quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Cusco 2014 - Prólogo

No início de julho fiquei sabendo que Sua Santidade Shinso Ito viria ao Peru realizar a primeira cerimônia da Shinnyo-en na América do Sul. Realmente, grande felicidade! Fiquei meio triste no início por não ser no Brasil, mas ela estava cumprindo sua promessa de vir para a América do Sul! E dois anos de meditação depois, enfim o recado que havia trago do Saito Homa 2012 estava se realizando.

Mas não foi fácil.

No dia 15 de julho estava com meu irmão arrumando um antigo ferrorama que temos. Subi para comprar pilhas para testar e na ida pro bazar senti uma tontura incrível. Lembro que tinha visto no relógio a hora: 14h e pouco.



Minha pressão caiu - e eu tinha almoçado normal. Senti como se algo me empurrasse pra baixo, grudasse nos meus pés. Eu sabia que era espiritual, mas não tinha ideia. Até mesmo enquanto ainda consertávamos o trenzinho eu disse que tinha ficado cansado do nada e precisava repousar um pouco. Foi aí que umas 16h eu abri meu e-mail. E lá estava a confirmação que de que eu tinha sido convidado pra ir ao Peru.

Naquele mesmo quinze de julho o dia inteiro fiquei passando mal. Por mais que eu comesse, a tontura nunca passava. Jantei e disse pros meus pais que ia pra cama mais cedo porque tava cansado, e ao deitar na cama eu simplesmente desmaiei. Senti minhas forças se esvaindo, minha respiração ficando cada vez mais difícil, até que tudo era apenas escuridão.

Acho que morrer deve ser algo parecido.

Mas é justo nessas experiências que a gente vê a imensa compaixão e ajuda dos Budas.



Vi a minha antepassada índia chorando de preocupação, enquanto isso via Seiryo Dai-Gongen afastando com o focinho vários espíritos parasitas que pareciam sugar meu corpo. E depois que ele tirou vários daqueles sanguessugas vi Keishu-sama meditando. Meditando por mim, agradecendo por eu estar ajudando ela a consolar todos os espíritos.

Acordei já era quase madrugada. E não estava mais sentindo aquela tontura. Mas aquilo era apenas o começo.

Tive uma briga feia com Denichan, minha madrinha, daquele dia até o dia do meu aniversário. Um presente horrível. Depois vi cada um dos meus afilhados acontecendo algo mais terrível com eles. Desde dificuldades relativas a herança, familiares, parentes falecendo, crises depressivas, dificuldades de trabalho, tudo. Muitos dias depois de ouvir firmemente todas as reclamações deles, eu ia orar em lágrimas, implorando aos Budas que deixassem nada acontecer com eles, que eu preferiria que tudo aquilo acontecesse comigo, e jamais com eles. Os Budas foram meu confessionário, onde eu despejava minhas lágrimas de frustração por desejar que tudo aquilo acontecesse comigo e não com eles.



Muitas pessoas ficaram felizes com o fato de termos sido convidados. E os dias se transformaram em semanas, que se transformaram em meses. Enquanto arrumava a mala eu havia tomado uma resolução: não queria ver nossa líder, Keishu-sama, passando mal pela influência espiritual. Havia muita carga, e mesmo que eu não aguentasse nem um milésimo da carga que caía sobre ela, queria que todos os méritos e energia fossem para ela. Não me sentiria bem em vê-la triste ou mal.

Eu deveria protegê-la com o meu máximo. Por isso darei meu melhor e irei além dos meus limites no Peru.

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