudando e meditando sobre, mais eu vejo como tudo se encaixa magistralmente, como se fossem peças cortadas num quebra-cabeças.

Quero falar hoje do Achala. Um ser que, pela sua cara de poucos amigos, muitos demoram a reconhecer que ele é budista:


O que vou dizer? Ele é um dos meus favoritos. Mas existe muita gente que não gosta dele por ele ter essa cara de quem chupou limão e não gostou. Já eu, gosto muito. Achala é uma figura que mostra uma incrível determinação, muito simbolizado por essa espada na mão dele.

Com essa espada ele corta todos os obstáculos e libera o caminho para nós passarmos. Por isso, ele é muito associado com o fogo também, queimando-os, suportando tudo e não deixando sua meditação ser afetada. Note que meditação no budismo não significa apenas ficar lá sentado em posição de lótus, e sim manter o pensamento nos Budas e nos Guardiões do Darma, e ao mesmo tempo seguir os preceitos e ensinamentos do Buda.

Outros significados da espada pode ser como a de um ser que mostra sua dureza, que é capaz de usar a força pra ensinar seu pupilo. Mas ele não faz isso por mal. Amadurecimento ás vezes é um processo dolorido, logo precisamos passar, mas ele sabe até onde aguentamos. Nunca nos dá uma cruz maior que nós não consigamos carregar.

Por isso nesse primeiro Achala eu quis mostrar com destaque a espada, essa determinação toda dele.

Já o meu segundo, podem ver que ele está bem diferente:


Eu brinco que não sei porque as pessoas não gostam do Achala, se ele tem o cabelo encaracolado de anjinho! É um verdadeiro anjo! Mas esse parceiro é sim um cara muito bom. Eu citei a questão da espada significar essa determinação, a dor, logo na outra mão temos uma corda vajra, um instrumento esotérico que é usado para normalmente nos ligar a algo maior. Ela é toda entrelaçada assim.

Essa corda significa o aspecto compassivo do Achala. Que, embora ele na outra mão tenha uma espada, ele no fundo sofre muito por ver as pessoas sofrendo também. Por isso ele joga essa corda para ajudar os espíritos que a toquem.

Percebam que até a expressão, posição do corpo é diferente do primeiro. No primeiro eu fiz ele olhando para o além, determinado em passar e superar tudo, com o rosto mostrando uma garra tremenda.

Mas o segundo, eu já fiz ele de costas, como se ele olhasse pra quem não conseguisse suportar a rolada e o Achala dissesse: "Fique tranquilo, você vai conseguir". Até a expressão dele tá mais amigável, e ele olha nos olhos de quem vê a obra.

Engraçado como budismo tem dessas. O mesmo ser significa tanto a compaixão quanto a determinação. E no final, tudo faz um baita dum sentido, não?

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Manjushri


Oba! Eu tava enrolando demais pra fazer esse, mas queria fazer há décadas.

Manjushri (文殊) é o bodhisattva da sabedoria no budismo. Ele é um dos mais ativos na época do próprio Shakyamuni, fica andando com ele até o final da vida. Gosto muito do simbolismo dele. Numa mão tem uma espada pra cortar a ignorância, na outra uma lótus com o Sutra Prajnaparamita, e normalmente é colocado junto de um leão azul que significa que dominou sua mente.

Como o leão normalmente ele monta em cima, ou ele está em cima da pele do gatinho, resolvi usar uma licença poética e fazer um leão mansinho do lado dele. ;)

Esse foi complicado porque a figura dele em pinturas e arte budistas já tão complicadas por si mesmas. Olha só:


Eu gosto de tentar traduzir os bodhisattvas e seres budistas o mais humano possível. =) Gostaria de deixar eles mais próximos de nós, mostrar que estão nos olhando e nos ajudando de certa maneira.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #12 - Monte Fuji



Buscando o maioral, o grande símbolo nipônico! Bom e velho Fuji-san. =)

E no final, os melhores momentos dessa viagem ao Japão! =D

sábado, 6 de setembro de 2014

A fé de minha avó.

Esses dias dei um pulo na casa da minha avó, materna (o vô Chico é paterno), dona Judite.

Sempre tive muito receio de falar pra ela sobre budismo, a fé que sigo na Shinnyo-en. Ela é evangélica, e sempre teve uma história bonita, sua fé já ajudou muito minha família durante muitos anos, e eu sou incrivelmente grato por tudo o que me ofereceu também.

Em depoimentos ou dedicatórias eu sempre agradeço aos Budas, Deus e Jesus Cristo. Os ensinamentos do Cristo foram a base da minha fé para ir pro budismo, por isso meu objetivo nunca foi dizer que a fé deles é errada, muito pelo contrário. Eu mesmo hoje mantenho um imenso respeito e admiração. Mas por minha avó ser cristã, e a bíblia sempre falar que apenas Deus é o caminho e a salvação, sempre foi complicado pra ela admitir que o neto primogênito dela é budista.

Fui comentar que vou fazer mais uma viagem de cunho religioso em breve, e ela comentou:

"Puxa, essa sua igreja tá fazendo você conhecer o mundo, o que é muito bom. Deus tem um plano pra cada um de nós, e parece que seu plano é servir Deus, fazer o bem, mesmo que não seja na nossa igreja. Mas eu não tenho dúvida que se esse for o seu caminho no budismo, Deus vai te proteger e vai ajudar você a fazer grandes obras para muitas e muitas pessoas. Eu sinto que o que você vai fazer é grande".

Desde criança eu sempre sabia que um dia eu ia me dedicar ao divino. Acho que uma pessoa como eu que desde que nasceu luta pela vida mesmo ainda no ventre da mãe devia ter um propósito. Minha avó também sempre falava, mas acho que se vai dar certo ou não esse tal plano grande, apenas o tempo dirá. No momento preciso praticar muito, muito mais.

Mas achei bonito isso que minha avó disse. Sei que ela fica triste por eu não seguir a fé tradicional da família. Porém ela sabe que eu estou me dedicando a algo maior, e quando um coração puro se dedica a algo assim, os Budas, Deus, Jesus Cristo, todos conspiram para que tudo ocorra bem pelo bem de todos.

É nisso que acredito.

Proteção é o que não falta!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Doppelgänger - #36 - Branco como a neve.

Agatha estava no banheiro passando uma água nos ferimentos. Como era novembro, a água estava gelada, o que aliviava as dores do punho pesado de Victoire.

Enquanto isso, Victoire estava no hall, observando se alguém iria aparecer lá. Realmente eles não tinham muito tempo.

“Victoire, Agatha!”, gritou Nezha, entrando na casa pela porta de trás.

“Nezha! Onde você estava?”, questionou Victoire.

“Desculpe, me perdi de vocês. Onde está a Agatha?”.

“É uma longa estória. Viu se tinha policiais vindo atrás da gente?”

“Acho que eles estão vindo pra cá. Precisamos dar o fora rápido!”.

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Os três pegaram um ônibus em direção à estação de Cockfosters. Por ser um local público, seria um pouco mais difícil encontrarem eles junto da multidão. O tempo estava passando, e já eram 13h. Às 16h o Ar estaria em Canary Wharf, do outro lado de Londres, e eles deveriam correr.

Porém, justo na estação Cockfosters, tinham vários policiais. E eles pareciam ficar de olho em todas as pessoas que chegavam à estação. Sem dizer uma palavra, é claro, para não causar furor nas pessoas. Aquilo fora divulgado apenas como medida de segurança trivial.

“Merda...”, disse Agatha, “Temos que ir pela Westpole. A estação Oakwood fica meio longe, mas acho que lá deve estar mais tranquilo pra andar”.

E eles viraram na Cockfosters Road em direção à Westpole Avenue. Mal haviam andando alguns metros na rua quando o celular de Victoire tocou.

“Alô?”, atendeu Victoire.

A pessoa do outro lado da linha falava francês. Com um bocado de sotaque, mas falava.

“Allô? Pourrais-je parler à mademoiselle Victoire?”, era uma voz masculina.

“Qui diable êtes-vous?”, respondeu Victoire, grossa.

 “Mademoiselle Victoire”, a voz prosseguiu, ainda em francês, “Sou um amigo de Al. Me chame de Neige [se pronuncia: né-je]”.

“Neige...? Neve? Como conseguiu esse número? Como sabe do Al?”, continuou Victoire. A conversa toda se deu em francês.

“Sou amigo dele. Ele pediu pra que eu desse uma mão pra vocês enquanto ele está em treinamento. Quero que me ouça com atenção, pois se você não me seguir corretamente, temo dizer que você corre perigo de vida”.

“Do jeito que eu tô fudida, agradeceria se alguém realmente me desse um tiro na testa”, desabafou Victoire.

Agatha e Nezha olhavam pra Victoire caminhando e falando no celular. Não sabiam quem se tratava, mas pela cara de Victoire aquele momento não era o melhor para receber uma ligação dessas. Andavam discretamente entre as pessoas, mas apertando o passo cada vez mais.

“Vocês estão indo pra Canary Wharf encontrar o Ar, certo? Acontece que isso é uma armadilha. Löfgren foi coagido a mentir pra vocês, e vocês vão cair na armadilha dele. Porém, eu tenho um plano pra surpreender o Ar, você pode confiar em Agatha e Nezha?”, disse Neige.

“Sim. Apenas o segundo deu um sumida, mas acho que foi nada demais”, disse Victoire.

O silêncio tomou conta da linha. Victoire ouvia um teclar vigoroso do outro lado da linha. Aparentemente Neige estava usando um computador.

“Fale apenas pra Agatha”, disse Neige, “Tente não contar ao Nezha. Não tenho certeza, mas por via das dúvidas, esconda essa ação nossa dele”.

E Victoire ouviu o plano todo. Realmente esse tal de Neige parecia ter arquitetado uma excelente ação.

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Já nos trens da Picadilly Line, Victoire havia chamado Agatha pra uma rápida conversa e contou tudo pra ela sobre o plano, e sobre esse tal de Neige. Agatha também não havia entendido porque não contar a Nezha, mas também achou muito suspeito ele ter sumido por tanto tempo do nada.

Olhando pela janela, Victoire via seu reflexo. Era uma moça jovem e bonita ainda, em meados dos seus trinta anos. Abrira o celular e vira uma foto que tinha de Al. E pensara ainda nas coisas que Agatha havia lhe dito.

Realmente, ele não a amava. Como Al poderia amar a pessoa que lhe infectou com o vírus que estava envelhecendo suas células? O coração de uma mulher frequentemente engana elas mesmas.

Ela queria ser a princesa que faria a fera se tornar o príncipe. Via que ela mesma nutria essa idealização. Pelo amor, mudar uma pessoa, e tornar a pessoa que nunca sentiu nada por ela – que apenas a usou – na pessoa que a amaria verdadeiramente. Mas Al nunca a amaria. Al ainda tinha uma cicatriz aberta muito grande desde a morte da garota do cabelo cor-de-beringela. Aquela era a mulher da vida dele, e não Victoire.

Mas como viver uma nova vida? Enquanto se olhava no espelho refletia. Se sentia velha. Velha pra iniciar um novo amor. Mas ao mesmo tempo pensava:

Será que esse affair entre eu e Al pode ser considerado um... Amor?

Eu acho que devia dar ouvidos à Agatha. Eu mesma estou me iludindo. Eu deveria me dar uma nova chance, achar alguém que realmente me ame, e que não me use apenas pra uma noite. Acho que nutrir isso pelo Al era uma forma minha de fugir da realidade, pois eu nunca confiei muito em mim. Tanta mulher bonita por aí, nunca me senti merecida por alguém.

Mas em algum momento eu achei que isso era correto. Mas será que é mesmo? Agatha está sozinha, e parece bem mais feliz que eu. Acho que o meu caso não seja ficar sozinha. A “velha” também me deu uma chance para que eu recomeçasse minha vida. E tudo o que eu fiz foi me fechar pra muitos caras legais e ficar amando o Al de uma forma platonicamente doentia.

Não consigo colocar a culpa dele. A culpa toda é minha.

Não sou presa à ele.

“The next station is King’s Cross St-Pancras”, a locutora do trem anunciou.

“Vamos descer aqui pra trocar de linha, certo?”, disse Victoire, chamando os outros dois.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Vai chover!

André e eu éramos grandes amigos na faculdade. Éramos como unha e carne, sempre andávamos juntos, eu, ele e a namorada dele, a Gabi. Porém, isso foi lá por meados de 2009... E tivemos uma briga feia na época.

E francamente, depois de tanto tempo nem lembrava direito o porquê. Mas achei que deveríamos por um ponto final nisso. Que muito tempo havia passado, e eu acho que amadureci e mudei muito nesse meio tempo.

Já se foram cinco anos desde a briga. Porém, achei que a melhor chance pra se enfim fazer a pazes seria agora. E depois de uma rápida conversa com a Gabi, achei que seria a chance de dar um ponto final nisso. Mandei um e-mail pra ele pedindo desculpas.

E hoje enfim nos reencontramos. Depois de tanto tempo.

Fiquei bastante nervoso. Temi que ele estaria muito triste ou com raiva de mim, mas ainda assim eu queria pedir perdão. Eu errei, era imaturo e um idiota na época. Em mim não tinha mais nenhuma raiva, apenas o sincero pedido de pedir perdão. Enquanto conversávamos demos risada. E, mesmo aquela amizade que havia sido ferida por uma briga há quatro anos em pouco tempo parecia que tinha sido semana passada que havíamos nos falado. Estávamos dando risada um com o outro e tudo ali estava perfeito como nunca.

Só tenho motivos pra agradecer. Sem dúvida isso já fez 2014 ser um ano super especial pra mim. =)

É cara, nos encontramos finalmente. Vai chover!


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Aventuras de Sir Alain no Japão #11 - Okonomiyaki



Sonho de gordo! Sonho gastronômico!

Uai, tem gente que quer vir no Brasil pra comer feijoada. Eu queria ir pro Japão pra comer okonomiyaki! E que coisa divina! Com certeza deus criou o homem e a mulher, e no Eden deu okonomiyaki pra eles.

Ainda bem que lembraram da receita, porque isso é muito bom, deus do céu!

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